Evani RochaImagem criada por Ia do Canva – 07 de abril de 2025, às 07:45 PM
Permito-me sonhar grande, ir ao infinito, quando meus pés se cansam do chão
Permito-me ser águia, alçando voo por sobre os montes, por sobre as nuvens
Permito-me bailar ao som da 5ª sinfonia de Beethoven, enquanto minhas mãos tocam a melodia espalhada pelo ar, percorrendo os caminhos da alma
Permito-me escrever palavras soltas, versos sem rima, poema em prosa, carregados de metáforas. Eu também posso ser uma figura de linguagem, enquanto meus olhos falam e a boca se cala à espera da palavra
Permito-me pintar qualquer figura que brotar das minhas emoções embriagadas de silêncio, congeladas na noite do deserto…
Meu deserto interior, na solidão do tempo,
Sem oásis algum, sem sementes para semear, sem solo fértil…
Mas ainda assim, permito-me ser solo, ainda que árido, ácido e inóspito,
Permito-me…
Permito-me semear e regar as sementes do meu ser, na boa estação, na lua propícia, na chuva e no vento!
Permito-me ser mutante, quando minhas convicções deixam de fazer sentido, e mudar!
Mudar porque a vida é mutante, metamorfoseada, crisálida gerando, transformando…
Quero ser o que embevece minha alma de selva, de relva, de ave migrante…
Permito-me ser maré cheia ou maresia, enquanto a permissão para ser gente cobra-me um alto pedágio.
Não me permito pagar para ser gente, porquanto o caos e a distopia distorceu
Dorilda AlmeidaImagem criada por IA no Bing – 07 de abril de 2025, às 08:51 PM
Toda pessoa Precisa de espaço para existir E viver como quiser Com o outro ou sem o outro Toda pessoa tem direito De escolher De ser De viver! Precisa de liberdade Para trabalhar, amar, participar… Sentir-se pertencente, acolhido E integrado àquele lugar Sem viver o que a sociedade impõe Ser diferente uns dos outros É da nossa naturalidade Ser diferente é normal! Sentir a importância da convivência Com os seus pares Lugares, onde quiser Quanto mais feliz Você estiver Menos violência existirá ao seu redor Existirá dentro de si!
Diamantino BártoloImagem criada por IA no Bing – 07 de abril de 2025, às 08:05 PM
Os trabalhadores, em geral: sejam do setor privado, sejam funcionários públicos, devem ser incentivados, terem todas as condições possíveis e legais para poderem em qualquer momento das suas carreiras profissionais, concorrer a cargos de maior destaque, que envolvam mais responsabilidade, mas também que facilitam a ascensão a melhores salários e estatuto socioprofissional mais elevado, com valorização pessoal, na família, na sociedade e prestígio social.
Igualmente devem estar preparados para, periodicamente, serem avaliados, e reunirem as melhores condições, designadamente, para as promoções por mérito excecional, considerando, conjugadamente, vários critérios de ascensão: antiguidade, habilitações literárias adquiridas ao longo da carreira na instituição, formação profissional, modernização das boas-práticas, polivalência, assiduidade, pontualidade, lealdade à instituição e seus dirigentes, entre outros.
A competição sadia, inter pares, constitui uma forma dinâmica de estar na vida profissional, e dignifica o funcionário, o qual adquire respeitabilidade, que lhe advém das diversas competências que vai acumulando, ao longo da sua carreira, e as coloca ao serviço do público, do crescimento e prestígio da instituição.
Um cuidado muito especial precisam ter os dirigentes, no sentido em que, sempre que houver um lugar de nível superior, devem: primeiro, convidar o pessoal da ‘casa’, para ocupar tal cargo e, se for necessário, dar formação àqueles que possam reunir condições; para, e só depois, caso não haja ninguém interessado, abrir concurso público.
O executivo municipal, bem como todos os titulares de cargos superiores, obviamente, devem ser os primeiros a dar exemplos do exercício daqueles princípios, sob pena de efetuarem avaliações incorretas, injustas e, eventualmente, ilegais dos seus subordinados hierárquicos.
Além disso, conceber, e implementar, um sistema de avaliações imparcial, justo, oportuno e legal, é outra medida que se impõe, cada vez com mais acuidade, porque será pelo trabalho, conjugadamente com outros fatores, que o funcionário terá condições de progredir na sua carreira, e na vida, proporcionando à própria família, as melhores condições de bem-estar, em todos os domínios.
A maioria das pessoas, aspira evoluir na vida, ter uma situação económica sustentável, e confortável, um futuro promissor. O trabalho, com todas as suas envolventes: estudo, habilidades técnicas, cultura, princípios e valores, constitui, por isso mesmo, o grande propulsor do desenvolvimento, da dignidade humana, e da consolidação, sempre em crescendo, da economia, logo, tem de ser avaliado com objetividade, imparcialidade e justiça.
Hoje em dia: «O progresso económico torna-se o paradigma em todos os domínios – económico, político, cultural – e a organização racional do trabalho, entendida como a única maneira correta de se atingir os fins desejados, passa a se estender a todos os domínios da vida. O trabalho que em todos os tempos constitui o imperativo moral ou económico estruturador do dado social, com a ideologia do progresso, tende a se tornar uma atividade instrumental.» (TEXEIRA, 1990:60).
Acredita-se que a maioria das instituições: públicas, privadas e cooperativas; solidariedade e humanitárias; filantrópicas e não-governamentais; ou de qualquer outra natureza e fins, não deseja ter ao seu serviço um batalhão de trabalhadores, semi-operacionais, desatualizados, desmotivados, nada dignificados, e, muito menos, desrespeitados. Também não se acredita que a maioria dos profissionais que, como tal desejam ser considerados, queira viver profissional e civicamente em tais situações.
Poderá, inclusivamente, constituir uma ofensa ao trabalhador, enquanto tal, e às suas dignidades profissional e pessoal, não lhe serem dadas oportunidades e condições para desenvolver-se como pessoa e como profissional, situação que pode ocorrer, numa qualquer instituição, quando os recursos são escassos, quando os departamentos são numerosos e se admite pessoal: que não é necessário, que não é qualificado, e que depois fica numa posição de indefinida estagnação profissional, com todas as más consequências daí resultantes.
Um quadro de pessoal, ajustado aos fins/objetivos da instituição, parece ser a estratégia correta, e até a mais justa, tendo em conta os legítimos interesses de progressão profissional, na carreira de qualquer trabalhador, que possua brio e capacidade profissionais.
BIBLIOGRAFIA
TEIXEIRA, Maria Cecília Sanchez, (1990). Antropologia, cotidiano e educação. Rio de Janeiro: Imago Editora
Venade/Caminha – Portugal, 2025
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Ivete Rosa de SouzaImagem criada por IA no Bing. 04 de março de 2025, às 15:35 PM
Ter um livro nas mãos é um universo de possibilidades. Fazemos viagens fantásticas, conhecendo lugares, mundos e até universos paralelos. Sonhados, criados e apresentados pelos olhos da imaginação de um escritor aos olhos ávidos dos leitores.
Gosto de histórias, de qualquer história. Mas prefiro aquelas que me causem reações de alegria, de espanto, até medo, e até aquela comichão de me instigar a escrever a minha história.
Todas as emoções possíveis e cabíveis na alma humana, e, claro, as inesperadas, aquelas que nós nem desconfiamos que as encontraremos em nós mesmos.
O bom de um livro está justamente aí, no impossível que pode acontecer nas linhas de uma página. Aquelas decisões inesperadas, o reboliço da protagonista que dá um basta numa vida infeliz, ou que vence algum problema que a acomete.
Deixei de ser água com açúcar, como me diria mamãe. Gosto de ver o circo pegar fogo, assumir riscos e, no final, vencer. Afinal, escrever é desvendar nosso próprio interior.
Como poeta, tem a dor, o sofrer, amar, desamar, passar noites em claro enaltecendo a paixão. Todo poeta é um fingidor, disse um poeta.
Gosto desse fingir, muitas vezes fingi ser minha a dor de alguém. Aquele que foi passado adiante como uma roupa velha.
Descartado em seus sentimentos, abandonado a sua própria sina de amar, sem ser amado. Um livro deveria ser o objeto der cobiça de toda criança. Sinto muito ao ver crianças em idade escolar, minadas e bombardeadas por celulares. Raramente vejo, atualmente, crianças, seja em casa, nos coletivos, praças ou calçadas, com um livro nas mãos.
Fim de ano letivo, vejo essas crianças e adolescentes rasgando os livros didáticos, nas ruas aqui do bairro. Como se os livros fossem objetos de descarte. Nesse momento fico extremamente triste, afinal, por que esse desprezo pelos livros?
Ella DominiciImagem criada por IA no Bing – 04 de março de 2025, às 14:51 PM
às vezes vejo verde azulado intenso como turquesa tom denso petróleo cobiçado
do que se trata o profundo tal abismo esverdeado riquíssimo em diversas belezas?
quiçá outro mundo morada de homens esquecidos casa eterna e leviana de aquáticos anfíbios simples descanso de envaidecido resquício de flores diluvianas
pareço mergulhar na diluída manta anil intensa e imensa líquida descida em que fluo penso e divago que sumo
vistas de agrestes ramagens ou celestes folhagens terra molhada de iodo céu de sal perfumado
recorro ao ar que concentro no centro de meu espírito conscientizo o atemporal e ilimito o fôlego no pensamento
neste oceano infinito gritei por dentro acorrentei leviatã passei leve por tormentos
mais limpa que escumas vislumbro meio atônita as ondas do amado mar
no passável livre passo passível apalpar o impossível acaricio nítido invisível tal pomba folha-oliva ao bico
sou água viva transparente queimando tristezas ardentes anseios boiam nas vagas cismas mais nenhumas alcanço o céu sem brumas
Fidel FernandoImagem criada por IA no Bing – 28 de março de 2025, às 11:32 AM
Ao longo dos anos, a gramática foi tratada como vilã por muitos educadores e estudantes. Alguns a consideram irrelevante, ultrapassada, ou até mesmo um obstáculo à criatividade. No entanto, afastar a gramática do ensino é como tentar construir uma casa sem fundamentos sólidos. Ela não é a protagonista, mas desempenha um papel essencial no enredo do aprendizado da língua portuguesa.
Mas, afinal, em que momento a gramática se torna uma aliada? É aí que reside o segredo de um ensino produtivo: quando a gramática deixa de ser um conjunto de regras rígidas e passa a ser ensinada no momento certo, de forma integrada à prática textual e às necessidades do aluno.
Assim, o contexto certo faz toda a diferença. Pensemos em uma criança que ainda não foi alfabetizada. Faz sentido ensiná-la sobre tempos verbais ou sons do grafema ʻxʼ? Certamente, não. Antes de falar sobre como o ʻxʼ pode soar como [s], [ks] ou [ch], é preciso garantir que o aluno saiba identificar, pronunciar e escrever palavras básicas. A gramática, nesse cenário, é como uma ponte: só se constrói quando os pilares básicos da leitura e da escrita estão sólidos.
Por exemplo, suponhamos que, durante uma aula de leitura, os alunos encontrem palavras como próximo ou ʻtóxicoʼ, porém não conseguem pronunciá-las correctamente. É aqui que entra a abordagem estratégica da gramática. Ensinar sobre os diferentes sons do ʻxʼ (como em ʻpróximoʼ [s] e ʻtóxicoʼ [ks]) torna-se mais relevante porque resolve um problema prático e imediato.
Se a gramática for aplicada com exemplos extraídos do próprio texto lido antes, melhor ainda. Assim, os alunos aprendem as regras em um contexto real e significativo, ganhando não apenas conhecimento, mas também consciência linguística.
Outro ponto fascinante é lidar com tempos verbais. Erros comuns como confundir as desinências ʻ-ramʼ e ʻ-rãoʼ” podem ser corrigidos com actividades práticas. Trabalhar frases contextualizadas e explorar a tonicidade das palavras (em vez de ‘gramática pura e dura’, como diz professor Venâncio Chambumba), é uma forma eficaz de evitar trocas, tais como as que se leem no diálogo abaixo, extraído de um perfil do Instagram:
Ele: Vem para minha casa. Meus pais sairão.
Ela: Que horas?
Ele: Eles já sairão.
Ela: Ué, mas que horas?
Ele: Eles já sairão! É só você vir.
Ela: Eu não entendi. Eles estão aí ou não?
Ele: Meu Deus. Eles já forão.
A gramática, nesse contexto em que se usa ʻsairãoʼ em vez de saíram e ʻforãoʼ em vez de ʻforamʼ, deixa de ser uma lista de regras decoradas, tornando-se um meio para que o aluno se expresse com clareza e precisão.
Como bem destaca William da Cruz, “ensinar gramática é levar o aluno da intuição linguística à consciência linguística”. Essa consciência é o que permite ao falante compreender os mecanismos da língua, adaptando sua fala e escrita a diferentes contextos.
Na mesma linha, Travaglia, referido por Pestana, reforça que o ensino gramatical não se limita ao domínio da norma culta. Ele amplia a competência comunicativa e textual, favorecendo a compreensão e a produção de textos adequados a situações reais.
Pelo exposto, a gramática não deve ser encarada como má temática, mas como uma ferramenta estratégica no ensino da língua. Ela não é um fim em si, mas um meio de promover a clareza, a criatividade e a competência linguística. Quando bem ensinada, no momento certo e de forma integrada, deixa de ser o terror dos estudantes para se tornar uma aliada poderosa na construção do conhecimento. Que a gramática, longe de ser a vilã, possa ocupar o lugar que merece: o de uma coadjuvante indispensável na grande trama do ensino da disciplina de Língua Portuguesa nos dias actuais.