Deficiência visual nas literaturas

 Raimundo Campos Filho (UFMA) e Renata Barcellos (BarcellArtes): ‘Deficiência visual nas literaturas’

 Raimundo Campos Filho (UFMA) e Renata Barcellos (BarcellArtes)
 Raimundo Campos Filho (UFMA) e Renata Barcellos (BarcellArtes)

O presente texto visa apresentar como as pessoas com deficiência visuais são retratadas nas literaturas afro-brasileiras e indígenas ao longo do tempo. Vale ressaltarmos que o mais antigo documento que menciona a cegueira é o Papiro de Ebers, escrito no Egito (1.553 – 1.550 a.C.                                                                                                          

Jacob Twersky (pesquisador com deficiência visual) dividiu sua investigação sobre a representação de PDVs nas literaturas em quatro períodos. O primeiro contempla desde o Velho Testamento (Bíblia relata a história de Tobias, que ficou cego devido a uma doença após cobrir os olhos com fezes de andorinha, sendo posteriormente curado por um anjo no livro de Tobias, que faz parte dos livros deuterocanônicos. No Novo Testamento, há o caso de Saulo (Paulo) que ficou cego temporariamente após um encontro com Jesus na estrada para Damasco, e o cego Bartimeu, curado por Jesus perto de Jericó) até as obras lançadas no ano de 1784.                                                                                                 

Segundo é de 1784 (que abarca o início da primeira escola para cegos em Paris, fundada por Valentin Haüy) até o ano de 1873 (um momento de ampliação do sistema Braille).    O terceiro, de 1873 a 1914 (um tempo de iniciação dos programas de reabilitação para 37 soldados cegos americanos).                                                                                                        

Exemplos: o conto As Estrelas do Cego, de João da Câmara, 1900.                                                                        O cego era um velho corcovado, trêmulo, com a face cheia de rugas cruzadas, como um pedaço de papel amachucado. O Conto A cega, de Viriato Corrêa, está no seu primeiro livro Minaretes, 1902. O conto A Caolha, de Júlia Lopes de Almeida, publicado em 1903. Trata-se da história de um filho, Antonico, e sua mãe que perdeu um olho. O filho sente vergonha da mãe, sofrendo bullying devido à sua deficiência. Após tentar se afastar dela para se casar, ele descobre que a mãe foi cegada por ele quando criança, num acidente com um garfo, o que leva à sua reviravolta e ao desmaio de Antonico.                              E o último é de 1914 até a publicação da pesquisa, em 1955, de Jacob Twersky. 

Exemplos são as obras: Apólogo brasileiro sem véu de alegoria, de António de Alcântara Machado (de 1936 – no livro Mana Maria e contos avulsos) – onde o personagem com deficiência visual é flautista. A autora chama atenção para o lugar-comum da associação entre cegueira e dons musicais, lembrando ao leitor que a deficiência não gera nenhum talento ou aptidão especial. Infância, de Graciliano Ramos (de 1945 – narra memórias do autor, e a sua condição de criança cega é uma memória real e significativa, que moldou sua introspecção e sua relação com o mundo).                     

São Marcos, de Guimarães Rosa (de 1946 – o protagonista e narrador Izé fica temporariamente cego, perdendo a visão após zombçar do feiticeiro João Mangolô.        A cegueira é provocada por um vodu, mas Izé recupera a visão ao rezar a oração de São Marcos e se aproximar da casa do feiticeiro, que retira a venda de um boneco, simbolizando a libertação do protagonista da maldição).                                                                                                                                        

A partir desta divisão do pesquisador Jacob Twersky, investigamos obras a partir da terceira fase do Modernismo, Neste período, há As cores, de Orígenes Lessa (de 1960 – da coletânea intitulada Balbino, homem do mar.  A personagem Maria Alice é a única cega. Ela é a figura central da narrativa, que aborda o drama de uma pessoa que perdeu a visão, um tema que a obra explora de maneira irónica, uma vez que o conto se chama “As Cores”) – onde a pesquisadora afirma que a personagem é representada como se pertencesse a um mundo limitado pelo fato de ter uma deficiência.                                          

E o conto
Em “Amor”, conto Amor de Clarice Lispector (1960). Neste, o cego mascando chiclete é o elemento que causa uma epifania na personagem Ana. Embora não seja um personagem principal no sentido tradicional, a figura do cego funciona como um gatilho para a crise interior de Ana. Revelando a ela a crueza da vida e o contraste entre a sua existência mecanizada e a realidade pulsante.                                                                                 

O conto A Estrela Branca, publicado em Mistérios de Lygia Fagundes Telles, 1980 e, depois em Um Coração Ardente, 2012. Neste, a escritora arra um transplante de olhos que devolve a visão a um cego, mas não o controle sobre a percepção que passa a ter, explorando a dualidade entre o que se vê e o que se “enxerga”, e como a memória e a subjetividade moldam a realidade.                                                                                                              

E, na contemporaneidade, podemos citar: nas Literaturas Brasileiras: Até que a morte nos separe, de Ana Teresa Pereira, 2000. Esta revela a história de um inspector da polícia assombrado por ter morto, num fogo cruzado, um inocente professor de literatura, acabando por ter um caso com uma jovem misteriosa, com quem casa e leva a morar com a sua filha cega. A filha morre e o segredo da jovem esposa é revelado. A personagem Dorinha, da Turma da Mônica, foi criada por Mauricio de Sousa, 2004. Ela foi inspirada na educadora Dorina Nowill e sua criação teve como objetivo sensibilizar as crianças para a questão da deficiência visual. 

Eternidade e o Desejo Inês Pedrosa O grande desafio, 2007. Narra a história de Clara, uma jovem professora portuguesa que decide voltar a Salvador anos após uma terrível experiência na cidade – ao tentar salvar das balas o homem que amava, levou um tiro que a deixou cega. O grande desafio, 2007de Pedro Bandeira Moderna, 2016.  A obra narra a história de Toni, um garoto bonito e inteligente, que leva uma vida quase normal apesar de ser cego. Com muita coragem ele enfrenta os obstáculos sem nunca desistir. Essa determinação será fundamental para que ajude Carla sua paixão a livrar o pai de uma trama cruel.                                                                                                       

Olhando com Ritinha (de Sharlene Serra, 2018) narra a  história de Ritinha (uma garotinha deficiente visual) que nos faz entender a sua forma de ver e perceber o mundo à sua volta. Fala dos recursos principais para sua aprendizagem e nos apresenta as combinações do Braile, sistema de leitura e escrita tátil. Uma história que nos faz acreditar ser a inclusão algo possível.                                                                                        

A Cega Era Eu de Eliane Brum, 2019. É um texto que narra a experiência da autora de se tornar cega ao encontrar um cego, Leniro, e como essa vivência a levou a explorar o universo dos deficientes visuais, questionando preconceitos e compreendendo o mundo por outras perspectivas, especialmente através da tecnologia e da leitura de um outro.                                                                                                               

Nas Literaturas Africanas, o conto A MAKA DA VELHA SAMBA de  Beni Dya Mbaxi, do livro Quando Não Olhas Para Trás, 2018.                                                                            

Nas Literaturas Indígenas, o Velho Cego, um personagem que surge nos mitos Krahó, é discutida a sua relação com o surgimento do homem branco. Sua narrativa serve para refletir sobre a oposição entre meninos e a sociedade, e a consequente perda de sua inocência.                                                                                                                                                                                                                                                           

No estudo Quarenta anos retratando a deficiência: enquadres e enfoques da literatura infantojuvenil brasileira de Barros, 2015, a pesquisadora debruçou-se sobre 150 livros infantis, editados nas últimas décadas. A autora constatou que, no mercado editorial brasileiro, tem ocorrido uma crescente publicação de livros que têm como tema a diferença e, especificamente, as deficiências. Ela observou que, nos livros publicados entre as décadas de 1970 e 1980, a deficiência visual é a segunda mais retratada, já a deficiência física está em primeiro lugar.                                                                                     

De acordo com Glauco Mattoso (poeta, ficcionista, estichologo e philologo. É membro benemérito da Academia Brazileira de Sonnettistas – ABRASSO…), “à parte a lenda de Homero, o caso mais emblematico é o de Sansão, personagem assumido por John Milton em SANSÃO AGONISTA, ja sob uma perspectiva masochista mas ainda camuflado de christianismo piedoso.

Retomei o personagem ja na perspectiva SM explicita no cyclo SÃO SANSÃO, SANCTA DALILAH, alem de me identificar com a figura do cego victimizado por normovisuaes sadicos em varios outros poemas e contos. Tudo fiel à minha biographia de deficiente bullyingado desde a infancia”. 

Vale destacarmos o trabalho realizado pela amiga Dinorá Couto Cançado (fundadora e presidente da AIAB- Academia Inclusiva de Autores Brasilienses – Blog: https://aiabbrasilia.blogspot.com). A seguir, entrevista:

1. A Biblioteca Braille Dorina Nowill foi fundada 1995. Está completando 30 anos. Qual é a contribuição social? O que motivou a fundação? Dinorá Couto Cançado: Cases impactantes demonstram o número de resultados obtidos com a existência dessa Biblioteca Pública Braille, a única no DF, onde a maioria do seu público alvo compõe-se de pessoas adultas, onde o resgate da autoestima abalada pela perda da visão  é o mais urgente entre os frequentadores que voltam a ter uma vida com mais dignidade. Estudam, trabalham e vivem  com mais cidadania. A motivação para a criação da mesma se deu pela chegada de duas pessoas com deficiência visual (PcDV) e cerca de 2 mil livros em Braille à cidade, precisando de um local que que resolvesse de forma adequada à necessidade desse público especial. A solução foi a criação da Biblioteca.

2. Como é realizado o Projeto Luz & Autor em Braille? Também completando 30 anos? Dinorá Couto Cançado: Nascido junto com a Biblioteca para a dinamização desse espaço recém inaugurado, consiste na integração de escritores brasilienses  à PcDV que leem a obra acessível  do autor  que é seu par e cria a sua produção literária, portanto ambos são Autores em Braille. Com isso, acabamos de ganhar um recorde mundial oficial do maior número de produções publicadas de PcDV. Esse projeto, com 22 anos, deu origem a uma Academia Inclusiva.

3. Ano também de comemoração dos 8 anos da AIAB, a primeira e única inclusiva. Quais são os projetos para este ano? Dinorá Couto Cançado: A ampliação do número de membros titulares, beneméritos e correspondentes é uma meta contínua levada adiante com a execução de vários projetos ao ano. O 1º deles é o Carnalivro, que é um movimento social, inclusivo e cultural que une a literatura ao carnaval e outras artes integradas. Também a celebração das principais semanas nacionais (Museus, Arquivos, Primavera…) mas o que dura quase o ano todo é o PIEI: Prêmio Internacional de Espírito Inclusivo que  mantém a mesma característica do projeto inicial da Biblioteca: duplas concorrem, sendo uma pessoas vidente par com uma pessoa com deficiência visual,  resultando na produção de textos e num reconhecimento público certificado. Várias outras ações que surgem, como oficinas, rodas, jornadas. Vale dizer que sou (Barcellos) membro da AIAB e participo da bela iniciativa do PIEI: Prêmio Internacional de Espírito Inclusivo.  Para finalizarmos, vale ressaltarmos que, ao longo desta pesquisa, pudemos constatar que tanto Júlia Lopes de Almeida e Viriato Corrêa também foram precursores da Literatura Infantil (leia mais em https://www.facetubes.com.br/noticia/6674/literatura-infanto-juvenil-precursores-e-primeira-biblioteca-publica-do-brasil). Você, leitor e ou professor de literaturas, tinha conhecimento disso? Urge a historiografia das literaturas ser reescrita, a fim de reconhecer quem (de fato) contribuiu com as diversas literaturas.            

        Raimundo Campos Filho (UFMA) e Renata Barcellos (BarcellArtes

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Raízes das linhas e sementes do riso

Ella Dominici: ‘Raízes das linhas e sementes do riso’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing - 19 de setembro de 2025, às 09:11 PM
Imagem criada por IA do Bing – 19 de setembro de 2025, às 09:11 PM

Aqui, colhemos as raízes que um dia plantamos em manhãs de alegria. Da sacada, o mar se abriu em primeira visão, e nas areias tristonhas se espalhou o silêncio de lembranças dispersas. Dentro da casa, a velha contava histórias ao ocaso, e ele, distraído, ouvia como quem encontra, por acaso, o fio secreto da vida.

A insegurança rondava, cambaleante, na dança incerta dos dias: duas auroras, uma rosa e outra roxa, se erguiam como promessa. No bolso, um pente; na boca, um dente. Pequenos símbolos da permanência, guardados e amarrados num lenço para não se perderem, como pensamentos fixos que insistem em seguir viagem.

Às costas, a crista dos rochedos se erguia, altas escarpas que outrora foram tórridas. Amigos, cúmplices da vida, conspiravam com as esquinas, enquanto, nos portais do tempo, a ferrugem das maçanetas revelava segredos do interior — segredos que fugiam ao toque dos dedos.

As palavras balbuciavam sentidos, como raízes que rastejam sobre seixos na beira d’água. Desde então, aprendi: as sementes são sempre mais alegres do que as raízes que permanecem presas aos séculos. Porque as raízes, mesmo que avancem por escadas de mármore, jamais alcançam as nuvens de Carrara que se infiltram pelos tetos fendidos.

Já as sementes, livres, voejam. Vão nas asas do amor, nos bicos de beijos, nas copas de árvores e ninhos ardentes, até o templo dos sentidos. O pólen, em sua dança, dispersa cócegas pela pele, desfazendo a arrogância e desnudando o ego cego.

E na elegância do riso, aquele riso que chega até às lágrimas, fragrâncias se libertam, dissolvem mistérios sérios e devolvem à vida seu brilho de instante. Passionais, as sementes cavalgam no dorso de rosas desvairadas; na pressa da alegria, perdem as sandálias, e até mancando correm — mas correm sempre, leves, no movimento que as conduz para além do peso das raízes.

Porque a vida, afinal, é bem mais alegre do que triste: é feita de sementes que se recusam a permanecer presas, e escolhem sempre dançar no vento.

Ella Dominici

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História Imperial Brasileira

Outorga do Título Doutor Honoris Causa em História Imperial Brasileira. Celebração ao Bicentenário de Nascimento de
D. Pedro II

Logo da FEBACLA
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Logo do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos
Logo do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos

OUTORGA DO TÍTULO DOUTOR HONORIS CAUSA EM HISTÓRIA IMPERIAL BRASILEIRA

Celebração ao Bicentenário de Nascimento de D. Pedro II, com a chancela da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente

Medalha Doutor Honoris Causa em História Imperial
Medalha Doutor Honoris Causa em História Imperial

Estão abertas as inscrições para aqueles que desejarem pleitear o Título de DOUTOR HONORIS CAUSA EM HISTÓRIA IMPERIAL, concedido pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA, em parceria com o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos.

Esta concessão se reveste de especial significado, pois se insere no contexto das Comemorações do Bicentenário de Nascimento de Sua Majestade Imperial, Dom Pedro II, monarca que deixou como herança um império marcado pelo progresso, pela cultura e pelo fortalecimento da identidade nacional, cuja vida e obra constituem pilares inapagáveis da História Imperial Brasileira.

O título de Doutor Honoris Causa em História Imperial será concedido a:

• Historiadores;

• Arqueólogos;

• Professores de História;

• Nobres da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente;

• Bibliotecários;

• Produtores culturais;

• Guias de turismo histórico;

• Editores de conteúdo histórico;

• Profissionais que atuam como curadores ou gestores de coleções e acervos, preservando e organizando documentos e objetos de valor histórico;

• Profissionais que trabalham na preservação de patrimônios, na conservação de monumentos e lugares históricos, bem como em projetos de memória coletiva;

• Pesquisadores vinculados a universidades, centros de pesquisa e instituições públicas ou privadas, responsáveis pela produção de conhecimento histórico, artigos acadêmicos, livros e estudos sobre eventos, processos e personalidades relevantes;

• Profissionais envolvidos na formulação de políticas públicas voltadas à preservação da memória histórica e cultural de comunidades e nações.

A outorga do Título consistirá na entrega de certificado e medalha.

Os currículos serão avaliados pelo Conselho Cultural da instituição, ficando a concessão da honraria condicionada à sua prévia aprovação e ao pagamento da taxa de chancelaria destinada a confecção de certificado, medalha, serviços de correio e papelaria.

As honrarias serão encaminhadas via correio com a devida antecedência, sendo imprescindível o fornecimento correto do endereço para o envio.

A Solenidade de outorga será realizada na seguinte data:

Dia 31 de outubro de 2025, (sexta-feira) às 20h, pela plataforma Google Meet, com transmissão ao vivo pela TV CHANNEL NETWORK.                                                                                                                                                                                                     

Solicite o Edital:

WhatsApp (21) 97315-7653        e-mail: domalexandrecarvalho@gmail.com      

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho. Licenciado em História, pós-graduado em História do Brasil, pós-graduado em História Antiga, Medieval e Contemporânea, diretor do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, presidente da FEBACLA e Chefe da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente.  

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Comenda Paladino da Cultura Artesanal

A referida distinção será outorgada àqueles que se destacam na preservação, difusão e desenvolvimento das práticas artesanais e demais manifestações culturais que enriquecem a identidade nacional

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COMENDA PALADINO DA CULTURA ARTESANAL

Comenda Paladino da Cultura Artesanal
Comenda Paladino da Cultura Artesanal

O presidente da FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS ACADÊMICOS DAS CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES – FEBACLA, no uso de suas atribuições regimentais e estatutárias, instituiu, em 18 de setembro de 2025, a Comenda Paladino da Cultura Artesanal.

A referida distinção será outorgada àqueles que se destacam na preservação, difusão e desenvolvimento das práticas artesanais e demais manifestações culturais que enriquecem a identidade nacional.

O artesanato constitui expressão viva da cultura, guardando tradições, crenças e conhecimentos ancestrais, além de representar a transmissão de saberes entre gerações, desempenhando papel de relevância tanto no aspecto social quanto no econômico.

O propósito da Comenda é reconhecer, enaltecer e valorizar a importância do artesanato como forma legítima de expressão cultural, de preservação da ancestralidade e de celebração da diversidade que compõe o patrimônio imaterial do Brasil e do mundo.

A outorga consistirá na entrega de certificado e medalha.

Os currículos serão avaliados pelo Conselho Cultural da instituição, ficando a concessão da honraria condicionada à sua prévia aprovação e ao pagamento da taxa de chancelaria destinada a confecção de certificado, medalha, serviços de correio e papelaria.

As honrarias serão encaminhadas via correio com a devida antecedência, sendo imprescindível o fornecimento correto do endereço para o envio.

A Solenidade de outorga será realizada na seguinte data:

Dia 31 de outubro de 2025, (sexta-feira) às 20h, pela plataforma Google Meet, com transmissão ao vivo pela TV CHANNEL NETWORK.

Solicite o edital:

WhatsApp: (21) 97315-7653 / e-mail: domalexandrecarvalho@gmail.com

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho
Presidente da FEBACLA

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Samuel Pompeo

Samuel Pompeo e Banda Sinfônica do Exército Brasileiro

Samuel Pompeo - Foto divulgação
Samuel Pompeo – Foto divulgação

Espetáculo gratuito no Conservatório Dramático Musical de Tatuí 

O saxofonista, compositor e arranjador Samuel Pompeo, um dos nomes mais expressivos da música instrumental brasileira contemporânea, apresenta-se em um encontro inédito com a Banda Sinfônica do Exército Brasileiro, no Conservatório Dramático Musical de Tatuí, referência na formação musical da América Latina. Será no dia 20 de setembro, sábado, às 20 horas, com entrada gratuita.

O concerto reúne o Samuel Pompeo Quinteto e a prestigiosa corporação sinfônica, em um espetáculo que celebra o diálogo entre o Choro Hodierno – conceito desenvolvido por Pompeo em seu doutoramento – e a tradição da música de concerto.

A proposta é explorar novas sonoridades a partir da união de dois universos musicais: a liberdade criativa e improvisativa do quinteto de jazz com a potência e a sofisticação timbrística da Banda Sinfônica. O repertório contempla obras originais de Pompeo, arranjos inéditos e recriações que transitam entre o choro, o jazz e a música de concerto, reafirmando a vocação inovadora do artista em cruzar fronteiras estéticas.

“Este concerto representa não apenas um marco em minha trajetória artística, mas também uma oportunidade de potencializar a riqueza do choro em diálogo com formações sinfônicas de grande porte. É uma maneira de reafirmar a vitalidade dessa linguagem brasileira em novas dimensões”, afirma Samuel Pompeo.

A iniciativa reforça ainda a vocação do Conservatório de Tatuí como palco de projetos de relevância nacional, unindo a tradição formativa da instituição, a excelência da Banda Sinfônica do Exército e a pesquisa artística de Samuel Pompeo, que tem projetado sua obra no Brasil e na Europa.

Sobre Samuel Pompeo

Saxofonista, compositor e pesquisador Samuel Pompeo, comemora três décadas de trajetória na música. Com uma carreira consolidada e marcada pela experimentação, Samuel se tornou uma das vozes mais relevantes quando o assunto é a transformação e a contemporaneidade do choro.

Doutor em música pelas universidades de Aveiro (Portugal) e UNESP (Brasil), Pompeo não apenas domina a linguagem tradicional do choro, como também mergulha em sua evolução, explorando pontos de contato com o jazz, especialmente em sua vertente moderna. No final do século XIX, enquanto o choro nascia no Rio de Janeiro e o jazz florescia em Nova Orleans, ambos partiam de um mesmo terreno: a fusão entre ritmos africanos e danças europeias. A partir daí, tomaram rumos diferentes, mas com raízes surpreendentemente próximas.

Intrigado por essa origem comum e pelas distâncias atuais, Samuel tem se dedicado a pesquisas e composições que buscam reaproximar essas linguagens, criando pontes entre tradição e inovação. O resultado pode ser ouvido nos discos de seu grupo, o Samuel Pompeo Quinteto, que este ano completa 10 anos de atividade e apresenta um repertório que equilibra reverência aos mestres com ousadia criativa.

No álbum ‘Passos Largos’ (2022) e no mais recente ‘Dodecafonando (2025), em parceria com a USP Filarmônica de Ribeirão Preto, Pompeo propõe uma abordagem original ao choro contemporâneo. A faixa-título, por exemplo, é um choro composto a partir de princípios da dodecafonia, técnica desenvolvida por Arnold Schoenberg — um casamento improvável entre a lógica atonal e a alma brasileira. O álbum transita por paisagens sonoras que vão de Pixinguinha à música de concerto, passando por improvisações inspiradas no jazz moderno.

‘Dodecafonando’ também reafirma a proposta do músico de aproximar o choro da linguagem sinfônica, com arranjos que ampliam as fronteiras do gênero e o posicionam num cenário mais universal, mas ainda visceralmente brasileiro. O repertório reúne composições autorais como Na Esquina, Rio Acima e Outono Dança Folhas, além de releituras sofisticadas de clássicos como Naquele Tempo e De Cachimbo.

Samuel Pompeo também é professor na Escola Municipal de Música de São Paulo e atua como educador em festivais no Brasil e na Europa, sendo uma referência não só como intérprete e compositor, mas também como pensador da música instrumental brasileira. Com seu quinteto, ou ao lado de orquestras e artistas como Gilberto Gil, Maria Rita, Gal Costa, Ivan Lins, Fito Páez e Alice Cooper, ele segue desafiando os limites do que se entende por choro — e apontando caminhos possíveis para o futuro do gênero.

Conheça: https://www.youtube.com/@samuelpompeo

Serviço

Concerto – Samuel Pompeo Quinteto & Banda Sinfônica do Exército Brasileiro

Local: Conservatório Dramático Musical de Tatuí

Data: 20 de setembro de 2025

Horário: 20h

Entrada: Entrada gratuita

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GIA – União Cultural

GIA – União Cultural. Apresentação oficial à comunidade

GIA - União Cultural
Logo da GIA – União Cultural

A GIA – União Cultural, entidade integradora de três instituições culturais tradicionais de Sorocaba, realizará, no próximo dia 17/10/2025, no Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, a partir das 19h30, sua apresentação oficial à comunidade.

Na ocasião, os presidentes do Gabinete de Leitura Sorocabano, Luciano Viana de Carvalho, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, Prof. Adilson Cezar e da Academia Sorocabana de Letras, Antonio Luiz Pontes, explanarão a respeito dos motivos que levaram as instituições que presidem, a unirem suas forças, com o objetivo maior de promover a cultura como, de fato, ela o é: alicerce da construção de uma nação.

O prestigiamento da Cultura conduz à formação de cidadãos com robustos e nobres valores, conscientes do legado de seus antepassados, das tradições fundamentais de nossa Sociedade. Favorece as mais diversas manifestações da criatividade de nossa população, merecedoras de preservação e fortalecimento.

Isoladamente, cada identidade restringiria seus esforços para atendimento de demandas internas e atingimento de seus propósitos estatutários.

A união proposta, consolidada em reunião histórica de 13/06/2025, no Gabinete de Leitura Sorocabano, amplia a extensão do alcance de promoções culturais por meio da sinergia que resultará dessa conjugação de forças.

Nortearão as ações culturais e sociais da GIA – União Cultural, os seguintes objetivos:

  • Promover, por meio da cooperação institucional, o intercâmbio de conhecimentos;
  • Preservar e valorizar a memória, a história e a literatura da cidade de Sorocaba e Região;
  • Ampliar o apoio às ações culturais, educativas e acadêmicas por meio do esforço conjunto das três entidades.

A ‘GIA – União Cultural’ tem caráter aberto. Outras instituições ou associações culturais, com mais de dez anos de atuações comprovadas, bem como empresas de Sorocaba e região, que compartilham do apreço pela Cultura, poderão integrar a iniciativa, com o título associativo de ‘Amigos da GIA’.

Move-nos a busca do fortalecimento da rede cultural dos municípios, com estímulo ao diálogo entre as entidades, poderes constituídos e sociedade, através de promoções conjuntas, participativas, capazes de elevar o nível de compreensão de todos, sobre a causa defendida e sua importância na qualificação da plena cidadania.

Venha testemunhar este momento histórico!

Ofereça a sua contribuição, seu apoio, sua amizade.

A GIA – União Cultural precisa fincar suas raízes em solo fértil para que possa colher bons frutos, produzir sementes propícias para novos plantios e colheitas, cada vez mais abundantes, presentes em todos o lares.

As gerações que nos sucederem, agradecerão pelo legado deixado.

Anote em sua agenda, dia 17/10/2025.

Você tem um compromisso com o futuro!

Vamos juntos?

Luciano Viana de Carvalho
Presidente do Gabinete de Leitura Sorocabano

Adilson Cezar
Presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba

Antonio Luiz Pontes
Presidente da Academia Sorocabana de Letras

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Os novos velhos

Ivete Rosa de Souza: Crônica ‘Os novos velhos’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
Imagem gerada pr IA do Grok – 18 de setembro de 2025, às 11:25 PM

Somos da geração que atravessou um milênio. A geração bossa nova, rock, samba-canção, do bolero e do Twist. Somos vencedores dos grandes concursos e festivais, somos a geração nascida nos anos 40, 50 e 60. Somos poderosos.

Velho é sapato furado, roupa rasgada, que não se usa mais. Somos da geração das viagens espaciais, do desenvolvimento de computadores, ciências e transplantes de órgãos. Geração que estudou em escolas públicas. Cantávamos os hinos à Pátria e todos os hinos eram conhecidos por nós.

Os moços de hoje são a geração Z. COM certeza, somos a geração A+, mulheres e homens cheios de fé, força, conhecedores de grandes músicas, cantores e atores que mostraram nas telas como atuar. Geração de escritores, artistas e inventores.

A geração cheia de histórias para contar.

Ivete Rosa de Souza

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