Prêmio Mceys valoriza ações que transformam a sociedade

Em sua 12ª edição, o evento destaca o impacto da Inteligência Artificial e homenageia o escritor Márcio José Zacarias

Card do Instituto de Produção Cultural Maceys

Criado em 2014, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil consolidou-se como uma das mais respeitadas honrarias socioculturais do país. Realizada anualmente no mês de setembro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, a solenidade reúne representantes da sociedade civil, artistas, educadores, empresários, líderes comunitários, voluntários e profissionais de diversas áreas.

Organizado pelo Instituto Mceys, o evento sociocultural não possui fins lucrativos nem caráter competitivo. Sua proposta é reconhecer pessoas que, por meio de suas atividades profissionais, culturais ou sociais, desenvolvem ações fundamentadas na solidariedade, na fraternidade, no respeito e no compromisso com o bem coletivo.

A cada edição, um tema diferente é escolhido para orientar as reflexões e homenagens. Ao longo de sua trajetória, o prêmio já promoveu debates sobre o papel do esporte na inclusão social, a saúde mental diante dos avanços tecnológicos e outras questões urgentes da sociedade contemporânea.

Em sua 12ª edição, realizada em 2026, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil apresenta o tema “Inteligência Artificial e o futuro humano no social”. A proposta é refletir sobre os impactos das novas tecnologias e os desafios de preservar a ética, a sensibilidade, a igualdade e as relações humanas em uma sociedade cada vez mais conectada.

A edição de 2025 entrou para a história da premiação ao homenagear 250 pessoas em uma única noite. Profissionais, líderes comunitários, empresários, voluntários e cidadãos comprometidos com a transformação da realidade brasileira receberam o reconhecimento por suas trajetórias e contribuições sociais.

Mais do que uma cerimônia de entrega de troféus, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil também mantém um importante compromisso solidário. Durante o evento, são arrecadados alimentos não perecíveis, posteriormente destinados aos oito núcleos de apoio assistencial mantidos pelo Instituto Mceys em São Paulo. A iniciativa demonstra que o reconhecimento público pode caminhar ao lado de ações concretas de solidariedade.

Entre os homenageados da edição de 2026 estará o escritor e educador Márcio José Zacarias, conhecido no meio literário como Arthur Souto. O autor registra um agradecimento especial a Shirley Poetisa da Luz, responsável por sua indicação ao prêmio e por reconhecer sua trajetória dedicada à educação, à literatura e à cultura.

Para Manoel Henry Moreira, presidente fundador do Instituto Mceys, a essência da premiação está na valorização das pessoas e de suas ações:

“O Prêmio Mceys Qualidade Brasil tem um propósito: igualdade. Ele não é uma competição e não está ligado à parte técnica. Para esse tipo de evento, temos o Festival Mceys Meritus Cultural. O foco do Prêmio Mceys Qualidade Brasil é o ser humano. Não é sobre ter, é sobre ser e fazer o bem. O propósito é despertar em cada pessoa as suas ações de valores de vida, bem como o espírito de irmandade, de caridade e de amor.”

Ao chegar à sua 12ª edição, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil reafirma sua missão de reconhecer pessoas que transformam suas experiências, talentos e profissões em instrumentos de contribuição para a sociedade. Em um tempo marcado pelo rápido avanço tecnológico, a premiação recorda que o futuro somente terá sentido se continuar orientado por valores essencialmente humanos.

Mais informações, inscrições e indicações podem ser obtidas pelo site www.premiomceysqualidadebrasil.com.br, pelos telefones (11) 96264-9023 e (11) 94899-9768 ou pelos e-mails premiomceysqualidadebrasil@gmail.com e mceysinstituto@gmail.com.

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Um certo Edmundo Donato

Descubra a história por trás do jornalista que sonhava em viver da literatura e marcar gerações.

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Não era de briga, ainda mais depois da última surra que levou quando ainda estava nos primeiros anos na escola.  Se aquilo fazia parte do mundo masculino, ele preferiu seguir pelo caminho da literatura e, desde então, embrenhou-se entre páginas amareladas dos livros da estante do avô. 

          Começou por volumes da Coleção Vaga-Lume, quando se apaixonou pelas obras do escritor Marcos Rey: O mistério do cinco estrelasO rapto do garoto de ouro e Um cadáver ouve rádio. Que mundo era aquele? Não teve dúvida e arriscou-se a abrir o coração para o avô.

            — Quero ser escritor.

            — Hum! Já falou isso pros seus pais?

            — Papai talvez não diga nada, mas mamãe vai me matar.

            — Por quê?

            — Porque quer me ver advogado ou médico.

            — Não.

            — Não?

            — Não perguntei isso. Por que quer ser escritor?

            Edmundo Donato pensou, pensou, pensou… 

            — Não posso?

            — É óbvio que pode.

            — Então?

            — Então, o quê, Edmundo?

            — Então, quero ser escritor. 

            Os anos seguintes foram de muitas descobertas. Edmundo passou por vários autores. Apaixonou-se por alguns, mas invejava apenas um: Afonso Henriques de Lima Barreto. Tanto é que enfrentou a mãe diante do pai mudo.

            — Mamãe, quero ser jornalista.

            — Jornalista, Edmundo? Quer morrer de fome? 

            — De fome não morro, mamãe.

            — E você acha que vai ter a mim e seu pai durante toda a vida.

            — Não, mamãe.

            — E por que é então que você diz com tanta certeza que não vai morrer de fome, meu filho?

            — Antes morro de desgosto entre processos e agulhas, mamãe.

            Edmundo virou jornalista. Não chegou a morrer de fome, mas longe de degustar caviar. Suficiente para ter uma vida pouco acima do modesto, o que, aos seus olhos, era mais do que satisfatório. No entanto, faltava-lhe algo.

               Durante uma conversa com um colega de redação, no Bar do Bosco, na 709 Norte, em Brasília, Edmundo levantou a questão que o frustrava.

                — Sabe, Bartô, quero ser escritor.

                — Nem sabia que você escrevia, Edmundo.

                — Um pouco.

                — E do nada você quer virar escritor?

                — Não é do nada. Virei jornalista por causa do Lima Barreto.

                — Pois eu virei por causa do José Seabra.

                — Excelente referência. Mas eu queria ser que nem o Lima.

                — Logo tu?

                — E por que não eu?

                — Nunca que você vai ser que nem o Lima Barreto.

                — Tá! Mas me dê uma razão. Uma única razão!

                — Edmundo, tu é um arregão!

                 — Alto lá, meu amigo! Arregão não!!! Cauteloso.

Eduardo Cesario-Martínez

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Avaliação da aprendizagem: seu outro lado da moeda!

José Ngola Carlos analisa por que compreender o processo do aluno é mais importante do que medir conteúdos

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Jovem negro de mochila sobe uma escadaria de pedra rumo ao horizonte. Ao seu redor, círculos flutuantes mostram cenas de sua vida e comunidade: família lendo, sala de aula, fé, amigos, tecnologia e cultura tradicional.
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No universo acadêmico, não é raro ouvir a expressão avaliação da aprendizagem, utilizada como sinônima de avaliação dos conteúdos trabalhados em sala de aula. Entretanto, seriam realmente equivalentes? O que significa avaliar os conteúdos e o que significa, propriamente, avaliar a aprendizagem?

A avaliação dos conteúdos consiste, fundamentalmente, na recolha e interpretação de informações acerca dos conhecimentos, habilidades e competências que os alunos possuem, estão desenvolvendo ou desenvolveram ao longo do processo educativo. Essa avaliação pode assumir diferentes funções, como a diagnóstica, a formativa e a somativa, conforme o momento e a finalidade com que é realizada.

Entretanto, a avaliação da aprendizagem não deveria limitar-se à verificação daquilo que o aluno sabe ou deixou de aprender. Embora a avaliação dos conhecimentos e das competências constitua uma dimensão importante da avaliação da aprendizagem, esta pode assumir uma perspectiva mais ampla: compreender como o aluno aprende, quais dificuldades enfrenta, que estratégias utiliza e quais condições favorecem ou dificultam o seu processo de aprendizagem.

Avaliar a aprendizagem significa, portanto, procurar compreender o aluno enquanto sujeito que aprende. Nesse sentido, a avaliação constitui um importante ponto de partida para a ação educativa, pois permite ao professor obter informações que ultrapassam a simples constatação dos resultados alcançados. Trata-se de um processo intencional e dialógico, por meio do qual professor e aluno podem construir uma compreensão mais profunda sobre o percurso da aprendizagem.

Compreender como os alunos aprendem pode ajudar o professor a tomar decisões pedagógicas mais adequadas. As informações obtidas podem contribuir para a seleção ou reformulação de métodos, estratégias, recursos e atividades de ensino, tendo em consideração as características, necessidades, dificuldades e potencialidades dos estudantes.

Quando essa dimensão da avaliação é pouco considerada, existe o risco de o professor tomar decisões pedagógicas dispondo de informações insuficientes sobre os processos de aprendizagem dos seus alunos. Consequentemente, métodos e estratégias podem ser escolhidos mais com base em pressupostos gerais do que na compreensão concreta daqueles que participam do processo educativo.

Por isso, avaliar a aprendizagem não deve significar apenas perguntar: o que o aluno aprendeu?, mas também procurar responder a questões como: como ele aprende?, quais dificuldades encontra?, que estratégias utiliza?, o que favorece a sua aprendizagem? e como podemos ajudá-lo a aprender melhor?

Assim, a avaliação dos conteúdos e a avaliação da aprendizagem não precisam ser compreendidas como práticas excludentes. A primeira pode fornecer informações sobre os conhecimentos, habilidades e competências desenvolvidos pelos alunos; a segunda amplia essa perspectiva ao procurar compreender também os processos envolvidos na construção dessas aprendizagens.

Em síntese, avaliar os conteúdos é importante, mas compreender a aprendizagem é indispensável. Se a avaliação pretende verdadeiramente contribuir para a melhoria da educação, não deve limitar-se a verificar aquilo que o aluno aprendeu. Deve também procurar compreender como, por que, em que condições e com que dificuldades ele aprende. Afinal, talvez este seja o outro lado da moeda que, por vezes, permanece menos visível no processo educativo.

Por José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 26 de agosto de 2026

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:8). Avaliação da Aprendizagem: Seu Outro Lado da Moeda! São Paulo: Jornal Cultural ROL.




Amor numa xícara de chá

Conheça os versos intensos de Kali Baral sobre a melancolia da ausência e a brutalidade de nutrir alguém na mente

Kali Baral
Kali Baral
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A chuva…
Chuva intensa.

Alguns fios de cabelos dourados repousam sobre a impressora.
Um filtro de cigarro
está preso em uma xícara de chá pela metade.

A chuva balança ao sabor do vento norte.
Longa espera, outra vez.
Os olhos choram.

Nada é mais brutal do que nutrir alguém na mente.
Finalmente, alguns fios de cabelos dourados
ficam presos na impressora.

Kali Baral

Love in a cup of tea

The rain-
Heavy rain.

A few golden hairs lie on the printer.
A cigarette filter is
stuck in a half cup of tea.

The rain is swinging in the north wind.
Long wait again.
Eyes are crying.

Nothing is more brutal than nurturing someone in brain.
Finally, a few golden hairs are
stuck on the printer.

Kali Baral

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Debutante – Poema de José Antonio Torres

A emocionante transição da infância para a maturidade nos versos marcantes de José Antonio Torres sobre o desabrochar de uma nova mulher

José Antonio Torres
José Antonio Torres
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O brilho no olhar demonstra a transição
de menina para mulher.
Os cuidados com o corpo, roupas, cabelos, maquiagem…
Não quer mais ser vista como menina,
Cresceu!

O andar ficou mais seguro e imponente.
A postura se impõe.
O olhar sustenta outros olhares.
As bonecas ficaram apenas na lembrança.
Os objetivos de vida vão sendo, pouco a pouco, idealizados e construídos.

O coração começa a ficar inquieto
Com sentimentos e sensações novas.
Está pronta para aprender mais sobre a vida.

Responsabilidades são acrescentadas ao seu viver, assim como intensas alegrias e inevitáveis decepções.
A menina que um dia foi, permanece apenas em seu coração.
É o seu refúgio quando a vida a faz sofrer.
Ainda assim, ela seguirá firme e resoluta,
Pois a mulher que surgiu, prevalecerá.
Ela brilha imponente nos salões da vida,
Encantando a todos que a conheceram menina.
Agora a menina rompeu o tempo.
Debutou.
Raiou a mulher!

José Antonio Torres

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Onde a tinta sangra estrelas

Em versos arrebatadores, Pietro Costa canta a desobediência das margens e a paixão que rasga o papel

Pietro Costa
Pietro Costa
Onde a tinta sangra estrelas – Pietro Costa

Pietro Costa

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Um presente em forma de mulher

Em crônica apaixonada, Guilherme Machado revela como a poesia ganhou vida e nome: Jéssica!

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Retrato de uma mulher jovem de cabelos escuros e longos, apoiando-se perto de uma janela com iluminação suave e olhando para a câmera com um sorriso discreto.
Jessica Palma de Brito Arquivo pessoal

Já descobri que presente não precisa ser algo que se embrulha, nem algo que se compra, guarda ou coloca em uma prateleira. Presente é alguém que chega e, sem perceber, enche o nosso coração de alegria.

É tanta coisa para falar de você que os adjetivos simplesmente não dão conta: a mulher mais bonita, mais legal, mais humilde, mais falante, mais divertida, mais especial… e eu poderia continuar indefinidamente, até chegar em única, marcante, inesquecível e inadjetivável.

Só que tem um problema: tem marcianos querendo pegar um foguete e vir para a Terra descobrir quem é essa tal de Jéssica que está fazendo tanto sucesso por aqui. 🚀👽 Se bem que, pensando melhor, talvez eu tenha descoberto algo ainda mais importante:

Eu não sei fazer poesia. E não é por falta de tentativa. É porque eu estava procurando poesia nas palavras, quando descobri que a poesia já estava diante de mim.

Incapaz de colocar em versos aquilo que você é, percebi que não precisava procurar  metáforas, rimas ou palavras bonitas. Porque você é a própria poesia. Como diz a mulher mais bonita, mais legal, mais humilde, mais falante, e todos os outros elogios possíveis e imagináveis: “Esse é o meu jeitinho exagerado.”

Mas talvez seja justamente o seu jeitinho que nenhuma palavra consegue traduzir. Afinal, até Deus deve estar olhando para mim e pensando: “Guilherme, eu já entendi! Para de encher o meu saco com tanta oração sobre você e a Jéssica!” 🤣🤣🤣 Mas fazer o quê? Quando alguém se torna importante, a gente coloca essa pessoa nas nossas conversas com Deus.

E talvez essa seja a melhor definição que eu poderia encontrar: Jéssica, você não é apenas alguém que eu admiro e você não precisa fazer nada, apenas ser você mesma. Você é alguém que me fez descobrir que eu não sei fazer poesia, porque a poesia já veio pronta — em forma de mulher.

E essa mulher é você!

Dedicado a Jessica Palma de Brito.

Guilherme Machado

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