Amo o cheiro da poesia
Cristina Rhea
Poesia em prosa: ‘Amo o cheiro da poesia’


amo o cheiro da poesia entre duas estações
duas palavras respirando profundamente um oxigênio gravado com amor.
nunca é tarde para que ela venha ao meu coração
perguntando-me em segredo como uma criança com os olhos voltados para algo mais alto do que ela.
muitas vezes nos afastamos profundamente dentro de nós quando não nos dizemos e fingimos que vivemos,
a cada dia negamos tudo a nós mesmos, embora acreditemos que falamos com sinceridade.
é uma luta pela vida entre o velho e o novo, entre hoje e amanhã,
entre dois silêncios, há sempre lugar
para a Poesia do Coração,
para aquele leopardo ardente caindo sobre a boca dos poços de palavras,
para aquele instante veloz amando-me profundamente,
para a voz do Vivo que somente Ela pode trazer à superfície e
transformar em diamante os papéis sobre a minha mesa de trabalho.
amo o cheiro da poesia
quando a recusa da escuridão tem cor e aroma de laranja amarga,
quando o sabor do milagre ganha forma no aposento em que estou.
é um sentimento único que faz as estrelas falarem em meu lugar,
quando tenho a sensação de que as letras chegam de mansinho ao coração explorando o Céu.
eu te amo, Poesia,
ao som da tua música dançam as forças de todos os seres humanos,
os pensamentos vestem o manto da imortalidade e o ar estremece de novidade.
ao entardecer, as alamedas das cidades se enchem de palavras pronunciadas com autenticidade e sem medo.
é o sinal da plenitude da poesia que também neste dia se recusou a morrer,
abrindo caminho e lançando amor em cada palavra escrita por mim.
Uma poesia de Rhea Cristina. Qualquer utilização do conteúdo deste poema implica a citação da fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. Todos os direitos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com