FEBACLA e Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘FEBACLA e Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente: distinção institucional, tradição e preservação da memória histórico-cultural’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Banner digital do Jornal Cultural ROL destacando o artigo do Prof. Dr.h.c. mult Alexandre Rurikovich Carvalho. À esquerda, o autor aparece sorrindo, de terno e gravata vermelha, sentado em uma escrivaninha de madeira com livros antigos empilhados e um globo terrestre dourado. No centro, o título principal diz: 'FEBACLA E CASA REAL E IMPERIAL DOS GODOS DE ORIENTE: DISTINÇÃO INSTITUCIONAL, TRADIÇÃO E PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA HISTÓRICO-CULTURAL', seguido pela frase 'Duas Instituições. Duas Finalidades. O mesmo respeito pela história'. No topo, figuram os brasões oficiais da FEBACLA (com a inscrição Patrono D. Pedro II) e da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, ladeados pelas bandeiras do Brasil e de uma pintura clássica de Dom Pedro II. O plano de fundo mostra uma transição sutil para uma imagem do Museu Nacional no Rio de Janeiro. No rodapé azul-escuro, constam os créditos ao autor como Jornalista, Filósofo, Historiador e Pesquisador, ao lado do logotipo do Jornal Cultural ROL.
Banner digital do Jornal Cultural ROL destacando o artigo do Prof. Dr.h.c. mult Alexandre Rurikovich Carvalho. À esquerda, o autor aparece sorrindo, de terno e gravata vermelha, sentado em uma escrivaninha de madeira com livros antigos empilhados e um globo terrestre dourado. No centro, o título principal diz: ‘FEBACLA E CASA REAL E IMPERIAL DOS GODOS DE ORIENTE: DISTINÇÃO INSTITUCIONAL, TRADIÇÃO E PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA HISTÓRICO-CULTURAL’, seguido pela frase ‘Duas Instituições. Duas Finalidades. O mesmo respeito pela história’. No topo, figuram os brasões oficiais da FEBACLA (com a inscrição Patrono D. Pedro II) e da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, ladeados pelas bandeiras do Brasil e de uma pintura clássica de Dom Pedro II. O plano de fundo mostra uma transição sutil para uma imagem do Museu Nacional no Rio de Janeiro. No rodapé azul-escuro, constam os créditos ao autor como Jornalista, Filósofo, Historiador e Pesquisador, ao lado do logotipo do Jornal Cultural ROL.

RESUMO 

O presente artigo aborda as diferenças de natureza, finalidade e atuação entre a  Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA) e  a Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente. Embora  ambas possam manter diálogo e convergir na valorização da história, da cultura e da  memória, constituem estruturas institucionais distintas, com objetivos próprios.

O  estudo procura esclarecer especialmente a diferença entre honrarias acadêmicas e  culturais, de um lado, e referências, dignidades e tradições de natureza dinástica e  nobiliárquica, de outro. Analisa-se ainda o significado do patronato de Dom Pedro  II na FEBACLA, destacando seu reconhecido vínculo histórico com as ciências,  as letras, as artes e a preservação da memória.

Por fim, são apresentados os  princípios institucionais que orientam a Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente,  incluindo seu caráter apartidário, sua independência em relação a organizações  religiosas e a inexistência de pretensão territorial. Conclui-se que o respeito à  identidade e à autonomia de cada instituição constitui elemento fundamental para a  preservação da memória, da cultura e da responsabilidade institucional. 

Palavras-chave: FEBACLA; Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente; honrarias  acadêmicas; tradição dinástica; memória histórico-cultural.

ABSTRACT 

This article discusses the differences in nature, purpose, and institutional scope  between the Brazilian Federation of Academicians of Sciences, Letters and Arts  (FEBACLA) and the August and Sovereign Royal and Imperial House of the  Goths of the East. Although both may engage in dialogue and share an appreciation  for history, culture, and collective memory, they constitute distinct institutional  structures with their own purposes. The study seeks to clarify, in particular, the  distinction between academic and cultural honors, on the one hand, and references,  dignities, and traditions of dynastic and nobiliary nature, on the other. It also examines  the significance of Emperor Pedro II’s patronage of FEBACLA, emphasizing his  historical connection with science, literature, the arts, and the preservation of memory.  Finally, the institutional principles guiding the Royal and Imperial House of the Goths  of the East are presented, including its non-partisan character, independence from  religious organizations, and absence of territorial claims. It concludes that respect for  the identity and autonomy of each institution is fundamental to preserving memory,  culture, and institutional responsibility. 

Keywords: FEBACLA; Royal and Imperial House of the Goths of the East;  academic honors; dynastic tradition; historical-cultural memory. 

1 INTRODUÇÃO 

A sociedade contemporânea vive uma profunda transformação na forma de produzir,  compartilhar e consumir informações. As redes sociais ampliaram extraordinariamente  a circulação do conhecimento, mas também favoreceram a disseminação de  informações descontextualizadas, interpretações simplificadas e confusões  terminológicas. 

No campo da História, da cultura e das tradições honoríficas, essa realidade merece  atenção especial. Expressões como “título”, “comenda”, “medalha”, “patronato”,  “honraria”, “nobreza” e “dignidade” podem possuir significados distintos conforme o  contexto institucional em que são utilizadas. 

É nesse cenário que se apresenta a necessidade de distinguir a atuação da  FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes da atuação da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de  Oriente. 

A aproximação entre as duas instituições pode ocorrer no âmbito da cultura, da  história, da memória e da valorização das tradições. Entretanto, tal aproximação não  elimina suas diferenças fundamentais. 

A FEBACLA possui natureza e finalidade voltadas ao campo acadêmico, cultural,  científico, literário e artístico, enquanto a Casa Real e Imperial possui identidade  relacionada à tradição histórica, genealógica, dinástica, simbólica e  nobiliárquica. 

O objetivo deste artigo, portanto, não é estabelecer qualquer hierarquia entre as duas  instituições, mas esclarecer suas respectivas identidades e evitar interpretações  equivocadas.

2 A FEBACLA E O RECONHECIMENTO ACADÊMICO E CULTURAL 

A Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA desenvolve suas atividades no campo da cultura, das ciências, das letras,  das artes e do reconhecimento institucional daqueles que contribuem para essas  áreas. 

Dentro de sua finalidade, podem existir diferentes modalidades de reconhecimento,  tais como academias, cadeiras, títulos honoríficos, medalhas, comendas, diplomas e  outras distinções institucionais. 

Essas formas de reconhecimento possuem natureza própria e devem ser  compreendidas dentro do contexto da instituição que as concede. 

Uma questão, contudo, merece destaque: 

honraria acadêmica ou cultural não se confunde automaticamente com título  nobiliárquico. 

Ser acadêmico, membro, comendador, titular de medalha ou agraciado com uma  distinção da FEBACLA não significa, por esse simples fato, ingresso na nobreza. 

A distinção reconhece, dentro do âmbito institucional da Federação, determinados  méritos, contribuições ou trajetórias. 

Assim, a concessão de uma comenda ou medalha institucional deve ser  compreendida como manifestação de reconhecimento, e não como mecanismo  automático de transformação do agraciado em membro de uma ordem nobiliárquica  ou de uma estrutura dinástica. 

Essa diferenciação é fundamental para preservar a seriedade das próprias honrarias.

3 HONRARIA, TÍTULO E NOBREZA: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA

A palavra “título” pode apresentar diferentes significados. 

No universo acadêmico, cultural e honorífico, pode representar uma distinção concedida em reconhecimento a determinado mérito. 

No universo nobiliárquico e dinástico, pode estar relacionada a uma tradição histórica específica. 

Da mesma forma, o termo “comenda” pode aparecer em diferentes contextos  institucionais e históricos. 

Por isso, não é adequado analisar uma honraria apenas pela sua denominação. 

É necessário considerar quem a concede, qual é a natureza da instituição  concedente, qual é a finalidade da distinção e dentro de qual tradição  institucional ela se insere.

A Constituição da República Federativa do Brasil protege a liberdade de expressão  intelectual, artística e científica e assegura a liberdade de associação para fins lícitos. 

Nesse contexto, instituições civis podem estabelecer mecanismos próprios de  reconhecimento e premiação dentro de suas finalidades, sem que isso signifique que  suas distinções possuam automaticamente natureza estatal ou nobiliárquica. 

Essa diferença conceitual é indispensável. 

4 DOM PEDRO II E O PATRONATO DA FEBACLA 

A escolha de Dom Pedro II como Patrono da FEBACLA possui profundo significado  histórico e cultural. 

O segundo e último imperador do Brasil é amplamente reconhecido por seu interesse  pelas ciências, pelas letras, pelas artes, pela educação e pelas novas tecnologias de  seu tempo. 

O Museu Imperial registra seu interesse por áreas tão diversas quanto História,  Filosofia, Música, Literatura, Biologia, Medicina, Química, Arqueologia, Matemática e  Astronomia, além de destacar seu incentivo às artes e a artistas de seu período. 

A Biblioteca Nacional também preserva importante testemunho desse interesse  intelectual. A coleção de D. Pedro II, especialmente a Coleção Thereza Christina  Maria, reúne aproximadamente 23 mil fotografias e foi incorporada ao Registro  Internacional da Memória do Mundo da UNESCO. 

Sua relação com a fotografia foi particularmente significativa. A Biblioteca Nacional  registra que D. Pedro II foi entusiasta e colecionador de fotografia e contribuiu para o  desenvolvimento dessa atividade no Brasil. 

Esses elementos ajudam a compreender por que sua figura histórica se mostra  adequada ao patronato de uma instituição dedicada às Ciências, Letras e Artes. 

O patronato, contudo, possui caráter histórico, simbólico e cultural. Ele não transforma a FEBACLA em instituição nobiliárquica. 

Também não representa, por si só, mecanismo de transmissão de títulos dinásticos  ou de nobreza. 

O nome de D. Pedro II é evocado em razão de seu legado e de sua importância para  a cultura e o conhecimento brasileiros. 

5 A CASA REAL E IMPERIAL DOS GODOS DE ORIENTE 

Em campo institucional distinto encontra-se a Augustíssima e Soberana Casa Real  e Imperial dos Godos de Oriente. 

Sua identidade está relacionada à preservação de uma tradição histórica,  genealógica, dinástica, simbólica e nobiliárquica.

Dentro desse universo, temas como precedência, dignidades, referências dinásticas,  genealogia, heráldica e eventual investidura nobiliárquica pertencem ao âmbito  próprio da Casa. 

Esses elementos não fazem parte das atribuições acadêmicas e culturais da  FEBACLA. 

É justamente essa separação de competências que permite compreender a  coexistência das duas instituições sem que uma seja confundida com a outra. 

6 O CONCEITO DE FONS HONORUM NA TRADIÇÃO DINÁSTICA 

A expressão latina fons honorum, tradicionalmente traduzida como “fonte de honra”,  aparece no vocabulário relacionado às tradições nobiliárquicas e dinásticas. 

No contexto histórico dessas tradições, o conceito está associado à autoridade ou  prerrogativa honorífica atribuída a determinadas casas soberanas, ex-soberanas ou  chefias dinásticas, conforme a tradição específica considerada. 

Entretanto, é importante estabelecer uma distinção metodológica. 

A utilização do conceito de fons honorum no âmbito de uma tradição dinástica não  deve ser automaticamente confundida com o reconhecimento, pelo Estado brasileiro,  de efeitos jurídicos de soberania ou de títulos de nobreza. 

Assim, no presente artigo, o conceito é utilizado no sentido histórico e dinástico, e  não como afirmação de exercício de soberania estatal. 

Essa ressalva é importante para preservar o caráter histórico-cultural da discussão. 

7 UMA CASA APARTIDÁRIA, ACONFESSIONAL E SEM PRETENSÃO  TERRITORIAL 

A Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente afirma  sua natureza apartidária. 

Isso significa que sua identidade institucional não está vinculada a partidos políticos,  campanhas eleitorais ou correntes político-partidárias. 

Sua tradição dinástica não deve ser utilizada como instrumento de disputa política. A Casa também se apresenta como sem vínculo religioso ou confessional. 

Não constitui igreja, denominação religiosa ou organização subordinada a  determinada confissão. 

Essa característica está em consonância com o princípio constitucional da liberdade  de consciência e de crença e com a separação entre Estado e organizações  religiosas. 

Outro ponto fundamental diz respeito ao território. 

A Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente não pleiteia, reivindica ou pretende  exercer soberania sobre territórios, Estados ou nações.

Seus títulos, símbolos e referências dinásticas devem ser compreendidos no campo  da tradição histórica e do patrimônio imaterial, e não como instrumentos de  reivindicação territorial. 

Tal posicionamento também deve ser compreendido em respeito à soberania dos  Estados e aos princípios de independência nacional, autodeterminação dos povos,  não intervenção e solução pacífica das controvérsias presentes no artigo 4º da  Constituição Federal. 

8 TRADIÇÃO NÃO SIGNIFICA DISPUTA 

A preservação de uma tradição dinástica não implica necessariamente uma  reivindicação de poder político. 

A História demonstra que símbolos, genealogias, brasões, títulos e tradições podem  sobreviver como elementos de identidade cultural e de memória. 

Preservar uma tradição não significa necessariamente pretender restaurar uma  determinada ordem política. 

Essa distinção é particularmente importante no mundo contemporâneo. 

A Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente compreende sua tradição como  patrimônio histórico e simbólico, devendo sua atuação ser interpretada dentro de seus  próprios princípios institucionais e em respeito às instituições constituídas. 

Tradição, nesse sentido, não deve ser confundida com disputa. 

9 AUTONOMIA INSTITUCIONAL 

A FEBACLA e a Casa Real e Imperial possuem autonomia em relação aos seus  respectivos campos de atuação. 

O ingresso de uma pessoa em uma instituição não gera automaticamente vínculo com  a outra. 

Uma pessoa pode integrar a FEBACLA sem pertencer à Casa Real e Imperial. Pode integrar a Casa Real e Imperial sem ocupar cadeira ou função na FEBACLA. 

Também pode manter vínculos com ambas, desde que sejam observados, de  maneira independente, os requisitos e procedimentos próprios de cada instituição. 

Essa possibilidade de coexistência demonstra que não existe incompatibilidade  necessária entre participação acadêmico-cultural e vínculo com uma tradição  dinástica. 

O ponto fundamental é não confundir as respectivas naturezas.

10 UMA MATRIZ COMPARATIVA 

Aspecto FEBACLA Casa Real e Imperial dos  Godos de Oriente 

Natureza predominante Acadêmica, cultural, científica,  literária e artística 

Histórica, genealógica,  dinástica e simbólica 

Fundamento do  reconhecimento 

Patronato/referência  

Mérito e contribuição cultural,  acadêmica, científica e artística 

Tradição e critérios próprios  da Casa 

Tradição histórica e  

histórica Dom Pedro II 

Honrarias Medalhas, comendas, títulos e  distinções institucionais 

Valorização das Ciências,  

dinástica dos Godos de  Oriente 

Dignidades e distinções  vinculadas à tradição própria  da Casa 

Preservação da tradição,  

Finalidade 

Letras, Artes, cultura e  conhecimento 

memória e identidade  dinástica 

Natureza política Cultural e apartidária Apartidária 

Natureza religiosa Institucionalmente cultural e  acadêmica 

Sem vínculo religioso ou  confessional 

Território Não possui finalidade territorial Não reivindica ou pleiteia  territórios 

Relação entre as  

instituições Independente Independente

11 CULTURA, MEMÓRIA E RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL 

A cultura brasileira é formada por múltiplas instituições, tradições, movimentos e  formas de organização. 

Academias, associações culturais, institutos históricos, museus, arquivos,  universidades, famílias tradicionais e casas dinásticas podem, cada qual dentro de  sua natureza, participar do processo de preservação da memória. 

O mais importante é que cada instituição tenha sua identidade claramente  estabelecida. 

Nesse sentido, reconhecer um escritor, pesquisador, artista ou cientista é uma forma  de valorizar a produção cultural contemporânea. 

Preservar uma tradição histórica e dinástica também pode representar uma forma de  conservação da memória. 

São manifestações diferentes, mas não necessariamente incompatíveis. 

O verdadeiro problema surge quando se confundem conceitos que possuem  naturezas distintas.

12 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise apresentada demonstra que FEBACLA e Casa Real e Imperial dos Godos  de Oriente são instituições distintas, independentes e dotadas de finalidades  próprias. 

A FEBACLA está voltada à valorização das Ciências, Letras, Artes, cultura,  conhecimento e produção intelectual, reconhecendo aqueles que contribuem para  esses campos. 

A Casa Real e Imperial, por sua vez, preserva uma tradição histórica, genealógica,  dinástica e simbólica própria. 

Consequentemente, uma honraria acadêmica não deve ser automaticamente  interpretada como título nobiliárquico. 

Uma comenda cultural não representa, por si só, ingresso na nobreza. O patronato de Dom Pedro II não transforma a FEBACLA em instituição dinástica. 

Da mesma forma, o pertencimento à FEBACLA não significa ingresso automático na  Casa Real e Imperial. 

A clareza desses conceitos contribui para a preservação da dignidade das próprias  instituições e das pessoas por elas reconhecidas. 

Mais do que estabelecer diferenças, este esclarecimento busca afirmar um princípio  essencial: 

cada instituição deve ser compreendida a partir de sua própria história,  natureza, finalidade e identidade. 

Em uma época marcada pela velocidade da informação, esclarecer é também  preservar. 

Preservar conceitos. 

Preservar a memória. 

Preservar a história. 

E, sobretudo, preservar a dignidade institucional. 

FEBACLA – Cultura, Ciência, Letras e Artes. 

Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente – Tradição, História e Herança Dinástica. 

Duas instituições. Duas finalidades. Respeito às suas respectivas identidades. Esclarecer é também preservar a verdade, a história e a dignidade institucional.

REFERÊNCIAS 

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:  Presidência da República, 1988. Disponível em:  

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 set. 2026.

BRASIL. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Thereza Christina Maria. Rio de Janeiro:  Fundação Biblioteca Nacional, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/bn/. Acesso em: 10  set. 2026. 

BRASIL. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Coleção Thereza Christina Maria: álbuns  fotográficos. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional Digital. Disponível em:  https://bndigital.bn.gov.br/dossies/colecao-d-thereza-christina-maria-albuns-fotograficos/.  Acesso em: 10 set. 2026. 

BRASIL. MUSEU IMPERIAL. Almanaque do Museu Imperial. Petrópolis, RJ: Museu  Imperial. Disponível em: https://museuimperial.museus.gov.br/. Acesso em: 10 set. 2026. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e  documentação: artigo em publicação periódica técnica e/ou científica: apresentação. 2.  ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e  documentação: referências: elaboração. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e  documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023. 

CARVALHO, Alexandre Rurikovich. Títulos de Nobreza Concedidos por Dinastias  Históricas. Jornal Cultural Rol, 3 jun. 2026. Disponível em: https://jornalrol.com.br/?p=81531.  Acesso em: 27 ago. 2026. 

SANTOS, Otávio Duarte. Certidão Genealógica, Heráldica e Parecer Histórico-Nobiliárquico.  Recife, 2012. 

UNESCO. Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. Paris, 2003.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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Aprender a estar sós sem nos sentirmos sós

No artigo de Osíris Lópes Valdéz, o silêncio deixa de ser solidão e se torna o reencontro conosco mesmos

Osiris Lópes Valdéz
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Querido e gentil leitor:

Às vezes confundimos estar sozinhos com nos sentirmos sozinhos. Talvez porque tenhamos aprendido a medir nossa companhia pela quantidade de pessoas que temos ao nosso redor, pelas mensagens que chegam ao telefone, pelas conversas que mantemos ou pela presença de alguém do outro lado da cama. E, no entanto, existe uma solidão que dói e outra que pode nos ensinar a viver de uma maneira completamente diferente.

Estar sozinhos nem sempre significa que nos falte alguém. Às vezes significa que, por um momento, deixamos de buscar fora aquilo que precisamos aprender a encontrar dentro de nós mesmos.

Reconheço que nem sempre é fácil. Quando desaparece o ruído dos outros, também surgem nossos próprios pensamentos. E nem sempre queremos ouvi-los. Há silêncios que nos incomodam porque nos obrigam a fazer perguntas que conseguimos evitar enquanto estávamos ocupados ou acompanhados.

Mas talvez seja aí que começa uma das formas mais profundas de nos conhecermos.

Quando aprendemos a estar sozinhos, começamos a descobrir do que realmente gostamos quando ninguém está dando opiniões. O que queremos quando não precisamos atender às expectativas de outra pessoa. Quais coisas fazemos por desejo e quais fazemos simplesmente por medo de decepcionar, de ficar para trás ou de nos sentirmos diferentes.

A solidão também pode nos ensinar a desfrutar da nossa própria companhia. Sair para caminhar sem precisar de uma conversa. Sentar em um café e observar o mundo. Ler um livro durante horas. Ouvir música. Viajar. Cozinhar para nós mesmos. Pensar. Escrever. Até mesmo passar uma tarde sem fazer absolutamente nada e descobrir que o silêncio também pode ser uma forma de descanso.

Há uma liberdade especial em não precisar que alguém esteja permanentemente ao nosso lado para sentir que nossa vida tem sentido.

Isso não significa que deixemos de precisar dos outros. Eu não acredito em uma vida completamente isolada. Acredito na companhia escolhida.

Com o tempo, também compreendi que existe uma enorme diferença entre escolher a solidão e nos sentirmos abandonados por ela. Uma pode se transformar em refúgio; a outra pode se transformar em uma ferida. Por isso, não se trata de romantizar a ausência nem de dizer que não precisamos de ninguém. Trata-se de aprender a reconhecer quando buscamos companhia porque queremos compartilhar nossa vida e quando a buscamos apenas porque temos medo de ficar a sós conosco mesmos.

E então surge uma pergunta que talvez todos devêssemos nos fazer alguma vez: sabemos realmente quem somos quando não há ninguém nos observando?

Talvez essa seja uma das perguntas mais difíceis e, ao mesmo tempo, mais necessárias.

Porque, quando deixamos de ter medo da nossa própria companhia, algo muda. Já não aceitamos qualquer presença simplesmente para evitar o vazio. Já não confundimos estar acompanhados com ser amados. Já não sentimos que devemos permanecer em lugares que nos fazem mal apenas porque temos medo de partir.

Estar sozinhos conosco mesmos é uma oportunidade de nos ouvirmos sem interrupções e de descobrir que dentro de nós existe uma pessoa que talvez tivéssemos passado tempo demais sem ir visitar.

E talvez, querido leitor, aprender a estar sozinhos não seja aprender a viver sem os outros. Seja aprender a viver conosco mesmos o suficiente para que a presença dos outros seja uma escolha, e não uma necessidade.

Porque, quando conseguimos desfrutar da nossa própria companhia, deixamos de ter medo do silêncio.

E então compreendemos algo belo: estar sozinhos nem sempre significa estar sem companhia. Às vezes é, simplesmente, ter aprendido a fazer companhia a nós mesmos.

Osiris Lópes Valdéz

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Inteligência e coragem para vencer na vida em 2027

O escritor Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo traz uma reflexão de esperança, paz e superação para o ano de 2027

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem conceitual de um nascer do sol dourado sobre o horizonte, simbolizando a esperança para o ano de 2027, ilustrando o artigo de Diamantino Bártolo sobre coragem e paz.
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Eis-nos já muito próximos do ano de 2027. Continuará a haver melhorias conflitos mundiais ou estes vão-se agravar ainda mais? Questão difícil de responder com certezas! Prognósticos incertos!

Todo o mundo sabe que os portugueses, ao longo da sua quase milenar História, deram provas de inteligência e coragem, para vencer em todos os domínios das atividades humanas. Possuímos uma das melhores “mão-de-obra” do mundo, um grande espírito de abnegação, uma indiscutível capacidade de adaptação às mais diferentes e até hostis situações. Temos “massa cinzenta” espalhada por todo o mundo, e também dentro de portas. Somos os melhores de entre os melhores. Precisamos, apenas, dos recursos materiais: financeiros, técnicos, infraestruturas, entre outros.

O ano que agora se está a iniciar, logo no seu primeiro dia, simboliza o “Dia Mundial da Paz”, como já vem acontecendo desde 1968, ano em que foi instituído pelo Papa Paulo VI, em 08 de dezembro de 1967. É importante que consigamos adquirir a nossa própria paz interior, para a podermos transmitir aos nossos semelhantes. A paz interior também se promove e consolida com o conforto a que temos direito, com a segurança e a estabilidade dos nossos deveres e dos benefícios adquiridos, com um nível e qualidade de vida que a superior condição humana postula.

Finalmente, de forma totalmente pessoal, sincera e muito sentida, desejo a todas as pessoas que, verdadeiramente, com solidariedade, amizade, lealdade e cumplicidade me têm acompanhado, através dos meus escritos um próspero Ano Novo e que 2027 e muitas dezenas de anos que se seguem, lhes proporcionem o que de melhor possa existir, e que na minha perspetiva são: Saúde, Trabalho, Amizade/Amor, Felicidade, Justiça, realizações, pessoais, profissionais, sociais Paz e a Graça Divina. A todas estas pessoas aqui fica, publicamente e sem reservas, a minha imensa GRATIDÃO.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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O capital humano

Diamantino Lourenço R. de Bártolo: ‘O capital humano’ — Uma análise urgente e perspicaz sobre as dicotomias do mundo moderno e o esgotamento dos nossos recursos

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Uma arte digital conceitual mostrando a silhueta translúcida de uma pessoa cheia de florestas e água limpa em seu interior, sobreposta a um cenário de terra seca, representando o ensaio 'O Capital Humano'.
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A humanidade vive tempos conturbados, qualquer que seja a dimensão pela qual se analise uma determinada situação. Partindo-se do indivíduo, singularmente considerado, enquanto pessoa de deveres e direitos, para conjuntos mais alargados, como: a família, a empresa, a comunidade nacional ou a sociedade global, os problemas existem, são de diversa natureza e grandeza: uns resolvem-se; outros alimentam-se e outros, ainda, criam-se, porque o mundo compõe-se de inúmeros binómios: homem-mulher; verdade-mentira; dia-noite; quente-frio; guerra-paz; vida-morte, bom-mau; alegria-tristeza, belo-feio, riqueza-pobreza, Deus-Diabo, etc.

A dicotomia é uma, entre outras, característica deste mundo, na medida em que algo existe em relação ao seu negativo ou ao seu opositor, tal como uma afirmação, a propósito de uma determinada situação, é tanto mais real quanto se destaca a sua oponente, o que envolve uma complexidade de muito difícil gestão, transferindo-se uma tal realidade para a sociedade humana. 

A inferência que se tira é evidente: a organização da sociedade, com todos os seus elementos constituintes, obedece a regras consuetudinárias, e também a normas do corpo jurídico instituído. Conciliar todos os interesses em presença, num universo de dicotomias, oposições e recursos vários, é uma tarefa muito melindrosa e complicada.

Atualmente, a organização societária funciona com base nos diversos recursos: energéticos, monetários, técnicos, científicos, instrumentais, ambientais, humanos e outros. Obviamente que todos são importantes, necessários e, eventualmente, cada vez mais escassos. 

Em todo o caso, verifica-se que alguns recursos começam a ser racionalizados, a sua utilização cada vez mais controlada, para que a sua extinção não ocorra sem que primeiro o homem encontre alternativas. Os recursos naturais, até mesmo aqueles que pareciam ilimitados: a água para consumo humano, nas suas diversas aplicações, o ar não poluído, a floresta, o ambiente, produtos naturais energéticos, animais, bens alimentares, hoje, primeiro quarto do século XXI, verifica-se que é urgente controlar, racionalizar e, portanto, gerir, sabiamente, tais riquezas naturais, sob pena de as próximas gerações não viverem com um mínimo de qualidade de vida, o que a acontecer, constitui gravíssima responsabilidade para os gestores e decisores atuais.

Há, porém, um recurso natural, valiosíssimo, o mais importante, o mais complexo, também em extinção em muitos países do mundo. Um recurso que, paradoxalmente, é consumidor de todos os outros recursos naturais, destruidor de importantes meios e também proporcionador de novos recursos, na busca de um equilíbrio natural que parece querer fugir-lhe. 

Destaca-se, no contexto de todos os recursos, naturais e/ou artificiais, o recurso humano – a pessoa. Esta, a pessoa humana, profissional, social, política, religiosa, técnica, científica, enfim, polivalente, constitui o recurso mais valioso que existe neste planeta, aliás, sem este recurso, todos os outros não teriam qualquer utilidade para a humanidade, embora alguns deles a tivessem para o restante reino animal. O mundo jamais seria como é sem o recurso humano.

A complexidade avoluma-se quando se sabe que os recursos naturais, existentes no planeta Terra são, na sua esmagadora maioria, administrados por um outro recurso natural único, o humano. A dificuldade em gerir um recurso natural humano, pelo próprio recurso natural humano, fica assim em evidência, tanto mais que se o homem tem gerido mal os restantes recursos naturais, como é que ele vai ser capaz de se gerir bem a si próprio e à comunidade/sociedade em que se integra? 

Uma primeira explicação, sobre a dificuldade em gerir as pessoas, pode-se extrair da situação acima descrita, porque é do conhecimento mundial, que o maior predador e perdulário de recursos naturais é o homem, o que não abona a seu favor, quando tem que se gerir a si próprio. 

Gerir pessoas por outras pessoas é um trabalho extremamente difícil, que exige conhecimentos profundos sobre a constituição geral da pessoa humana, porque em boa verdade: «As pessoas são muito mais do que um factor produtivo: são membros de sistemas sociais de muitas organizações exteriores à empresa. São, portanto, diferentes enquanto habitantes do mundo com os seus padrões de comportamento, hábitos de vida, de compras, credo religioso e político, extracto social, económico, nível cultural. (…) A pessoa tem de ser considerada como um todo, na sua vertente cultural, social, económica, crenças políticas e religiosas, e não só através das características que desenvolve no seu desempenho na organização.» (AMARAL,1996:80).

Bibliografia

ALMEIDA, Fernando Neves de, (1999). O Gestor. A arte de Liderar. 2ª Ed. Lisboa: Editorial Presença. 

AMARAL, Maria do Céu. (1996). Gerir: Ciência e Arte. Lisboa: IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional/Departamento de Formação Profissional

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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11 de Agosto

Adriana Rocha

’11 de Agosto: a advocacia, a palavra e a gratidão’

Adriana Rocha
Adriana Rocha
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Há datas que não apenas marcam o tempo; elas iluminam trajetórias.  O 11 de agosto, Dia da Advogada e do Advogado, é uma dessas celebrações que nos convidam a olhar para além da profissão e a reconhecer a missão que ela encerra.

Advogar é muito mais do que interpretar leis ou defender direitos. É acolher histórias, enfrentar desafios humanos, sustentar a esperança quando ela parece vacilar e acreditar que a Justiça se fortalece sempre que a ética, o conhecimento e a sensibilidade caminham juntos. É compreender que cada causa possui um rosto,  um nome e uma vida que merece respeito.

Ao longo da minha caminhada, descobri que a advocacia e a mediação compartilham a mesma essência: ambas encontram na palavra a possibilidade de construir pontes. Uma palavra que argumenta, orienta, acolhe, pacifica e transforma. Talvez seja por isso que escrever também tenha se tornado uma extensão natural da minha forma de exercer o Direito e como gosto da escolha que fiz!.

Neste mês tão significativo, renovo minha profunda gratidão pelo espaço que me é concedido como colunista do Jornal ROL. Cada texto publicado representa uma oportunidade de semear reflexões, compartilhar experiências e reafirmar a convicção de que o conhecimento ganha verdadeiro sentido quando alcança outras pessoas.

Registro, de maneira muito especial, minha gratidão ao editor-mor, Sergio Diniz da Costa, cuja trajetória também passou pela advocacia. Talvez por conhecer, na prática, os desafios, as responsabilidades e as grandezas dessa profissão, tenha sabido construir um jornal que valoriza o pensamento, a cultura,  o diálogo e a liberdade responsável da escrita. Sua confiança ao abrir este espaço aos articulistas é, antes de tudo, um gesto de compromisso com a pluralidade de ideias e com o fortalecimento da cidadania.

Escrever no Jornal ROL é uma honra que acolho com respeito e responsabilidade. Cada coluna renova em mim a certeza de que as palavras podem aproximar pessoas, inspirar mudanças e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais dialogal e mais humana.

Neste 11 de agosto, minha homenagem estende-se a todas as advogadas e a todos os advogados que, diariamente, fazem da técnica um instrumento de justiça e da ética um compromisso inegociável. E que jamais nos falte a coragem de defender direitos, a humildade para continuar aprendendo e a sensibilidade para reconhecer que, muitas vezes, a maior vitória da advocacia é devolver esperança àqueles que confiaram em nossas mãos e em nossa voz. Vamos conversar.

Adriana Rocha

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