Cheiro de mistério
Evani Rocha: Poema ‘Cheiro de mistério’


às 07:40 PM
É ácido, ressequido e tenaz
Entra pela boca e escorre pelos olhos
Turva a visão e embarga a voz
É o cheiro do mistério,
Da passagem para o outro lado…
O outro lado da história, dos trilhos,
O anverso da moeda.
Quem desvendará o gosto do fim?
Da aridez do solo que recobre o leito,
A pedra lisa e fria que homenageia
A mensagem consoladora…
A pálida tez, a matéria gélida e desfalecida,
E o legado lido em voz trêmula.
Quem contestará?
Este é relativo, dual, imprevisível…
Mas fica, permanece de algum jeito,
Permanece…
Do outro lado da rua, do espelho ou da fresta,
Como uma flor despetalada no jardim
Ou uma sombra fresca que se move entre os presentes.
Não seria o epílogo…
Talvez a proeza de uma nuvem que encobriu o Sol
Ou apenas um acalanto para as almas angustiadas.
Sobre as mãos cruzadas, nenhum adereço.
Nenhuma bagagem, nada…
Somente a colcha viçosa de margaridas perfumadas,
Amarelas e brancas.
Talvez simbolizando o ouro usurpado
E paz que nunca teve!
Evani Rocha