Todas as Helenas
Um romance sobre maternidade precoce, solidão e a urgência de apoio

Existem histórias que não pedem licença.
Elas chegam, ocupam espaço e exigem do leitor mais do que empatia, exigem reflexão.
O livro de estreia de Juliane Silvestri Beltrame é assim: um romance de camadas profundas, narrativa dura e emocionalmente potente, que ecoa a vida de muitas mulheres reais.
A protagonista, Helena, que dá nome à obra, representa tantas meninas que engravidaram cedo demais e precisaram amadurecer rápido demais.
Sozinhas, sem apoio suficiente, assumem a responsabilidade de criar um filho enquanto ainda tentam compreender a própria vida.
A força de Helena não está romantizada: ela é construída no cansaço, na renúncia e na resistência diária.
O livro fala, sobretudo, da maternidade solo imposta, daquela que não nasce de uma escolha idealizada, mas da ausência, de parceiros, de políticas públicas, de uma rede que sustente.
Mostra mulheres fortes, sim, mas também mulheres exaustas. Porque nenhuma força deveria ser sinônimo de abandono.
Ao longo da narrativa, fica evidente que todas as “Helenas” precisam mais do que coragem.
Precisam de leis que amparem, de rede de apoio, de espaço para descansar, estudar e trabalhar.

O romance não grita slogans, mas constrói essa denúncia com sensibilidade e verdade, deixando que a dor fale por si.
Curiosamente, a história não nasceu com essa intenção.
Juliane, advogada especializada em Direito de Família, natural de Campo Erê (SC), conta que a ideia inicial era escrever um conto leve, quase um mistério: um grupo de amigos, um enigma em uma pousada, um passeio por pontos turísticos de Salvador, tudo culminando em uma campanha de turismo.
Mas a escrita seguiu outro caminho.
As personagens ganharam voz própria, e a autora teve a coragem de escutá-las.
Esse deslocamento criativo talvez explique a potência do livro.
Ele não parece planejado para agradar; parece necessário.
A narrativa se impõe, conduzindo o leitor por temas como maternidade precoce, responsabilidade solitária, desigualdade e resistência feminina.
Sendo sua primeira obra publicada, o romance já nasce maduro, intenso e desconfortável, no melhor sentido.
Não é uma leitura fácil, mas é uma leitura importante.
Um livro que não suaviza a realidade e não oferece soluções mágicas, mas convida à consciência.
Porque Helena é personagem.
Mas as Helenas existem.
E seguem precisando ser vistas, amparadas e respeitadas.
REDE SOCIAL DA AUTORA
Helena feita de aço e amor
SINOPSE
Com uma narrativa emocionante e dados impactantes, Helena: feita de aço e amor revela a trajetória de uma menina-mulher que, ao invés de sonhar com a valsa aos 15 anos, carregou a dor do abandono dos pais e experimentou cedo o sacrifício da vida.
Foi mãe solo, que transformou dor em resistência e solidão, sem rede de apoio.
Acompanhamos sua luta contra o abandono paterno, a pobreza e a invisibilidade, batalhas que ecoam nos 11,6 milhões de lares brasileiros chefiados por mulheres como ela.
Entre números que escancaram a injustiça e momentos de pura poesia cotidiana, esta obra é um retrato sem filtros da maternidade solo no Brasil e da realidade de milhões de mulheres que precisam conhecer cedo a dor da rejeição e do abandono.
Mas é também um tributo à força que nasce do amor.
Das sete mulheres que se tornaram sua família improvisada aos projetos sociais que hoje replicam seu modelo de sobrevivência, Helena nos ensina: nenhuma mãe é realmente solo quando outras mulheres estendem as mãos.
Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube
OBRA DA AUTORA
