Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais

Centro Cultural SESI Itapetininga apresenta a
exposição Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais

Exposição Maracatu Rural - A Magia dos Canaviais - Divulgação
Exposição Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais – Divulgação

Fotos aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/19XdeqXTjUEwOdSBXxv7LQT5kD2QwZ8Al?usp=sharing

Mostra com curadoria de Afonso Oliveira faz panorama de uma das mais representativas manifestações da cultura popular brasileira

Entre os dias 6 de setembro e 30 de novembro de 2025, o Centro Cultural SESI Itapetininga apresenta gratuitamente a exposição Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais. A mostra, que conta com audiodescrição e legendas em braile, reúne a produção artística de trabalhadores da Zona da Mata de Pernambuco, representantes desta manifestação que é Patrimônio Cultural Brasileiro, o Maracatu Rural ou Maracatu de Baque Solto.

O evento de abertura ocorre no dia 5/9, sexta-feira,às 14h30, para grupos de interesse da educação, e duas visitas mediadas estão programada para o dia 6/9, às 10h e às 15h, com o curador Afonso Oliveira, que compartilha informações e curiosidades sobre o Maracatu Rural.

Ambientada em uma cenografia que remete ao território da Zona Canavieira Pernambucana, a exposição apresenta documentos, vídeos, fotografias, objetos, textos, indumentárias e peças de artesanato, além de audiovisuais. São objetos e obras que vão além dos maracatus, e adentram no universo do trabalho, da religião e das influências que o Maracatu Rural exerceu sobre artistas contemporâneos como Chico Science, Gilberto Gil, Jorge Mautner e Siba.

Com projeto expográfico assinado pela designer pernambucana Júlia Filizola, a exposição conta com mais de 60 fotografias selecionadas, assinadas por diversos fotógrafos pernambucanos como Hans von Manteuffel (alemão/pernambucano), Toni Braga, Pedro Raiz, Ederlan Fábio, Fred Jordão e Afonso Oliveira, além de obras da antropóloga americana Katarina Real que, entre 1950 e 1990, pesquisou sobre o Carnaval do Recife e outras manifestações culturais do Nordeste (suas fotografias foram cedidas pela Fundação Joaquim Nabuco).

Entre os documentos estão troféus, CDs, livros, ferramentas da agricultura, instrumentos e a medalha da Ordem do Mérito Cultural (concedida pelo Ministério da Cultura). Na indumentária, a exposição traz 11 manequins com os figurinos típicos de Caboclos de Lança, Rei, Rainha, Reiamar, Mestre de Apito, Burra, Catirina e Mateus. Destaque também para uma Mesa de Jurema Sagrada, ritual religioso de origem indígena e cultuado por aqueles que fazem o Maracatu Rural, e para o Totem, onde o visitante, de forma interativa, irá conhecer a história e a estética dessa cultura.

O público pode ainda assistir a um documentário produzido especialmente para a exposição, que mostra o Maracatu Rural desde os preparativos, à noite, até as apresentações durante o carnaval. Será exibido também o filme Maracatu Atômico – Kaosnavial (2012), com Jorge Mautner e Mestre Zé Duda, dirigido por Afonso Oliveira e Marcelo Pedroso, produzido na Zona da Mata Pernambucana.

A produção e curadoria Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais é assinada por Afonso Oliveira, que tem uma vivência de mais de 30 anos junto a esta manifestação cultural, já tendo desenvolvido diversos projetos com os maracatus rurais. “Quem visitar a exposição viverá uma experiência marcante e única. O Maracatu Rural vai além do colorido de seus caboclos de lança, é um mergulho na história da formação do povo nordestino. É muito representativo trazer este acervo para São Paulo. Aqui vive uma parte de nós.”

Maracatu Rural – O maracatu rural ou de baque solto é uma manifestação cultural que surgiu no período republicano, na Zona da Mata, em Pernambuco. A partir da festa dos caboclos, personagens de outras brincadeiras foram se juntando e formando-o como conhecemos hoje.

A tradição diz que o primeiro maracatu rural tem local e data de nascimento. O mais antigo foi criado no Engenho Olho d’Água, em Nazaré da Mata, no dia 10 de dezembro de 1914, num sábado, como diz Ernesto Francisco do Nascimento, o mais antigo dos caboclos em atividade e mestre do Maracatu Cambindinha de Araçoiaba.

O protagonista do maracatu rural é o caboclo de lança, de fantasia exuberante com golas e chapéus coloridos, além dos caboclos de pena, das baianas, do rei e da rainha e das damas de buquê.

O cortejo do maracatu rural é conduzido por instrumentos de percussão (bombo, tarol, mineiro, porca e gonguê), acompanhado por instrumentos de sopro (trombone e trompete), vindo das orquestras de frevo.

O canto é de responsabilidade do Mestre de Apito ou poeta e contra-mestre. Sambas e marchas feitos de improviso mostram a qualidade e prestígio do Mestre perante à população que, durante o carnaval, aguarda ansiosa para ver qual será o melhor.

Durante o carnaval, existem vários encontros de Maracatus, com destaque para os realizados nas cidades de Nazaré da Mata, Aliança e Goiana.

Afonso Oliveira (curador) – Criador do Método Canavial de Ensino de Produção Cultural Coletiva e Comunitária, que tornou-se livro (2009) e já formou 180 produtores culturais.

Afonso Oliveira lançou o projeto Curva do Mundo (2019) com exposição de pinturas, livro de poesias e composições musicadas por diversos artistas brasileiros.

Elaborou, entre 1995 e 2003, com o Governo do Estado de Pernambuco e o Ministério da Cultura, uma política de valorização dos Maracatus pernambucanos; idealizou e coordenou o projeto que tornou Nazaré da Mata, PE, a Terra do Maracatu, e Goiana, PE, a Terra dos Caboclinhos.

Realizou projetos nacionais e internacionais de valorização da cultura popular pernambucana, destaque para a EXPO 2000, em Hanover, Alemanha; turnês europeias com os Maracatus Estrela Brilhante e Maracatu Leão Coroado; ida ao Festival Lincoln Center em Nova Iorque com Selma do Coco, Vanildo de Pombos e Mestre Salustiano.

Coordenou mais de 120 projetos culturais de música, artesanato, cinema, cultura popular, teatro e dança.

A convite do Ministério da Cultura, foi diretor artístico, produtor e curador do Festival Interações que levou mais de 40 atrações para às Paralimpíadas do Rio de Janeiro (2016), coordenador geral do Encontro Nacional das Culturas Populares (2015), em Serra Talhada, e coordenador de programação da TEIA – Encontro Nacional dos Pontos de Cultura (2008), em Brasília.

Prêmios: Cavaleiro da Ordem do Mérito Cultural – 2017; Prêmio Delmiro Gouveia de Economia Criativa – Fundação Joaquim Nabuco – 2020; Prêmio Economia Criativa do MinC – 2012; Prêmio Patativa do Assaré do MinC – 2011; Prêmio Tuxauá do MinC – 2010.

Serviço

Exposição: Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais

Abertura: 5 de setembro – Sexta, às 14h30

Temporada: 6 de setembro a 30 de novembro de 2025

Dias/horários: Terças-feiras, somente com agendamento. Quarta a sábado, das 9h às 20h. Domingos e feriados, das 13h às 19h.

Visitação gratuita. Classificação: Livre.

Visita mediada: 6/9, sábado, às 10h e às 15h – Com o curador Afonso Oliveira.

Acessibilidade: obras com audiodescrição.

Agendamento escolar e de grupos: cacitapetininga@sesisp.org.br

Centro Cultural SESI Itapetininga

Av. Padre Antônio Brunetti, 1360 – Vila Rio Branco. Itapetininga/SP

Tel.: (15) 3275-7920 | itapetininga.sesisp.org.br | Na rede: @sesisp.itapetininga

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Marilucia Ferreira

A pedagoga que transformou memórias em literatura infantil

Marilucia Ferreira

Com leveza, ternura e sensibilidade, autora celebra a infância, as escolhas e o poder da memória em suas obras que encantam leitores de todas as idades.

Aos 60 anos, Marilucia Moraes de Paula Ferreira Gimenes, conhecida como Marilucia Ferreira, descobriu na escrita uma forma de dar vida às suas memórias, sentimentos e experiências como educadora.

Pedagoga de formação, professora, coordenadora e gestora por muitos anos, hoje ela se dedica à literatura e à consultoria educacional, mas leva consigo a mesma paixão: ensinar, inspirar e tocar corações.

Autora de seis livros, Marilucia construiu uma obra que é um verdadeiro tesouro para leitores mirins e adultos. Sua estreia, Balança, Malu!, marcou o início de uma trilogia que se completa com Você pode escolher? e Que coisa esquisiiita!.

A série traz a personagem Malu enfrentando dilemas e descobertas da infância, convidando crianças, pais e professores a refletirem sobre escolhas, sentimentos e aprendizados.

A pandemia trouxe inspiração para outro trabalho marcante: Fifo e o Galo Ludovico.

Sensível e profundo, o livro fala sobre amizade, saudade e luto, de forma acessível às crianças, mas igualmente emocionante para os adultos

Já em A menina que carregava livros, Marilucia presta homenagem ao encantamento da leitura, celebrando a curiosidade infantil e o poder transformador das histórias.

E, em O baú da Bisa, faz uma declaração de amor à memória e às gerações, mostrando como as lembranças e experiências podem atravessar o tempo e permanecer vivas.

Presença constante em eventos literários como a Flip, a Bienal de São Paulo e a Bienal do Rio de Janeiro, a autora também participa ativamente de feiras pelo Brasil, levando sua literatura a novos leitores.

Para ela, escrever é mais do que criar histórias: é eternizar pessoas, vivências e afetos.

Marilucia é dessas escritoras que conseguem unir delicadeza e profundidade, construindo narrativas que divertem, emocionam e fazem pensar.

Sua obra é, ao mesmo tempo, um abraço carinhoso e uma celebração da vida.

REDES SOCIAIS DA AUTORA

SINOPSES

TRILOGIA MALU

BALANÇA MALU –

Este é o primeiro livro da Trilogio Malu. Ela quer brincar no balanço. Um livro que fala sobre persistência e tentativa.

VOCÊ PODE ESCOLHER?-

Este é o segundo livro da Trilogia Malu. Nele é quer entender porque as formigas e outros insetos fazem sempre as coisas juntos. Fala sobre o poder da escolha.

Que coisa esquisiiiita!-

Este é o terceiro livro da Trilogia Malu. Ela se sente estranha após a resposta indelicada da amiga. Um livro sobre emoções.

FIFO E O GALO LUDOVICO-

Sensível e profundo, o livro fala sobre amizade, saudade e luto, de forma acessível às crianças, mas igualmente emocionante para os adultos.

A MENINA QUE CARREGAVA LIVROS-

Fala sobe uma garotinha curiosa que queria aprender a ler. um livro sobre o poder mágico das histórias

O BAÚ DA BISA-

Uma declaração de amor à memória e às gerações, mostrando como as lembranças e experiências podem atravessar o tempo e permanecer vivas.

OBRAS DA AUTORA

Balança Malu
Balança Malu

Você pode escolher?
Você pode escolher?

Que coisa esquesiita!
Que coisa esquisiiita!

Fifo e o galo Ludovico

A menina que carregava livros
A menina que carregava livros

o baú da Bisa
O baú da Bisa

ONDE ENCONTRAR


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Resenhas da colunista Lee Oliveira




1º Festival de Rock de Garagem

A programação inclui apresentações de 13 bandas formadas por músicos locais e de cidades vizinhas

Card do 1º Festival de Rock de Garagem
Card do 1º Festival de Rock de Garagem

Neste sábado (30), das 10h às 22h, acontece o 1º Festival de Rock de Garagem de Itapetininga, promovido pela Casa Kennedy no Centro Cultural Brasil e Estados Unidos, localizado na Rua Prudente de Moraes, 716.

A programação inclui apresentações de 13 bandas formadas por músicos locais e de cidades vizinhas, como São Miguel Arcanjo e Angatuba. Os grupos confirmados são: O Naargas, Duas Colinas, Broken Dome, Os Cuitelos, Valis, Stupid Sharks Club, Perdidos, Overcloud, CapoStrato, Spectrum Fire, Hysteria, Aether e Leksapro.

De acordo com Walkiria Paunovic, presidente da Casa Kennedy, o festival foi idealizado com o intuito de valorizar artistas independentes da região, muitos dos quais iniciaram a trajetória musical em projetos como o Guri. “A ideia é dar visibilidade a esses músicos que, mesmo com outras profissões, mantêm viva a paixão pela música em ensaios de fim de semana e encontros nas garagens”, destaca Walkiria. A proposta também busca reunir bandas de diferentes gerações, criando um intercâmbio entre novatos e veteranos do rock local.

A organização do evento também conta com Ana Elisa Bloes de Arruda e Miranda, além de Yuri Schurmann dos Santos, músico e coordenador escolar.

A entrada é gratuita e o evento promete ser um ponto de encontro para os amantes do rock alternativo, autoral e underground da região.

Serviço

Horário: das 10h às 22h

Local: Casa Kennedy – Centro Cultural Brasil e Estados Unidos

Endereço: Rua Prudente de Moraes, 716, Centro – Itapetininga SP

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Lançamento duplo de livros

Lançamento duplo de livros vira sarau literário criativo e divertido em Sorocaba

Lançamento dos livros: 'Um Brinde ao Nada', de Carlos Araújo e 'Noia, Biluz e a Curadora dos Cabelos Vermelhos', de Val Rocha

Lançamento duplo dos livros ‘Um Brinde ao Nada’ de Carlos Araújo, e ‘Noia, Biluz e a Curadora dos Cabelos Vermelhos’, de Val Rocha

O lançamento duplo dos livros ‘Um Brinde ao Nada‘, de Carlos Araújo, e ‘Noia, Biluz e a Curadora dos Cabelos Vermelhos‘, de Val Rocha, nesta quinta-feira, 21 de agosto, virou sarau literário criativo e divertido. O local do encontro foi na Casa 58 Bar / Cucas & Araras, na Vila Leão, rua Voluntário Menaldo, 58, em Sorocaba.

O clima foi de celebração da leitura, dos livros, da cultura, das artes de forma geral. Em perfeita interação com o público presente, escritores e poetas, com o recurso das performances em gestos e vozes, apresentaram poemas e falas recheadas de histórias, humor e aplausos.

Além de escritores e poetas, participaram também professores, jornalistas, fotógrafos, blogueiros, pessoal da advocacia e do setor metalúrgico. Todos recebidos pelo anfitrião Armando Rucci Filho, dono da Casa 58 Bar / Cucas & Araras.

A animação das performances ficou por conta do fotojornalista Epitácio Pessoa. Ele até anunciou a ideia de criação da CJS, Confederação dos Jornalistas Sorocabanos, que recebeu adesão imediata da turma e será instalada em 17 de setembro no mesmo local.

Entre outros participantes, estavam lá os professores e jornalistas João José Negrão, João Alvarenga e Daniela Jacintho; os jornalistas Renato Monteiro, Pedro Courbassier; os jornalistas Adriano Catozzi, Davi Deamatis, Gustavo Ferrari, Reinaldo Galhardo, o ‘Macarrão’, Fabio Jammal e Anderson Grande. A advogada Monalisa Cavalcanti também marcou presença.

Agradecendo as participações, os escritores Carlos Araújo e Val Rocha avaliaram o evento como um sucesso. Foi um momento de celebração da leitura como atividade sofisticada e dos livros como produtos de transformação social e de repertórios de grandes histórias.

Os dois autores têm perfil de intensa atividade literária há décadas. Começaram, entretanto, a publicar livros nos últimos anos.

UM BRINDE AO NADA

Carlos Araújo publicou seu primeiro livro em 2012, ‘Companheiros’, na linha de pesquisa histórica. Outro livro nessa categoria foi ‘Linha de Frente’, publicado em 2024. O primeiro romance publicado foi ‘O Ódio Solto no Pasto’, em 2022, vencedor do Prêmio Sorocaba de Literatura 2023 na categoria ficção / romance. E agora em 2025, ele publica ‘Um Brinde ao Nada’, pela editora Loja de Ideias. Esta é a mesma editora de ‘Companheiros’ e ‘Linha de Frente’.

‘Um Brinde ao Nada’ conta a história eletrizante de uma tragédia familiar e a narrativa inspira estas perguntas: Quais são os limites entre a loucura, a ambição, a crueldade? Até que ponto a família é um porto seguro e quando deixa de ser uma célula de abrigo e paz? Por que acontecem tragédias entre pais e filhos? Este livro pode ser encontrado em e-book na Amazon e Google Play e físico na Livraria Nobel de Sorocaba e com o autor.

NOIA, BILUZ E A CURADORA DOS CABELOS VERMELHOS

Val Rocha é também poeta e publicou seu primeiro romance, ‘Rios Paralelos’, em 2022. Antes, na década de 1980, publicou livretos de poemas, como ‘Nós Jogados’ e ‘Esculpa’. No começo dos anos 2000, participou de antologias poéticas, como “Poetas do Brasil”.

O novo romance ‘Noia, Biluz e a Curadora dos Cabelos Vermelhos’ conta a história de um rapaz que convive com o apelido Noia por envolvimento com drogas quando era criança. Joga futebol na várzea e, por insistência do patrão, um ex-árbitro banido do futebol, torna-se jogador profissional. Em razão do corte de cabelo, a imprensa o apelidou de Santo.

A história liga o mundo do futebol com o das artes plásticas. A garota dos cabelos vermelhos é apaixonada por pinturas e faz um mergulho em quadros reais e imaginario. Ela também sofre bullying por falar de jeito diferente. Boa parte da narrativa do livro surpreende, pois é feita da forma como a personagem fala. O livro pode ser adquirido tanto nas versões físico e e-book na Amazon e em livrarias da internet.

Fotos do lançamento

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Santana, o sem-noção

Eduardo Cesario-Martinez: Conto ‘Santana, o sem-noção’

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Imagem criada por IA da Meta - 25 de agosto de 2025, às 09:10 PM
Imagem criada por IA da Meta – 25 de agosto de 2025, às 09:10 PM

Era mais uma diligência, entre tantas realizadas nos últimos quase 20 anos trabalhando na polícia. Santana, ao entrar na viatura, tentou empurrar o banco para trás na ânsia de acomodar a barriga proeminente. A colega, sentada ao lado, obrigava-o a encolher a pança, mesmo porque Santana ainda guardava certa vaidade, já que mal havia suplantado a barreira dos 50. Os cabelos, cada vez mais ralos, eram jogados para o lado. Que deprimente, como se ninguém tivesse notado a calvície reluzente. Ah, Santana, por que teimas em ser tão patético?

     Lá ia o nosso quase estimado herói, apesar de possuir um distante perfil daqueles que costumam ser retratados no cinema. Santana não era um Clint Eastwood ou um Bruce Willis. Era evidente que ele estava fora de forma! Aliás, alguns professores de matemática poderiam até contestar tal afirmação, já que o redondo, ou melhor, a esfera também é detentora de uma forma. E tem até fórmula para que o seu volume seja calculado com precisão, apesar de que até o próprio Santana, certamente, não quisesse saber o resultado. “Já fui magro!”, ele sempre dizia a mesma coisa para todos.

    O caminho foi longo, pelo menos para o Santana, que não conseguia respirar direito tentando encolher a barriga. Todavia, a viatura acabou estacionando em frente à casa 28, cuja pintura há tempos se encontrava desgastada. Seria amarela ou branca? Talvez verde. Seja como for, esse era um detalhe que não precisava ser levado em conta. 

     A colega prontamente desceu do veículo, enquanto Santana disse que iria fumar um cigarro antes. Ela nem deu bola e já foi conversar com a senhora de vestido florido, apesar de chorosa, à porta. Que alívio o Santana sentiu! 

     Ele nem queria fumar, mas o hábito o fez colocar a mão no bolso e sacar um cigarro amarrotado. Ao mesmo tempo, por causa do tempo tentando esconder a pança, houve uma aglomeração de gases intestinais, que foram expelidos compassadamente. Infelizmente, para o Santana, soou-se certo estrondo, que fez a colega se virar para ele. Que vergonha, Santana!!! Ele até ficou temeroso em acender o seu cigarro, que já estava no canto da boca. Afinal, aquilo poderia se tornar um caso para o Corpo de Bombeiros.

      Depois de dar umas abanadas com as mãos, o Santana criou coragem e acendeu o tal cigarro, que já apresentava certa umidade por causa do longo contato com os lábios. Deu uma copiosa tragada, olhou ao redor alguns curiosos. Empertigou o corpo, o que lhe causou certo desconforto na lombar. “Já fui atleta!”, ele insistia em falar para os que ainda suportavam sua ladainha. 

    O velho policial tentou puxar pela memória, mas não se lembrava da razão pela qual estava lá. Ainda assim, preferiu entrar na residência a fim de dar apoio à colega. Virou-se e foi em direção à porta.

       Mal entrou na sala, avistou uma enorme televisão ligada, enquanto um velho, sentado no amplo sofá carcomido, parecia cochilar. A colega e a senhora conversavam na cozinha. 

    O Santana, apaixonado desde criança por futebol, começou a prestar atenção na partida que era televisionada. Internacional e Santos pareciam travar uma batalha sem muito glamour. Não havia Pelé, não havia Falcão. Mas a paixão pelo esporte bretão fez com que o Santana perdesse qualquer timidez e, então, acabou por se acomodar ao lado do velho, no exato momento em que adentravam na sala a colega e a senhora.  Sem se fazer de rogado, o Santana deu um leve tapa na batata da perna do velho e perguntou: “E aí, quanto está o jogo?”. A colega e a senhora, que há pouco se descobriu viúva, olharam abismadas para a cena. O Santana acabara de tombar o defunto sobre seu colo.

Eduardo Cesario-Martínez

Sobre o autor

Eduardo Cesario-Martínez - Foto por Irene Araújo
Eduardo Cesario-Martínez – Foto por Irene Araújo

 Eduardo Cesario-Martínez é um premiado escritor carioca, com quatro livros publicados, além de participações em mais de 40 outras obras.

Seu primeiro livro, o romance ‘Despido de ilusões’, 2004, figurou entre os mais lidos do CCBB. ‘57 Contos e crônicas por um autor muito velho’ é seu mais recente livro.

Seus contos e crônicas são utilizados por escolas no Rio de Janeiro, em Brasília e em Brodowski-SP.

É cronista/contista do jornal Notibras (https://www.notibras.com/site/) e do Blog do menino Dudu (https://blogdomeninodudu.blogspot.com/).

Divide a editoria Café Literário do Notibras com o poeta e escritor Daniel Marchi e a jornalista e poeta Cecília Baumann.

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Países não derrubam o amor

Denise Canova: ‘Países não derrubam o amor’

Denise Canova
Denise Canova
Imagem criada por IA da Meta – 26 de agosto de 2025,
às 10:20 PM

Países não derrubam o amor

O amor é maior

Sua força é de um furacão

É o nosso amor

Itália e Brasil

Países não nos impedem de amar

Dama da Poesia

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Talvez o amor

Evani Rocha: Poema ‘Talvez o amor’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Canva – 26 de agosto de 2025, às 07h50

É! Talvez o amor da gente seja mesmo fugaz,

Como a florada da primavera.

Talvez seja como as estações do ano,

Tão passageiras…

Como a areia carregadas pelas ondas,

Para o fundo do mar,

Sem hesitar!

E talvez volte na maré cheia…

Decerto o amor é uma ave migrante,

Em busca de verão, que vem e vão,

Para qualquer lugar,

Onde haja sol e calor!

É o amor, devorando o tempo,

Moldando a gente, devagar…

É a terra fértil gestando a semente,

É o filho pródigo, retornando ao lar…

Quem sabe o amor é a gente,

Virando gente, no outono,

Trocando as folhas velhas por novos sonhos…

Ou talvez, o amor seja mesmo uma utopia,

Fantasia, melodia…

O equilíbrio em meio ao caos,

Na lucidez da sanidade…

Ou por ventura,

A loucura travestida 

De poesia!

Evani Rocha

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