É assim que a gente vai embora
Evani Rocha
Poema ‘É asim que a gente vai embora’


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É assim que a gente vai embora
Na penumbra de um quarto
No correr triste das horas
Na libertação do fardo
Feito plumas de algodão
Deixa o corpo despido
Preenchido tão somente
Pelas máscaras da vida
É assim que a gente vai embora
Renascer em outro plano
Sem adeus na despedida
Sem ouro nem sonhos na mala
Não há mochilas cheias
Tampouco malas vazias
Há no céu muitas estrelas
E no chão muitas raizes
É assim que a gente vai embora
Entregue ao fim de um ciclo
Entregue à própria sorte
Por caminho desconhecido
Todos um dia irão
Com seu jeito de partir
A hora marcada nas mãos
A certeza que deve ir
Não sabe-se há um rio
Se há ponte sobre ele
Se há montanhas ou vales
Se há deserto ou oásis
É assim que a gente vai embora
Como nascer novamente
Para uma vida nova
Como germina a semente
Fica para trás uma casca
Um invólucro senil
Deixa todas as bagagens
Leva consigo o vazio
Leva consigo o sentimento
De ser único e sozinho
A partida é sua e inadiável
Assim como o nascimento
A partida é a morte do corpo
E a liberdade da alma
Como se fosse só um sopro
E tudo se transforma em asas!