5 de setembro
Em versos sensíveis sobre a passagem do tempo e as marcas da ausência, Adriana Rodríguez canta as dores e as belezas de um amor que atravessou as estações


Ao despertar o sol
com seus tons azuis,
laranjas, rosados,
com os raios matutinos,
com as luas de jade
e com as horas de insônia,
na distância
de nossos corações,
na ilusão do momento,
durante a tempestade,
durante o outono
e, em seguida, o inverno,
durante tanto tempo
e também à tarde,
durante a noite fria
e o céu que arde,
em silêncio,
durante tanto tempo,
que os dias
se fizeram anos,
ainda quando não restava nada
e, ao mesmo tempo,
havia demais.
Ainda quando era tudo
e não era razoável,
devagar,
sem freios,
por fora e por dentro,
com cada abraço,
cada beijo
que caminhou às cegas
e não chegou,
durante os dias longos,
os acumulados
e sem descanso,
por completo,
durante
todo o ano.
Amei você muito,
talvez demais,
mas nem por isso
o suficiente.