Aos 28 anos, o paulistano Samuel Wincheski Garcia vive aquilo que muitos apenas sonham: transformar imaginação em realidade.
Jornalista por formação e contador de histórias por vocação, ele estreou na literatura com o livro “Elýria: Três Luzes na Escuridão”, uma fantasia independente que une aventura, drama e espiritualidade em um universo próprio, cheio de símbolos e humanidade.
Desde criança, Samuel é fascinado por fantasia, RPG e mitologia, paixões que o acompanharam até a vida adulta e se tornaram combustível para sua escrita.
Inspirado por mundos épicos como Dragon Age, Final Fantasy e Dungeons & Dragons, o autor criou Elýria, um cenário vasto e profundo, onde luz e escuridão convivem não apenas nas paisagens, mas dentro de cada personagem.
Em Elýria: Três Luzes na Escuridão, três protagonistas muito diferentes têm seus destinos entrelaçados por forças misteriosas.
Cada um carrega dores, medos e memórias, e é nesse equilíbrio entre o épico e o íntimo que Samuel revela sua verdadeira força como escritor.
“Eu queria que meus personagens fossem reais, e que o leitor se visse neles, que sentisse junto suas quedas e recomeços. Não busco fama. O que realmente valorizo é que as pessoas leiam meus livros e se conectem com eles. É isso que me move.”
Samuel Wincheski Garcia
Mais do que uma história sobre batalhas e reinos, “Elýria: Três luzes na escuridão” fala sobre identidade, esperança e a luz que sobrevive mesmo nos momentos mais sombrios.
O livro, disponível em formato digital na Amazon, é o primeiro passo de um projeto maior, um universo literário que Samuel vem construindo com paciência, paixão e propósito.
Com escrita envolvente e sensível, Samuel representa uma nova geração de autores brasileiros: criadores que sonham grande, mas com os pés firmes no chão, iluminando o caminho de seus leitores com histórias que nascem da alma.
A Floresta da Primavera está morrendo. As árvores retorcem-se, o solo apodrece, os animais se corrompem.
Nas sombras, monstros aguardam, guiados por uma força ancestral e faminta.
Nesse cenário surge Samantha Valence, uma meio-dragão exilada de sua casa nobre, rejeitada por um mundo que a teme sem compreendê-la.
O destino a conduz ao encontro de um cavaleiro errante, de coração tão duro quanto sua teimosia, e de uma semideusa cuja luz brilha tão intensa quanto seu orgulho.
Três luzes erguem-se contra a escuridão, frágeis, dispersas, incompletas… e que, unidas, talvez possam devolver o amanhecer à floresta.
Se estas palavras despertaram algo em você, seja bem-vindo.
Elýria o aguarda.
Que esta história acenda a chama da aventura em seu coração.
Coletânea Pedagógica destaca a arte como linguagem transformadora na formação docente
Card da Coletânea Pedagógica – Vol. 1
Obra reúne produções de alunos de Pedagogia da FAF e propõe uma nova visão sobre o ensino da arte na Educação Infantil.
A Editora Gotland lança o volume 01 da Coletânea Pedagógica: Entre Cores e Letras– A Pedagogia da Expressão, resultado de um projeto educativo desenvolvido com os alunos do curso de Pedagogia da Faculdade do Futuro (FAF), sob coordenação do professor Fabrício Santos, também editor-chefe da publicação.
A coletânea apresenta textos autorais e planos de aula voltados para o ensino da arte na Educação Infantil, propondo abordagens criativas, afetivas e inclusivas para o trabalho pedagógico. A obra é fruto das atividades desenvolvidas na disciplina ‘Ensino da Arte’, e revela como a arte pode ser instrumento de formação sensível, crítica e transformadora.
“Mais do que uma coletânea, este livro é um manifesto artístico-pedagógico que celebra o encontro entre estética e educação, entre teoria e prática, entre o sentir e o saber”, afirma o professor Fabrício Santos.
Com linguagem acessível e conteúdo prático, o livro convida à reflexão sobre a importância da expressão artística na formação dos futuros professores, valorizando o olhar, a escuta e a criatividade como elementos essenciais no processo de ensinar e aprender.
A publicação marca o início de uma série de volumes que pretendem registrar e difundir experiências pedagógicas inovadoras, fortalecendo o diálogo entre universidade e práticas educacionais humanizadas.
Há escritoras que narram histórias, e há outras que as transmutam.
Sue Guimarães, pertence a este segundo grupo: o das autoras que escrevem com a alma, costurando emoção, consciência e coragem em cada linha.
Nascida em Aracaju (SE) e radicada em Rio das Ostras (RJ), Sue é uma mulher multifacetada, licenciada em Filosofia e Sociologia, bacharela em Serviço Social e mestranda em Educação.
Sua formação, extensa e diversa, reflete uma busca constante por compreender o ser humano e suas complexidades. “Educar é refletir a essência do outro”, diz ela, frase que resume sua trajetória marcada pela escuta, pela empatia e pelo desejo de transformação social.
Autora de “Oxente, vamo que vamo” e do romance “Não, isso não é amar!”, Sue mergulha nas profundezas das relações humanas para falar de temas que nem sempre encontram voz: o abuso psicológico, o autoconhecimento e a redescoberta do amor-próprio.
Sua obra mais recente, concorrente ao Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional 2025 – Categoria Romance (Prêmio Machado de Assis), é um verdadeiro grito em forma de livro, mas também um sussurro de acolhimento.
“Mais do que escrever um livro, eu quis criar um abraço em forma de páginas, um espaço onde o leitor pudesse se reconhecer, se questionar e, quem sabe, encontrar forças para se libertar de tudo aquilo que não é, e nunca foi, amor.”
Sue Guimarães
Com uma escrita potente e sensível, Sue constrói narrativas que falam sobre coragem, libertação e recomeço.
Em “Não, isso não é amar!”, ela desmistifica o amor idealizado e dá voz às dores silenciosas que tantas pessoas carregam.
Já em “Oxente, vamo que vamo”, revela seu lado otimista e resiliente, uma celebração da vida, da fé e da capacidade de seguir em frente, mesmo diante das tempestades.
Além da literatura, Sue atua como palestrante, mediadora e articuladora social, levando suas reflexões a escolas, instituições públicas e espaços comunitários.
Fala sobre saúde mental, diversidade, educação e direitos humanos com a mesma intensidade e ternura que imprime em suas páginas.
Em tudo o que faz, Sue reafirma uma convicção: escrever é um ato político, poético e profundamente humano.
Suas palavras acolhem, despertam e inspiram e, como ela mesma diz, “deixam no leitor a sensação de que ninguém está sozinho no que sente”.
Às vezes, o coração precisa desaprender certezas para descobrir verdades que libertam.
Neste romance sensível e envolvente, accompanhamos a história de uma jovem que se vê desafiada a repensar tudo o que sempre acreditou sobre amar e ser amada.
“Não, isso não é amar!” é um convite à reflexão sobre os limites entre o amor idealizado e o amor real.
Uma jornada de descobertas, silêncios quebrados e escolhas que transformam, por dentro e por fora.
Flua, ó minha alma, ouse pensar diferente! Derrame essências na própria compostura reluzente! Siga assertiva em cada resposta! Um espírito autêntico nunca sobra! É indispensável realmente!
Siga exalando intelectualidade! Num mundo farto de mediocridade! Tua Arte não é para as massas, na verdade! É pr’os seletos, qualitativamente! C’a compostura fiz convênio… Imponho-me até c’o meu silêncio! Flua, ó minha alma! Como o voo dos gênios! Tens um espírito antigo como os milênios! Viventemente!
A poesia te escolheu de modo formidável! Flua como o voo d’um gênio insondável! Prefira a liberdade dos pássaros a um ninho ‘confortável’… Flua livremente!
Soberania interior, com certeza! Movo-me com domínio de mim mesma! Senhora de minha inteireza! Irrevogavelmente.
Ó poesia…que eu sempre a componha! A Arte de dominar o verbo com o espírito terno dos que sonham… Que os montes da inconsciência eu transponha! Sempre e persistentemente.
Rótulos ideológicos são irrespiráveis! E a insensibilidade moderna e seu empobrecer são inegáveis! Não busco eco nas multidões manipuláveis… Busco a raridade sempre! Não busco validação nas massas numéricas… Busco as almas despertas em dialética! Que transbordam autossoberania e ética… Cavalcantemente!
‘As contribuições do Imperador Dom Pedro II para o desenvolvimento da ciência no Brasil’
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho‘As contribuições do Imperador Dom Pedro II para o desenvolvimento da ciência no Brasil’,Imagem criada por IA do ChatGPT
Resumo: O presente artigo analisa as principais contribuições do imperador Dom Pedro II (1825–1891) para o desenvolvimento científico e educacional do Brasil. Reconhecido como um dos monarcas mais cultos do século XIX, D. Pedro II destacou-se por seu mecenato científico, sua defesa da instrução pública e seu apoio a instituições de pesquisa. A partir de fontes primárias, como os diários imperiais, e secundárias, como obras de José Murilo de Carvalho, Lilia Moritz Schwarcz e Roderick Barman, o estudo demonstra que o imperador exerceu papel central na institucionalização da ciência no Brasil e na projeção internacional do Império como nação ilustrada.
Palavras-chave: Dom Pedro II. Ciência. Educação. Império do Brasil. História da ciência.
1 Introdução
Dom Pedro II, segundo imperador do Brasil, foi um dos soberanos mais instruídos e intelectualmente engajados de sua época. Fluente em diversos idiomas e interessado em astronomia, física, linguística e biologia, destacou-se como um monarca ilustrado que via na ciência um instrumento de progresso e emancipação nacional.
Segundo Schwarcz (1998, p. 247), “Pedro II foi o mais europeu dos brasileiros e o mais brasileiro dos europeus”, representando a síntese entre o pensamento iluminista e o ideal de nação civilizada. Seu reinado consolidou a educação e o conhecimento como pilares do Estado imperial.
2 O IMPERADOR E A CULTURA CIENTÍFICA
2.1 Formação e interesse pelo saber
Desde jovem, D. Pedro II foi instruído por renomados professores brasileiros e estrangeiros, recebendo uma educação humanista e científica de caráter exemplar. Desde cedo, demonstrava notável curiosidade intelectual e grande apreço pelo conhecimento, dedicando parte significativa de seu tempo ao estudo de línguas, ciências naturais, história e filosofia. Essa formação sólida fez dele um dos monarcas mais cultos de seu tempo, capaz de dialogar com naturalidade sobre os avanços científicos e tecnológicos que transformavam o século XIX.
O imperador mantinha extensa correspondência com sábios do mundo inteiro, entre eles Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Charles Darwin e Louis Agassiz. A relação com esses cientistas ultrapassava a mera cortesia diplomática: Pedro II trocava ideias, comentava experimentos e demonstrava genuíno entusiasmo pelas descobertas que impulsionavam o progresso da humanidade. Agassiz (1868, p. 12), ao relatar sua visita ao Brasil, afirmou que “o Imperador do Brasil é um homem de espírito científico, cuja conversação poderia interessar a qualquer membro da Royal Society”.
Durante sua longa viagem à Europa e ao Oriente Médio (1871–1876), Pedro II visitou laboratórios, universidades e academias, sendo recebido com honras em instituições científicas de renome, como a Academia de Ciências de Paris e o Observatório de Pulkovo, na Rússia. De acordo com Carvalho (2007, p. 183), o imperador “era tratado nos meios acadêmicos europeus não como um chefe de Estado, mas como um colega cientista”. Essa atitude revela não apenas seu fascínio pessoal pelo saber, mas também o desejo de integrar o Brasil ao circuito intelectual internacional, promovendo o desenvolvimento científico e educacional do país.
O incentivo às instituições de ensino, à pesquisa e à difusão cultural, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Museu Nacional, demonstra que D. Pedro II via o conhecimento como instrumento de modernização e civilização. Sua figura, portanto, simboliza a fusão entre o poder político e o ideal iluminista de razão e progresso, deixando um legado duradouro na história da cultura científica brasileira.
3 AS INSTITUIÇÕES CIENTÍFICAS NO BRASIL IMPERIAL
3.1 O Museu Nacional
D. Pedro II foi o principal responsável pela modernização do Museu Nacional do Rio de Janeiro, transformando-o em um verdadeiro centro de pesquisa, ensino e difusão científica no século XIX. Criado originalmente por D. João VI em 1818, o museu passou por uma profunda reestruturação durante o Segundo Reinado, recebendo investimentos que o consolidaram como uma das instituições científicas mais prestigiadas da América Latina. Sob o patrocínio direto do imperador, o acervo foi enriquecido com coleções de história natural, paleontologia, etnografia e arqueologia, muitas delas trazidas de expedições realizadas em diferentes regiões do Brasil e do exterior.
O monarca acompanhava pessoalmente o desenvolvimento do museu, frequentando exposições, conferências e mantendo diálogo constante com seus diretores e pesquisadores. D. Pedro II também promoveu intercâmbios com instituições estrangeiras, o que permitiu a troca de espécimes e conhecimentos científicos. Segundo Schwarcz (1998), o imperador via no Museu Nacional não apenas um espaço de exibição, mas um instrumento de civilização e modernidade, capaz de projetar a imagem de um Brasil culto, ilustrado e integrado às correntes científicas internacionais.
3.2 O Observatório Nacional
Fundado em 1845, o Imperial Observatório do Rio de Janeiro — hoje Observatório Nacional — foi um dos projetos mais caros ao coração de D. Pedro II. O imperador demonstrava profundo interesse pela astronomia e pelas ciências exatas, acompanhando de perto as observações astronômicas e a organização do ensino científico. Ele incentivava os estudos sobre o trânsito de Vênus, os eclipses solares e a medição precisa da hora, temas fundamentais para a navegação e a cartografia da época.
O Observatório tornou-se, assim, um marco na institucionalização da ciência no Brasil, reunindo astrônomos, engenheiros e matemáticos que contribuíram para o avanço da pesquisa nacional. Segundo Carvalho (2007, p. 191), “Pedro II dominava conceitos de astronomia a ponto de discutir o trânsito de Vênus com naturalidade científica”, o que demonstra sua rara familiaridade com as ciências exatas entre os monarcas do século XIX. Além disso, o imperador apoiou a aquisição de instrumentos modernos e estimulou a formação de quadros técnicos brasileiros, consolidando a autonomia científica do país.
3.3 O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Como patrono e colaborador ativo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), fundado em 1838, D. Pedro II desempenhou papel essencial na construção da memória e da identidade nacional. Frequentemente participava das sessões e incentivava os estudiosos a realizarem pesquisas documentais e históricas sobre o território, os povos indígenas e o passado colonial. O imperador via na ciência e na história instrumentos para consolidar a unidade política e simbólica do Brasil, reforçando a legitimidade do Estado e da monarquia.
O IHGB tornou-se, sob seu amparo, um verdadeiro laboratório de construção da nacionalidade, reunindo intelectuais, juristas, religiosos e militares em torno de um projeto comum: compreender o Brasil a partir de bases científicas e eruditas. Segundo Barman (1999), o engajamento de Pedro II com o Instituto “revela o desejo de formar uma nação instruída, consciente de suas origens e preparada para o progresso”. O apoio imperial possibilitou a publicação de documentos inéditos, a organização de arquivos e a consolidação de uma historiografia de caráter nacionalista e civilizador, que influenciaria gerações de intelectuais.
Assim, o conjunto dessas instituições — o Museu Nacional, o Observatório Nacional e o IHGB — ilustra o papel de D. Pedro II como promotor da cultura científica e do pensamento ilustrado no Brasil imperial. Sua visão de ciência, aliada à política e à educação, consolidou as bases de um projeto de modernização que buscava integrar o país ao mundo civilizado, sem perder de vista a construção de uma identidade própria e autônoma.
4 MECENATO CIENTÍFICO INTERNACIONAL
Dom Pedro II manteve contato com figuras centrais da ciência moderna. Em Paris, conheceu Louis Pasteur, a quem doou recursos para o futuro Instituto Pasteur. Em Filadélfia, em 1876, participou da primeira demonstração pública do telefone com Alexander Graham Bell, encantando-se com a invenção (CARVALHO, 2007).
Em correspondência reproduzida pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG, 2012), Charles Darwin teria afirmado ao botânico Joseph Hooker que “o imperador faz tanto pela ciência que todo sábio é obrigado a demonstrar a ele o mais completo respeito”.
Além disso, o imperador visitou o túmulo de Darwin em 1876 e registrou em seu diário:
“Visitei o túmulo de Darwin. Um homem de ciência que muito honrou a humanidade.” (D. Pedro II, Diário de Viagem à Europa, 1876, Arquivo Nacional, códice 86, vol. 14).
5 EDUCAÇÃO COMO POLÍTICA DE ESTADO
A política educacional de D. Pedro II foi um dos pilares de seu projeto de modernização e consolidação do Estado brasileiro. O imperador compreendia que o progresso nacional dependia diretamente da formação intelectual e moral do povo, e por isso considerava a educação uma verdadeira política de Estado. Sua gestão buscou expandir o acesso à instrução pública gratuita e laica, especialmente nas capitais provinciais, além de incentivar a criação de escolas normais voltadas à formação de professores, com o intuito de profissionalizar o magistério e elevar o nível do ensino elementar.
D. Pedro II também incentivou a fundação e reorganização de instituições de ensino superior, como a Escola de Minas de Ouro Preto (1876), a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e a Faculdade de Direito de São Paulo, compreendendo o papel dessas instituições na formação das elites intelectuais e técnicas que sustentariam a administração do Império. Além disso, promoveu a criação de bibliotecas públicas, o patrocínio de academias literárias e o apoio às ciências humanas, fortalecendo o vínculo entre cultura, saber e cidadania.
Convicto de que o conhecimento deveria ser universal, o imperador financiou o envio de jovens brasileiros ao exterior, principalmente à França, Alemanha e Inglaterra, para que se aperfeiçoassem em áreas como engenharia, medicina, direito e ciências naturais. Ao retornarem, esses estudantes contribuíam para a modernização das estruturas do Estado e para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
D. Pedro II era um leitor assíduo e mantinha contato direto com educadores e reformadores europeus, inspirando-se em modelos pedagógicos contemporâneos, especialmente no sistema francês e no ideal positivista de instrução racional e moral. Sua visão de educação ultrapassava o mero ensino técnico: ele via nela um instrumento de emancipação individual e de fortalecimento nacional, como expressou em seu diário:
“Sem instrução não há verdadeira independência.” (D. Pedro II, Diário, 1873, Arquivo Nacional, códice 85, vol. 12).
Sob seu governo, a educação foi compreendida como um dever do Estado e um direito do cidadão, antecipando princípios que seriam consolidados somente na República. Embora os resultados práticos ainda fossem limitados pelo contexto social e econômico da época, o compromisso pedagógico de D. Pedro II representou um marco na história da educação brasileira, deixando como legado a valorização do ensino público e o reconhecimento do saber como instrumento de civilização e liberdade.
6 RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
D. Pedro II foi membro correspondente de diversas academias científicas — entre elas, a Royal Society de Londres e o Instituto de França — e recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, em 1876. Barman (1999, p. 212) observa que “o imperador brasileiro era recebido nas academias da Europa como um dos seus, e não apenas como visitante ilustre”. Sua presença em congressos, universidades e museus europeus despertava admiração, não apenas pela sua posição política, mas pelo profundo conhecimento que demonstrava em física, astronomia e linguística.
Durante suas viagens ao exterior, foi convidado a participar de experimentos científicos, conferências e debates acadêmicos, sendo reconhecido como um verdadeiro erudito entre os sábios do Velho Mundo. A imprensa europeia frequentemente o descrevia como um “monarca filósofo”, destacando seu caráter estudioso e sua defesa da liberdade de pensamento. Esse prestígio internacional projetou a imagem de um Brasil culto e moderno, inserido nas redes intelectuais do século XIX e comprometido com o avanço da ciência e da civilização.
7 CONCLUSÃO
O legado científico de Dom Pedro II ultrapassa o campo simbólico: ele foi um agente efetivo de modernização intelectual e moral do Brasil oitocentista. Sua atuação em prol da ciência, da educação e da cultura expressou uma visão de Estado fundada no conhecimento como instrumento de progresso e emancipação nacional. Ao compreender o saber como valor supremo, o imperador promoveu uma verdadeira “monarquia ilustrada”, na qual a razão, o estudo e a curiosidade científica se tornaram princípios de governo e de civilização.
Seu incentivo à pesquisa, à educação e à cultura científica resultou na consolidação de instituições que sobreviveram à monarquia e continuaram a moldar o pensamento brasileiro, como o Museu Nacional, o Observatório Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e diversas escolas superiores. Essas instituições foram fundamentais para a formação de uma elite intelectual comprometida com o desenvolvimento do país e com a construção de uma identidade cultural autônoma.
Além de patrono das ciências, D. Pedro II foi um exemplo pessoal de erudição e de humildade intelectual. Poliglota, leitor voraz e estudioso de astronomia, literatura e filosofia, manteve diálogo com alguns dos maiores pensadores e cientistas de sua época. Sua figura representou a síntese entre o poder político e o ideal humanista do saber, servindo de ponte entre o Brasil e o mundo moderno.
REFERÊNCIAS
AGASSIZ, Louis; AGASSIZ, Elizabeth. A Journey in Brazil. Boston: Ticknor and Fields, 1868.
BARMAN, Roderick J. Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825–1891. Stanford: Stanford University Press, 1999.
BRASIL. Arquivo Nacional. Diários de D. Pedro II (Códices 85–88). Rio de Janeiro.
CARVALHO, José Murilo de. Dom Pedro II: O último imperador do Novo Mundo (1825–1891). Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2007.
FUNDAÇÃO ALEXANDRE DE GUSMÃO (FUNAG). O Imperador visto pelo Barão do Rio Branco. Brasília: FUNAG, 2012.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
SENADO FEDERAL. Orçamento do Império e Dotação de Sua Majestade o Imperador. Brasília: Senado Federal, 2016.