Para que a terra descanse um pouco
Rita Odeh: Poema ‘Para que a terra descanse um pouco’


Ó Deus do Universo,
Tu prometeste que a injustiça deve inevitavelmente desaparecer…
Então, até quando todos estes tormentos,
todo este sofrimento?
Até quando os pássaros morrerão, abatidos,
sobre os muros da esperança?
Até quando
o nosso céu permanecerá apetrechado com aviões de guerra,
e as brasas do ódio… sobre a terra…
permanecerão acesas…?
Até quando…!?
Até quando permaneceremos como borboletas em teias de aranha… presos…?
Até quando as crianças chorarão… famintas…
nuas…
as suas famílias, cadáveres espalhados pelas estradas…?!
Que os vermes devoram…?
Até quando…!?
Até quando as hienas violarão… o sangue dos inocentes… para que eles partam, estrela… por estrela…
cintilando no céu?
Até quando…!?
Ó Deus da Justiça… Tu prometeste: é preciso
que um dia o sol dos trabalhadores… dos esmagados… dos oprimidos… dos deslocados… dos miseráveis… se levante.
E que seja cortada… a mão daquele que é viciado na destruição…
que arruinou e devastou… e devorou a honra…
e manchou o sangue.
Ó Deus da Paz,
Ó Senhor dos Grandes Céus,
Ó meu Deus… Ó Misericordioso… Ó Amparo dos fracos…
Tu que…
dizes a uma coisa… Sê… e ela é,
aos mortos, levantai-vos… e eles levantam-se…
Diz à ocupação… basta de obscenidades.
Diz à ocupação… basta de soberba.
Diz às consciências: “Acordai da vergonha do vosso sono.
No rio sagrado… lavai-vos.”
Ó Deus do Universo,
Diz ao vento… para se acalmar um pouco… um pouco…
Ó Deus da paz… Ó Deus da verdade… Ó Deus da justiça…
Diz… a esta terra… para descansar
um pouco… um pouco…
antes que……… o julgamento chegue.