Dia do Carinho

Denise Canova: Poema ‘Dia do Carinho’

Denise Canova
Denise Canova
Imagem criada por IA da Meta - 18 de agosto de 2025, às 08:52 PM
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às 08:52 PM

Dia do Carinho

é amor

Afeto e gesto

Eu dou carinho

E você? Já dou hoje?

Doe agora.

Dama da Poesia

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Concurso de Trovas

Carlos Carvalho Cavalheiro vence Concurso de Trovas em Maringá

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro

O poeta, escritor e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro obteve o 1º Lugar no XI Concurso Literário Cidade de Maringá, no Paraná, na categoria ‘Novo Trovador’. O tema da trova proposto pela comissão organizadora do concurso foi ‘Traição’.

O concurso foi realizado pela Academia de Letras de Maringá (ALM) e pela União Brasileira de Trovadores (UBT), Seção Maringá. Novo Trovador é a categoria reconhecida pela UBT para todos aqueles que ainda não obtiveram 3 (três) classificações entre os 5 (cinco) primeiros colocados em três concursos de trovas oficiais da UBT em âmbito nacional.

Cavalheiro se inscreveu com a seguinte trova vencedora:

Judas, Silvério dos Reis…
não são nenhuma exceção,
se bem olhardes, vereis
em cada esquina a traição.

Carlos Carvalho Cavalheiro é professor de História na rede pública municipal de Porto Feliz (SP). Reside em Sorocaba e é Mestre em Educação e Doutorando em Comunicação e Cultura pela UNISO.

Colaborador de diversos veículos de comunicação como os jornais Tribuna das Monções e ROL, e, ainda, do Portal Marimba Selutu (Angola). É acadêmico correspondente da FEBACLA e efetivo da Academia Independente de Letras.

O resultado do Concurso foi divulgado no último sábado, dia 16 de agosto. A cerimônia de premiação será realizada em 7 de setembro, na cidade de Maringá / PR.

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Da Cidade Maravilhosa para o ROL, Renata Barcellos!

Renata Barcellos traz para o Jornal ROL o reconhecido brilho na seara lítero-acadêmica

Renata Barcellos
Renata Barcellos

Renata da Silva de Barcellos, natural do Rio de Janeiro (RJ), é pós-doutora em Língua Portuguesa e em Literatura Brasileira pela UFRJ e professora da Educação Básica à Superior.

É membro de diversos sodalícios: APALA, ALAP, AJEB RJ, SCLB MA, AMT,  AOL, ABRASCI, ABRAMIL, Pen Clube; membro correspondente do Instituto Geográfico de Maranhão, da Academia Maranhense de Letras e da Academia Vianense de Letras. 

Membro dos grupos de pesquisa GELMA e do Formas e Poética do Contemporâneo – ForPOC (CNPq/ UFMA/ CCEL).  

Âncora do Programa Pauta Nossa na Mundial News e fundadora do Barcellartes. 

Escreve matérias e entrevistas para o saite Facetubes, para o Jornal Terra da Gente e A voz do Escriba e para revistas como 7 Literário News, LiterArte SP, Revista Sarau e Voo livre.

Renata inaugura sua colaboração com o Jornal ROL com o elucidativo texto ‘Título de Doutor ‘honoris causa’ X de doutor.

Título de Doutor ‘honoris causa’ X de doutor

Universidade de Bologna -https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bologna-vista02.jpg
Universidade de Bologna https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bologna-vista02.jpg

Devido ao mau entendimento e ao uso indevido destes títulos (Título de Doutor ‘honoris causa’ X de doutor), muitas vezes, há algum tempo eu e Campos refletimos sobre esta polêmica. Decidimos escrever a fim de distingui-los a partir da última reflexão em um encontro com o professor de História Reginaldo Dias pelo Instagram @reginaldosantos_dias.

Passemos aos esclarecimentos: 

A expressão ‘honoris causa’ (ou ‘Honorary Doctor’, em inglês, abreviado como h.c.) é uma locução latina que, traduzida para o português, significa ‘por causa da honra’. Essa é usada para indicar que um título, geralmente de doutor, é concedido como uma honraria, por instituições de ensino superior, em forma estatutária (exemplo: o Art.126, da Universidade Federal do Maranhão – disponível em https://portalpadrao.ufma.br/transparencia/institucional/estatuto-final-publicado.pdf), por indicação de uma personalidade encaminhado ao conselho universitário, a fim do reconhecimento aos méritos e contribuições notáveis para a sociedade ou para a própria universidade de uma pessoa em determinada área de atuação, independentemente de possuírem formação acadêmica.

Um exemplo desta instituição foi a concessão do título ao consagrado poeta maranhense Salgado Maranhão, em 2022, na gestão do reitor da UFMA, professor Natalino Salgado. A concessão do título veio após resolução do Conselho Universitário, reunido em 10 de dezembro de 2021, por meio de videoconferência, a fim de reconhecer a figura de Salgado Maranhão pelos serviços prestados como personalidade intelectual, literária, cultural e educacional maranhense.  

A pessoa que recebe o título pode usar a abreviação ‘Dr. h. c.’ e, se tiver também um doutorado acadêmico, pode usar ‘Dr. Dr. h. c.’.  O título de ‘Doutor Honoris Causa’ remonta à época do surgimento das primeiras Universidades Europeias. Cabe ressaltar que, inicialmente, estas eram vinculadas à igreja católica. Assim, nessa época, as universidades concediam a honraria como reconhecimento à relevância acadêmica de teólogos e filósofos daquele período. Por exemplo: entre 1478 e 1479, a Universidade de Oxford, na Inglaterra, já atribuía esse título ao bispo inglês Lionel Woodville, conhecedor do direito canônico, decano e reitor da Catedral de São Pedro em Exeter. A partir do século XVIII, com as reformas napoleônicas ocorridas nas instituições de Ensino Superior, o título passou a ser entregue também a pessoas de fora da academia. Uma das primeiras instituições a conceder o título foi a Universidade de Sorbonne, por exemplo, a Alphonse Luisier. 

No Brasil, a primeira universidade a conceder o título foi a Universidade do Rio de Janeiro (posteriormente, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), em 1919, ao escritor Coelho Neto (natural de Caxias, MA, crítico, teatrólogo e renomado escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, já tinha recebido pela Universidade de Coimbra, em 1910). Com o nome de Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ – criada pelo Decreto nº 14.343, de 7 de setembro de 1920, pelo presidente Epitácio Pessoa), em 1922, concedido a João Pessoa (importante intelectual e político brasileiro).

Características do título:

Reconhecimento de mérito: título é concedido em reconhecimento às realizações e contribuições excepcionais de um indivíduo em sua área de atuação.

Sem exigência de formação acadêmica: pessoa homenageada não precisa ter um doutorado acadêmico tradicional para receber o título.

Importância da atuação: título é concedido a pessoas que se destacaram em suas áreas, como ciências, artes, letras, filosofia, ou que tenham prestado serviços relevantes à humanidade, ao país ou à própria instituição.

Relevância social e cultural: título pode ser concedido a figuras públicas, artistas, cientistas, líderes religiosos e outros indivíduos que tenham contribuído significativamente para a sociedade.

Cerimônia de outorga: concessão do título geralmente envolve uma cerimônia formal, onde a pessoa recebe o diploma e o título de Doutor Honoris Causa. O título de Doutor Honoris Causa é uma forma de prestigiar e valorizar aqueles que, por meio de suas ações e realizações, deixaram uma marca na história e na sociedade.

Não exige estudos formais: não é necessário ter concluído um doutorado ou qualquer outro curso acadêmico para receber o título. Dessa forma, trata-se de um título honorífico e não um acadêmico obtido após realização de processo seletivo em um curso de Pós-graduação strictu sensu, nível de doutorado, exigindo até 4 anos de estudo, pesquisa e defesa de uma tese em uma área específica. Desse modo, a palavra ‘doutor’ é derivada do latim ‘docere’, que, por sua vez, derivou em ‘doctoris’ (‘mestre, o que ensina’). 

Com variações características, é utilizada em quase todas as línguas modernas: por exemplo: em inglês (doctor), espanhol (doctor), francês (docteur), italiano (dottore) e alemão (Doktor).  

Os doutorados mais antigos foram em direito civil e direito canônico, criados em 1223, na Universidade Bologna, a primeira do mundo ocidental. Os doutorados em medicina (M) e Philosofia ( Ph.D ) somente foram criados em 1875, ou seja, 652 anos depois dos de direito civil e direito canônico. A justificativa para o uso de doutor para advogados costuma ser um Decreto do Imperador Dom Pedro I para os concluintes dos cursos de Ciências Jurídicas.

A tradição de chamar advogados de ‘doutor’ surgiu nos tempos do Império, com uma lei de 11 de agosto de 1827, promulgada por D. Pedro I, a qual criava os cursos de Ciências Jurídicas e Sociais no Brasil. Com ela também se regulamentou o estatuto para o curso jurídico, além de ter sido decretado que os concluintes de cursos de bacharelado receberiam o título de ‘doutor’. Assim, bacharéis em Direito começaram a ser tratados dessa maneira.  

Decreto de Dom Pedro I (de 11 de agosto de 1827): há um artigo e um capítulo específico sobre o tratamento de ‘doutor’ para os bacharéis em direito, o artigo 9 e capítulo 13. Lei do Império  (de 11 de agosto de 1827): “Art. 9.º Os que freqüentarem os cinco annos de qualquer dos Cursos, com approvação, conseguirão o gráo de Bachareis formados….”.  Lei de 3 de outubro de 1832: já, sobre a Medicina, também há uma lei parecida para tais bacharéis em seu artigo 26: “Passados todos os exames, o candidato não obterá o titulo de Doutor, sem sustentar em publico uma these, o que fará quando quizer…”.   

Também cabe ressaltar que, na atualidade, há instituições diversas como academias… concedendo a honraria. Essa prática é válida? Além disso, vale lembrar o decreto-Lei nº 3.481/1941, embora não trate diretamente da venda de títulos, estabelece que o título ‘honoris causa’ é concedido por instituições de ensino superior para reconhecer méritos, e não para fins comerciais. A legislação brasileira não possui uma lei específica que proíba explicitamente a venda de títulos ‘honoris causa’, mas a prática é ilegal por ferir princípios éticos e legais.  

Na atualidade, também vale destacar alguns contemplados pela honraria do título ‘honoris causa’ como os indígenas (dentre outros contemplados): Ailton Krenak, reconhecido intelectual e ambientalista, pela UnB; e Davi Kopenawa Yanomami, líder indígena e xamã, pela UFRR.

As mulheres contempladas: Maria da Penha Maia Fernandes (ativista e farmacêutica) pela USP, em 2022; Marisa Monte, pelas USP, em 2024. As escritoras: Cora Coralina pela UFG, em 1982. Lygia Fagundes Telles (escritora pela UnB). Carolina Maria de Jesus, pela UFRJ, 2021. Nélida Piñon pela Universidade de Santiago de Compostela onde foi a primeira mulher a receber a honraria, em 1998… Os Maçons: Ademir Cândido da Silva (Grão-Mestre Geral Adjunto) e  Walderico de Fontes Leal (Secretário Geral do GOB, na época; e atual Grão-Mestre do DF) pela UNISCECAP, 2022. E as fraternas pelos trabalhos desempenhados na FRAFEM ainda não foi concedido o título. Fica a dica para o reconhecimento.

Conheça as atividades desenvolvidas no saite: www.gob.org.br.

Concluímos com as considerações de Aldo Bizzocchi (doutor em Semiótica e Linguística Geral pela USP com pós-doutorados em Etimologia pela USP e em Linguística Comparada pela UERJ e pesquisador do NEHiLP-USP – Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (www.nehilp.prp.usp.br).blog Diário de um Linguista (www.diariodeumlinguista.com) e o canal do YouTube Planeta Língua (www.youtube.com/c/PlanetaLíngua).

Seu site pessoal é www.aldobizzocchi.com.br. E autor de livros: “Essa é uma polêmica que agita o meio acadêmico há anos. De fato, pela legislação, só poderia portar o título de doutor quem fez doutorado. No entanto, por uma questão de tradição, médicos (e hoje também outros profissionais da saúde, como dentistas e psicólogos) são igualmente chamados de doutor – em inglês, por sinal, ‘médico’ é doctor. E até há uma lógica nisso: após estudar seis anos em tempo integral, fazer mais um ou dois anos de residência, mais especialização, pode-se dizer que um médico estudou tanto quanto um doutor. A diferença é que ele não defendeu nenhuma tese.

Quanto aos advogados, o costume de tratá-los por doutor vem do Brasil colônia e do império, em que medicina, engenharia e direito eram as únicas três profissões universitárias disponíveis (e por isso chamadas de ‘profissões imperiais’). E como os advogados eram frequentemente homens de posses e até políticos, a exigência do título era uma forma de esses indivíduos se destacarem da ‘turba ignara’, da ‘plebe rude’. No entanto, advogados que não tenham defendido tese são apenas bacharéis, e alguns até têm a humildade de assinar ‘Bel. Fulano de Tal’.

O fato é que numa sociedade colonialista como a nossa, títulos são muito importantes: o simples proprietário de terras no Nordeste é coronel mesmo que nunca tenha servido o exército; quando estacionamos o carro num restaurante, o manobrista logo nos chama de ‘doutor’ (especialmente se o carro for importado). É a típica cultura de um país brega e subdesenvolvido, em que quem tem um olho – ou um título – é rei. Já ‘doutor honoris causa’ é um título dado a quem, sem ter feito doutorado, demonstrou ao longo da carreira profunda proficiência em sua profissão. Por exemplo, Milton Nascimento é doutor ‘honoris causa’ em música pela Berklee School of Music e pela Unicamp”.    

Renata Barcellos

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Pedagogia para um futuro de paz

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Pedagogia para um futuro de paz’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA da Meta – 15 de agosto de 2025,
às 17:50 PM

É provável que uma parte significativa dos conflitos que chegam aos tribunais, ou aos campos de guerra, possam ser solucionados através de acordos, consensos e cedências recíprocas, desde que as pessoas estejam preparadas e disponíveis para o exercício de uma nova pedagogia (não-cognitiva) e de uma nova justiça, (não punitiva), justamente, através de um relacionamento leal, responsavelmente crítico e generosamente tolerante. 

Reconhecendo-se a auto-insuficiência para solucionar as situações conflituosas, ou para contribuir para um mundo mais pacífico, tal circunstância não invalida, pelo contrário, estimula para o dever de dar um singelo contributo, para a minimização de tão grave problema e, nesse sentido, se aponta, e defende, uma estratégia assente na educação-formação das pessoas, do berço ao túmulo, isto é, ao longo de toda a vida. 

Democratizar a política para uma cidadania universal, é uma tarefa que responsabiliza os cidadãos em geral, e os políticos em particular. Aceite, institucionalizada e implementada a cidadania universal, entre todas as nações, congregadas na ONU – Organização das Nações Unidas, acredita-se que no decorrer do presente século, seja possível atenuar muitos conflitos, eliminar outros e pacificar um pouco mais este mundo, muitas vezes tão controverso e violento.

Educar e formar os cidadãos, qualquer que seja a idade e estatuto, para desenvolverem hábitos de relações humanas sadias, sinceras, leais, cúmplices e recíprocas, é uma tarefa que se impõe lançar nas famílias, nas escolas, nas Igrejas, nas demais instituições, nas associações e empresas, em todas as comunidades e na sociedade global em geral, porque qualquer processo que vise reconciliar pessoas, instituições e nações, só poderá concluir-se com êxito, se os intervenientes souberem relacionar-se de igual para igual.

Quaisquer que sejam as técnicas, para a comunicação e relacionamento interpessoais, elas serão ineficazes se as relações humanas, antes de todas as demais: profissionais, comerciais, políticas, religiosas, entre outras, não assentarem em princípios de transparência, de verdade e de respeito pelo outro. 

Impossibilitado de vencer o drama pelos recursos materiais de que dispõe, o homem crente volta-se, esperançadamente, para os valores religiosos, nos quais procura a explicação para as situações que desconhece, o atormentam e também para encontrar as soluções para os conflitos que ele próprio cria, alimenta, mas nem sempre sabe e/ou quer resolver. 

O grande conflito, porém, continua entre a vida e a morte, porque nascer, viver e morrer é o percurso natural de todo o ser humano, tal como os outros seres que habitam o mundo conhecido. Infelizmente, há muita gente que, ilusoriamente, pensa que vai permanecer, física e mentalmente, neste mundo, eternamente e, com tal pressuposto equivocado, vão humilhando, subjugando e fustigando os seus semelhantes, porém, o final dessas pessoas, às vezes, chega bem depressa.

O homem crente acredita em certos valores religiosos, muitos creem, esperançadamente, numa nova vida, renascendo depois da morte física e, nesta expectativa, procuram viver o mais pacificamente possível, aqui se descartando, toda e qualquer forma de radicalismos e fundamentalismos. 

 A educação religiosa é, por tudo isto, uma das dimensões a não ignorar, eventualmente, nem sequer a mais determinante, na construção de pessoas que se pretendam íntegras, que possuam a liberdade de se autodeterminar, com responsabilidade e generosidade, para com os seus semelhantes. 

A preocupação, por uma educação e formação integrais, deve ser, portanto, uma constante em todos aqueles que, de alguma forma, a um qualquer nível social, têm responsabilidades em preparar um futuro de equidade, de conforto, de paz, amor e felicidade. 

O mundo: cada vez mais profanizado, precisa de Deus; os homens não podem viver e não conseguem resolver todos os problemas à margem da Bondade e Sabedoria Divinas; contudo, sem intransigências, sem fanatismos; a humanidade será reduzida à sua mais brutal animalidade, se continuar a rejeitar Deus. 

O caminho seguro, que poderá conduzir à pacificação do mundo, tem de passar por Deus, e muitos seres humanos sabem que não há outra alternativa. Excluir Deus do processo de pacificação, é prosseguir o caminho para a destruição total da humanidade. Nunca, como hoje, se sentiu tanto esta necessidade de se recorrer aos Valores Supremos.

O caminho para a pacificação da humanidade, deve ser percorrido com competência: seja nas relações interpessoais, profissionais, sociais, religiosas, na celebração dos acordos a que se chegar; na implementação das medidas consensualizadas; e na avaliação dos resultados dos projetos de pacificação. 

Uma pedagogia mista – cognitiva, otimista, não-cognitiva -, assente na Fé, onde a teoria, a prática e a esperança sejam os principais eixos, que contribuam para uma formação sólida dos alunos, dos formandos, dos professores, dos formadores, entendidos nos dois sentidos: ora aprendendo; ora ensinando; auxiliará na busca de soluções para uma humanidade menos conflituosa. 

 Se cada indivíduo construir, coerentemente, o seu próprio círculo, ou a sua auréola de bem-estar, de: princípios, valores e boas-práticas, certamente que os círculos que com ele se interpenetram vão beneficiar destas características. 

A Sabedoria e a Prudência, alicerçadas na Fé em Deus são, seguramente, a chave para resolver muitos conflitos, os quais podem ser solucionados com aquelas virtudes – Sabedoria e Prudência –, mantendo a Fé inabalável em Deus e na Sua Misericórdia, Generosidade e Compreensão. 

Venade/Caminha – Portugal, 2025

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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O frio que nos une

Clayton Alexandre Zocarato: ‘O frio que nos une’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA do Bing – 15 de agosto de 2025,
às 17:02 PM

Era uma manhã gelada de agosto. Dessas em que o Sol tenta existir, mas só serve pra dourar a paisagem — não pra aquecer. O vento soprava como quem avisa: hoje ninguém vai escapar da solidão.

As ruas estavam vazias, ou quase.

Uma senhora encurvada arrastava um carrinho de feira vazio. Um cachorro tremia embaixo de uma marquise. 

E eu, com as mãos nos bolsos e os ombros encolhidos, descia a rua como quem não sabe bem pra onde vai, mas sente que ficar em casa seria ainda mais gélido.

Há algo no frio que revela o que somos por dentro.

No calor, tudo parece mais fácil: os corpos se encontram, os risos se espalham, as janelas se abrem. Mas no frio… 

No frio a gente se fecha. No frio, até a alma parece querer um cobertor. A verdade é que, quando a temperatura cai, a gente se dá conta de que sente falta do calor humano mais do que casacos: sente falta de abraços suculentos e beijos molhados.

Já reparou como o frio e a solidão caminham juntos? 

Como o vento gelado tem o poder de lembrar a ausência de alguém?

É no frio que mais se pensa em quem já partiu, em quem nunca chegou, em quem poderia estar ao lado dividindo o café, ou  simplesmente no silêncio. 

Talvez por isso tanta gente escreva sobre inverno com tanta melancolia — porque o frio é um convite à introspecção, mas também um espelho da carência.

Lembro-me de uma frase que ouvi certa vez: A solidão é a ausência de um calor específico”. 

Na época, achei poética demais, dessas que se penduram em legendas de fotos tristes. Mas hoje, com o nariz vermelho e a alma encurvada, ela me parece perfeita. Porque solidão não é estar sozinho — é não ter com quem dividir o frio.

É curioso: quanto mais o mundo avança, mais parece esfriar. Temos aquecedores, cobertores térmicos, casacos inteligentes. 

Mas não temos mais aquele calor de estar junto. 

Mandamos mensagens, emojis, áudios com voz de saudade. Mas nem sempre conseguimos estar presentes. 

E a solidão virou um frio que não se cura com tecnologia.

No entanto, há um paradoxo bonito nisso tudo. Porque o frio, quando compartilhado, vira outro bicho. 

O mesmo vento que gela a espinha vira motivo pra se aninhar. O mesmo céu cinza que entristece, vira pretexto pra chamar alguém pra perto. 

O frio, em sua dureza, cria o desejo de encontro.

Pense nas lareiras, nos vinhos, nos filmes vistos a dois debaixo de uma manta. Pense nas mãos dadas nos bolsos dos casacos. 

Pense nas conversas longas só porque lá fora está frio demais pra sair de casa. O frio nos empurra pra dentro — e dentro pode ser um lugar cheio de gente, se a gente deixar.

Solidão, portanto, não é sentença. É estado. E como todo estado, pode mudar. Às vezes, tudo que alguém precisa é de um gesto, uma ligação, um olhar mais demorado. Às vezes, o que falta não é um amor de cinema, mas uma presença de verdade. Um “como você está?”, dito com vontade de ouvir a resposta. Porque a solidão, essa sim, tem pavor de ser escutada.

Hoje cedo, naquele caminho frio e vazio, vi uma cena simples: um casal de velhinhos, de mãos dadas, caminhando devagar.

Ela tremia. 

Ele parou, tirou o cachecol e enrolou no pescoço dela. Depois, seguiram os dois, juntos, em silêncio. Aquilo foi a coisa mais quente que vi o dia todo.

Talvez seja isso. O frio é inevitável. A solidão, em certa medida, também. Mas a vontade de estar perto, essa sim, é que nos salva. 

No fim, somos todos feitos do mesmo sopro gelado, esperando por uma brisa de afeto. E basta um toque, um gesto, uma companhia — mesmo silenciosa — pra fazer da solidão apenas uma pausa, e não um destino.

Que neste inverno — literal ou metafórico — a gente seja o calor um do outro.

Clayton Alexandre Zocarato

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Não se deixe para depois

Gabriella Ferraz: ‘Não se deixe para depois’

Logo da seção O Leitor Participa
Logo da seção O Leitor Participa
Imagem criada por IA da Meta - 15 de agosto de 2025, às 16:28 PM
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Às vezes achamos que sabemos tanta coisa, e aqui que nós perdemos.

Ignoramos o convite de uma rua para passear na sua cidade, onde provavelmente aprenderíamos tanta coisa! Uma viagem que talvez iluminaria muitos sentidos aqui dentro. Um abraço na avó, uma conversa aleatória com um vizinho.

A vida é o agora e não o amanhã. Almoce, viaje, dance, tome seus cafés com seus amigos, ou um vinho se preferir. Só não deixe para depois, o café esfria.

É preciso saber voar alguns quilômetros até chegarmos a um recomeço. Não se deixe para depois.

Gabriella Ferraz

Sobre a autora

Gabriella Ferraz
Gabriella Ferraz

Gabriella Ferraz é mineira apaixonada pelas palavras.

Autora de ‘Lupita e teus livros’, uma obra que reflete sua paixão pelos livros e pela arte.

Natural de Divisa Alegre (MG,) passou muitos anos em São Paulo, onde a arte e o teatro a envolveram num mundo de criatividade e inspiração.

Casou com um mineiro, e juntos moraram em Brasília e Goiânia, antes de se estabelecerem em Minas Gerais.

Sua escrita é uma forma de tirar as roupas das palavras, de dar vida às histórias e criar mundos possíveis . 

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Água aluada

Ella Dominici: Poema ‘Água aluada’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing - 15 de agosto de 2025, às 15:25 PM
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às 15:25 PM

o olhar da lua se volta ao mar
e vendo águas que borbulham
gestos de ondulações em poesia

sentindo medo do que movimenta
insegurança mal saber nadar
acostumada em carruagens belas
seria sereia ao cair na areia

cálice onde bebe do sal marinho
achampanhado transborda a taça
revive ânima em seu âmago

o olhar lunar se volta ao mar
e vendo águas que lá borbulham
gestos de ondulações em poesia

renasce aluada em profundeza
dessas águas

Ella Dominici

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