Tempo das miudezas

A delicadeza da infância e o resgate da liberdade no sensível poema de Dorilda Almeida

Dorilda Almeida
Dorilda Almeida
Uma cena calorosa e nostálgica de um grupo de crianças felizes brincando ao ar livre perto de uma pequena vila cercada por serras. Ao redor delas, há árvores frutíferas carregadas e vegetação abundante. No centro, um menino agachado segura com cuidado um lagarto verde enquanto uma garota ao seu lado sorri e aponta para o animal. Outras crianças se aproximam curiosas por um caminho de terra, ao lado de um rio de águas calmas. A iluminação dourada e suave do final da tarde cria uma atmosfera mágica de liberdade, natureza e infância.
https://gemini.google.com/app/4862031975287d9d?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Infância alegre,
no meio de árvores frutíferas,
vivíamos o tempo inocente
das nossas vidas,
entre formigas, pássaros e vagalumes a brilhar
Vivíamos
O tempo das miudezas!

Criávamos cobras e lagartos
no quintal de todos nós.
O lagarto se chamava Pascoal.
Amávamos como irmãos, amigos.
Cada animal tinha um nome;
E ao serem descobertos pelos adultos
eram soltos.
Vivíamos
O tempo das miudezas!

Nossa cidade respirava lendas e segredos antigos,
cercada de serras e belezas naturais,
era cheia de mistérios e exuberância:
muitos musgos, galhos e flores secas
Era lugar de brincadeira total
O tempo das miudezas!

No coração da cidade
corria um rio de águas cintilantes como a nossa Constelação
O nosso mundo era de imaginação e liberdade.
Era um espaço mágico,
um lugar onde ninguém vigiava ninguém
um mundo cheio de encantamento
O tempo bom das miudezas!

(Poema integrante da Antologia Manoel de Barros – O Poeta das Miudezas – 2026)

Dorilda Almeida

Voltar

Facebook