Da Inglaterra ao ROL, Jane Nash!

Jane Nash traz ao ROL as letras poéticas de Albion – falésias brancas de Dover -, Inglaterra!

Jane Nash

Jane Nash, natural de Stocton-On-Tees, Inglaterra, e residindo atualmente em Yorkeys Knob, Austrália, é escritora e poetisa.

Profissionalmente, foi professora, hipnoterapeuta e psicoterapeuta. Na seara literária, é comprometida com o processo criativo, tendo enriquecido a carreira como colunista do Opinion Syndicate (EUA); Richmond Review (EUA) e Marshall Islands Literary Review, e como editora de conteúdo no The Pandorian Arts Magazine.

Atualmente, escreve para The Issue e Mahjong Mania no Substack.

Publicações previstas para 2026: a antologia de poesia The Peace Collective e Face is Serious – uma coleção de microficção.

Jane já apresentou poesia duas vezes no Dia Mundial da Poesia e contos no Dia Mundial do Escritor, realizado na Colômbia. Seus projetos atuais incluem as histórias do Inspetor de Polícia Paynes Grey, com prévias a serem divulgadas em breve.

Jane também estará presente no Festival Literário ‘Books In Paradise’ em Port Douglas, Austrália, em 9 de agosto de 2026.

Jane Nash inicia a colaboração no Jornal ROL com o poema Não afetado pela punição, ‘radiografia’ de uma relação a dois, do caos à liberdade.

Não afetado pela punição

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Agora que você está morto

Achei que era hora de bater um papo.

Essa conversa

Sabe, aquela que termina com

Você assumindo a responsabilidade

Suas palavras de desculpas

Sonhei com isso ontem à noite ou em alguma outra semana.

São recusadas

É muito fácil dizê-las.

Você não está perdoado.

O trauma que você entregou como um carteiro

Superou em muito a vida que eu tinha.

Quando escapei do pior do seu tormento.

Era sublimemente pacífico.

Depois que você tivesse ido

Na Austrália, as cores são verde, vermelho e preto.

São os eucaliptos e os cucaburras.

Somente nativos

que florescem, que verdadeiramente pertencem

e viver bem aqui

Espero que o purgatório seja para canhotos.

Quem sai dos trilhos

Declarar-se ateu não conta.

Depois de ser batizado católico

Tomara que não haja escapatória.

Agora que você está morto

as palavras de desculpas e

o trauma que você entregou como um carteiro

me tirou de qualquer lugar.

Então mudei de cenário, encontrei uma nova paisagem.

Na sua ausência, eu me dediquei ao taoísmo.

Me conseguiram um novo passaporte,

aluguei uma caixa postal e comecei a gravar

todas as conversas que tenho.

Obrigada

Jane Nash

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Não dito

Jacky Yuen Man-leuk: Poema ‘Não dito’

Jacky Yuen Man-leuk
Jacky Yuen Man-leuk
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1. 

Neste mundo, muita dor a gente mesmo procura,
mas muita outra simplesmente chega,
sem convite. 

Pombas brancas descem voando. 

2. 

Não sei como vocês definem este dia. 
Violino, véspera do fim do mundo, Bach. 

Eu entrei por este caminho 
não porque estava escrito nas estrelas. 

3. 

Andando por uma estrada errada, 
rezando para enxergar, enfim, 
uma paisagem que também esteja errada. 

4. 

A única desgraça dela foi correr atrás do que é certo. 

O que é errado não dura, 
mas ela era o erro, 
e o erro é que tem beleza. 

5. 

O livro ainda está lá? 

Noite de chuva é boa pra correr atrás e pra fugir. A onça
no Jardim Zoológico de Paris, depois de saciada, serve
pra rir do amor. 

6. 

A única coisa capaz de atravessar o lugar onde a morte mora
é uma gargalhada.

7. 

Às vezes desconfio 

que a gente não entra e sai da mesma estação de metrô.
Ou então, quem entra e sai da mesma estação 

não somos nós. 

8. 

Um poeta, na vida inteira, escreve mais mortes
do que as que ele mesmo viveu. 

Escreve menos amores 
do que os que ele de fato viveu. 

9. 

Até hoje não entendi nenhuma canção 

que um corvo cantou. 

10. 

Por que tem que ser Bach 
nas trincheiras dos dois lados da guerra? 

Dante voltou, 
e o paraíso não tinha música. 

11. 

É por isso que o metrô faz a gente pensar em
um caminho pro inferno. 
Atravessando o leito do rio Estige. 

A água do Estige 
vem do Sena sob o céu estrelado. 

12. 

Então quer dizer 
que o inferno a gente já visitou.
Livraria aberta no meio do inferno, 
poeira se polindo na luz que entra pela janela. 

Aquele livro que ensina a vomitar 
ainda está lá? 

13. 

Judas Simão Iscariotes 
pode ser traduzido como 

o grande amor da vida inteira. 

Jacky Yuen Man-leuk

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Festa em casa, uma reflexão

Denise Canova: ‘Festa em casa, uma reflexão’

Denise Canova
Denise Canova
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Festa em casa, uma reflexão:

O sossego da alma é o meu samba,

eu sambo dentro de mim

Isso me acalma,

samba sobre mim e seu enredo é meu recomeço

Eu tenho que encontrar soluções,

novos caminhos e jogar as dores ‘fora’

O carnaval é o momento,

em casa e sozinha, é tudo que estou precisando.

Dama da Poesia

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Diário de um Inútil

Diário de um Inútil (2ª edição), da Colecção Ondulações/02, do jovem escritor e poeta moçambicano Bruno Marquês Areno, lançado pela Editora Cais, está em pré-venda

Capa do livro Diário de um Inútil, de Bruno Marquês Areno
Capa do livro Diário de um Inútil, de Bruno Marquês Areno

Diário de um Inútil (2ª edição), da Colecção Ondulações/02, do jovem escritor e poeta moçambicano Bruno Marquês Areno, lançado pela Editora Cais, está em pré-venda.

O livro, segundo a prefaciadora Michelle C. Buss, “é uma seleta de textos poéticos, com um toque de ficção cuja tessitura é formada por fios filosóficos e reflexivos. O autor moçambicano retoma de seu cosmo interno temas existencialistas como ‘a procura de si’, ‘a pertença’, ‘autoaceitação’, ‘a morte'”.

Serviço

Título: Diário de um Inútil (2ª edição)

Gênero: Poesia

Autor: Bruno Marquês Areno

Editora: Cais

ISBN: 978-989-9301-04-7

Número de páginas: 70.

Pré-venda: pelo WhatsApp +258 866 143 108 MT, com um desconto de 15% durante o mês de fevereiro e março.

Sobre o autor

Bruno Marques Areno
Bruno Marques Areno

Bruno Marquês Areno, 25, natural de Nampula, Moçambique, cresceu entre Namapa e Pemba, experiências que moldaram o seu olhar crítico sobre a diversidade cultural do norte do país.

Estreou na literatura em 2022 com fotografias feitas à Letras, tornando-se o primeiro estudante da Universidade Rovuma a publicar um livro.

É autor de ‘Diário de um Inútil’ e coautor de diversas antologias nacionais e internacionais.

Publica artigos, resenhas e textos literários em revistas e jornais culturais, com destaque para o Clube de Leitura Olhar Literário. Atua também como tradutor literário para a língua emakhuwa.

Fundador do Clube de Leitura Olhar Literário e co-fundador do Grupo de Escritores de Nampula, desenvolve trabalho ativo de promoção da leitura.

Recebeu o título de Doutor Honoris Causa e é Embaixador Cultural Brasil–África pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA.

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O mudinho

Jorge Facury: Crônica ‘O mudinho’

Jorge Facury
Jorge Facury
Imagem criada por IA do chatGPT - https://jornalrol.com.br/wp-admin/post.php?post=78557&action=edit
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Vila Hortência, bairro tradicional da interiorana Sorocaba, Estado de São Paulo, anos 80. Dos tantos moradores do bairro conhecido como ‘cebolância’, por predominância dos agricultores de origem espanhola, um homem comum chamava-se Júlio e, como tantos nessa vida terrena de Nosso Senhor, optou por viver só. Não procurou namoradas, quer dizer, até tentou, mas, no primeiro desengano, desistiu e preferiu a solidão.

Seu labor era árduo. Operário nas linhas de trem da Fepasa, cuidava das obstruções da ferrovia, removendo qualquer coisa que pudesse causar risco ao tráfego das locomotivas. Além de tudo, acertava diligentemente os calçamentos feitos de concreto com ferramentas pesadas que lhe exigiam força física e olhar observador.

Ganhar um apelido é coisa das mais fáceis deste mundo, pode acontecer com qualquer um. Júlio não escapou dessa. Chamavam-no ‘mudinho’, mas, isso tinha uma razão factível. Como todo bom cristão, frequentava igreja, mas, seu modo de ser chamava a atenção: sempre chegava no momento em que o culto estava se iniciando e sentava-se no último banco. Terminado o rito, se ausentava sem falar com ninguém, entrava mudo e saía calado. Assim ganhou o apelido.

No ambiente de trabalho não era diferente. Em 2014, aos 62 anos, passou mal em casa e foi levado de ambulância ao hospital. Ficou internado um bom tempo. Nem todos os dias os parentes podiam estar presentes, já que não arrumou mulher, nem filhos, isso rareava. Curiosamente, nos dias em que ninguém da família o assistia, e isso era quase sempre, um homem apresentável, de terno e gravata, entrava no quarto e se achegava ao seu leito, sem que ninguém da enfermagem o tivesse apresentado.

Ali, o visitante ficava em silêncio e Júlio, no mais das vezes, fechava os olhos. O visitante parecia tranquilo, sentado ali ao lado, mudo, sem nem ao menos dizer a que veio. Mudinho só observava e nada dizia, nem o visitante. Talvez fosse um religioso visitando enfermos, mas, mantinha um silêncio completo… E assim foi, por vários dias. Era um mutismo compartilhado, sem acordo conhecido. Após complicações clínicas, o acamado veio a óbito. Silenciou para sempre. E do ilustre visitante acompanhante, tão presente, elegante e silente, ninguém perguntou, nem veio a ser conhecido…

História narrada por Éderson Pena.

Jorge Facury

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Julgamento

Loide Afonso: Poema ‘Julgamento’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69946758-048c-832e-976a-2edc891a5e5e

Julgar sem conhecer
Às vezes
É bom

Julguei seu tom
De voz
Na primeira vez
Que te ouvi

Foi como um fogo
Que acendeu
Minha alma
Que estava cansada
Apagada

Fez minha medula tremer
Como que
Com sua língua
Me lambias
Eu sabia

Sabia que sim
És tudo que eu queria

Mesmo sem conhecer outras
Partes tuas
Eu já
Te queria

E afirmo mais uma vez: que bom que julguei.

Loid Portugal




Prazeres genuínos

Eliana Hoenhe Pereira: Poema ‘Prazeres genuínos’

Eliana Hoenhe Pereira
Eliana Hoenhe Pereira
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O perfume é atalcado
profundo e delicado.
Os passos silenciosos
sempre em meio à sorrisos valiosos.
Prazeres genuínos
como de quem ouve o som de um violino ,
Só me demoro n’aquilo que me der prazer
Assim como contemplar o pôr do sol
ao entardecer.
Dialogo com as estrelas
Elas me trazem clareza ,
Às vezes alongamos a prosa por horas.
Liberto-me de casos banais,
Sejam materiais ou sociais
Não abro mão das minhas asas
Mesmo , quando estão costuradas.
Busco por detalhes na simplicidade
E encontro a felicidade.

Eliana Hoenhe Pereira

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