FEBACLA e Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘FEBACLA e Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente: distinção institucional, tradição e preservação da memória histórico-cultural’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Banner digital do Jornal Cultural ROL destacando o artigo do Prof. Dr.h.c. mult Alexandre Rurikovich Carvalho. À esquerda, o autor aparece sorrindo, de terno e gravata vermelha, sentado em uma escrivaninha de madeira com livros antigos empilhados e um globo terrestre dourado. No centro, o título principal diz: 'FEBACLA E CASA REAL E IMPERIAL DOS GODOS DE ORIENTE: DISTINÇÃO INSTITUCIONAL, TRADIÇÃO E PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA HISTÓRICO-CULTURAL', seguido pela frase 'Duas Instituições. Duas Finalidades. O mesmo respeito pela história'. No topo, figuram os brasões oficiais da FEBACLA (com a inscrição Patrono D. Pedro II) e da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, ladeados pelas bandeiras do Brasil e de uma pintura clássica de Dom Pedro II. O plano de fundo mostra uma transição sutil para uma imagem do Museu Nacional no Rio de Janeiro. No rodapé azul-escuro, constam os créditos ao autor como Jornalista, Filósofo, Historiador e Pesquisador, ao lado do logotipo do Jornal Cultural ROL.
Banner digital do Jornal Cultural ROL destacando o artigo do Prof. Dr.h.c. mult Alexandre Rurikovich Carvalho. À esquerda, o autor aparece sorrindo, de terno e gravata vermelha, sentado em uma escrivaninha de madeira com livros antigos empilhados e um globo terrestre dourado. No centro, o título principal diz: ‘FEBACLA E CASA REAL E IMPERIAL DOS GODOS DE ORIENTE: DISTINÇÃO INSTITUCIONAL, TRADIÇÃO E PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA HISTÓRICO-CULTURAL’, seguido pela frase ‘Duas Instituições. Duas Finalidades. O mesmo respeito pela história’. No topo, figuram os brasões oficiais da FEBACLA (com a inscrição Patrono D. Pedro II) e da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, ladeados pelas bandeiras do Brasil e de uma pintura clássica de Dom Pedro II. O plano de fundo mostra uma transição sutil para uma imagem do Museu Nacional no Rio de Janeiro. No rodapé azul-escuro, constam os créditos ao autor como Jornalista, Filósofo, Historiador e Pesquisador, ao lado do logotipo do Jornal Cultural ROL.

RESUMO 

O presente artigo aborda as diferenças de natureza, finalidade e atuação entre a  Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA) e  a Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente. Embora  ambas possam manter diálogo e convergir na valorização da história, da cultura e da  memória, constituem estruturas institucionais distintas, com objetivos próprios.

O  estudo procura esclarecer especialmente a diferença entre honrarias acadêmicas e  culturais, de um lado, e referências, dignidades e tradições de natureza dinástica e  nobiliárquica, de outro. Analisa-se ainda o significado do patronato de Dom Pedro  II na FEBACLA, destacando seu reconhecido vínculo histórico com as ciências,  as letras, as artes e a preservação da memória.

Por fim, são apresentados os  princípios institucionais que orientam a Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente,  incluindo seu caráter apartidário, sua independência em relação a organizações  religiosas e a inexistência de pretensão territorial. Conclui-se que o respeito à  identidade e à autonomia de cada instituição constitui elemento fundamental para a  preservação da memória, da cultura e da responsabilidade institucional. 

Palavras-chave: FEBACLA; Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente; honrarias  acadêmicas; tradição dinástica; memória histórico-cultural.

ABSTRACT 

This article discusses the differences in nature, purpose, and institutional scope  between the Brazilian Federation of Academicians of Sciences, Letters and Arts  (FEBACLA) and the August and Sovereign Royal and Imperial House of the  Goths of the East. Although both may engage in dialogue and share an appreciation  for history, culture, and collective memory, they constitute distinct institutional  structures with their own purposes. The study seeks to clarify, in particular, the  distinction between academic and cultural honors, on the one hand, and references,  dignities, and traditions of dynastic and nobiliary nature, on the other. It also examines  the significance of Emperor Pedro II’s patronage of FEBACLA, emphasizing his  historical connection with science, literature, the arts, and the preservation of memory.  Finally, the institutional principles guiding the Royal and Imperial House of the Goths  of the East are presented, including its non-partisan character, independence from  religious organizations, and absence of territorial claims. It concludes that respect for  the identity and autonomy of each institution is fundamental to preserving memory,  culture, and institutional responsibility. 

Keywords: FEBACLA; Royal and Imperial House of the Goths of the East;  academic honors; dynastic tradition; historical-cultural memory. 

1 INTRODUÇÃO 

A sociedade contemporânea vive uma profunda transformação na forma de produzir,  compartilhar e consumir informações. As redes sociais ampliaram extraordinariamente  a circulação do conhecimento, mas também favoreceram a disseminação de  informações descontextualizadas, interpretações simplificadas e confusões  terminológicas. 

No campo da História, da cultura e das tradições honoríficas, essa realidade merece  atenção especial. Expressões como “título”, “comenda”, “medalha”, “patronato”,  “honraria”, “nobreza” e “dignidade” podem possuir significados distintos conforme o  contexto institucional em que são utilizadas. 

É nesse cenário que se apresenta a necessidade de distinguir a atuação da  FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes da atuação da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de  Oriente

A aproximação entre as duas instituições pode ocorrer no âmbito da cultura, da  história, da memória e da valorização das tradições. Entretanto, tal aproximação não  elimina suas diferenças fundamentais. 

A FEBACLA possui natureza e finalidade voltadas ao campo acadêmico, cultural,  científico, literário e artístico, enquanto a Casa Real e Imperial possui identidade  relacionada à tradição histórica, genealógica, dinástica, simbólica e  nobiliárquica

O objetivo deste artigo, portanto, não é estabelecer qualquer hierarquia entre as duas  instituições, mas esclarecer suas respectivas identidades e evitar interpretações  equivocadas.

2 A FEBACLA E O RECONHECIMENTO ACADÊMICO E CULTURAL 

A Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA desenvolve suas atividades no campo da cultura, das ciências, das letras,  das artes e do reconhecimento institucional daqueles que contribuem para essas  áreas. 

Dentro de sua finalidade, podem existir diferentes modalidades de reconhecimento,  tais como academias, cadeiras, títulos honoríficos, medalhas, comendas, diplomas e  outras distinções institucionais. 

Essas formas de reconhecimento possuem natureza própria e devem ser  compreendidas dentro do contexto da instituição que as concede. 

Uma questão, contudo, merece destaque: 

honraria acadêmica ou cultural não se confunde automaticamente com título  nobiliárquico. 

Ser acadêmico, membro, comendador, titular de medalha ou agraciado com uma  distinção da FEBACLA não significa, por esse simples fato, ingresso na nobreza. 

A distinção reconhece, dentro do âmbito institucional da Federação, determinados  méritos, contribuições ou trajetórias. 

Assim, a concessão de uma comenda ou medalha institucional deve ser  compreendida como manifestação de reconhecimento, e não como mecanismo  automático de transformação do agraciado em membro de uma ordem nobiliárquica  ou de uma estrutura dinástica. 

Essa diferenciação é fundamental para preservar a seriedade das próprias honrarias.

3 HONRARIA, TÍTULO E NOBREZA: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA

A palavra “título” pode apresentar diferentes significados. 

No universo acadêmico, cultural e honorífico, pode representar uma distinção concedida em reconhecimento a determinado mérito. 

No universo nobiliárquico e dinástico, pode estar relacionada a uma tradição histórica específica. 

Da mesma forma, o termo “comenda” pode aparecer em diferentes contextos  institucionais e históricos. 

Por isso, não é adequado analisar uma honraria apenas pela sua denominação. 

É necessário considerar quem a concede, qual é a natureza da instituição  concedente, qual é a finalidade da distinção e dentro de qual tradição  institucional ela se insere.

A Constituição da República Federativa do Brasil protege a liberdade de expressão  intelectual, artística e científica e assegura a liberdade de associação para fins lícitos. 

Nesse contexto, instituições civis podem estabelecer mecanismos próprios de  reconhecimento e premiação dentro de suas finalidades, sem que isso signifique que  suas distinções possuam automaticamente natureza estatal ou nobiliárquica. 

Essa diferença conceitual é indispensável. 

4 DOM PEDRO II E O PATRONATO DA FEBACLA 

A escolha de Dom Pedro II como Patrono da FEBACLA possui profundo significado  histórico e cultural. 

O segundo e último imperador do Brasil é amplamente reconhecido por seu interesse  pelas ciências, pelas letras, pelas artes, pela educação e pelas novas tecnologias de  seu tempo. 

O Museu Imperial registra seu interesse por áreas tão diversas quanto História,  Filosofia, Música, Literatura, Biologia, Medicina, Química, Arqueologia, Matemática e  Astronomia, além de destacar seu incentivo às artes e a artistas de seu período. 

A Biblioteca Nacional também preserva importante testemunho desse interesse  intelectual. A coleção de D. Pedro II, especialmente a Coleção Thereza Christina  Maria, reúne aproximadamente 23 mil fotografias e foi incorporada ao Registro  Internacional da Memória do Mundo da UNESCO. 

Sua relação com a fotografia foi particularmente significativa. A Biblioteca Nacional  registra que D. Pedro II foi entusiasta e colecionador de fotografia e contribuiu para o  desenvolvimento dessa atividade no Brasil. 

Esses elementos ajudam a compreender por que sua figura histórica se mostra  adequada ao patronato de uma instituição dedicada às Ciências, Letras e Artes. 

O patronato, contudo, possui caráter histórico, simbólico e cultural. Ele não transforma a FEBACLA em instituição nobiliárquica. 

Também não representa, por si só, mecanismo de transmissão de títulos dinásticos  ou de nobreza. 

O nome de D. Pedro II é evocado em razão de seu legado e de sua importância para  a cultura e o conhecimento brasileiros. 

5 A CASA REAL E IMPERIAL DOS GODOS DE ORIENTE 

Em campo institucional distinto encontra-se a Augustíssima e Soberana Casa Real  e Imperial dos Godos de Oriente

Sua identidade está relacionada à preservação de uma tradição histórica,  genealógica, dinástica, simbólica e nobiliárquica.

Dentro desse universo, temas como precedência, dignidades, referências dinásticas,  genealogia, heráldica e eventual investidura nobiliárquica pertencem ao âmbito  próprio da Casa. 

Esses elementos não fazem parte das atribuições acadêmicas e culturais da  FEBACLA. 

É justamente essa separação de competências que permite compreender a  coexistência das duas instituições sem que uma seja confundida com a outra. 

6 O CONCEITO DE FONS HONORUM NA TRADIÇÃO DINÁSTICA 

A expressão latina fons honorum, tradicionalmente traduzida como “fonte de honra”,  aparece no vocabulário relacionado às tradições nobiliárquicas e dinásticas. 

No contexto histórico dessas tradições, o conceito está associado à autoridade ou  prerrogativa honorífica atribuída a determinadas casas soberanas, ex-soberanas ou  chefias dinásticas, conforme a tradição específica considerada. 

Entretanto, é importante estabelecer uma distinção metodológica. 

A utilização do conceito de fons honorum no âmbito de uma tradição dinástica não  deve ser automaticamente confundida com o reconhecimento, pelo Estado brasileiro,  de efeitos jurídicos de soberania ou de títulos de nobreza. 

Assim, no presente artigo, o conceito é utilizado no sentido histórico e dinástico, e  não como afirmação de exercício de soberania estatal. 

Essa ressalva é importante para preservar o caráter histórico-cultural da discussão. 

7 UMA CASA APARTIDÁRIA, ACONFESSIONAL E SEM PRETENSÃO  TERRITORIAL 

A Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente afirma  sua natureza apartidária

Isso significa que sua identidade institucional não está vinculada a partidos políticos,  campanhas eleitorais ou correntes político-partidárias. 

Sua tradição dinástica não deve ser utilizada como instrumento de disputa política. A Casa também se apresenta como sem vínculo religioso ou confessional

Não constitui igreja, denominação religiosa ou organização subordinada a  determinada confissão. 

Essa característica está em consonância com o princípio constitucional da liberdade  de consciência e de crença e com a separação entre Estado e organizações  religiosas. 

Outro ponto fundamental diz respeito ao território. 

A Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente não pleiteia, reivindica ou pretende  exercer soberania sobre territórios, Estados ou nações.

Seus títulos, símbolos e referências dinásticas devem ser compreendidos no campo  da tradição histórica e do patrimônio imaterial, e não como instrumentos de  reivindicação territorial. 

Tal posicionamento também deve ser compreendido em respeito à soberania dos  Estados e aos princípios de independência nacional, autodeterminação dos povos,  não intervenção e solução pacífica das controvérsias presentes no artigo 4º da  Constituição Federal. 

8 TRADIÇÃO NÃO SIGNIFICA DISPUTA 

A preservação de uma tradição dinástica não implica necessariamente uma  reivindicação de poder político. 

A História demonstra que símbolos, genealogias, brasões, títulos e tradições podem  sobreviver como elementos de identidade cultural e de memória. 

Preservar uma tradição não significa necessariamente pretender restaurar uma  determinada ordem política. 

Essa distinção é particularmente importante no mundo contemporâneo. 

A Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente compreende sua tradição como  patrimônio histórico e simbólico, devendo sua atuação ser interpretada dentro de seus  próprios princípios institucionais e em respeito às instituições constituídas. 

Tradição, nesse sentido, não deve ser confundida com disputa. 

9 AUTONOMIA INSTITUCIONAL 

A FEBACLA e a Casa Real e Imperial possuem autonomia em relação aos seus  respectivos campos de atuação. 

O ingresso de uma pessoa em uma instituição não gera automaticamente vínculo com  a outra. 

Uma pessoa pode integrar a FEBACLA sem pertencer à Casa Real e Imperial. Pode integrar a Casa Real e Imperial sem ocupar cadeira ou função na FEBACLA. 

Também pode manter vínculos com ambas, desde que sejam observados, de  maneira independente, os requisitos e procedimentos próprios de cada instituição. 

Essa possibilidade de coexistência demonstra que não existe incompatibilidade  necessária entre participação acadêmico-cultural e vínculo com uma tradição  dinástica. 

O ponto fundamental é não confundir as respectivas naturezas.

10 UMA MATRIZ COMPARATIVA 

Aspecto FEBACLA Casa Real e Imperial dos  Godos de Oriente 

Natureza predominante Acadêmica, cultural, científica,  literária e artística 

Histórica, genealógica,  dinástica e simbólica 

Fundamento do  reconhecimento 

Patronato/referência  

Mérito e contribuição cultural,  acadêmica, científica e artística 

Tradição e critérios próprios  da Casa 

Tradição histórica e  

histórica Dom Pedro II 

Honrarias Medalhas, comendas, títulos e  distinções institucionais 

Valorização das Ciências,  

dinástica dos Godos de  Oriente 

Dignidades e distinções  vinculadas à tradição própria  da Casa 

Preservação da tradição,  

Finalidade 

Letras, Artes, cultura e  conhecimento 

memória e identidade  dinástica 

Natureza política Cultural e apartidária Apartidária 

Natureza religiosa Institucionalmente cultural e  acadêmica 

Sem vínculo religioso ou  confessional 

Território Não possui finalidade territorial Não reivindica ou pleiteia  territórios 

Relação entre as  

instituições Independente Independente

11 CULTURA, MEMÓRIA E RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL 

A cultura brasileira é formada por múltiplas instituições, tradições, movimentos e  formas de organização. 

Academias, associações culturais, institutos históricos, museus, arquivos,  universidades, famílias tradicionais e casas dinásticas podem, cada qual dentro de  sua natureza, participar do processo de preservação da memória. 

O mais importante é que cada instituição tenha sua identidade claramente  estabelecida. 

Nesse sentido, reconhecer um escritor, pesquisador, artista ou cientista é uma forma  de valorizar a produção cultural contemporânea. 

Preservar uma tradição histórica e dinástica também pode representar uma forma de  conservação da memória. 

São manifestações diferentes, mas não necessariamente incompatíveis. 

O verdadeiro problema surge quando se confundem conceitos que possuem  naturezas distintas.

12 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise apresentada demonstra que FEBACLA e Casa Real e Imperial dos Godos  de Oriente são instituições distintas, independentes e dotadas de finalidades  próprias

A FEBACLA está voltada à valorização das Ciências, Letras, Artes, cultura,  conhecimento e produção intelectual, reconhecendo aqueles que contribuem para  esses campos. 

A Casa Real e Imperial, por sua vez, preserva uma tradição histórica, genealógica,  dinástica e simbólica própria. 

Consequentemente, uma honraria acadêmica não deve ser automaticamente  interpretada como título nobiliárquico. 

Uma comenda cultural não representa, por si só, ingresso na nobreza. O patronato de Dom Pedro II não transforma a FEBACLA em instituição dinástica. 

Da mesma forma, o pertencimento à FEBACLA não significa ingresso automático na  Casa Real e Imperial. 

A clareza desses conceitos contribui para a preservação da dignidade das próprias  instituições e das pessoas por elas reconhecidas. 

Mais do que estabelecer diferenças, este esclarecimento busca afirmar um princípio  essencial: 

cada instituição deve ser compreendida a partir de sua própria história,  natureza, finalidade e identidade. 

Em uma época marcada pela velocidade da informação, esclarecer é também  preservar. 

Preservar conceitos. 

Preservar a memória. 

Preservar a história. 

E, sobretudo, preservar a dignidade institucional. 

FEBACLA – Cultura, Ciência, Letras e Artes. 

Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente – Tradição, História e Herança Dinástica. 

Duas instituições. Duas finalidades. Respeito às suas respectivas identidades. Esclarecer é também preservar a verdade, a história e a dignidade institucional.

REFERÊNCIAS 

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:  Presidência da República, 1988. Disponível em:  

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 set. 2026.

BRASIL. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Thereza Christina Maria. Rio de Janeiro:  Fundação Biblioteca Nacional, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/bn/. Acesso em: 10  set. 2026. 

BRASIL. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Coleção Thereza Christina Maria: álbuns  fotográficos. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional Digital. Disponível em:  https://bndigital.bn.gov.br/dossies/colecao-d-thereza-christina-maria-albuns-fotograficos/.  Acesso em: 10 set. 2026. 

BRASIL. MUSEU IMPERIAL. Almanaque do Museu Imperial. Petrópolis, RJ: Museu  Imperial. Disponível em: https://museuimperial.museus.gov.br/. Acesso em: 10 set. 2026. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e  documentação: artigo em publicação periódica técnica e/ou científica: apresentação. 2.  ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e  documentação: referências: elaboração. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e  documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023. 

CARVALHO, Alexandre Rurikovich. Títulos de Nobreza Concedidos por Dinastias  Históricas. Jornal Cultural Rol, 3 jun. 2026. Disponível em: https://jornalrol.com.br/?p=81531.  Acesso em: 27 ago. 2026. 

SANTOS, Otávio Duarte. Certidão Genealógica, Heráldica e Parecer Histórico-Nobiliárquico.  Recife, 2012. 

UNESCO. Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. Paris, 2003.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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Aprender a estar sós sem nos sentirmos sós

No artigo de Osíris Lópes Valdéz, o silêncio deixa de ser solidão e se torna o reencontro conosco mesmos

Osiris Lópes Valdéz
https://gemini.google.com/app/8cdb0e14ca6f95e2?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Querido e gentil leitor:

Às vezes confundimos estar sozinhos com nos sentirmos sozinhos. Talvez porque tenhamos aprendido a medir nossa companhia pela quantidade de pessoas que temos ao nosso redor, pelas mensagens que chegam ao telefone, pelas conversas que mantemos ou pela presença de alguém do outro lado da cama. E, no entanto, existe uma solidão que dói e outra que pode nos ensinar a viver de uma maneira completamente diferente.

Estar sozinhos nem sempre significa que nos falte alguém. Às vezes significa que, por um momento, deixamos de buscar fora aquilo que precisamos aprender a encontrar dentro de nós mesmos.

Reconheço que nem sempre é fácil. Quando desaparece o ruído dos outros, também surgem nossos próprios pensamentos. E nem sempre queremos ouvi-los. Há silêncios que nos incomodam porque nos obrigam a fazer perguntas que conseguimos evitar enquanto estávamos ocupados ou acompanhados.

Mas talvez seja aí que começa uma das formas mais profundas de nos conhecermos.

Quando aprendemos a estar sozinhos, começamos a descobrir do que realmente gostamos quando ninguém está dando opiniões. O que queremos quando não precisamos atender às expectativas de outra pessoa. Quais coisas fazemos por desejo e quais fazemos simplesmente por medo de decepcionar, de ficar para trás ou de nos sentirmos diferentes.

A solidão também pode nos ensinar a desfrutar da nossa própria companhia. Sair para caminhar sem precisar de uma conversa. Sentar em um café e observar o mundo. Ler um livro durante horas. Ouvir música. Viajar. Cozinhar para nós mesmos. Pensar. Escrever. Até mesmo passar uma tarde sem fazer absolutamente nada e descobrir que o silêncio também pode ser uma forma de descanso.

Há uma liberdade especial em não precisar que alguém esteja permanentemente ao nosso lado para sentir que nossa vida tem sentido.

Isso não significa que deixemos de precisar dos outros. Eu não acredito em uma vida completamente isolada. Acredito na companhia escolhida.

Com o tempo, também compreendi que existe uma enorme diferença entre escolher a solidão e nos sentirmos abandonados por ela. Uma pode se transformar em refúgio; a outra pode se transformar em uma ferida. Por isso, não se trata de romantizar a ausência nem de dizer que não precisamos de ninguém. Trata-se de aprender a reconhecer quando buscamos companhia porque queremos compartilhar nossa vida e quando a buscamos apenas porque temos medo de ficar a sós conosco mesmos.

E então surge uma pergunta que talvez todos devêssemos nos fazer alguma vez: sabemos realmente quem somos quando não há ninguém nos observando?

Talvez essa seja uma das perguntas mais difíceis e, ao mesmo tempo, mais necessárias.

Porque, quando deixamos de ter medo da nossa própria companhia, algo muda. Já não aceitamos qualquer presença simplesmente para evitar o vazio. Já não confundimos estar acompanhados com ser amados. Já não sentimos que devemos permanecer em lugares que nos fazem mal apenas porque temos medo de partir.

Estar sozinhos conosco mesmos é uma oportunidade de nos ouvirmos sem interrupções e de descobrir que dentro de nós existe uma pessoa que talvez tivéssemos passado tempo demais sem ir visitar.

E talvez, querido leitor, aprender a estar sozinhos não seja aprender a viver sem os outros. Seja aprender a viver conosco mesmos o suficiente para que a presença dos outros seja uma escolha, e não uma necessidade.

Porque, quando conseguimos desfrutar da nossa própria companhia, deixamos de ter medo do silêncio.

E então compreendemos algo belo: estar sozinhos nem sempre significa estar sem companhia. Às vezes é, simplesmente, ter aprendido a fazer companhia a nós mesmos.

Osiris Lópes Valdéz

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O profissional de Educação Física

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora

‘O profissional de Educação Física e a sociedade que desaprendeu a se movimentar’

Joelson Mora
Joelson Mora
Fotografia em preto e branco do colunista Joelson Mora fazendo exercício com um halter, ao lado de um texto comemorativo em verde e branco que diz: 01 de Setembro, Dia do Profissional de Educação Física. Mais que movimento. Transformação de vidas.
https://canva.link/s0o278s3t1wy0ds

No dia 1º de setembro celebramos o Dia do Profissional de Educação Física. A data marca a regulamentação da profissão no Brasil, por meio da Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998. Mas, mais do que uma data comemorativa, este deveria ser um momento de reflexão sobre uma questão cada vez mais urgente: qual é o papel do profissional de Educação Física em uma sociedade que, paradoxalmente, possui cada vez mais informação sobre saúde e, ao mesmo tempo, se movimenta cada vez menos? 

Vivemos uma época de grandes avanços tecnológicos. Trabalhamos diante de telas, conversamos por telas, compramos sem sair de casa e, muitas vezes, nos divertimos sem precisar levantar do sofá.

A tecnologia facilitou a vida. Mas também eliminou grande parte do movimento que antes fazia parte naturalmente dela.

Talvez este seja um dos maiores paradoxos da sociedade contemporânea: nunca tivemos tantos recursos para cuidar da saúde e, ao mesmo tempo, nunca tivemos tantos estímulos para permanecer imóveis.

Os números ajudam a demonstrar a dimensão do problema.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde apontam que aproximadamente 1,8 bilhão de adultos no mundo não atingiam os níveis recomendados de atividade física em 2022. Isso representa cerca de 31% da população adulta mundial. Se essa tendência continuar, a estimativa é de que esse percentual alcance 35% até 2030. 

Entre os adolescentes, o cenário é ainda mais preocupante: cerca de 80% não atingem os níveis recomendados de atividade física

Estamos, portanto, formando uma geração extremamente conectada digitalmente, mas progressivamente desconectada do próprio corpo.

E é exatamente nesse cenário que o papel do profissional de Educação Física se torna ainda mais relevante.

Durante muito tempo, a imagem social do profissional de Educação Física esteve associada quase exclusivamente à academia, ao esporte ou à busca por um corpo esteticamente valorizado.

Mas essa visão é limitada.

O profissional de Educação Física contemporâneo atua  ou deveria atuar em um território muito mais amplo.

Ele está nas escolas, contribuindo para o desenvolvimento motor, cognitivo e social de crianças e adolescentes.

Está nos projetos esportivos, utilizando o esporte como ferramenta de inclusão, disciplina e cidadania.

Está nas academias, orientando pessoas com os mais diferentes objetivos e necessidades.

Está nos programas de saúde pública, ajudando a combater doenças crônicas.

Está nas empresas, enfrentando um dos grandes desafios do nosso tempo: o impacto do trabalho sedentário sobre a saúde física e mental das pessoas.

Está no envelhecimento, ajudando idosos a preservarem algo que deveria ser considerado um dos maiores indicadores de saúde: a autonomia.

Porque, no final das contas, não existe exercício físico sem um objetivo humano.

Uma pessoa pode treinar para correr uma maratona.

Mas também pode treinar para conseguir subir as escadas de casa.

Pode querer ganhar massa muscular.

Ou simplesmente recuperar a força necessária para brincar com os filhos.

Pode buscar performance.

Ou apenas não perder a independência.

É por isso que reduzir o profissional de Educação Física à imagem de alguém que “passa treino” é não compreender a profundidade da profissão.

Nós não trabalhamos apenas com músculos. Trabalhamos com possibilidades humanas.

A ciência já não permite tratar a atividade física como um simples complemento de uma vida saudável.

Ela é parte fundamental dela.

A Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos, pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, considerando que o movimento regular contribui para a prevenção e o manejo de doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de câncer e também para a saúde mental e cerebral. 

Mas existe um detalhe importante: saber que precisamos nos movimentar não significa, necessariamente, conseguir transformar esse conhecimento em comportamento.

E talvez seja justamente nesse ponto que reside uma das maiores contribuições do profissional de Educação Física.

A internet está cheia de treinos.

As redes sociais estão repletas de influenciadores fitness.

Aplicativos contam passos, calorias e horas de sono.

Inteligências artificiais podem criar planilhas de treinamento em segundos.

Mas nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, consegue substituir completamente a capacidade humana de observar contexto, compreender limitações, identificar comportamentos e adaptar estratégias à realidade de cada indivíduo.

Uma pessoa não deixa de praticar exercícios simplesmente porque não conhece os benefícios.

Muitas vezes, ela deixa porque está cansada.

Porque não encontra tempo.

Porque sente dor.

Porque tem medo de se machucar.

Porque já tentou várias vezes e desistiu.

Porque se sente constrangida em determinados ambientes.

Porque acredita que exercício é sinônimo de sofrimento.

Ou, simplesmente, porque ainda não encontrou uma forma de movimento que faça sentido para sua vida.

Prescrever um exercício é relativamente simples. Construir aderência é muito mais complexo.

E essa é uma das competências mais importantes do bom profissional.

Os dados brasileiros mostram avanços, mas também revelam que ainda estamos distantes de uma sociedade verdadeiramente ativa.

A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostrou que 30,1% dos adultos brasileiros atingiam o nível recomendado de atividade física no lazer. Na mesma pesquisa, 40,3% dos adultos foram classificados como insuficientemente ativos quando considerados os diferentes domínios da vida. 

Esses números precisam ser interpretados com inteligência.

Não estamos falando apenas de pessoas que “não gostam de academia”.

Estamos falando de um problema que envolve urbanização, segurança pública, desigualdade social, longas jornadas de trabalho, acesso a espaços adequados e cultura.

É fácil dizer para alguém: “Você precisa se exercitar.”

Mais difícil é perguntar:

Onde?

Quando?

Com que recursos?

Em quais condições?

Por isso, promover saúde por meio do movimento exige mais do que impulso individual.

Exige ambientes que favoreçam escolhas saudáveis.

Cidades mais caminháveis.

Parques e espaços públicos seguros.

Escolas que valorizem a Educação Física.

Empresas que compreendam que saúde não pode ser discutida apenas quando o afastamento acontece.

E políticas públicas que reconheçam o movimento como uma ferramenta de prevenção.

A própria Organização Mundial da Saúde destaca que o enfrentamento da inatividade física exige uma abordagem de toda a sociedade, tornando a prática acessível, segura e possível para diferentes grupos da população. 

Existe ainda uma dimensão pouco discutida da nossa profissão: a educação.

Um bom profissional não deveria criar dependência.

Deveria ensinar autonomia.

Não deveria fazer com que o aluno acreditasse que só consegue se exercitar quando alguém está ao seu lado.

Deveria ajudá-lo a compreender o próprio corpo.

A reconhecer seus limites.

A perceber sua evolução.

A entender que saúde não é construída em desafios de trinta dias, mas nas escolhas repetidas ao longo dos anos.

A palavra “educação” presente no nome da profissão não está ali por acaso.

Nosso papel não é apenas ensinar alguém a executar um movimento corretamente.

É ajudar a pessoa a construir uma nova relação com o movimento.

Porque um corpo saudável não é necessariamente o corpo mais forte, mais magro ou mais esteticamente admirado.

Um corpo saudável é, antes de tudo, um corpo funcional para a vida que aquela pessoa deseja viver.

O futuro provavelmente será ainda mais tecnológico.

Teremos mais automação.

Mais inteligência artificial.

Mais trabalho remoto.

Mais serviços digitais.

E, paradoxalmente, talvez precisemos nos esforçar cada vez mais para realizar aquilo que nossos antepassados faziam naturalmente: movimentar-se.

É por isso que acredito que o profissional de Educação Física será cada vez menos um simples “instrutor de exercícios” e cada vez mais um especialista em comportamento, prevenção, movimento humano e qualidade de vida.

Nossa responsabilidade não é pequena.

Vivemos em uma sociedade que medicaliza sintomas, mas muitas vezes ignora comportamentos.

Que busca soluções rápidas para problemas construídos durante décadas.

Que deseja saúde, mas frequentemente organiza a própria rotina de maneira incompatível com ela.

O profissional de Educação Física ocupa um espaço estratégico nesse cenário.

Porque o movimento não cura todos os problemas da humanidade.

Mas sua ausência contribui para muitos deles.

Neste Dia do Profissional de Educação Física, talvez a maior homenagem que possamos receber seja o reconhecimento de que nossa profissão não trabalha apenas para transformar corpos.

Trabalhamos para preservar autonomia.

Para prevenir doenças.

Para melhorar relações com o próprio corpo.

Para devolver confiança.

Para ensinar disciplina.

Para promover encontros.

Para transformar tempo em qualidade de vida.

Em uma sociedade cada vez mais acelerada, automatizada e sedentária, talvez o profissional de Educação Física tenha uma das missões mais modernas e, ao mesmo tempo, mais antigas da humanidade:

lembrar as pessoas de algo essencial: fomos feitos para nos mover.

E, talvez, cuidar do movimento seja uma das formas mais inteligentes de cuidar da vida.

Feliz Dia do Profissional de Educação Física a todos aqueles que compreenderam que ensinar alguém a se movimentar pode ser muito mais do que ensinar um exercício. Pode ser ajudá-lo a viver melhor.

Joelson Mora

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Inteligência e coragem para vencer na vida em 2027

O escritor Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo traz uma reflexão de esperança, paz e superação para o ano de 2027

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem conceitual de um nascer do sol dourado sobre o horizonte, simbolizando a esperança para o ano de 2027, ilustrando o artigo de Diamantino Bártolo sobre coragem e paz.
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Eis-nos já muito próximos do ano de 2027. Continuará a haver melhorias conflitos mundiais ou estes vão-se agravar ainda mais? Questão difícil de responder com certezas! Prognósticos incertos!

Todo o mundo sabe que os portugueses, ao longo da sua quase milenar História, deram provas de inteligência e coragem, para vencer em todos os domínios das atividades humanas. Possuímos uma das melhores “mão-de-obra” do mundo, um grande espírito de abnegação, uma indiscutível capacidade de adaptação às mais diferentes e até hostis situações. Temos “massa cinzenta” espalhada por todo o mundo, e também dentro de portas. Somos os melhores de entre os melhores. Precisamos, apenas, dos recursos materiais: financeiros, técnicos, infraestruturas, entre outros.

O ano que agora se está a iniciar, logo no seu primeiro dia, simboliza o “Dia Mundial da Paz”, como já vem acontecendo desde 1968, ano em que foi instituído pelo Papa Paulo VI, em 08 de dezembro de 1967. É importante que consigamos adquirir a nossa própria paz interior, para a podermos transmitir aos nossos semelhantes. A paz interior também se promove e consolida com o conforto a que temos direito, com a segurança e a estabilidade dos nossos deveres e dos benefícios adquiridos, com um nível e qualidade de vida que a superior condição humana postula.

Finalmente, de forma totalmente pessoal, sincera e muito sentida, desejo a todas as pessoas que, verdadeiramente, com solidariedade, amizade, lealdade e cumplicidade me têm acompanhado, através dos meus escritos um próspero Ano Novo e que 2027 e muitas dezenas de anos que se seguem, lhes proporcionem o que de melhor possa existir, e que na minha perspetiva são: Saúde, Trabalho, Amizade/Amor, Felicidade, Justiça, realizações, pessoais, profissionais, sociais Paz e a Graça Divina. A todas estas pessoas aqui fica, publicamente e sem reservas, a minha imensa GRATIDÃO.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Avaliação da aprendizagem: seu outro lado da moeda!

José Ngola Carlos analisa por que compreender o processo do aluno é mais importante do que medir conteúdos

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Jovem negro de mochila sobe uma escadaria de pedra rumo ao horizonte. Ao seu redor, círculos flutuantes mostram cenas de sua vida e comunidade: família lendo, sala de aula, fé, amigos, tecnologia e cultura tradicional.
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No universo acadêmico, não é raro ouvir a expressão avaliação da aprendizagem, utilizada como sinônima de avaliação dos conteúdos trabalhados em sala de aula. Entretanto, seriam realmente equivalentes? O que significa avaliar os conteúdos e o que significa, propriamente, avaliar a aprendizagem?

A avaliação dos conteúdos consiste, fundamentalmente, na recolha e interpretação de informações acerca dos conhecimentos, habilidades e competências que os alunos possuem, estão desenvolvendo ou desenvolveram ao longo do processo educativo. Essa avaliação pode assumir diferentes funções, como a diagnóstica, a formativa e a somativa, conforme o momento e a finalidade com que é realizada.

Entretanto, a avaliação da aprendizagem não deveria limitar-se à verificação daquilo que o aluno sabe ou deixou de aprender. Embora a avaliação dos conhecimentos e das competências constitua uma dimensão importante da avaliação da aprendizagem, esta pode assumir uma perspectiva mais ampla: compreender como o aluno aprende, quais dificuldades enfrenta, que estratégias utiliza e quais condições favorecem ou dificultam o seu processo de aprendizagem.

Avaliar a aprendizagem significa, portanto, procurar compreender o aluno enquanto sujeito que aprende. Nesse sentido, a avaliação constitui um importante ponto de partida para a ação educativa, pois permite ao professor obter informações que ultrapassam a simples constatação dos resultados alcançados. Trata-se de um processo intencional e dialógico, por meio do qual professor e aluno podem construir uma compreensão mais profunda sobre o percurso da aprendizagem.

Compreender como os alunos aprendem pode ajudar o professor a tomar decisões pedagógicas mais adequadas. As informações obtidas podem contribuir para a seleção ou reformulação de métodos, estratégias, recursos e atividades de ensino, tendo em consideração as características, necessidades, dificuldades e potencialidades dos estudantes.

Quando essa dimensão da avaliação é pouco considerada, existe o risco de o professor tomar decisões pedagógicas dispondo de informações insuficientes sobre os processos de aprendizagem dos seus alunos. Consequentemente, métodos e estratégias podem ser escolhidos mais com base em pressupostos gerais do que na compreensão concreta daqueles que participam do processo educativo.

Por isso, avaliar a aprendizagem não deve significar apenas perguntar: o que o aluno aprendeu?, mas também procurar responder a questões como: como ele aprende?, quais dificuldades encontra?, que estratégias utiliza?, o que favorece a sua aprendizagem? e como podemos ajudá-lo a aprender melhor?

Assim, a avaliação dos conteúdos e a avaliação da aprendizagem não precisam ser compreendidas como práticas excludentes. A primeira pode fornecer informações sobre os conhecimentos, habilidades e competências desenvolvidos pelos alunos; a segunda amplia essa perspectiva ao procurar compreender também os processos envolvidos na construção dessas aprendizagens.

Em síntese, avaliar os conteúdos é importante, mas compreender a aprendizagem é indispensável. Se a avaliação pretende verdadeiramente contribuir para a melhoria da educação, não deve limitar-se a verificar aquilo que o aluno aprendeu. Deve também procurar compreender como, por que, em que condições e com que dificuldades ele aprende. Afinal, talvez este seja o outro lado da moeda que, por vezes, permanece menos visível no processo educativo.

Por José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 26 de agosto de 2026

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:8). Avaliação da Aprendizagem: Seu Outro Lado da Moeda! São Paulo: Jornal Cultural ROL.




O Poder das Ideias

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘O Poder das Ideias:
Pensadores que Transformaram a Humanidade’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho

A Arte apresenta “O Poder das Ideias: Pensadores que Transformaram a Humanidade”, em uma composição  que une história, filosofia, cultura e conhecimento. Ao centro, Prof. Dr.h.c. mult. Alexandre Rurikovich Carvalho aparece entre livros, símbolos históricos e representações de grandes pensadores que marcaram a trajetória da  humanidade. A composição destaca a força do pensamento e do legado intelectual como instrumentos capazes de  transformar sociedades e atravessar gerações. Uma apresentação visual especialmente concebida para  acompanhar este artigo no Jornal Carvalho. Imagem criada por IA.  

“As grandes transformações da humanidade frequentemente começam com uma  ideia, uma pergunta ou a coragem de pensar diferente.”

Resumo 

A história da humanidade é marcada por indivíduos que, por meio de suas ideias,  reflexões e obras, contribuíram para transformar profundamente a sociedade.  Filósofos, cientistas, escritores, educadores, líderes intelectuais e pensadores  políticos desafiaram concepções estabelecidas, formularam novas interpretações  sobre o ser humano e o mundo e influenciaram gerações. Este artigo apresenta uma  reflexão sobre alguns dos principais pensadores que exerceram impacto significativo  na trajetória da civilização, da Antiguidade à contemporaneidade. Entre eles estão  Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Nicolau Maquiavel, René  Descartes, John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Immanuel Kant, Karl Marx,  Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Hannah Arendt, Simone de Beauvoir, Paulo  Freire e Martin Luther King Jr. O estudo evidencia que suas contribuições  ultrapassaram os limites de suas respectivas épocas, alcançando áreas como  filosofia, política, educação, ciência, ética, direitos humanos e cultura. Mais do que  apresentar uma sucessão de nomes, o artigo procura demonstrar como o  pensamento crítico constitui uma das principais forças responsáveis pelas  transformações da humanidade. 

Palavras-chave: Pensamento crítico; Filosofia; História das ideias; Transformação  social; Cultura; Ética; Educação.

1. Introdução 

A humanidade não se transforma apenas por meio de guerras, revoluções,  descobertas científicas ou mudanças políticas. Por trás de muitas das grandes  transformações históricas encontram-se ideias. Antes que uma sociedade mude suas  instituições, seus costumes ou suas formas de compreender o mundo,  frequentemente alguém ousa questionar aquilo que parecia definitivo. 

Os grandes pensadores da história exerceram justamente esse papel. Alguns  desafiaram crenças tradicionais; outros questionaram sistemas políticos, religiosos ou  econômicos; muitos refletiram sobre a natureza humana, a liberdade, a justiça, a  educação, a moralidade e o conhecimento. Suas ideias, mesmo quando inicialmente  rejeitadas, encontraram caminhos para influenciar gerações posteriores. 

Pensar é, nesse sentido, uma forma de transformar. Uma ideia pode permanecer  restrita a um livro ou a uma sala de aula, mas também pode inspirar movimentos  sociais, reformas políticas, novas teorias científicas, sistemas educacionais e  mudanças culturais. 

Desde a filosofia grega até os debates contemporâneos sobre democracia,  tecnologia, direitos humanos e inteligência artificial, a humanidade continua sendo  influenciada por homens e mulheres que compreenderam que questionar é também  uma maneira de construir. 

Este artigo tem como objetivo apresentar alguns desses pensadores e analisar, de  maneira panorâmica, a contribuição de suas ideias para a construção da sociedade  moderna. Para tanto, não se propõe uma história exaustiva da filosofia, mas um  percurso seletivo que destaque como certas concepções se tornaram referenciais  duradouros, capazes de reorientar práticas e instituições em diferentes contextos  históricos. 

2. O pensamento como força de transformação 

O pensamento crítico é uma das características mais importantes da experiência  humana. A capacidade de perguntar, comparar, investigar, duvidar e formular  hipóteses permitiu que diferentes sociedades ampliassem seus conhecimentos e  modificassem suas formas de organização. 

Um pensador transformador não precisa necessariamente apresentar respostas  definitivas. Muitas vezes, sua maior contribuição está justamente em formular  perguntas que permanecem vivas ao longo dos séculos. 

A história da filosofia demonstra essa realidade. Questões aparentemente antigas — O que é a justiça? O que é a verdade? O que significa ser livre? Como devemos  viver? Qual é a finalidade da educação? O que torna uma sociedade legítima? — continuam presentes nos debates contemporâneos. 

A influência dos grandes pensadores, portanto, não deve ser medida apenas pela  quantidade de pessoas que leram suas obras, mas pela capacidade de suas ideias de  provocar mudanças na maneira como a humanidade compreende a si mesma. 

Sugestões de ampliação (para fortalecer a argumentação e preparar o terreno para os  perfis dos pensadores):

2.1. Ideias que se tornam práticas 

Muitas ideias que hoje parecem óbvias foram, em seu tempo, radicalmente  inovadoras e, por vezes, subversivas. Conceitos como igualdade perante a lei, direitos  humanos, soberania popular, método científico, educação como prática da liberdade e  a própria noção de sujeito crítico foram construídos e reconstruídos por pensadores  que desafiaram visões hegemônicas. 

Essas concepções não permaneceram no plano abstrato: inspiraram constituições,  reformas educacionais, movimentos de emancipação, novas formas de organização  do trabalho e do Estado, além de mudanças profundas nos costumes e na cultura. 

2.2. Pensamento, contexto e legado 

É importante evitar uma leitura desencarnada desses pensadores. Cada um deles  respondeu a problemas concretos de seu tempo: crises políticas, transformações  econômicas, conflitos religiosos, avanços científicos, lutas por reconhecimento e  direitos. Suas obras são, ao mesmo tempo, produtos de contextos históricos  específicos e fontes de problemas e soluções que ultrapassam esses contextos. 

O legado de um pensador, assim, não se esgota em suas intenções originais. Ele se  constrói também nas releituras, críticas e apropriações que suas obras recebem em  épocas posteriores. Por isso, falar em “pensadores que transformaram o mundo”  implica reconhecer tanto sua ação histórica quanto a vida posterior de suas ideias. 

2.3. Crítica e responsabilidade 

O pensamento crítico, contudo, não é apenas instrumento de progresso; ele também  pode ser usado para justificar dominações, exclusões e violências. Por isso, a  reflexão sobre os grandes pensadores deve incluir uma avaliação crítica de seus  limites, contradições e silêncios — por exemplo, em relação a questões de gênero,  raça, colonialismo e desigualdade social. 

Reconhecer a força transformadora do pensamento exige, portanto, responsabilidade  intelectual: distinguir entre o que foi efetivamente emancipador, o que foi ambíguo e o  que precisa ser superado à luz de novos conhecimentos e demandas éticas. 

3. Sócrates e a descoberta do poder da pergunta 

Entre os grandes nomes da Antiguidade, Sócrates ocupa posição singular. Embora  não tenha deixado obras escritas, seu pensamento foi preservado principalmente  pelos relatos de seus discípulos, especialmente Platão, e, em menor medida, por  Xenofonte e outros autores. 

Sócrates transformou a filosofia ao deslocar sua atenção de questões cosmológicas e  especulativas para problemas relacionados à vida humana, à ética e ao  conhecimento. Seu método baseava-se no diálogo e no questionamento sistemático. 

A chamada maiêutica socrática estimulava o interlocutor a examinar suas próprias  convicções. Em vez de simplesmente oferecer respostas, Sócrates conduzia seus  interlocutores a perceberem contradições e limitações em seus próprios argumentos,  forçando-os a refinar conceitos e a assumir maior responsabilidade intelectual.

Sua famosa atitude de reconhecer a própria ignorância, expressa na ideia de que “só  sei que nada sei” — tornou-se símbolo da busca filosófica pelo conhecimento e da  humildade intelectual como condição para aprender. 

Sua influência permanece atual porque uma sociedade democrática depende da  capacidade de seus cidadãos de questionar, argumentar e examinar criticamente as  informações que recebem. Nesse sentido, Sócrates pode ser visto como um dos  fundadores de uma ética do pensamento crítico, essencial tanto para a vida pública  quanto para a formação individual. 

Discípulo de Sócrates, Platão foi um dos mais importantes filósofos da história  ocidental. Fundador da Academia de Atenas, elaborou uma extensa reflexão sobre  conhecimento, política, educação, ética e realidade. 

4. Platão e a reflexão sobre justiça e sociedade 

Em sua obra A República, Platão apresenta uma investigação sobre a justiça e  sobre a organização ideal da sociedade. Sua filosofia também desenvolveu a  célebre teoria das formas ou ideias, segundo a qual aquilo que percebemos pelos  sentidos não corresponde necessariamente à realidade mais profunda. 

Platão compreendeu a educação como instrumento fundamental para a formação  humana e política. Sua influência atravessou séculos e alcançou a filosofia, a teologia,  a literatura e a teoria política. 

Mesmo quando suas concepções são criticadas, continuam sendo estudadas porque  apresentam questões fundamentais sobre poder, conhecimento e responsabilidade. 

5. Aristóteles e a sistematização do conhecimento 

Aristóteles, discípulo de Platão e professor de Alexandre, o Grande, ampliou  significativamente o campo da investigação racional. 

Sua produção intelectual alcançou áreas como lógica, ética, política, biologia,  metafísica, retórica e estética. Sua contribuição foi decisiva para a organização  sistemática do conhecimento. 

Na ética, Aristóteles desenvolveu o conceito de virtude como disposição para agir de  maneira equilibrada, buscando uma vida orientada pelo desenvolvimento das  capacidades humanas. 

Na política, refletiu sobre diferentes formas de governo e sobre a organização da  comunidade. 

Sua influência permaneceu extraordinária durante a Idade Média e posteriormente  contribuiu para a formação da tradição filosófica ocidental. 

6. Santo Agostinho e a interioridade humana 

Com Santo Agostinho, a filosofia cristã encontrou uma das suas expressões mais  influentes. Pensador da Antiguidade Tardia, Agostinho refletiu profundamente sobre  Deus, o tempo, a memória, o conhecimento e a condição humana.

Sua obra Confissões é considerada um marco da literatura autobiográfica e filosófica,  apresentando uma intensa investigação sobre a interioridade. 

Agostinho demonstrou que compreender o ser humano exige também compreender  sua dimensão interior, seus conflitos, desejos, dúvidas e buscas. 

Sua influência sobre o pensamento cristão e sobre a filosofia ocidental foi profunda,  atravessando muitos séculos. 

7. Maquiavel e uma nova compreensão da política 

Nicolau Maquiavel marcou uma transformação importante na reflexão política. Em O  Príncipe, analisou o exercício do poder a partir das condições concretas da política de  seu tempo. 

Sua obra rompeu parcialmente com abordagens idealizadas da política,  concentrando-se na realidade das disputas pelo poder, na estabilidade do Estado e  nas estratégias utilizadas pelos governantes. 

Por essa razão, Maquiavel tornou-se uma referência indispensável para os estudos  políticos. 

Embora seu nome tenha adquirido conotações negativas na linguagem cotidiana, seu  pensamento é muito mais complexo do que a simples associação com manipulação  ou crueldade. 

8. René Descartes e a valorização da razão 

René Descartes foi um dos grandes protagonistas da filosofia moderna. Seu projeto  consistiu em buscar fundamentos seguros para o conhecimento. 

A célebre formulação “Penso, logo existo” tornou-se uma das frases mais  conhecidas da história da filosofia. 

Descartes valorizou a dúvida metódica e a razão como instrumentos para alcançar  conhecimentos mais seguros. Seu pensamento influenciou profundamente a filosofia,  a ciência e a maneira moderna de compreender o sujeito. 

A valorização da racionalidade e do método contribuiu para o ambiente intelectual que  caracterizou a modernidade científica. 

9. John Locke e os fundamentos da liberdade 

John Locke exerceu enorme influência sobre a filosofia política moderna. Suas  reflexões sobre direitos naturais, liberdade, propriedade e governo contribuíram para  o desenvolvimento do pensamento liberal. 

Para Locke, os indivíduos possuem direitos que não deveriam ser arbitrariamente  retirados pelo Estado. O governo legítimo dependeria do consentimento dos  governados. 

Suas ideias influenciaram importantes transformações políticas, especialmente os  debates que culminaram nas revoluções modernas e na formação de novas  concepções sobre cidadania.

10. Jean-Jacques Rousseau e a vontade popular 

Jean-Jacques Rousseau trouxe contribuições fundamentais para a filosofia política e  para a reflexão sobre educação. 

Em O Contrato Social, desenvolveu a ideia de soberania popular e defendeu que a  legitimidade política deveria estar relacionada à vontade geral. 

Em Emílio, apresentou importantes reflexões sobre a formação do indivíduo e a  educação. 

Suas ideias tiveram grande influência sobre o pensamento político europeu e sobre os  debates acerca de liberdade, igualdade e cidadania. 

11. Immanuel Kant e a autonomia moral 

Immanuel Kant realizou uma das mais profundas sínteses da filosofia moderna. 

Sua filosofia crítica investigou os limites e as possibilidades da razão. Na ética,  defendeu a autonomia do indivíduo e a necessidade de agir segundo princípios que  possam ser racionalmente universalizados. 

O pensamento kantiano também possui importância fundamental para a reflexão  sobre dignidade humana. 

A concepção de que o ser humano deve ser tratado como um fim em si mesmo  tornou-se especialmente relevante para posteriores discussões sobre direitos  humanos e ética. 

12. Karl Marx e a crítica da sociedade industrial 

Karl Marx desenvolveu uma das mais influentes críticas ao capitalismo e às estruturas  econômicas e sociais da sociedade moderna. 

Ao lado de Friedrich Engels, analisou as relações entre trabalho, capital, classes  sociais e poder econômico. 

O pensamento marxista influenciou movimentos políticos, sindicatos, partidos,  universidades e revoluções ao longo dos séculos XIX e XX. 

Independentemente das diferentes interpretações e críticas dirigidas à sua obra, Marx  transformou profundamente a maneira de estudar economia, sociedade e  desigualdade. 

13. Friedrich Nietzsche e a crítica aos valores tradicionais 

Friedrich Nietzsche questionou profundamente diversos valores morais, religiosos e  culturais da tradição ocidental. 

Sua filosofia colocou em discussão conceitos como verdade, moralidade, poder,  niilismo e existência.

Nietzsche também desenvolveu uma crítica à aceitação passiva de valores herdados,  estimulando o indivíduo a realizar uma avaliação mais profunda de sua própria  existência. 

Sua influência ultrapassou os limites da filosofia, alcançando a literatura, a psicologia,  a arte e a cultura contemporânea. 

14. Sigmund Freud e a descoberta do inconsciente 

Sigmund Freud revolucionou a compreensão do ser humano ao desenvolver a  psicanálise. 

Sua teoria colocou o inconsciente no centro da investigação sobre comportamentos,  desejos, conflitos e experiências humanas. 

Embora várias de suas ideias tenham sido posteriormente revisadas ou contestadas,  Freud provocou uma transformação duradoura na maneira de pensar a subjetividade. 

A cultura contemporânea foi profundamente influenciada por conceitos derivados da  psicanálise, especialmente aqueles relacionados aos sonhos, ao desejo e aos  conflitos internos. 

15. Hannah Arendt e a reflexão sobre política e responsabilidade

Hannah Arendt foi uma das mais importantes pensadoras políticas do século XX. 

Ao analisar os regimes totalitários, refletiu sobre poder, liberdade, responsabilidade e  participação política. 

Sua obra As Origens do Totalitarismo tornou-se referência para compreender  fenômenos políticos extremos. 

Outro conceito marcante de seu pensamento é a “banalidade do mal”, desenvolvido a  partir de sua análise do julgamento de Adolf Eichmann. 

Arendt demonstrou a importância da responsabilidade individual diante de sistemas  políticos e sociais que podem estimular a obediência cega. 

16. Simone de Beauvoir e a condição feminina 

Simone de Beauvoir desempenhou papel central na reflexão filosófica e social sobre a  condição das mulheres. 

Em O Segundo Sexo, analisou historicamente e culturalmente os mecanismos que  contribuíram para a construção da desigualdade entre homens e mulheres. 

Sua obra tornou-se fundamental para os estudos feministas e para os debates  contemporâneos sobre igualdade, liberdade e autonomia. 

Ao questionar papéis sociais tradicionalmente atribuídos às mulheres, Beauvoir  ajudou a ampliar o debate sobre direitos e participação social.

17. Paulo Freire e a educação como prática de liberdade 

Entre os pensadores brasileiros de maior projeção internacional encontra-se Paulo  Freire. 

Sua proposta pedagógica valorizou o diálogo, a consciência crítica e a participação  ativa do educando. 

Em Pedagogia do Oprimido, Freire apresentou uma concepção de educação  comprometida com a transformação social e com a autonomia dos indivíduos. 

Sua influência ultrapassou o Brasil e alcançou diversos países. 

Para Freire, educar não deveria significar simplesmente transmitir informações, mas  criar condições para que o indivíduo compreendesse criticamente sua realidade e  pudesse atuar sobre ela. 

18. Martin Luther King Jr. e o pensamento transformado em ação 

Martin Luther King Jr. representa um exemplo singular da relação entre pensamento,  ética e ação social. 

Inspirado por princípios religiosos, filosóficos e pela defesa da não violência, King  tornou-se uma das principais lideranças do movimento pelos direitos civis nos  Estados Unidos. 

Sua luta contra a segregação racial demonstrou que ideias sobre igualdade e  dignidade humana podem transformar-se em movimentos capazes de modificar  estruturas sociais. 

Seu legado ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos e permanece associado à  defesa dos direitos humanos, da igualdade e da paz. 

19. Pensadores e a transformação do mundo contemporâneo 

Os pensadores analisados pertencem a períodos históricos diferentes e apresentam  ideias muitas vezes contraditórias. 

Sócrates valorizou o questionamento; Platão refletiu sobre justiça e educação;  Aristóteles sistematizou campos do conhecimento; Agostinho aprofundou a dimensão  interior; Maquiavel investigou o poder; Descartes enfatizou a razão; Locke e  Rousseau contribuíram para a filosofia política; Kant aprofundou a autonomia moral;  Marx analisou as estruturas econômicas; Nietzsche questionou valores tradicionais;  Freud investigou o inconsciente; Arendt examinou os perigos do totalitarismo;  Beauvoir questionou desigualdades de gênero; Freire transformou a reflexão  educacional; e Martin Luther King Jr. demonstrou a força ética da ação coletiva. 

Suas diferenças revelam algo fundamental: não existe apenas uma maneira de  transformar o mundo. 

A transformação pode ocorrer por meio de um livro, uma teoria, uma descoberta, uma  escola, um movimento político, uma obra de arte, uma ação social ou simplesmente  uma pergunta capaz de desafiar certezas estabelecidas.

20. A importância do pensamento crítico na atualidade 

No século XXI, a humanidade enfrenta desafios que exigem capacidade crítica cada vez maior. 

Desinformação, radicalização política, desigualdade social, mudanças climáticas,  conflitos internacionais, transformações tecnológicas e inteligência artificial colocam  novas questões diante da sociedade. 

Nesse contexto, estudar os grandes pensadores não significa apenas conhecer  personagens do passado. Significa aprender a pensar. 

O conhecimento histórico e filosófico permite compreender que muitas questões  contemporâneas possuem antecedentes e que diferentes gerações já enfrentaram  dilemas relacionados à liberdade, ao poder, à justiça, à educação e à  responsabilidade. 

A tecnologia pode ampliar a capacidade humana de produzir e disseminar  informações, mas não elimina a necessidade de reflexão crítica. Pelo contrário:  quanto maior o volume de informações disponível, maior a necessidade de indivíduos  capazes de avaliar fontes, identificar argumentos frágeis e distinguir conhecimento de  desinformação. 

21. Considerações finais 

Os grandes pensadores da humanidade demonstram que uma ideia pode atravessar  séculos e continuar produzindo efeitos. 

Sócrates ensinou a importância da pergunta. Platão mostrou a profundidade da  reflexão sobre justiça. Aristóteles demonstrou a força da sistematização racional.  Agostinho investigou a interioridade. Maquiavel analisou o poder político. Descartes  valorizou a razão e o método. Locke e Rousseau contribuíram para novas  concepções de liberdade e soberania. Kant aprofundou a autonomia e a dignidade  moral. Marx revelou contradições econômicas e sociais. Nietzsche questionou valores  estabelecidos. Freud explorou a dimensão inconsciente. Arendt examinou a  responsabilidade diante do poder totalitário. Beauvoir contribuiu para a crítica das  desigualdades de gênero. Paulo Freire transformou a educação em instrumento de  conscientização. Martin Luther King Jr. demonstrou que princípios de igualdade e não  violência podem mobilizar sociedades inteiras. 

Entretanto, talvez a principal lição deixada por esses pensadores seja a de que  nenhuma sociedade deve considerar suas verdades definitivas. 

O mundo se transforma quando alguém decide perguntar, investigar, imaginar e  propor alternativas. 

Pensar é, portanto, mais do que uma atividade intelectual. É uma forma de exercer  liberdade e responsabilidade. 

As grandes transformações da história nasceram, muitas vezes, de uma ideia que  inicialmente parecia impossível, de uma pergunta que incomodava ou de uma pessoa  que se recusou a aceitar que a realidade não poderia ser diferente.

Por isso, conhecer os pensadores que transformaram o mundo é também  compreender que o futuro continua aberto àqueles que têm coragem de pensar. 

Referências bibliográficas 

ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras. ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Martins Fontes. 

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. São Paulo: Companhia das Letras. 

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril  Cultural. 

LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Abril Cultural. MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes. 

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo:  Boitempo. 

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras. PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes. 

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martins Fontes. 

SÓCRATES. Pensamento preservado principalmente nos diálogos de Platão,  Xenofonte e outros autores da Antiguidade. 

KING JR., Martin Luther. A Testament of Hope: The Essential Writings and Speeches.  San Francisco: HarperCollins. 

AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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O capital humano

Diamantino Lourenço R. de Bártolo: ‘O capital humano’ — Uma análise urgente e perspicaz sobre as dicotomias do mundo moderno e o esgotamento dos nossos recursos

Diamantino Bártolo
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Uma arte digital conceitual mostrando a silhueta translúcida de uma pessoa cheia de florestas e água limpa em seu interior, sobreposta a um cenário de terra seca, representando o ensaio 'O Capital Humano'.
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A humanidade vive tempos conturbados, qualquer que seja a dimensão pela qual se analise uma determinada situação. Partindo-se do indivíduo, singularmente considerado, enquanto pessoa de deveres e direitos, para conjuntos mais alargados, como: a família, a empresa, a comunidade nacional ou a sociedade global, os problemas existem, são de diversa natureza e grandeza: uns resolvem-se; outros alimentam-se e outros, ainda, criam-se, porque o mundo compõe-se de inúmeros binómios: homem-mulher; verdade-mentira; dia-noite; quente-frio; guerra-paz; vida-morte, bom-mau; alegria-tristeza, belo-feio, riqueza-pobreza, Deus-Diabo, etc.

A dicotomia é uma, entre outras, característica deste mundo, na medida em que algo existe em relação ao seu negativo ou ao seu opositor, tal como uma afirmação, a propósito de uma determinada situação, é tanto mais real quanto se destaca a sua oponente, o que envolve uma complexidade de muito difícil gestão, transferindo-se uma tal realidade para a sociedade humana. 

A inferência que se tira é evidente: a organização da sociedade, com todos os seus elementos constituintes, obedece a regras consuetudinárias, e também a normas do corpo jurídico instituído. Conciliar todos os interesses em presença, num universo de dicotomias, oposições e recursos vários, é uma tarefa muito melindrosa e complicada.

Atualmente, a organização societária funciona com base nos diversos recursos: energéticos, monetários, técnicos, científicos, instrumentais, ambientais, humanos e outros. Obviamente que todos são importantes, necessários e, eventualmente, cada vez mais escassos. 

Em todo o caso, verifica-se que alguns recursos começam a ser racionalizados, a sua utilização cada vez mais controlada, para que a sua extinção não ocorra sem que primeiro o homem encontre alternativas. Os recursos naturais, até mesmo aqueles que pareciam ilimitados: a água para consumo humano, nas suas diversas aplicações, o ar não poluído, a floresta, o ambiente, produtos naturais energéticos, animais, bens alimentares, hoje, primeiro quarto do século XXI, verifica-se que é urgente controlar, racionalizar e, portanto, gerir, sabiamente, tais riquezas naturais, sob pena de as próximas gerações não viverem com um mínimo de qualidade de vida, o que a acontecer, constitui gravíssima responsabilidade para os gestores e decisores atuais.

Há, porém, um recurso natural, valiosíssimo, o mais importante, o mais complexo, também em extinção em muitos países do mundo. Um recurso que, paradoxalmente, é consumidor de todos os outros recursos naturais, destruidor de importantes meios e também proporcionador de novos recursos, na busca de um equilíbrio natural que parece querer fugir-lhe. 

Destaca-se, no contexto de todos os recursos, naturais e/ou artificiais, o recurso humano – a pessoa. Esta, a pessoa humana, profissional, social, política, religiosa, técnica, científica, enfim, polivalente, constitui o recurso mais valioso que existe neste planeta, aliás, sem este recurso, todos os outros não teriam qualquer utilidade para a humanidade, embora alguns deles a tivessem para o restante reino animal. O mundo jamais seria como é sem o recurso humano.

A complexidade avoluma-se quando se sabe que os recursos naturais, existentes no planeta Terra são, na sua esmagadora maioria, administrados por um outro recurso natural único, o humano. A dificuldade em gerir um recurso natural humano, pelo próprio recurso natural humano, fica assim em evidência, tanto mais que se o homem tem gerido mal os restantes recursos naturais, como é que ele vai ser capaz de se gerir bem a si próprio e à comunidade/sociedade em que se integra? 

Uma primeira explicação, sobre a dificuldade em gerir as pessoas, pode-se extrair da situação acima descrita, porque é do conhecimento mundial, que o maior predador e perdulário de recursos naturais é o homem, o que não abona a seu favor, quando tem que se gerir a si próprio. 

Gerir pessoas por outras pessoas é um trabalho extremamente difícil, que exige conhecimentos profundos sobre a constituição geral da pessoa humana, porque em boa verdade: «As pessoas são muito mais do que um factor produtivo: são membros de sistemas sociais de muitas organizações exteriores à empresa. São, portanto, diferentes enquanto habitantes do mundo com os seus padrões de comportamento, hábitos de vida, de compras, credo religioso e político, extracto social, económico, nível cultural. (…) A pessoa tem de ser considerada como um todo, na sua vertente cultural, social, económica, crenças políticas e religiosas, e não só através das características que desenvolve no seu desempenho na organização.» (AMARAL,1996:80).

Bibliografia

ALMEIDA, Fernando Neves de, (1999). O Gestor. A arte de Liderar. 2ª Ed. Lisboa: Editorial Presença. 

AMARAL, Maria do Céu. (1996). Gerir: Ciência e Arte. Lisboa: IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional/Departamento de Formação Profissional

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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