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Carolina Maria de Jesus

Evani Rocha: Poema ‘Carolina Maria de Jesus’

Evani Rocha
Evani Rocha

Imagem gerada pelo ChatGPT – 23 de março de 2026,
às 08h20

Hoje eu a conheci, Carolina!

Vi você de perto, peito aberto, pés descalços…

Vi você nas dezenas de páginas de um diário…de muitos diários!

Carolina, você que descreve

A fome e a miséria,

Como se brotasse dos poros…

Mostra a vida pelo avesso,

Tinge o sofrimento com seu próprio sangue.

Carolina Maria de Jesus…

Carolina ‘Fortaleza’ Maria ‘Mulher Luz’ de Jesus!

Quão pesada foi a sua cruz, Carolina!

Mas a carregou com amor e coragem…

Nem por um momento, seus filhos abandonou,

Não que aceitasse, ou compreendesse a miséria…

Não por resignação,

Mas por ânsia de mudar seu mundo!

Porque sonhou e projetou um novo futuro,

Um castelo, que para você nada mais era que uma casa de tijolo!

Ah, Carolina, menina, sensível e humana…

Você é gente que ensina muita gente!

Mulher que estampou na face o sofrimento,

Que sentiu no corpo, as dores da fome e da humilhação…

Poetisa das noites solitárias, da chuva e da lama,

Poetisa das latrinas da vida, dos recônditos da alma!

Carolina, de sabedoria nata,

De coração gigante!

Nos diz que o mundo é pequeno demais,

Para quem ousa voar!

Mesmo sem asas, talvez plainando sobre seus papelões, 

Catados no lixo,

 Ou sobre as palavras que brotavam de suas mãos bailarinas,

Você voou alto e viu o mundo de cima!

Talvez, Carolina, do alto, ele tenha lhe parecido mais bonito…

Mais democrático, mais generoso!

Mulher guerreira, que acreditou em si,

Que soube mostrar sua razão,

Que reivindicou o seu e de outros,

O direito à dignidade…

Carolina! Forte, dócil, coração…

Você ainda vive, em cada mulher que sofre discriminação,

Que trabalha fora e dentro de casa,

Que sustenta os filhos com dor e suor!

Você está na essência das mulheres faveladas, 

Das mulheres agredidas,

Das mulheres que batalham o dia a dia…

Mesmo com chagas, cansaço e fome.

Sim! Ainda há fome, Carolina!

Quase um século,

Mas a miséria e a pobreza 

Reinam absolutas, nas milhares de favelas,

Que esse país joga todos os dias, nos quartos de despejos!

Evani Rocha

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