Maria Beatriz Muñoz RuizImagem criada pela IA do Gemini
¿Película de terror? ¿En serio? Creo que no me había reído tanto desde Friends. La película dura una hora y cuarenta y cinco minutos, y os puedo asegurar que me he pasado hora y media riéndome. No me ha parecido terror psicológico, ni clásico, ni de ningún otro tipo que se pueda mencionar. Ha sido tan absurda que la gente se ha inventado teorías aún más descabelladas, pensando que detrás de una película tan tonta había algo oculto que los simples mortales no logramos ver y que el director quiso introducir de forma subliminal solo para los más inteligentes.
Es como los que se las dan de entendidos en arte: ven un cuadro abstracto y destacan el “uso magistral del trazo que demuestra y deja ver al espectador la melancolía y la pasión que sentía el pintor en ese momento”; cuando, seguramente, si nos trasladáramos al instante en que creó la obra, al artista simplemente le pareció bien desparramar ese color por el lienzo o, peor aún, se le cayó la lata de pintura porque la empujó el gato.
A ver, una cosa está clara: es de primero de magia que no se puede alterar la voluntad de nadie porque se volverá en tu contra. Otra cosa que deja patente la película es que la obsesión no venía de ella, sino de él. La mala no era Nikki; era él, un “princeso” consentido que patalea cuando no consigue lo que quiere.
La gente decía que la cara de ella daba miedo, pero yo no pude parar de reír con la escena en la que dice: “Me gusta observarte mientras duermes” y sale de la esquina con esos pasos. En realidad, no me hacía gracia ella, sino el susto que se pegaba él; y creo que me divertía tanto porque se merecía todo lo malo que le pasara: un maldito loco, acosador, infantil e inseguro de mierda que no asume que a veces se pierde y quiere a toda costa su juguetito.
Bueno, y después de todo esto estaréis esperando que os diga que no vayáis a verla. Pero no; a todos los que quieran reírse un buen rato, les aconsejo que vayan. No tiene desperdicio a pesar de ser, según mi criterio, una pésima película de terror.
Terror es ver venir a mi jefe soplando con un listado en la mano, terror es abrir el frigorífico en plena ola de calor y no tener cerveza, y, sobre todo, terror es entrar en los dormitorios de tus hijos e ir saltando obstáculos hasta llegar a la ventana y verlos retorcerse en la cama como si fueran vampiros por recibir los rayos del sol; ¡eso sí que es terror y no lo de la película!
O cenário da literatura fantástica nacional ganha um brilho especial com a força e a autenticidade de Brenda Wyni Paladino, ou simplesmente B.W. Paladino.
Aos 31 anos, a escritora paulistana, que traz na bagagem a vivência de quem já morou em Minas Gerais e a doçura de ter sido adotada e criada por sua avó paterna desde os três meses de idade, transforma suas paixões de infância em uma das jornadas mais eletrizantes da ficção científica atual.
A conexão de Brenda com as letras começou cedo, aos 10 anos.
Naquela época, cadernos escolares já ganhavam vida com roteiros de teatro e histórias de vampiros.
Como acontece em muitas trajetórias humanas, os desafios da vida adulta silenciaram sua escrita por um tempo.
No entanto, o nascimento de sua filha, batizada carinhosamente de Safira, em homenagem à icônica dragão fêmea da obra Eragon, trouxe de volta a chama da criação.
Decidida a realizar o sonho de menina e a viver do que ama, Brenda finalmente arriscou e colocou seu talento no papel.
O grande diferencial de sua escrita está na matéria-prima de sua inspiração: os sonhos lúcidos.
Todas as noites, a autora vivencia aventuras extraordinárias em sua mente e, ao acordar, transporta essa vivência visceral para a ficção.
É essa entrega sem filtros que confere tanta verdade e conexão às suas obras.
Apaixonada por cultura pop, que envolve desde jogos e quadrinhos até os universos Marvel e DC, Brenda costura essas referências de forma sutil em uma estrutura narrativa grandiosa.
Seus livros, “O 11º Plano – Fragmentos do Caos” e a eletrizante continuação “O 11º Plano – A Anomalia”, são verdadeiros fenômenos de ritmo.
São obras incríveis, transbordando ação, humor e uma dose cavalar de emoção que não deixa o leitor largar a página até o ponto final.
Como legítima defensora da ficção científica nacional, a autora usa a literatura para desafiar a mente.
A trama da trilogia mergulha fundo em duas das teses mais complexas da física contemporânea: a Teoria dos Muitos Mundos (o multiverso) e a Teoria das Supercordas.
Com pitadas de física quântica e uma imaginação transbordante, Brenda desmistifica esses conceitos científicos que fazem os físicos quebrarem a cabeça, tornando-os orgânicos e fascinantes para o público.
Para coroar esse universo rico, a escritora faz questão de fincar os pés em suas raízes: suas histórias celebram a cultura brasileira, retratando o nosso país com toda a sua diversidade, beleza e nuances reais.
Brenda Wyni Paladino não constrói apenas tramas sobre portais e dimensões; ela coloca sua própria essência em cada linha.
O resultado é uma literatura de entretenimento inteligente, poderosa e com o DNA do Brasil.
Uma autora que merece todo o nosso respeito e que, com certeza, veio para marcar a história da nossa ficção científica.
O que você seria capaz de fazer pelas pessoas que ama?
Emma nunca se sentiu comum com todos os sonhos fantásticos de suas noites agitadas, mas jamais imaginou que isso poderia ter ligação com duas teorias ainda não comprovadas: A Teoria das Super cordas e a Interpretação de muitos mundos.
Toda sua vida é questionada ao ser atropelada na agitada capital São Paulo e em um simples piscar de olhos sua mente fica entrelaçada entre realidades.
O problema é que uma dessas histórias parece ser o fim de tudo.
À medida que as realidades se fundem, a consciência de Emanuelli é esticada até o limite, e o Décimo Primeiro Plano exige um sacrifício final.
Em um rastro de energia roxa e destruição, a linha entre o sonho e a vigília desaparece.
O mundo que ela conhece está prestes a ser apagado por uma versão de si mesma que cansou de sofrer.
Se o universo é apenas uma sinfonia de cordas, Emanuelli está prestes a tocar a nota final.
E, desta vez, pode não haver despertar.
Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube
O 11º PLANO – A ANAOMALIA
SINOPSE
O destino não perdoa quem tenta controlar tudo.
Enquanto Anit tenta se fortalecer contra a ameaça iminente, Emma tem que lidar com sua própria realidade.
Tudo e todos estão contra o orfanato e agora a ameaça se torna externa e interna.
Não há mais para onde fugir.
Duas realidades distintas, unidas por um único elo: o desespero de proteger aqueles que amam.
Forçada pelas circunstâncias a confiar em uma aliança interdimensional perigosa, Anit toma uma decisão que mudará o rumo de sua história.
Ela só não contava que o medo da morte pode corromper a alma mais pura, e que a verdadeira ameaça pode não estar vestida de metal, mas sim escondida atrás de um olhar desesperado.
Em um jogo de sobrevivência onde cada escolha reverbera pelo multiverso, o portal se abrirá mais uma vez.
Mas, do outro lado, o preço da salvação será pago com sangue, traição e uma perda devastadora.
Hoje confrontei a mim mesma, tentei decidir o que é verdade dentro de meu coração. Parte de mim disse: Quer saber a verdade? E esse talvez, seja o maior confronto da vida.
Os confrontos nas relações humanas sempre existiram por gerações, parecem até saudade com fome, cabeça sem pouso, contextos reais envolvendo a política, terras de herança, cultura popular, religiosidades, rixas e cóleras entre familiares e amigos. Uma anulação da posição de ideias e de posturas de alguém. Marcados por hostilidade, onde busca-se vencer a discussão a qualquer custo.
Penso ser muito comum nas leituras, um confronto de ideias, onde o maior desconforto de um leitor, varia conforme o foco de seu dia e a falta de concentração combinada com a necessidade constante de reler parágrafos sem aquela concordância visual ou afetiva. Confrontar alguém exige coragem. Um autor então, exige conhecimento literário, penso. Estratégias práticas de desenvolvimento interpessoal, para gestão de conflitos é preciso, diante de tantos danos emocionais e verbais sem retratações e mediações, com significativos traços de abusos emocionais.
Jesus teve vários confrontos com aqueles que se opunham a Ele. E assim acontece com uma opinião pessoal hoje, uma escolha de partido político, uma ideologia pra viver. O confronto pode ser útil, mas prejudicial, dependendo da situação. Em algum momento enfrentaremos outras pessoas quando elas nos ofenderem ou nos machucarem, e isso pode ser saudável, desde que nossas motivações sejam corretas. Até aqui tudo parece simples, mas não é.
As pessoas são más e quando o confronto é usado como forma de menosprezar, condenar, se vingar, está errado, mas precisa ser absorvido, amenizado. Em nome de ninguém é bom. Como dizia São Francisco: a ausência do conflito não traz solução para o caso, é importante você se posicionar e defender o que acredita para não ter prejuízos amanhã. Mas, antes dos erros graves, se levante.
Orai e vigiai
Sodoma e Gomorra nos ensinou isso.
Respira profundamente.
Escreva uma crônica sobre o caso
Seja como um cachorro, lamba uma das patas e saia silenciosamente.
Confrontos em relacionamentos são embates focados na anulação do outro, marcados por hostilidade, onde busca-se vencer a discussão a qualquer custo. Diferente de um conflito — que pode ser um debate saudável de ideias , pois nenhuma reação humana se desenvolve apenas com concordâncias e acertos —, o confronto destrói a empatia e visa impor a própria vontade.
Aconteceu na década de oitenta, do século passado, o gosto pela escrita, pela observação direta, com a minha própria envolvência, pela investigação científica e, naturalmente pelo trabalho, quatro pilares fundamentais para, de alguma forma, ter um pouco de proveito e, simultaneamente, ser útil à sociedade da qual faço parte.
Decorridas mais de quatro décadas, após a minha iniciação na escrita e no trabalho, consegui, ainda, colaborar com a comunidade em que estou inserido, cumprir com os meus deveres militares, incluindo uma comissão de serviço, no então “Ultramar”, o tão desejado “Império” que alguém queria construir, através de uma colonização, de triste memória. Segui uma carreira profissional numa das áreas de intervenção da Marinha Portuguesa.
Realizei um pouco do que então julgava ser minha obrigação, participei em várias comissões locais, fui e ainda sou, membro de algumas associações com interesse público-cultural, no contexto das ciências Sociais e Humanas. Tenho-me debruçado persistentemente na divulgação da língua portuguesa.
Claro que talvez pudesse ter sido mais útil ao meu país, e à minha terra, mas a vida nem sempre nos é favorável como todos nós desejamos, contudo, ainda assim, não me posso queixar, porque pelo menos realizei alguns dos meus sonhos: escrever um livro, (mas já lá vão dezanove) plantar uma árvore, casar, ser pai de duas filhas e agora, avô de cinco netos.
As fotos que escolhi, para justificar uma ínfima parte do que fiz na vida, têm exatamente essa finalidade. Qualquer outra interpretação, considerá-la-ei descontextualizada. Esta breve reflexão não é uma despedida, talvez um abrandar o ritmo das publicações.
Aproveito a oportunidade, apesar da antecedência, para desejar a todas as pessoas que me têm acompanhado ao longo destas décadas, lendo o que eu vou publicando, dando-me bons conselhos, ensinando-me a fazer melhor. Que dois mil e vinte e seis nos faculte muitas prosperidades.
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Bahtiyar Hidayet traz ao ROL as letras do Azerbaijão, Berço do Fogo Eterno, da colina Yanar Dag, do Templo de Ateshgah, da Rota da Seda e dos Tapetes Azeris que contam histórias!
Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov), 52, é natural do vilarejo de Yukhari Askipara, no distrito de Gazakh, Azerbaijão.
Amante das letras, escreve poesia desde os tempos de escola.
Formou-se pela Universidade do Azerbaijão e trabalha como professor de História.
É autor de quatro livros de poesia: The Hem of Sorrow (2003), White Darkness (2012), Tecnislər (2025) e The Nearest Star (2025). Seus poemas foram traduzidos para diversos idiomas e publicados em revistas literárias internacionais e periódicos online.
Inaugurando sua colaboração no ROL, Bahtiyar Hidayet apresenta o poema Turn Off the Nation’s Lights (Apague as luzes da nação), uma contundente crítica sociopolitica em formato de sárita e elegia.
Turn off the nation
Imagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/ab40ad280f167051?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Turn Off the Nation’s Lights Anyway, you supply electricity with interruptions. Teach us to live with interruptions as well. Turn off the nation’s lights.
Happiness, like a moth, may fly toward the light. Turn off the nation’s lights.
Anyway, our road is not toward the side where the light comes from. Our road is in the direction of barking dogs. Turn off the nation’s lights.
While the graves of our great ancestors are burning after seeing our sorrow, turn off the nation’s lights.
You love the nation very much. That is why you have plunged everywhere into darkness. The nation is searching for the water of eternal life in the darkness. Thank you. You have raised the nation to the level of Alexander the Great. We have conquered the world. We are at the top of international blacklists. Turn off the nation’s lights.
Every day of our lives passes in tears. After so much rain, the light of lightning is enough for us. Turn off the nation’s lights.
Apaguem as luzes da nação De qualquer forma, vocês fornecem eletricidade com interrupções. Ensinem-nos a conviver com interrupções também. Apaguem as luzes da nação.
A felicidade, como uma mariposa, pode voar em direção à luz. Apaguem as luzes da nação.
De qualquer forma, nosso caminho não é para o lado de onde vem a luz. Nosso caminho é na direção dos cães que latem. Apaguem as luzes da nação.
Enquanto os túmulos de nossos grandes ancestrais ardem após verem nossa tristeza, apaguem as luzes da nação.
Vocês amam muito a nação. É por isso que mergulharam tudo na escuridão. A nação busca a água da vida eterna na escuridão. Obrigado. Vocês elevaram a nação ao nível de Alexandre, o Grande. Conquistamos o mundo. Estamos no topo das listas negras internacionais. Apaguem as luzes da nação.
Cada dia de nossas vidas passa em lágrimas. Depois de tanta chuva, a luz dos relâmpagos nos basta. Apaguem as luzes da nação.
‘Honrarias e Reconhecimento Institucional: História, Direito e a Cultura do Reconhecimento Público‘
Alexandre Rurikovich CarvalhoUma viagem pela história, pelo direito e pela cultura do reconhecimento institucional, revelando a evolução das honrarias como instrumentos de valorização do mérito e preservação da memória. A composição reúne símbolos da realeza, condecorações, certificados e o ambiente acadêmico, representando a tradição e a excelência das distinções honoríficas. Na parte inferior, o autor Alexandre Rurikovich Carvalho reafirma seu compromisso com a pesquisa histórica e jurídica sobre o tema. Arte produzida para ilustrar o artigo publicado no Jornal Cultural ROL. Imagem criada por IA.
Introdução
Poucas tradições atravessaram tantos séculos quanto o reconhecimento público do mérito. Desde os primórdios da civilização, diferentes povos compreenderam que determinadas ações deveriam ser lembradas, valorizadas e apresentadas como exemplo às futuras gerações. Reis, imperadores, repúblicas, universidades, academias, instituições religiosas, organizações da sociedade civil e até antigas casas dinásticas desenvolveram sistemas próprios de distinções, destinados a homenagear aqueles que contribuíram para o fortalecimento da cultura, da ciência, da administração pública, da educação, da justiça, da diplomacia e da própria humanidade.
As honrarias constituem uma das mais expressivas manifestações dessa tradição. Muito além de medalhas, diplomas ou títulos honoríficos, representam instrumentos de reconhecimento institucional, preservação da memória coletiva e valorização de princípios que sustentam a convivência social. Cada homenagem concedida traduz uma mensagem da instituição que a outorga: determinados valores merecem ser preservados, determinadas trajetórias devem ser lembradas e determinadas ações precisam servir de inspiração para a sociedade.
Apesar de sua ampla presença na vida institucional contemporânea, as honrarias ainda são pouco estudadas no Brasil sob uma perspectiva interdisciplinar. Frequentemente são compreendidas apenas como atos protocolares ou solenidades ocasionais, quando, na realidade, constituem importante objeto de estudo para a História, o Direito, a Ciência Política, a Administração Pública, a Diplomacia Cultural, a Heráldica, a Falerística, o Cerimonial e os estudos sobre Patrimônio Cultural.
Observa-se também grande confusão conceitual entre as diversas modalidades de reconhecimento institucional. Termos como Comenda, Medalha, Honra ao Mérito, Moção de Louvor, Título de Cidadania, Menção Honrosa, Mérito Cultural e Voto de Congratulação são frequentemente utilizados como sinônimos, embora possuam origens históricas, fundamentos jurídicos, procedimentos de concessão e finalidades distintas.
É igualmente comum que se confundam honrarias concedidas pelo Estado com aquelas instituídas por universidades, academias, organizações da sociedade civil ou casas dinásticas históricas. Embora todas representem formas legítimas de reconhecimento dentro de seus respectivos contextos institucionais, possuem naturezas jurídicas diversas e desempenham funções específicas na preservação da memória e na valorização do mérito.
Este artigo propõe uma reflexão sobre a evolução histórica das honrarias, seus fundamentos jurídicos e culturais e sua importância como instrumentos de reconhecimento institucional. Mais do que apresentar uma relação de medalhas ou títulos honoríficos, busca compreender o significado dessas distinções na construção da identidade das instituições e na preservação dos valores que orientam a vida em sociedade.
I – O reconhecimento do mérito através da História
Reconhecer aqueles que se destacam por suas realizações acompanha a humanidade desde as primeiras civilizações organizadas. Muito antes da criação dos modernos Estados nacionais, diferentes povos já compreendiam que o mérito deveria ser celebrado como forma de fortalecer valores coletivos e estimular comportamentos considerados exemplares.
No Antigo Egito, os faraós distinguiam altos funcionários, sacerdotes e comandantes militares mediante colares de ouro, joias, bastões cerimoniais e títulos honoríficos que simbolizavam prestígio e confiança do soberano. Essas distinções eram registradas em monumentos e inscrições, preservando para a posteridade a memória daqueles que haviam servido ao Estado.
Na Grécia Antiga, especialmente em Atenas, consolidou-se a ideia de que o mérito deveria ser reconhecido como virtude cívica. Coroas de louros ou de oliveira eram concedidas aos vencedores dos Jogos Olímpicos e a cidadãos que prestavam relevantes serviços à pólis. Mais do que simples recompensas, essas distinções representavam o ideal grego de excelência (areté), no qual o reconhecimento público estimulava a busca permanente pelo aperfeiçoamento moral e intelectual.
Roma aperfeiçoou significativamente esse sistema. A República e, posteriormente, o Império Romano desenvolveram um complexo conjunto de coroas militares e civis, como a Corona Civica, concedida àqueles que salvavam a vida de um cidadão romano, e a Corona Triumphalis, destinada aos generais vencedores de grandes campanhas militares. O mérito passou a ser registrado não apenas por meio de insígnias, mas também por monumentos, estátuas, inscrições públicas e cerimônias oficiais, estabelecendo um modelo que influenciaria profundamente os sistemas honoríficos europeus.
Com a queda do Império Romano e a formação da sociedade medieval, o reconhecimento institucional assumiu novas características. As ordens de cavalaria surgidas durante as Cruzadas reuniam elementos militares, religiosos e assistenciais. Organizações como a Ordem dos Templários, a Ordem Hospitalária de São João de Jerusalém e a Ordem Teutônica tornaram-se referências de disciplina, coragem e compromisso com valores espirituais e comunitários.
Ao longo dos séculos, essas ordens evoluíram. Com o fortalecimento das monarquias europeias, muitas deixaram de possuir exclusivamente caráter militar e passaram a integrar os sistemas honoríficos dos Estados, reconhecendo não apenas feitos de guerra, mas também contribuições à administração pública, à diplomacia, à cultura, à ciência, à educação e às artes.
Foi nesse contexto que surgiram as grandes ordens nacionais europeias, estruturadas em diferentes graus – Cavaleiro, Oficial, Comendador, Grande-Oficial e Grã-Cruz, modelo posteriormente adotado por diversos países, inclusive pelo Brasil.
Das Ordens Medievais ao Sistema Honorífico Brasileiro
A tradição honorífica brasileira possui profundas raízes na história portuguesa. Durante o período colonial, personalidades nascidas ou residentes no Brasil podiam ser agraciadas pelas tradicionais Ordens Militares de Cristo, de Avis e de Sant’Iago da Espada, distinções vinculadas à Coroa Portuguesa e destinadas ao reconhecimento de serviços relevantes prestados ao Reino.
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, representou marco decisivo para a institucionalização do cerimonial e das honrarias em território brasileiro. A presença da Família Real introduziu novas práticas protocolares e fortaleceu a cultura das distinções oficiais.
Com a Independência do Brasil, em 1822, Dom Pedro I compreendeu que a consolidação do novo Estado exigia um sistema próprio de reconhecimento institucional. Ainda naquele ano foi criada a Imperial Ordem do Cruzeiro, destinada a homenagear brasileiros e estrangeiros que contribuíssem para a organização e o fortalecimento do Império.
Posteriormente, outras importantes ordens foram instituídas, como a Imperial Ordem da Rosa, a Imperial Ordem de Pedro I e as reorganizações das antigas ordens portuguesas incorporadas ao sistema honorífico imperial. Durante o reinado de Dom Pedro II, essas distinções alcançaram elevado prestígio internacional, sendo frequentemente utilizadas como instrumentos de diplomacia e aproximação entre nações.
A Proclamação da República, em 1889, modificou profundamente a organização política do país, mas não eliminou a tradição do reconhecimento honorífico. As antigas ordens imperiais deram lugar às condecorações republicanas, enquanto o
Poder Legislativo fortaleceu a concessão de títulos de cidadania, moções, medalhas, diplomas e votos de congratulação.
Ao longo do século XX, Estados e Municípios também passaram a instituir seus próprios sistemas de honrarias, ampliando significativamente as formas de reconhecimento institucional existentes no Brasil. Paralelamente, universidades, academias de letras, institutos históricos, fundações, organizações da sociedade civil e entidades culturais desenvolveram sistemas próprios de distinções, contribuindo para consolidar uma ampla cultura do reconhecimento público.
Essa evolução demonstra que as honrarias deixaram de representar apenas instrumentos de prestígio estatal para tornar-se importantes mecanismos de valorização da cidadania, da cultura, da ciência, da memória e do compromisso social.
Mais do que simples símbolos de distinção, transformaram-se em expressões permanentes da gratidão institucional, reafirmando que sociedades verdadeiramente comprometidas com seu desenvolvimento reconhecem e preservam a memória daqueles que contribuíram para sua construção.
II – O Sistema Honorífico Brasileiro
O sistema honorífico brasileiro caracteriza-se por sua diversidade institucional e pela coexistência de diferentes formas de reconhecimento público. Ao contrário do que muitas vezes se imagina, as honrarias existentes no Brasil não se restringem às condecorações concedidas pelo Poder Público. Elas também são instituídas por universidades, academias, institutos históricos, organizações da sociedade civil, entidades religiosas, fundações, associações profissionais e, em contextos específicos, por casas dinásticas históricas.
Essa pluralidade demonstra que o reconhecimento do mérito não constitui monopólio do Estado. Trata-se de um fenômeno social muito mais amplo, por meio do qual diferentes instituições expressam sua gratidão e valorizam pessoas ou organizações cujas ações produziram benefícios relevantes para a coletividade.
Embora possuam finalidades semelhantes, essas distinções apresentam fundamentos jurídicos distintos e devem ser compreendidas dentro do contexto institucional em que são concedidas.
As Honrarias Oficiais
As honrarias oficiais são aquelas instituídas pelos entes estatais no exercício de suas competências constitucionais e legais.
No Brasil, podem ser concedidas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, bem como pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, observadas as competências estabelecidas pela Constituição Federal, pela legislação específica e pelos respectivos regimentos internos.
Entre as principais modalidades encontram-se:
• Ordens Nacionais do Mérito
• Medalhas Oficiais
• Condecorações Militares
• Títulos de Cidadão Honorário
• Títulos de Cidadão Benemérito
• Diplomas de Honra ao Mérito
• Moções de Louvor
• Moções de Reconhecimento
• Votos de Congratulação
• Medalhas Legislativas
Embora apresentem características próprias, todas essas distinções possuem um elemento comum: representam manifestação institucional do Estado em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à sociedade.
Sua legitimidade decorre do exercício regular da competência pública e da observância dos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Mais do que homenagens protocolares, essas distinções constituem instrumentos de fortalecimento da cidadania e de valorização daqueles que contribuem para o desenvolvimento nacional.
O Papel do Poder Legislativo
Entre os Poderes da República, o Legislativo brasileiro desempenha papel particularmente relevante na concessão de honrarias.
O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas, a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras Municipais utilizam diferentes instrumentos destinados ao reconhecimento público de cidadãos, instituições e personalidades.
Título de Cidadão Honorário Talvez seja a mais conhecida das homenagens legislativas. Destina-se normalmente àqueles que, embora não tenham nascido na localidade, prestaram relevantes serviços ao Município, Estado ou Distrito Federal. Mais do que um ato simbólico, representa o reconhecimento de que o homenageado passou a integrar, de maneira honorífica, a história daquela comunidade.
Moções As moções constituem manifestações oficiais do Parlamento e podem assumir diferentes modalidades, como:
• Moção de Louvor
• Moção de Reconhecimento
• Moção de Aplausos
• Moção de Congratulações
Seu objetivo consiste em registrar, nos anais da Casa Legislativa, o reconhecimento institucional por acontecimentos, realizações ou trajetórias consideradas relevantes.
Votos de Congratulação Representam manifestações formais de felicitação dirigidas a pessoas ou instituições por conquistas, aniversários, datas comemorativas, publicações, eventos científicos, culturais ou comunitários.
Diplomas e Medalhas Legislativas Diversos Parlamentos criaram medalhas e diplomas próprios destinados a reconhecer personalidades que contribuíram para o desenvolvimento político, social, econômico, científico ou cultural de suas respectivas comunidades. Essas distinções consolidaram-se como importante mecanismo de aproximação entre o Poder Legislativo e a sociedade.
As Honrarias Institucionais Privadas
Ao lado das distinções oficiais, observa-se extraordinário crescimento das honrarias concedidas por instituições privadas.
A Constituição Federal assegura ampla liberdade de associação, permitindo que academias, universidades, fundações, organizações da sociedade civil, institutos históricos, associações culturais, entidades religiosas e demais pessoas jurídicas de direito privado criem sistemas próprios de reconhecimento institucional.
Essas distinções não integram o sistema oficial de condecorações do Estado, mas possuem plena legitimidade no âmbito das organizações que as instituem.
É comum que tais entidades concedam:
• Comendas
• Medalhas
• Diplomas
• Certificados
• Títulos Honorários
• Prêmios Culturais
• Prêmios Científicos
• Mérito Educacional
• Mérito Cultural
• Mérito Humanitário
Sua finalidade consiste em reconhecer trajetórias de excelência, incentivar boas práticas e fortalecer a identidade institucional. Muitas dessas honrarias alcançam elevado prestígio justamente pela tradição das instituições que as concedem. Universidades, academias literárias e científicas, institutos históricos e organizações culturais frequentemente desenvolvem sistemas honoríficos que se tornam referências nacionais em seus respectivos campos de atuação.
As Honrarias Dinásticas e as Casas Reais Históricas
Entre as diferentes modalidades de reconhecimento institucional, merece especial destaque uma categoria ainda pouco conhecida do público brasileiro: as honrarias concedidas por casas reais históricas e dinastias não reinantes.
Sua origem remonta às antigas ordens de cavalaria instituídas pelos soberanos europeus durante a Idade Média e a Idade Moderna. Ao longo dos séculos, essas ordens tornaram-se importantes instrumentos de reconhecimento do mérito, distinguindo militares, diplomatas, cientistas, artistas, religiosos, administradores públicos e benfeitores da sociedade.
Com a transformação política ocorrida em diversos países, especialmente entre os séculos XIX e XX, muitas monarquias foram substituídas por regimes republicanos. Entretanto, diversas casas reais preservaram sua continuidade histórica, mantendo seus arquivos, tradições, patrimônio documental, heráldica, cerimonial e, em determinados casos, a administração de antigas ordens dinásticas.
Essas distinções passaram, então, a desempenhar função predominantemente cultural, histórica, beneficente e diplomática. Atualmente, algumas casas reais históricas promovem atividades voltadas à preservação da memória, da cultura, da pesquisa histórica, da filantropia e da cooperação internacional, utilizando suas
ordens honoríficas como forma de reconhecer pessoas e instituições que contribuem para esses objetivos.
É importante destacar que essas honrarias possuem natureza distinta das condecorações oficiais concedidas pelos Estados soberanos. Enquanto as honrarias estatais decorrem do exercício da competência constitucional dos Poderes Públicos, as honrarias dinásticas vinculam-se à continuidade histórica e institucional das respectivas casas reinantes.
Sob essa perspectiva, ordens dinásticas, títulos honoríficos, cerimônias de investidura, brasões, colares, insígnias e protocolos associados às antigas casas reais representam importantes manifestações da cultura institucional. Mais do que distinções individuais, constituem elementos de preservação da memória histórica, da heráldica, da genealogia e das tradições protocolares transmitidas ao longo de gerações.
As Honrarias como Patrimônio Cultural
Essa reflexão conduz a uma compreensão mais ampla do significado das honrarias. Tradicionalmente, medalhas, diplomas e ordens honoríficas foram vistos apenas como símbolos de reconhecimento.
Entretanto, quando analisados sob a perspectiva da História e do Patrimônio Cultural, revelam dimensão muito mais abrangente. Cada cerimônia de outorga, cada regulamento, cada livro de registro, cada brasão, cada colar honorífico, cada protocolo cerimonial e cada tradição institucional preservada constitui testemunho histórico da identidade de determinada organização.
Nesse sentido, as honrarias integram o patrimônio institucional das entidades que as concedem. Da mesma forma, os rituais, conhecimentos, práticas protocolares, técnicas heráldicas e tradições transmitidas entre gerações aproximam-se do conceito contemporâneo de patrimônio cultural imaterial.
Assim, preservar sistemas honoríficos significa preservar parte da memória das instituições e, consequentemente, da própria sociedade. Essa perspectiva amplia significativamente a compreensão das honrarias, afastando a ideia de que se tratam apenas de solenidades ou objetos decorativos. Na realidade, representam importantes instrumentos de valorização da cultura, da história, da cidadania e do reconhecimento institucional.
III – As Principais Modalidades de Reconhecimento Institucional
A evolução dos sistemas honoríficos ao longo da história deu origem a uma ampla variedade de distinções destinadas a reconhecer diferentes formas de contribuição à sociedade. Embora todas compartilhem a finalidade de valorizar o mérito, cada modalidade possui características próprias, relacionadas à sua origem, finalidade e contexto institucional.
Entre as formas mais tradicionais de reconhecimento destacam-se:
• Menção Honrosa, geralmente concedida para registrar desempenhos relevantes em concursos, projetos, pesquisas ou atividades educacionais.
• Honra ao Mérito, destinada a reconhecer trajetórias profissionais ou institucionais de destaque.
• Diploma de Reconhecimento, amplamente utilizado por instituições públicas e privadas para agradecer serviços prestados ou colaborações relevantes.
No âmbito legislativo, destacam-se as Moções de Louvor, Moções de Reconhecimento, Moções de Aplausos e os Votos de Congratulação, que representam manifestações oficiais dos parlamentos em homenagem a pessoas, entidades ou acontecimentos de especial relevância para a comunidade.
Outra modalidade amplamente difundida é o Título de Cidadão Honorário, tradicionalmente concedido por Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas àqueles que, embora não naturais da localidade, contribuíram significativamente para seu desenvolvimento. Em diversos municípios também existe o Título de Cidadão Benemérito, destinado a homenagear cidadãos naturais que prestaram relevantes serviços à própria comunidade.
Especial destaque merece a Comenda, cuja origem remonta às antigas ordens de cavalaria. Atualmente, constitui uma das mais tradicionais formas de reconhecimento institucional, sendo adotada por governos, universidades, academias, organizações culturais e entidades da sociedade civil. Em muitos casos, representa a mais elevada distinção honorífica de determinada instituição.
As Medalhas Honoríficas, por sua vez, apresentam grande diversidade temática. Existem medalhas culturais, científicas, militares, legislativas, educacionais, empresariais e humanitárias, cada uma destinada a reconhecer contribuições específicas em sua área de atuação.
Independentemente da modalidade adotada, todas essas distinções possuem um elemento comum: representam manifestações formais de reconhecimento institucional, destinadas a valorizar trajetórias que ultrapassam os interesses individuais e produzem benefícios relevantes para a coletividade.
Homenagem Póstuma
A Homenagem Póstuma é concedida após o falecimento da pessoa homenageada. Tem por finalidade preservar sua memória e reconhecer sua contribuição histórica.
Pode ocorrer mediante:
• Medalhas
• Comendas
• Sessões Solenes
• Denominação de ruas, escolas, bibliotecas
• Monumentos e memoriais
• Placas comemorativas
• Diplomas entregues à família
Essa modalidade reafirma que o reconhecimento institucional ultrapassa a vida do homenageado, perpetuando sua trajetória e valores como parte da memória coletiva da sociedade.
O Valor Jurídico, Histórico e Social das Honrarias
Um dos maiores equívocos relacionados às honrarias consiste em acreditar que seu valor esteja restrito ao aspecto simbólico.
Sob a perspectiva jurídica, a maioria das distinções honoríficas possui natureza declaratória e honorífica, não gerando, em regra, direitos patrimoniais ou vantagens funcionais. Todavia, essa característica não diminui sua importância. Ao contrário, justamente por não constituírem benefícios materiais, as honrarias reforçam o princípio de que o reconhecimento do mérito possui elevado valor moral, institucional e histórico.
Uma medalha ou uma comenda não representam apenas um objeto físico; simbolizam a manifestação pública da gratidão institucional. Ao reconhecer determinado cidadão, a instituição também reafirma seus próprios valores.
• Quando uma universidade concede um título honorífico, afirma a importância da produção científica e do conhecimento.
• Quando uma academia literária institui uma medalha, reafirma seu compromisso com a preservação da cultura e da literatura.
• Quando uma Câmara Municipal concede o Título de Cidadão Honorário, registra oficialmente que determinado indivíduo passou a integrar a memória histórica daquela comunidade.
Dessa forma, toda honraria produz efeitos que ultrapassam o homenageado, fortalecendo simultaneamente a identidade da instituição concedente.
Honrarias, Memória e Patrimônio Cultural
Outro aspecto frequentemente negligenciado diz respeito ao valor histórico das honrarias.
Ao longo dos séculos, livros de registros, diplomas, atas de sessões solenes, fotografias, medalhas, insígnias, brasões e colares transformaram-se em importantes fontes documentais para historiadores, arquivistas, museólogos e pesquisadores. Esses acervos permitem reconstruir trajetórias individuais, compreender relações institucionais e preservar acontecimentos que marcaram a evolução das organizações.
Sob essa perspectiva, as honrarias integram o patrimônio histórico das instituições. Mais do que objetos decorativos, representam documentos que registram a memória coletiva. Também os rituais de investidura, os protocolos cerimoniais, os juramentos, os conhecimentos heráldicos e as tradições transmitidas ao longo do tempo constituem manifestações culturais que ultrapassam sua função imediata.
Em uma interpretação contemporânea, esses elementos podem ser compreendidos como parte do patrimônio cultural imaterial das instituições, uma vez que preservam práticas, saberes, símbolos e formas de expressão que reforçam sua identidade histórica. Assim, preservar um sistema honorífico significa também preservar parte da memória da própria sociedade.
Estudos de Caso: Brasil e Experiências Internacionais
A observação dos sistemas honoríficos adotados em diferentes países demonstra que o reconhecimento institucional constitui fenômeno universal.
• No Brasil, coexistem honrarias concedidas pelos Poderes da República, pelas Forças Armadas, pelos Estados, Municípios, universidades, academias e organizações da sociedade civil.
• No âmbito federal, destacam-se importantes ordens nacionais destinadas ao reconhecimento de relevantes serviços prestados ao Estado brasileiro e às relações internacionais.
• As Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais consolidaram forte tradição na concessão de títulos de cidadania, medalhas legislativas e moções de reconhecimento.
• As universidades preservam a tradição dos títulos honoríficos acadêmicos, enquanto academias de letras e institutos históricos reconhecem contribuições intelectuais, culturais e científicas.
No cenário internacional:
• Portugal mantém antigas ordens nacionais que remontam às ordens militares medievais.
• França tornou-se referência mundial com a criação da Legião de Honra, ainda no início do século XIX.
• Reino Unido preserva um dos mais conhecidos sistemas honoríficos contemporâneos, estruturado em diferentes ordens e graus de distinção. • Espanha, Itália e outros países europeus mantêm ordens nacionais que desempenham importante função no reconhecimento de serviços públicos, científicos, culturais e diplomáticos.
• Paralelamente, inúmeras casas reais históricas preservam ordens dinásticas destinadas ao reconhecimento de atividades culturais, beneficentes e humanitárias, contribuindo para a continuidade de tradições que atravessaram séculos.
Esses exemplos demonstram que, independentemente da forma de governo adotada por cada país, permanece constante a necessidade de reconhecer aqueles que contribuem para o bem comum.
Credibilidade e Legitimidade das Honrarias
Nenhuma honraria conquista prestígio apenas pela beleza de sua medalha ou pela solenidade de sua cerimônia. Sua verdadeira importância decorre da credibilidade da instituição que a concede.
Uma distinção honorífica torna-se respeitada quando resulta de critérios claros, regulamentos consistentes, processos transparentes e rigor na escolha dos agraciados. A tradição demonstra que instituições centenárias preservam o prestígio de suas honrarias justamente porque adotam procedimentos seletivos e mantêm elevado compromisso com seus valores institucionais.
Por outro lado, a concessão indiscriminada de homenagens ou a ausência de critérios objetivos tende a reduzir seu significado e comprometer sua credibilidade perante a sociedade.
Assim, preservar o valor das honrarias exige responsabilidade institucional, ética, transparência e permanente compromisso com a valorização do mérito. Mais do que distribuir medalhas, reconhecer pessoas significa construir memória, fortalecer instituições e afirmar valores que inspiram a coletividade.
É precisamente essa função que explica por que as honrarias continuam presentes nas sociedades contemporâneas, mesmo após tantos séculos de transformações políticas, jurídicas e culturais.
IV – Os Desafios Contemporâneos dos Sistemas Honoríficos
Ao longo do século XXI, os sistemas honoríficos passaram a enfrentar desafios inéditos decorrentes das profundas transformações sociais, tecnológicas e institucionais que caracterizam o mundo contemporâneo.
A expansão das tecnologias digitais modificou a forma como as instituições registram sua história, promovem suas atividades e preservam sua memória. Livros de registro, antes exclusivamente manuscritos, passaram a coexistir com bancos de dados eletrônicos, acervos digitais, museus virtuais e arquivos permanentes acessíveis por meio da internet. Essa transformação amplia significativamente a preservação da memória institucional e facilita o acesso de pesquisadores, historiadores e da sociedade às informações relativas às distinções concedidas.
Ao mesmo tempo, cresce a exigência por transparência. Em uma sociedade cada vez mais conectada, espera-se que os processos de concessão de honrarias sejam pautados por regulamentos claros, critérios objetivos e procedimentos imparciais. A publicidade dos atos, a fundamentação das escolhas e a preservação da documentação fortalecem a credibilidade das instituições e reafirmam o verdadeiro sentido do reconhecimento público.
Em uma época marcada pela rapidez das transformações tecnológicas e pela efemeridade das informações, torna-se ainda mais importante preservar a memória institucional. Reconhecer aqueles que dedicam suas vidas ao serviço da coletividade significa registrar exemplos capazes de inspirar novas gerações e reafirmar valores como ética, responsabilidade, solidariedade, excelência e compromisso com o bem comum.
Paralelamente, cresce a conscientização acerca da importância da preservação dos sistemas honoríficos como parte do patrimônio institucional. Medalhas, diplomas, insígnias, regulamentos, livros de ouro, atas de sessões solenes, registros fotográficos e audiovisuais, além das tradições protocolares e cerimoniais, constituem acervos de elevado valor histórico, cuja conservação contribui para a preservação da identidade das organizações.
Nesse contexto, ganha especial relevância a atuação de instituições culturais, museus, arquivos, bibliotecas, universidades, academias e centros de pesquisa dedicados ao estudo da memória institucional. Ao preservar documentos e tradições relacionados às honrarias, essas entidades desempenham importante papel na valorização do patrimônio histórico e cultural.
As honrarias concedidas por casas reais históricas e dinastias não reinantes também se inserem nessa perspectiva contemporânea. Em diversos países, essas instituições continuam desenvolvendo atividades voltadas à preservação da memória, da heráldica, da genealogia, da filantropia e da diplomacia cultural, mantendo vivas tradições que remontam a séculos de história. Ainda que não integrem os sistemas oficiais de condecorações dos Estados modernos, representam expressões da continuidade histórica de antigas instituições e contribuem para a preservação de um patrimônio cultural cuja relevância ultrapassa as fronteiras nacionais.
Mais do que discutir a validade jurídica de cada modalidade de distinção, importa compreender que todas elas participam de uma mesma cultura do reconhecimento institucional, cujo objetivo fundamental consiste em preservar exemplos de dedicação ao bem comum e transmitir às futuras gerações referências éticas, intelectuais e culturais.
Conclusão
As honrarias permanecem, ao longo dos séculos, como instrumentos de gratidão institucional e de preservação da memória coletiva. Mais do que símbolos materiais, representam valores que inspiram a sociedade e fortalecem a identidade das instituições.
Cada medalha, diploma, comenda ou título honorífico traduz não apenas o reconhecimento de uma trajetória individual, mas também a reafirmação dos princípios que sustentam a vida comunitária. Ao homenagear alguém, a instituição declara publicamente quais valores considera essenciais e quais exemplos devem ser preservados para as futuras gerações.
Sob a perspectiva histórica, jurídica e cultural, as honrarias revelam-se como parte integrante do patrimônio das organizações e da própria sociedade. Elas registram memórias, consolidam tradições e perpetuam referências éticas, intelectuais e sociais que atravessam o tempo.
Em um mundo marcado por rápidas transformações, pela efemeridade das informações e pela exigência crescente de transparência, torna-se ainda mais relevante preservar sistemas honoríficos como testemunhos da identidade institucional. Reconhecer o mérito significa não apenas valorizar indivíduos, mas também fortalecer a cultura da cidadania, da solidariedade, da excelência e do compromisso com o bem comum.
Assim, compreender e preservar as honrarias é compreender e preservar a própria história das instituições e da sociedade. Elas constituem, em última análise, expressões permanentes da memória coletiva e da cultura do reconhecimento público, reafirmando que nenhuma comunidade se desenvolve plenamente sem valorizar aqueles que contribuíram para sua construção.
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Surendra Nagaraju – ElanaagaImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/e32de6a4cf75733d?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Of late, the whole world is appearing black to me. People, environs– everything is dark around me.
I pondered a lot and chose the right remedy: Wash out the murk accumulated inside me.
Right remedy
Ultimamente, o mundo inteiro está me parecendo negro.
Pessoas, ambientes – tudo está escuro ao meu redor.
Refleti muito e escolhi o remédio certo: Lavar a escuridão acumulada dentro de mim.