Evani Rocha: Poema ‘Senhor tempo’


Lá se foi janeiro
Fevereiro há pouco termina…
Nasce um novo mês, março!
Será que ainda haverá águas?
Ou toda água verteu-se
Na última estação?
Então, espera-se por abril!
Pelo sim, pelo não…
Pede-se aos céus que
Nos dê muitas estrelas…
Luas cheias, noites claras…
Porque logo vem maio, anunciando
Que estamos próximos ao meio,
Ao meio do ano, ao meio do ciclo…
Lá na curva do caminho, aponta junho.
Talvez inseguro, meio tímido…
Ainda um menino em volta da fogueira!
Vai crescendo até despedir-se,
Como um jovem, querendo ganhar o mundo…
Assim voa alto, deixando para trás o mês de julho,
Com seu sol enorme e seus olhos profundos…
Com uma bagagem gorda,
Depois de meio ano de acúmulo de ‘coisas’:
Alegrias, tristezas, dores e muita água que passou debaixo da ponte,
Para nunca mais voltar…
Porém, vai embora a contragosto,
Pois talvez quisesse ficar mais um pouco…
Então, chega agosto, furioso e fanfarrão!
Uma mistura de seca e calor!
Muda as cores dos campos e coloca-se ao centro do palco!
Ele é um artista…e faz da gente impaciente,
À espera das flores, da chuva e do verde!
Queremos setembro!
E ele vem sorrindo, enquanto fecham-se as cortinas…
A profecia fala sobre flores e borboletas nos jardins!
Aves construindo ninhos…
Logo vai chegar outubro, o mês das tardes serenas, das brisas mornas…
Um jovem senhor do tempo!
Outubro, me lembro inverno…ruas silenciosas, manhãs orvalhadas! Lareira…
Mas, esses dias, também se vão…
Porque novembro desliza pelos trilhos!
O trem do ano vai chegando à última estação…
Voltam as águas, que um dia foram mar, riachos e lagos…
É a continuação da vida, de cantarola de passarinhos, de campo florido!
Pois fecha-se o ciclo, para um novo início:
Ele é o último mês do ano: dezembro
Vem feliz e saltitante, traz no céu muitas estrelas e na terra vida farta!
Carrega no bolso, sementes, e leva consigo, os fios pratas e os passos lentos,
Que o Senhor Tempo, se encarregou de plantar!
Evani Rocha
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