A jornada da vida

José Antonio Torres: ‘A jornada da vida’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA da Meta – 09 de setembro de 2025, às 07:49 PM

É interessante quando refletimos e traçamos um paralelo de como a vida se assemelha a um oceano, e cada um de nós, a um barco.

A vida é cheia de diversidades, adversidades e possibilidades. Algumas vezes ela está agitada e, como um barco em um oceano revolto, somos jogados de um lado para o outro. Subimos e descemos nas ondas dos acontecimentos.

Temos a possibilidade da fartura, mas, nem sempre, o ‘oceano’ está favorável ou nos encontramos no melhor lugar. Às vezes nos falta o controle do leme. Ele não responde ao nosso desejo, à nossa vontade.
As noites sem lua e o céu encoberto nos desorientam. Não temos as estrelas para nos guiar. Ansiamos pelo dia.

Algumas vezes as noites nos parecem longas demais e nos sentimos desesperançados. Mas as noites não são eternas. Em dado momento, percebemos o raiar do dia e com ele a esperança retorna, o sol torna a brilhar, o mar se acalma e retomamos o nosso rumo.

Temos uma longa viagem atravessando esse oceano que é a vida. Enfrentamos dias e noites de tormentas, mas, também, períodos de calmaria. Durante esses momentos de calmaria, nos refazemos e devemos procurar nos fortalecer para as possíveis futuras intempéries. Acondicionar provisões para os momentos mais complexos da viagem. Confiar nos parceiros que seguem conosco e com eles partilhar conhecimentos e experiências.

Alguns irão desembarcar em portos ao longo da nossa viagem. Cada um deles cumpriu a sua própria jornada, assim como cumpriremos a nossa. Vamos ganhando confiança e cada vez mais determinação, em busca do nosso porto final. Sim, chegaremos a ele. O nosso porto derradeiro…

O nosso corpo, assim como o barco no oceano, vai se distanciando do porto de origem e, cada vez mais, se aproximando do nosso destino final. Assim como o barco navegando no oceano, conforme vamos navegando na vida, seguimos, lentamente, desaparecendo da vista dos que ficaram.

Ao chegarmos ao nosso destino, nele descansaremos, reavaliaremos a nossa última jornada, revigoraremos as nossas forças e a nossa determinação, e traçaremos novos rumos para outras viagens.
Continuaremos navegando por outros mares, que nada mais são, do que outras vidas.

José Antonio Torres

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Presente palpita

Nilton da Rocha: Poema ‘Presente palpita’

Nilton da Rocha
Nilton da Rocha
Imagem criada por IA da Meta – 10 de setembro de 2025, às 08:21 PM

No passado, memórias tecidas,
Histórias vivas, sombras perdidas.
Presente palpita, pulsante instante,
O agora dança, eterno amante.

Passado sussurra, ecoa em silêncio,
Caminhos trilhados, tempo dispensado.
No presente, a dança é vibrante,
Cada momento, um quadro pulsante.

Passado e presente entrelaçados,
Fios do destino, destinos traçados.
Na tapeçaria da vida a tecer, o ontem
O agora se reconhecem, vêm renascer.

Nilton da Rocha

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Hino à Nona Sinfonia de Beethoven

Alfredo Foerster

Em 200 anos, o primeiro hino à Nona Sinfonia de Beethoven
é criado

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Um ensaio crítico-literário sobre a obra poética de Suziene Cavalcante

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.en
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.en

A Nona Sinfonia de Beethoven é considerada por críticos, músicos e filósofos como uma das maiores realizações artísticas da humanidade. Desde sua estreia em 1824, não apenas encantou plateias, mas também se consolidou como símbolo de fraternidade universal e da transcendência humana pela arte.

Contudo, nesses dois séculos de existência, a obra, embora celebrada em incontáveis interpretações musicais, análises estéticas e homenagens, nunca havia recebido o estatuto de ‘hino em poesia’. É nesse espaço inédito que a poeta brasileira Suziene Cavalcante inscreve seu nome na história literária e cultural, ao compor o Hino à Nona Sinfonia de Beethoven.

Suziene Cavalcante, primeira poeta a inaugurar gêneros inéditos ( Biografias poéticas, Hinos literários, História de Cidades, Estados e Países em Poesia, Política Poética, Odes Patrimoniais), ousando em um cenário que, de fato, carecia de renovação, espírito que rompe fronteiras e cria ‘o primeiro de sua espécie’. Uma estrela que nasceu longe dos holofotes dos grandes centros urbanos e culturais, mas que, com brilho próprio, alcançou projeção internacional, de modo a ressignificar a história, valores, arte e espiritualidade.

É possível dizer que a poesia de Suziene Cavalcante, fenômeno cultural de impacto histórico, recria em versos aquilo que a música fez em som: um hino eterno à alegria, à humanidade e a Deus, projetando Mato Grosso e o Brasil no mapa cultural mundial.

A autora, portanto, pode ser considerada a primeira poeta do mundo a criar um Hino literário que exalta a Nona Sinfonia em sua totalidade. Outros poetas compuseram poesias à Nona, mas no formato de soneto ou poema, alusões poéticas breves, versos soltos e ensaios filosóficos, mas a menção literária à Nona Sinfonia na complexidade de Hino, essa revolução literária pertence à Suziene Cavalcante

A ousadia do gênero

Ao nomear sua obra como hino, Suziene rompe com a tradição crítica e abre um novo gênero poético, unindo a solenidade de um canto coletivo à subjetividade da lírica. Se o hino é, por definição, canto de exaltação e celebração, sua poesia se coloca como a tradução verbal de uma partitura imortal, assumindo o tom de epopeia e oração ao mesmo tempo. Assim, não se trata de um poema qualquer sobre Beethoven ou sua sinfonia, mas de uma homenagem estruturada como canto universal, capaz de dialogar com a grandiosidade do objeto que celebra.

O entrelaçamento do humano e do divino

A poesia de Suziene apresenta Beethoven não apenas como músico, mas como profeta sonoro, um “surdo que pôde ouvir os céus”. Essa imagem poderosa ressignifica a surdez do compositor como clarividência espiritual. A música, nesse contexto, não nasce da carne, mas das “altas esferas da Onipotência”, fazendo do artista uma ponte entre o humano e o divino.

O poema é, portanto, também uma reflexão sobre a vocação espiritual da arte. Ao dizer que a Nona é “patrimônio do Cosmos” e “catedral sonora no éter”, a autora insere a obra musical numa dimensão universal, além das fronteiras históricas ou culturais, e a coloca como fundamento da fraternidade e epifania da Alegria.

O simbolismo místico e bíblico

Um dos aspectos mais originais do hino é a presença de arquétipos bíblicos e símbolos espirituais. A Nona é comparada à “escada de Jacó”, por onde anjos e homens se encontram; os “quatro movimentos” são paralelos aos “quatro animais do Apocalipse”, às estações e aos cardeais; e os anjos, querubins e serafins são evocados como coro e testemunha dessa partitura eterna. Assim, a poesia de Suziene aproxima Beethoven da tradição mística ocidental, fazendo de sua sinfonia um rito sagrado, um “juramento de que o Belo é também o rosto do Divino”.

A arquitetura poética em paralelo à musical

A estrutura do poema acompanha a monumentalidade da própria sinfonia. Assim como a obra musical se constrói em movimentos contrastantes, a poesia alterna momentos de explosão épica com trechos contemplativos, numa cadência que ecoa a orquestra. Imagens como “cavalaria de sons”, “rios cristalinos”, “catedrais sonoras” e “colunas de fogo” recriam, em metáforas visuais e cósmicas, a orquestra em ação.

Cada estrofe é quase uma tradução poética de um compasso, de um solo ou de um movimento inteiro, como se o texto fosse uma segunda partitura, agora verbal, da sinfonia.

A relevância histórica

Ao compor o Hino à Nona Sinfonia de Beethoven, Suziene Cavalcante inaugura um marco literário: em dois séculos de existência, a mais célebre sinfonia da história ganha pela primeira vez um hino em poesia, que a eterniza não apenas em som, mas também em palavra. A obra afirma a importância da poesia contemporânea como espaço de inovação e diálogo com a tradição universal, recolocando a literatura brasileira em sintonia com o patrimônio cultural da humanidade.

Conclusão:
O poema de Suziene Cavalcante é, ao mesmo tempo, celebração estética, meditação espiritual e gesto histórico. Eleva a poesia ao patamar de parceira da música na tarefa de cantar o indizível e inscreve a voz da autora como pioneira em um terreno jamais explorado: o do hino literário à Nona Sinfonia. Ao fazê-lo, reafirma que a arte, em suas múltiplas linguagens, é sempre expressão do eterno anseio humano de tocar o infinito.

Alfredo Foerster 
 Desembargador do TR-RJ

Alfredo Foerster
Desembargador do TR-RJ

HINO À NONA SINFONIA DE BEETHOVEN
(*) Suziene Cavalcante

Ó Nona Sinfonia, és o firmamento cantado!
Verbo e poesia que os Serafins pronunciam em torno do Incriado…
Cada nota, um instante da Divindade!
Cada compasso, um relâmpago de eternidade!
Cada acórde, o júbilo dos anjos no ápice da Arte!
Que legado!

És o coração da Terra a pulsar no peito do Céu…
Ó Beethoven, o Universo te ouve! És o surdo que pôde ouvir os céus!
Não nasceste da Terra, mas do coro celeste…
Como asas de fogo batendo no Éden…
Da língua angélica, és a tradução terrestre…
Em versão fiel.
Em ti, a poeira se torna chama!
O pó se ergue em estrela soberana!
O homem se descobre irmão dos anjos que emanam…
Puro laurel!

Ó Sinfonia dos Querubins intrépidos!

Foste escrita para atravessar os Séculos!
És a língua das estrelas em sons épicos, perplexos e quão finos!
Pacto de resplendor formoso…
Juramento de que o Belo é também o rosto do Divino!
Não és apenas obra deste solo…
És a Nona, patrimônio do Cosmos…
Nas linhas invisíveis do Eden primórdio…
Ó belo Hino!
És alicerce d’uma Jerusalém invisível…
Que pulsa n’alma humana imortível…
São Deus e a Criação-redimível…
Em nível cristalino!

Ó santa Sinfonia dos milênios!
O Altíssimo te soprou no peito do gênio!
Os povos reconhecem-se irmãos gêmeos…
No coro flamejante e esplêndido…Da fraternidade!
És a escada de Jacó feita de música…
Onde os homens sobem em luzes plúricas…
E os anjos descem em chamas múltiplas…
Sob a luz indivisa e única… Da eternidade!

Ó Partitura Sagrada da humanidade!
Ó viva e respirante tempestade!
Que gloriosa monumentalidade!
Cada instrumento é um personagem…
Em cachos de fogo!
Ó Ódica, explosão de magnificidade!
Em ti, não há língua, fronteiras, cor ou vaidades!
Ecoa do trono do Divino o brado à fraternidade…
Que une os povos!
Beethoven ouviu os celestiais jardins…
Nas alturas, o fervor do coro dos Serafins…
E traduziu, em música, o hálito dos Querubins…
Em notas e solos!

Beethoven, não ouve o rumor que houve nas ruas…

Ouve a Alegria do vindouro tempo, em que a Terra não será fragmento, mas cheia de alento, como a Lua!
O orbe inteiro em uníssono tema… Coroado pela harmonia suprema… E a coroa da concórdia dos povos bem plena…
E Deus passeará nas tardes lentas de nossas ruas!
Ó Beethoven, Maestro insuperável!
De qual escala dos anjos desceste iluminado?
Porventura, tu eras um Serafim encarnado?
Que dimensão era a tua?

Surdo, mas o que a todos era falta…

Para o gênio foi grande revelação!
Dos confins da eternidade da alma…
A chama dos cânticos eternos, então, ouve-se na Sinfonia da Criação!
O espírito abre-se às vozes do Eterno…
Colunas de fogo, coros em cúpulas de ouro do Sempiterno…
Em celebração!
E no altar da tua melodia…
O vinho sagrado da imortal Alegria…
O trono de esplendor da Nona Sinfonia…
No coração de cada Nação!

Ó Nona, catedral sonora no éter!

Colunas de cordas trouxeste, que sustentam o firmamento celeste..
Trompas d’ouro que abrem portais-leques…
Para o cortejo triunfal que elege … a humanidade!
O mistério musical do sopro de seu murmúrio inicial… Ergue-se a torrente da luz divinal que coroa o espírito c’o fogo imortal da Serafinidade!

Ó Beethoven, no teu último movimento se ouve o coro explodir, qual foice da alvorada a rasgar a noite: ” Que todos os homens se louvem… em irmandade !”.

Ó Nona Sinfonia, és a sublime epifania, o sopro da Alegria da imortalidade!
Cordas e metais em coro harmonioso…Revelam o Todo-Poderoso e o seu semblante formoso… impresso no rosto da humanidade!

Quatro movimentos na Nona de Beethoven…

Violoncelos em mil esplendores…
Ritmo galopante nos brilhantes tambores!
Uma cavalaria de Alegria e clamores em angélicos louvores, ó Nona-troféu!
Um lago de lira, cristalino se liga à alma que nele se purifica em broquel!
Ó Nona, arquiteturas do espírito e da vida…
Em ti, os povos repousam e vibram…
Em ti, a humanidade respira o céu!
Coro e orquestra em explosões surreais…
Vozes humanas nas chamas dos metais…
A fusão do Divino com os mortais…
O humano e o Infinito em níveis iguais…
Qual carrossel!

Acorde após acorde, beleza que cresce!

Em Dó Menor o drama celeste!
Cordas em súplicas, sopros leves!
Construindo o grande arco, em verves…
Arco da esperança!
Surge o riso da vida em Ré Menor…
Sinfonia que desafia a gravidade e o pó…
Ó Nona santa!
Trios suaves em Dó… contrastam em Lá Bemol Maior …
Como nuvens que passam sobre o Sol, ali só!
Em linda dança!

Escada de luz rumo à eternidade!

Harmonias suspensas em Fá Maior, que arte!
O espírito refletindo sobre a sua imortalidade!
És o ápice da humanidade e do Divino!
E então a explosão do espírito humano!
Ré Maior resplandece fenomenizando!
Vozes humanas a fraternidade proclamando…
O Infinito num Hino!

Nona Sinfonia, a música das constelações…

Quatro Movimentos, quatro seres, quatro cardeais, quatro estações!
Quatro animais no anjo das Revelações, no rosto do Querubim!
Quatro Seres Viventes na Nona titânica surpreendente… Em coro de universos do Onipotente, o Alfa e o Fim!

Quando os anjos ainda eram alunos…

Beethoven nos conta em tom profundo…
Ancestrais suspirano no limiar do mundo… E violinos cantando!
Os metais da Orquestra chamam o Céu!
Trovejam e rugem na harmonia de Gabriel…
Como passos de gigantes que habitaram este léu…
E violoncelos do céu, solando!
Fagotes e clarinetes saltam ali…
O trio em compasso é um riacho que sorri…
Nos transporta para o campo vasto do existir…
E do riso humano!
No movimento três do Hino… A calma se deita com’um lago cristalino… Madeiras sussurram segredos do Divino… E de seu Oceano!

O som se faz carne, luz e eternidade…

O sol explode em luz dourada se se parte… Sobre todos os cantos desse Planeta-Nave… Coro e Orquestra em viagem, com’uma legião de alta arte imortal!
Onde cada instrumento é um herói…
Chama que brilha c’o mil sóis…
Violinos como jovens guerreiros que constroem… Em trovão ancestral!
Uma cavalaria de sons em festa!
No horizonte do espírito auroram-se coro e orquestra…
Sopros, trompas, contrabaixos celebram… O Ser-Real!

Cada compasso, um capítulo da epopeia humana…

O Cosmos prestigia a Sinfonia que emana trovões que clamam e nos chamam à vida eterna!
Cavalos indomáveis, aves em liberdade, na festa universal da humanidade…
A esperança começa a brilhar, em verdade… No coração da Terra!

Beethoven, peregrino do Absoluto…

Colosso de luz no silêncio resoluto…
A chama olímpica que sinfoniza o mundo! O eco do viver profundo, em silêncio!
A Alegria é coroada Rainha das Nações…
Em prenúncio do fim das lágrimas e dos grilhões…
Anjos dançam com os homens em celebrações…
D’além dos milênios!

Ah, o regresso da alma ao trono do Criador!
O silêncio se converte em eternidade de louvor…
A transmutação, em júbilo, da dor…
Beethoven, ao mundo, legou o tom supremo…
Nos teus acordes cintila a vitória do espírito…
Um só coração, uma só Pátria, na partitura do Infinito!
Mortais são imortais no lírico Advento!

Ó gênio, aurora sublime da cosmociência…
Transfigurou sua surdez em clarividência…
Fechados os ouvidos da Terra…
Abriu-se-lhe o ouvido às altas Esferas… da Onipotência!
Ponte sonora entre a carne e o eterno…
Nasceu a Orquestra de imortal decreto…
Coro universal e secreto, onde povos se irmanam bem perto…
Perto das diviniscências!

Suziene Cavalcante

Suziene Cavalcante
Suziene Cavalcante

Suziene Cavalcante, natural de Rondonópolis (MT), é bacharel em Direito, Letras e Teologia, policial estadual em Mato Grosso, poetisa, escritora de contos revolucionários, compositora e cantora cívica, com livros publicados em diversos segmentos: jurídico, poético-literário, ficção-romance, biográfico, contos, prosa etc.

Autora do livro ‘A História de Cuiabá em Poesia – 300 anos’.

É Embaixadora Cultural da AIAP – Academia Intercontinental de Artistas e Poetas e coordenadora do Projeto Arte Jurídica/2° Juizado TJ-MT.

Autora de hinos de várias entidades, dentre as quais, ONU; Universidade de Sorbonne, OAB Nacional, Magistratura Federal; UFR- Universidade Federal de Rondonópolis e ABL- Academia Brasileira de Letras.

É biógrafa museal de personalidades pátrias célebres, dentre as quais Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer e Dom Aquino Correia, biografias escritas no formato poético-literário-histórico.

Na senda biográfica-poética, escreveu sobre Fernando Pessoa; Juscelino Kubitschek; Cecília Meireles e a História de Rondonópolis.

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Lágrimas de amor

Irene da Rocha: Poema ‘Lágrimas de amor’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Bing – 09 de setembro de 2025,
às 13:11 PM

Molha-me a alma em doce ardor profundo,
Beijos guardados, abraços sem ter fim,
Transborda em pranto o amor que em mim é o mundo,
Corrente intensa que não cabe em mim.

Choro na chuva, em lágrimas me afloro,
Sem ter razão que possa aqui falar,
É só meu peito que se abre e imploro,
Deixando a alma inteira a se entregar.

Nos sonhos busco em ti meu terno abrigo,
E em cada instante a vida se traduz,
Na boca o beijo mora aqui comigo.

São rios de dor que a face me conduz,
Amor imenso que caminha contigo,
Chovendo em mim qual lágrima de luz.

Irene da Rocha

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Penso, logo vivo – XXVI

Pietro Costa: Pensamento XXVI

Pietro Costa
Pietro Costa
Imagem criada por IA da Meta – 09 de setembro de 2025, às 09:07 PM

O mau uso da tecnologia opõe conexão à conectividade.

Pietro Costa

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Leandro Portella

Dos vendavais da vida à aragem das artes!

Logo da seção Ode à Competência
Logo da seção Ode à Competência

ODE À COMPETÊNCIA é uma seção do Jornal ROL que visa apresentar aos leitores pessoas que, enfrentando toda sorte de adversidades da vida, encontraram em si força, coragem e fé para superar as pedras “no meio do caminho”, e, com elas, exemplificar ao mundo a capacidade de um ser humano de se erguer dos escombros interiores, em direção ao Sol da Vida.

Ode à Competência, portanto, é uma seção que resume uma bandeira a se manter sempre hasteada: RESILIÊNCIA, que, no campo da Psicologia, significa, resumidamente, resistência ao choque, à adversidade.

"Eu sou Leandro Portella — artista plástico, tetraplégico, sonhador, resistente. Minha arte não é apenas o que eu faço. É quem eu sou."  Arquivo Pessoal
“Eu sou Leandro Portella — artista plástico, tetraplégico, sonhador, resistente. Minha arte não é apenas o que eu faço. É quem eu sou.” – Arquivo Pessoal

A primeira provação

Resiliência, esta bandeira quem a tem hasteada é LEANDRO PORTELLA, paulistano radicado em Araçoiaba da Serra (SP), que, já ao nascer, encontrou a primeira e grande barreira a ser transposta: uma malformação congênita, fenda no palato, levou-o, com apenas um ano e meio de idade, a passar pela primeira cirurgia e, a partir de então, demandou anos de acompanhamento com fonoaudióloga, exercícios repetidos e tentativas de aprimorar a fala.

Não obstante todo o empenho do tratamento fonoaudiológico, a voz permaneceu anasalada, fator esse que, durante a infância, acarretou-he piadas mordazes e bullying quase diariamente. Consequentemente, Leandro, pouco a pouco, tornou-se uma criança tímida, de poucas palavras.

Uma luz no meio do caminho

Todavia, o vento da vida sempre sopra, mitigando as dores físicas e interiores, e Leandro passou a enxergar e valorizar as pessoas que realmente o apoiavam, tendo poucos amigos, mas que iluminaram seu caminho. E, com o tempo, encontrou nos esportes um porto seguro.

A prática física dava-lhe liberdade, confiança e um espaço onde não importava o som de sua voz, mas sim o desempenho do corpo. E foi na natação que encontrou a maior paixão. A água tornou-se seu elemento natural, proprcionando-lhe a sensação de integridade, liberdade, capacidade de ser quem ele queria ser. A imersão na água trazia-lhe a desejada paz, como um antivírus do preconceito do qual era alvo.

Nova provação

Entretanto, o frescor do vento, de tempos em tempos, cede lugar à realidade, pois a vida é um constante desafio, e um instante pode romper a tranquilidade dos dias amenos. Aos 17 anos, na Praia da Sununga, Ubatuba (SP), um mergulho mal calculado, vindo a quebrar-lhe o pescoço, traçou-lhe outra rota, tornando-o tetraplégico.

Durante seis meses ficou internado no Hospital das Clínicas, sob dores físicas atrozes e expectativa, tentando visualizar seu futuro. A liberdade de movimentos transformou-se num calabouço. E mais um estação do calvário interior descortinava-se a sua frente. Mais uma vez, a vida obrigava-o a ressignificar a relação com o mundo e consigo mesmo. Uma nova realidade se impôs diante dele, exigindo reinvenção.

Leandro Portella - Arquivo Pessoal
Leandro Portella – Arquivo Pessoal

Leandro Portella - Arquivo Pessoal
Leandro Portella – Arquivo Pessoal

A redenção pela arte

Para o espírito estoico, sempre há um mapa a assinalar o caminho. E foi pela arte que Leandro o encontrou. A arte tornou-se sua Pedra Filosofal, que permitiria transmutar a dor interior no ouro das oportunidades, e no elixir de uma vida plena de realizações.

No Hospital das Clínicas conheceu a artista Eliana Zagui. Ela havia contraído poliomielite na infância e perdeu os movimentos do corpo. No hospital, pintava quadros com a boca. Ambos se tornaram amigos e Leandro, apesar de nunca ter demonstrado aptidão com a pintura, pelo incentivo de Eliana começou a pintar como forma de terapia.

Com o tempo, percebeu que poderia até mesmo vender os quadros, gerando renda. Passou a ter aular com a professora Elza Tortello, desenvolvendo a técnica e estilo. Ingressou na Associação de Pintores com a Boca e os Pés (APBP), uma entidade internacional que apoia artistas com deficiência. A partir de então, sua arte começou a ganhar visibilidade, e participou de diversas exposições no Brasil e no exterior.

A política e o ativismo

A estrada de Leandro o levou à política e ao ativismo. Na política, teve por referência a senadora Mara Gabrilli, portadora de uma lesão semelhante à dele. Ao conhecê-la, foi estimulado a entrar na política para ajudar as pessoas com deficiência.

Candidatou-se a vereador de Araçoiaba da Serra e em 2012 foi eleito. Cônscio da importância do cargo, decidiu que era hora de entrar na faculdade e começou a cursar Gestão Pública, para continuar na vida política.

Como ativista, presidiu o Banco de Cadeiras de Rodas do Rotary local e atuou no Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Documentário internacional

Em 2020, sua história chegou às telas de cinema no documentário internacional Human Life, pelo qual, emocionou-se ao se ver ao lado de outras pessoas extraordinárias, cujas trajetórias de superação inspiram o mundo.

'Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada', lançado no dia 16 de março de 2025 em Araçoiaba da Serra (SP) — Foto: Arquivo pessoal
Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada’, lançado no dia 16 de março de 2025 em Araçoiaba da Serra (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Literatura e novo documentário

2025 tem trazido a Leandro novas e importantes conquistas: em março, lançou o livro Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada e participou do documentário Ressignificar, produzido pela PNAB. O livro traz reflexões sobre a vida de Leandro após o acidente. No documentário, mostra como a arte pode ressignificar a dor e revelar novos sentidos para a existência.

A tecnologia como aliada

O Universo conspira a favor de todo guerreiro da vida. Para Leandro, a tecnologia deu-lhe um computador com um comando de voz, por meio do sistema Motrix, o que llhe permite continuar criando, escrevendo e interagindo com o mundo de uma forma mais autônoma, inclusive proferindo palestras. A tecnologia, assim como a arte, segundo ele, tem sido uma ferramenta fundamental para sua liberdade.

Palavras de um vencedor

Hoje, sigo pintando, palestrando, criando e vivendo. Meu corpo é outro, mas minha essência continua intensa, curiosa e apaixonada pela beleza de existir. Eu sou Leandro Portella — artista plástico, tetraplégico, sonhador, resistente. Minha arte não é apenas o que eu faço. É quem eu sou.

Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada:
https://loja.uiclap.com/titulo/ua82774/?srsltid=AfmBOoqx8chupGZWWtidwkbUNA7kCzQGhdWO_IMYDNu6zobPllAHuyjm

Capa do livro 'Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada'
Capa do livroDepois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada’

Documentário Internacional Human Life

Documentário ‘Ressignificar (2025)

Contatos com o Leandro Portella:

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Tocando em frente

Mais que um espetáculo, será uma vivência de arte, um encontro de almas que se reconhecem na força da cena e na poesia da vida

Atores e atrizes do espetáculo 'Tocando em Frente
Atores e atrizes do espetácuo ‘Tocando em frente’
Cena do espetáculo 'Todando em Cena'
Cena do espetáculo ‘Todando em Cena’

No próximo dia 27 de setembro, às 16 horas, o Teatro Pedro José Salomão abrirá suas portas para receber uma obra que já nasce carregada de emoção, intensidade e beleza: ‘Tocando em Frente‘, com direção de Júnior Mosko.

Mais que um espetáculo, será uma vivência de arte, um encontro de almas que se reconhecem na força da cena e na poesia da vida. Cada gesto, cada palavra e cada olhar traduzem histórias, sentimentos e esperanças que tocam diretamente o coração do público.

O elenco reúne talentos que se entregam de corpo e alma:
Adriano Pereira, Ana Beatriz, Arthur Graná, Alisson Moreira, André Santos, Daniel Victor, Denise Ferreira, Ditinha Morena, Elisana Costa, Fabio Alexandre, Galeno Cândido, João Carlos, Maria Madalena, Marcos Di Paula, Marielly Ideriha, Matheus Felipe Max, Mikaele Adriane, Nickollas Gonçalves, Richard Fellipe, Ryan Gregorie, Samires Nogueira, Samuel Fontoura, Sarah Emilly e Vitor Benedito.**

Cada um deles carrega no palco não apenas personagens, mas pedaços de si mesmos, compondo um mosaico humano emocionante e inesquecível.

O que já se comenta é que neste dia o extraordinário vai acontecer. Será um daqueles momentos raros em que o teatro rompe as barreiras da encenação e se transforma em experiência de vida.

🎭 Tocando em Frente – porque a arte é capaz de curar, transformar e mostrar novos caminhos.

📌 Ingressos já disponíveis!

👉 Pelo telefone (15) 3211-1486

👉 Ou pelo site Sympla

Cena do espetáculo 'Todando em Cena'
Cena do espetáculo ‘Todando em Cena’

Cena do espetáculo 'Todando em Cena'
Cena do espetáculo ‘Todando em Cena’

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