Um dia
Evani Rocha: Poema ‘Um dia’


às 22:23 PM
Um dia a gente chega, com olhos de anjo e pele de seda.
Não se sabe sobre o mundo, o segredo do universo
Ou a tenacidade das pedras.
Se desconhece o destino, os meandros do caminho,
A ausência e a saudade;
A complexidade das coisas, nem o certo
Ou o errado.
O tempo vai nos contando sobre o Sol e as estrelas,
Dizendo das tempestades, do plantio e da colheita.
Vai revelando as mãos dadas, os laços e armadilhas,
Os desvios da estrada e as cores do arco-íris!
Um dia a gente cresce: se descobre, se conhece.
Ou nunca se reconhece.
Percebe-se como gente carregando uma bagagem,
Sem saber o que há dentro…
Ter entre as mãos o novelo, sem começo, meio ou fim,
Sob os pés flores pisadas, sem enxergar o jardim.
Um dia de cada vez, o tempo não se adianta,
O tempo não retrocede e não corrige o que se fez.
Leva a beleza do espelho, o encantamento dos olhos
Ou o preto dos cabelos.
Um dia a gente transborda, noutro se esconde numa concha.
Decora nossa história, mas nunca lembra o prefácio.
Um dia a gente vai embora, sem títulos e sem bagagem,
Sem palavras ou memória…
Vai embora o rio que correu incansável para o mar,
Os sonhos e desafios, a presença ou o vazio.
Vai embora o nosso passado, as coisas desconhecidas,
A grandeza das palavras ou a insolência das máscaras!
Um dia há despedida, há flores desabrochadas
E algumas gotas caídas,
Restando apenas as pontas, desatadas, do novelo,
O branco gélido do mármore
E os dedos, entre os dedos!
Evani Rocha