A droga e a fuga

PSICANÁLISE E COTIDIANO

Bruna Rosalem: Artigo ‘A droga e a fuga’

Bruna Rosalem
Bruna Rosalem
Imagem criada pór IA no Bing – 31 de março de 2025, às 14:09 PM

É verdade: fugir é o maior dos prazeres.”
(Virgínia Woolf)

Desde os primórdios do surgimento da humanidade, o sujeito se interessa por substâncias que alteram a capacidade de raciocínio, humor, visão das coisas, adentrando numa espécie de mundo fictício, repleto de imagens distorcidas da realidade, seres fantasmagóricos, monstros, cenários absurdos ora acalentadores, ora amedrontadores que entorpece o sujeito seja mediante rituais ou pela mística que envolve o uso de tais substâncias. Drogas, diria.

Ou seja, parece que desde sempre na história conhecida e compartilhada, temos a capacidade de provocar situações ao ingerir substâncias psicoativas que buscam nos retirar da bruta e seca realidade com todas as suas dificuldades, limites e burocracias para alcançar outro estado espiritual ou carnal mesmo, que nos leve a outro lugar com novas sensações e sentimentos. Mesmo que isso dure pouco tempo, a experiência continua sendo bastante atrativa até hoje. Inclusive acompanhamos a criação de novas substâncias ainda mais poderosas que proporcionam um estado de êxtase cada vez mais prolongado e prazeroso.

Na mitologia, encontramos Baco, o deus do vinho, ou ainda, o néctar, a bebida dos deuses que exercia um poder embriagador. Apesar dos atos compulsivos relacionados às drogas já se manifestarem, e os que a estes atos se entregavam serem considerados errantes, sem rumo, loucos ou degenerados, o seu uso ponderado visava o gozo, a realização de algo desejado, mas impedido por alguma razão, deleite, satisfação, torpor, felicidade.

O fato de introduzir, injetar ou inalar substâncias com características que provocam no sujeito alterações que o retire de um estado normal e o coloque num estado ‘fantasístico’, nos remete a ideia de que dificilmente é possível suportar o mundo como ele é e os laços sociais que nós mesmos construímos. Baudelaire (1821-1867), ensaísta, tradutor, poeta e crítico de arte francês, dedica um livro a falar de substâncias tóxicas e seus efeitos ‘mágicos’ e riscos. Intitulado ‘Paraísos Artificiais’ de 1860, o escritor francês aborda o haxixe, o ópio e o vinho como produtores de verdadeiros prazeres ou infernos artificiais, além de denunciar os encantos e desencantos das substâncias na vida das pessoas que as consomem.

A prática de consumir produtos que alteram nossa percepção e humor nos deixando relaxados, quase que sedados para a realidade, surge na contemporaneidade de forma exponencial e passa a ser a causa de inúmeros adoecimentos que impactam sobremaneira na qualidade de vida, nos afazeres cotidianos, nos projetos pessoais a médio e longo prazo e nas relações sociais. Além de deixar o sujeito, em quadros mais graves, mergulhado num mundo alheio completamente diferente do compartilhado, deixando-o à margem dos laços sociais sem possibilidades reais de volta. Um vagar sem destino, controle e noção do tempo e do espaço.

A ‘substância prometida’ que outrora trazia uma sensação única e abrupta de bem-estar e felicidade, também carrega consigo uma consequência reversa daquilo que prometera: de um estado anestésico contemplativo e maroto para uma avassaladora sensação de ‘fundo do poço’, onde não há alegrias, esperança, prazer. O efeito da droga leva rapidamente o sujeito às alturas na mesma proporção que o enterra de vez. Paga-se caro por tão pouco. Mesmo assim, conquistar alguns minutos de ‘viagem’ para bem longe deste mundo parece ser um grande motivo que ainda faz o humano desejar tão fortemente este produto, chegando a matar ou ser morto por ele.

É uma guerra sem fim. Interesses por todos os lados, seja para uso pessoal, pequenos ou grandes grupos, até cidades, estados e países. Conflitos armados, disputas pelas melhores fronteiras, embates por controle de territórios, estratégias, recursos e planejamento para que a droga alcance diversos lugares de modo mais acessível possível. A substância traça seu caminho e até chegar ao seu destino vai deixando rastros de morte e destruição.

A droga parece ser uma fuga do sofrimento humano que, querendo ou não, faz parte do percurso da vida. Foge-se para buscar satisfação e um intenso prazer que a realidade crua não pode dar. O sujeito busca algo mágico para que a felicidade o possua, porém, ele vive em sociedade e está imerso na cultura que dele exige renúncias, acordos, cumprimento das leis e dos limites impostos. Isso tudo gera tristeza e infelicidade. A má notícia é: não há como estar em outro mundo que não seja este. Então, o que fazer? Refletir sobre este paradoxo pode ser um bom começo.

A possibilidade de existir como sujeito só é possível justamente adentrando e fazendo parte ativamente deste mundo tão espetacularmente diverso e misterioso com os elementos que ele oferece, nas possibilidades e impossibilidades, nas experiências transitórias que nos marcam e nos fazem aprender. Afinal, o mal-estar é inerente à vida. Cabe a cada um criar algo a partir disso.

E você, foge do quê?

Bruna Rosalem

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Comenda Monarca Intelectual das Ciências, Letras e Artes

“Nasci para consagrar-me às letras e às ciências.”
Frase registada por Dom Pedro II no seu diário em 1862

Comenda Monarca Intelectual das Ciências, Letras e Artes
Comenda Monarca Intelectual das Ciências, Letras e Artes

Comenda Monarca Intelectual das Ciências, Letras e Artes

Por meio do Decreto Acadêmico 0228.003/2025 – FEBACLA, o presidente da FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS ACADÊMICOS DAS CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES – FEBACLA, no uso de suas atribuições regimentais e estatutárias, estabeleceu na data de 28/02/2025 a criação da COMENDA MONARCA INTELECTUAL DAS CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES.

A COMENDA MONARCA INTELECTUAL DAS CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES, é uma condecoração criada pela FEBACLA com objetivo de homenagear à memória de D. Pedro II, monarca brasileiro que se destacou por sua intelectualidade, sendo considerado um dos soberanos mais cultos de sua época.
“Nasci para consagrar-me às letras e às ciências.” foi uma frase registada por Dom Pedro II no seu diário em 1862.

De acordo com historiadores, Dom Pedro II sempre sonhou em governar um país progressista, liberto e rico culturalmente. Para realizar seu desejo, entrou em contato com cientistas, literatos e sábios europeus, como aponta a obra Dom Pedro II na Alemanha: Uma amizade tradicional, de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança.

Para aprimorar seus conhecimentos, viajou para a Alemanha, após 30 anos de governo, visando compreender as inovações desenvolvidas em diferentes áreas, como na agricultura e na cultura. Em geral, o imperador buscava técnicas que pudessem aprimorar e beneficiar o Brasil.

Dom Pedro II foi um amante da cultura e da educação, e investiu muito para promover esses valores no Brasil. Reformou o Ensino Superior, criou escolas técnicas e profissionalizantes, apoiou a Escola Imperial de Belas Artes, autorizou a criação da primeira instituição para alunos surdos no Brasil, criou o Colégio Pedro II, que serviu de modelo para outras escolas no país, concedeu bolsas de estudo para brasileiros frequentarem universidades, escolas de arte e conservatórios musicais na Europa.

Durante o seu reinado, que durou de 1831 a 1889, foi um período muito importante para a cultura brasileira. O imperador era um grande amante das artes e incentivou diversos artistas a se destacarem em suas áreas. Esse apoio resultou em um florescimento cultural que ainda é lembrado até hoje.
Além de carismático estadista, revelou-se um mecenas da produção artística e literária no Brasil. Dom Pedro II incentivou a cultura brasileira, através da Educação, das Artes, da Ciência e das Exposições.

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Pilares da sociedade

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Pilares da sociedade: Liberdade. Democracia. Cidadania. Cultura’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA no Bing - 31 de março de 2025, às 08:11 PM
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às 08:11 PM

O primeiro pilar, autêntico baluarte da dignidade humana, valor essencial à vida do homem, desde sempre conhecido e nem sempre respeitado, pode-se designar por Liberdade, porque isto mesmo é reconhecido nos diversos tratados internacionais e nas Constituições Políticas nacionais, sob a fórmula: “Todos os homens nascem livres e iguais”

A Liberdade é, então, um valor insubstituível e objetivo: ou se tem e se usa, responsavelmente; ou não se tem, porque alguém, prepotente e humilhantemente, impede que dela se faça uso. A Liberdade é sempre definida a partir de um objetivo que se lhe segue, sob a forma adjetivada de: liberdade pessoal, liberdade política, liberdade de expressão, liberdade religiosa e muitas outras formas de liberdade. 

O segundo pilar ou valor que importa melhorar, aprofundar e consolidar é a Democracia, com todos os seus princípios, regras e valores, indissociável da liberdade, da cidadania e da religião. A democracia, enquanto instrumento político de liberdade, de escolha do povo para o governo das comunidades e do mundo, e que, levada a uma análise mais abrangente, e simples, se conceptualizaria como: o governo do povo, pelo povo, para o povo e com o povo. 

A dificuldade em consensualizar um conceito universal de democracia é, por enquanto, uma realidade que não se consegue escamotear, todavia, é possível admitir alguma anuência, no que respeita à sua estirpe popular.

Um terceiro pilar na construção de um novo cidadão, para uma jovem sociedade, mais humana, mais justa e mais solidária, fundada na cultura dos valores cívicos, a partir de uma formação personalista e humanista, promovida pela família, pela escola, pela Igreja, pela comunidade e pela comunicação social responsável, é erigido pela Cidadania, na perspectiva da liberdade responsabilizante, de cada cidadão assumir os seus deveres e exercer os seus direitos, no respeito integral por iguais compromissos e benefícios dos seus semelhantes. 

A preparação do homem moderno, para se construir uma sociedade mais tolerante, solidária e humana, não sendo assim tão difícil é, todavia, complexa, enquanto, nem sempre os valores em confronto são comungados pelas diversas culturas, porque, mesmo nacionalmente, existem diferenças culturais que não se podem ignorar, e que perante as quais, é necessário tomar posição, rejeitando-se, à partida, qualquer tipo de etnocentrismo, xenofobia e outros preconceitos extremistas.

Uma atitude intercultural, na perspectiva da interdisciplinaridade cultural, visando o intercâmbio de culturas, enriquecendo-as reciprocamente, é, seguramente, a posição intelectual e antropológica mais favorável e que, possivelmente, melhores resultados produzirá a curto prazo. 

O homem valoriza-se, porque a cultura é um processo que se concretiza como um produto do espírito humano, numa como que superformação do caráter, de resto, já há mais de dois mil anos, que a cultura era para os gregos, a “aristocracia do espírito”. É, por isso mesmo, bastante difícil definir a cultura, porque a sua complexidade não permite uma delimitação, que qualquer definição impõe. 

Logo nos primórdios da sua história, os portugueses tornaram-se num povo de imenso manancial psicológico enquanto, em boa verdade, eles adaptaram-se a todas as situações, sem que dessa natureza resultasse qualquer perda de caráter, qualquer quebra de nacionalismo e, por isso, o português vive no estrangeiro, adaptando-se às normas de trabalho, à língua, inclusive, a certos costumes. 

Trabalhar, diariamente, com pessoas de escalão etário diferente, na circunstância, superior, com longa experiência e escolaridade elevada, implica por parte do líder, e até dos colegas, alguma deferência, não necessariamente discriminação negativa, e/ou positiva, em relação aos mais novos, mas, no mínimo, um tratamento respeitoso, comprometido, de seriedade de palavra. 

O líder: tem de dar bons exemplos aos seguidores; tem de ser justo, leal, transparente, honesto; não exigir para além das capacidades de cada um e, muito menos, para lá de um clausulado escrito, assumido e assinado pelas partes. Em nenhuma circunstância o líder deverá utilizar a chantagem, a ameaça e a pressão, baseadas em contextos pontuais: de mercado de trabalho, idade e quaisquer outras que, quantas vezes, até são ofensivas para o colaborador. 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Outono

Sandra Albuquerque: Poema ‘Outono’

Sandra Albuquerque
Sandra Albuquerque
Imagem criada por IA no Bing. 31 de março de 2025,  às 08:19 PM
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às 08:19 PM

Hoje amanhecia e você nascia.
Bem-vindo outono querido!
Você traz a brisa suave…
Convida a uma boa música
Acompanhada de um bom ‘Queijo e Vinho’ para os amantes dele.
Noites mais frias e gostosas
Excelentes para um sono tranquilo.
Você é como o crepúsculo:
Avisa que logo a estação dos apaixonados irá chegar.
Sim, eu falo do inverno!
Mas enquanto ele não chega
Você aquece o ambiente.
Já pode limpar a lareira…
Aumentar as almofadas do tapete.
Você pode optar por ler um bom livro
Ou deitar no tapete com as pernas em cima do sofá, ouvindo canções, viajando no tempo.
Que tal uma pipoca e um bom filme?
É outono, outono!
Tenho muitas razões para amar você.
Para muitos, você é nostálgico
E tudo por conta da brisa fria e das folhas que caem e voam, voam e inundam as ruas com os seus coloridos tons pastéis.
Não importo o que pensam de você.
O que importa é que você me inspira a escrever.
É por isto que eu te amo, outono!
E assim…
Vou continuando o meu versejar.

Comendadora poetisa Sandra Albuquerque
Rio de Janeiro, 20 de março de 2025
Entrada do outono, hoje às 06:02 AM

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Amor Além da Guerra

Lançamento do Livro ‘Amor Além da Guerra’ conquista público em Caçador (SC)

Capa do livro Amor além da guerra
Capa do livro ‘Amor além da Guerra’

No dia 15 de março, a Livraria Selva, em Caçador (SC), foi palco de um evento que superou todas as expectativas: o lançamento do aguardado livro Amor Além da Guerra.

O evento, que aconteceu ao longo de todo o dia, foi um verdadeiro sucesso, atraindo um público diversificado, incluindo empresários, vereadores, o prefeito da cidade, Sr. Alencar Mendes, prefeitos de municípios vizinhos, representantes da Universidade local e até pessoas de outras cidades.

O livro Amor Além da Guerra mergulha em diversos aspectos históricos, combinando romance e fatos reais.

A trama explora temas como a imigração italiana para o Brasil no final do século XIX, as adversidades dos imigrantes, as duas grandes guerras mundiais e os regimes que surgiram em função delas, como o Nazismo, o Socialismo e o Comunismo.

A obra é resultado de uma extensa pesquisa e de uma profunda paixão pela história.

Entre 1880 e 1890, milhares de italianos desembarcaram no Brasil em busca de uma vida melhor. Aproximadamente 580.000 imigrantes europeus chegaram ao país até 1900, e quem não tem, na própria família, raízes italianas ou de outras nacionalidades europeias?

A imigração transformou a cultura brasileira, moldando nossa culinária, religião, costumes e, claro, nossa visão de mundo.

Porém, a jornada desses imigrantes não foi fácil. Eles enfrentaram imensos desafios, preconceitos e dificuldades.

E é dentro desse contexto de luta e resistência que nasce a história de Amor Além da Guerra – um romance emocionante que, além de retratar a experiência dos imigrantes, também narra as atrocidades das Guerras Mundiais, que atingiram o mundo sem escolher fronteiras.

A história traz personagens marcantes: uma enfermeira dedicada que cuidou de um soldado cego após um atentado, e o próprio soldado, que, em meio à dor, encontrou no amor uma força de superação.

Esse romance de amor e resiliência transcende a tragédia das guerras, mostrando que, mesmo nos momentos mais sombrios, a esperança pode florescer.

Amor Além da Guerra não é apenas um livro; é uma viagem profunda por diversas fases da história e seus momentos mais impactantes.

Com uma narrativa que mescla ficção e realidade, a obra promete conquistar os leitores e deixar uma marca na literatura brasileira.

ALGUMAS IMAGENS DO EVENTO

Fotos do evento
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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Livro a folhear

Irene da Rocha: Poema ‘Livro a folhear’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA no Bing – 28 de março de 2025,
às 11:10 PM

Num dia frio, um livro a folhear,
Na brisa leve, o eco do teu riso,
O tempo é gelo, o céu escuro e indeciso,
Sem teu calor, não sei como esperar.

Teu nome vaga em sombras a dançar,
Na solidão, meu peito agonizando,
Em cada linha, um sonho delineando,
No qual me perco, só para te amar.

Se estás distante, invento-te em cor,
Desenho estrelas, traço teu olhar,
Nos céus te vejo, fonte do meu ardor.

E se no vento escuto te chamar,
É que minh’alma clama pelo amor,
E a tua volta vem me iluminar.

Irene da Rocha

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Inclusão ou exclusão?

Fidel Fernando

‘Inclusão ou exclusão? O desafio das necessidades educativas especiais nas escolas angolanas’

Fidel Fernando
Fidel Fernando
Imagem criada por IA no Bing. 28 de março de 2025,
às 11:32 AM

Nos últimos anos, a inclusão escolar tornou-se um lema nas instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas. Contudo, a realidade em muitas dessas escolas apresenta um paradoxo inquietante: ao tentar incluir todos os alunos, as escolas, na verdade, acabam por excluir uma parte significativa deles, especialmente aqueles com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

Imagine uma sala de aula onde um professor, entusiasmado, tenta explicar um conceito normativo da língua. Enquanto alguns alunos absorvem a informação rapidamente, outros permanecem perdidos, sem compreender o que está a ser ensinado.

Esse cenário não é apenas comum, mas também revelador de um sistema que falha em reconhecer e atender às especificidades de cada aluno. A inclusão, quando mal implementada, transforma-se em uma exclusão disfarçada, onde as diferenças individuais são ignoradas em nome de uma suposta igualdade.

É válido lembrar que as NEE abrangem uma vasta gama de condições e cada aluno possui seu próprio ritmo de aprendizado. A psicóloga Bryna Siegel, uma autoridade mundial na abordagem sobre o autismo, afirma que “as crianças neurodiversas têm, sim, o direito de aprender aquilo que dão conta e aquilo de que precisam”. Portanto, a pergunta que se impõe é: como as escolas podem garantir que todos os alunos, independentemente de suas necessidades, sejam realmente incluídos no processo educativo?

A resposta a essa questão reside na formação adequada dos educadores. É imprescindível que os professores recebam capacitação específica sobre NEE antes de se lançarem na tarefa desafiadora de ensinar uma turma diversificada. Assim, seminários dedicados a essa temática podem oferecer as ferramentas necessárias para que os educadores compreendam as diferentes formas de aprendizado dos alunos e adaptem suas abordagens. Essa capacitação não apenas beneficiaria os alunos com NEE, mas também enriqueceria o ambiente escolar, promovendo um ensino mais dinâmico e inclusivo para todos.

Uma estratégia prática pode ser encontrada na abordagem diferenciada, utilizada em algumas escolas inclusivas de facto que, em vez de aplicar o mesmo método para todos, implementam actividades lectivas e avaliativas diversificadas. Deste modo, aluno A pode trabalhar com materiais visuais, enquanto aluno B pode se beneficiar de uma abordagem mais auditiva. Essa personalização do ensino é fundamental, pois reconhece que o aprendizado, ainda que com pessoas gêmeas, não é um processo linear e cada aluno possui suas próprias habilidades, desafios e momento para aprender.

É essencial que a educação, particularmente em algumas escolas de Angola, não se limite a um mero cumprimento de normas inclusivas, mas que se transforme num espaço onde todos os alunos possam realmente aprender e prosperar. Em vez de rotular um aluno como “lento” por não compreender de imediato um conceito, devemos entender que cada um tem seu próprio tempo e modo de aprender. Nessa perspectiva, a educação deve ser um direito inalienável, respeitando as individualidades e proporcionando oportunidades de aprendizado que atendam às necessidades de cada aluno.

Portanto, o caminho para uma verdadeira inclusão em algumas escolas angolanas passa pela capacitação contínua dos educadores nesse domínio e pela adopção de práticas pedagógicas que reconheçam e celebrem a diversidade. Somente assim, poderemos garantir que a inclusão não seja uma mera palavra de ordem, mas uma realidade que beneficie todos os alunos, promovendo um ambiente escolar mais justo e equitativo.

Fidel Fernando

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