Aplausos vazios

Verônica Moreira: ‘Aplausos vazios’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Imagem gerada pela IA do ChatGPT 0 12 de março de 2026,
às 00:31

Claro que eu estava lá. Mas era como se não estivesse. Estava no palco e estava sendo aplaudida, mas não me senti homenageada. Não, eu não queria que fosse daquela forma. Todavia, eu não via brilho nos olhares. Senti que não me desejavam ali.

Por mais que tentem esconder, meus olhos veem além… Não vi sorrisos sinceros e, quando, por nervosismo — talvez por me sentir rejeitada, por não conseguir ser perfeita — senti rejeição, meu coração se fechou.

Nunca foi minha intenção ser perfeita, porque sei que eu não poderia. E mesmo que eu conseguisse chegar perto da perfeição, me crucificariam como fizeram com meu Mestre.

Longe de mim habita a perfeição. Só consigo ver frieza em alguns olhos à minha volta. Talvez eu esteja enganada, e eu torço para que um dia eu acorde e alguém me diga que era um pesadelo.

Cruzo o caminho e, quando o vejo, me mantenho firme, mas o desejo é me esconder da frieza desse olhar.

Peço a Deus, todo santo dia, que afaste de mim o cálice do engano, do mal-entendido, porque, depois que aprendi a lidar com a frieza, meu coração não confia em nenhum calor. Nenhuma faísca que pareça fogo me afeta.

Meu coração queima, mas não é mais de sentir afeto. É de sentir na carne, nos ossos e na pele a rejeição dos olhares que me ofendem.

Verônica Moreira

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