Marc T.
Entre a filosofia, as incertezas e as histórias para as netas

Engenheiro, filósofo e escritor, Marcio Takimoto encontrou na literatura uma maneira de expressar suas inquietações, questionar preconceitos e compartilhar o amor pelos livros com as novas gerações.
Marcio Takimoto, ou simplesmente Marc T., tem 60 anos, é engenheiro eletrônico, PhD em Filosofia, orientador de mestrado e mergulhador.
Brasileiro de nascimento e norte-americano por naturalização, tem uma trajetória e tanto.
Mas, quando fala de si, deixa claro que ser avô já seria uma ótima apresentação.
E foi justamente a vontade de se expressar que o levou à escrita.
Marc conta que nunca teve muita facilidade com a oratória.
Como sentia necessidade de falar sobre determinados assuntos, encontrou na caneta sua melhor maneira de fazer isso.
Começou escrevendo sobre suas inquietações, passou pelas reflexões filosóficas e também criou histórias infantis para as netas.
E, pelo jeito, gostou da experiência: hoje admite, entre risos, que está tomando gosto pela escrita.
Diario Das Minhas Incertezas: Fragmentos de Uma conversa que ainda nao terminou
SINOPSE
Em Diário das Minhas Incertezas, Marc T. percorre cidades, aeroportos, estações, cafés e lugares marcados pela memória enquanto observa aquilo que talvez seja mais difícil de compreender: nós mesmos.
Ao lado da esposa, encontros aparentemente cotidianos tornam-se pretexto para perguntas sobre tempo, pertencimento, fé, intolerância, amor, memória, conhecimento e nossas pequenas certezas.
Espinosa, Sócrates, Kant, Marco Aurélio e outros pensadores aparecem pelo caminho, não para oferecer respostas definitivas, mas para ampliar as perguntas.
Este não é um livro sobre como pensar.
É um convite para continuar pensando.
Porque talvez amadurecer não seja acumular certezas, mas aprender a desconfiar, inclusive das nossas.
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Diário das Minhas Incertezas: quando as certezas afastam as pessoas
O primeiro livro não acadêmico de Marc T., Diário das Minhas Incertezas, nasceu de uma experiência que muitos leitores provavelmente reconhecerão.
O escritor percebeu que estava perdendo amigos.
Não necessariamente por falta de carinho ou de afinidade, mas porque algumas conversas haviam se tornado praticamente impossíveis.
As certezas absolutas de cada um pareciam não deixar espaço para perguntas, dúvidas ou opiniões diferentes.
Essa inquietação deu origem ao livro, no qual o autor se volta para a importância de questionar aquilo que acreditamos saber.
Afinal, quantas relações acabam desgastadas porque ninguém está disposto a ouvir?
Quantas discussões deixam de ser oportunidades de aprendizado e se transformam em disputas nas quais cada pessoa deseja apenas provar que está certa?
Ao colocar suas próprias incertezas no centro da escrita, Marc chama atenção para algo que costuma ser visto como fraqueza, mas que também pode representar maturidade: reconhecer que não sabemos tudo.
A dúvida, nesse contexto, abre espaço para o diálogo.
E dialogar exige admitir que o outro talvez
A repercussão da obra acabou estimulando o autor a continuar escrevendo e abriu caminho para seu trabalho seguinte. tenha algo a nos ensinar.
O Direito ao Sagrado do Outro: Intolerancia, Liberdade Religiosa e Pluralismo a Luz de Espinosa
SINOPSE
Até onde vai o direito de acreditar e onde começa o direito do outro de acreditar de maneira diferente?
Em O Direito ao Sagrado do Outro, Marc T parte do pensamento de Baruch de Espinosa para enfrentar uma questão antiga e ainda profundamente atual: como conviver com uma fé que não é a nossa sem transformá-la em ameaça, erro ou inimigo?
O ensaio percorre a história do Candomblé e da Umbanda no Brasil, suas raízes africanas, a diáspora, a perseguição religiosa e a construção histórica do preconceito.
Nesse caminho, vozes como Mãe Stella de Oxóssi, Beatriz Nascimento, Muniz Sodré, Vivaldo da Costa Lima e Nei Lopes entram em diálogo com Espinosa, Montaigne e John Stuart Mill.
O resultado não é uma defesa de que todas as religiões sejam iguais, porque não são, nem uma tentativa de decidir qual delas possui a verdade.
A proposta é mais difícil: defender o direito do outro ao sagrado mesmo quando não reconhecemos aquele sagrado como nosso.
Por que Exu foi tantas vezes identificado com o Diabo cristão?
O que o medo produz quando encontra aquilo que não compreende?
Tolerar é suficiente ou existe uma diferença fundamental entre tolerância e respeito?
E pode alguém defender profundamente sua própria fé sem desejar governar a consciência alheia?
Entre filosofia, história e religião, O Direito ao Sagrado do Outro propõe uma reflexão sobre liberdade de consciência, intolerância religiosa e pluralismo, sem exigir do leitor fé, descrença ou concordância.
Porque talvez o verdadeiro teste da liberdade religiosa não aconteça diante do altar onde gostaríamos de ajoelhar.
Acontece diante daquele onde jamais nos ajoelharíamos.
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O Direito ao Sagrado do Outro: compreender antes de julgar
Em O Direito ao Sagrado do Outro, Marc T. aprofunda suas reflexões sobre a convivência entre pessoas que pensam de maneiras diferentes.
Desta vez, o tema é a liberdade religiosa, especialmente o preconceito dirigido às religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
O ensaio aproxima a filosofia de Baruch de Espinosa da história dessas tradições religiosas no Brasil, discutindo liberdade de consciência, intolerância e respeito.
O livro também nasceu do trabalho acadêmico do autor.
Parte de sua tese de doutorado foi reescrita em linguagem mais acessível, permitindo que essas discussões alcançassem leitores fora do ambiente universitário.
Mas há uma motivação pessoal por trás da obra.
Marc reconhece que o livro representa uma espécie de acerto de contas com sua própria falta de conhecimento sobre as religiões africanas.
Em vez de ignorar essa lacuna, decidiu estudar, compreender e escrever sobre o assunto.
Essa postura dá ao ensaio uma característica importante: o autor não se apresenta como alguém que possui todas as respostas.
Ao contrário, procura mostrar como o desconhecimento pode alimentar julgamentos injustos.
Um dos exemplos abordados é a associação equivocada de Exu à figura do diabo, feita a partir de interpretações externas às tradições religiosas nas quais essa entidade possui significado próprio.
O escritor também percorre aspectos históricos do Candomblé e da Umbanda, lembrando que essas religiões possuem trajetórias, práticas e referências que não podem ser reduzidas a estereótipos.
Sua reflexão alcança uma questão fundamental para a convivência humana: ninguém precisa compartilhar a religião de outra pessoa para respeitar seu direito de praticá-la.
Frequentar um terreiro não determina o caráter de alguém, assim como pertencer a qualquer outra religião não garante boas atitudes.
O respeito, portanto, não depende de concordância.
Depende do reconhecimento de que outras pessoas possuem a mesma liberdade de consciência que desejamos para nós.
É interessante perceber como os dois livros se aproximam.
Em Diário das Minhas Incertezas, Marc questiona as convicções que impedem o diálogo entre amigos.
Em O Direito ao Sagrado do Outro, amplia essa preocupação para o campo religioso, no qual as certezas absolutas podem produzir preconceito, exclusão e perseguição.
São assuntos diferentes, mas unidos por uma mesma inquietação: nossa dificuldade de conviver com aquilo que não corresponde à nossa maneira de pensar.
Clarinha e as histórias que nasceram do amor de avô
Se a filosofia ocupa um lugar importante na vida de Marc T., são as netas que despertam nele uma inspiração especialmente afetuosa.
O escritor conta que fica fascinado quando as meninas pegam livros e começam a brincar de ler, mesmo sem ainda dominar as palavras.
Elas folheiam, observam, inventam e, com a segurança de quem tem um livro nas mãos, acabam ensinando alguma coisa ao próprio avô.
É uma experiência que ele considera gratificante.
Desse encantamento nasceu uma pequena série de livros infantis protagonizada por Clarinha, escrita em português e inglês.
As histórias foram criadas para as netas, aproximando o universo da imaginação daquele homem acostumado a lidar com a engenharia, a filosofia e as questões acadêmicas.
E existe algo especialmente bonito nessa passagem de um gênero para outro.
O escritor que se preocupa com a dificuldade dos adultos de ouvir opiniões diferentes também encontra inspiração em crianças que ainda estão descobrindo o mundo.
Para elas, um livro pode ser uma aventura, uma brincadeira, uma oportunidade de experimentar palavras e imaginar situações que ainda não conhecem.
Marc encontrou nessa relação familiar um motivo para escrever de outra maneira, com outra linguagem e para um público muito especial.
Assim, sua produção literária não fica restrita aos ensaios filosóficos.
Ela também alcança a infância, o afeto e a alegria de compartilhar histórias.
Um escritor que ainda está descobrindo a própria escrita
Há uma espontaneidade interessante na maneira como Marcio Takimoto fala sobre sua trajetória literária.
Ele não se apresenta como alguém que sempre sonhou em ser escritor.
A escrita surgiu porque havia pensamentos que precisavam encontrar uma forma de expressão.
Primeiro vieram as inquietações sobre as relações humanas e as certezas que dificultam o diálogo.
Depois, a necessidade de compreender melhor as diferenças religiosas.
Paralelamente, o carinho pelas netas encontrou espaço nas histórias de Clarinha.
O resultado é uma produção que reúne assuntos bastante distintos, mas que revela um autor atento às relações humanas.
E, embora ainda se considere um escritor amador, Marc admite, com bom humor, que está tomando gosto pela atividade.
Talvez seja justamente essa disposição para continuar aprendendo que torne sua trajetória tão interessante.
O filósofo reconhece o que desconhece. O escritor transforma dúvidas em livros.
O avô aprende com as netas que ainda estão descobrindo as primeiras palavras.
E o leitor encontra, nessas diferentes facetas, um homem que escolheu a escrita para continuar conversando com o mundo.
Marcio Takimoto pode até dizer que não nasceu com o dom da oratória.
Mas, ao que tudo indica, encontrou na literatura uma maneira muito própria de fazer sua voz chegar às pessoas.
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