Quando o silêncio deixa de ser casa

Quando as paredes da mente ecoam o indizível: a escrita reflexiva e visceral de Adriana Rocha

Adriana Rocha
Adriana Rocha
Ilustração simbólica sobre o enfrentamento à violência doméstica, com uma mulher deixando um ambiente de medo e opressão por uma porta aberta para um caminho iluminado. Elementos em tons lilás representam proteção, escuta, diálogo, respeito, autonomia e dignidade. Em primeiro plano, flores, uma balança da justiça, uma fita lilás e materiais sobre mediação reforçam a mensagem de segurança e liberdade.
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Agosto Lilás nos convida a olhar para uma realidade que, muitas vezes, permanece escondida atrás das portas de uma casa, dos silêncios de uma família e das justificativas que tentam normalizar aquilo que jamais deveria ser normalizado: a violência doméstica.

Falar sobre enfrentamento à violência contra a mulher é falar sobre proteção, dignidade, autonomia e, sobretudo, sobre o direito de viver sem medo.

Nesse contexto, a mediação privada precisa ser compreendida com responsabilidade. Mediação não é sinônimo de reconciliação a qualquer custo, tampouco pode transformar uma situação de violência em uma simples divergência entre partes colocadas em condições aparentemente equivalentes.

A essência da mediação está no diálogo qualificado, na autonomia e na construção responsável de soluções. Mas esses princípios somente podem ser exercidos quando existem condições mínimas de segurança, liberdade e equilíbrio para que a pessoa possa se expressar e decidir.

Em situações que envolvem violência doméstica, o primeiro compromisso deve ser com a proteção da pessoa em situação de violência. Antes de perguntar “como podemos construir um acordo?”, é necessário perguntar: “há segurança para que essa pessoa possa escolher?” Essa mudança de perspectiva é fundamental.

A violência pode assumir diferentes formas: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Nem sempre deixa marcas visíveis. Algumas das feridas mais profundas são produzidas por ameaças, humilhações, controle, isolamento, medo e dependência econômica.

Por isso, o mediador e a mediadora precisam estar preparados para reconhecer sinais de vulnerabilidade, compreender os limites éticos e jurídicos de sua atuação e saber quando a mediação não é o caminho adequado.

A mediação privada não deve ser utilizada para silenciar conflitos, produzir acordos a qualquer preço ou conferir aparência de normalidade a relações marcadas pela violência.

Ao contrário: quando adequadamente compreendida, ela reafirma que autonomia não existe onde há coerção; consenso não existe onde há medo; e diálogo não pode ser confundido com submissão. Isso também nos leva a uma reflexão sobre a cultura da pacificação.

Pacificar não significa simplesmente fazer com que as pessoas parem de discutir. Pacificação verdadeira pressupõe respeito, segurança, reconhecimento de direitos e possibilidade real de escolha.

Em determinados contextos, a melhor intervenção do profissional da mediação pode ser justamente não mediar.

Reconhecer esse limite não representa fracasso. Representa competência, ética e compromisso com uma cultura de paz que não seja construída sobre o silêncio de quem sofreu violência.

O Agosto Lilás, portanto, não deve ser apenas um período de campanhas e manifestações simbólicas. Deve ser uma oportunidade para aprimorarmos práticas profissionais, ampliarmos a informação, fortalecermos redes de proteção e qualificarmos cada vez mais os espaços de acesso à justiça.

Na mediação privada, especialmente, precisamos compreender que acolher não significa substituir a vontade da pessoa; proteger não significa decidir por ela; e promover o diálogo não significa obrigá-la a dialogar.

Há momentos em que a escuta é o primeiro passo para a autonomia. Há momentos em que o silêncio é um pedido de proteção. E há momentos em que dizer “não” à mediação é, justamente, uma forma de dizer “sim” à dignidade.

Que o lilás de agosto não seja apenas uma cor. Que seja um compromisso!

Um compromisso com relações sem violência, com profissionais preparados, com instituições responsáveis e com uma sociedade capaz de compreender que a paz verdadeira jamais pode ser construída à custa da segurança, da liberdade ou da dignidade de alguém.

Porque, diante da violência doméstica, o primeiro consenso que precisamos construir é aquele que nenhuma mulher deveria precisar negociar: o direito de viver em segurança.

Adriana Rocha

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Poesia popular

Mohamed Rahal

‘Poesia Popular: Malhoun – O Registro do Povo
e uma Arma de Resistência Cultural’

Mohamed Rahal
Mohamed Rahal
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A poesia popular, conhecida como “Malhoun”, é uma das expressões artísticas mais proeminentes que preservou a identidade e a memória coletiva da região de Ouarsenis. A poesia nunca foi uma forma de arte elitista e isolada; pelo contrário, sempre esteve intimamente ligada aos problemas e preocupações cotidianas do povo, servindo verdadeiramente como “o registro do povo e o repositório de seus segredos”.

Os poetas populares foram a voz da nação, semeando esperança, fortalecendo a determinação e inspirando um espírito revolucionário nos corações dos argelinos, transformando a poesia em um manifesto de resistência e uma plataforma para a liberdade. A poesia popular caracteriza-se pela sua habilidosa fusão do vocabulário digno do árabe clássico com o calor do dialeto local, tornando-a acessível, fácil de entender e compartilhar, e capaz de expressar os sentimentos mais sutis e os pensamentos mais profundos.

🔶 A Canção Beduína da Melodia Eterna que dáAsas ao Poema

Se a poesia é a alma, a canção beduína é o corpo e o eco que lhe garante vida eterna. A canção beduína está intrinsecamente ligada à poesia popular; é o canal através do qual a poesia flui das coleções dos poetas para os corações das massas. Quando um poema é cantado, adquire novas dimensões e um impacto mais profundo, à medida que a beleza das palavras se funde com o poder da melodia e a doçura da voz, transformando-o em parte integrante do tecido social do dia a dia. É recitada em celebrações e eventos, compartilhada em encontros noturnos e usada para oferecer conforto em momentos de tristeza.

🔶Esforços para Preservar e Consolidar estaTradição dos Festivais Folkà PesquisaAcadêmica

Há um crescente interesse acadêmico por essa rica herança. Universidades nacionais têm promovido simpósios nacionais com ampla participação de professores e pesquisadores especializados de diversas universidades do país. Esses encontros buscam destacar as dimensões culturais e civilizacionais da região, bem como explorar e analisar a literatura popular escrita e oral utilizando as abordagens críticas mais recentes.

Um dos resultados mais significativos desses esforços acadêmicos é a proposta de criação de um laboratório de pesquisa acadêmica dedicado à literatura, à cultura popular e ao patrimônio da região. O objetivo é documentar cientificamente essa cultura imaterial, preservá-la e transformá-la em uma fonte confiável para estudos de ciências humanas e sociais.

🔶Instrumentos Musicais Populares em Canções Beduínas

As canções beduínas são baseadas principalmente em instrumentos musicais simples e tradicionais, muitas vezes feitos com materiais encontrados no deserto ou em ambientes rurais. Esses instrumentos variam de instrumentos de sopro e corda a instrumentos de percussão.

🔷Qasba ou Qasba (Flauta Beduína): Um instrumento de sopro feito de um tubo oco de cana, considerado a base do estilo beduíno do deserto (como os cantos Ayay, Naili e Shawiya).

🔷Shubaba (ou Shabiba): Um instrumento de sopro tradicional feito de cana ou metal com orifícios específicos, que produz tons delicados adequados à atmosfera do deserto.

🔷Bendir e Daf: Instrumentos de percussão usados ​​para marcar o ritmo e o andamento no canto beduíno e em encontros de grupo.

🔷Gelal ou Tambor Beduíno: Um instrumento de percussão usado em alguns estilos beduínos (como a canção beduína de Oran ou a canção da estepe) para intensificar a energia e o ritmo.

🔷Gelal ou Tambor Beduíno: Um instrumento de percussão usado em alguns estilos beduínos (como a canção beduína de Oran ou a canção da estepe) para realçar a energia e o ritmo.

🔴Cobertura da mídia: Do 15º Festival de Canções e Poesia Folclórica Bedouína na Província de Tissemsilt, transmitido pela Ennahar TV.

Mohamed Rahal

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Vaso valioso

‘Vaso Valioso’: Poema de Guilherme Machado

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Fotografia em ambiente externo com iluminação calorosa de pôr do sol. Um homem de pele clara, cabelos curtos grisalhos nas laterais, barba aparada e um pequeno piercing no nariz está sentado em um banco de madeira rustico em um jardim repleto de flores e vegetação. Ele veste uma blusa de manga longa verde-oliva e segura com carinho um vaso de cerâmica restaurado com a técnica kintsugi, exibindo fendas douradas, de onde brotam pequenas flores delicadas. Ao seu lado no banco, há um caderno de anotações fechado e uma Bíblia. Ele olha serenamente para o horizonte, onde a luz do sol desponta no céu.
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“Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso!
Não se apavore nem desanime.”
Mais do que um aluno, um amigo querido, gentil e amoroso.
Nunca permita que a dor do passado te subestime.

Aos olhos de Deus, és vaso valioso.
Mesmo quando não consegues perceber.
Feito por suas mãos, és único e precioso.
Há muito em sua história que ainda há de florescer.

As marcas no vaso não apagam seu valor,
Nem tudo que se quebra precisa terminar.
Há cicatrizes que se transformam em amor,
Quando Deus usa nossa história para alguém alcançar.

Mesmo marcado, o vaso atravessou a dor,
Pois há propósito nas marcas que o tempo deixou.
Cada cicatriz pode transformar-se em louvor,
E revelar o cuidado de Quem nunca te abandonou.

O ontem não precisa definir quem você será,
Aquilo que feriu também pode ensinar.
Talvez ainda não percebas a importância que tua vida já tem,
Nem quantos encontrarão esperança no caminho que você trilhar.
Eu posso ver no horizonte a glória de Deus se manifestar.
E, pela fé, declaro: você ficará bem.

Mude o referencial para sua dor ressignificar.
E saberás que fizeste parte de algo importante.
Do que um dia te prendeu, ainda irás testemunhar:
“Aquele que começou a boa obra há de completá-la adiante.”

Em homenagem a Murilo Scottini

Guilherme Machado

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Canción en la franja estéril

Poema de Mario Antonio Rosa

Mario Antonio Rosa
Mario Antonio Rosa
Pintura al óleo de un paisaje desértico y estéril con una pequeña flor silvestre naciendo de una grieta en la tierra seca bajo el sol poniente, que ilustra el poema 'Canción en la franja estéril' de Mario Antonio Rosa.
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“En Palestina, los árboles cuentan una historia de opresión.”
(Paola Caridi – La morera de Jerusalén

Siempre es volver,
escribir callado, rayando en los aguaceros,
el pecho de luto y su vocal de agua,
el hastío, y su mar en llagas.

Siempre es quedar herido
abrir la roca encontrada de gritos
la noche de niño más cerca de las lanzas
el horno destruido sin comida
nadie tiene nada
los colonos trajeron a su dios y vomitaron
echaron espigas regadas con fiebre
se robaron la aurora y celebraron.

La línea de cadáveres,
muerte contra muerte hasta la lejanía
como una vieja casa, crujida en cruces
que en realidad parecen sombras
donde el mundo acaba a cada día y vuelve
con la cara de otra nueva sangre.

Olvidé llorar,
me he quedado recibiendo balas
ropajes agrios, hambres de otros,
Me he quedado con las madres heridas
curtidas de llanto, arcos desmayados
paso cerca de la tumba en el sicomoro
del hombre que no pudo vivir,
porque alguna vez fue palestino ante el sol
y le arrebataron la sombra y el aire
yo diría que hasta la muerte, uno se olvida de llorar,
y se arrodilla en las buenas semillas
que paren las arterias del cielo, y la morera,
al menos un relato de vástagos
la fortaleza de la noche en su sangrado de plata

la suimanga
que riega el sonido de los horizontes
y que ya, es mi eco para conocer la sed.

Siempre se vuelve,
a pisar los escombros escritos por el abuso
a olvidarse de las oraciones

solo tomar la granada
y perderse junto al fuego.

Mario Antonio Rosa

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Christian Tămaș

Cristina Rhea

‘Entrevista com o escritor, tradutor e pesquisador romeno Christian Tămaș’

Logotipo da seção Entrevistas ROLianas
Logotipo da seção Entrevistas ROLianas

“O que me preocupa, na verdade, é a busca por um caminho de retorno do ser humano às suas realidades e valores últimos, cada vez mais sufocados pela arrogância megalomaníaca do homem contemporâneo.” (Christian Tămaș)

Crhistian Tamas - Arquivo pessoal
Christian Tămaș – Arquivo pessoal

Queridos amigos, tenho a grande alegria e a honra de dar continuidade à minha série de entrevistas na maravilhosa revista Jornal Cultural ROL, com trechos da minha entrevista com o ilustre escritor, tradutor e pesquisador romeno Christian Tămaș.

É escritor, filósofo, orientalista e tradutor de oito línguas estrangeiras (árabe, francês, inglês, italiano, espanhol, português, catalão e irlandês), consultor de Ciências Humanas do IBC – Cambridge (Reino Unido) e pesquisador da Universidade „Al. I. Cuza“, em Iași (Romênia), além de professor de língua e civilização árabe no Centro Cultural Árabe de Iași (Romênia).

Christian Tămaș é Doutor “Magna cum laude” em Filosofia, com a tese “Estratégias de comunicação no Alcorão”. As línguas estrangeiras nas quais atua como tradutor são: árabe, francês, espanhol, italiano, português, catalão, inglês e irlandês (celta).

Também é membro da União dos Escritores da Romênia.

Capa do livro ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (Editora Pro Universitaria, 2013
Capa do livro ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (Editora Pro Universitaria, 2013

A entrevista foi publicada no meu quarto livro de entrevistas, ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (Editora Pro Universitaria, 2013).

O volume contém 32 entrevistas com 29 personalidades culturais e sociopolíticas da Romênia contemporânea, nas quais analiso diversos aspectos da vida política, socioeconômica e cultural da Romênia, bem como as formas pelas quais esses aspectos foram afetados pela ideologia comunista e pela transição para a democracia após 1989.

Os temas abordados nessas entrevistas tratam da ideia de nação romena e do destino do povo romeno nos planos cultural, social, histórico e político, analisando o processo do comunismo na Romênia, o período de transição pós-comunista e o período da monarquia constitucional romena.

Nascido em 13 de novembro de 1964, o escritor, tradutor e pesquisador romeno Christian Tămaș é uma personalidade única no âmbito da cultura romena.

Sua obra é abrangente e inclui: trabalhos especializados (livros); artigos e estudos; trabalhos apresentados em conferências, congressos e colóquios nacionais e internacionais; prefácios, estudos introdutórios, notas e comentários, organização e preparação de edições; traduções (livros); além de numerosos artigos, resenhas e traduções publicados em periódicos culturais romenos e internacionais.

Parte de seus trabalhos foi incluída em dicionários e obras de referência biobibliográficas de instituições internacionais especializadas (Centre for Translations and Textual Studies, Irish Research Council for Humanities and Social Sciences, Dublin, Irlanda; International Biographical Centre, Cambridge, Reino Unido; American Biographical Institute, Raleigh, Carolina do Norte, EUA).

Além disso, Christian Tămaș recebeu importantes prêmios nacionais (Prêmio da União dos Escritores da Romênia – Filial de Iași, Romênia, 2008; Prêmio de Tradução do Festival Internacional „Lucian Blaga”, Alba Iulia, Romênia, 2011) e internacionais (Prix Na‘man, Beirute, Líbano, 2007; Medalha de Ouro por Excelência Intelectual, Lima, Peru, 2012).

Sempre que nos encontramos, tive o mesmo sentimento: o de que qualquer diálogo com Christian Tămaș é único e, depois de apenas alguns minutos de conversa, transforma-se em um verdadeiro colóquio espiritual, no qual você, como ouvinte, assiste, mudo de assombro, à essência conflituosa/benéfica dos temas mais debatidos do mundo contemporâneo: o mundo árabe, o cristianismo, o espaço ocidental, os horizontes transcendentais, a sacralidade, a modernidade, a comunicação religiosa, a condição humana, o neopaganismo contemporâneo, a ideologia, a sociedade pluralista, a hegemonia mundial, o comunismo e o capitalismo.

Convido vocês a lerem trechos da entrevista a seguir, realizada em 2013, na qual analisamos grande parte desses temas fundamentais do mundo contemporâneo.

Rh. C.: O intelectualidade romena corre atualmente o risco de ser eliminada do cenário social e político da sociedade?

Ch. T.: A intelectualidade romena, infelizmente, já foi eliminada dos cenários aos quais o senhor se refere. E aqui me refiro ao verdadeiro intelectual, não àquele que possui um diploma de ensino superior. Mas isso é uma consequência natural da falta de clareza e de visão que a sociedade romena enfrenta em seu conjunto. E isso, por sua vez, é consequência do choque representado pela Revolução de 1989, uma mudança brusca e radical de uma maneira de compreender o mundo, por assim dizer, para outra, diametralmente oposta. Mais ou menos como na história de Abu Hasan, que certa manhã acordou califa.

Em nosso país, o comunismo deixou marcas profundas, por meio de uma “nivelização pela base” da sociedade, da destruição sistemática da individualidade e do deslocamento da atenção desta para a comunidade — mas não de uma comunidade entendida como o conjunto das individualidades de seus membros, e sim como uma multidão amorfa. É claro que os outros povos da Europa Central e Oriental que compartilharam nosso destino também passaram por isso, mas a tradição e a experiência pré-comunistas às quais me referi em determinado momento fizeram com que as sequelas do totalitarismo assumissem uma gravidade diferente em cada caso.

Ora, se o intelectual tem seu lugar (e sua razão de ser) no seio da comunidade, ele se torna um elemento negligenciável aos olhos de pessoas manipuladas e impedidas de desenvolver plenamente sua individualidade.

Rh. C.: O que significa o tipo de pesquisa científica que o senhor propunha, em 2013, no plano europeu e mundial?

Ch. T.: Não saberia dizer o que isso significa. Poderia, entretanto, dizer para onde ela se dirige: para o conhecimento da realidade do “outro”, tal como ela é, sem distorções nem preconceitos, com o objetivo de estabelecer uma base para o diálogo e a compreensão entre os seres humanos. É para isso que se voltam minhas preocupações e pesquisas das últimas décadas, não apenas desde 2009, ano de minha chegada à Universidade “Alexandru Ioan Cuza”, em Iași, e é também para isso que continuarão voltadas no futuro.

O que me preocupa, na verdade, é a busca por um caminho de retorno do ser humano às suas realidades e valores últimos, cada vez mais sufocados pela arrogância megalomaníaca do homem contemporâneo, para parafrasear o filósofo espanhol Milán-Puelles, que nos torna prisioneiros de uma autossuficiência cada vez mais desprovida de horizontes transcendentais.

Sinto que essa é a missão que me foi confiada e que me esforço para levar a bom termo, dentro das minhas possibilidades.

Rh. C.: Quais são as diretrizes que definem e a situação profissional do escritor/pesquisador romeno? Um bastardo da Europa? A elite intelectual europeia?

Ch. T.: É difícil definir as diretrizes que caracterizam o escritor ou pesquisador romeno. Isso depende de cada indivíduo, de seu horizonte, de seus ideais e dos objetivos concretos que estabelece para si. Em essência, elas são — ou deveriam ser — as mesmas de todos os escritores ou pesquisadores do mundo.

Em uma sociedade normal, plenamente “estruturada”, depende em grande medida dele tornar-se um “bastardo” ou um membro da “elite” intelectual de um país ou de um continente. Depende dele e da maneira como sabe compreender e assumir a missão que lhe cabe neste mundo.

Quanto à sua situação profissional, ela está longe de ser invejável, pois parece que, em nosso país, se confirmam as palavras do Salvador, que dizia que ninguém é profeta em sua própria terra”. A falta de transcendência de nosso universo interior e exterior nos dota, enquanto sociedade, de umas formidáveis viseiras que nos impedem de enxergar além do estreito campo de visão que nos é imposto. Daí também a crescente falta de apetite por tudo aquilo que significa cultura e educação.

Rh. C.: O comunismo tentou minar a identidade cultural da Europa Oriental. O que a Romênia trouxe de novo e o que preservou, nesse espaço geográfico, especialmente no que diz respeito à cultura?

Ch. T.: Em primeiro lugar, não acredito que se possa falar de uma identidade cultural stricto sensu da Europa Oriental anterior ao comunismo. Os povos dessa região provêm de duas vertentes da espiritualidade e, consequentemente, da cultura cristã: a católico-protestante, de um lado, e a ortodoxa, de outro, que evoluíram de maneiras bastante diferentes.

O comunismo procurou minar, ideologicamente falando, as características dos povos sobre os quais estendeu seu domínio, tentando nivelar as diferenças sob as esteiras do totalitarismo, mas não conseguiu. Os povos dessa região da Europa permaneceram os mesmos, assim como suas mentalidades.

É difícil dizer o que a Romênia trouxe de novo. Quanto ao que preservou, manteve suas tradições e sua língua, que somente agora correm o risco de se perder. É um paradoxo, sem dúvida, mas apenas aparentemente. A falta de liberdade, em seu sentido absoluto, destrói as almas; a liberdade as rouba.

Rh. C.: A escola romena tem futuro?

Ch. T.: Qualquer discussão a respeito da “Escola romena” (que não consigo deixar de comparar, quase por reflexo, com a situação da educação nos demais países europeus) me faz pensar em uma pintura do artista alemão do século XVI, Hans Baldung Grien, intitulada “As Três Idades do Homem”.

Ali, à esquerda, aparece uma mulher nua, jovem e bela — a “escola” europeia, na minha visão, ou a “escola” como ela deveria ser —, enquanto, no centro, aparece uma mulher também nua, mas enrugada e descarnada, cujos ossos são mantidos unidos apenas pela pele; atrás dela está a morte, olhando por cima de seu ombro: a “escola” romena e seu futuro. É a resposta mais direta que posso lhe dar.

Rh. C.: Qual é a importância da cultura do Leste para a Europa?

Ch. T.: É muito importante, pois reflete as mentalidades, as ideias e as tradições de povos que sempre fizeram parte desse espaço cultural, que professaram a mesma religião cristã, compartilharam os mesmos tipos de valores e enfrentaram ameaças comuns ao longo da história.

Apesar dos conflitos de todos os tipos e das duas guerras devastadoras do século passado, a Europa, seja Ocidental ou Oriental, do ponto de vista espiritual ou ideológico, sempre constituiu uma comunidade circunscrita ao mesmo espaço interior que seus povos foram destinados — ou condenados — a administrar da melhor maneira que conseguiram.

Rh. C.: Em que consistiu o naufrágio do regime comunista na Romênia? Foi semelhante ao dos países da Europa Oriental? Quais são atualmente os grandes sofrimentos do povo romeno e os perigos que a Romênia enfrenta (no plano europeu e mundial — refiro-me sobretudo às alianças político-econômicas e à invasão da religião na vida da sociedade)?

Ch. T.: O comunismo foi, desde o início, uma utopia no sentido mais pleno da palavra e, por isso, fracassou tanto na Romênia quanto nos demais Estados europeus. E as causas de seu naufrágio foram mais ou menos as mesmas. Talvez tenham diferido apenas as nuances, não a essência.

O grande fracasso do comunismo, que também provocou sua queda, foi o econômico, fato que desencadeou uma reação em cadeia. O rebanho, se não recebe alimento, dispersa-se.

Quanto aos sofrimentos do povo romeno, sobretudo no plano europeu, acredito que eles gravitam em torno de uma crise de identidade. A velocidade das mudanças na Europa nas últimas duas décadas talvez seja um pouco rápida demais para nós, acostumados, quase geneticamente, a outro ritmo e a outra maneira de vivenciar a passagem do tempo.

Quanto aos perigos determinados pelas alianças político-econômicas, eles são os mesmos que dizem respeito aos nossos aliados: crises econômicas, conflitos internacionais…

O maior perigo vem de dentro, de nós mesmos, por assim dizer, da falta de coerência que marca nossas ações. Esse é o maior perigo que se manifesta, em um nível mais elevado, por meio da crise de identidade mencionada anteriormente.

E ele não está relacionado a uma invasão da religião na vida da sociedade, mas, ao contrário, ao seu afastamento ou, melhor dizendo, ao fato de a religião estar sendo empurrada para as margens da sociedade. A invasão à qual você se refere é apenas aparente e está relacionada, na melhor das hipóteses, a aspectos formais, ritualísticos, e não às essências. A exacerbação do ritualismo no âmbito de uma religião constitui um sinal clínico de sua morte.

A presença da religião na vida de uma sociedade, seja aqui ou em qualquer outro lugar, não diz respeito ao que você faz quando vai à igreja, mas ao que faz fora dela; em outras palavras, à maneira como você entende que deve viver efetivamente aquilo que professa.

Rh. C.: O que os seres humanos representam para o senhor? Eles nascem necessariamente com alma e consciência?

Ch. T.: O ser humano é uma criação de Deus, de quem recebe tanto a alma quanto a consciência. Ele nasce, portanto, bom, com alma e consciência, que conserva até o fim de sua existência. O que acontece com ele ao longo de sua existência terrena depende, em ordem cronológica, em grande medida, de uma série de fatores sociais presentes em seu entorno imediato, que condicionam seu desenvolvimento: os pais, os educadores, os amigos, a sociedade.

Por ser uma criação de Deus, assim como eu também sou, o ser humano é meu semelhante, é uma alteridade na qual eu me reconheço.

Uma entrevista realizada por Rhea Cristina. Qualquer uso do conteúdo desta entrevista implica citar a fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. Todos los derechos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com  

Rhea Cristina

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¿Por qué lo que vino literariamente después del Boom no fue tan exitoso?

Alexander Anchia Vindas

‘¿Por qué lo que vino literariamente después del Boom no fue tan exitoso?’

Alexander Anchía Vindas
Alexander Anchía Vindas
Um jovem de perfil, usando camiseta verde, está sentado em uma escrivaninha estudando e escrevendo. À sua direita, livros abertos flutuam no ar de forma surrealista. O quarto tem papel de parede estampado, uma estante ao fundo com bichos de pelúcia, materiais escolares e uma lousa branca com anotações em inglês.
Fonte da imagem: Pixabay.com

Introducción

El fenómeno literario conocido como “El Boom Latinoamericano” parte la historiografía de la literatura en dos partes cual si fuera la historia Antes o Después de Cristo para el mundo con una cosmovisión occidental.

No obstante, antes del “Boom” ya existía una identidad, ya existía un canon de obras, ya existía una cosmovisión latinoamericanista de la realidad. Tal consolidación se comenzó a gestar incluso desde antes de las Independencias con autores latinoamericanos inmersos en la Literatura Española tales como: Garcilaso de la Vega, Sor Juana Inés de la Cruz, Ruiz de Alarcón y Leopoldo Lugonés por citar algunos de ellos.

Seguidamente con el romanticismo latinoamericano, por ejemplo, la novela María de Jorge Issacs, luego el naturalismo y realismo con otras obras, hasta que se consolidó el Realismo Mágico base previa para el Boom
Pero si fue durante el Boom el que le concedió un foco mediático a la literatura Latinoamericana.

¿Qué es el Boom?

El Boom Latinoamericano fue un fenómeno literario que surgió en la década de 1960 y se consolidó en los años 70 y se extendió en sus postrimerías hasta entrada la década del 2000 con sus últimos autores. Se caracterizó por la difusión internacional de la narrativa latinoamericana. Se trató de un movimiento editorial y cultural que permitió que escritores de la región alcanzaran reconocimiento mundial, transformando la percepción de la literatura en español.

El Boom se originó por varios factores:

La modernización editorial en Europa y América, que facilitó la publicación y traducción de obras.

El interés creciente en realidades políticas y sociales de América Latina, en un contexto de dictaduras, revoluciones y tensiones de la Guerra Fría.

La aparición de nuevas técnicas narrativas influenciadas por el modernismo europeo y el realismo mágico.

Los autores del Boom están plenamente identificados pero el Boom fue un fenómeno editorial, una brillante idea de editores en España que ayudaron a consolidar una literatura muy diversa e importante que se venía produciendo en el lado Oeste del Atlántico. Sin la labor de Carmen Balcells y editores como Carlos Barral, la narrativa latinoamericana difícilmente habría alcanzado la proyección mundial que logró en los años 60 y 70.

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El Post boom

Surgió como respuesta y evolución del Boom, principalmente se dio a partir de los años 90s. y algunos de ellos permanecen hasta nuestros días. Estos movimientos se caracterizaron por diversificar las voces, simplificar las estructuras narrativas y abrir espacio a temas antes marginales. Los temas y motivaciones han variado.

Algunos de esos movimientos del Post boom son: Macondo, narrativa histórica, literatura de migraciones, sexualidad y marginalidad, experimental, narcotráfico y novela negra latinoamericana.

Autores hay muchos, pero por citar a algunos autores sobresalientes en diferentes épocas algunos con actualidad previa a la llegada del siglo XXI y otros que permanecen hasta nuestros días se puede citar a Roberto Bolaño, Cesar Ayra, Isabel Allende, Laura Esquivel Álvaro Mutis, Jorge Bucay, Fernando Vallejo, Mario Bellatin, Jorge Volpi, Daniel Sada, Cristina Rivera Garza y Juan Villoro.

No obstante, si en esencia la literatura latinoamericana continuaba con su intensidad de conflictos, su maestría a contar historias, su rigor literario y su vocación de mantener una narrativa-cosmovisión latinoamericanista ¿Por qué decayó su atención?

Evidentemente después del año 2000 al concatenarse también con el fallecimiento paulatino de las figuras del Boom, no es posible otorgar a una única razón la desaparición del foco mediático mundial sobre la literatura latinoamericana.

Particularmente el autor de esta pequeña reflexión se atreverá a señalar varias razones para esa desaparición del foco mediático sobre la literatura interamericana:

a) Fallecimiento de las figuras del Boom. Evidentemente si un movimiento se centró en algunos de esos autores, una de las razones es su desaparición paulatina. Los nuevos autores no han superado; o, no han logrado cautivar a los lectores lo suficiente, tal como lo hicieron los autores del Boom.

b) Los movimientos del Post boom han sido más localistas, menos coordinados en el tiempo y generaron menor uniformidad en cuanto a estilo y tramas. Los autores tendieron a aislarse, y esos movimientos no tuvieron homogeneidad en cuanto a sus orígenes, postulados literarios y fechas.

c) La tecnología modificó las formas de acercarse a la lectura. Evidentemente la incursión de leer libros en línea con formatos como e-pub, pdf. El uso de tables y la incursión del libro electrónicos o audio libros, generó en ciertas generaciones alejamiento de la lectura al no comprender el uso de esos dispositivos y tipos de archivos. En tanto tampoco para las generaciones de Y o Z, tales dispositivos no derivaron en un aumento masivo de la lectura

d) El ciudadano posmoderno es más “light” en cuanto a sus gustos y preferencias: Tal como lo esbozó Zygmunt Bauman en su libro de la modernidad líquida o posmodernidad. Como lo dijo luego Vargas Llosa en su ensayo de la Civilización del Espectáculo, pasamos a un tipo de ciudadano del mundo, menos consciente, individualista y conformista con una literatura más light; o una ausencia total de la lectura. El ciudadano posmoderno estudiado tiende a ser más tecnócrata y enfocado más en su campo directo de trabajo, privándose del resto de lo que ocurre a su alrededor

e) Algunas propuestas fueron pensadas más para un ciudadano más light y no lograron universalizarse, tal como en el caso de la novela de narcotráfico que al pensarse para guiones de película o telenovelas latinoamericanas no derivó en universalización.

Conclusión

La literatura latinoamericana cuenta actualmente con una identidad consolidada, cuenta con una propuesta conocida, con una reinvención en curso; no significa que al no tener el foco mediático no sea una literatura exitosa. Actualmente la literatura hispanoamericana se debate entre un crecimiento propio, acorde a su historia previa de rigor, estética, principios y valores como lo fue otrora a lo largo de sus distintas épocas y conocimientos.

O, por una propuesta más inmediata que responda más al tipo de ciudadano promedio de la posmodernidad, el cual busca textos más inmediatos, ojalá algunos de ellos se puedan entender desde el teatro, el cine o la televisión.

Alexander Anchia Vindas

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Reflections

Cecilia Morris: Poem ‘Reflections’

Cecília Morris
Cecilia Morris
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‘I’m a dinkum Aussie poet,
And I don’t care who knows it.’
(Les Murray)

I listen to you recite poetry
follow footsteps to your shack
with its fading paint.
You talk of family history.

The screen door bangs,
we walk through tall wallaby grass
pace your land.

Blue-tongue lizards
shelter among leaf litter,
hiss as we pass down the street
so wide once for bullock carts.

The Northerly buffets us
outside the mechanics hall,
by the war memorial,

We move to the lagoon,
watch eels slide quickly past.

The closest thing to poetry
is the moon, you say.

I am grounded, in Melbourne,
where one house is pressed
against the next.

I wander outside
into a clear night,
lit by a full moon.
Not the wide luminous moon
Of your heartland,
But still it draws me out

We share the night.

Cecilia Morris

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