Nas malhadas da vida

Ismaél Wandalika: Poema ‘Nas malhadas da vida’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Imagem criada por IA da Meta - 02 de setembro de 2025, às 14:34 PM
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às 14:34 PM

Lutar minhas lutas
Vencer minhas partidas
Trilhar meu destino antes de cortar a meta
Avançar sem medo do tempo
Olhar para dentro equilibrar o ar no peito

Lutar minhas batalhas
Nas malhadas da vida
Ir para longe sem medida
Correr e aliviar o peso da vida
Curar o medo de cada ferida

Vencer meus mistérios
Ser forte no outono e no inverno
E no verão ver o que há mais belo
A cada versão olhar pra dentro
Ser intenso como as tribos em África, Ubuntu ✊

Não largar o arado
Realizar planos traçados
Seguir como ovelha
Lutar como Yena até ao último combate
Enfrentar a vida como elefante
Ser Rei como Simba
Gerar vidas como os meus sonhos, batalha🫡

Soldado Wandalika

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Coração de poeta

Evani Rocha: Poema ‘Coração de poeta’

Evani Rocha
Evani Rocha
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O poeta é dolorido,

Emotivo, pensativo…

Às vezes quieto, ou irrequieto,

Às vezes contente e extrovertido!

O poeta é resiliente, sociável

Ou solitário…

Pode ser sorridente ou taciturno,

Ou simplesmente boêmio!

O coração de um poeta, as vezes sangra,

Seus olhos vertem cachoeiras…

E da pele encrespada, as digitais de um toque!

O que toca o poeta, as coisas fugidias da vida,

Aquelas que ficam, ou as que nunca mais…

O poeta não é feliz, nem triste,

Apenas sensível ou insensato…

Faz dos fatos simples, tempestades

E das tempestades, poesia!

Evani Rocha

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Orientação governamental na educação

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Orientação governamental na educação’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA Gencraft - 02 de setembro de 2025, às 12:14 PM
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às 12:14 PM

Ao governo é atribuída intervenção decisiva no processo de instrução, de tal forma que: se por um lado, deve proporcionar a cada cidadão as facilidades indispensáveis para aquisição dos conhecimentos, compatíveis com uma profissão útil ao próprio e à sociedade, por outro lado, deve fiscalizar para que o esforço da nação não seja esbanjado por aqueles a favor de quem se fazem; de que modo? Contrariando a negligência dos benefícios e acompanhando a conduta dos pais e tutores que, obrigados pelas leis sociais e da natureza, devem cuidar da educação dos filhos, no sentido de não proporcionar a estes uma carreira falsa ou viciosa.

 Para resolver a aparente incompatibilidade entre o facto de a lei retirar a educação dos filhos à autoridade de seus pais, e o respeito pelas ideias recebidas, sem ofender os sentimentos paternais, Pinheiro Ferreira defende que o plano de educação nacional deve assentar nos mesmos sentimentos que «animam os pais para com seus filhos, enquanto fundados na natureza do coração humano.» (FERREIRA, 1834b:454).

Nas reflexões que antecedem o “Projecto de Associação para o Melhoramento da Sorte das Classes Industriosas” (1840), Pinheiro Ferreira dá a ideia de uma sociedade promotora da educação industrial, observando uma formação integral, com possibilidades de polivalência, isto é, uma formação profissional específica, acompanhada de uma educação para os valores da Cidadania e dos Direitos Humanos e, finalmente, conhecimentos diversos para enfrentar eventuais crises de emprego, e correspondentes situações de desemprego. A polivalência é uma estratégia, já então, pensado por este autor.

Defende, portanto, que: «O Governo tem já providenciado e sem dúvida se propõe continuar a prover com o mesmo ardor a instrução pública. (…). Os estabelecimentos criados pelas leis têm unicamente por objecto fornecer à mocidade os meios de adquirir os conhecimentos precisos para as diferentes carreiras científicas ou industriais; mas na instrução não se encerra tudo o que se entende e deve entender por educação verdadeiramente nacional. (…) é necessário que os alunos (…) adquiram os princípios de moral e os hábitos de ocupação e indústria, sem os quais a instrução, longe de aproveitar ao indivíduo, só serve de convertê-lo num incorrigível inimigo da moral e da sociedade. (…) E enfim, como entre várias artes existe mais ou menos afinidade, será fácil aos Directores organizarem o Ensino de maneira que, se bem que o aluno faça de uma delas a sua habitual profissão, possa, contudo, na falta de trabalho, lançar utilmente mão de qualquer daquelas que lhe são análogas.» (FERREIRA, 1836:37-38).

A construção do edifício Silvestrino no domínio político, social e económico, exigia um sistema educativo do tipo politécnico e profissional; complementado por uma estrutura assistencial adequada, designadamente com a ocupação dos tempos livres, com atividades culturais (teatro), físicas, jogos sedentários (xadrez, damas, cartas, mas não jogos de azar), incluindo-se nesta assistência um objetivo bem específico: o de evitar as situações de marginalidade (vadiagem, prostituição e criminalidade).

A preocupação de Pinheiro Ferreira pela educação, ao seu tempo, foi notável, na medida em que a quantidade de projetos, normas e regulamentos que elaborou, constitui prova da sua inquietação pela educação, não só dos alunos enquanto tais, mas principalmente da mocidade, ao ponto de entender que não bastava uma formação exclusivamente técnica, ou tecnicista, porque sendo o homem um todo complexo, dotado de várias dimensões (política, social, cultural, ética, religiosa, económica), a sua formação devia ser abrangente, integral, para que pudesse enfrentar, com menos dificuldades, as vicissitudes da vida. 

BIBLIOGRAFIA

FERREIRA, Silvestre Pinheiro (1834b). Manual do Cidadão em um Governo Representativo. Vol. I, Tomo II, Introdução de António Paim (1998b) Brasília: Senado Federal.

FERREIRA, Silvestre Pinheiro (1836). Declaração dos Direitos e Deveres do Homem e do Cidadão. Paris: Rey et Gravier, 

 FERREIRA, Silvestre Pinheiro (1840) “Projecto de Associação para o Melhoramento da Sorte das Classes Industriosas”, in: José Esteves Pereira, (1996) (Introdução e Direcção de Edição) Silvestre Pinheiro Ferreira, Textos Escolhidos de Economia Política e Social (1813-1851). Lisboa: Banco de Portugal.

PAIM, Antônio, (1970). Prelecções filosóficas, “Silvestre Pinheiro Ferreira”, Introdução. São Paulo: Editorial Grijalbo: 27ª. Prelecção.

PAIM, Antônio, (1980). Relações entre as Filosofias Portuguesa e Brasileira no Século XIX, in: Revista Presença Filosófica, Vol. VI, (2/3) Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos, abr./set. Págs.102-110.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Poetizo, logo vivo – XXV

Pietro Costa

Poetizo, logo vivo – Pensamento XXV

Pietro Costa
Pietro Costa
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às 11:52 PM

A pós-verdade é uma heresia ética.

Pietro Costa

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Pedidos de fé e esperança

Denise Canova: ‘Pedidos de fé e esperança’

Denise Canova
Denise Canova
Imagem criada por IA da Meta - 1º de setembro de 2025, às 17:39 PM
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às 17:39 PM

Pedidos de fé

e esperança

Um coração de mulher,

nunca erra

Ele escuta

e ele faz acontecer

Ele ama incondicionalmente

Não duvide disso.

Dama da Poesia

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Punição

Clayton Alexandre Zocarato: Conto ‘Punição’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
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 às 11:14 PM
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às 11:14 PM

Aquele  garoto era danado. Gostava de se exibir para as meninas como se marcasse território — um jovem rei de um império de tempestades juvenis, onde ninguém ousava ofuscar seu trono improvisado.

Apesar dos seus apenas 14 anos e ainda estar no Ensino Fundamental, já acumulava passagens por diferentes reformatórios. Tinha uma paixão pela criminalidade que faria inveja a muitos delinquentes veteranos.

Seu prazer diário eram os entorpecentes.

Carregava uma mistura de sarcasmo e marasmo nos olhos. 

Sabia, no fundo, que se quisesse mesmo subir no mundo do crime, teria que ousar mais — cometer algo além das típicas travessuras escolares.

E numa de suas noites mergulhadas em devaneios sombrios, cruzou com um chefão do submundo.

Ficou deslumbrado.

A figura imponente exalava poder e medo. 

Vestia um terno de linho italiano e desfilava num Cadillac preto, cercado de seguranças que carregavam “uzis” como se fossem extensões dos próprios braços. Prontos para mandar um recado a bala para quem ousasse atravessar o caminho de seu líder.

O chefão inspirava lealdade sustentada por montes de dólares — uma forma eficaz de blindar-se contra traições e conter a inveja dos próprios aliados.

O garoto, diante daquilo, ficou fascinado.

Seus pequenos delitos pareciam insignificantes. 

Estava cansado das broncas dadas por policiais gordos, entediados com suas rotinas, ou por professores e diretores que mais pareciam burocratas tristes, defendendo seus salários baixos com a mesma força com que defendiam suas regras ultrapassadas.

Para aquele menino, a vida já era uma punição — uma sentença escrita em alguma língua ancestral de sofrimento.

Não conhecera os pais.

Foi adotado por uma família tão desestruturada que, muitas vezes, preferia os horrores do orfanato aos abusos físicos e psicológicos dos “tutores”.

Adotado por piedade, viu a esperança virar pesadelo: foi forçado a fazer todo tipo de trabalho doméstico e, por sua timidez, frequentemente zombado, inclusive por conta da sua sexualidade.

Na escola, conheceu pequenas gangues que infernizavam os moradores e comerciantes da região.

Pelo uso excessivo de maconha e pela cor da sua pele — mais escura que a maioria dos colegas — também sentiu na pele o amargor do racismo.

Diante de tudo isso, sua raiva germinou.

Juntou dor e ódio, e transformou-os num combustível ardente de raiva.

Queria vingança. Queria que todos aqueles que um dia o feriram sentissem sua ira.

As surras de autoridades deixaram de doer.

Aprendera a conviver com a dor.

E o pouco de amor que ainda restava em sua alma havia se corrompido: agora, acreditava que a violência que sofria deveria ser devolvida ao mundo — com juros.

Foi perdendo os traços éticos e mergulhando numa estética sombria, de raiva pura.

O submundo era sedutor demais para alguém tão machucado.

Naquela noite, vagando por becos sujos da cidade, sentiu que talvez o chefão fosse sua chance de “ser alguém na vida”.

O gangster caminhava com calma, enquanto seus homens recolhiam o dinheiro da extorsão, da “proteção”, dos subornos, das propinas.

Era o rei do crime — temido, obedecido, reverenciado.

Implacável com traidores. Tolerante apenas com a verdade.

O garoto respirou fundo e decidiu se aproximar.

Seu coração batia forte.

Evitava olhar nos olhos do chefão e dos capangas, com medo de tomar uma rajada de balas só por ousar chegar perto demais.

Sabia que teria que impressionar — sua fala teria que ser persuasiva.

Mas com um vocabulário pobre, cheio de vícios e gírias, não conseguiu causar boa impressão.

Se prostrou diante do ídolo e, sem pensar, começou a tagarelar:

“E aí, mano… parça… compadre… ídolo… brother…”

Mal sabia ele que, naquele universo, respeito se conquista no silêncio — e reverência e  não se improvisa.

Tomou um tiro na testa…

Nenhum gangster que se preze, gosta da idolatria frenética de qualquer vagabundo.

Clayton Alexandre Zocarato

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Pensar os excessos

PSICANÁLISE E COTIDIANO

Bruna Rosalem: Artigo ‘Pensar os excessos’

Bruna Rosalem
Bruna Rosalem
Imagem criada por IA da Meta - 1º de setembro de 2025, às 11:03 PM
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Todo excesso traz, em si, o germe da autodestruição.”
(Aldous Huxley)

Excesso de sentido. Isso te faz sentido? 

É fato que muitas vezes no percurso da vida nos deparamos com alguns entraves que nos faz questionar ou rever nossas próprias escolhas: carreira profissional, casamento, ter ou não filhos, divórcio, mudança de cidade, estado ou país, seguir outra área profissional completamente diferente daquilo que exercia, começar ou encerrar um negócio próprio, investir em novos conhecimentos, abandonar hábitos, trilhar outros caminhos.

Nesta seara de escolhas e muitas dúvidas, é comum que busquemos algo que nos faça sentido. Mas será que justamente não é neste ponto que reside o problema? A obrigatoriedade de fazer algo que traga a certeza do sentido? De estar no caminho certo? De finalmente ‘acertar na vida’?

Estes questionamentos acabam sendo muito ricos em termos de escuta terapêutica. Ao fazer o sujeito se escutar de suas indagações e dessa busca neurótica, quase que paranoica, por construir algo que o coloque sempre em posições seguras diante das inúmeras contingências da vida, chega uma hora que todo esse ‘controle’, ilusoriamente pensado, escapa, perde o tal sentido e o sujeito se vê sem rumo.

Uma escuta mais atenta de si pode abrir caminhos para possibilidades de desconstrução de sentidos. E isso nem de longe é tarefa fácil. É um exercício bastante árduo que convoca o sujeito a revisitar crenças, conceitos, mandamentos, culturas que até então eram seus alicerces. É um convite desafiador que busca estremecer essas bases, questionando uma a uma.

Leva tempo, exige muito desejo, esforço e paciência. E o mais complicado é que vivemos em tempos de pressa, resultados instantâneos, alta performance, hiperatividade nas conexões, relações líquidas e a promessa constante de uma vida plenamente feliz. Será que haveria espaço para lançar-se a este desafio que pode ser tão enriquecedor? 

A obra do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, intitulada ‘Sociedade do Cansaço’, discute questões como a corrida pela alta performance, a realização concomitante de várias atividades em um curto período de tempo, a dificuldade de contemplação, afinal é preciso agir imediatamente de maneira performática e sempre eficaz em diversos ramos da vida seja trabalho, esporte, arte, mercado financeiro, acadêmico, amoroso. Praticamente não há espaço para reflexões ou criações, apenas positividade e produção a qualquer custo. 

Como consequência, Byung-Chul Han retrata uma sociedade cansada deste ritmo, porém longe de pensar outras possibilidades para mudar isso, pois o que importa é o acúmulo de bens e ‘coisas a fazer’ e não mais a experiência. Pessoas se tornam carrascas de si mesmas, incorporando cobranças incessantes, um ideal de eu imperativo e inalcançável. Temos então uma sociedade depressiva, transtornada, constantemente inconformada, insuficiente, hiperativa e doente.

Isso tudo em cena é elevado à quinta potência pela rapidez de informações por segundo disseminadas pelas redes sociais. Acompanhamos atualmente uma avalanche de pessoas que levam a vida postando conteúdos infindáveis sobre possíveis ganhos vindos de fontes duvidosas, desfilando em carros luxuosos, habitando casas que valem milhões, além de viagens e itens de luxo dos mais variados desde bolsas, sapatos, relógios, vestimentas, até verdadeiros festins comestíveis, entre outros frenesis a preços exorbitantes.

São promessas de lucro fácil e rápido, muitas vezes em esquemas de apostas ou ‘pirâmides’, entre diversas outras formas de sedução para que o consumidor deste tipo de conteúdo seja bem-sucedido, ‘zere a vida’ e passe a ser visto como vencedor. Byung-Chul Han coloca que estamos infartando nossas almas imersos neste gozo ilimitado rumo a possíveis tragédias e desolação.

Convido a repensar o excesso! Desde o excesso de itens materiais que julgamos necessário ter até o excesso de sentido na vida. Pensando com o filósofo, realmente é muita coisa ao mesmo tempo para digerir. Inevitavelmente, todo excesso deixa resto, sobra, descarte e então, todo este material retorna ao corpo em forma de ansiedade, sofrimento, perturbação, aflição, desespero.

Dizia Nietzsche: “temos a arte para não morrer de verdade”. É possível também pensar: temos a arte para não nos afogar nos excessos. A arte nos dá respiro, alívio, pausa. 

Nesse passo, temos o belíssimo filme de Wim Wenders, ‘Dias Perfeitos’, lançado em 2023, que nos convoca a refletir. Na obra, acompanhamos Hirayama, um zelador de banheiros públicos em Tóquio que leva uma vida simples, pacata, porém apaixonantemente marcada pelos seus gostos musicais, por admirar as árvores e paisagens pelo caminho onde ele faz questão de registrar em lindas fotografias reveladas e armazenadas cuidadosamente, além de toda noite desfrutar da companhia de boas literaturas. Na hora das refeições, parece saborear cada gosto, aroma, textura, cor. Hirayama nos ensina a apreciar o momento de cada atividade que se propõe a fazer sem ser atravessado por quaisquer outras distrações.

O zelador têm sim seus dramas, suas tristezas, principalmente com relação aos familiares, seus momentos de solitude, no entanto, parece ter encontrado novas maneiras de lidar com as dificuldades sem necessariamente perseguir um ideal. Na contramão da corrida pelo sucesso, fama e evidência, Hirayama fica com a serenidade de ser quem é. 

Difícil bancar algo assim? Muito! Pois a sedução dos excessos que nos soterra a alma é forte. Mas chega um momento que é preciso subir à tona e respirar para não perecer de vez.

Bruna Rosalen

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