A sacralidade da espera
Elisa Mascia: entre o desejo, a ausência e a espera, o amor transforma o reencontro em rito de comunhão e transcendência


Não se transmite o sentimento do amor pelo anulamento da distância; antes, percebe-se o anular-se na paixão para acolher aquela parte que recompõe a unidade.
A espera é o tempo essencial para compreender o quanto o fogo ardente do espírito é necessário para construir o altar sagrado, onde uma só água é evocada para o refrigério da aridez.
Para preencher a ausência, a linguagem dos braços assume o cetro do comando sobre as intermináveis páginas escritas.
Não havia luz ao redor até o canto do teu nome, que ressoa sob a pele como a seiva infiltrada no pulsar do costado, onde os sonhos lançaram a chave no poço dos desejos e no pertencer aos raios do meu sol.
Dividir o pesado fardo das adversidades é o equilíbrio das batidas do relógio, cadenciado no pulso do combatente.
E vejo dois jovens correrem sobre os ombros curvados pelo sorriso de duas linhas que escreveram seu livro nas histórias das palmas das mãos.
Os dedos banhados na tinta divina finalmente proclamaram a sacralidade de um abraço, para selar o rito de não ter esperado em vão.