Um caminho para a inclusão

‘Um caminho para a inclusão: educação, arte e consciência’

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Entrevista com o intelectual, romancista, poeta, contista e ensaísta Mario Giacone

Mario Giadone
Mario Giadone

Mario Giacone é um humanista que percorreu diversos caminhos, abrangendo a psicologia diferencial e a literatura, personificando o ideal renascentista do ser humano integral, que abrange múltiplas disciplinas e facetas.

Ele é formado em Psicologia Diferencial e foi diretor de diversas escolas de educação especial. É também poeta, ensaísta e contista, o que reflete sua versatilidade e paixão pela literatura e pela educação.

Conversa com Mario Giacone

M.O.: Como surgiu a necessidade humanística que o levou a desempenhar um papel tão significativo na sociedade?

M.G.: Acredito que exista uma inclinação natural no ser humano, não sei se é genética ou ambiental, e, felizmente, desde a infância estive cercado de profissionais dedicados às humanidades que me proporcionaram educação, tanto por meio da minha família, quanto por meio dos meus amigos, educadores e de toda a comunidade que conheci ao longo do ensino fundamental, médio e superior.

M.O.: Qual você considera ter sido o momento mais significativo em sua carreira como humanista, professor, professora ou diretora de escolas de educação especial?

M.G.: Tive contato com diferentes ambientes e trabalhei com grupos interdisciplinares. Isso me ajudou a reabilitar crianças e jovens para que pudessem se integrar à sociedade como indivíduos.

M.O.: Você acredita que a educação, nesse sentido, deve ser um processo de evolução tanto cultural quanto política?

M.G.: Há interação — pelo menos deveria haver — entre profissionais, instituições e pacientes. A situação das crianças com deficiência é justamente o ponto-chave: a aceitação ou rejeição de jovens e crianças com essas características para sua possível integração em uma sociedade que muitas vezes os discrimina e os rotula.

M.O.: Estamos falando da integração da humanidade em todas as suas formas. Você considera a arte uma forma de desenvolvimento e crescimento para o ser humano?

M.G.: Eu poderia responder com exemplos. Muitos artistas literários e visuais sofreram com problemas de saúde mental e dificuldades com suas habilidades sensoriais e motoras. É o caso de Milton, que era cego; Dostoiévski, que era viciado em jogos de azar e alcoólatra; e Van Gogh, a quem foi atribuída uma forma de esquizofrenia em seus últimos momentos e cometeu suicídio.

Em outras palavras, os artistas também são afetados por essas questões, e elas não os impediram de desenvolver seu trabalho artístico. Pelo contrário, eles contribuíram porque sua inspiração vinha de sua intimidade e subjetividade.

Toda essa questão da deficiência ou da diferença pode ser perfeitamente integrada à arte. Temos isso em nossos centros psiquiátricos, onde os pacientes desenvolvem suas habilidades artísticas com bons resultados e produzem obras de primeira classe.

M.O.: Como o poeta, o escritor, o ensaísta emergiu em você? Você considera que abordar a arte como forma de expressão faz parte da sua integridade como humanista?

M.G.: O meu pensamento humanista está focado na própria humanidade… se olharmos para isso, embora possa parecer redundante, também o expresso na produção literária… em qualquer género… onde se revelou com mais precisão foi no ensaio… no meu último livro, ‘Uma Utopia Possível’… diferentes aspetos desta busca são demonstrados… tanto nos artistas como em outras atividades humanas… bem, também na minha poesia… porque desejo expressar as necessidades humanas individuais em primeira pessoa.

M.O.: Acha que a integração de todos estes aspetos pode gerar o preâmbulo de um novo homem?

M.G.: Sim, integração… se isso acontecesse em grupos… em grupos diferentes… artistas, intelectuais… e se houvesse uma vontade comum e coletiva… nesse caso, isso resultaria na possibilidade de uma verdadeira mudança… um novo homem é o nascimento de um Homem com M maiúsculo… mas isso tem de vir da consciência individual… uma mudança dentro de cada pessoa… não apenas dentro do intelectual ou do artista… mas também dentro de toda a comunidade.

E isso é revelado pelos aspectos fundamentalmente morais da consciência coletiva… porque é disso que se trata, em última análise, a nova humanidade.

A noite cai em Buenos Aires, o frio revela o nascimento do inverno que se aproxima diante da mudança das estações… Eu me pergunto se existe a possibilidade de a humanidade encontrar verdadeiramente sua consciência. Dentro desta paisagem sombria de guerras e distopias absurdas, este desafio proposto pela esperança seria uma empreitada ousada.

Mario Giacone: Carreira e Trabalho

Perfil Profissional

  • Bacharel em Psicologia
  • Trabalho com crianças e jovens em ambientes de educação e assistência especial
  • Intelectual, romancista, poeta, contista e ensaísta

Prêmios e Reconhecimentos

  • Prêmio Buenos Aires Pedía da Direção Geral de Cultura, 1971
  • Primeiro Prêmio, Editorial Creadores Argentinos, por “Conjeturas” (poesia)
  • Menção Honrosa Internacional da Rádio França pelo conto “Generaciones”

Obras Publicadas

  1. Os Meninos de Rua (comédia, 1971) – escrito em parceria com Celia Zorzolli
  2. Conjecturas (poesia, 2012) – premiado com o primeiro prêmio
  3. Passagens (poesia)
  4. A Sentinela (ficção, 2023)
  5. A Utopia Possível (ensaio, 2023)
  6. Beats (poesia digital, 2023)

Estilo e Temas

  • Gêneros: poesia contemplativa, contos com enfoque social, cenas teatrais infantis, ensaios reflexivos
  • Temas recorrentes: infância, utopia, o social, a palavra como motor de mudança, exploração existencial
Capa do Ensaio 'Uma Utopia Possível'
Capa do Ensaio ‘Uma Utopia Possível’

“A educação, em seus três níveis, como direito inalienável, consolidou-se ao longo dos séculos, com avanços e retrocessos, fortalecida pelas contribuições da ciência e da cultura.

No entanto, também demonstrou sua fragilidade e limitações diante de determinados sistemas políticos e econômicos e do avanço das novas tecnologias (diferenças no acesso, adaptação curricular, uso de dispositivos, manipulação do conhecimento).

Daí a relatividade dos princípios defendidos pela Educação até o momento, como apontou Grimson, em razão dessas limitações.

Essa vulnerabilidade não deve perder de vista a manutenção de sua essência: autonomia na aquisição e na criação de novos conhecimentos, pensamento crítico sobre esses conhecimentos, inclusão no uso das novas tecnologias sem limitações sociais e o aspecto formativo de cada pessoa conhecer suas liberdades e direitos.

Só assim teremos sociedades mais igualitárias e com sentido humanitário de existência.” (Trecho do Ensaio ‘Uma Utopia Possível)

Marta Oliveri

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Fora do corpo

Loide Afono: Poema ‘Fora do corpo’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do Bing - 24 de junho de 2025,  às 16:26 PM
Imagem criada por IA do Bing – 24 de junho de 2025,
às 16:26 PM

Chuvas
Nuvens negras
Ventos fortes
Pra que servem afinal?

Dor
Prantos
Choros
Mortos

Se desfazem
Na calçada
Mesmo com
Com a correria
Invadem

Campos
Minas de ouro
Becos
Ruas largas

E o pai
Que lembra da filha
Que pelo marido
Foi largada
Maltratada

Agora
Está envelhecida
E tida como
Desprovida

Correm
Dormem
Sem medo
E depois escolhem
Ou são escolhidos

Coitados dos gemidos
Que todos os
Dias são comprimidos

Aheeee!

Não queria contar
Esta história
Que me faz chorar
Desabafar
Gritar
E querer me matar

Deixa
Deixa isso tudo andar
Eu
Já sei que não posso engatinhar.

Loide Portugal

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O passado de Cordeirópolis

Historiador completa 30 anos de publicações sobre o passado de Cordeirópolis (SP)

Fazenda Ibicaba, em Cordeirópolis (SP). Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fazenda_Ibicaba.jpg
Fazenda Ibicaba, em Cordeirópolis (SP). Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fazenda_Ibicaba.jpg

A partir do momento em que acumulou uma boa quantidade de informações recuperadas de diversas fontes, começou a publicar seus livros, desde 2012 até 2020.

No dia 10 de junho de 2025, o historiador Paulo Tamiazo completou 30 anos de publicações voltadas à recuperação da memória de Cordeirópolis. No dia 10 de junho de 1995 foi publicado seu primeiro artigo, no extinto jornal ‘Folha Popular’, mostrando algumas informações recuperadas de sua pesquisa realizada no antigo Cartório de Registro Civil e Anexos da cidade. 

Com o passar dos anos, Tamiazo colaborou com diversos jornais de Cordeirópolis, como ‘A Tribuna’, ‘Jornal Expresso’ e ‘O Semanal’, e começou a publicar seus artigos no site ‘Cordero Virtual’. Também escreveu para jornais e revistas de Rio Claro e Limeira. 

A partir do momento em que acumulou uma boa quantidade de informações recuperadas de diversas fontes, começou a publicar seus livros, desde 2012 até 2020. As pesquisas tiveram um avanço nesse período, especialmente pela digitalização de acervos como o saite ‘Acervo Estadão’ e principalmente a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. “Foi com o acesso a estes arquivos escaneados que foi possível definir a data correta da fundação da cidade: 9 de março de 1886”, lembrou. 

Nos últimos anos, a dificuldade de acesso às fontes impressas tem prejudicado o seu trabalho, bem como a falta de apoio para suas pesquisas. No ano passado, estava prevista a publicação de uma nova edição do seu primeiro livro, mas o projeto não se concretizou. 

 “Também encontro problemas para acessar jornais de Rio Claro e Limeira, que só estão disponíveis em horário comercial, o que cria dificuldades, uma vez que tenho outras atividades neste período. O ideal seria ter autorização para pesquisas nestes acervos durante o fim de semana”, frisou o pesquisador. 

Outro problema são os acervos locais. Devido à falta de um arquivo municipal que guarde os jornais editados na cidade, Paulo Tamiazo construiu seu acervo próprio, com jornais locais desde a década de 1980 até o fim das edições impressas. O problema ainda persiste com relação aos jornais que existiram nas décadas de 1970 e 1980: além da falta de acesso às edições impressas, são poucos os exemplares digitalizados. “Para que eu possa concluir meu trabalho, eu precisaria remover estes entraves”, finalizou. 

Sobre Paulo César Tamiazo

Paulo César Tamiazo. Foto da página do historiador no Facebook (https://www.facebook.com/paulo.tamiazo?locale=pt_BR)
Paulo César Tamiazo.(https://www.facebook.com/paulo.tamiazo)

O historiador Paulo Cesar Tamiazo, de Cordeirópolis (SP), nasceu em 25 de julho de 1972, filho de Edgar Tamiazo e Maria Aparecida Ronquizel Tamiazo. Estudou o ensino fundamental em sua cidade, o ensino médio em Limeira, cidade vizinha e é Bacharel e Licenciado em História pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Mesmo antes de se formar, já aproveitava o tempo livre para pesquisar sobre os fatos antigos da cidade. Pesquisando em bibliotecas da universidade livros sobre o período, verificou que a data que estava colocada antigamente no brasão do Município de Cordeirópolis, criado em 1967, não correspondia à realidade, pois tinha havido um erro na impressão de um texto utilizado para a confecção do brasão e da Bandeira de Cordeirópolis.

Foi seu primeiro trabalho, que motivou a apresentação de um projeto por todos os vereadores da cidade à época, para correção do erro, que foi sancionado pelo então Prefeito e se transformou em lei.

Desde junho de 1995, o historiador tem divulgado suas pesquisas na imprensa local e regional e na internet. Neste período, ele publicou oito livros, dois capítulos em obras coletivas, quase cem artigos em jornais impressos da cidade e da região e mais de cento e cinquenta textos em um site regional, além de realizar entrevistas em rádios locais e no Facebook.

Pelo seu trabalho, ele já foi homenageado em sua cidade com os títulos de ‘Profissional do Ano’, concedido em 2012 pela Câmara Municipal e em 2016 recebeu a Medalha ‘Amigo da Cultura’ da Prefeitura. Também foi responsável pela definição da data de fundação do município, cujo marco foi colocado na Praça Comendador Jamil Abrahão Saad, em Cordeirópolis, cidade do interior de São Paulo onde mora, trabalha e realiza pesquisas.

Saite da empresa de Paulo Tamiazo:  https://www.agnusacaocultural.com.br/

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Meu templo

Evani Rocha: Poema ‘Meu templo’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem gerada por IA do Canva - 25 de junho de 2025, às 08:30 PM
Imagem criada por IA do Canva – 25 de junho de 2025,
às 08:30 PM

Lembro-me das histórias
Do jardim ensolarado
Dos pedregosos caminhos
Das veredas orvalhadas

Dos ramalhetes amarelos
Pendurados nas janelas
Da saudade impregnada
Nos ladrilhos das calçadas

Abdiquei-me dos detalhes
Das folhas do calendário
Engavetei na memória
O silêncio da verdade

Despedi-me das utopias
Vesti-me de realidade,
Nos ponteiros do relógio
No murmúrio da cidade

Não me apetece conselhos
Planto as minhas sementes,
Aceito minha colheita
Não me doma o espelho
Nem a peleja da lida

Eu sou o meu próprio templo
O tempo em correria
O mover das estações,
As águas em correnteza
Os trilhos e os vagões

Trago as marcas nos pés
Nas mãos o amanhecer
Nos olhos trago a certeza
Dos vales que atravessei
Das flores que eu colhi
E das que nunca plantei!

Evani Rocha

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Viver e amar

Ivete Rosa de Souza: Poema ‘Viver e amar’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
Imagem criada por Ia do Bing – 24/06/2025,
às 18:12 PM

Que bom viver o dia

No dia a dia poder viver

Acontecer em tudo com alegria

Com alegria ver acontecer

No amor cantar sem anunciar

Sem espanto, esparramo

Sem demonstrar estardalhaço

Esse infinito que cabe no abraço

Do ser que se ama

Trazer o amor inteiro

Dentro do peito

Sem que o mundo corriqueiro

Saiba desse dom perfeito

De amar e ser amado

Sem confidenciar a outros

As conquistas ou os pecados

Cá entre nós viver

Que possamos amar primeiro

Sem que nos julguem ou condenem

Pois passarão ao largo, com ciúmes

E nós passaremos felizes, sem alarde

Viver o amor em liberdade.

Ivete Rosa de Souza

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Poetizo, logo vivo – XIII

Pietro Costa: Pensamento ‘Poetizo, logo vivo – XIII’

Pietro Costa
Pietro Costa
Imagem criada por IA do Bing - 24 de junho de 2025, às 19:32 PM
Imagem criada por IA do Bing – 24 de junho de 2025,
às 19:32 PM

A verdade é o mote fundamental de qualquer sistema de conhecimento.

Pietro Costa

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Um bom professor é um professor-leitor!

José Ngola Carlos: ‘Um bom professor é um professor-leitor!

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA do Bing - 24 de junho de 2025, às 03:50 AM
Imagem criada por IA do Bing – 24 de junho de 2025,
às 03:50 AM

Ler é uma necessidade imprescindível à nossa formação académica ou profissional e à nossa atuação como professores. O professor se faz professor pela leitura constante e ponderada ou crítica. Um bom professor é um professor-leitor.

Um dos instrumentos de atuação do professor ou da professora, diga-se, um dos mais importantes instrumentos de seu trabalho, é o seu saber. Na referência ao saber, integro o conhecimento declarativo, as competências existenciais, a competência de realização ou profissional e a competência de aprendizagem. Grande parte da aquisição destes saberes dão-se pela leitura, reitera-se, leitura constante e ponderada.

Não gostar de ler pode ser apenas uma fase. Afinal, ninguém nasce já gostando das letras. Por outro lado, gostar de ler é uma cultura pessoal que pode ser cultivada com tempo, paciência, determinação e, acima de tudo, um bom plano estratégico que envolve a escolha cuidadosa de quando ler, quanto ler, como ler e o que ler.

É inegável que um professor, sem a cultura da leitura constante e crítica, é um agente passivo, parado no tempo, um tempo que já não é o seu e nem é o de seus alunos. Sob tal circunstância, o professor ou a professora se presta a perpetuação da mediocridade, na forma de um saber desatualizado, inapropriado e contra producente.

Um professor que não lê é um agente do passado que nega o presente e compromete o futuro. Por outro lado, um professor com a cultura da leitura e escrita assentes é um agente do presente, comprometido com o desenvolvimento pessoal e social seu e de seus alunos.

Nestes tempos que correm, ler já não é apenas um capricho de quem tem o tempo a sobrar. Antes, ler é uma necessidade imperativa para o auto aperfeiçoamento pessoal e profissional. Sendo uma necessidade, a cultura da leitura e da escrita é um exercício de honra para o professor ou professora.

Em termos de conclusão, ler e escrever, quando se fazem cultura, são acompanhados das seguintes vantagens:

  1. Um conhecimento declarativo ou conhecimento de mundo atualizado.
  2. Uma competência existencial, que se consubstancia na forma do saber-ser e saber-estar, aperfeiçoada.
  3. Uma competência de realização, compreendida como o saber-fazer necessário à atuação profissional, melhorada e
  4. Uma competência de aprendizagem, entendida como o saber-aprender, aguçada.

Para a sua própria honra e para o bem da sociedade em que vive e atua como professor ou professora, cultive o hábito da leitura e da escrita!

Kamuenho Ngululia
Malanje, 24 de junho de 2025

Como citar este artigo: 
Ngululia, K. (2025:6). Um bom professor é um professor-leitor. Brasil: Jornal Cultural – ROL.

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