Tempo x vida
Lina Veira: Crônica ‘Tempo x vida’


O tempo devora nosso corpo e nossa vida a cada dia, nos desgastando como se fossemos uma máquina, e a máquina parece ser nosso modelo ideal de vida como um sonho, poi,s diante de uma falha ou defeito, basta trocarmos uma peça, tornando-a forte e potente novamente ou eternamente jovem.
Ou você nunca procurou uma academia na sua vida, para fazer as aparas necessárias em seu corpo? Ou você nunca visitou sem compromisso uma clinica estética e se deslumbrou com as possibilidades de aumentar os seios, enrijecer o bumbum ou até melhorar sua potencia sexual, hahaha.
Mas não é bem assim Lina , alguém vai me dizer. E é como? Estamos todos juntos nesta maratona da vida precisando a todo instante de produtividade, desempenho, rendimento, saber viver! Desde pequenos somos cobrados por isso. E talvez estivemos livres de todo esse pesadelo apenas quando bebês ou na primeira infância. Mas o pior de tudo, é que somos desunidos demais.
O que quero dizer é que, observando meus filhos hoje, vejo que por mais que tente preservá-los de todo esse paradoxo maquinífero que existe ao nosso redor, não adianta. Estamos numa selva, numa selva desumana e precisamos lutar como animais ameaçados de extinção, pois não queremos morrer logo, nem virar sucata tão fácil.
Penso que, talvez, o contato com a natureza nos torne menos maquiníferos, ou mais naturais e nos livre ou nos alivie um pouco de tantas regras, de disciplina e de submissão. Estou me referindo a excessos. Não me diga que estou delirando, eu tenho certeza disso. Então não nos resta mais nada a não ser perder? EXATO. Não fazemos outra coisa nesta vida a não ser perder… PENSA COMIGO? Perdemos a resistência do nosso corpo, a qualidade da nossa visão, os nossos gostos, a memória de nossa infância, as pessoas que amamos, as pessoas que nos amam, os nossos sonhos, a paciência fácil demais. Desistimos de ganhar, de lutar , de vencer de acreditar… O que mais? Ficaria horas aqui digitando….
Então, passamos a vida inteira perdendo? Dentro de uma vida rasa, sim, dentro de um corpo blindado como um carro de luxo sem nos mostrar ou se amostrar por completo, com aquele sorriso murcho que só julga e se vitimiza, com medos que nos paralisam, com nossas vaidades medíocres e exageros que não bastam; olhando o mundo sem enxergar nada, sem se enxergar, sem nunca parar de perder tempo para, assim, ganhar e viver a vida.