Suziene CavalcanteSuziene Cavalcante – Por Adriele Ensaios
Penso que a Amazônia seja o templo verde da Criação e uma epifania da floresta viva. Berço de águas eternas, Rainha da Natureza, catedral da biodiversidade, Diplomata do clima, respiração dos mortais em prece!
Amazônia é o jardim do Altíssimo, chão fecundo como o ventre divino. Em cada folha, um salmo intangível. Em cada árvore, um céu que abriga trovões sagrados. Ali, vive o berço das vozes indígenas.
Que os olhos do mundo te vejam com respeito! Teus rios são veias puras da vida, teu hálito úmido nutre a ecologia planetária.
Que o mundo te abrace com mãos honestas, pois és tu, Amazônia, que molda as chuvas — artesã das nuvens! E o perfume de tua natureza é a oração vegetal da vida em todas as suas instâncias.
Diamantino BártoloImagem criada por IA do Bing – 04 de julho de 2025, às 08:16 PM
Os factos sociais constituem uma realidade que vem sendo estudada cientificamente, desde um passado tão longínquo, quanto a ciência e a técnica o têm permitido, porque da história do homem se destacam acontecimentos sociais que integram uma dimensão humana, única na sua organização e desenvolvimento, que é a sociabilidade.
Conhecem-se várias organizações sociais entre as diversas espécies animais, porém, nenhuma com as características da sociedade humana. Ao longo dos séculos a humanidade tem procurado construir teorias, paradigmas, implementar práticas sociais, socializar os seus membros, visando uniformizar comportamentos, adequar posições, melhorar condutas, a partir de regras jurídicas, religiosas, sociais, associativas, policiais e tantas outras que constituem o corpo jurídico-social de um povo.
Sendo a pessoa humana um ser social, ela não consegue viver à margem da sociedade, em condições de poder desfrutar de uma vida compatível com a sua dignidade de pessoa e, quando em situações de marginalidade e/ou exclusão social, a sua existência assume proporções e características inumanas, em certos aspetos, sem a mínima qualidade de vida, com um nível inferior ao de muitos animais selvagens, e até que um acontecimento mais violento o elimine desse mundo de exclusão, por via da sua morte, é preciso conceder-lhe uma nova oportunidade, que o retire daquelas situações, e o integre, novamente, na sociedade organizada a que inicialmente ela pertencia e, apesar de tudo, continua a fazer parte.
Qualquer que seja a atividade do indivíduo, ela sempre vai contribuir, com maior ou menor incidência e impacto, na vida social do próprio e da coletividade da qual é parte integrante, eventualmente, e desde já, na família.
Importará refletir na perspectiva social, esta entendida como a participação de cada um no todo sociável, a partir das próprias especificidades, capacidades, habilidades e empenhamento do indivíduo e sua inserção no grupo de que faz parte, e deste com outros grupos até se estender à sociedade humana, universalmente considerada, nela se incluindo etnias, credos, religiões, ideologias, culturas, valores e filosofias de vida.
A espécie humana é só uma. O mundo em que habita não foi dado em exclusivo a esta ou àquela etnia, logo existe o dever de solidariedade social daqueles que se fixaram em áreas territoriais mais ricas, para com os que não tiveram a mesma sorte.
Valorizar a atividade social que visa proporcionar melhores condições de vida às populações mais desfavorecidas, mais fragilizadas e mais carenciadas, será um objetivo nobre, e da maior relevância de todo o indivíduo, isoladamente considerado e, principalmente dos grupos com poderes e meios para direcionarem suas intervenções, em favor dos mais vulneráveis.
Com tal intencionalidade, devem, desde já, os poderes públicos e privados, legitimamente constituídos e reconhecidos, desenvolver os programas adequados, acionar os recursos suficientes, para que a dimensão social da pessoa humana possa entrar em ação, produzindo, de imediato, as situações mínimas, dignas de uma verdadeira solidariedade e bem-estar sociais.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
“Entrar no ateliê do meu avô e, antes mesmo de vê-lo trabalhando em uma de suas pinturas, me sentir envolvido pela música sinfônica que o acompanhava e o ‘inspirava’, junto com o aroma das tintas a óleo que tornavam o ambiente mágico.”
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Naqueles tempos em que a noite caía e o mundo era uma fantasmagoria de máscaras vagando pelas ruas, e o abraço, uma utopia emergia magicamente do espaço virtual de uma tela. Um conjunto de vozes angelicais, vozes curativas, poesia e música em uma harmonia que definia os estados de espírito de uma época ou tempo que parecia interminável e condenado ao abismo. Aqueles coros virtuais, regidos pelo maestro Esteban Tozzi, nos ancoravam mais uma vez à esperança. A música dava à sensibilidade humana o que ela tanto precisava: o calor que não podíamos dar uns aos outros, o abraço que não podíamos dar a nós mesmos. E através das vozes, laços invisíveis eram criados, laços de luz que aqueciam os lares, às vezes solitários, daqueles que viviam em inevitável reclusão.
Biografia de Esteban Tozzi
Esteban Tozzi
Esteban Tozzi nasceu em Avellaneda, Buenos Aires, Argentina, em 1962. Estudou no Conservatório Manuel de Falla e na Escola de Música Popular de Avellaneda. Estudou violão com Ernesto Videla e Roberto Lara, piano e canto com Alicia Várady, arranjo e orquestração com Juan C. Cirigliano e contraponto e estilo com Leandro López Várady. Estudou também com Werner Pfaff, da Alemanha.
Carreira Musical É escritor e compositor de canções, música para teatro, marionetes e outros gêneros, em diversos gêneros. Suas notáveis obras, ‘Serenata al Sur del Riachuelo’ e ‘La Sal de mi Tierra’, juntamente com o poeta Horacio Ramos, foram declaradas de interesse municipal pelo Honorável Conselho Deliberativo da cidade de Avellaneda e pela Honorável Câmara de Deputados da Província de Buenos Aires. Essas obras foram lançadas em CD e em livro correspondente.
Esteban Tozzi
Regência Coral É autor e compositor de inúmeras obras e arranjos para coro misto, incluindo canções populares e clássicos tradicionais, tango, folclore, obras sacras, canções infantis e espirituais negras, que são interpretadas por grupos em todo o mundo. Fundou e regeu diversos corais, incluindo o Coro de Câmara Allegro de Lomas de Zamora e, desde 1999, o Ensaio Coral de Avellaneda, grupo que dirige atualmente e que leva o nome da cidade que representa, com alta qualidade musical em todo o país.
ECAVAL Durante a quarentena da pandemia de 2020, fundou o coral internacional ECAVAL — o Encontro Coral Virtual Aberto da América Latina — com mais de 40 cantores da Argentina, Chile, Cuba, Colômbia, Venezuela, México, República Dominicana e Espanha, com quem publicou 20 obras.
Conversando com Esteban Tozzi:
MO: Como a música surgiu como expressão em sua vida no início?
E T: Eu nunca soube. Suponho que foi minha mãe que ouviu todos os tipos de música na minha sala desde criança: folk, clássica, popular, Beatles… Entrar no ateliê do meu avô e, antes mesmo de vê-lo trabalhando em uma de suas pinturas, me sentir envolvido pela música sinfônica que o acompanhava e o ‘inspirava’, junto com o aroma das tintas a óleo que tornavam o ambiente mágico. Desde muito jovem, senti que a vida sem arte seria muito difícil de suportar.
MO: Você acha que houve uma evolução ao longo do tempo e quais foram os fatores determinantes na sua carreira?
ET: Com certeza! Comecei estudando violão e compondo algumas canções de amor impossíveis durante meu despertar emocional. Na adolescência, lembro-me das minhas visitas às então famosas lojas de discos de música clássica no centro de Buenos Aires, escolhendo e descobrindo aquela ‘música apaixonante e inatingível’ enquanto, por outro lado, formava minhas primeiras bandas nacionais de rock e, depois, de música folclórica popular.
MO: Quais aspectos você considera decisivos na sua carreira?
ET: Mais tarde, percebi que tinha algo a dizer e que o que eu buscava era escrever, compor música, mais do que executá-la. Decidi, então, estudar piano, esse instrumento maravilhoso onde a orquestra parece residir, e onde você pode ver e tocar todas as notas possíveis. Sempre fui fascinado por harmônicos, mais do que por ritmos, e pela voz humana como a ‘síntese fatal’ da expressão musical. Então, um dia, ouvindo um coral a cappella muito bom ao vivo, descobri que era isso que eu queria — talvez o que eu devesse — fazer: compor, tocar. Ou seja, dedicar-me à música vocal, e especialmente à música coral a cappella.
MO: Como você conseguiu conciliar sua paixão pela regência coral com a composição musical e o que a inspirou a criar música para corais?
ET: Ouso dizer que foi o contrário: minha paixão por compor, por escrever música, me levou a criar meu próprio coral e, assim, poder executar minhas obras.
M O: Você acha que o trabalho em conjunto na música coral promove uma atitude relacionada à busca pela harmonia, tanto no sentido musical quanto em um sentido mais amplo?
E T: Claro, eu acho. Acredito firmemente que é impossível realizar uma performance musical que expresse algo profundo sem que o grupo se sinta, por sua vez, unido e unido; com uma dedicação absoluta que sempre reflete o que foi compartilhado, trabalhado e apreciado em cada ensaio. E, além dos ensaios, os grupos corais compartilham viagens, encontros, comida, risadas e muito mais do que apenas música.
MO: Se você tivesse que definir sua carreira musical, que mensagem acha que está deixando por meio do seu trabalho?
ET: “Nunca busquei a glória”, disse o poeta, mas, admito, talvez eu tenha “deixado minha canção na memória dos homens”. Há alguns anos escrevi para minha filha, a caçula, que despertava para esse milagre de decidir por onde tentaremos caminhar (não gosto da palavra “carreira”), uma canção que termina com estas palavras: “Voe e saiba que uma noite, uma noite eu não estarei mais lá. Você sabe disso, não há reprovações: na sua voz, no seu amor, no seu ardor, nessa estrelinha que se ilumina, eu viverei.” Assim, cada um de nós deixa sua pequena pegada, para quando não estivermos mais aqui. Se alguma das canções que compus ainda estivesse tocando por aí, depois do depois, terei cumprido meu dever comigo mesmo e com meus semelhantes.