Na estrada de Pernambuco
Lina Veira: ‘Na estrada de Pernambuco’


O mundo mudou inteiramente nesses vinte anos, como certamente mudou a vida de todos nós, inclusive a minha própria. Quando escrevi meu primeiro livro, ainda vivia muitas avaliações e questões internas e externas da época , em busca de alguma coisa interessante para publicar pela Editora, desde que fosse na linha do crescimento pessoal e desapego, não apenas para minha própria salvação , mas a salvação da humanidade, sobre perspectivas da vida e novos olhares . Eu queria contar um pouco de mim, de minhas experiencias e de como viver uma história mais leve de vida sem buscar opiniões dos outros para viver o que os outros acham que você deveria viver.
Na escrita minha intensidade cega os perigos e me salvo dos medos assim.
Mergulhar por inteiro, mostrar as feridas, permitir que te arranquem as cascas, só depende de você , e não é absolutamente recomendável.
Mas a escrita é uma arte habilidosa e despertar a curiosidade para leitura e prazer espiritual .Esse deve ser seu objetivo alto.
Não consigo parar, não quero parar. Meu corpo não se importa de jeito nenhum com o que meu cérebro pensa. Sinto seu beijo em toda parte, nas costas e entre meus seios, por trás dos joelhos ativando todos os poros das minhas pernas. Mas não consigo me fartar. Sua mão aperta minha cintura e viaja até meu peito. Minhas mãos não conseguem parar.
Esta é uma declaração apaixonada de amor, mas nenhuma declaração apaixonada é dirigida com gestão, ou trabalhada pelo pensamento consciente, e sim dinamizada pelo encantamento, sem orientação das línguas.
Escrever é como um momento na delegacia, de repente entra um crioulo de quase dois metros , cabelos revoltos, nariz esbelto, nem sempre bem interpretado, mas dialético. A finalidade da escrita não é propriamente formar autores premiados nacionais e internacionais , mas procurar um aperfeiçoamento mental , criar uma atração sadia com os programas e o hábito da leitura desde os parques infantis aos jardins sossegados da vida.
O mundo mudou sim, no início , apenas éramos pobres escravos, na vida duríssima do trabalho, com a influência dos negros nas canções, nas festas humildes. Lembranças alegres e tristes, mas sempre saudosas como pôr do sol.
Como bela é a vida na estrada de PERNAMBUCO, com amigos, amantes, desconhecidos, que por lá passavam com suas carroças e carros conduzidas por gente humilde e amiga e param no acostamento para comprar a melhor pamonha do Brasil.
ESCREVER É ISSO APROXIMAR-SE DE TI.