Verônica MoreiraCapa do livro ‘Vekinha em… Abraão e os Esquilos’, de Verônica Moreira
Abraão era um menino pequenino que morava no sítio da vovó Cida. Ele adorava passar o dia na varanda da cozinha, ouvindo o canto dos pássaros e observando o lago cheio de peixinhos coloridos. Bem ao lado do lago, havia uma árvore enorme que parecia tocar o céu, e naquela árvore moravam dois esquilos muito curiosos.
Abraão tinha uma amiga inseparável chamada Vekinha. Eles brincavam juntos o dia todo, inventando histórias, pulando e correndo pela roça. Um dia, enquanto brincavam na varanda, as risadas dos dois chamaram a atenção dos esquilos, que estavam espiando tudo lá do alto da árvore.
Os esquilos, fascinados pela alegria de Abraão e Vekinha, queriam participar da brincadeira. Então, subiram no topo de um coqueiro próximo e começaram a jogar folhinhas no lugar onde as crianças brincavam. Folha após folha, os dois pequenos tentavam chamar a atenção de Abraão e Vekinha.
Abraão olhou para cima e pediu: — Ei, vocês podem parar com isso? Estamos tentando brincar aqui embaixo!
Os esquilos, tristes por acharem que estavam atrapalhando, desceram rapidamente da árvore e desapareceram entre os galhos. Vekinha, que sempre pensava em todos, disse: — Abraão, acho que eles só queriam brincar com a gente. Vamos dar uma chance para eles!
Abraão concordou e chamou os esquilos novamente, mas eles já haviam corrido para longe. As crianças ficaram desanimadas, até que Vekinha teve uma ideia brilhante: — Abraão, e se fizermos algo especial para mostrar que queremos brincar com eles?
— O quê? — perguntou Abraão, curioso.
— Vamos construir um brinquedo para eles!
Os dois começaram a trabalhar juntos. Usaram gravetos, folhas de coqueiro, pedaços de barbante e algumas nozes que tinham guardado para criar uma “ponte de brincadeiras”. O brinquedo tinha balanços feitos de folhas e pequenos esconderijos cheios de nozes. Eles penduraram tudo nos galhos da grande árvore perto do lago.
Enquanto trabalhavam, as risadas de Abraão e Vekinha ecoavam pela varanda, e os esquilos, curiosos, começaram a espiar de longe. Quando tudo ficou pronto, Abraão gritou: — Ei, esquilos! Voltem! Fizemos um brinquedo só para vocês!
Demorou um pouco, mas os esquilos, ainda desconfiados, desceram devagarinho. Quando viram o brinquedo, seus olhos brilharam de alegria. Eles começaram a pular de um galho para outro, balançando-se e brincando animados.
Abraão e Vekinha aplaudiram e riram, vendo como os esquilos estavam felizes. Então, Vekinha teve outra ideia: — Abraão, vamos jogar nozes para eles pegarem no ar!
Os esquilos entenderam rápido a brincadeira e começaram a correr e pular atrás das nozes que as crianças jogavam. A cada salto bem-sucedido, todos riam e comemoravam.
Quando o sol começou a se esconder, todos estavam cansados, mas muito felizes. Para surpresa de Abraão e Vekinha, os esquilos desceram até a varanda, sentaram-se ao lado deles e compartilharam as nozes que haviam guardado.
Abraão e Vekinha deram risada e disseram: — Vocês são incríveis! Vamos brincar assim todos os dias!
Os esquilos, que agora tinham até nomes — Pipoca e Nózinho —, balançaram as cabeças, como se concordassem.
Desde então, todas as tardes no sítio da vovó Cihda eram repletas de brincadeiras, risadas e a companhia alegre de Pipoca e Nózinho.
Nas luzes piscantes da danceteria, corpos giravam em repetições, embalando sonhos inocentes que atravessavam a noite rumo aos anos 90, onde a esperança dançava ao som da novidade.
Nos rostos iluminados pelo brilho neon, sorrisos tímidos trocavam promessas entre beats eletrônicos, enquanto o coração pulsava no compasso daquela época que ainda acreditava no amor entre refrões repetidos.
Cada batida era um suspiro, cada dança um encontro, e na inocência da noite, a música guardava segredos de paixões que resistiriam além da pista.
Era a era em que a cultura pop flertava com a novidade dos anos 90, misturando nostalgia e futuro em passos que eternizavam momentos simples e eternos. Ali, entre sombras e luzes estroboscópicas, o romance nascia na cadência eletrônica, como um sonho juvenil embalado pela repetição da melodia que nunca cansava de contar histórias.
Era exatamente a repetição – a palavra que dava nome àquela canção do Information Society – que embalava a juventude em noites onde o tempo parecia se diluir.
Repetir os mesmos movimentos, as mesmas letras, os mesmos gestos, era uma forma de resistência e criação, como se o instante pudesse ser eternizado na pista de dança, no calor das luzes neon e no eco dos sintetizadores.
Repetition, repetition – o refrão parecia um mantra que levava os corpos a uma espécie de transe coletivo, uma fuga doce e inocente da realidade, ao som de um synthpop que definia o fim de uma era e o início de outra.
As danceterias da época eram templos modernos, onde a cultura pop, que dominava os anos 80 com suas cores vibrantes e excessos, começava a ceder espaço ao frescor dos anos 90.
A transição era sutil, quase imperceptível para muitos, mas sentida intensamente por aqueles que viviam as madrugadas entre as luzes pulsantes e a repetição da música eletrônica.
Era o pop se reinventando, ganhando uma nova roupagem mais introspectiva e melódica, sem perder a energia contagiante que fazia todo mundo querer dançar e sonhar.
Nesse cenário, Repetition não era apenas uma música, mas um convite para se entregar ao movimento, à energia, à esperança que ainda morava nos olhos de jovens que, mesmo diante das incertezas do futuro, acreditavam no poder da música para unir, para criar memórias, para eternizar sensações.
Era uma época romântica, sim, não do romantismo clássico das cartas e serenatas, mas de um romantismo elétrico, pulsante, feito de olhares furtivos, toques tímidos e aquela magia que só a pista de dança poderia proporcionar.
Naquele ambiente, o mundo parecia caber inteiro em uma canção.
As palavras se repetiam, o ritmo se mantinha firme, e o coração de cada frequentador batia junto com os sintetizadores, criando uma sintonia quase perfeita entre o corpo, a mente e a música.
E assim, a repetição se transformava em criação — um ato poético onde o simples gesto de dançar se tornava a mais pura expressão de liberdade e inocência.
Os anos 90 chegaram, trazendo novas sonoridades, novos desafios e uma nova geração que já não mais se contentava com o brilho efêmero da pista, mas buscava sentido em cada batida, em cada refrão.
E mesmo com tantas transformações, aquela noite, aquelas luzes, aquele som repetido no infinito da pista de dança continuavam vivas na memória dos que souberam aproveitar o instante mágico. E então, entre flashes e ecos, ao som do Information Society, percebemos que a repetição não era monotonia, mas sim um convite à contemplação da vida em sua forma mais pura: feita de encontros, de risos, de danças e daquele sentimento doce e inocente que só o começo dos anos 90 sabia despertar.
O Rio de Janeiro sempre foi sinônimo de alegria, luz e movimento.
E é nesse cenário solar que a educadora e escritora Paulyne Lourenço Reis Kalil Honeim, ou simplesmente Paulyne Kalil, encontra inspiração para transformar sua paixão pela educação em literatura.
Aos 43 anos, carioca de coração e de nascimento, ela soma 26 anos dedicados à Educação Básica, sendo 13 deles na Rede Municipal do Rio, onde atualmente atua como diretora escolar.
Paulyne Kalil
Especialista em Gestão Escolar e Psicopedagogia Clínica e Institucional, e pós-graduanda em diversas áreas voltadas à inclusão, à diversidade e à neurociência, Paulyne sempre acreditou na potência da palavra e do afeto como ferramentas de transformação.
Agora, dá um novo passo: estreia na literatura infantojuvenil com o livro “Rio, Capital da Matemática e da Alegria”.
A ideia nasceu de um conto escrito para uma seleção da Prefeitura, voltada a servidores da rede pública.
O texto, leve e lúdico, misturava matemática, imaginação e a alegria da infância carioca.
O encantamento dos leitores foi imediato, e o incentivo de amigos e familiares fez com que Paulyne desse asas ao sonho de publicar a obra.
O livro é um convite para ver a matemática com outros olhos: como uma aventura divertida e acessível, ambientada na cidade maravilhosa.
Entre cores, ritmos, histórias e o cotidiano do Rio, os números ganham vida e se transformam em sorrisos.
A narrativa valoriza o prazer de aprender, promove a criatividade e reforça o sentimento de pertencimento, mostrando que a educação também pode ser feita de leveza e alegria.
Com “Rio, Capital da Matemática e da Alegria”, Paulyne Kalil une sua trajetória de educadora à sua vocação de escritora, oferecendo às crianças uma experiência que é, ao mesmo tempo, pedagógica e encantadora.
Uma obra que celebra o Rio de Janeiro como espaço de aprendizado, cultura e afeto — e que reforça a crença de que aprender pode, sim, ser um ato de felicidade.
Rio, Capital da Matemática e da Alegria é um livro infantojuvenil que convida crianças e adultos a mergulharem em uma jornada encantadora pelas areias de Copacabana.
Nesta narrativa leve e vibrante, os números ganham vida e personalidades próprias, vivendo aventuras que misturam a magia do Rio de Janeiro com conceitos matemáticos de forma divertida e envolvente.
Com a ginga e o bom humor característicos da Cidade Maravilhosa, um certo carioca muito conhecido na cidade, retratado de forma carinhosa e simbólica, desempenha um papel essencial: é ele quem inspira os números a descobrirem seu verdadeiro propósito.
Em meio a ondas, surfe, mate gelado e muita festa, a história mostra como a união, a criatividade e a matemática são capazes de transformar o mundo.
Mais do que ensinar a contar, este livro é uma celebração da cultura carioca, da alegria de aprender e da importância de cada um encontrar o seu lugar no mundo.
Com linguagem divertida, personagens cativantes e um cenário deslumbrante, “Rio, Capital da Matemática e da Alegria” é um convite para sonhar, sorrir e descobrir o poder que existe em cada número — e em cada um de nós.
Neste evento, os jovens são desafiados a mostrar a sua qualidade literária, promovendo-se a literacia e a valorização do desenvolvimento pessoal e social dos jovens
Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro
Estão abertas até 02-12-2025 as inscrições para Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira Castro – 44ª Edição, uma iniciativa literária organizada por Associação do Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira Castro.
Neste evento, os jovens são desafiados a mostrar a sua qualidade literária, promovendo-se a literacia e a valorização do desenvolvimento pessoal e social dos jovens.
Esta iniciativa é destinada aos jovens portugueses e luso-descendentes das Comunidades Portuguesas, a jovens portugueses residentes no estrangeiro e a jovens PALOP, nas faixas etárias dos 12-15 anos (Escalão A) e dos 16-25 anos (Escalão B).
Na presente edição os géneros a concurso são o conto e o relato de viagem.
Conforme edições anteriores, os jovens têm também oportunidade de submeter o(s) seu(s) trabalhos através do seguinte link https://forms.gle/eDqJW6wYmewgZvNE8
Quaisquer esclarecimentos poderão ser solicitados para o endereço eletrónico: apnljfc@esfcastro.pt