Além do conflito

Bianca Agnelli

‘Além do conflito: reflexões sobre a radicalização na era da fragilidade global’

Oltre il conflitto: riflessioni sulla radicalizzazione nell’epoca della fragilità globale

Card do artigo 'Além do conflito: reflexões sobre a radicalização na era da fragilidade global'
Card do artigo ‘Além do conflito: reflexões sobre a radicalização na era da fragilidade global’

As sementes da violência são plantadas no silêncio, no vazio, na ausência. Você não as vê crescer, mas quando percebe, já pode ser tarde demais.

Nas últimas semanas, e especialmente após o ataque dos Estados Unidos contra o Irã na noite passada, o mundo despertou com o coração apertado. O risco de escalada é real. A fragilidade geopolítica já não tem fronteiras fixas, e a guerra – a verdadeira – parece ter voltado a bater com força às portas da Europa. Mas enquanto focamos nas frentes militares, nos mísseis e nas estratégias, frequentemente esquecemos outro campo de batalha, mais silencioso, mais sutil: o da radicalização.

Toda guerra ‘externa’ pode despertar pequenas guerras internas, em países aparentemente distantes, mas psicologicamente expostos. E não se trata apenas de geopolítica, mas de narrativas, identidades, pertencimentos.

Radicalizar-se não significa simplesmente ‘tornar-se extremista’. É muitas vezes um processo lento, viscoso, marcado por feridas identitárias, solidões ignoradas, fracassos interpretados como injustiças. Nas casas às sombras, nas salas onde reina o silêncio, nas famílias fragmentadas, pode começar esse vazio que depois se expande.

Mas o outro lugar onde a radicalização cresce silenciosamente está muito mais próximo de nós: é a internet.

Ali, o extremismo se torna viral. Algumas das principais redes jihadistas (mas também neofascistas, supremacistas brancas, etc.) atuam com uma sofisticação digital surpreendente: vídeos editados com música épica, narrativas envolventes, perfis que parecem inocentes. A linguagem é jovem, familiar. A radicalização hoje tem filtros do Instagram e hashtags.

E, pior ainda, os algoritmos ajudam. Quem começa buscando um vídeo religioso pode acabar, em poucos cliques, assistindo à glorificação do martírio ou a teorias conspiratórias sobre o ‘Ocidente corrupto’. Basta um link criptografado no Telegram para cruzar essa fronteira.

Em alguns países atingidos por atentados – como França, Bélgica, Reino Unido – foram criados centros de desradicalização, com resultados variados. Alguns fracassaram, transformando-se em dormitórios vigiados. Outros, porém, tornaram-se laboratórios humanos, onde ex-extremistas contam sua queda e recuperação, gerando testemunhos que funcionam melhor que mil sermões.

No âmbito supranacional, a União Europeia implantou importantes ferramentas para prevenir a radicalização e combater a propaganda terrorista online. Desde 2022, está em vigor um regulamento que exige a remoção em até uma hora de conteúdos terroristas de serviços digitais de hospedagem, inclusive transmissões ao vivo. Além disso, a UE criou unidades específicas – como a Internet Referral Unit da Europol – para monitorar conteúdos extremistas e apoiar os Estados-membros. Existem redes de sensibilização com milhares de agentes na linha de frente, desde funcionários penitenciários a professores, para compartilhar boas práticas e compreender as fragilidades que tornam as pessoas vulneráveis ao radicalismo. O Fórum da UE sobre Internet também trabalha para interceptar as novas formas de evolução do extremismo online. Porque o terrorismo não nasce apenas nos desertos do Oriente Médio: frequentemente se forma no vazio das nossas democracias digitais.

Desarmar o extremismo significa oferecer alternativas narrativas. Significa educar para a ambiguidade, a complexidade, a beleza da não simplificação. Significa, como sociedade, aprender a escutar as fissuras identitárias antes que se tornem feridas políticas. Porque quem cai no ódio nem sempre é um monstro. Muitas vezes é um filho, um colega de escola, um jovem que não encontrou outro lugar onde se sentir parte.

A tarefa – nossa, como artistas, intelectuais, cidadãos – é cultivar uma resistência feita de pensamento, poesia, acolhimento e imaginação. Mas não basta apenas criar beleza: é preciso também presença, responsabilidade, visão. Precisamos nos sujar as mãos, habitar os espaços educativos, vigiar o debate público, monitorar as ações dos nossos parlamentares e representantes políticos.

Em uma era em que tudo clama por vingança, são necessárias vozes capazes de desarmar o ódio e não de alimentá-lo.

Para aprofundar: https://www.consilium.europa.eu/en/eu-response-to-terrorism

Bianca Agnelli

Oltre il conflitto: riflessioni sulla radicalizzazione nell’epoca della fragilità globale

I semi della violenza si piantano nel silenzio, nel vuoto, nell’assenza. Non li vedi crescere, ma quando li noti, è già tardi.

Nelle ultime settimane, e in particolare dopo l’attacco degli Stati Uniti contro l’Iran di questa notte, il mondo si è risvegliato con il cuore contratto. Il rischio di escalation è reale. La fragilità geopolitica ha ormai confini liquidi, e la guerra – quella vera – sembra tornata a bussare, prepotente, alle porte dell’Europa. Ma mentre guardiamo ai fronti militari, ai missili e alle strategie, dimentichiamo spesso l’altro campo di battaglia, più silenzioso, più sottile: quello della radicalizzazione.

Ogni guerra “fuori” rischia di risvegliare piccole guerre dentro, nei paesi apparentemente lontani, ma psicologicamente esposti. E non si tratta solo di geopolitica, ma di narrative, identità, appartenenze.

Radicalizzarsi non significa semplicemente “diventare estremisti”. È spesso un processo lento, vischioso, fatto di ferite identitarie, solitudini ignorate, fallimenti interpretati come ingiustizie. Nelle case in ombra, nei salotti dove regna il silenzio, nelle famiglie frammentate, può spesso cominciare quel vuoto che poi si espande.

Ma l’altro luogo dove la radicalizzazione cresce in silenzio è molto più vicino a noi: è la rete.

Qui, l’estremismo si fa virale. Alcune delle principali reti jihadiste (ma anche neofasciste, suprematiste bianche, etc.) operano con una sofisticazione digitale sorprendente: video montati con musica epica, storytelling accattivanti, account che sembrano innocui. Il linguaggio è giovane, familiare. La radicalizzazione oggi ha filtri Instagram e hashtag.

E, peggio ancora, gli algoritmi aiutano. Chi inizia cercando un video religioso può finire, nel giro di pochi clic, a guardare la glorificazione del martirio o teorie del complotto sull’Occidente “corrotto”. Basta un link criptato su Telegram per varcare il confine.

In alcuni paesi colpiti dagli attentati – come Francia, Belgio, Regno Unito – sono nati centri di deradicalizzazione, con risultati alterni. Alcuni hanno fallito, trasformandosi in dormitori sorvegliati. Altri, però, sono diventati laboratori umani dove ex estremisti raccontano la propria caduta e risalita, generando testimonianze che funzionano più di mille sermoni.

A livello sovranazionale, l’Unione Europea ha avviato strumenti importanti per prevenire la radicalizzazione e contrastare la propaganda terroristica online. Dal 2022 è in vigore un regolamento che impone la rimozione entro un’ora di contenuti terroristici dai servizi di hosting digitali, anche in live streaming. Inoltre, l’UE ha creato unità specifiche – come l’Internet Referral Unit di Europol – per monitorare contenuti estremisti e supportare gli Stati membri. Esistono reti di sensibilizzazione con migliaia di operatori in prima linea, dal personale carcerario agli insegnanti, per condividere buone pratiche e comprendere le fragilità che rendono le persone vulnerabili al radicalismo. Anche il Forum dell’UE su Internet lavora per intercettare i nuovi modi in cui l’estremismo si evolve online. Perché il terrorismo non nasce solo nei deserti del Medio Oriente: spesso si forma nel vuoto delle nostre democrazie digitali.

Disinnescare l’estremismo significa offrire alternative narrative. Significa educare all’ambiguità, alla complessità, alla bellezza della non semplificazione. Significa, come società, imparare ad ascoltare le fratture identitarie prima che diventino ferite politiche. Perché chi cade nell’odio non è sempre un mostro. Spesso è un figlio, un compagno di scuola, un ragazzo che non ha trovato altro luogo in cui sentirsi parte.

Il compito – nostro, come artisti, intellettuali, cittadini – è coltivare una resistenza fatta di pensiero, poesia, accoglienza e immaginazione. Ma non basta più solo creare bellezza: serve anche presenza, responsabilità, visione. Dobbiamo sporcarci le mani, abitare gli spazi educativi, presidiare il dibattito pubblico, monitorare le azioni dei nostri parlamentari e rappresentanti politici.

In un’epoca in cui tutto grida vendetta, servono voci capaci di disinnescare l’odio e non di alimentarlo.

Per approfondire: https://www.consilium.europa.eu/en/eu-response-to-terrorism

Bianca Agnelli

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Luar da Madrugada

Irene da Rocha: Poema ‘Luar da Madrugada’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Bing. 20 de junho de 2025,
às 17:45 PM

No luar da madrugada, a dançar,
Segredos se movem em doce compasso,
A brisa ao amanhecer faz despertar,
Promessas sussurram em suave abraço.

O Sol desponta, o horizonte a pintar,
Na grama molhada, a natureza em pranto,
Prepara o encontro que vem celebrar,
Contempla o mundo, envolto em encanto.

Versos traçam caminhos sob a lua,
Madrugada tece sonhos e alento,
Na brisa do amanhecer, magia flutua.

Serenidade no luar, bem guardada,
Poesia na noite é puro sentimento,
O sol escreve na grama orvalhada.

Irene da Rocha

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No quadro do ROL, as letras argentinas de Orlando Valdez!

Orlando Valdez abrilhanta o quadro de colunistas do ROL, com sua destacada carreira literária!

Orlando Valdez
Orlando Valdez

Orlando Valdez nasceu em Ramallo (1961), Província de Buenos Aires e reside em Rosário, Argentina, desde 1986.

Publicou as coletâneas de poesia: O Profundo Silêncio de Toda Loucura (2001/2001), O Mezquino Trazo del Act (2012), A Feroz Covardia do Silêncio (2007/2017), A Simetria Inusitada (2019), Setenta Vezes Sete Mais Que Três Vezes (2019) e Zedlav (2020).

Foi jurado duas vezes no Concurso Internacional de Poesia Acebal, na Província de Santa Fé (2002 e 2022).

Sua obra foi publicada em 14 antologias e em revistas de poesia nacionais e internacionais. Participou com sua obra em mesas de leitura em festivais internacionais no Chile (2005), Cuba (2014), México (2017) e na Argentina, ao nível internacional, nacional e provincial. É membro ativo do Colégio de Escritores e Poetas do Sudeste (CEPSURE International Friends) e correspondente da revista mexicana de poesia Blanco Móvil.

Orlando Valdez inaugura sua colaboração no ROL com o poema ‘Nas Ruas à Noite’ (do livro: O Silêncio Profundo de Toda Loucura)

Nas Ruas à Noite

Imagem criada por IA do Bing. 20 de junho de 2025, às 14:12 PM
Imagem criada por IA do Bing. 20 de junho de 2025,
às 14:12 PM

O frio nas ruas piora à noite

Folhas de inverno como animais

Gritam pela urgência do amanhecer

E a Lua além de seu minguante

Então me pergunto sobre mim e sobre mim

Do acontecimento

E da descoberta

Da luz de velas

O estigma

E sua sombra

Orlando Valdez

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Raúl Villalba: Criador de mundos – O olhar que descobre

“Por meio das minhas imagens, tento mostrar o mundo dos sonhos, da magia, dos sonhos, do místico e todos aqueles mundos de fantasia que tenho dentro de mim, que nascem e renascem a cada momento.” (Raúl Villalba)

Logo da seção Entrevistas ROLianas
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Raúl Villalba
Raúl Villalba

A arte é uma forma de expressão que transcende as palavras. A poética da imagem é uma linguagem visual que captura a essência da experiência humana. Nesse sentido, a obra de Raúl Villalba é um exemplo perfeito de como essa poética pode mergulhar nos limites mais profundos do ser.

Sua obra se caracteriza pela coragem de um verdadeiro criador, capaz de mergulhar nos limites da alma, onde a clareza e a ambiguidade se resolvem em uma zona de coerência artística. Nesse ponto onírico, os aspectos indizíveis da humanidade se resolvem em uma representação legítima. Assim, abre-se um território onde sombra e luz se entrelaçam em uma dança complexa e fascinante, explorando a escuridão luminosa dessa jornada cheia de acontecimentos que somos.

Carreira

Raúl Villalba, argentino, nascido em Buenos Aires. Autodidata. Iniciou sua exploração pela fotografia aos 17 anos e, desde então, nunca se desviou do caminho que havia escolhido seguir, dedicando todo o seu talento criativo a ele, tornando-se um dos fotógrafos criativos mais renomados nacional e internacionalmente. Trabalhou em todos os ramos da fotografia, como fotógrafo publicitário, retratista e ilustrador fotográfico criativo para capas de livros, capas de álbuns, contos e poesias para diversas editoras importantes da Argentina. Editoras: Julio Korn, Abril, Perfil, La Nación, etc. Gravadoras: Polygram.

Além dos Sonhos. Por Raúl Villalba
Além dos Sonhos. Por Raúl Villalba

Participou também do mundo das exposições, competindo nas mais importantes galerias de fotografia da Argentina e do exterior, conquistando inúmeros prêmios nacionais e internacionais em países como França, Itália, Polônia, África do Sul, Hungria, Brasil, Luxemburgo, entre outros.

Límites. Por Raúl Villalba
Límites. Por Raúl Villalba

Seus prêmios mais importantes incluem a Copa do Mundo na Bienal de Reims (França, 1983), o Super Circuito Austríaco (2008-2009), o Grande Prêmio concedido pelo Presidente da França na 40ª Exposição Internacional de Arte Fotográfica “Exposição de Autores por Convite” em Macon (França), o Prêmio Catalunha (2016) e o Best of the Best (FIAP) (2012). Tornou-se um dos melhores fotógrafos internacionais.

Noites de Tango. Por Raúl Villalba
Noites de Tango. Por Raúl Villalba

Realizou inúmeras exposições de fotografia, coletivas e individuais, em centros culturais e galerias de arte, nacionais e internacionais, todas com estrondoso sucesso e excelentes críticas. Suas imagens foram reproduzidas em cartazes e cartões em diferentes países, que são facilmente comercializados no mercado consumidor, alcançando grande impacto. Até o momento, ele conquistou mais de 6.000 prêmios internacionais.

Palhaço. Por Raúl Villalba
Palhaço. Por Raúl Villalba
Encurralada

Conversa com Raúl Villalba

M.O. – Você pode falar sobre seu processo criativo?
R.V – As pessoas costumam me perguntar como as ideias para minhas fotografias se concretizam, como se houvesse apenas um caminho. A verdade é que não sei. Dediquei toda a minha vida à fotografia, especialmente à fotografia artística, porque acredito que ela me permite liberar toda a minha capacidade criativa. Não existem técnicas, nem regras.

Não posso dizer que exista um único caminho para a criação. Vou aonde meus sentimentos me levam. Talvez essa seja a única regra: trabalho semiconscientemente.

Faço o que sinto sem pensar muito, sem impor limites. Mas isso não é o mais importante; acredito que o mais fundamental é dar vida à imagem. Somente quando esse passo vital é dado é que acredito que meu trabalho faz sentido.

O doce som da música
O doce som da música

M.O. – O que você tenta transmitir por meio de suas fotografias?
R.V. – Por meio das minhas imagens, tento mostrar o mundo dos sonhos, da magia, dos sonhos, do místico e todos aqueles mundos de fantasia que tenho dentro de mim, que nascem e renascem a cada momento. Dessa forma, posso apresentá-los aos observadores das minhas fotografias, que talvez representem o mundo interior de cada um deles.

M.O. – Qual você acha que é o papel do artista na sociedade e como ele contribui para como percebemos o mundo?
R.V – É mostrar ao mundo outra perspectiva sobre como os artistas percebem a nossa, porque a arte está em nossas almas, e poder tocar a alma daqueles que nos seguem.

Em suma, podemos concluir que a arte de Raúl Villalba é uma jornada ao interior do ser humano, uma jornada que nos leva a descobrir novas nuances da existência e a encontrar beleza na complexidade da humanidade. Nessa jornada, nos encontramos e descobrimos a verdadeira essência da existência humana.

Palhaço Estranho
Palhaço Estranho

O Grande Charlot
O Grande Charlot

Marta Oliveri

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Vazio!

Clayton Alexandre Zocarato: Conto ‘Vazio!’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA do Bing - 19 de junho de 2025, às 20:52 PM
Imagem criada por IA do Bing – 19 de junho de 2025,
às 20:52 PM

O rádio chiava baixinho na prateleira, perdido entre livros embolorados e porta-retratos com rostos que já não existiam. 

Oswaldo, sentado em sua poltrona de couro puído, olhava pela janela como quem tenta decifrar o tempo — não o clima, mas o tempo em sua essência: o que já passou, o que virá, e, mais cruelmente, o que nunca veio. Lá fora, o mundo parecia indiferente. Um mundo que seguia, apesar da sua ausência voluntária.

 Passavam carros, crianças com mochilas, cachorros levados por donos apressados. Havia vida, sim. Mas não a sua. A sua ficara presa em algum ponto distante da linha do tempo, talvez numa praça de cidade pequena, numa conversa esquecida, num beijo roubado numa tarde de verão.

Oswaldo levantou-se com esforço. O corpo já não obedecia com a agilidade de outrora, mas ainda seguia — teimoso, como ele.

 Foi até a estante e pegou um caderno surrado. Ali, escrevia reflexões que ninguém lia. Não para serem lidas, mas para existirem. Era um hábito que tomara quando se dera conta de que já não conversava com ninguém. O silêncio externo o havia empurrado para o barulho interno — e esse, por vezes, era ensurdecedor. “Existir é suportar o vazio com dignidade.” — rabiscou na folha. 

Depois olhou a frase como quem contempla uma sentença de morte escrita à mão. Era um homem que se desfez das coisas aos poucos: da juventude, dos amigos, da mulher, do filho que se mudara para outro país e agora lhe escrevia apenas em datas especiais, por obrigação mais que por afeto.

 Oswaldo não culpava ninguém. No fundo, aceitava que “tudo o que era sólido se desmanchava” — como dissera um velho filósofo em algum livro que agora jazia esquecido na estante. Lembrava-se de quando era jovem e se sentia imortal. A juventude tinha esse dom: mascarar a angústia com projetos, com urgências falsas, com promessas de sentido. Mas o tempo revela: não há sentido que resista à dúvida. E era disso que ele se alimentava agora — da dúvida. Não de forma amarga, mas contemplativa, como quem observa uma fogueira se apagar sem pressa.

Sentou-se de novo.  A poltrona parecia moldada ao seu corpo, como se ele e o móvel fossem uma mesma entidade. E ali, olhando o mundo pela moldura da janela, sentiu saudade de si. Não dos outros, mas de si — daquele que poderia ter sido, do Oswaldo que ficou pelo caminho. Era esse o maior isolamento: não o do mundo, mas o de si para consigo. Sentia-se estrangeiro dentro da própria pele.

O rádio chiou mais uma vez. Tocava uma música antiga, daquelas que rasgam a alma sem pedir permissão. E Oswaldo sorriu — não com alegria, mas com a melancolia de quem reconhece a beleza trágica da vida. Porque, afinal, talvez o segredo fosse esse: aceitar o absurdo da existência, abraçá-lo como um velho conhecido, e continuar — mesmo que apenas para assistir ao mundo passar da janela, com um caderno no colo e o coração em silêncio.

Clayton Alexandre Zocarato

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Estudantes da EMEF. Coronel Esmédio visitam a FLONA de Ipanema

Localizada entre os municípios de Iperó e Araçoiaba da Serra, a FLONA é uma Unidade de Conservação Ambiental

Estudantes da EMEF. Coronel Esmédio visitam a FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Estudantes da EMEF. Coronel Esmédio visitam a FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Estudantes dos 7ºs anos A, B e C da EMEF Coronel Esmédio, da cidade de Porto Feliz, tiveram a oportunidade de conhecer um dos mais importantes sítios históricos de nossa região: a Floresta Nacional de Ipanema. Localizada entre os municípios de Iperó e Araçoiaba da Serra, a FLONA, hoje uma área de Proteção Ambiental, já abrigou a primeira siderúrgica do Brasil e das Américas, a Real Fábrica de Ferro de São João do Ipanema, constituída em 1811, por Dom João, príncipe regente de Portugal.

                O sítio histórico é composto pelos prédios da antiga fábrica, pelos altos-fornos utilizados para transformar a magnetita, minério presente na localidade, em ferro derretido (gusa); e, também, pelas casas da vila.

                Os estudantes percorreram, ainda, a trilha da Pedra Santa, no morro do Araçoiaba, onde tiveram contato com o monumento a Francisco Adolfo de Varnhagem, considerado o pai da História do Brasil, e que viveu seus primeiros anos em Ipanema. Ainda tiveram contato com a primeira cruz fundida na fábrica de ferro e com a gruta onde viveu Giovani Maria D’Agostini, um misterioso monge italiano que ganhou fama de milagreiro.

                O projeto dessa excursão foi realizado pelo professor de História da unidade escolar, Carlos Carvalho Cavalheiro, que promove essas visitas há 19 anos, desde que assumiu seu cargo por concurso público em 2006. Acompanharam os alunos nessa excursão, além do professor Carlos, os professores Fernando Piazentin e Aline Santos.

                Na FLONA os estudantes foram recepcionados pelos guias Rodrigo e Rafael Gonçalves, que explanaram sobre as questões ambientais e históricas daquele lugar. O projeto recebeu apoio da equipe gestora da escola formada pelo diretor Daniel Piasentin, pela vice-diretora Fabiana Gutierrez Ruiz e pela coordenadora pedagógica Elizabety Batoni Bragagnolo.

Fotos da visita à FLONA

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro
Visita à FLONA de Ipanema. Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

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Gestão de Projetos

Loide Afonso: Poema ‘Gestão de Projetos’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do Bing - 17 de junho de 2025,  às 14:36 PM
Imagem criada por IA do Bing – 17 de junho de 2025,
às 14:36 PM

A aula começa
A sala esquenta
Vozes se escutam
No fundo

Murmúrios
Cochichos
Olhares apreensivos

O folhear das páginas
Teclas se tocando
Com os dedos
Mal feitos
Trémulos

Conversas paralelas
Luz
Câmera
E razão

Cadeiras alinhadas
Corpos tortos
Magros
E gordos

Pessoas
Objectos
Água
Café
Banana

Sede de conhecimento
Empolgação
Saia e calções.

Loide Portugal

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