Alexandre Rurikovich CarvalhoA imagem apresenta uma composição artística e humanitária dedicada ao legado de Madre Teresa de Calcutá. Em destaque, aparece um grande retrato da religiosa, acompanhado de cenas que retratam seu trabalho junto aos pobres, enfermos e crianças necessitadas. A arte utiliza tons suaves e elegantes, transmitindo sentimentos de compaixão, solidariedade e esperança. O design valoriza a dimensão humanitária de sua missão, ressaltando sua atuação em favor da dignidade humana e do amor ao próximo. Imagem criada por IA.
Introdução
A história da humanidade é marcada pela presença de indivíduos que dedicaram suas vidas ao serviço do próximo, tornando-se símbolos universais de compaixão, solidariedade e amor ao ser humano. Entre essas figuras destaca-se Madre Teresa de Calcutá, missionária católica cuja atuação humanitária ultrapassou fronteiras religiosas, culturais e políticas, transformando-se em referência mundial de caridade e assistência aos mais necessitados.
Reconhecida internacionalmente por seu trabalho junto aos pobres, enfermos, órfãos e marginalizados da sociedade, Madre Teresa construiu uma das mais importantes obras assistenciais do século XX. Sua missão fundamentava-se na valorização da dignidade humana, especialmente daqueles que viviam em situações extremas de abandono, sofrimento e exclusão social.
O presente artigo busca analisar sua trajetória histórica, suas principais obras humanitárias e o legado deixado para a humanidade, destacando a influência espiritual, social e filantrópica de suas ações no contexto contemporâneo.
Palavras-Chave
Madre Teresa de Calcutá; Humanitarismo; Caridade Cristã; Solidariedade; Missões Humanitárias; Dignidade Humana; Assistência Social; Missionárias da Caridade; Fé e Serviço; Legado Humanitário.
Origem e Formação Religiosa
Madre Teresa de Calcutá nasceu em 26 de agosto de 1910, com o nome de Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, na cidade de Skopje, região que atualmente pertence à Macedônia do Norte e que, à época, integrava o Império Otomano. Filha de Nikola e Drana Bojaxhiu, cresceu em uma família de origem albanesa profundamente marcada pelos valores da fé cristã, da solidariedade e do auxílio aos necessitados. Desde a infância, foi educada em um ambiente de intensa espiritualidade, no qual a prática religiosa era acompanhada por frequentes ações de caridade destinadas aos pobres e enfermos da comunidade local.
A morte prematura de seu pai, quando ainda era criança, exerceu profunda influência em sua formação pessoal e espiritual. Sua mãe, mulher de grande devoção religiosa, tornou-se sua principal referência moral, ensinando-lhe princípios como compaixão, humildade, disciplina e amor ao próximo. Drana Bojaxhiu costumava acolher pessoas pobres em sua própria casa, oferecendo alimento e assistência, atitudes que marcaram profundamente a jovem Anjezë e contribuíram para despertar nela uma precoce sensibilidade social.
Durante a adolescência, Madre Teresa passou a participar ativamente das atividades paroquiais e de grupos missionários ligados à Igreja Católica. Demonstrava grande interesse pelas missões realizadas no Oriente, especialmente na Índia, alimentando o desejo de dedicar sua vida ao serviço religioso e humanitário. Aos dezoito anos, decidiu abandonar sua terra natal para ingressar na Congregação das Irmãs de Loreto, instituição religiosa de origem irlandesa voltada à educação e às missões internacionais.
Sua partida representou uma ruptura profunda com a família e com sua realidade de origem, pois naquela época as comunicações eram extremamente limitadas e ela jamais voltaria a reencontrar sua mãe e sua irmã pessoalmente. Antes de partir, recebeu de sua mãe uma orientação que permaneceria como fundamento de sua espiritualidade: “Coloque sua mão na mão de Deus e caminhe com Ele”.
Ao ingressar nas Irmãs de Loreto, na Irlanda, iniciou sua formação religiosa e aprendeu o idioma inglês, considerado indispensável para o trabalho missionário na Índia, então sob domínio britânico. Nesse período adotou o nome religioso de Teresa, em homenagem a Santa Teresinha do Menino Jesus, conhecida por sua simplicidade espiritual e dedicação missionária.
Em 1929, foi enviada para a cidade de Calcutá, na Índia, local que se tornaria o principal cenário de sua atuação humanitária. Inicialmente trabalhou como professora e posteriormente como diretora em uma escola católica destinada à educação de jovens meninas. Embora exercesse suas funções dentro do ambiente escolar e conventual, Madre Teresa convivia diariamente com a dura realidade social das ruas indianas, marcadas pela miséria extrema, pela fome, pelas doenças e pelo abandono humano.
O contraste entre a relativa estabilidade do convento e o sofrimento da população pobre provocou nela profundas inquietações espirituais e sociais. Gradualmente, passou a compreender que sua vocação religiosa ultrapassava os limites do ensino tradicional, direcionando-se para uma missão voltada diretamente aos marginalizados e excluídos da sociedade.
Em 1946, durante uma viagem de trem entre Calcutá e Darjeeling para realizar um retiro espiritual, afirmou ter vivido uma intensa experiência mística que posteriormente descreveu como um “chamado dentro do chamado”. Segundo seus relatos, sentiu que Deus a convocava a abandonar o conforto relativo do convento e dedicar-se integralmente aos pobres, enfermos e abandonados das ruas de Calcutá.
Essa experiência representou um dos momentos decisivos de sua vida. Após obter autorização da Igreja Católica, deixou a congregação das Irmãs de Loreto e iniciou um período de preparação voltado ao atendimento médico básico e à assistência social. Vestindo um simples sari branco com faixas azuis — traje que se tornaria símbolo de sua missão — passou a viver entre os pobres, compartilhando suas dificuldades e oferecendo ajuda humanitária aos mais necessitados.
A partir desse momento, consolidou-se a trajetória da mulher que se transformaria em uma das maiores referências mundiais de solidariedade, compaixão e serviço humanitário do século XX.
A Fundação das Missionárias da Caridade
Em 1950, Madre Teresa fundou oficialmente a congregação das Missionárias da Caridade, instituição religiosa voltada ao atendimento dos “mais pobres entre os pobres”. O objetivo da congregação era prestar assistência humanitária gratuita aos indivíduos abandonados pela sociedade, independentemente de religião, nacionalidade ou condição social.
A congregação iniciou suas atividades de forma simples, com poucos recursos materiais, porém com intensa dedicação ao serviço social. As missionárias percorriam ruas, favelas e hospitais em busca de pessoas necessitadas, oferecendo alimento, cuidados básicos, assistência médica e acolhimento espiritual.
Com o passar das décadas, as Missionárias da Caridade expandiram-se rapidamente pelo mundo, tornando-se uma das maiores instituições humanitárias religiosas da história contemporânea. A congregação passou a atuar em dezenas de países, estabelecendo:
• Orfanatos;
• Hospitais beneficentes;
• Abrigos para idosos;
• Casas de acolhimento;
• Centros de alimentação;
• Clínicas populares;
• Casas para portadores de HIV/AIDS;
• Missões em regiões de guerra e calamidade pública.
A expansão internacional das obras demonstrou a força do ideal humanitário defendido por Madre Teresa, cuja missão transcendia limites geográficos e culturais.
O Trabalho com os Pobres e Moribundos
Entre as principais obras criadas por Madre Teresa destaca-se a “Nirmal Hriday” (“Coração Puro”), fundada em 1952 na cidade de Calcutá. Conhecida mundialmente como Casa dos Moribundos, a instituição acolhia pessoas abandonadas nas ruas,
especialmente doentes terminais, idosos, desabrigados e indivíduos sem qualquer assistência médica ou familiar.
O objetivo principal da obra era proporcionar dignidade humana aos que se encontravam próximos da morte. Muitos chegavam ao local em condições extremamente precárias, vítimas da fome, de doenças infecciosas e da exclusão social.
Madre Teresa acreditava que nenhuma pessoa deveria morrer sozinha ou sem amor. Sua atuação buscava restaurar o sentido de humanidade daqueles que haviam sido esquecidos pela sociedade.
Essa visão humanitária ficou marcada em uma de suas frases mais conhecidas:
“O maior sofrimento não é estar sem comida ou sem teto, mas sentir-se indesejado, sem cuidado e abandonado.”
Sua missão não se limitava ao auxílio material, mas também à valorização emocional e espiritual do indivíduo.
Assistência aos Enfermos e aos Leprosos
Durante o século XX, os portadores de hanseníase sofriam forte discriminação social em diversas regiões do mundo, especialmente na Índia. Sensível a essa realidade, Madre Teresa criou centros específicos para acolher e tratar pessoas acometidas pela doença.
Além da assistência médica básica, suas obras ofereciam alimentação, higiene, medicamentos e reintegração social aos pacientes. Foram criadas clínicas móveis que percorriam bairros pobres levando atendimento emergencial a indivíduos sem acesso à saúde pública.
As Missionárias da Caridade também desenvolveram trabalhos voltados para:
• Pessoas com deficiência;
• Portadores de doenças graves;
• Dependentes químicos;
• Pacientes com HIV/AIDS;
• Pessoas em situação de rua.
Seu trabalho tornou-se símbolo internacional de compaixão e solidariedade humana.
A Proteção às Crianças e aos Órfãos
Outra importante dimensão de suas obras humanitárias foi o acolhimento de crianças órfãs, abandonadas ou vítimas da extrema pobreza.
Madre Teresa fundou diversos orfanatos e centros de assistência infantil destinados a garantir:
• Alimentação;
• Educação básica;
• Atendimento médico;
• Proteção social;
• Possibilidades de adoção.
Muitas crianças encontraram nesses espaços não apenas sobrevivência física, mas também afeto, cuidado e oportunidades de reconstrução da própria vida.
Sua preocupação com a infância refletia sua visão de que cada ser humano possui dignidade e valor independentemente de sua condição social.
Reconhecimento Internacional
O extraordinário impacto das obras humanitárias desenvolvidas por Madre Teresa de Calcutá fez com que sua atuação ultrapassasse os limites da Índia e alcançasse reconhecimento mundial. Sua dedicação aos pobres, enfermos, órfãos e marginalizados transformou-a em uma das personalidades mais admiradas do século XX, sendo frequentemente considerada símbolo universal da compaixão, da solidariedade e da dignidade humana.
Ao longo de sua trajetória missionária, Madre Teresa recebeu inúmeras homenagens civis, religiosas e acadêmicas provenientes de diferentes países, governos, universidades e organizações internacionais. Essas distinções não apenas reconheciam sua atuação humanitária, mas também destacavam a relevância social e moral de sua missão em um mundo marcado por profundas desigualdades sociais, conflitos e crises humanitárias.
O momento de maior projeção internacional ocorreu em 1979, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, uma das mais importantes honrarias mundiais destinadas à promoção da paz, da fraternidade e dos direitos humanos. A premiação reconheceu seu trabalho junto aos pobres e abandonados de Calcutá, bem como a expansão global das Missionárias da Caridade.
Durante a cerimônia de entrega do Nobel, Madre Teresa afirmou que aceitava o prêmio “em nome dos pobres”, reforçando o caráter coletivo e humanitário de sua missão. Seu discurso chamou a atenção internacional para a realidade da pobreza extrema, da fome e do abandono social enfrentados por milhões de pessoas ao redor do mundo. Ao invés de utilizar os recursos financeiros do prêmio para celebrações pessoais, destinou-os integralmente ao auxílio dos necessitados, demonstrando coerência entre seu discurso e sua prática de vida.
A concessão do Nobel consolidou sua imagem como referência moral internacional e ampliou significativamente a visibilidade das obras desenvolvidas pelas Missionárias da Caridade. A partir desse reconhecimento, sua atuação passou a receber apoio de governos, instituições filantrópicas e organizações humanitárias em diversos países.
Além do Prêmio Nobel da Paz, Madre Teresa recebeu importantes condecorações civis e religiosas, entre as quais destacam-se:
• A Medalha Presidencial da Liberdade, concedida pelos Estados Unidos, considerada uma das maiores honrarias civis norte-americanas;
• O Bharat Ratna, maior condecoração civil da Índia, reconhecimento reservado às personalidades que prestaram relevantes serviços à nação;
• O Prêmio Ramon Magsaysay para a Paz e Compreensão Internacional; • Diversos doutorados honorários concedidos por universidades internacionais; • Homenagens de organismos humanitários e religiosos em vários continentes.
Sua imagem tornou-se mundialmente associada à caridade cristã e ao serviço humanitário. Fotografias de Madre Teresa cuidando de doentes, acolhendo crianças órfãs e auxiliando pessoas abandonadas circularam amplamente pela imprensa internacional, contribuindo para transformá-la em um ícone global da solidariedade humana.
O reconhecimento internacional de sua atuação também favoreceu a expansão das Missionárias da Caridade, que passaram a atuar em regiões marcadas por guerras, epidemias, fome e extrema pobreza. Em muitos contextos, a presença da congregação tornou-se símbolo de esperança e assistência humanitária para populações vulneráveis.
Além das homenagens oficiais, Madre Teresa passou a exercer forte influência moral e espiritual sobre líderes políticos, religiosos e movimentos sociais. Sua simplicidade, humildade e dedicação ao próximo inspiraram milhões de pessoas ao redor do mundo, independentemente de crença religiosa ou posição social.
Mesmo diante de críticas e controvérsias relacionadas a determinados aspectos de suas instituições, o reconhecimento internacional de sua obra permanece associado à defesa da dignidade humana e ao compromisso com os mais pobres. Seu legado ultrapassou os limites da ação assistencial, transformando-se em referência ética universal acerca da importância da solidariedade e da valorização da vida humana.
Após sua morte, em 1997, inúmeras homenagens continuaram sendo realizadas em diferentes países, reafirmando a permanência de sua influência histórica. Em 2016, sua canonização pela Igreja Católica consolidou definitivamente sua posição como uma das figuras religiosas e humanitárias mais importantes da história contemporânea.
Canonização e Legado
Madre Teresa faleceu em 5 de setembro de 1997, em Calcutá, deixando uma profunda marca na história da assistência humanitária mundial.
Em 2003, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e, em 2016, canonizada pela Igreja Católica, passando oficialmente a ser reconhecida como Santa Teresa de Calcutá.
Seu legado permanece vivo através das Missionárias da Caridade, que continuam atuando em mais de uma centena de países, auxiliando milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Mais do que uma líder religiosa, Madre Teresa tornou-se símbolo universal da compaixão, da dignidade humana e da solidariedade. Sua vida demonstrou que pequenos gestos de amor podem produzir profundas transformações sociais e espirituais.
Considerações Finais
O legado humanitário de Madre Teresa de Calcutá ultrapassa os limites da religião e da assistência social, constituindo-se como importante referência ética para o mundo contemporâneo. Sua dedicação aos pobres, enfermos e marginalizados revelou a importância da empatia, da solidariedade e do compromisso com a dignidade humana.
Em um contexto global frequentemente marcado pela desigualdade social, violência e exclusão, sua trajetória continua inspirando instituições, líderes religiosos, movimentos humanitários e milhões de pessoas ao redor do mundo.
Madre Teresa demonstrou que a verdadeira grandeza humana encontra-se na capacidade de servir ao próximo com humildade, amor e compaixão. Seu exemplo permanece vivo como símbolo universal de esperança e fraternidade entre os povos.
Referências Bibliográficas
BENTO, Frei Carlos Josaphat. Madre Teresa de Calcutá: uma vida para os pobres. São Paulo: Paulinas, 1997.
CHAWLA, Navin. Madre Teresa. Tradução de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Record, 1993.
GONZÁLEZ-BALADO, José Luis. Madre Teresa: a serviço dos pobres. São Paulo: Loyola, 1982.
KOLIEJCHUK, Andrea. Madre Teresa: venha, seja minha luz. São Paulo: Planeta, 2008. SPINK, Kathryn. Madre Teresa de Calcutá. São Paulo: Globo, 1998. TERESA DE CALCUTÁ, Madre. No coração do mundo. São Paulo: Paulinas, 1996.
TERRAZAS, Juan María Laboa. História da Igreja Católica Contemporânea. São Paulo: Loyola, 1998.
‘José Ernesto Hernández: Epístola de asombro por un poeta‘
Mario Antonio Rosa
Un poema es una cosa que será. Un poema es una cosa que nunca es, pero que debiera ser. Un poema es una cosa que nunca ha sido, que nunca podrá ser. Huye del sublime externo, si no quieres morir aplastado por el viento. Si yo no hiciera al menos una locura por año, me volvería loco. Tomo mi paracaídas, y del borde de mi estrella en marcha, me lanzo a la atmósfera del último suspiro.
Vicente Huidobro Altazor o el viaje en paracaídas
Hay prólogos que no existen. Prólogos que no resisten la poesía. La vida, en su corteza, es un prólogo indefinido, desdoblado, ágil o absorto. Prologar como si hilvanáramos un monólogo a veces puede desnudarnos al vacío.
De modo que, para hablar con la poesía, para decirle a la poesía el monto de sus alas, para señalarla, con todas sus alturas es preciso desvanecernos, olvidar las reglas, ser déspotas con el rigor. Yo diría a esto, un intento de soñar, adormecerse un poco, cambiar, si somos atrevidos, la forma de los ojos.
Ya Miguel Hernández nos dio el nacimiento, tenemos tres heridas: la de la vida, la de la muerte, la del amor. Esta tríada, en un poeta es monumental. La siente más, la conoce demasiado cerca, y hasta aprende a herirla, para brotar palabras.
Y una vez Huidobro, el creacionista, hablaba de un salto mortal atado a un paracaídas desde su estrella íntima capaz de cubrir el cosmos, el miedo, la hendidura. Crear desde el dolor es nacer en dominio sobre el mundo. El lenguaje es lanza, y jinete. Mundo, es un gigante, ya lo confirmó Alonso Quijano, el bueno, con aquellos molinos hastiados de eternidad y de lamer los espíritus del viento. El poeta, hijo enfurecido de la totalidad asume el salto, y se sorprende.
Estamos muy cerca de un poeta. Los prólogos no existen. Pasa que la poesía funde su antorcha rebelde del decir y del hablar, el nombrar, el totalizar la palabra, restándola de la cotidianidad. Vive contrario, respira contrario, amanece inmenso. Y a veces, no sé si un prólogo es suficiente para decir tanto. ¿Con qué palabra lo defino? ¿Qué adjetivo, qué pronombre? La circunstancia es única. Es mayor el paradigma.
Muy cerca de José Ernesto Hernández, ocurre una alquimia exacta y demoledora, alejada de prólogos y nombres; una palabra empieza el acto con un océano montado en ola única, rapaz. Lo demás es ir viendo, desde el paracaídas, el todo de la palabra, lo que su inventiva, biografía en sol naciente y luna nueva, audacia e imaginería estremezcan. Es una manera de decir totalidad.
No, mientras escribo esto el prólogo se difumina con distancia. Se me acercan estos versos de un libro al que el poeta ha llamado Es tristemente bello escribir un poema donde morirse, y el fijar una óptica para un libro como este comienza en una danza dispar, movediza, sin consuelo de acierto.
¡Qué gran vuelta a una de las heridas del poeta, la vida! Diré que el libro es mágicamente denso, porque las fórmulas creadoras asumen ríos a contracorriente, la imaginación regresa a su niño escondido, y juega con su abecedario para la soledad, el vacío, la pérdida, el amor y hasta me atrevo a nombrar monólogo, en un teatro a cámara negra, un perseguidor y una música a lo lejos, esta vez, espejo rendido.
Portada del libro ‘Epístola de asombro por un poeta
Hugo Mujica, poeta argentino, abre la marea fuerte de este libro, y tras de él, el discurso del poeta, un lenguaje muy interior que se desprende y resplandece. Hay unos versos que lo exponen como un golpe de agua capaz, y sucedáneo:
hay que destruir la
casa que fuimos
para edificar sobre
los escombros
nuestro otro hogar.
(Donde la casa olvida tu nombre)
Este poema es iluminador, y a su vez desolador, es un mapa limpio de sobrevivencia; una casa, tal vez la de todos, se mira con tristeza, una casa que hemos tenido todos que, de momento, no te conoce, te deshabita, tritura tus raíces. Un incendio inofensivo que en su mudez trae capítulos de la memoria y a su vez seduce a una desaparición. Es una forma de dolor, una caricatura contra una vida, locuaz y concluida que, en la mirada total se hace nada. Siempre, en este visto existencialista enfrentaremos la dureza de tener casa sin hogar, pisar los escombros y edificar quién sabe dónde.
Creo que en todo hogar siempre hay una despedida, un despecho, un vacío que dormía entre cimientos de felicidad; alguien marcha, y todo cambia, se van llenando soledades. El poeta lo demuestra en estos versos donde todos habitamos, y donde se aferra a regresar libre de lo perdido:
correr hacia dentro,
expurgar mis huesos
hasta encontrar algún hilo rojo,
que me enseñe el camino de regreso:
a la falda de la abuela
a la hermandad cómplice,
a la ruta de la golondrina,
a la mansedumbre materna.
(Donde la casa olvida tu nombre)
Esta sección del libro nos narra el camino de un desprendimiento, la nostalgia herida, la ansiedad, el pasado y su línea del presente. El pasado traza un territorio en el frente de las palabras; la imaginación en su día presente las observa, con limpieza y dolor. Hay, elementos en el sendero que pedirían un regreso, un intento de amor, un acto de amor incluso, pero la vida del poeta esta hecha de verdades y presentes migratorios a un estado absoluto de poesía. En este libro como diría Miguel de Unamuno hay un ¡ADENTRO! muy contemplativo; claro está queda el deseo de regresar, el espíritu así lo ordena, porque el espíritu al final abre la brecha al paso del futuro.
Y sigue, la lluvia interior, cubre el cosecho de palabras vivas. José Ernesto nos recuerda el niño que yace en algún lugar de nosotros. La segunda parte de este poema El niño que se hizo sombra encierra una gran verdad, y una revelación: el hombre encierra de silencio su niño hasta ser su sombra. He aquí la marca:
Qué pesadilla esta
de calaveras de pájaros
girando sobre mi cuerpo,
en esta noche que me traga
y me escupe dentro de un
baúl de juguetes mustios.
hay algo de mi pasado
que no tuve, algo como…
una mirada, un abrazo o un dulce
que hoy reclama su espacio;
pero estoy lleno de cenizas.
ay de mí, siempre herido,
taciturno, melancólico.
(El niño que se hizo sombra)
¿Acaso somos un niño de sombra, callado, mustio, sosegado por nuestros actos? Cada poema en esta parte del libro-si decir todo-es destinado al ser, a su travesía, sus facetas solares y lunares, su tiempo, su espacio, su solera de palabras, su silencio. El poeta, en sí mismo, es un soliloquio. Discursa, tambalea, llora, se atreve a reír y sueña.
Dos secciones adicionales conforman el libro: Vulnerable Animal y Bajo el filo de las palabras. Cada uno escrito con la originalidad que lleva el alma y su ambiente de contemplación. El poeta asume el hombre de hojalata y desangra el poderío, de la expresión. Y es que José Ernesto, poeta total, no puede vivir bajo otro orden que el filo de las palabras; el subir, la pendiente, paso a paso, a sol y luna, también noche oscura, y conquistar el término medio-como Aristóteles en su tabla mágica-de la voz y la rendición de los destinatarios. Hablar en poesía conlleva una libertad honrada y magnífica, precisa, Paul Válery oscilaba entre el vuelco al desprendimiento, la dación, el mensaje perfecto. He aquí que José Ernesto en el centro de su escenario rompe incluso con las intermitencias de la vida y de la muerte, porque poesía es eso, provocar que los prólogos desistan de fijar el orden; es leer el poema y hacerse vital desde el poema mismo.
Cierra el libro con el título de su nombre, Es tristemente bello escribir un poema donde morirse lo dejo a la imaginación del lector de estas páginas. Solamente, bajo la premisa anterior, les advierto, resume ante el todo del ser una vitalidad que se hará compañera de tus días, ya no habrá muerte, sólo el universo indomable que rompe con su cerco, las palabras:
porque escribir para fallecer
es un juego cuyas instrucciones
llevo cicatrizadas en el alma.
es tristemente bello escribir
un poema donde morirse,
como resquebrajar con un verso
las puertas del miedo
y volverme a encontrar sin
fracturas en los ojos del cielo.
dime, Lady Lazarus,
si morir es un arte,
¿cómo transmuto en
una alondra bajo el
peso de este poema?
(Es tristemente bello escribir un poema donde morirse)
Es este libro un viaje del siempre, bajo cualquier día, por encima de las horas, bajo la verdadera poesía. Es, el asombro. ¡Enhorabuena POETA!
Certidão de Aliança e Cooperação Cultural Intercontinental: uma ponte soberana entre o Brasil, a Guiné-Bissau e as demais nações que compartilham o idioma Português
Humberto Napoleón Varela RobalinoImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/c2f62125f769706d?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Nine years old this year If you were a dog that would be bad But tis 9 years since the stem cell transplant 9 years since being told you’re at the end of the road 9 years since sitting in that restaurant The three of us Getting to grips with the fact it might just all be over The chemotherapy The sickness The losing of hair Which is more devastating that one can imagine The terrible wig The hat I knitted you to keep your head warm The first thing I had ever knitted For the last months of your life
Nine years old this year When all the markers were against you AML it sounds like a football club abbreviation Acute – there’s nothing cute about Myeloid – it belonged to all of us Leukemia – there are no good recovery stats I watched you shrink, Washed you Fed you Watched you hoping all the time That this was no Black Star I wanted in the small hours A Lazarus effect But to watch your tiny bones Your shrinking body Your little face My soul began to take bites out of itself
Nine years old this year Nine glorious accounts of rebellion With each new birthday I have become A little cheekier with fate When I feel that my life is at a standstill I look at your face, your fuller face Your stronger bones Your proud to be ageing body I am reminded that miracles Come in the form of packages It takes a team of us, of them and Your absolute resolve to survive To happen I never mind hearing your voice Even if I’m tired and falling asleep When you call across the time zones I relish the sound of you The recall of your daily adventures
No matter how ordinary Because life can never be mundane