Nicole

Guilherme Machado: Acróstico ‘Nicole’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Imagem criada por IA do Bing – 18 de junho de 2025,
às 17:15 PM

Não
Importa
Como
Ou onde
Linda
Es!

Guilherme Machado

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Família tradicional e sua ocupação atual

Lina Veira: ‘Família tradicional e sua ocupação atual’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem do Canva, com texto de Lina Veira
Imagem do Canva, com texto de Lina Veira

A palestra era sobre o modelo mais tradicional da família.

‘Família’, independentemente de seu modelo ou formação, é um núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço, baseada no amor e no respeito, na ordem e progresso, elementos essenciais para o desenvolvimento pessoal e interpessoal, aplicado às interações e comunicações entre as pessoas.

No Antigo Testamento encontramos muito bem escrito no livro do EXÔDO, que faz referência à vida em família. “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolongue teus dias” (Ex 20,12), esse era um mandamento recebido pelo povo como compromisso, para que todos tivessem respeito e fossem acolhidos. Era proclamado como sinal de sabedoria e cuidado de vida. Somente o respeito mútuo ente pai, mãe e filhos produz bons frutos: vida longa, alegria, atenção, sabedoria. No Brasil, a ‘família tradicional brasileira’ é um conceito que se refere a um modelo familiar que, historicamente, é composto por um pai, uma mãe e filhos, com o pai como provedor e chefe da família. No entanto, este modelo tem se transformado significativamente nas últimas décadas, com o aumento de outros arranjos familiares e a reconfiguração dos papéis dentro da família, deixando de ser a maioria nas pesquisas das últimas décadas, ocupando 49%, e demais formações a outra metade.

 Todos os estudos que envolvem relações humanas e seu comportamento mostram que o amor é a força que une e ajuda a superar conflitos impulsionando o desenvolvimento de todos, e que no caso dos filhos e filhas numa família, estes precisam viver neste lar colaborando.  Muitas têm sido as transformações culturais e sociais, que tem nos deixado um novo formato e tipos de famílias, se desprendendo da origem biológica e passando a valorizar muito mais a realidade afetiva.

Independente da sua formação familiar, monoparental – quando a mulher tem um filho de forma independente, ou contemporânea – onde a mulher passa a ser o chefe da casa, comunitária – composta por avós, pais, filhos, tios e primos na mesma casa, ou arco-íris – constituída por um casal homossexual. A maior ocupação de uma família é equilibrar o trabalho e vida familiar, valorizando os laços e a união, além de reconhecer os desafios enfrentados na atualidade. Família dá trabalho e tem tarefa de casa todos os dias, é um exercício de vida e não se define pela casa bonita, carro ou conta bancária. Mas por aceitar e compreender o outro, por ensinar que o amor é o fundamento principal.

– Entenderam como é importante a gente conversar sobre ‘ser’ ou ‘construir uma família’? Só ela tem na pintura, a tinta que respinga para a vida inteira na nossa vida.

 – Fecho os olhos e vejo as pessoas à  mesa do almoço, sentadas na sala com suas roupas novas, suas perspectivas ao fundo do quadro na parede, um cenário guardado dentro dos meus olhos e do coração, para eu contemplar mais uma vez, recortar e guardar cada resenha e cor.

Ali na rodovia do horizonte da vida, eu precisei lembrar de mim, da saudade que acalma e sangra meu coração, entender a tradução de muitos silêncios e continuar.

Aplausos…

Lina Veira
Junho de 2025

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Alianças de papel

Marcelo Pires: Poema ‘Alianças de papel’

Marcelo Pires
Marcelo Pires
Imagem criada por IA do Bing - 17 de junho de 2025, às 22:23 PM
Imagem criada por IA do Bing – 17 de junho de 2025,
às 22:23 PM

A paixão voou serena até os corações
Não pode ser contida, nem desviada
Mudou vidas, criou dilemas, e satisfações
Para selar o amor, uma aliança imaculada

O ouro usado na forja dos compromissos
Não reluz diante do brilho deste grande amor
Talvez uma aliança de papel resolva isso
Confiança no frágil papel e ideias de valor

Na aliança de papel são registradas juras
Elas expressam os sentimentos belos
Bem como os elos das paixões puras
Registrando amores grandes ou singelos

É difícil escrever a ebulição amorosa
Do coração palpitante, aflito de bem-querer
A cada declaração escrita quente e fogosa
Arde também os olhos ávidos de viver

O amor correspondido chegou para os dois
Almas gêmeas expressas em poesias
Felicidades eternas, de agora e depois
Eternizadas em palavras nas entrelinhas

Após forjar as alianças do amor literal
Nossa admiração em um pequeno papel
Será trançado com amor, em espiral
Formando um anel para um sentimento fiel

Viajando nos dedos delicados da amada
Repousando suas mãos no coração dela
Pousam palavras do anel no alvo almejado
Tocando o coração onde nosso amor se sela

Marcelo Pires

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Poetizo, logo vivo – XII

Pietro Costa: Pensamento ‘Poetizo, logo vivo – XII

Pietro Costa
Pietro Costa
Imagem criada por Ia do Bing - 18 de junho de 2025,  às 10:05 PM
Imagem criada por IA do Bing – 18 de junho de 2025,
às 10:05 PM

A beleza pode ser transitória para sentidos, mas redentora para o coração.

Pietro Costa

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Na era da tecnologia: seres humanos em amadurecimento’

Elaine dos Santos
‘Na era da tecnologia: seres humanos em amadurecimento’

Elaine dos Santos
Elaine dos Santos
Imagem criada por IA do Bing - 17 de junho de 2025, às 09:19 PM
Imagem criada por IA do Bing – 17 de junho de 2025, às 09:19 PM

Integro a geração ‘baby-boomer‘, nasci em 1964, devo reconhecer, assim, que o computador e a internet somente ingressaram na minha vida no final do século XX, entre 1999 e 2001.

Durante o mestrado, cursado justamente entre 1999 e 2001, um dos professores enviava-nos e-meios, íamos ao Centro de Processamento de Dados (CPD) da universidade, o material era copiado para um disquete, que era aberto em casa para que tivéssemos conhecimento do conteúdo.

Nos dias posteriores, com as tarefas resolvidas, geralmente, um sem-número de leituras – fiz mestrado em Literatura Brasileira -, regressávamos ao CPD para enviar a resposta, via e-meio.

Com o passar dos anos e o desenvolvimento das atividades profissionais, tornei-me, como costumo brincar, “rato de internet”, não há o que eu não leia, com o computador devidamente configurado para línguas estrangeiras de meu interesse.

Devo acrescer que, quando criança, as nossas pesquisas escolares eram feitas na biblioteca da própria escola, muito singela, e na famosa Enciclopédia Barsa, que o delegado de polícia emprestava para a meninada.

Para muitos idosos, não há como negar que o ritmo acelerado das inovações tecnológicas criou uma barreira que os impede de acompanhar as mudanças, dificultando a inserção digital.

Devo admitir que eu, por exemplo, detesto ‘smartphones’ e não oporia resistência se abolissem os inadequados e invasivos aplicativos de mensagem. Tudo bem, eu sou revisora de textos e preciso de concentração para trabalhar!!

Causou-me surpresa, no entanto, dias atrás, ao conversar com senhoras entre 80 e 90 anos, trocando ideias sobre o uso da inteligência artificial e as diferentes formas de uso que têm experimentado. Deduzi que há casos e casos. Se alguns enfrentam dificuldades para manusear aplicativos de banco, por exemplo, outros estão bem além.

Embora seja um tanto refratária aos aplicativos de mensagem, é forçoso reconhecer que eles evitam o isolamento social, o que, por outro lado, é uma marca da velhice, quando os filhos, os netos têm outros afazeres e a solidão se instala.

De minha parte, que não tenho filhos e netos, acostumei-me, desde muito cedo, com o benefício da leitura – além disso, sou revisora de textos e a leitura configura-se como um aprendizado diário.

A tecnologia novamente insere-se como um aparato importante. Para a revisão de textos, recebo-os via e-mail, reviso-os diante de um computador e, para divulgar o meu trabalho, faço uso de redes sociais. Sei que muitas pessoas optam pela leitura de obras literárias por intermédio de ‘e-books’, o que pode facilitar-lhes em função da capacidade visual (ou não).

Alternativa interessante apresentou-me uma agente de saúde: a mescla de um grupo de leitura ou uma roda de conversa, em que aqueles com maior facilidade para ler façam a leitura de um pequeno texto, que seja o desencadeador de uma conversa, de lembranças, de histórias.

Afinal, velhice não é apagamento, não é invisibilidade, mas um processo da vida em que a maioria dos que envelhecem têm experiências, histórias para socializar.

Profa. Dra. Elaine dos Santos

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Pirilampos

José Antonio Torres: Poema ‘Pirilampos’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por Ia do Bing – 17 de junho de 2025,
às 07:51 PM

Pontos de luz que vagueiam pela noite
E nos remetem ao encantamento;
Pequenos seres que parecem mascotes das fadas;
Amiguinhos que a Natureza abençoou com a luz.

Em noites sem luar,
E em locais com iluminação bruxuleante.
Lá estão eles com o seu bailar característico.
Acende aqui, apaga acolá.
E os pirilampos flutuam sua dança pelo ar.

Será que são os batedores das fadas,
Procurando alguém para com elas brincar?
Quem sabe o que esses amiguinhos luminosos desejam…
Podem estar apenas felizes a se amarem.

Sua luz pode ser a exaltação de sua alegria
Ao encontrarem uma parceira.
Quem saberá?
Não sei.
Só sei que estão lá, felizes a nos encantar.

José Antonio Torres

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Na Terra da Asa Branca

Virgínia assunção:

‘Na Terra da Asa Branca- Uma bricolagem literária com Luiz Gonzaga’

Virgínia Assunção
Virgínia Assunção
Imagem criada por IA do Bing - 16 de junho de 2025,  às 18:20 PM
Imagem criada por IA do Bing – 16 de junho de 2025,
às 18:20 PM

Naquela tarde, quando “a asa branca bateu asas do sertão”, seu Luiz já sabia: era dia de arrastar o pé. A sanfona gemia no canto da sala, chamando feito menino pidão. E lá vinha ele, chapéu de couro, olhar matuto e um sorriso que dizia mais que mil palavras: “Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindo…”

A vizinhança já se ajuntava na frente da casa. Dona Maria vinha rindo com o vestido de chita novo, florido, toda faceira:
— Hoje tem forró, seu Luiz?
— Tem sim, sinhá! “Simbora, sanfoneiro, bota o fole pra chiar!” Vem cá cintura fina, cintura de pilão, porque tá é danado de bom.“

E assim começava a festança. No terreiro, o pó da estrada dançava com o povo. “Qui nem giló” era só no prato, porque tristeza ali não entrava. Até a moça mais enfezadinha, aquela da cidade grande, soltou um “eu só quero um xodó, que alegre o meu viver”, e foi logo rodando com Zé da Cacimba.

“Respeita Januário!” — gritou alguém, quando o sanfoneiro tentou improvisar demais. O velho Januário, pai de Luiz, só olhou e sorriu de canto, como quem diz:
“Esse menino vai longe…”

E foi.

No meio da dança, Luiz contava causos, misturando histórias com versos:
“Seu doutor, uma esmola pra um homem que é são…”
“Mas seu Luiz, isso é música ou apelo?”
— “É só verdade, compade.”

O sanfoneiro mudou o tom e puxou um baião:
— “Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião… meu amor não vá simbora,
fique mais um bucadinho, vamo dançar mais um tiquinho?
E não é que até o padre entrou na roda, de batina e tudo?

A Lua subia no céu de festa, e o povo cantava junto: — “A vida do viajante é andar por esse mundo de meu Deus…” Mas ali ninguém queria partir. Cada música era um abraço. Cada riso, um retrato de um
Brasil que dança mesmo com a dor no coração, ao som do rei do baião… tem pena d’eu…

Teve menino cantando “Xote das meninas”, teve vó que se lembrou do tempo em que dançava “Assum Preto” agarradinha.
— “Lá vai a marruá…” — gritou um dos netos, correndo com o cachorro atrás.

O forró seguia firme, sem hora pra acabar. “O que me enche o coração é o olhar
dessa moreninha, meus amô!“
Até que seu Luiz, cansado de tanto fole e suor, sentou
na cadeira de palha e disse:
“Oia eu aqui de novo…”
— “Vai embora não, seu Luiz!”
— “Mas já? Ainda tem “Pau de Arara”
pra cantar!

E assim, entre um xote e um chamego, “um se deita em meu cangote”, um “pedi pra São João antigo trazer mais alegria, tinha tanta poesia, amor e animação”, no São João do passado, a noite virou poesia viva. Seu Luiz sorria, e no seu sorriso cabia o sertão inteiro — com seca, com festa, com fé.

Na despedida, ele ainda cantou baixinho:
— “Se a gente lembra só por lembrar do amor que a gente um dia perdeu…”
E o povo respondeu em coro:
— “Saudade inté que assim é bom, pro cabra se convencer que é feliz sem saber…”

Foi-se a festa, mas ficou no ar o cheiro do baião, o som do fole e a certeza de que, enquanto houver sanfona e o coração de um nordestino batendo, Luiz Gonzaga nunca vai embora de verdade.

Virgínia Assunção