Antes que o mundo acabe
Lina Veira: Poema ‘Antes que o mundo acabe’


Antes que o mundo acabe
Erga a cabeça
O caminho é seu
Odiar e amar é possível
Mas o otimismo é que te faz prudente
Olhar bem define o indefinível
Eu sei, “o desejo da liberdade é maior que a paixão”, já dizia Rubens Alves
Mas a percepção limitada das pessoas nada definem
O fim sempre existiu, o nada, o pó, o indescritível
O otimismo também
Ainda que esquecido no vento: o choro, a dor, o ruim, o controverso
Deixa o milagre ser poesia, na sombra, no sol, na noite, no dia
Se despe antes que o mundo acabe como árvores no outono
Que soltam suas folhas
Sem vergonha, sem modéstia, valente
Antes que o mundo acabe, cabe ainda amar, injetar forças
Escrever, beijar
Beijar desesperadamente
E fazer amor como se fosse o único fim
Antes que o mundo acabe e se consuma desesperadamente
Faça amor, recite um livro, se declare, chore
“Antes que o mundo acabe” funciona como uma metáfora para a urgência de viver, de amar e de se conectar com o essencial diante da incerteza, da passagem do tempo ou de grandes crises globais e pessoais