A disciplina que eu amaria lecionar

Sergio Diniz da Costa

‘A disciplina que eu amaria lecionar’

Sergio Diniz
Sergio Diniz]
Imagem criada por IA da |Meta - 22 de agosto de 2022, às 20:24 PM
Imagem criada por IA da Meta – 22 de agosto de 2022,
às 20:24 PM

Durante um breve período de tempo tive a oportunidade de lecionar no Ensino Superior. Ministrei aulas de Direito do Trabalho, Linguagem Jurídica e Humanidades.

Apesar de as duas últimas disciplinas, em particular, proporcionarem um campo de interação muito profícuo com os alunos, em termos de reflexões éticas e filosóficas, porém, ainda se enquadram no sistema educacional tradicional, onde se deve ‘medir’ os conhecimentos auferidos pelo educandos. E, decorrente disso, se o aluno não alcança a nota mínima determinada, pura e simplesmente não passa de ano.

Na minha experiência em sala de aula procurei ao máximo mostrar aos alunos que a maior recompensa pelo estudo não é alcançar a nota máxima, mas sim o maior prazer pelo aprendizado em si. Pra mim, o aprendizado deve ser lúdico. E, acima de tudo, mágico!

E sob esta visão, a disciplina que eu amaria ministrar é uma disciplina que, infelizmente, ainda não existe em nenhuma grade escolar. E, por ainda não existir, eu a batizei de ‘Disciplina do Sentir’. E seria uma matéria preparatória para todas as outras. E de todas as áreas do conhecimento humano.

Nessa matéria não haveria qualquer forma de avaliação. E ninguém seria reprovado.

A ‘sala de aula’ seria num templo. O Templo da Natureza. E as aulas seriam, em alguns dias, pela manhã, e em outros, à noite. E, ouvindo músicas sublimes, todos passaríamos minutos eternos apreciando flores e árvores, nuvens e estrelas. Sentaríamos ou deitaríamos sobre a relva macia, fecharíamos os olhos e permitiríamos que nossas almas enxergassem e sentissem tudo com seus próprios sentidos. Sentissem o frescor e o aroma do vento ou mesmo da chuva; escutassem o farfalhar das árvores em seus misteriosos colóquios. E o canto dos pássaros, saudando a vida.

Dançaríamos, também. Dançaríamos a Dança da Alma Liberta, com seus graciosos volutear.

E ao passar dos dias e dos meses, chegando ao final do curso, acabaríamos por perceber que não haveria mais distinção entre mestre e alunos, mas tão somente um sentimento de união, quando então entenderíamos que o aprendizado é, acima de tudo, um maravilhoso processo de descobertas; de descobertas de si mesmo, dos outros, da vida.

E nesse momento mágico e transcendente, os futuros médicos ou juízes não se sentiriam deuses, acima dos homens, mas sentiriam Deus guiando suas mãos e decisões. Os futuros engenheiros não projetariam apenas pontes de concreto, mas, sobretudo, pontes de união. Os futuros políticos compreenderiam que governam ou legislam, como se agricultores fossem, semeando sementes de bem-estar comunitário. Os futuros advogados entenderiam que a maior soma de honorários a receber é a soma da paz social. E os futuros professores relembrariam que todas as demais profissões dependem de um professor.

A Disciplina do Sentir parece um sonho, um devaneio, uma utopia. E talvez o seja. O maior e o mais belo sonho que um sonhador pode sonhar. Permitam-me, porém, sonhá-lo! Mas, se puderem, sonhem comigo!

Sergio Diniz da Costa

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A força da amizade

Do sonho compartilhado nasce a literatura infantil

A força da Amizade
A força da amizade. A turma da Malu

A literatura infantil ganha ainda mais cor e sentido quando nasce da amizade e do sonho compartilhado.

É assim com Lucivânia Orlandi Palma e Mariléa Aparecida Castilho Bonilha, duas educadoras apaixonadas por histórias, que transformaram sua experiência em sala de aula em um projeto literário cheio de carinho e inclusão.

Lucivânia, que carrega um nome único escolhido pela avó, descobriu o poder da leitura ainda pequena, ouvindo as histórias contadas por sua professora Doroty.

Lucivânia e Mariléa
Lucivânia e Mariléa

Mais tarde, como alfabetizadora, percebeu que os livros tinham a força de encantar, ensinar e transformar.

Em 2022, lançou A Turma da Malu, voltado para alfabetização, e agora se aventura em seu primeiro livro de literatura infantil.

Mariléa encontrou nas estrelas e na natureza da Serra da Mantiqueira a inspiração para criar poemas e histórias.

Desde os tempos da escola rural, se encantou com o mundo mágico da leitura, dedicando-se depois à educação.

Formada em Magistério e Pedagogia, hoje é autora de obras que encantam crianças de todas as idades, sempre repletas de mensagens inspiradoras.

Da amizade entre as duas nasceu A Força da Amizade, livro que apresenta a história da chegada de Malu, uma menina cadeirante, a uma nova escola.

A narrativa revela como a turma se uniu, criou laços de amizade e abraçou o objetivo de arrecadar fundos para construir um parque inclusivo.

Mais do que um livro, a obra é um convite a celebrar a diversidade, a empatia e a beleza dos encontros.

Lucivânia e Mariléa mostram que a literatura infantil pode ser doce, divertida e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora.

REDES SOCIAIS DAS AUTORAS

A FORÇA DA AMIZADE. A TURMA DA MALU

SINOPSE

Mudar de escola pode ser um turbilhão de emoções, e para Malu não é diferente, ela teme não ser aceita por usar cadeira de rodas.

Ela se preocupa se os colegas vão querer brincar com ela ou tratá-la diferente.

No fundo, Malu só deseja fazer amigos e ser acolhida com carinho.

Nesta jornada, ela descobre que a nova escola pode trazer grandes oportunidades, amizades e aprendizado.

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRAS DAS AUTORAS

A força da amizade. A turma da Malu
A força da amizade. A turma da Malu

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Ode à Competência

Jornal ROL inaugura nova seção: ODE À COMPETÊNCIA, e apresenta aos leitores um nordestino arretado:
Bruno Alves Feitosa!

Logo da seção Ode à Competência
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Bruno Alves Feitosa
Bruno Alves Feitosa

Bruno Alves Feitosa é um brasileiro, feito ‘radiografia’ do Nordeste. Filho do professor universitário Nivaldo Alves Feitosa e de Maria de Lourdes da Silva, é natural de Recife (PE).

Posteriormente, transferiu-se com a família-se para Natal (RN) e, no início dos anos 80, fez de Recife (PE) seu segundo lar, trazendo para o estado acervos culturais, como o Cavalo Piancó. Do mestre Nonato Araújo, de Fortaleza (CE) , foi-lhe concedido o privilégio de articular o Jaraguá Reisado em Pernambuco, dentro do Maracatú Nação, do Cangaço e da Ciranda.

Bruno é artista cultural multifacetado: promotor da preservação do meio ambiente, da agricultura e do Patrimônio das tradições culturais; diretor de dois blocos de Carnaval: Bloco Cultural Cavalo Piancó e Bloco Cultural Malassombro do Jaraguá; locutor da Rádio Amizades da Saozinha; membro do Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno; jornalista da Produtora de Filmes Latinidade; membro do Bará Brasil África Raízes Ancestrais Diversidades Culturais Afroindígenas em Minas Gerais e defensor dos direitos sociais na empresa Recanto Intelectual.

Bruno Alves Feitosa
Bruno Alves Feitosa

Na qualidade de presidente da República Alternativa Cultural Recife, Instituto que foi idealizado no ano de 1989 por ele e pelo professor e pedagogo Nivaldo Alves Feitosa, com um acervo multicultural e uma constelação de 48 reis e rainhas da cultura nordestina, tem como objetivo utilizar o multiculturalismo como ferramenta pedagógica, onde valores humanos são engajados para o exercício da cidadania cultural, a partir da interpretação da cultura como um acervo de conhecimentos aplicados mediante as capacidades humanas, agregadas em pleno exercício, visando a construção da identidade histórica de uma sociedade.

Buno Alves Feitosa é um expoente do veículo de comunicação, que tem como objetivo fundamental articular o acervo das tradições culturais como ferramenta multidisciplinar, que visa o engajamento da sociedade ao exercício da consciência de identidades, promovendo, assim, a preservação do Patrimônio Histórico e da Herança Cultural no Brasil e no mundo. Tem trabalhos realizados por meio de vários congressos culturais, como também pela rádio.

Na área da educação, Bruno é um incansável estudante: Doutorado em Jornalismo pela Coniedi; Doutorado em Ciência da Religião e Capelania, e Pós-Graduação em História da Igreja pelo Instituto Teológico Jeová Rafá – ITEF e Pós-Graduação em Jornalismo e História e Cultura Afro-indígena, pela Educa Mais Minas.

Na área acadêmica, detém o título de Cônsul Honorário de Pernambuco, outorgado pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências Letras e Artes – FEBACLA.

Apresentação do Cavalo Piancó: https://www.youtube.com/watch?v=Fu3YpAr8h8Y

Reisado Folia de Reis – Apresentação do Jaraguá: https://www.youtube.com/watch?v=oT7ZYiQzxn0

Bruno Alves Feitosa, desta forma, inaugura, honrosamente, a nova seção do Jornal Cultural ROL: ODE À COMPETÊNCIA! E, a partir de agora, também passa a ser Correspondente Cultural pelo Nordeste!

Bruno Alves Feitosa
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“Meu sonho nem sempre foi escrever.”

Entrevista com a escritora espanhola María Beatriz Muñoz Ruiz

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Caros amigos e leitores:

É sempre um prazer poder me comunicar com vocês por meio desta plataforma. Que maravilha saber que estamos conectados, independentemente da distância! Hoje tenho o grande privilégio de apresentar a vocês uma mulher brilhante, uma escritora e poetisa que cativa com sua criatividade; uma amiga, mas acima de tudo, uma mulher com uma alma humanista que admiro muito. Tenho a honra de me comunicar com ela há muitos anos, à distância.

María Beatriz Muñoz Ruiz , também conhecida como Dama Oscura , originária de Granada, Espanha. É autora de mais de 25 livros, entre novelas e poemas. É coautora de CANTO PLANETARIO: HERMANDAD EN LA TIERRA HC Editores, Costa Rica 2023.
Foto: 10 de agosto de 2025. Cortesia.

Ela é María Beatriz Muñoz Ruiz, também conhecida como a Dama Negra, originária da bela cidade de Granada, Espanha. Esta entrevista se concentra mais nas mulheres; embora abordemos o mundo literário, a conversa é breve, mas muito enriquecedora. María Beatriz nos fala sobre sua vida pessoal, suas reflexões sobre amizade e nos conta sobre seu avô, uma pessoa muito querida para ela, que sempre admirou sua escrita. Claro, ela também fala sobre o marido, o primo, a quem considera um irmão, e seus hobbies favoritos. Ela confessa que escrever não foi sua primeira opção de carreira, pois queria estudar algo relacionado à medicina legal ou à saúde.

María Beatriz sempre me surpreende. Tudo o que posso dizer é que a admiro enormemente, pois ela sabe organizar seu tempo para se dedicar à leitura, à família, ao trabalho e até ao TikTok, enquanto cultiva sua paixão pela escrita. Ela escreve poesias, artigos de opinião, crônicas e entrevistas com escritores, poetas e artistas.

Beatriz também é diretora da revista literária e cultural, anteriormente chamada One Stop, que este ano passou por uma mudança significativa, tanto em sua plataforma web quanto em seu nome: agora é One Stop New. Esta revista promove escritores, poetas e artistas de toda a América Latina e além. Ela é responsável pela edição dos artigos e conteúdos recebidos para publicação no site. Convido você a visitar esta revista e mergulhar no fascinante mundo da cultura e da literatura contemporâneas.

María Beatriz também nos conta o que significou para ela fazer parte da antologia de poesia Canto Planetário: Hermandad en la Tierra (Canção Planetária: Irmandade na Terra), HC Editores, Costa Rica, 2023. Ela é autora de mais de 25 livros, entre romances e coletâneas de poesia. Aliás, recomendo a compra de sua coletânea de poesia mais recente, Mariposa de Alas Azules (Borboleta de Asas Azuis), disponível na Amazon em formato impresso e digital (Kindle).

Espero que vocês gostes desta conversa:

Como você se sentiu ao publicar seu primeiro romance?

Meu primeiro romance foi Quando o Destino nos Uniu, e a verdade é que tenho um carinho especial por esse romance porque foi o meu primeiro, porque ousei dar esse passo e porque ele guarda memórias preciosas do processo criativo. Lembro-me de repassar cada capítulo que terminava para meus colegas e da felicidade que sentia no dia seguinte quando os ouvia dizer que precisavam de mais.

Qual a origem do seu pseudônimo Dark Lady?

Quase todos os meus romances são românticos, e digo quase todos porque, quando quero romper com os padrões estabelecidos, me refugio na Dark Lady, meu pseudônimo para ser um tipo diferente de escritora. Todos sabemos que escritores também são rotulados e que mudanças podem não ser agradáveis, e é por isso que criei essa linha de luz e escuridão. Ao longo da minha vida, sempre tive muita consciência dessa moeda de dois lados, a luz e a escuridão que todos carregamos, e é por isso que ela sempre se refletiu em meus romances, poemas e artigos de opinião.

O que você buscou transmitir ou criar por meio de seus romances?

Em relação aos meus romances, eu queria criar um mundo mágico onde o amor sempre triunfa. Espero que, quando o leitor voltar para casa após um dia difícil, leia meu romance e seja transportado para um mundo cheio de aventura, paixão, erotismo e amor.

O que você pode nos contar sobre seu romance ‘Glam Girls Wanted’?

Como já disse, tenho um carinho especial pelo meu primeiro romance, mas, entre todos os meus romances, também tenho um romance de estreia em um gênero que nunca usei antes: comédia. Refiro-me a ‘Wanted: Glam Girls’. Este romance é muito especial para mim porque é inspirado nas minhas colegas de trabalho, aquelas que sempre me fazem sorrir e com quem eu iria a qualquer lugar do mundo.

Na minha opinião, não existem trabalhos fáceis ou difíceis; existem colegas fáceis ou difíceis que fazem você amar seu trabalho ou odiá-lo, e graças às minhas Glam Girls, vou trabalhar todos os dias com um sorriso. Obrigada, Lore, Isa, Encarni, Vane, Vero, Leo, Debo e Nadia, porque escrever este romance foi uma aventura inesquecível da qual vocês participaram sendo vocês mesmas, únicas e incomparáveis.

Que emoções ou sensações você experimenta ao escrever poesia?

Quanto aos meus poemas… devo confessar que são bastante profundos e, na maioria das vezes, carregados de tristeza e melancolia. A razão para isso é que, quando sinto a tristeza apertando meu peito e formando um nó que me sufoca, preciso extravasar essa dor. Logicamente, isso poderia ser considerado uma espécie de terapia, mas sinto como uma tábua de salvação que me permite renascer repetidamente, permitindo-me continuar mantendo minha essência sem me afogar naquele poço profundo e escuro que às vezes me consome. Luz e sombra, sempre mantenho essa luta incessante entre meus dois eus. Minha nova coletânea de poemas, ‘Borboleta de Asas Azuis’, é um exemplo da minha luz e sombra, uma coletânea que dedico a pessoas que têm dias azuis, mas silenciosamente batem as asas e voam alto apesar de tudo.

Como você descreveria seus poemas e artigos de opinião?

Assim como em meus romances, poemas e artigos de opinião, revelo cada um dos meus estados de espírito em um dado momento. Em meus artigos, sou crítico, filosófico e, às vezes, bastante direto. Ao longo dos anos, meus artigos evoluíram e mudaram comigo, porque as pessoas mudam, e o que você pensa sobre um assunto hoje pode ser diferente do que você pensa amanhã. Nunca me contradigo; evoluo, certo ou errado, mas evoluo porque as rugas da alma fazem você aprender e mudar.

Você desprezaria alguma religião? Por quê?

Estudei em uma escola católica e, embora com o passar dos anos e devido a certas circunstâncias da vida, tenha deixado de ser católico, jamais desprezarei uma religião fundada no conceito fundamental do amor. Em um dos meus artigos, eu disse que não mudaria nada no meu passado, já que cada etapa me fez quem eu sou, e não quero ser outra pessoa, então não apagaria nada do meu passado, já que cada caminho me ensinou algo.

Jamais entenderei pessoas que acreditam possuir a verdade e a sabedoria infinita por pertencerem a uma determinada religião. A base de qualquer religião é o respeito, e para quem tem dúvidas, tolerância não é o mesmo que aceitação e respeito. Por que não pode haver um mundo onde todas as crenças sejam respeitadas e possamos viver juntos em paz? Bem, que absurdo eu acabei de dizer depois de ver um mundo em guerra onde a vida humana é tão pouco importante.

Você pode compartilhar alguma anedota ou lembrança especial sobre seu avô?

Meu avô foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele compartilhava meu amor pela literatura. Ainda me lembro dele chegando em casa com o último romance de uma nova coleção que estava saindo, que ele sabia que eu devoraria em dois dias. Ele era a alegria em pessoa, uma paciência infinita e a pessoa que sempre estava lá para mim. Meu pai me lembra muito meu avô; paciente, silencioso, mas sempre presente quando preciso dele.

Sempre que penso no meu avô, nos bons momentos e no seu sorriso cativante, uma lembrança dolorosa me vem à mente: nunca consegui me despedir dele porque os médicos me avisaram que, na minha condição, era perigoso ir ao hospital e que eu poderia entrar em trabalho de parto prematuro e perder meus bebês. Por eles, eu dei e daria tudo. Meus gêmeos Guillermo e Paula ainda são e sempre serão minha prioridade, mas aquele pequeno detalhe marcou minha vida. Senti falta de dizer a ele o quanto o amava e de lhe dar um abraço apertado.

Você se considera mais uma pessoa solitária ou voltada para a família?

Não sei se já expressei isso em meus escritos, mas, apesar de ter uma alma solitária, sou extremamente voltada para a família. Eles sempre foram o pilar sobre o qual me sustentei e que me apoiaram, não importa o que eu faça. Às vezes, penso que minha alma está presa neste mundo e nesta vida por causa de todas aquelas pessoas que dizem ‘eu te amo’.

A palavra ‘eu te amo’ é a palavra mais poderosa do mundo e a que mais nos prende à terra.
Quando dei à luz meus gêmeos, sofri de depressão pós-parto grave. Eu não queria continuar vivendo e, naquele momento, meus filhos foram os que me salvaram. É por eles que continuei vivendo e é por eles que me levanto repetidamente e continuo caminhando, apesar das minhas feridas.

Quando sinto que o mundo não me entende, ou que sou eu quem não entende o mundo, eu amo a solidão. Eu gostaria de me trancar na torre mais alta e que ninguém me incomodasse. Eu gostaria de desaparecer, de ser invisível e que o mundo me esquecesse. Então, para responder à sua pergunta: eu sou as duas pessoas: a solitária e a voltada para a família. Sou sempre dois lados da mesma moeda, mas sempre mostro um lado para não preocupar os outros nem dar explicações. Eu sempre escalo a montanha com minha mochila cheia de pedras e, em algum momento do caminho, consigo deixar algumas cair e recuperar o fôlego para continuar.

Como seu marido influenciou sua vida?

Meu marido também teve uma grande influência na minha vida. Ele sempre foi quem me deu aquele empurrãozinho de que eu precisava quando minha insegurança me impedia. Nós nos conhecemos em 15 de agosto em um casamento. Eu estava sentada, meio forçada, em uma mesa onde estava o público mais jovem. Eu odeio quando as pessoas fazem coisas assim, mas graças a isso, conheci a pessoa com quem compartilho minha vida hoje. De um canto da mesa, ele me observou soprar o gaspacho frio que eu pensava ser consomê. Olhei ao redor e pensei que ninguém tinha me visto. Respirei aliviada, mas houve alguém que não deixou de notar aquele gesto. Meu marido se apaixonou por mim naquele momento constrangedor, como se fosse eu, e estamos juntos desde então. Quem nos conhece sabe que somos opostos, mas isso nos complementa e nos mantém caminhando juntos neste caminho, que às vezes foi repleto de dificuldades que superamos.

Como você se descreveria e quão seletiva você é com seus amigos?

Sempre fui uma garota alegre e extrovertida, mas, acima de tudo, sempre fui seletiva. Se não gosto de alguém, me afasto. Nesse aspecto, continuo a mesma: não gosto de confrontos e, com o tempo, percebi que preciso me manter longe de qualquer coisa que afete minha paz de espírito. Por isso, atualmente me cerco de pessoas que realmente contribuem para mim. Não gosto de grupos grandes de amigos; Prefiro um grupo pequeno com quem eu possa ter uma conversa interessante.

Em dado momento, você menciona um primo que foi como um irmão para você. Qual foi o momento mais especial que você e seu primo compartilharam durante a infância?

Sou filho único, mas, como mencionei antes, pertenço a uma família muito unida, então, para mim, meu primo Jesús, filho da minha tia materna, foi como um irmão. Passávamos o dia juntos e, mesmo em certas ocasiões, quando nossos pais nos deixavam com os avós, morávamos juntos. Meu primo e eu discutimos como irmãos, compartilhamos risadas, segredos e uma vida inteira juntos. Para os filhos dele, sou tia María, e para os meus, ele é tio Fandi.

Não sei se se pode dizer que foi o momento mais especial, mas é o que me lembro com carinho. Então, se eu tivesse que escolher um momento, seria o dia do meu casamento. Ele estava sempre ao meu lado e fazia parte da cerimônia, carregando as alianças. Mas me lembro especialmente de quando saímos da igreja e ele me abraçou. Aquele abraço marcou um antes e um depois. Foi como dizer adeus à vida que tínhamos conhecido até então. E embora minha vida permanecesse quase a mesma, tudo mudou. Foi um adeus àquela infância compartilhada.

Por que você se chama María para sua família e Bea para todos os outros?

Sim, eu me referia a mim mesma como María, mas, na realidade, apenas minha família me chama de María. Para todos os outros, eu sou Bea. E tudo isso graças à ideia da minha mãe de colocar M. Beatriz no meu babador da escola. Imagine a cara da minha mãe quando lhe disseram que, se a filha dela fosse surda, ela não responderia pelo nome quando a chamassem. Então, desde pequena, descobri que para minha família eu sempre seria María, e para todos os outros, Beatriz.

Apesar do seu grande interesse pela mente humana e pela área da saúde, o que a levou a descobrir que medicina não era a carreira certa para você?

Escrever nem sempre foi meu sonho. Quando eu estava decidindo sobre um curso universitário, eu queria cursar medicina forense. Graças a Deus não consegui a nota necessária, porque acho que não teria gostado. A verdade é que sempre amei Medicina, então queria superar esse problema me formando em Auxiliar de Enfermagem e Auxiliar Psiquiátrico. Devo dizer que sou apaixonada pela mente humana. Parece um mundo incrível e imprevisível para mim. Mas recentemente descobri que não seria capaz, pois tenho muita empatia pelas pessoas e tenho dificuldade em ver alguém sofrer. Então, depois de estudar várias coisas na área da saúde, descobri que simplesmente adoro aprender, mas não tenho vocação para isso.

No meu trabalho atual, certa manhã, uma idosa caiu na escada rolante, acho que devido a um derrame. Corri do outro lado, e uma cliente, que era enfermeira, e tentei mantê-la viva até a ambulância chegar. Talvez minhas palavras de conforto tenham sido as últimas que ela ouviu, pois soube que ela havia morrido no hospital. Não é que eu seja inapta para o trabalho; É que, no fim das contas, a tristeza dos doentes não me deixava ser feliz. Não suporto perder pessoas e sei que também não conseguiria fugir daquele momento. Eu seria do tipo que seguraria a mão delas e não soltaria, mas isso acabaria comigo.
Também adquiri bastante formação em educação infantil e psicologia infantil, mas não sei se algum dia terei coragem de descobrir se teria paciência para fazer esse trabalho.

Quais aspectos do trabalho como Técnico de Consumo você achou mais gratificantes e quais desafios encontrou ao trabalhar como Gerente de Comunidade em gerenciamento de mídias sociais?

O que eu gostava de estudar e praticar era Técnico de Consumo. Adoro lidar com pessoas, sou bom em atendimento ao cliente e gostei desde o início, mas infelizmente não há muito trabalho nessa área.
Fiz meu curso de Gerente de Comunidade em uma instituição particular e, apesar de gostar e ter formação em marketing digital, reconheço que as mídias sociais são extremamente desgastantes e podem ser um trabalho complicado nesse sentido. Eu adoro marketing digital; é um pouco como psicologia, uma forma de dar visibilidade ao seu conteúdo e fazê-lo aparecer nos mecanismos de busca do Google. É um desafio constante e uma vitória se alcançado.

Atualmente, estou cursando aperfeiçoamento em marketing digital pela Universidade de Vitoria-Gasteiz e aplicando meu conhecimento à minha revista cultural, One Stop New, anteriormente chamada One Stop.
O One Stop foi o início de um projeto lindo que cresceu, como tudo na minha vida, daquela frase que costumo dizer: “Se os outros podem, eu também posso”. Foi um projeto que comecei com o apoio das minhas amigas Carmen Mari e Carol, e ao longo do caminho conheci uma das pessoas que mais me ajudaram na minha jornada literária. É você, querido Carlos Javier, que se tornou um ícone cultural e me guiou nesta jornada incansável.

José Luis Ortiz também faz parte desse grupo de amigos que aparecem e oferecem apoio incondicional. Paloma Albarracín também estava lá no início do One Stop, e sempre serei grata por seu apoio.
Sempre serei grata a todos que me incentivaram no começo e acreditaram em mim. Sinto-me afortunada por sempre ter estado cercada de pessoas boas.

Quais aspectos do trabalho como Técnico de Consumo você achou mais gratificantes e quais desafios encontrou ao trabalhar como Gerente de Comunidade em gerenciamento de mídias sociais?

O que eu gostava de estudar e praticar era Técnico de Consumo. Adoro lidar com pessoas, sou boa em atendimento ao cliente e gostei desde o início, mas infelizmente não há muito trabalho nessa área.

Eu me formei em Gerente de Comunidade em uma instituição particular e, apesar de gostar e ter formação em marketing digital, reconheço que as mídias sociais são extremamente desgastantes e podem ser um trabalho complicado nesse sentido.

Eu adoro marketing digital. É um pouco como psicologia: uma forma de dar visibilidade ao seu conteúdo e fazê-lo aparecer nos mecanismos de busca do Google. É um desafio constante e uma vitória se conquistada.

Atualmente, estou cursando especialização em marketing digital na Universidade de Vitoria-Gasteiz e aplicando meu conhecimento à minha revista cultural, One Stop New, anteriormente chamada One Stop.

One Stop foi o início de um projeto lindo que cresceu, como tudo na minha vida, daquela frase que costumo dizer: “Se os outros podem, eu também posso”. Foi um projeto que comecei com o apoio das minhas amigas Carmen Mari e Carol, e ao longo do caminho encontrei uma das pessoas que mais me ajudaram na minha jornada literária. É você, querido Carlos Javier, que se tornou um ícone cultural e me guiou nesta jornada incansável.

José Luis Ortiz também faz parte desse grupo de amigos que aparecem e oferecem seu apoio incondicional. Paloma Albarracín também estava presente no início de One Stop, e sempre serei grato por seu apoio.

Sempre serei grato a todos que me incentivaram no início e acreditaram em mim. Sinto-me afortunado por sempre ter estado cercado de pessoas boas.

O que você acha da amizade?

Sempre acreditei que as pessoas aparecem na sua vida no momento certo e desaparecem para reaparecer na vida de outras que podem precisar mais delas. É por isso que me lembro com carinho daqueles amigos que, por obra do destino, seguiram outros caminhos. Tive muitos bons amigos na vida, e ainda os tenho hoje, mas sempre houve uma amiga que esteve sempre ao meu lado quando precisei. Essa é a Soraya. Uma daquelas amizades que, não importa quanto tempo passe, quando nos encontramos, parece que nos vimos no dia anterior. Somos Sininho e Periwinkle, amigas de bebidas, lágrimas, risos e segredos.

Conte-nos sobre seus hobbies favoritos.

Quando me perguntam sobre meus hobbies, sempre tive dificuldade em responder brevemente. Sempre quis fazer tudo, mesmo que não fosse bom nisso, mas também me canso rapidamente e costumo experimentar outras coisas. Adoro andar de skate, mas desisti quando soube que nunca aprenderia, então lá estão meus patins inline no armário, lindos e brilhantes. Também tentei andar de skate, mas tive o mesmo problema, então troquei para um patinete com guidão, e eu era bom nisso, mas aí surgiram os elétricos, e não vou mais andar neles.

Consigo jogar tênis e sinto vontade de me espremer um pouco de vez em quando, mas não gosto de correr muito, então, se não for em duplas, me caso depois de vinte minutos. O padel me estressa, e não consigo bater na bola com aquela raquete pequena; prefiro uma raquete de tênis.
Claro, adoro dançar qualquer coisa e sou boa nisso, então, seja qual for o tipo de música dançante ou não, meu corpo se move e se adapta a qualquer ritmo.

Adoro desenhar. Aliás, não me matriculei em Belas Artes na universidade porque havia pouquíssimas oportunidades de emprego, mas sempre me arrependerei, pois poderia ter sido muito boa nisso. Até pintei alguns quadros no estilo mangá para meus amigos.

Adoro plantas e ler sobre suas propriedades curativas e mágicas. O curioso é que costumo gostar de plantas simples, aquelas sem flores chamativas, aquelas que passam despercebidas por serem simplesmente maravilhosas do jeito que são.

Meu maior hobby, como você pode imaginar, é ler. Desde pequena, devoro livros. Certa vez, perdi a noção do tempo na biblioteca da escola. Trancaram as portas e eu não consegui sair, então meus pais quase chamaram a polícia.

O que você acha da velocidade com que seu cérebro conecta milhões de ideias e como essa capacidade afeta sua percepção do mundo e sua concentração?

Não sei se isso pode ser considerado um defeito ou uma virtude, mas meu cérebro muitas vezes age de forma diferente dos outros. Em milissegundos, consigo conectar milhões de ideias rapidamente, apenas para, de repente, ser absorvido por algo, e o mundo deixa de existir para mim. Acho que é por isso que consigo me concentrar em meio ao caos e criar o caos dentro do silêncio.

O que você acha da velocidade com que seu cérebro conecta milhões de ideias e como essa capacidade afeta sua percepção do mundo e sua concentração?

Não sei se isso pode ser considerado uma falha ou uma virtude, mas meu cérebro frequentemente age de forma diferente dos outros. Em milissegundos, consigo conectar milhões de ideias rapidamente e, de repente, me absorvo em algo, e o mundo deixa de existir para mim. Acho que é por isso que consigo me concentrar em meio ao caos e criar o caos dentro do silêncio.

O que significou para você fazer parte da antologia CANTO PLANETARIO?

Obrigada, querido Carlos Jarquín, por me convidar para esta experiência incrível de fazer parte do Canto Planetario, que é uma maravilhosa coletânea literária com autores dos cinco continentes que se unem em um grito de socorro pelo nosso planeta. Foi maravilhoso fazer parte de algo tão grandioso e belo, um projeto que exigiu muito trabalho e resultou em uma referência literária. Dizem que o destino coloca pessoas no seu caminho que te acompanham e te ajudam ao longo do caminho. Uma dessas pessoas é ele, pois pude conhecer pessoas maravilhosas e crescer na minha carreira graças à sua ajuda.
Sobre o nosso planeta, devo dizer que amo os animais. Suas almas são melhores que as dos humanos. Eles não esgotariam os recursos do planeta como nós. Até os animais mais selvagens caçam para sobreviver. No entanto, os humanos são predadores, tanto de si mesmos quanto do planeta, simplesmente por ego.

No link a seguir, María Beatriz Muñoz apresenta seu livro mais recente, intitulado ‘Mariposa de alas azules‘ (Borboleta de asas azuis), disponível na Amazon:

Carlos Javier Jarquín

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Imperativo

Ella Dominici: Poema ‘Imperativo’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA da Meta – 21 de agosto de 2025,
às13:47 PM

Acode- me do exílio das manhãs
dê-me leite mel e mais romãs
o além da estrada é portal
do lá em casa

lá há o sentir correndo de meu peito
ao avoante-fugaz- sanhaço
palavras caras e preciosas no
azul- ligeiro de cinza- sereno

canção no canto mais que audaz
te quero pleno
demora-me pássaro assaz
acode- me do exílio das manhãs
com mais romãs…

Ella Dominici

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La espiga negra

Marta Oliveri: Cuento ‘La espiga negra’

Marta Oliveri
Marta Oliveri
Imagem criada por IA da Meta - 18 de agosto de 2025, às 12:37 PM
Imagem criada por IA da Meta – 18 de agosto de 2025,
às 12:37 PM

Cuenta la leyenda que hace mucho tiempo, en épocas difíciles de precisar, esas que por decir de algún modo  rompen con la línea de Cronos. En  aquellos benditos lugares de Nunca Jamás, o Había una Vez. Creció entre las flores de un jardín, una pequeña espiga negra.

 En verdad, más que espiga era una extraña flor cuyos pétalos semejaban  los delicados flecos de una pluma  apenas abiertos, sutiles y suaves al tacto, casi intangibles. Alzó la espiga, su delgado tallo como una deslumbrante sombra entre tantos coloridos matices. 

Quien primero la descubrió fue la brisa que deslumbrada  por su etéreo porte, inmediatamente se enamoró de ella  y olvidándose del resto solo a la espiga negra meció.

Y en las noches, secretamente, besaba su frágil cuerpo, haciendo que ondulara en danzas semejantes a las de una odalisca. Y obnubilada por su amor, la brisa  terminó olvidándose de la existencia de las otras flores, de las pequeñas y rechonchas margaritas, incluso de las amapolas, los lirios y hasta de las rosas. 

¡Esto es inadmisible!. Dijeron las flores mirando con malos ojos a la espiga negra. ¿Con qué derecho  acapara todos sus favores?.

 No podemos  desplegar nuestros pétalos, ni lucir nuestra hermosura. Agregaron indignadas.

A mí, hasta me empieza a faltar el aire. Se quejó una amapola. Y  las rosas del rosal agregaron molestas. ¡Míranos, parecemos estatuillas de vitrina!, sin movimiento, el rocío se nos estanca en los pétalos y quedamos rígidas como malas réplicas de esas que habitualmente venden como baratijas.

Yo pienso que la  ha hechizado, afirmó con ánimo una margarita, las otras agregaron coreando. Es rara y negra, ¿Quién ha visto crecer entre flores decentes a una espiga negra? 

No hay duda, dictaminó un lirio:¡Es una mutación de la naturaleza, de ahí sus extravagantes costumbres!.

¿Costumbres? Preguntó un Jazmín

Claro, respondió el lirio. Ondular como una odalisca seduciendo a la brisa, ¿o no has visto como enloquece cuando meciéndola la besa con su aliento que huele a raras especias?

¡Es verdad! Es verdad!. Corearon las margaritas. ¡Sin duda es una mala semilla que ha caído por desgracia  en este jardín!. Un sitio de  buenas costumbres, por  no agregar: un espléndido sitio para el recogimiento y la contemplación, como corresponde a los jardines que se precien de tales.

“Sin duda.” Y en este punto todos estuvieron de acuerdo.

La espiga negra, de naturaleza melancólica, ya de por sí no podía reaccionar  frente a aquel  conjuro de chillones infundios, notaba que su vida estaba a merced de las circunstancias, era presa de lo que los demás decidieran hacer con ella y esto pesó mucho en su frágil corazón, porque  efectivamente, aun siendo una pequeña espiga, una rara creación vegetal, un malentendido de la naturaleza, tenía un corazón, motivo por el cual no podía escapar al sufrimiento.

Y  cuando llegó la brisa  para besarla, notó que sus delgadísimos pétalos estaban humedecidos. Era  de noche y el rocío no se haría sentir hasta el inicio del alba, por lo tanto, aquello no era el rocío, sino lágrimas que brotaban directamente del centro de su tallo donde tenía alojado su pequeño corazón de flor  silvestre 

La brisa comprendió en el acto el motivo de su pena, dado que conocía muy bien la naturaleza de las flores y admitió que de algún modo era culpa suya  haber marcado la diferencia. Y también supo al instante la confabulación  que se estaba tramando en el jardín. 

Es que la hechicería  de sus fulgores, la oscuridad, su luz extraña. Todo ello, era parte de lo que indignaba a las almas vulgares.

 Entonces llamó a su hermano el viento mayor, cuyo  aliento desprende aún las más férreas raíces, 

y el viento vino y plegó sus alas sobre la espiga negra, arrancándola de la tierra sin herir su raíz, elevándola por encima de aquel jardín de buenas gentes para llevarla muy lejos a un territorio donde crecen las criaturas extrañas y negadas a la vista de los mortales ojos.

Allí, están los exiliados de este mundo que  protegen el tesoro de los tiempos, los sueños, las metáforas y el amor de los hechizos con el que se nutre el corazón de las fábulas.

Marta Oliveri

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A palavra ‘cousa’

Fidel Fernando

“A palavra ‘cousa’ e o valor da memória linguística”

Fidel Fernando
Fidel Fernando
Imagem gerada por IA do Bing – 14 de Agosto de 2025, às 21:11 PM
Imagem gerada por IA do Bing – 14 de Agosto de 2025, às 21:11 PM

A língua portuguesa, rica em história e transformações, guarda em si memórias que atravessam séculos. Entre estas, encontram-se palavras que, embora pouco usadas hoje, continuam a ter valor linguístico, literário e cultural. Um exemplo é o vocábulo ‘cousa’, variante de ‘coisa’, cujo uso, embora arcaico, permanece legítimo e digno de reconhecimento.

Compreender e respeitar essas variantes não é apenas uma questão gramatical, mas também um acto de preservação da identidade e da memória colectiva, especialmente no contexto angolano e brasileiro, onde o português se entrelaça com outras heranças culturais e linguísticas.

A alternância entre os ditongos ‘oi’ e ‘ou’ em palavras como ‘coisa’ e ‘cousa’ demonstra que a língua portuguesa não é estática. Essas variações são consagradas pelo uso e convivem nos dicionários e nos registos literários como testemunho da evolução linguística.

A. Tavares Louro, no Portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, salienta que tais variações são legítimas dentro da tradição da língua. Além disso, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) reconhece essas formas como válidas.

Em Angola, onde o português convive com línguas bantu como o kikongo, kimbundo e o umbundo, o uso e a variação de palavras é ainda mais significativo. A exposição a registos linguísticos diversos permite à população desenvolver uma consciência mais flexível e aguda da língua.

A presença de palavras como ‘cousa’ em textos escolares ou obras literárias pode parecer estranha para as gerações mais novas, habituadas à forma moderna ‘coisa’, mas conhecer a sua existência é fundamental para uma leitura crítica e informada da literatura lusófona clássica.

Exemplos dessa presença são notórios em autores como Luís Vaz de Camões, cujo verso “Transforma-se o amador na ‘cousa’ amada” mostra como o termo fazia parte do léxico poético de sua época. De maneira semelhante, o ‘Sermão a Santo Antônio’, conhecido como ‘Sermão aos Peixes’, de Padre Antônio Vieira menciona: “A primeira ‘cousa’ que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros”, evidenciando a presença do termo numa obra clássica da literatura de expressão portuguesa.

Além disso, na contemporaneidade, há a canção de Joaquim Manoel da Câmara (2017), onde se canta: “Triste ‘cousa’ é de amar só”.  Esses exemplos mostram que a palavra “cousa” tem sido usada para expressar sentimentos profundos, ideias complexas e mesmo metáforas do quotidiano, demonstrando a sua carga simbólica.

No quotidiano angolano, palavras como ‘coisa’ e expressões similares, como ‘aquele negócio’ – típico do Brasil ou ‘o coiso’, são frequentemente utilizadas para substituir nomes do que não nos lembramos ou não conhecidos no momento da fala. Esta versatilidade reflecte uma característica universal da linguagem: a sua capacidade de adaptação.

Assim, dizer “Passa-me aquele negócio ali em cima da mesa… isso, o que abre garrafa!” ou “Estou a lembrar do coiso… daquilo que estudamos na aula passada… tinha a ver com biologia celular” ou, ainda, “Eu encontrei a coisa, a amiga do João… como é o nome dela mesmo?” revela uma função comunicativa essencial, que não depende da forma correcta do vocábulo, mas, sim, da sua eficácia na comunicação.

Aqui, faço um parêntesis para dizer que essa variação do ditongo ‘ou’ em ‘oi’ não se dá só com as palavras ‘coisa’ e ‘cousa’, há também ‘oiro’ e ‘ouro’, ‘loiro’ e ‘louro’, ‘loiça’ e ‘louça’, ‘oiço’ e ‘ouço’, presentes na língua viva e constam, inclusive, no VOLP.

Voltando à vaca fria, a palavra ‘cousa’ pode ter caído em desuso, mas permanece viva na memória da língua. Como as pessoas, as palavras nascem, crescem e, por vezes, desaparecem, mas a lembrança delas é uma forma de manter viva a nossa história comum.

Assim, lembrar e valorizar formas arcaicas é respeitar o percurso da língua e os seus muitos falantes. Não se trata apenas de reconhecer uma variante: trata-se de compreender que a língua é feita de passados, presentes e futuros. E nesse sentido, a ‘cousa’ tem tanto valor quanto a ‘coisa’.

Fidel Fernando

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