Roteiros de Arte em SP

Roteiros de Arte em SP: Museus, Ateliês Abertos e Espaços Independentes Para Explorar

https://pixabay.com/photos/buildings-city-skyline-cityscape-1842205/
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São Paulo é uma cidade conhecida por suas atrações artísticas e culturais, e são tantas opções que muitas pessoas não sabem nem por onde começar.

Ao todo, a cidade conta com 132 museus, 67 galerias e mais uma infinidade de ateliês, que promovem a cultura e a arte de forma única.

Essa abundância de espaços culturais e artísticos gera uma grande variedade de temas para estudar e conhecer.

Aliás, o mercado imobiliário da cidade também ganha muito por conta desses espaços, tendo em vista a valorização imobiliária alcançada.

Por exemplo, um apartamento em Pinheiros hoje pode custar mais devido às opções de lazer nas proximidades, o que é algo ótimo para investidores.

Quer conhecer os melhores lugares culturais e artísticos de SP? Então continue acompanhando este artigo!

Aqui, vamos passar para você um roteiro turístico para quem quer aproveitar o melhor da cultura e arte em SP. Acompanhe!

Museus

São Paulo é a cidade brasileira que mais possui museus, tendo ao todo 132 espaços que falam sobre arte, história, religião, entre outros assuntos.

MASP

O MASP (Museu de Arte de São Paulo) é um ambiente perfeito para quem gosta de arte, tendo em vista o seu grandioso acervo e suas exposições.

O espaço conta com obras de artistas renomados e influentes em todo o mundo, como, por exemplo, Van Gogh, Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, entre outros.

O MASP fica na Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, e sua entrada custa de R$ 37 a R$ 75, com entradas gratuitas às terças (das 10h às 18h) e sextas (das 18h às 20h).

Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo é o museu de arte mais antigo do estado, inaugurado em 1905 e contando com mais de 12 mil obras em seu acervo.

O museu é focado em produções brasileiras dos séculos XIX e XX, o que é um prato cheio para os amantes da arte nacional.

Os ingressos da Pinacoteca de São Paulo custam de R$ 15 a R$ 30 e o local fica na Praça da Luz, 2 – Luz, São Paulo–SP.

Museu Afro Brasil

O Museu Afro Brasil busca contar a história sobre o povo e a cultura afro-brasileira, que é uma das mais importantes do nosso país.

O local conta com peças artísticas, exposições temporárias e, principalmente, muita história sobre essa expressão artística.

A entrada do Museu Afro Brasil está localizada no Portão 10 do parque Ibirapuera, no endereço Portão 10, Av. Pedro Álvares Cabral, – Vila Mariana, São Paulo–SP, e sua entrada custa de R$ 7 a R$ 15.

Roteiros de Ateliês

São Paulo também conta com diversos ateliês artísticos, que produzem os mais diversos tipos de arte.

Por isso, os roteiros de ateliês são bem comuns na cidade, promovendo a arte e dando visibilidade para artistas não tão conhecidos.

Roteiro de Ateliês

Apesar de não ser um ateliê, o Roteiro de Ateliês promove um passeio pela cidade, mostrando alguns dos melhores espaços de arte de SP.

Durante o roteiro, é possível visitar, conversar com artistas e até mesmo adquirir obras diretamente com os produtos.

Circuito Ateliês Abertos na Vila Madalena

Este circuito de ateliês é uma ótima opção para quem quer conhecer mais sobre a arte paulistana.

O tour percorre diversos estúdios coletivos no bairro Vila Madalena e os visitantes podem conhecer mais sobre a arte e os artistas locais.

Galerias de arte

Por último, mas não menos importante, vamos falar sobre algumas galerias de arte de São Paulo.

Galeria Vermelho

Com foco em arte contemporânea, a Galeria Vermelho é um dos lugares mais interessantes para se visitar e conhecer em SP.

As exposições do local vão desde apresentações até cinema e literatura, o que torna o lugar muito abrangente no sentido artístico.

A Galeria Vermelho está localizada na Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis, São Paulo.

Galeria Choque Cultural

A Galeria Choque Cultural é o espaço perfeito para quem gosta de arte urbana, como, por exemplo, grafite e expressões de rua.

O local conta com diversas exposições ao longo do ano, portanto, o ideal é sempre ficar de olho para não perder nada!

Ela está localizada na Alameda Sarutaiá, 206 – Jardim Paulista, São Paulo–SP e sua entrada é gratuita.

E aí, gostou das nossas dicas? Então conta pra gente nos comentários quais lugares você quer conhecer primeiro!

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Por que falei de… flores?

De Boa Vista do Sul para o mundo: Adelize Maccalli transforma vidas com suas palavras

Capa do livro 'Por que falei de...flores?'
Por que falei de…flores?

Aos 43 anos, Adelize Maccalli carrega no coração as raízes de Boa Vista do Sul, no Rio Grande do Sul, mas é com os pés no presente — atualmente em terras portuguesas — que ela escreve sua nova história.

Contadora de formação, com especializações em Finanças e Gestão de Pessoas, Adelize encontrou na escrita uma paixão que vai muito além dos números: uma forma de tocar corações e inspirar vidas.

Ela sempre gostou de ler, cozinhar e viajar.

E talvez por isso mesmo tenha feito da vida uma constante busca por novos sabores, saberes e lugares — internos e externos.

Em Portugal, ao lado do seu companheiro, vive um tempo de descobertas e criação, onde a inspiração parece brotar com ainda mais força.

Imagem de Adelize Maccalli
Adelize Maccalli

Por pura inspiração — como ela mesma diz com brilho nos olhos — Adelize se lançou no mundo da literatura.

E a motivação veio de dentro: suas próprias experiências de vida.

“Queria mostrar às pessoas que nada que é ruim é para sempre, desde que estejamos dispostos a mudar”, conta com a sinceridade de quem viveu momentos difíceis, mas nunca perdeu a fé no recomeço.

Sua primeira obra, escrita com o coração aberto, nasceu desse desejo profundo de transformar dor em amor e dificuldade em superação.

“Encontrei pessoas que me inspiraram a seguir. Escrevi com base nas minhas vivências e nas histórias de quem cruzou o meu caminho”, revela.

Mas engana-se quem pensa que ela parou por aí.

Já está escrevendo novas obras, todas na mesma linha de romance e com um propósito muito claro: inspirar. Para Adelize, a escrita é um ato de amor.

“Se eu puder melhorar a vida de cada leitor, mesmo que seja só um pouquinho, já estarei transformando o mundo em um lugar melhor”, diz, com a doçura de quem acredita — e pratica — a empatia todos os dias.

E é assim que ela segue: com letras, sonhos e propósito.

Porque Adelize escreve com o coração.

E quem lê, sente.

SINOPSE

Por que falei de… flores? é uma história poderosa e sensível sobre superação, autodescoberta e a força para recomeçar.

Acompanhamos Elizabeth, uma mulher que, entre as dores de um relacionamento tóxico e a busca por sua liberdade, encontra no ciclo da vida e das flores a inspiração para reconstruir seu mundo.

Com personagens intensos e uma narrativa que envolve desde os momentos mais sombrios até a luz do renascimento, o livro convida o leitor a refletir sobre coragem, resiliência e a beleza de florescer, mesmo nas adversidades.

Um romance que emociona e inspira a reescrever a própria história. Porque, como as flores, é sempre tempo de florescer.

REDE SOCIAL DA AUTORA

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DA AUTORA

Porque falei de... flores?
Por que falei de…flores?

ONDE ENCONTRAR


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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Elo poético resiste e liberta

Ella Dominici: ‘Elo poético resiste e liberta’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing - 16 de maio de 2025,  às 14:27 PM
Imagem criada por IA do Bing – 16 de maio de 2025,
às 14:27 PM

Amanhã sei que tudo será ontem

futuro não se vive, mas se inventa

em movimentos à liberdade

ela será pequena, do tamanho que minha alma

necessita, simples, mas cultivada,

se puder, será inviolável ao amor da madrugada

a levantarei dos contos que me mentem

confiscam a esperança desta cidade

O miúdo se levantará precipitado

esquecendo de ser aleijado onde imagem

da mata sangrando será vencida

Poderá sonhar sem os mortos que apagam

os sonhos de mentira

Sairemos da cova do teto do mundo

O que tu viste e provei, será coisa de não acontecer

Se puder, então acreditarei nos sonhos

afundadas resenhas em planos de painas.

Sim, desacreditarei do vil destino

e irei pulando as cordas e ponteiros do tempo

Inda sei que restará a mim olhar sem escamas

poesia do amanhã será menina

Dos campos de trincheiras e vales combatentes,

verei brotar um verde trevo de resiliência

Abandonarei espaços que me limitaram a independência,

na liberdade do pensar curando em versos as feridas,

dançarei o frevo e no abraço da cintura tua

Inventarei livre arbítrios memórias-sol, a transcender

 pela palavra que brilha e cintilante será no entardecer da vida

Ella Dominici

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Caro, estimado discernimento

Lina Veira: ‘Caro, estimado discernimento’

Lina Veira
Lina Veira
Crédito do card: Lina Veira
Crédito do card: Lina Veira

Qual melhor versão da vida? 

‘Significar’! Um olhar atencioso e levemente breve, deixar seu melhor resumo. As pessoas não sabem resumir, nem significar.  Sabem plagiar. Sem estilo próprio, se tornam eficientes cópias de totais ou parciais mentiras. Preocupadas demais com suas ‘atribuições’ e vaidades.  

Uma observação preliminar deixo: A concisão sem substância não tem valor. Não perca tempo com robôs e excessos longos.  Correções acontecem nas revisões dos olhares. Nunca diga mais que a situação exija – nunca diga menos que o necessário. Não existe palavra desperdiçada, todas elas nos levam ao próximo capítulo.  Entre robôs e telas de vaidades. Títulos sem dados são hóspedes nas listas dos remetentes. Uma invasão cibernética atenta em desativar ativos de terceiros –   valores e atitudes virtuosas. Recapitule.  As informações otimizam espaços e são essenciais nos resumos – nem mais, nem menos.  Precisam de visão, não de robôs e telas frias, títulos de plágios ou cruzetas vazias. Se não tocar o outro não está em pauta.

Desenvolva necessidades, diga algo que tenha importância, elabore e aprimore resumos, elimine supérfluos claros.

Cada dia se descobre algo que ainda não está finalizado, aprimore. Aprecie a vida com razão amenizando as más notícias do dia, seus recortes e rascunhos.

Deixando seu esboço preliminar. Aprimore-se! Preocupadas demais com suas ‘atribuições’ e vaidades.  

Uma observação preliminar deixo: A concisão sem substância não tem valor. Não perca tempo com robôs e excessos longos.  Correções acontecem nas revisões dos olhares. Nunca diga mais que a situação exija – nunca diga menos que o necessário. Não existe palavra desperdiçada, todas elas nos levam ao próximo capítulo.  Entre robôs e telas de vaidades. Títulos sem dados são hóspedes nas listas dos remetentes. Uma invasão cibernética atenta em desativar ativos de terceiros –   valores e atitudes virtuosas. Recapitule.  As informações otimizam espaços e são essenciais nos resumos – nem mais, nem menos.  Precisam de visão, não de robôs e telas frias, títulos de plágios ou cruzetas vazias. Se não tocar, o outro não está em pauta.

Desenvolva necessidades, diga algo que tenha importância, elabore e aprimore resumos, elimine supérfluos claros.

Cada dia se descobre algo que ainda não está finalizado, aprimore. Aprecie a vida com razão amenizando as más notícias do dia, seus recortes e rascunhos.

Deixando seu esboço preliminar.

Aprimore-se!

Lina Veira

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Insólita – Museu & Antiquário  

Marcus Hemerly

‘Insólita – Museu & Antiquário –
O capítulo final de uma galeria dos horrores (e encantos)’

Marcus Hemerly
Marcus Hemerly
Vitto Graziano. Crédito da foto: Luva Editora
Crédito da foto: Luva Editora

No cenário literário mundial, as antologias, coletâneas de trabalhos coletivos, seja em desdobramentos poéticos ou em prosa, vêm servindo de lastro ao surgimento de novos talentos e alcance de público mais abrangente. De forma recorrente, as publicações em participação conjunta se desvelam tanto em formato de revistas, digital ou física, assim como em livros apetecíveis aos olhos, pela leitura e qualidade gráfica, e ao tato. Certamente, o prazer do contato físico com o livro jamais será relegado. Inclusive, as antigas revistas de mistério, não raro, são lembradas com aconchegante sentimento saudosista, ao passo que serviram de inspiração a subgêneros de suspense extremamente populares aos amantes dos sustos e calafrios. 

Inolvidável lembrar da celebrada Ellery Queen’s Mystery Magazine, intitulada a partir do pseudônimo criado pelos autores Frederic Dannay e Manfred B. Lee desde os anos vinte, nos Estados Unidos, especializada em ficção de mistério e crime. No plano europeu, destacaram-se as tradicionais Mondadori, revistas pulp italianas com primórdios ainda na era fascista, posteriormente migrando de formato para os romances policiais e cinema. Inclusive, delineando as feições fundamentais do subgênero conhecido por Giallo, (em italiano, amarelo e coloração das revistas) e o Poliziotteschi.

A par desse cenário, atualmente, o universo da produção artística conta com imprescindível instrumento de financiamento coletivo, denominado Catarse, que vem propiciando o deslanchar de vários projetos que outrora permaneceriam ‘engavetados’. Nessa modalidade de aquisição, apoiador compra o livro, revista ou mídia, antecipadamente, e a recebe após a ultimação das fases de editoração. Caso o projeto não alcance a meta, ao apoiador é estornado o montante. Sempre destacando a força do gênero policial, mistério, ficção de crime e outras derivações, o Brasil frequentemente renova sua safra de autores trazendo à baila textos de peculiaridades criativas que saem da vala comum, num ousar atrativo aos amantes dos quebra-cabeças e enredos de fantasia, horror e mistério. 

Após o sucesso das campanhas O Melhor do Crime Nacional V.2 e Contos do Boca do Inferno, a Luva Editora traz uma nova proposta neste volume final da série Insólita Museu & Antiquário. A fachada diz: ‘Insólita – Museu e Antiquário’. Um local em que se pode sentir o cheiro do tempo, repleto de objetos peculiares. Como você nunca viu esse museu antes? Todos andam dizendo que ele sempre esteve ali.

Mas há algo estranho nos exemplares expostos nesse lugar. Uma cadeira de balanço, uma máscara prateada, um amuleto que parece ser a pata seca de um macaco… E você se lembra de já ter lido contos clássicos de terror sobre cada um deles?! A grande pergunta é: como podem todos eles estarem concentrados nesse museu? Que lugar é esse e que tipo de infortúnio os outros artefatos do antiquário podem causar? Esse último livro da série Insólita te convida a, dessa vez, entrar no museu mais assombrado do mundo e escolher, por conta própria, qual objeto vai te assombrar.

Os três primeiros volumes do Insólita Museu & Antiquário trouxeram traduções de contos essenciais para o desenvolvimento de autores de Terror/Horror, explorando objetos amaldiçoados que marcaram a literatura:  A Pata do Macaco – W.W. Jacobs; A Máscara de Prata – Hugh Walpole e A Cadeira de Balanço – Charlotte Perkins. Agora, no volume final, 21 autores – entre destaques das edições anteriores, organizadores e convidados – expandem ainda mais os limites do sobrenatural. Cada um explora um objeto amaldiçoado de sua escolha, trazendo histórias ainda mais sombrias e perturbadoras. O projeto promovido pela Luva Editora, com organização das autoras e antologistas Fernanda Braite e Mizaki – O Narrador, ainda conta com a participação especial do premiado escritor Oscar Nestarez.

Trabalhando com a revelação de autores brasileiros, a casa editorial se especializou em campanhas dos gêneros Terror e Policial por meio de dezenas de antologias, entre elas os sucessos: O Melhor do Crime Nacional V.2, Os Contos do Boca do Inferno, Urban, Terrores Latinos, Terrores Asiáticos (em parceria com a Laboralivros) e as duas últimas edições de Insólita Museu e Antiquário (A Máscara de Prata e A Cadeira de Balanço).

Gosta da literatura brasileira e prestigia o autor nacional? Compartilhe com os amigos e convide a conhecer o projeto. Ainda há tempo de adquirir seu exemplar! O terceiro volume independe dos antecessores, mas aos interessados, existem combos com promoções dos livros anteriores, além de recompensas especiais, além de surpresas vinculadas a meta estenda. 

Apoie no link: https://www.catarse.me/insolitafinal

Para melhor conhecer a campanha e a editora que sempre protagoniza antologias diferenciadas, seu Editor-Chefe e escritor, VITTO GRAZIANO, nos conta um pouco sobre o processo de editoração. 

Vitto Graziano. Crédito da foto: Luva Editora

1) Conte um pouco de como foi sua trajetória no universo editorial, na condição de autor, até a criação da Luva Editora.

A trajetória da Luva eu classificaria como tudo, menos convencional. Fui um leitor tardio, ainda que tenha crescido numa casa onde minha mãe era formada em Letras. Só fui me interessar de verdade por leitura aos 18 anos, quando percebi que talvez não tivesse o talento necessário para o desenho — minha grande paixão até então. Pode parecer estranho, mas foi justamente a frustração com os traços que me levou às palavras. Achei que escrever seria mais fácil. Não foi. Descobri rapidamente que também não conseguia produzir nada minimamente satisfatório. Mas desse engano — ou melhor, dessa ignorância — nasceu um prazer até então desconhecido. Escrever passou a me encantar. Era dinâmico, me dava liberdade criativa, e ao mesmo tempo me desafiava, principalmente por não poder mais contar com o apoio da imagem para me expressar.

Então veio o caminho óbvio: quer escrever bem? Precisa ler bem. E assim começou minha saga devoradora de livros — risos.

Anos depois, resolvi lançar meu primeiro livro na internet. Tive apenas uma leitora fiel. Nem minha mãe conseguiu se interessar pela violência dos meus textos. Mas havia a Rosa — minha ‘madrinha portuguesa’, como gosto de chamá-la. Apesar das barreiras linguísticas, toda semana ela me pedia novos capítulos no Wattpad. Foi com esse apoio que finalizei meu primeiro livro, e, com a ajuda dela, consegui fazer a primeira tiragem de 100 exemplares.

Na mesma época, fiz uma permuta com o revisor de uma grande agência de publicidade do Rio. Eu cuidaria da arte do livro dele, e ele faria a revisão do meu. Juntos, criamos um selo fictício para dar um ar mais profissional ao projeto. O resultado ficou tão bom que começaram a me perguntar de onde era essa tal de Luva e quanto ela cobrava para fazer livros. O lançamento foi um sucesso inesperado — e, assim que recebi os valores, fiz questão de devolvê-los. Mas a querida Rosa não aceitou. Pediu que eu repassasse adiante. Dessa atitude generosa, além da Luva, nascia também a Incubadora de Sonhos.

Crédito da foto: Luva Editora
Crédito da foto: Luva Editora

2) Encontra-se em Campanha no Catarse o volume final de uma série de antologias denominada ‘Insólita – Museu e Antiquário’, de onde partiu a ideia para o projeto? Dentre as diversas coletâneas lançadas pela editora, existe alguma que lhe dá orgulho especial?

Insólita foi nossa primeira série de real sucesso. A ideia surgiu de uma dificuldade pessoal: sempre tive certa resistência com leituras em língua estrangeira. Apesar de me virar razoavelmente bem com o inglês, sentia falta de ter acesso a textos clássicos traduzidos com qualidade e proximidade. Quis então trazer essas obras fundamentais para os leitores brasileiros — especialmente para os autores iniciantes. Afinal, só se escreve bem se houver boas leituras e boas referências.

Somei esse objetivo à ideia de um antiquário que vendesse objetos com propriedades milagrosas, mas que exigissem alguma contrapartida. Foi assim que A Pata do Macaco, de Jacobs, se tornou o primeiro item da coleção. Depois, por sugestão da Júlia do Passo Ramalho — que coorganizou os três primeiros volumes —, trouxemos A Máscara de Prata, do Walpole. Por fim, A Cadeira de Balanço, da Charlotte Perkins Gilman, foi a escolha da Úrsula Antunes, coorganizadora dos volumes 2 e 3.

Hoje temos quatro volumes (incluindo o final). Embora tenha orgulho de todos, esse último tem um sabor especial: abrimos as portas para que os autores criassem objetos próprios, sem o limitador de um texto-base. O resultado tem sido uma explosão de criatividade — e isso me deixa particularmente contente.

3)  Atualmente, quais são os maiores desafios para   finalizar um projeto editorial?  Nos conte um pouco sobre as fases de confecção de antologias e projetos solo.

O maior desafio, sem dúvida, é o material humano. Um bom autor, para mim, é antes de tudo um bom leitor. É alguém humilde, que reconhece estar em constante aprendizado. A leitura — tanto de clássicos quanto de contemporâneos — é essencial para entender os caminhos que se quer trilhar dentro da literatura.

Superada essa etapa — que já é um filtro importante —, entramos na questão dos recursos. Publicar literatura de gênero no Brasil, seja com apoio da editora, do autor ou por meio de financiamento coletivo, é sempre uma empreitada difícil. Vivemos em um país onde menos de 30% da população leu um livro inteiro no último ano. E, mesmo entre esses leitores, os gêneros mais consumidos são o religioso e o de autoajuda — amplamente promovidos por grandes conglomerados. A ficção, por sua vez, muitas vezes acaba relegada a uma bolha que se retroalimenta.

Mas foi dentro dessa bolha que a Luva nasceu, e é nela que continuo existindo como autor e editor. Por isso, sou grato — mesmo sabendo que, a cada ano, a competitividade cresce e o espaço nas plataformas de financiamento coletivo diminui. Essas plataformas, como qualquer empresa, naturalmente destacam o que traz mais público e retorno financeiro. Não as julgo por isso — é a lógica do mercado. Mas essa realidade nos impõe o desafio de seguir insistindo e inovando.

Quanto à confecção em si, como comentei anteriormente, tudo começa com a escolha de um tema-base que consiga atrair tanto autores quanto leitores. Antologias mais amplas, sem temas rígidos — como O Melhor do Crime Nacional — tendem a alcançar mais participantes, já que muitos escritores já possuem textos prontos ou ideias pré-formuladas. Ainda assim, mesmo com essa barreira inicial, Insólita conseguiu se manter relevante e consistente.

Após o tema, passamos pela escolha dos jurados, abertura de concurso, recebimento e seleção dos textos, até chegarmos à lista final de classificados. Só então começa uma nova etapa: produzir o material temático, criar a campanha na plataforma com textos e imagens exclusivos, e iniciar o aquecimento com os autores para dar início à arrecadação e às lives.

Somente após a meta ser batida é que começa a fase de edição final, revisão e diagramação do projeto. Existe todo um fluxo editorial — e um trabalho em equipe com diversos profissionais — para que o seu livro preferido chegue, com qualidade, à sua estante.

Crédito da foto: Luva Editora
Crédito da foto: Luva Editora

Marcus Hemerly

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À porta da casa

Zé Franco: Poema ‘À porta da casa’

Ze Franco
Zé Franco
Imagem criada por Ia do Bing – 16 de maio de 2025,
às 10:05 PM

À porta da casa
havia um caminho
cuja beira era a nossa varanda
(às vezes cheia de saudades,
outras, cheia de ausências),
então, passavam homens
passavam mulheres
e passavam várias idades
não podíamos contar os sonhos
porque não tinham nem gênero
nem idade, nem raça.
Vivos ou mortos,
cada caminhante é uma terra de sonhos.

Zé Franco

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A febre reborn

PSICANÁLISE E COTIDIANO

Bruna Rosalem: Artigo ‘A febre reborn’

Bruna Rosalem
Bruna Rosalem
Bebês reborn
Imagem criada por IA do Bing – 15 de maio de 2025,
às 23:45 PM

“A vida é uma grande ilusão! Só sei que ela está com a razão!”
Vinícius de Moraes

Consultas médicas, guarda compartilhada, encontros de mães de bebês reborn para compartilhar experiências de maternagem, festas de aniversário, vídeos ‘instagramáveis’ contando a rotina de cuidados dessas mães um tanto diferentes que optaram por comprar seus filhos numa loja. À primeira vista, parece ser algo relacionado a colecionismo, como carros ou personagens de filmes, séries, videogames, entre outros, porém o que estamos acompanhando, principalmente nas redes sociais, é uma expressiva mudança de comportamento no relacionamento das pessoas com estes objetos.

É possível que esta prática esteja indo além de simples colecionismo ou passatempo, gerando estranhamentos e certas polêmicas. Não é de hoje que os bebês hiper-realistas existem, porém, tempos atrás, ter um boneco ou boneca deste tipo era mais voltado ao público infantil, além do custo alto, o item não era de tão fácil acesso.

Atualmente, mulheres são as principais consumidoras dos bebês que passam a cuidar da criança como se fosse um verdadeiro filho: trocam fralda, dão banho, o alimentam com as mamadeiras cuidadosamente preparadas, organizam um quarto especial com roupas, acessórios, brinquedos, cama, o levam à consulta médica para checar sua saúde, pesagem. Também há passeios pelas ruas, levam o bebê ao parque, ao supermercado, enfim, criam uma rotina diária semelhante a de uma criança humana, viva, de verdade.

A questão disso tudo é: até que ponto um inofensivo passatempo pode extrapolar para uma prática
defendida como realidade?

O interessante é pensar o quão solitária é a relação entre a mãe e o bebê de silicone, que incapaz de
emitir qualquer tipo de som, nem um mero gemido, ou um movimento sequer, jaz num silêncio profundo.

Sem contar com aquele olhar paralisado, morto, sem vida, opaco. Imagine esta situação em um quarto
decorado, o quão ensurdecedor pode ser a ausência de um choro, de um mexer de pernas e braços, de um brincar com móbiles e ursos de pelúcia. A mulher que embala a criança é a única voz ativa da relação. A mesma que faz perguntas ao bebê, responde.

Neste meandro, há questões pertinentes a serem levantadas: os bebês falsamente enrugados seriam
bonecos de apoio para questões emocionais destas mulheres ou são alavancas midiáticas para chamar a
atenção das pessoas como mais uma mera prática ‘viralizável’, dentre tantas que já existem, com o
objetivo de lucrar e se tornar uma figura famosa? Seria o mais do mesmo ou realmente um movimento de mulheres que buscam novas roupagens para a maternidade? Ou para o que é ser mãe?

A discussão tem tomado vários espaços na sociedade e recentemente vereadores do Rio de Janeiro
aprovaram um projeto de lei que institui o ‘Dia da Cegonha Reborn’, que segue aguardando sanção da
prefeitura. Já em Minas Gerais, cogita-se um projeto de lei proibindo o atendimento de bebês reborn no
sistema único de saúde, o SUS.

Nas ruas, a polêmica continua quando as mães dos bebês de silicone decidem passear com suas
crias em carrinhos ou segurando-os no colo. Muitas mulheres alegam serem chamadas de loucas ou
desocupadas. Outras, gostam mesmo é da atenção que recebem e aproveitam para divulgar a ‘arte reborn’.

Fato é que, uma coisa é cuidar do bebê como algo prazeroso que remete a um lazer, uma forma de
distração, de passar o tempo, ou ainda, o próprio ato de colecionar os bonecos que têm preços elevados, pois são confeccionados sob encomenda, feitos um a um pelas chamadas ‘cegonhas’, as artesãs responsáveis pela fabricação. Outra coisa diametralmente diferente é acreditar que o bebê é real, com demandas de cuidados reais, assim como um ser vivo. Seria então o caso da família buscar ajuda profissional quando a relação ultrapassa o ‘faz de conta’.

Antes de formar opinião e nos alarmar com as notícias, cabe escutar e analisar cada caso. Afinal,
fantasiar é algo bem saudável e faz parte de nossa capacidade imaginativa. Já, ir, além disso, poderia ser
um sinal de alerta.

De todo modo, são realidades muito diferentes que nos evoca à reflexão para a escuta destes novos
sintomas e maneiras de ser e estar no mundo contemporâneo. Estranho ou não, fica aberto o convite ao
debate.


Bruna Rosalem

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