Soldado Wandalika Imagem criada por IA do Bing – 13 de maio de 2025, às 08:34 PM
Oh! O meu caminho É marcado por solidão que invadem a vulva de fémures penetrantes Perdas que se eternizam na fauna dos gritos abundantes Nessa estrada pinto meus ritos com lágrimas cinzentas decorrentes
Ohhhhh! Abrigo dos meus negros pensamentos Dor que os sorrisos homenagearam nos olhos Verdade que ultrapassa a compreensão dos magistrados Dias tensos na garganta do poeta que come seus versos à mesa com os filhos…
Oh! No meu caminho Uns entram outros saem Fecho a porta para esvaziar a passagem Noites longas iludem o guerreiro na carruagem. Oh o meu caminho contém os vinhos que acolhem a vertigem. Um embrião parido no matagal da miragem.
Caminho trilhado Amor no prato Vidas na lembrança dos atos Um caminho vestindo o ninho escondido no peito Há palavra nos passos de fortalecimento Neste caminho vi a morte no colo Chorei meus prantos no ápice do desespero Amei amor dos prazeres à deriva Nas esquinas desta vida fui poeta de meus ditos textos pretos
No horizonte me achei Meus intentos benigno embriaguei Meu coração em constantes passos perversos entreguei. Perdi a essência da vida que sonhei Desprendi tudo aquilo que um dia prezei Caminho escuro como a noite na rua da lama No meu caminho vivo à margem do tempo Contemplo o peito do meu povo com telescópio Sou um viajante do tempo no triciclo deste caminho! Oh! Ora quente, ora crente Ora fresco, ora gelo Amor nos dias de fome, observo o enredo O caminho cresce em instantes Elevo-me na dimensão de meus ancestrais Oh! O meu caminho
Ella DominiciImagem criada por IA do Bing – 09 de maio de 2025, às 06:22 PM
A morada materna não tem paredes — tem pulsos. Não se entra por portas, mas por respiros. Lá, o tempo é um leite que ainda nutre, e cada ausência se amacia na palma de uma presença antiga.
Quem ali repousa não se esquece mais de si. Pois se reencontra no calor do primeiro nome, aquele nome que só as águas profundas sabem dizer.
A terra que embala esse abrigo não é seca nem firme — é úmida de eternidade, fértil de presságios. Dela brotam memórias com cheiro de jasmim e chão molhado, palavras não ditas que ainda assim embalam o ser como se fosse sempre criança, ainda que velho de dores.
E quando o mundo lá fora grita, fere, apressa — é para dentro que o filho retorna. Como quem se encosta no colo do sagrado, com o ouvido colado à pele do universo, ouvindo o coração que o gestou.
Há silêncio nessa casa — mas é um silêncio que canta.
Ali, o grotesco se curva diante do mistério e o sublime dança com os pés sujos de barro, como quem celebra a única verdade: o amor que não cobra presença, porque é presença. Aquele que não fala de si, mas pulsa em tudo.
Dorilda AlmeidaImagem criada por IA do Bing – 10 de maio de 2025, às 07:55 PM
Ponte para o mundo do seu filho Ela prepara em todos os aspectos Na formação de um adulto feliz Algumas, Suficientemente boas, Outras Conforme as circunstâncias E dificuldades Muito a desejar Não importa Se biológicas ou de criação Mas necessárias No amor e atenção Ser mãe Com alegria, sem escravidão Só amor no coração.
Reflexão Pessoal. ‘Ser Mãe, atualmente, é uma missão difícil’
Diamantino BártoloImagem criada por IA do Bing – 10 de maio de 2025, às 16:20 PM
Apesar de ser considerado um lugar-comum, dizer-se que o “Dia da Mãe” deveria ser comemorado todos os dias, a verdade é que assim não acontece. E se há milhões de pessoas, que todos os dias convivem, contactam e recordam as suas mães; provavelmente, outras, as tratam muito mal: seja afetiva, seja moral, seja fisicamente. Há de tudo um pouco, feliz ou infelizmente.
Também se costuma afirmar que: “Mãe há só uma”, sendo esta assertiva muito dirigida à mãe biológica, contudo, essa afirmativa, nem sempre corresponde à verdade, no sentido de esta mãe ser a melhor do mundo, porque também nas mães adotivas, se encontram exemplos de autêntico e abnegado amor profundo, para sempre.
Vamos, neste segundo domingo de maio enaltecer a Mãe, aquela mãe extremosa, que como se sabe: cuida dos seus filhos com inexcedível desvelo; que é capaz de cortar com toda e qualquer relação com outras pessoas, quando tais conexões possam prejudicar o orgulho, o bom-nome, a honra e dignidade dos seus filhos; aquela mãe, que se priva de quase tudo para que, no eu for viável, nada falte aos seus amados filhos; a mãe que, nos bastidores da vida, protege, apoia, ama e sofre; enfim, aquela mãe, que por eles dá a vida, se necessário for.
Neste dia muito especial, e extremamente significativo, não se desenvolverá muito a crítica às mães que, realmente, só o são de nome, que, na verdade, se limitaram a procriar e “parir” os filhos, para depois os abandonarem, sem acautelarem o futuro deles, muito embora e numa tentativa de compreensão e benevolência, se procure entender certas situações, de manifesto e incontrolável desespero, por parte de algumas dessas mães, que assim procederam. Será extremamente imprudente, fazer juízos de valor.
Quaisquer tentativas para, de alguma forma, e/ou processo, elaborar, “a priori”, juízos de valor, condenações na praça pública e outros instrumentos de humilhação das mães que, por alguma circunstância de força maior, por incapacidades diversas, por vicissitudes da vida, não foram capazes de cuidar dos seus filhos, acabam por resultar, num ainda maior afastamento, entre a mãe e os filhos, não sendo bom para o futuro deles.
O “Dia da Mãe”, para além de uma comemoração simbólica, também deve ser preenchido com profundas reflexões, sobre a relação existente entre a mãe e os filhos, bem como, se for o caso, uma atitude de maior aproximação, de perdão por eventuais erros cometidos por qualquer das partes. É um dia para ser celebrado com alegria, em harmonia e felicidade.
Ser mãe, nos tempos modernos, não é uma missão nada fácil, enquanto a sociedade está em permanente evolução, que tem implementado um conjunto de exigências, difíceis de satisfazer na maior parte das famílias, técnicas sofisticadamente agressivas, direcionadas para o consumo em geral, e para as crianças, em particular.
Também o sistema educativo constitui outra preocupação, com grande impacto no presente e no futuro das crianças e dos jovens. Habitualmente, a mãe é a encarregada de educação, que ajuda nos trabalhos de casa. Atualmente, não obstante o acesso gratuito ao ensino, educação e formação, até ao nível secundário, estar ao alcance das famílias, ainda assim, nem todas conseguem colocar os seus filhos na escola, durante os ciclos obrigatórios, precisamente por falta de recursos financeiros, enquanto há despesas que não são suportadas, integralmente, pelo sistema educativo.
Por outro lado, no que se refere à saúde, também aqui a mãe desempenha um papel fundamental porque, normalmente, ela é a primeira a detetar algum mal-estar: físico, psicológico e mental, nos seus filhos, muito embora o pai, aquele que se assume autenticamente como tal, de igual forma, partilhe destas situações e preocupações. Invoca-se mais a mãe, justamente, porque, em regra, é ela que passa grande parte do tempo com os filhos, não que se preocupe mais do que o pai, até pode acontecer, pontualmente, o contrário.
AMEMOS AS NOSSAS MÃES.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Dos ventos do Seringal aos ares da cidade: a celebração da memória viva de Luciane Ferreira de Morais.
Dos galhos de uma árvore teci versos acreanos
Em um tempo em que as raízes são muitas vezes esquecidas na correria das cidades, Luciane Ferreira de Morais guarda, como quem preserva um tesouro, o cheiro da mata, o som do rio e a simplicidade encantadora da vida no Seringal Riachuelo, às margens do Rio Envira, no município de Feijó, Acre.
Aos 41 anos, Luciane é uma mulher que carrega dentro de si o Acre em camadas — da natureza viva que a viu nascer à inquietação urbana que a instigou a pensar, sentir e escrever.
Nascida e criada no seringal até os 12 anos, ela voltou a viver essa terra em pensamento, memória e palavra, especialmente ao longo dos estudos universitários, quando cursava Geografia e, mais tarde, o mestrado em Linguagem e Identidade na Universidade Federal do Acre.
Casada e mãe, Luciane trilhou sua carreira na área administrativa, mas foi no silêncio das lembranças e na potência da escrita que reencontrou seu verdadeiro lar.
Luciane Morais
Seus poemas e narrativas atravessam o tempo e os espaços, como pequenos barcos deslizando pelas águas do Envira, resgatando a beleza da vivência rural e transformando-a em linguagem sensível.
De um lado, ela celebra o encanto das matas, a força dos rios e os sons do Seringal.
Do outro, observa com olhar crítico as transformações da cidade — especialmente a questão ambiental, que sempre a tocou profundamente.
A destruição das florestas por interesses econômicos sem freios lhe causa dor, mas também motiva reflexões poderosas.
Suas palavras não acusam: acolhem, questionam, despertam.
Entre a calmaria da infância rural e os ruídos da cidade, Luciane constrói pontes feitas de afeto e consciência.
Seus textos são como trilhas que guiam o leitor por paisagens de memória e resistência, com uma leveza que só quem foi criança no Seringal pode oferecer.
Hoje, ela celebra não apenas o lugar de onde veio, mas também o que ele representa.
O Seringal Riachuelo não é só cenário de suas lembranças: é força que a move, raiz que a sustenta e poesia que a faz florescer — seja em Feijó, em Rio Branco ou em qualquer outro território onde sua escrita encontre abrigo.
SINOPSE
São poemas que atravessam territórios geográficos acreanos — do seringal à cidade.
De um lado, a paixão e o encantamento pela natureza.
A liberdade permeia em cada verso. Momentos nostálgicos de quando ainda era uma criança.
Mas, não se engane, eles escondem alguns sentimentos repulsivos.
Do lado outro, angústias, incertezas, revoltas e ansiedades parecem prisões em muros de tijolos e cimento.
Mas não se engane, entre os concretos há flores-do-campo.
Que esses territórios memoráveis e reflexivos te permitam acolher com leveza e viajar pelos ventos que balançam os galhos da árvore — partindo do seringal para a cidade.