Há sons que embalam: barulho da chuva, o mar quebrando na areia, o vento nas árvores, uma música que traz boas lembranças, o som de uma voz que acalma o coração… E há o ronco. O ronco não anuncia perigo, não comunica uma ideia, não produz beleza, não inspira poesia. Sua única função aparente é impedir que outra pessoa durma.
E o mais curioso e intrigante é que existe uma injustiça profundamente enraizada na natureza: quem ronca jamais presencia a própria obra. Dorme serenamente enquanto distribui efeitos sonoros, enquanto todos ao redor fazem plantão. Há uma espécie de imunidade acústica que desafia qualquer explicação racional.
O ronco é o único espetáculo em que o artista nunca assiste à própria apresentação e a plateia nunca comprou ingresso.
Se existisse justiça sonora, bastaria um espelho acústico. O cidadão soltaria o primeiro ronco e acordaria imediatamente com a própria apresentação. Tenho convicção de que, em poucos meses, a medicina anunciaria a cura definitiva. Com direito a coletiva de imprensa e Nobel.
Insisto: se quem ronca acordasse com o próprio ronco, tenho certeza de que a humanidade já teria descoberto a cura. Em tempo recorde. Haveria investimentos internacionais, prêmios científicos e campanhas públicas. Mas não. O sujeito ativo da sinfonia permanece inconsciente. E quando o assunto vem à tona, a resposta costuma ser previsível.
— Eu? Não ronco.
Quando a negativa não convence, vem a minimização: — É só um pouquinho.
“Um pouquinho” para quem está dormindo. Para quem está ao lado, é uma experiência imersiva. Quem ronca dorme. Quem não ronca desenvolve paciência, filosofia e olheiras.
— Você também ronca.
Infelizmente, um ronco não anula o outro! Não há compensações. Talvez e exatamente por não ter “culpados ou inocentes” é que a situação não se resolve e fica o dito pelo não dito.
Mas há soluções sugeridas que são curiosas: cutucar delicadamente, fazer um barulhinho para ver se muda de posição, usar protetor auricular, colocar um ruído branco, respirar fundo, contar carneirinhos. Fazer uma oração… Como se o problema fosse a sensibilidade auditiva da vítima, e não o concerto involuntário acontecendo ao lado.
Curioso como todas as soluções recaem sobre quem não ronca. O emissor permanece em repouso absoluto; o receptor é que precisa desenvolver estratégias de resistência.
Mas que fique claro: não é pessoal. É pontual. Não tenho absolutamente nada contra quem ronca. Tenho apenas uma pequena objeção ao ronco em si.
Insisto: não é pessoal! É apenas uma constatação científica feita por quem já perdeu algumas horas de sono sem nunca ter sido consultado. Não tenho nenhuma campanha contra quem ronca. Apenas acredito que o silêncio merece mais reconhecimento. É um dos poucos luxos gratuitos que ainda restam.
O ronco é, talvez, a manifestação mais democrática da natureza. Não escolhe idade, profissão, classe social nem grau de simpatia. A pessoa pode ser elegante, gentil, culta, solidária e até falar baixo durante o dia. Basta adormecer para revelar um talento oculto na produção de efeitos sonoros.
Enquanto a ciência não resolve essa pequena questão da humanidade, sigo cultivando objetivos modestos. Aliás, minha maior ambição neste momento nem envolve pesquisas científicas, travesseiros tecnológicos, colchões inteligentes ou aparelhos revolucionários e futuristas. Não peço noites perfeitas, nem punições individuais (ou coletivas, sei lá!). Eu só preciso continuar cochilando no ônibus… Em silêncio.
Vanessa Rosa da Paz faz do cotidiano território literário, onde poesia, crônica, humor, sensibilidade e inquietação revelam a beleza escondida nas coisas aparentemente simples
Vanessa Rosa da Paz
A vida cotidiana, com suas pequenas alegrias, contradições, incômodos e esperanças, é o espaço escolhido por Vanessa Rosa da Paz para encontrar inspiração.
Conhecida também como Mangaba, a autora mineira transita entre a poesia e a crônica em uma escrita marcada por seu olhar particular sobre a vida.
Natural de Betim, Minas Gerais, Vanessa tem 55 anos e é formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com pós-graduação em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento.
A relação com as palavras, portanto, atravessa tanto sua formação quanto sua atuação como escritora.
Apaixonada pelas letras e pela vida, ela é autora de dois livros: Mangaba Delirante, obra de poesias, e Flor de Lírio, coletânea de crônicas.
Da poesia para a crônica
Em Mangaba Delirante, Vanessa encontra na poesia um espaço para expressar o universo de Mangaba e seu modo muito próprio de observar e interpretar aquilo que está ao redor.
Já em Flor de Lírio, esse olhar ganha continuidade por meio das crônicas.
O cotidiano torna-se matéria para uma escrita que pode ser bem-humorada e, em alguns momentos, ácida, sem abandonar a poesia e a esperança.
A mudança de gênero literário permite que a autora explore outras possibilidades da palavra.
Se em Mangaba Delirante a expressão acontece pela poesia, em Flor de Lírio são as situações e percepções do dia a dia que encontram espaço na crônica.
Nas duas obras permanece Mangaba, identidade que acompanha a produção de Vanessa e dá liberdade para que seu olhar passe pelo humor, pela sensibilidade, pela inquietação e pelas diferentes maneiras de perceber a vida.
Literatura feita do que está ao redor
Transformar o cotidiano em literatura também significa prestar atenção naquilo que muitas vezes passa despercebido.
Um sentimento, uma lembrança, uma situação inesperada ou simplesmente outra maneira de enxergar algo conhecido podem se tornar ponto de partida para a escrita.
É desse território tão próximo que Vanessa Rosa da Paz retira parte de sua inspiração.
Entre os versos de Mangaba Delirante e as crônicas de Flor de Lírio, a autora constrói seu espaço literário experimentando diferentes formas de expressão e mantendo como fio condutor seu interesse pelas letras e pela vida.
Com duas obras publicadas e dois gêneros diferentes em sua trajetória, Mangaba segue fazendo justamente aquilo que a literatura permite tão bem: transformar em palavras a maneira particular de cada pessoa enxergar o mundo.
A vida é feita de encontros e despedidas, afetos e conflitos, lembranças, silêncios, risos e inquietações.
Em Coletânea de Crônicas – Flor de Lírio, Mangaba percorre esse universo com um olhar sensível, crítico e profundamente humano.
A vida é feita de encontros e despedidas, afetos e conflitos, lembranças, silêncios, risos e inquietações.
Em Coletânea de Crônicas – Flor de Lírio, Mangaba percorre esse universo com um olhar sensível, crítico e profundamente humano.
Ao longo destas páginas, o leitor encontrará crônicas inspiradas no cotidiano, reflexões sobre a existência, narrativas que exploram as complexidades das relações familiares e textos em que o humor surge como forma de revelar as contradições da vida.
Algumas histórias acolhem; outras provocam. Algumas emocionam; outras convidam ao debate.
Com uma escrita que combina delicadeza, ironia e profundidade, Mangaba transforma experiências comuns em literatura, sem fugir das dores, dos desencontros e das verdades que muitas vezes preferimos silenciar.
Cada crônica é um convite à reflexão.
Seja diante da beleza de um instante simples, da inquietação provocada por um conflito familiar ou de uma situação bem-humorada do cotidiano, o leitor é levado a revisitar suas próprias memórias, crenças e experiências.
Flor de Lírio é uma obra para quem acredita que a boa crônica não apenas retrata a vida, mas também a questiona.
Um livro que alterna leveza e intensidade, emoção e crítica, sempre guiado pelo desejo de compreender a complexidade da condição humana.
Assista a resenha do canal @o.que.li no YouTube.
Mangaba Delirante – Poesias – : Poesias que nascem da alma e do chão
SINOPSE
Mangaba Delirante – Poesias – é uma coletânea de poemas que percorre a memória, a fé, a dor, a infância, a perda e o reencontro.
Em versos livres, Mangaba Delirante faz da palavra um espaço de liberdade, onde a norma cede lugar à emoção, à metáfora e à força da linguagem.
A obra dialoga com a tradição modernista brasileira, com referências à literatura, à música, e à espiritualidade, sem abrir mão de uma voz própria.
Entre o sertão e a cidade, a lama e a esperança, o anonimato e o pertencimento, cada poema convida o leitor a enxergar o extraordinário nas experiências mais comuns.
Não é um livro de respostas prontas. É um livro de encontros: com o pai, com a infância, com os que sofrem, com os esquecidos, com a arte e consigo mesmo.
É um convite para ler devagar, sentir profundamente e descobrir que, muitas vezes, a poesia não explica a vida – apenas a ilumina.
Guilherme Machado reflete que a distância mais dolorosa do mundo é aquela que separa o orgulho de saber do que somos capazes da coragem de viver à altura desse potencial
“Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” Provérbios 16:3
Durante muito tempo, essa seria uma frase que eu diria com orgulho. Hoje, curiosamente, ela também me incomoda.
Talvez porque eu esteja começando a perceber que existe uma diferença enorme entre saber do que somos capazes e viver à altura dessa capacidade.
Recentemente, estabeleci uma série de metas para o meu processo de emagrecimento. Em vez de olhar apenas para um objetivo distante, decidi dividi-lo em pequenas etapas difíceis o suficiente para me exigirem, mas tangíveis o bastante para que eu pudesse alcançá-las.
Bati a primeira meta antes do prazo. Deveria ter sido combustível para continuar. Foi quase o contrário: eu me acomodei.
Passei cerca de dez dias sem me exercitar. Houve circunstâncias que contribuíram — inclusive a chuva, que dificultou minhas corridas e minhas idas à academia —, mas seria confortável demais responsabilizá-las.
A meta seguinte venceu e, dessa vez, precisei de alguns dias a mais para alcançá-la.
Poderia enxergar nessa pequena sequência apenas as oscilações naturais de um processo de emagrecimento. Mas percebi que a balança estava começando a me mostrar algo que não tinha relação apenas com meu peso.
Às vezes, o corpo também funciona como espelho. E eu não gostei completamente do que comecei a enxergar no meu.
Quando ser capaz também pode se tornar uma armadilha
Percebi um comportamento que não está restrito à balança. Ele aparece em diferentes áreas da minha vida.
Quando uma situação se torna crítica, alguma coisa parece despertar dentro de mim. Penso rápido, crio alternativas e encontro soluções — muitas vezes, não uma, mas várias.
Durante muito tempo, enxerguei isso apenas como uma qualidade. Hoje começo a perceber seu outro lado.
Não porque exista algo de errado em ser capaz de reagir. Pelo contrário. Essa capacidade já me foi extremamente útil.
Talvez o problema nunca tenha estado na ferramenta, mas na maneira como aprendi a utilizá-la.
Quando você sabe que consegue reagir muito bem diante de uma emergência, existe o risco de começar a tolerar demais a aproximação dela. É como se houvesse uma certeza silenciosa: depois eu resolvo.
E o pior é que, muitas vezes, eu resolvo. Talvez seja justamente esse o problema.
Talvez eu tenha aprendido a confiar tanto na minha capacidade de reagir que nunca tenha aprendido verdadeiramente a confiar na minha capacidade de permanecer.
Essa constatação doeu.
Porque existe um preço escondido nisso.
Você acaba utilizando sua capacidade para apagar incêndios que sequer precisariam existir.
Quando olho para minha vida sob esse novo referencial, surge uma pergunta desconfortável: até onde eu poderia ter chegado se tivesse colocado na constância a mesma capacidade que tantas vezes coloquei na reação?
Não sei. Só Deus sabe. E talvez nunca saber seja justamente uma das partes mais dolorosas dessa descoberta.
Porque algumas coisas podem ser recuperadas. Projetos podem ser retomados. Dinheiro pode ser reconquistado. Quilos podem ser perdidos novamente.
O tempo não aceita o desaforo.
O tempo que deixei queimar enquanto apagava incêndios não volta.
Mais do que um número
Existe um objetivo que, neste momento, significa muito para mim: quero voltar a enxergar dois dígitos na balança.
Para algumas pessoas, pode parecer apenas um peso. Para mim, não é.
Eu já emagreci antes. Já treinei, fui disciplinado e experimentei a sensação de olhar para meu corpo e reconhecer nele o resultado das minhas escolhas.
Depois me acomodei.
Posterguei por muito tempo a decisão de emagrecer novamente porque não queria passar por todo aquele longo processo outra vez.
Existe uma ironia dolorosa nisso: se eu tivesse cuidado daquilo que conquistei, não precisaria reconquistá-lo.
Dessa vez, porém, deixei a situação avançar a ponto de perder algo mais importante do que condicionamento físico.
Comecei a perder a confiança em mim mesmo.
Eu, que tantas vezes havia encontrado soluções quando tudo parecia perdido, comecei a duvidar se conseguiria resolver a minha própria situação mais uma vez.
Por isso, voltar a enxergar dois dígitos na balança não representa apenas emagrecimento. Representa retomada da confiança.
Mas comecei a perceber que meu desafio talvez não esteja apenas em acreditar que consigo chegar. Está também em aprender a atribuir àquilo que conquistei o mesmo valor que eu atribuía quando ainda parecia difícil de alcançar.
Existe alguma coisa nos grandes desafios que me seduz. Quanto mais distante parece um objetivo, mais ele desperta o melhor de mim.
Às vezes penso em um gato brincando com um novelo de lã. Enquanto o novelo escapa, ele corre, salta, insiste. Quando finalmente o alcança, porém, parte do fascínio desaparece, embora o novelo continue sendo o mesmo.
O que mudou foi apenas a dificuldade de alcançá-lo.
Talvez eu tenha feito isso comigo mais vezes do que gostaria de admitir. Talvez eu tenha confundido, durante muito tempo, a dificuldade de conquistar com o valor da conquista.
Foi doloroso perceber que, dessa maneira, eu estava utilizando minha própria capacidade contra mim.
Quando o corpo começa a falar
Talvez essa seja uma das coisas mais fascinantes que a atividade física tem me ensinado: o corpo torna visível aquilo que, em outras áreas da vida, conseguimos esconder de nós mesmos.
Ele não conhece nossas intenções. Não sabe quantas vezes prometemos começar amanhã. Não se impressiona com nossos planos.
O corpo responde àquilo que repetimos.
E, enquanto observava minhas respostas aos exercícios, percebi que não estava conhecendo apenas meu corpo.
Estava conhecendo meus padrões.
A balança mede meu peso, o relógio mede meu tempo e a distância registra quanto percorri. Mas nenhum deles mede a maneira como tenho conduzido minha própria vida.
Essa parte precisei começar a medir sozinho.
Talvez meu maior problema tenha sido justamente o resultado. Eu conseguia, resolvia, chegava — e isso acabava funcionando como meu álibi.
Se no final eu conseguia chegar, por que questionar a maneira como percorria o caminho?
Agora me faço uma pergunta diferente: por que tantas vezes preciso chegar ao limite para começar a caminhar na direção que já sabia que deveria seguir?
Ainda estou atravessando
Não escrevo estas palavras como alguém que descobriu uma fórmula mágica para mudar.
Estou vivendo esse processo agora.
Voltei para a terapia, a cuidar do meu corpo e a estabelecer metas.
Tenho buscado em Deus direção para me reconduzir enquanto tento colocar em ordem aquilo que está do lado de fora. Talvez uma das coisas que esteja aprendendo seja justamente que reconhecer minha capacidade não significa acreditar que preciso resolver tudo sozinho.
Talvez parte desse processo seja também aprender a me esvaziar de mim mesmo — da necessidade de controlar, resolver e encontrar todas as respostas — para me encher do Espírito e da presença de Deus.
Não estou do outro lado da ponte.
Ainda estou atravessando.
Foi durante essa travessia que, ontem, depois de orar, parei diante do espelho.
Olhei para mim e disse que vou atingir meus objetivos. Eu creio nisso.
Mas, naquele momento, percebi que já não queria simplesmente fazer outra promessa motivacional ou convocar novamente aquela versão de mim que aparece quando tudo se torna crítico e consegue encontrar uma saída.
Eu conheço esse homem: sua criatividade, sua força e sua capacidade de encontrar caminhos quando aparentemente eles não existem.
Essa versão de mim já me salvou muitas vezes. E sou grato a ela.
Mas, diante daquele espelho, em lágrimas, reconheci algo que talvez estivesse demorando anos para admitir: estou farto de viver assim.
Não quero mais precisar da emergência para acessar minha capacidade nem transformar potencial em ferramenta de resgate. Sobretudo, estou farto de imaginar quanto tempo deixei pelo caminho simplesmente porque sempre confiei que conseguiria correr depois.
Conheço muito bem a versão de mim que aparece quando tudo parece perdido.
Agora quero conhecer outra.
Quero descobrir quem posso ser quando não existe uma emergência me obrigando a agir.
Eu ficaria encantado em conhecer essa versão de mim mesmo.
Talvez por isso uma pergunta tenha começado a me acompanhar:
Quanto da nossa capacidade usamos para construir — e quanto gastamos consertando aquilo que a constância poderia ter evitado?
Eu ainda não conheço todas as minhas respostas.
Também não sei exatamente onde esse processo vai me levar. Talvez esteja aprendendo justamente a não precisar saber.
Entreguei meus planos a Deus e o chamei para pelejar comigo essa batalha. Agora estou aprendendo a permanecer no caminho mesmo quando não existe uma emergência me empurrando por ele.
O passado deixou aprendizados, consequências e um tempo que não posso recuperar.
Mas ainda existe caminho pela frente.
Em uma das palavras dirigidas a Jó, encontro uma imagem que gosto de carregar comigo:
“Tudo o que você fizer dará certo, e a luz brilhará no seu caminho.” Jó 22:28
Não sei exatamente onde esse caminho vai me levar.
Não se transmite o sentimento do amor pelo anulamento da distância; antes, percebe-se o anular-se na paixão para acolher aquela parte que recompõe a unidade.
A espera é o tempo essencial para compreender o quanto o fogo ardente do espírito é necessário para construir o altar sagrado, onde uma só água é evocada para o refrigério da aridez.
Para preencher a ausência, a linguagem dos braços assume o cetro do comando sobre as intermináveis páginas escritas.
Não havia luz ao redor até o canto do teu nome, que ressoa sob a pele como a seiva infiltrada no pulsar do costado, onde os sonhos lançaram a chave no poço dos desejos e no pertencer aos raios do meu sol.
Dividir o pesado fardo das adversidades é o equilíbrio das batidas do relógio, cadenciado no pulso do combatente.
E vejo dois jovens correrem sobre os ombros curvados pelo sorriso de duas linhas que escreveram seu livro nas histórias das palmas das mãos.
Os dedos banhados na tinta divina finalmente proclamaram a sacralidade de um abraço, para selar o rito de não ter esperado em vão.
Em crônica apaixonada, Guilherme Machado revela como a poesia ganhou vida e nome: Jéssica!
Guilherme Machado Jessica Palma de Brito – Arquivo pessoal
Já descobri que presente não precisa ser algo que se embrulha, nem algo que se compra, guarda ou coloca em uma prateleira. Presente é alguém que chega e, sem perceber, enche o nosso coração de alegria.
É tanta coisa para falar de você que os adjetivos simplesmente não dão conta: a mulher mais bonita, mais legal, mais humilde, mais falante, mais divertida, mais especial… e eu poderia continuar indefinidamente, até chegar em única, marcante, inesquecível e inadjetivável.
Só que tem um problema: tem marcianos querendo pegar um foguete e vir para a Terra descobrir quem é essa tal de Jéssica que está fazendo tanto sucesso por aqui. 🚀👽 Se bem que, pensando melhor, talvez eu tenha descoberto algo ainda mais importante:
Eu não sei fazer poesia. E não é por falta de tentativa. É porque eu estava procurando poesia nas palavras, quando descobri que a poesia já estava diante de mim.
Incapaz de colocar em versos aquilo que você é, percebi que não precisava procurar metáforas, rimas ou palavras bonitas. Porque você é a própria poesia. Como diz a mulher mais bonita, mais legal, mais humilde, mais falante, e todos os outros elogios possíveis e imagináveis: “Esse é o meu jeitinho exagerado.”
Mas talvez seja justamente o seu jeitinho que nenhuma palavra consegue traduzir. Afinal, até Deus deve estar olhando para mim e pensando: “Guilherme, eu já entendi! Para de encher o meu saco com tanta oração sobre você e a Jéssica!” 🤣🤣🤣 Mas fazer o quê? Quando alguém se torna importante, a gente coloca essa pessoa nas nossas conversas com Deus.
E talvez essa seja a melhor definição que eu poderia encontrar: Jéssica, você não é apenas alguém que eu admiro e você não precisa fazer nada, apenas ser você mesma. Você é alguém que me fez descobrir que eu não sei fazer poesia, porque a poesia já veio pronta — em forma de mulher.
Uma viagem literária e sensorial pelas memórias ancestrais, arquitetura única e paisagens deslumbrantes no coração de Portugal, pelos olhos de Laura Moura Nunes
Laura Moura Nuneshttps://www.pexels.com/pt-br/foto/encantadoras-casas-de-pedra-em-piodao-portugal-33891304/
São casas tradicionais que possuem uma arquitetura única e simples, e as de maior destaque são as que têm balcões e varandas sombreadas por videiras.
Os edifícios particulares também construídos em Xisto são o ex-libris das Aldeias neste encanto do passado das emblemáticas Aldeias onde o turista atento tem muito mais para ver.
Desde as Pontes Romanas por onde passavam as mercadorias vindas de longa distância (rota comercial) na casa Museu estão expostos vários utensilios antigos do quotidiano dos habitantes mostrando ao visitante a mística forma de vida desses povos, a sua maneira de adaptação
com seu patrimônio religioso pois disso são exemplo as igrejas que se encontram datadas do século 1933 que sofreram várias remodelações ao longo dos tempos.
Têm torre sineira erguida em homenagem ao Patrono de sua devoção.
Quem quiser fazer uma viagem no tempo remoto pode visitar este patrimônio pois remonta como se vivia nessas Aldeias de Xisto com construções em pedra sobre pedra.
Uma paisagem luxuriante, deslumbrante, cultural e única no centro de Portugal, onde se mostram montanhas a perder de vista, água a brotar da terra em rios e ribeiros, um céu azul dos mais estrelados dado a sua situação geográfica, belas
água e a natureza que sobressai da diversidade destas aldeias em que o ser humano não pode alterar. Suas gentes, suas aldeias representam com grande magnitude Portugal, pois é o pulsar da terra Lusitana despertando os sentidos e evocando memórias.
“Pete, Pete”. It looked like I was daydreaming I’m sure, but I wasn’t even there at all.
He texted me what he was visualizing. A moment of telepathy or was it cosmic integration? Dreaming? Imagining? Fuck it. I wasn’t there and yet he watched me in the coffee shop a little way down the streets from the Law Courts. So strange to see me behind glass mottled with raindrops. Me, who lives ten thousand miles away.
Hence the texting. Was it to remind me of something or was I reminding him? No birthdays, anniversaries, celebrations, deaths or memorials but there I appeared in his line of vision.
I hate it when that happens. When someone conjures me into their reality. I have never given permission. I think it’s rather rude, to encourage the building of false memories, the extension of delusions.
I thought living ten thousand miles away would prevent this loss of privacy, in other words, the consequences of cosmic peccadillos. I’m wondering whether he’s wondering whether he sees me as some optical echo from a shared history. Like glances at the same glasses, colour of lipstick, hair tumbling over the back of a winter coat from a knitted turquoise hat, the odd doppelgänger and the laughter of a cousin.
Wind ruffles my hair. Waves push out, suck in and carry illusions created by the Moon. I’m convinced we are still Hera’s playthings and delusions skip from our eyes to make tides turn and loved ones miss each other.