Os confinados

Sergio Diniz da Costa: Crônica ‘Os confinados’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
São animais que têm por espaço uma garagem (algumas com dois carros) ou um pequeno terreno ou quintal e por horizonte uma nesga de paisagem, vista pelas frestas de portões - Foto por Sergio Diniz da Costa
São animais que têm por espaço uma garagem (algumas com dois carros) ou um pequeno terreno ou quintal e por horizonte uma nesga de paisagem, vista pelas frestas de portões.” – Foto por Sergio Diniz da Costa

Diariamente, passeio com meu cão (Tobby) pelas ruas do meu bairro e bairros adjacentes.

Esses passeios me levaram a constatar que em muitas residências e até mesmo em pequenas empresas têm cães, em alguns casos até dois ou três.

Num primeiro momento, a impressão é que, a cada dia, aumenta o número de pessoas que parecem gostar de cães. Essa impressão, entretanto, em muitos casos, é enganosa.

Constato, com uma imensa tristeza, que é significativo o número de cães que vivem confinados em suas casas ou em estabelecimentos comerciais. São animais que têm por espaço uma garagem (algumas com dois carros) ou um pequeno terreno ou quintal e por horizonte uma nesga de paisagem, vista pelas frestas de portões. Em alguns casos, os cães ficam presos por correntes o dia inteiro.

Esse enclausuramento, com o tempo, torna os cachorros doentes, física e/ou emocionalmente. Alguns se tornam violentos e, se conseguem escapar da casa, podem atacar pessoas; outros chegam a se automutilar.

A Lei nº 9.605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências, prevê em seu art. 32, caput: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”.

O citado artigo não esclarece e, muito menos, enumera o que se configura como ato de abuso ou maus-tratos. A prática, contudo, aponta os atos mais comuns: abandono, manter animal preso por muito tempo sem comida e contato com seus donos/responsáveis, deixar animal em lugar impróprio e anti-higiênico, envenenamento, agressão física, covarde e exagerada, mutilação e utilizar animal em shows, apresentações ou trabalho que possa lhe causar pânico e sofrimento.

Manter cães diariamente confinados se configura, indiscutivelmente, como um ato de maus-tratos, pois, com isso, “os impede de desenvolver atividade física, independentemente da raça. E essa energia não gasta vai se acumulando cada vez mais até o cão encontrar um jeito de eliminá-la, sendo as maneiras mais comuns dessa energia ser dissipada roer ou destruir algo, latir, mostrar comportamentos compulsivos e às vezes até agressividade”.*

Outro aspecto do dano causado pelo confinamento reiterado se encontra no fato de que “os cães são animais gregários, ou seja, eles naturalmente vivem em grupos e precisam de interação social com os membros de sua própria espécie. Um cão que passa por essa privação social pode sofrer distúrbios emocionais e psicológicos graves, demonstrando timidez, medo excessivo ou agressividade com outros cães”.*

Presenciar diariamente esse atentado contra a saúde física e emocional de um animal historicamente alçado como paradigma da lealdade aos seres humanos leva-me a refletir que, ao contrário de seres humanos criminosos, os quais uma vez apreendidos pelos agentes policiais são posteriormente julgados, observando-se os trâmites e defesas legais e, somente depois, se condenados, encarcerados, os cães ‘de guarda’ de certas residências e empresas não têm o mesmo direito.

Até porque, o único ‘crime’ que cometeram foi o de confiar em seres humanos!

Humanos?

*  https://www.petlove.com.br/dicas/necessidades-basicas

Sergio Diniz da Costa

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Pensador




Red patent leather shoes

Jane Nash: ‘Red patent leather shoes’

Jane Nash
Jane Nash
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Imagem gerada por IA da Gemini – https://gemini.google.com/app/36406a29ddd907aa?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

The light of each moment escapes her eyes and drops like Swarovski’s most delicate crystal tears upon the place beneath. The fairy hair of a three year old. She is blond from the summer sun, the northern hemisphere’s winter not yet taken root.  This cherub plays hide and seek, gushing giggles in her wake, nose running in the excitement of small dogs and the colours of soft toys that she grasps. She bumbles her way around the garden dipping into the flowers and she surfaces smiling, pollen smears across her forehead, caught in wisps of that fairy-fine hair. 

From inside, facing out of the window, the shining one watches her granddaughter. Light grey hair mimics the blond as age dares to fly into the space of youth’s newness. There are only a few moments where it’s possible and now is the magic time.

Yesterday there was no traffic. A common place Sunday but today is the day when the truck comes by. One man, one truck and steel clamped arms which snatch at the waste hidden in green plastic bins.

There is a small gate at the front of the garden, leading from the pavement to the front door.  The twisted fashioned iron leaves have been painted green, the roses, red and the fleur-de-lis are painted in gold, a gift from another grandchild during a boring summer’s day whilst on holiday.  In the haste of getting the bin outside onto the pavement, the latch on the gate has not clicked to close.  A little gap invites a small child where gold paint sparkles in the sunlight.  A crown of light haloes the off balance cherub as she makes her way down the path, away from the colour-filled flower beds.  

The steel arms speed down to grab a bin and the child gets closer to the pavement. The sun glints from the lucky coins hanging from the rear-view mirror in the front cab of the truck and the driver sees, out of the corner of his eye, a tiny form making its way to the bins. He looks for an adult in pursuit but there is no one coming and he notices the shine from the red patent leather on her tiny feet. 

This sprite of the Celtic sun sees only rainbows and follows them regardless of the unknown and danger.  A moment of distraction has left her unattended and at the gate’s open invitation, she is unaware of a man in a truck, of bins and a light beginning to intensify as she draws closer to them.  The man opens his window down and shouts “Hello! Is anyone responsible for this child? Hello?”. 

Grandma is inside the house, the water from the taps in the sink covering his voice. When she looks up she sees a dishevelled toy, reminiscent of the pink pig it was when her granddaughter was born and she is comforted, thinking that the child and the pig are rarely separated. Thinking that the little one is safe amongst the flowers, she goes back to washing up the lunch dishes, she moves away from the window to switch on the kettle. 

The man in the truck halts the steel arms and opens the door to return the toddler to the garden but as he descends from the front of the cab, a spear is launched and strikes at the heart of him. He cannot breathe. The pulse in his neck drops into his chest and a band is tightened to crushing. Blood on the pavement pools from his head and the red shoes stand in the red life force.  

She sees rainbows until she sees a light descend from the sky. She sees a spear of light coming from the sky until she sees terrible beauty. She has no reference for such a face and is charmed by its peacefulness. She has no fear. Awkwardly reaching forward over the man’s chest, she grasps hold of the spear and steadies herself. Motionless, she watches him as he writhes and gasps. Dark beauty reaches out to cradle his head but the girl’s little arms instinctively pushes her away.  Urgent footsteps race down the path stopping only in view of the vision which prepares to carry his soul from here to there. Grandmother watches her granddaughter repel the magnificence of wings wishing to enfold a screaming heart. The child doesn’t realise but has the gift and a thousand years of shamanic song and drumming pours from her fingertips as she pulls out the spear and hands it back to the heavenly messenger who stands, stunned at not only the uninformed audacity but also a purity of heart and intent. 

The older woman’s light radiates from her eyes and she places her hands over his heart and watches the girl clumsily return the spear to its celestial owner.  There are rainbows until they see a light ascend to the sky and shoes are no longer smeared with the lifeblood of a man who cared enough to protect a fairy-haired three year old who had escaped from her grandmother’s notice.  

Angels are not beyond forming agreements and a pink pig is replaced that day through the palming of light by the smallest of shamens in red patent shoes.

Jane Nash

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Aquele que abandona o sonhar…

Jacob Kapingala: Poema ‘Aquele que abandona o sonhar…

Logo da seção O Leitor Participa
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O caminhar da vida,
Por vezes é imperceptível.
E a dor que nos acompanha nesta corrida,
Nem sempre é tão visível.

O realizar do tempo e da vida,
Contraria o desejar da nossa alma.
Pois se o tempo estivesse sob a nossa medida,
Jamais a gente perderia a calma.

Cicatrizes são lembranças do que um dia veio a doer!
Daquilo que um dia nos fez chorar.
Aquele que abandona o sonhar, abandona também o viver.
Estagnado numa vida que em frente deseja continuar.

Nunca o sucesso nos veio abraçar,
Sem que a gente o abraçasse primeiro.
Andando de mãos dadas com o sacrifício no olhar,
Tentando dar um passo que seja certeiro.

Jacob Kapingala

Jacob Kapingala
Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.

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Mudar é difícil, mas é possível!

José Ngola Carlos: ”Mudar é difícil, mas é possível!’

Kamuenho Ngululia
José Ngola Carlos
Paulo Freire – Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c82da8-bc0c-83e9-95b4-5bd6d8355450

Agora, sim, Paulo Freire me é familiar!

O empreendimento não foi de estudo rigoroso e sistemático, mas o de simplesmente conseguir alguma familiaridade com o pensamento didático, pedagógico e político de Paulo Feire. Para isto, foi necessário empreender um projeto de leitura extensiva de 24 (vinte e quatro) livros em Português e 11 (onze) livros em Espanhol.

Ao começar com os livros em Português, conveio priorizar o icônico Pedagogia do Oprimido. Não raro, as pessoas que nada ou pouco conhecem sobre a vida e obra de Freire, mediante leitura, o conhecem apenas pela referência da obra Pedagogia do Oprimido, como se se tratasse da sua primeira e última obra. Porém, Paulo Freire escreveu dezenas de livros que merecem igual menção honrosa como o da Pedagogia do Oprimido.

Finda a leitura dos livros que tinha disponível em Português, o percurso continuou com os livros em Espanhol que não estavam disponíveis na Língua Portuguesa. Assim, para conseguir a tão desejada familiaridade com o pensamento de Freire, foram necessários, para o meu caso, a leitura de 35 (trinta e cinco) livros seus.

No dia 28 de Agosto de 2025, termino o percurso de familiaridade simples, porém, não simplista, conforme diria Freire, com a filosofia educativa do autor lendo a obra Pedagogía de los Suenos Posibles.

Neste pequeno texto, que agora disponibilizo ao Jornal Cultural ROL e aos meus leitores e leitoras, aos quais muito estimo, mais do que simplesmente registar a memória de uma trajetória de leitura que visava compreender a ontologia, axiologia e epistemologia de Paulo Freire, o texto também se propõe como um exercício de síntese de um período de leitura-estudo. O texto pretende igualmente despertar o interesse dos leitores e leitoras para o estudo das obras de Freire e, muito objetivamente, é intensão do autor fornecer uma espécie de visão geral do pensamento freiriano, embora não se pretenda completa.

Dentre vários assuntos tratados por Paulo Freire em suas obras, que na sua maioria se consubstanciam em diálogos, cartas e conferências, constam:

  1. A educação como um ato político;A prática educativa como intrinsecamente dialógica e dialética;
  2. A educação como um quefazer cultural e revolucionário e não reacionário;
  3. A denúncia da prática educativa como uma prática ideologicamente não neutra;
  4. Uma séria crítica ao sistema educativo tradicional e bancário como não sendo verdadeira educação, mas um ato de domesticação e manutenção do poder que a minoritária classe dominante exerce sobre a esmagadora classe dominada;
  5. A educação como ato de conscientização e de alcance à liberdade de pensamento, de manifestação e de construção e reconstrução do mundo;
  6. A necessidade da invenção e reinvenção educativa como processo histórico, etc, etc.

Paulo Freire é digno das menções honrosas que lhe são feitas no mundo todo, dada sua justa luta e conquistas na educação, com e em favor das classes oprimidas.

É necessário sonhar, porque é impossível existir como ser humano sem sonhos. É necessário lutar destemidamente pelos sonhos para que eles se tornem realidades. Somado ao destemor, é necessário persistência, sabedoria, fé, amor e ética enquanto se luta justamente para a humanização do mundo que a todos nós acolhe.

Mudar é difícil, mas é possível!

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 27 de março de 2026

Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:3). Mudar é Difícil, mas é Possível! Brasil: Jornal Cultural ROL.

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La Mesita Del Comedor

CINEMA & PSICANÁLISE

‘La Mesita Del Comedor: O espectador como cúmplice do absurdo’

Card da coluna CINEMA & PSICANÁLISE - La Mesita Del Comedor: O espectador como cúmplice do absurdo
Card da coluna CINEMA & PSICANÁLISE – La Mesita Del Comedor:
O espectador como cúmplice do absurdo

La Mesita Del Comedor parte de um ato inicial: um casal vai até a loja de móveis comprar uma mesa de centro. Um ato cotidiano que revelaria, mais tarde, ser um fio condutor à catástrofe. A peça: uma mesa um tanto exótica, com duas figuras femininas pintadas em dourado segurando uma tampa de vidro, daí a “Mesita” do título. Jamais imaginaríamos, no entanto, que o objeto causaria tamanhos estragos. Nos primeiros minutos do filme, percebemos que o casal que acabara de ter um filho passa por um momento difícil na relação. São desavenças o tempo todo, diálogos inacabados, cobranças e acusações.

Não sabemos muito bem ao certo quando as desavenças começaram, porém a chegada de um bebê contribui para o clima ficar ainda mais tenso. Depois de alguma discussão, eles decidem, mesmo a contragosto da esposa, levar a tal mesa de centro. Aliás, o vendedor parece ‘empurrar’ o móvel de qualquer jeito para eles. Convencidos, levam-na para casa e o pior acontece.

Agora a pergunta que não quer calar: o que poderia acontecer de tão terrível com uma estúpida mesa de centro? O roteiro de Caye Casas, que também assina a direção e Cristina Borobia que o digam! Ambientado praticamente no apartamento do casal, com pouquíssimas externas e elenco reduzido, La Mesita Del Comedor (Mesa Maldita, no Brasil; The Cofee Table, nos Estados Unidos), surpreende pela sagacidade e perspicácia de sua narrativa.

Definitivamente é um suspense, com pitadas de gore em algumas cenas e ausência de jump scares. É composto por uma atmosfera que nos mantém numa tensão absurda ao longo da película e aquele mal-estar crescente a cada cena e a cada decisão do personagem de David Pareja que interpreta o marido completamente desnorteado, tentando permanecer lúcido e responsivo diante de tamanha tragédia.

Quando o ato desastroso acontece, a sensação é de total perplexidade. Leva alguns segundos para realmente acreditar no que os olhos veem. Acompanhamos a saga do marido tão incrédulos quanto ele, que durante todo o filme procura esconder da esposa, do irmão e da cunhada, que mais tarde vão visitá-los para um jantar em família, o terrível fato de ter derrubado seu filho recém-nascido na mesa de vidro. O horror é escancarado não somente pela sanguinolenta cena, como também, a direção do filme nos faz ver e saber de algo ainda pior, impossível de revelar: a cabeça da criança está embaixo da poltrona. A partir disso, marido e espectador guardam consigo uma dor imensa sem poder compartilhar com ninguém.

Nesta obra, o confinamento transcende as paredes do apartamento e se torna uma prisão moral e emocional absoluta. O diretor utiliza a geografia da sala de estar para criar uma experiência de asfixia quase insuportável, tornando-se o epicentro de um trauma irreversível. Essa redefinição do espaço tem um objeto literal no centro do quadro, pois a mesa de vidro não apenas restringe o movimento dos personagens na pequena sala, ela parece ancorar o olhar do espectador. O quadro cinematográfico nos obriga a orbitar essa jaula de horror, transformando a sala de estar comum em uma masmorra psíquica do qual o protagonista (e o público) não pode se evadir. 

A câmera frequentemente isola Jesús, o pai, em planos que o esmagam contra o sofá ou as paredes, de forma literal ou emocional, refletindo na tela a sua paralisia imposta; ele não pode fugir fisicamente do apartamento e não pode fugir psicologicamente da tragédia ocorrida. A negação da realidade posterga a fatídica revelação atuando como lastro ao suspense. Ao pai, a cada par de minutos, sente-se menos confortável naquele prolongar, no qual o ar claustrofóbico fere-o lentamente.

O espectador e o protagonista são os únicos que sabem da terrível verdade desde o início, criando uma prisão daquele que assiste na própria mente de Jesús. Acompanha-se ‘por dentro’, a escalada de esmagamento do personagem pela culpa e face ao insuportável. Nesse passo, a paranoia é ativada não por assassinos nas sombras, monstros ou qualquer elemento sobrenatural, mas por elementos supostamente banais. A chegada da esposa, do irmão, da cunhada, da vizinha, os sorrisos, as piadas casuais, chocam-se de forma iminente com a tragédia oculta, pois a interação social cotidiana ao derredor do escabroso acontecimento torna-se a maior fonte de tensão e violência psicológica para o público.

La Mesita Del Comedor é um estudo de caso perfeito sobre o tempo psicológico no cinema, desenrolando-se em apenas uma tarde e noite. Contudo, para o espectador, a duração parece infinita. A edição refinada e direção apurada nos prende em diálogos corriqueiros enquanto sabemos que a catástrofe está a centímetros de ser descoberta. Literalmente, afinal não podemos esquecer que a cabeça do infante permanece na sala. O diretor estica o tempo, transformando cada conversa trivial em uma agonia prolongada, fazendo-nos sentir fisicamente o peso daquela espera torturante.

A trama segue perturbando nossa mente e carne, pois é possível sentir a aflição de Jesús em inventar desculpas e saídas para que Maria, a esposa, não saiba que Cayetano, seu precioso filho está morto e daquela forma. De origem espanhola, a película nos brinda com um enredo simples, mas que consegue extrair a partir de uma história aparentemente trivial de um casal ordinário comprando um móvel qualquer, um desenrolar tão criativo e incômodo. Tal é a tônica já conhecida nas produções daquele país.

Filmes assim nos fazem crer na importância de excelentes roteiros, além da montagem das sequências, sem necessariamente se preocupar com cenários gigantescos, alta quantidade de personagens e externas, trilha sonora fenomenal, entre outros elementos. Claro que tudo isso também é considerável numa produção, porém La Mesita, faz com poucos ingredientes uma experiência inesquecível. Outros filmes com características semelhantes vem à baila: o drama/comédia Carnage (2011); o sufocante Enterrado Vivo (2010); o solitário Inside (2023); a excelente produção O Farol (2019); o frenético filme argentino 4×4 (2019).

Ao contrário de filmes em que o perigo espreita do lado de fora da casa, ou do ponto de atenção do personagem, aqui o horror está confinado dentro do próprio espaço visível, mas oculto dos outros participantes. Afinal, o que não é visto é imaginado de forma ainda mais intensa. Nessa tensão palpável, o design de som coadjuvantemente é usado para manter a ferida aberta. Os sons ao redor funcionam para nos lembrar o tempo todo do que está escondido dos demais e de ciência apenas de Jesús. Uma espécie de ‘extracampo’ moral, não espacial. 

O que Caye Casas faz é valer-se das ferramentas do cinema de confinamento e aplicá-las para criar um estado de choque contínuo. Nós não estamos apenas presos na sala, mas na inevitabilidade da dor, e o imensurável período de latência.

Decerto, quando a narrativa nos priva do horizonte, a dinâmica entre o espectador e a película sofre uma mutação profunda. O filme deixa de ser uma janela para o mundo e passa a operar como um espelho de nossas próprias angústias. Tais efeitos são criados a partir de sofisticadas técnicas interacionais que atingem, por assim dizer, o espectador de forma mais intensa. Espelhamento Físico: a sala de cinema (ou o quarto escuro de casa) já é, por si só, um espaço confinado. Quando a imagem na tela reflete um ambiente fechado, ocorre uma sobreposição de realidades. O espectador não está apenas vendo o confinamento; ele está, fisicamente e simbolicamente, submetido a ele junto com os personagens.

As bordas do quadro cinematográfico deixam de ser limites passivos da imagem e tornam-se paredes ativas e esmagadoras. A película nos aprisiona através de closes extremos e da recusa em mostrar o ‘lado de fora’, gerando uma sensação de enclausuramento. De certo modo, a restrição espacial obriga a narrativa a mergulhar verticalmente na psicologia dos personagens, o que desencadeia reações específicas no público. A ansiedade do personagem é transferida para o espectador através de técnicas de mise-en-scène. Ao nos negar o contexto externo, o diretor nos força a focar em microexpressões e na deterioração mental, ativando um lado empático baseado na tensão e no desconforto. O que provavelmente não ocorreria nos contextos de maior escopo de contextualização cênica, com o alívio visual do mundo exterior.

Qualquer ruído, som externo ou sombra no fundo do cenário tornam-se uma ameaça monumental, criando uma hipervigilância deflagrada por perigos ocultos ou idealizados. A imagem é então dissecada quase que paranoicamente, pois no confinamento, o tempo cronológico perde a importância e o tempo psicológico assume maior relevância. Este tipo de fazer cinematográfico assemelha-se a um laboratório do comportamento humano, possibilitando expandir a percepção sobre a fragilidade dos sujeitos diante do isolamento em um ambiente ‘controlado’. Sensações e sentimentos são intensificados, e, como defluência lógica, o próprio clímax inicia sua pujança antecipadamente.

Continuando na trama, há outras subtramas gravitando de maneira velada, muito bem orquestradas pela direção que aguça nosso imaginário: a garotinha Ruth, vizinha do casal, apaixonada por Jesús, propõe claramente a ele um ‘relacionamento’. Será que este pedido teria algum fundamento? Ele manteve alguma relação obscura com a menor ou seria apenas a imaginação fértil de uma pré-adolescente? A mesa de centro quebrou de fato quando o bebê caiu? Foi realmente um acidente? Como Jesús participa deste momento? O brilhante enquadramento em outro ponto da cena em questão nos deixa um vazio, pois apenas é possível escutar o estilhaçar dos vidros. Corta para a feição de horror do pai. Nada mais. Sangue nos móveis e tapete. Não sabemos como se deu cada sequência. Vivemos esse pesadelo juntos. As brigas constantes do casal poderiam revelar que o filho, naquele momento, não era bem-vindo? Jesús reclamava a Maria que não tinha liberdade de escolha no casamento. O pai deixou cair o filho na mesa da discórdia num ato falho?

A tensão entre o casal é patente desde o diálogo de abertura, longo, aparentemente sem propósito, bem ‘tarantinesco’. No entanto, tudo tem seu propósito. Poder-se-ia indagar se o rebento foi planejado, se, de fato, o marido pretendia ampliar a família naquele momento. Seria o descendente uma espécie de materialização de ‘terapia matrimonial’, como um último recurso ao relacionamento? E, ainda de forma mais dramática, o findar tão horripilante da criança poderia ter sido produzido, ainda que inconscientemente, numa revolta à sua mulher e seu relacionamento? O drama de Jesús e seu delongamento, poderia ser uma forma de autopunição por ter sido o responsável – ainda que acidental? – pela morte do filho? Quer ele prolongar seu suplício, e, consequentemente projetá-lo sobre a companheira como se buscasse dividir, não apenas a culpa, mas a intensa dor?

O argumento, rico dentro de sua simplicidade, gravita em torno do bebê e o desenrolar de eventos, no qual ele é o catalisador que propulsiona os fatos e cenas ulteriores, o objeto de manutenção do suspense e, além disso, ponto que guia o fatídico desfecho, afinal, o sofredor pai terá de revelar o nefasto acontecimento. Jesús não tem como escapar: fatalmente em algum momento terá que contar à família enquanto que segue recebendo visitas, interagindo com a esposa de modo robótico, checando se o bebê está dormindo e ainda rechaçando as investidas e ameaças da jovem vizinha enamorada por ele. 

Impossível não traçar um paralelo com uma das celebradas obras de Hitchcock, Festim Diabólico, (Rope, 1948), no qual, em vez de um bebê, um corpo repousa dentro de um baú na sala de um apartamento onde se organiza uma recepção. Como dito anteriormente, o cinema de confinamento lança mão de inúmeras ferramentas como recursos narrativos, a partir da utilização de trilha sonora intensa, ou seu decote total e o desenrolar de fatos em tempo real. Aqui, o silêncio e o ruído tornam-se ‘personagens’ invisíveis, operando uma tensão acusmática. O ponto de mal – estar não é visto, no entanto seu resultado é sentido. 

Observa-se que o cinema, muitas vezes associado à grandiosidade do espetáculo visual, encontra alguns de seus momentos mais relevados, justamente na restrição. A escolha pelo minimalismo cênico não é meramente orçamentária, (muitas vezes, o é), mas uma decisão estética e narrativa que força a linguagem cinematográfica a dialogar intimamente com o teatro de câmara e com a pintura de interiores, onde a tensão psicológica substitui a ação cinética, vetor este explorado nos anos 30, pelo dito movimento Kammerspiel, quase paralelo ao expressionismo.

Em Festim, Hitchcock, a partir do material original da peça de Patrick Hamilton, orquestra o filme para parecer um único plano-sequência contínuo, inspirado no famoso caso conhecido como ‘Leopold e Loeb’, dois estudantes da Universidade de Chicago que assassinaram um adolescente apenas para provar sua suposta superioridade intelectual nietzschiana, explorada no filme em diálogos filosóficos. Na trama, Brandon e Philip estrangulam um colega e escondem o corpo em um baú de madeira que permanece no centro da sala de estar onde, minutos depois, eles oferecem um jantar para a família e a noiva da vítima. O filme sustenta uma tensão gerada muito mais pela ânsia de saber quando os assassinos serão descobertos, afinal eles estão entre os familiares, do que quem realmente matou. 

Em La Mesita, o cenário minimalista — um apartamento com vista para o horizonte de Nova York — torna-se um panóptico invertido. O público sabe a verdade sobre o assassínio do bebê. Indiretamente, somos cúmplices voyeuristas, observando a banalidade das conversas sociais acontecerem na presença de um cadáver. Assim como em Festim há a cumplicidade do público em saber sobre o cadáver que está no baú. Sua descoberta é constantemente postergada a cada vez que um personagem se aproxima do objeto para servir comida ou colocar livros.

Enquanto Hitchcock utiliza o realismo espacial, La Mesita Del Comedor transpõe o absurdo cômico extremo. Já Luis Buñuel (em sua fase mexicana), subverte o minimalismo para o surrealismo. Ótima junção!  

Temos então em O Anjo Exterminador (El Ángel Exterminador, 1962), um grupo da alta burguesia confinado em uma sala de estar após um jantar. Não há barreiras físicas, trancas ou guardas; porém eles simplesmente não conseguem sair. Aqui, o cenário estático funciona como uma crítica social corrosiva. O minimalismo do espaço serve para despir as camadas de civilidade. À medida que os dias passam, a sala luxuosa se degrada, assim como a moral dos personagens e o lugar torna-se uma jaula psicológica onde a figura humana é distorcida pelo isolamento. O suspense é existencial, ainda que sem viés ‘bergmanianos’, mas ainda restrito em sua ação, mesmo surreal, pelo qual o terror não assoma de um assassino externo, mas da implosão da quebra das normas sociais dentro de um perímetro restrito.

Por um prisma, se o corpo no baú é deliberadamente incluído como ponto de condução indireta da trama, o pequeno apartamento atua como uma cela não oficial, assim como na película de Buñuel, os próprios elementos humanos erigem a prisão. Em La Mesita, os contornos do filme gravitam, ora em tom de sarcasmo ácido, doído, ora em um suspense/terror cotidiano. É assustador pensar que qualquer um de nós pode enclausurar-se nas próprias celas e baús psíquicos a partir de decisões ou ações bem ou mal-intencionadas. 

Afinal, se considerarmos as intensas investidas do inconsciente, todo ato falho carrega seu sucesso. Talvez, a jaula do silêncio seja tão potente quanto o fatídico, tal como um corpo num baú, um grupo confinado em um ambiente no qual é impossível projetar o que se espera, ou mesmo, o que está escondido debaixo de nossas mesas de centro, reais ou simbólicas. 

Marcus Hemerly e Bruna Rosalem

Marcus Hemerly

Bruna Rosalem

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Jardim Secreto dos Sonhos

Exposição ‘Jardim Secreto dos Sonhos’ homenageia Hans Christian Andersen no Tatuapé

Card da exposição Jardim Secreto dos Sonhos, no Tatuapé
Card da exposição Jardim Secreto dos Sonhos, no Tatuapé

Coletivo Café & Arte em Movimento apresenta mostra poética inédita baseada em pesquisa biográfica e literária do autor dinamarquês durante todo o mês de abril

SÃO PAULO – De 1º a 30 de abril de 2026, a Biblioteca Municipal Hans Christian Andersen, unidade temática em contos de fadas, recebe a exposição ‘Jardim Secreto dos Sonhos – Ecos de Hans Christian Andersen’. Organizada pelo Coletivo Café & Arte em Movimento, a mostra reúne 20 poemas inéditos que celebram o legado do escritor dinamarquês.

O projeto foi idealizado e organizado pela professora e poeta Priscila Mancussi, presidente do coletivo. Cada um dos 20 poetas participantes dedicou-se a um rigoroso processo de estudo sobre a vida e as obras de Andersen, transpondo essas referências para versos contemporâneos. A viabilização do espaço cultural contou com a articulação estratégica dos escritores Josemir Lemos e Clarissa Lemos, enquanto a identidade visual e as artes da exposição são assinadas pela escritora e artista Cristina Pimentel.

Um Sarau para Enaltecer a Poesia

No dia 25 de abril (sábado), das 10h às 12h, o coletivo promoverá um Sarau Especial. Durante o evento, os autores darão voz às suas criações, transformando a leitura em uma performance literária que busca incentivar o hábito da leitura e dar visibilidade aos artistas locais.

Poetas Participantes:

Altamir Costa, Antônio Gringo Barreto, Beto Costa, Carina Gameiro, Clarissa Lemos, Cristina Pimentel, Débora Domingues, Djalma Moraes, Josemir Lemos, Lana Coêlho, Leonardo Andreh, Márcio Zacarias (Arthur Souto), Mayara Lopes, Priscila Mancussi, Ricardo Oliveira, Ricco Cassiano, Shirley Ferro, Su Canfora, Teresinha Rocha e Vânia Moreira.

Serviço:

  • Exposição: Jardim Secreto dos Sonhos – Ecos de Hans Christian Andersen
  • Período: 01/04/2026 a 30/04/2026
  • Horário de visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h.
  • Sarau de Destaque: 25/04/2026 (sábado), das 10h às 12h
  • Local: Biblioteca Pública Municipal Hans Christian Andersen
  • Endereço: Avenida Celso Garcia, 4142 – Tatuapé, São Paulo/SP. CEP: 03064-000
  • Entrada: Gratuita e classificação livre.

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Mais que um simples José

A força silenciosa de um homem escolhido para amar

Mais que um simples José

Seymer Santos revela a humanidade, a fé e a missão de um dos maiores exemplos de amor e entrega da história.

Nem toda grande história começa com certezas.

Algumas nascem da dúvida, do medo… e, principalmente, de uma escolha.

Seymer Santos
Seymer Santos

É a partir dessa reflexão que o livro “Mais que um simples José”, convida o leitor a olhar com mais profundidade para uma das figuras mais silenciosas e, ao mesmo tempo, mais grandiosas, da história da fé cristã.

São José é conhecido por seu silêncio.

Na Bíblia, não há uma única palavra sua registrada.

Mas são justamente suas atitudes que atravessam os séculos como exemplo de fé, coragem e amor.

Na obra, ele deixa de ser apenas uma presença discreta para ganhar voz, sentimentos e humanidade.

Seymer Santos, autor de 40 anos, pai de três filhos e morador de Sobradinho, no Distrito Federal, constrói uma narrativa sensível, inspirada em estudos, obras religiosas e relatos místicos.

Católico e consagrado a São José, ele encontrou na escrita uma forma de se aproximar ainda mais dessa figura que sempre o inquietou.

“O que ele sentiu? O que pensou diante de uma missão tão grandiosa?”, foram perguntas que deram origem ao livro.

A partir desse questionamento, nasce uma história que apresenta José não apenas como o pai terreno de Jesus, mas como um homem real, que enfrentou inseguranças, medos, noites em claro e decisões que exigiam uma fé inabalável.

Aceitar Maria, compreender o mistério da concepção divina, proteger, educar e prover o Filho de Deus… tudo isso é retratado com sensibilidade, revelando um amor que vai além do sangue, um amor que nasce da escolha.

Inspirado em obras como “Consagração a São José”, do padre Donald H. Calloway, e nas visões da mística Anna Catarina Emmerich, que também influenciaram produções como o filme A Paixão de Cristo , Seymer constrói uma narrativa que une espiritualidade, emoção e reflexão.

Autor de 15 livros publicados de forma independente, com obras que transitam entre aventura, romance, liderança e literatura infantil, ele vive agora um momento especial de sua trajetória: o chamado para evangelizar por meio da escrita.

“Mais que um simples José” não é apenas uma releitura de uma história conhecida

É um convite a enxergar, com novos olhos, a grandeza de um homem que amou em silêncio, acreditou mesmo sem compreender tudo e aceitou, com humildade, uma das missões mais importantes da história.

Uma leitura que emociona, fortalece a fé e nos lembra que, muitas vezes, são os gestos mais silenciosos que carregam os maiores significados.

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MAIS QUE UM SIMPLES JOSÉ

SINOPSE

Você já se perguntou o que realmente se passava na mente de São José?

O homem por trás do silêncio, das escolhas difíceis e da fé, que moldou a vida do Messias?

Prepare-se para uma revelação íntima e transformadora que transcende os séculos e alcança o coração de cada leitor.

Pela primeira vez, José de Nazaré quebra o silêncio milenar, convidando você a uma jornada pessoal através de suas memórias mais profundas, angústias mais secretas e triunfos mais sagrados.

Esqueça o que você pensava saber sobre a figura discreta que guardou a Sagrada Família.

Este não é um simples relato; é a sua voz, a sua verdade, contada com a honestidade e a profundidade de um coração que amou, sofreu e obedeceu a Deus acima de tudo.

Em “MAIS QUE UM SIMPLES JOSÉ”, Seymer Santos nos entrega uma obra-prima da literatura espiritual, onde o carpinteiro de Nazaré se revela em sua plena humanidade.

Desde a infância marcada pela devoção e o trabalho humilde, até o momento em que sua vida se entrelaça, de forma inesperada e divina, com a de Maria, cada página é um convite à reflexão.

José nos conduz por fatos como a gravidez de Maria, o conflito entre a Lei e a voz do coração, e a intervenção angelical que o transformou de um homem justo e perplexo em um guardião fiel.

Acompanhe a difícil jornada a Belém, o milagre do nascimento na manjedoura, a apreensão da fuga para o Egito e a coragem de proteger sua família em terras estrangeiras.

Reviva os anos em Nazaré, o aprendizado no ofício, a educação de Jesus e a dor da perda e o alívio do reencontro no Templo.

O que você vai descobrir nesta jornada inspiradora?

A Coragem Silenciosa: Entenda como José enfrentou o desconhecido com fé, transformando incertezas em obediência.

A Humanidade de um Santo: Conecte-se com as angústias, dúvidas e alegrias de José, percebendo que a santidade é acessível no cotidiano.

A Paternidade como Vocação Divina: Inspire-se no exemplo de José como pai zeloso, provedor e educador, descobrindo o verdadeiro significado de ser guardião.

A Força do Trabalho Humilde: Veja como a dignidade do trabalho e a simplicidade da vida se tornaram caminhos para a santidade e a proximidade com Deus.

A Confiança na Providência: Aprenda a entregar seus planos e preocupações nas mãos divinas, assim como José confiou nos sussurros do céu.

Um legado para a Vida: Compreenda que, assim como José, você é chamado a ser “mais que simples” em sua própria jornada, encontrando propósito e significado em suas escolhas.

Este livro é para católicos e cristãos em geral, a partir dos 18 anos, que buscam aprofundar sua fé e espiritualidade.

Para aqueles que valorizam a reflexão pessoal, desejam inspiração em figuras bíblicas humanizadas e anseiam por aplicar ensinamentos espirituais em sua vida prática.

Se você busca coragem para enfrentar desafios, confiança para superar incertezas e um modelo de paternidade responsável, esta obra foi escrita para você.

Não perca a chance de ter sua vida tocada por esta história milenar contada de uma nova perspectiva.

Adquira agora “MAIS QUE UM SIMPLES JOSÉ” e embarque nesta jornada de fé, coragem e amor incondicional que irá transformar sua visão sobre a santidade e o propósito em sua própria vida!

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