O sono
COLUNA INTEGRAL
Joelson Mora: Artigo ‘O sono’


às 21:15 PM
A enxaqueca, o cisto aracnoide na cisterna quadrigeminal, o bruxismo e os distúrbios do sono estão frequentemente interligados, com implicações significativas para a saúde física e mental de quem sofre com esses problemas. Embora esses fenômenos possam parecer distintos, suas interações podem criar um ciclo vicioso que compromete a qualidade de vida.
Enxaqueca: A Dor de Cabeça que Afeta a Qualidade de Vida
A enxaqueca é uma condição neurológica caracterizada por dores de cabeça intensas e recorrentes, geralmente acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Seus episódios podem durar de horas a dias, prejudicando a rotina diária de quem sofre com ela. Embora as causas exatas da enxaqueca não sejam totalmente compreendidas, fatores como estresse, alterações hormonais, alimentação inadequada e distúrbios do sono são conhecidos por desencadear crises.
Cisto Aracnoide na Cisterna Quadrigeminal: Um Fator Oculto
O cisto aracnoide é uma formação cística benigna no cérebro, frequentemente encontrada na cisterna quadrigeminal, uma área próxima ao tronco encefálico. Embora na maioria das vezes seja assintomático, esse tipo de cisto pode causar sintomas, como dores de cabeça (inclusive enxaqueca), distúrbios visuais e problemas de equilíbrio. A presença de um cisto aracnoide pode complicar quadros de enxaqueca, potencializando a intensidade e frequência das crises. Além disso, o impacto na pressão intracraniana pode afetar o sono, outro fator crucial para a recuperação e bem-estar.
Bruxismo: O Mordedor Noturno
O bruxismo, que é o ato involuntário de ranger ou apertar os dentes, pode ocorrer durante o dia ou à noite. Quando acontece durante o sono, está intimamente relacionado ao estresse e à ansiedade. O bruxismo noturno não só causa desgaste dentário, como também pode desencadear dores de cabeça, especialmente em indivíduos que já sofrem de enxaqueca. A tensão muscular na mandíbula e na região temporomandibular pode irradiar para a cabeça, exacerbando o quadro de enxaqueca. Esse ciclo de tensão física pode piorar a qualidade do sono, criando um efeito domino de problemas de saúde.
Alteração na Fase Beta das Ondas Cerebrais: O Impacto no Sono
Durante o sono, nosso cérebro passa por diferentes fases, sendo a fase do sono profundo (ou sono de ondas lentas) a mais restauradora. No entanto, a fase beta das ondas cerebrais, associada a estados de alerta e alta atividade mental, é caracterizada por frequências mais rápidas. Normalmente, a fase beta não deve predominar enquanto estamos dormindo. Quando há uma alteração nessa dinâmica, ou seja, quando a fase beta não “desliga” durante o sono, o corpo não consegue alcançar um descanso reparador adequado. Isso pode ocorrer em pessoas com altos níveis de estresse ou ansiedade, fatores comuns para quem sofre de bruxismo e enxaqueca.
Essa alteração pode ser identificada por meio de estudos de eletroencefalograma (EEG), que monitoram a atividade cerebral durante o sono. Quando o cérebro permanece em um estado de alerta constante (com predominância das ondas beta), o sono se torna superficial e não permite a recuperação física e mental necessária. Isso agrava os sintomas de enxaqueca, aumenta a tensão muscular (incluindo o bruxismo) e interfere em uma boa qualidade de sono.
Sono: A Base para a Recuperação e Prevenção
O sono de qualidade é essencial para a recuperação do corpo e da mente. Em pessoas com enxaqueca, bruxismo ou cisto aracnoide, o sono inadequado pode intensificar os sintomas e prolongar os períodos de dor. Distúrbios do sono, como a apneia do sono ou a insônia, também estão associados a um aumento da frequência e intensidade das crises de enxaqueca. A privação de sono pode alterar os níveis hormonais e aumentar a percepção da dor, criando um ciclo difícil de interromper.
Prevenção e Tratamento
1. Diagnóstico Médico e Monitoramento: Se você sofre de enxaqueca recorrente e apresenta sintomas como dores de cabeça intensas e bruxismo, é fundamental procurar um neurologista para diagnóstico preciso. No caso de um cisto aracnoide diagnosticado, o acompanhamento médico é essencial para monitorar sua evolução.
2. Terapias para Bruxismo: O uso de placas de mordida durante o sono pode ajudar a proteger os dentes e aliviar a pressão na mandíbula, reduzindo os episódios de bruxismo. Técnicas de relaxamento, como meditação e ioga, também podem ser eficazes para reduzir o estresse e a ansiedade que desencadeiam o bruxismo.
3. Melhora da Qualidade do Sono: Investir em hábitos saudáveis de sono, como a manutenção de uma rotina regular, evitar o uso excessivo de telas antes de dormir e criar um ambiente de sono adequado (escuro, silencioso e confortável), pode melhorar significativamente a qualidade do descanso. Além disso, práticas como a meditação antes de dormir podem ajudar a reduzir o estresse e a favorecer a transição para o sono profundo, ajudando o cérebro a diminuir as ondas beta e entrar nas fases mais restauradoras do sono.
4. Tratamento para Enxaqueca: Além de medicamentos específicos para alívio da dor, terapias como acupuntura e técnicas de relaxamento também podem ser úteis no manejo da enxaqueca. A identificação e eliminação de gatilhos específicos, como alimentos ou estresse, também são estratégias eficazes.
Enxaqueca, cisto aracnoide, bruxismo e distúrbios do sono são condições que, embora distintas, possuem interações que afetam significativamente a qualidade de vida. A alteração na fase beta das ondas cerebrais, resultante do estresse e da ansiedade, impede que o cérebro atinja um descanso completo, piorando os sintomas desses distúrbios. A abordagem integrada, com diagnóstico preciso e tratamentos adequados, pode romper esse ciclo vicioso e melhorar a saúde geral dos indivíduos. Priorizar o sono, reduzir o estresse e buscar tratamento adequado são passos fundamentais para restaurar o equilíbrio do corpo e da mente.
“O sono é a corrente de ouro que prende a saúde ao nosso corpo.” Thomas Dekker
“O sono é necessário para restaurar a saúde do corpo e da mente.” Aristóteles
“O sono é o descanso da consciência, mas também a porta para o inconsciente.” Sigmund Freud
Joelson Mora
Sol no horizonte
Pietro Costa: Poema ‘Sol no horizonte’


Os sonhos sertanejos marcam a ida,
Laudas de suor, a biografia,
O Sol no horizonte alumia a lida,
Há resiliência em sua grafia.
Em cada estrofe, um pedaço de vida,
Agruras do sertão – cartografia,
Mosaico lírico, uma alma aguerrida,
Seu verso, registro e fotografia.
Patativa, a própria simplicidade,
Arte que ganhou o mundo com justeza,
O apelo dos míseros na cidade.
Não fez ouvidos moucos à torpeza,
O coração é a sua verdade,
No anseio de justiça, fortaleza.
Pietro Costa
Ausência da admiração
Eliana Hoenhe Pereira: Poema ‘Ausência da admiração’


Ausência da admiração
Não falava da Lua
e nem do mar.
Perdeu-se a leveza das folhas do outono a voar.
As flores não floresceram.
e sem o desejo de regá-las,
o jeito foi negá-las.
À ausência da admiração
e os fragmentos da ilusão
permitiram os intervalos de escuridão.
Transformou lamentos em ousadia
e despertou para um novo dia.
Eliana Hoenhe Pereira
Professor, a máscara caiu!
José Ngola Carlos: ‘Professor, a máscara caiu!’


às 07:12 PM
À primeira vista, pode parecer estranho e ignorante a afirmação de que um Mestre não é um professor e um professor não é um Mestre. Mas, estimado leitor ou leitora, tenha em mente que esta é uma questão que deve ser compreendida tendo em conta o surgimento e o desenrolar histórico de cada um dos títulos em referência, nomeadamente: o Mestre e o professor.
Historicamente falando, quem eram os Mestres na antiguidade e quem são os mestres hoje?
Talvez não lhe tenha passado despercebido que, neste artigo, usou-se o título Mestre com a letra inicial maiúscula e mestre com a inicial minúscula. Essa distinção é proposital. A primeira designação é em referência aos Mestres do passado, e a segunda designação é uma referência aos mestres da nossa época.
Consideradas estas duas categorias de mestres, convém entendê-las por separado.
Os Mestres da primeira categoria compreendem todos os sábios ou pensadores da antiguidade que dedicavam as suas vidas para a emancipação intelectual de seus discípulos. Nesta primeira categoria, a relação existente era de Mestre e discípulos. Os Mestres da antiguidade possuíam suas próprias escolas nas quais os discípulos eram iniciados. E, por escola, convém sublinhar que não nos referimos a um edifício, antes, a um sistema de pensamento próprio. A título de exemplo, são dignos de menção como Mestres os seguintes pensadores: Sócrates, Heráclito, Jesus etc. Estes são os Mestres da vida, pela vida.
A segunda categoria de mestres compreende um grupo vasto de pessoas hoje que, possuindo algum poder financeiro e desejando algum status social, vão às universidades adquirir um certificado ou diploma de mestrado. Estes mestres, longe de serem comparados com os da primeira categoria, são o produto do poder económico e político, criado no esforço de se fazer a contínua manutenção dos dois poderes sociais já mencionados. Estes são os mestres do papel, no papel para a manutenção do poder.
Aqui, somos de ressaltar que, quando afirmamos que um Mestre não é um professor e um professor não é um Mestre, fazêmo-lo em referência aos Mestres da primeira categoria, que sempre foram poucos e que atualmente estão quase extintos e não aos mestres da segunda categoria que constituem a massa de gente equivocada e pouco ou nada producente hoje.
Quem é o professor?
Infelizmente, os professores são os sucessores em substituição aos Mestres, ou melhor, considerados uma ameaça pelo poder político, os Mestres da primeira categoria foram aos poucos combatidos por leis e força física até a sua quase extinção. De lembrar que muitos foram deportados, espancados e mortos, nomeadamente: Sorôkin, Diógenes e Sócrates, só para mencionar alguns. Pelo que, os professores são uma subclasse de políticos inferiores na educação.
Em síntese, um Mestre não é um professor e um professor não é um Mestre pelas seguintes razões:
- Um Mestre é um indivíduo autêntico, um professor é um produto social.
- Um Mestre é autónomo, um professor é dependente do poder político.
- Um Mestre é um ente produtor, um professor é um ente reprodutor.
- Um Mestre é um pensador livre, um professor está proibido de pensar.
- Um Mestre ensina a seus discípulos a pensar, um professor ensina a seus alunos a repetir o que já se pensou.
- Um Mestre ensina o que ele próprio conheceu, um professor ensina o que outros conheceram.
- Um Mestre é um ser humano, um professor é um papagaio.
- Um Mestre prepara os discípulos para os desafios da vida, um professor prepara os alunos para os exames.
Kamuenho Ngululia
Malanje, 24 de março de 2025
Como citar este artigo: Ngululia, K. (2025:3). Professor, A Máscara Caiu! Brasil: Jornal Cultural ROL.
Sentimento
José Antonio Torres: Poema ‘Sentimento’


às 07:42 PM
O sentimento não se explica, sente-se.
Quanto mais nos doamos, mais o sentimos.
É uma sensação de intensa felicidade,
Inigualável sob todos os aspectos.
O sentimento é ternura, carinho, cuidado.
No ápice do seu significado, o amor.
Ele é a forma mais expressiva da evolução humana.
Elo sublime de conexão com o divino.
O sentimento é o aprimoramento das percepções.
É resultado do constante lapidar das imperfeições;
É a interação de almas que se buscam
E vêm realizar o encontro marcado no etéreo.
O sentimento não tem forma, odor ou som.
Mas em todas essas coisas podemos encontrá-lo,
Pois ele é a conjugação dos outros sentimentos.
Ele não é único, ele é múltiplo.
O sentimento está no olhar, no falar, no calar.
Em cada instante ele estará presente.
A forma de percepção da sua presença
Dependerá do momento poético que vivemos.
José Antonio Torres
Torres de Babel
Marcelo Augusto Paiva Pereira: ‘Torres de Babel’


às 15:15 PM
Desde os tempos antigos a humanidade tem o desejo de construir grandes obras. As pirâmides e a esfinge do Egito, os templos gregos e romanos, as estátuas gigantes de Buda no Afeganistão e outros, são exemplos. Dentre estes, destaca-se a Torre de Babel, narrada no Livro do Gênesis (Gn, 11, 1-9).
Diferentemente das anteriores obras (que glorificavam os deuses), aquela tinha a finalidade de honrar a engenharia e a soberba humana, então unida por um só idioma e concentrada num só lugar. Deus não gostou, destruiu a torre, dispersou a humanidade e embaralhou os idiomas para que as pessoas não mais se entendessem.
De lá para cá a soberba continuou a existir, mesmo debaixo da diversidade de idiomas. Em vários países as culturas e religiões não acolhem com bons olhos a soberba, orgulho ou vaidade, dentre as quais a cultura ocidental, fundada na religião judaico-cristã, que a classifica entre os sete pecados capitais.
Atualmente testemunhamos a construção de edifícios cada vez mais altos, os quais disputam mais do que a engenharia de construção; também concorrem quanto ao estilo mais arrojado (ou mais moderno), o maior número de andares, apartamentos, salas comerciais e áreas de lazer, numa frenética corrida em que o céu não parece ser o limite.
A soberba perdeu os freios inibitórios trazidos pelas religiões e tomou conta do espaço urbano de diversas cidades. São exemplos desses edifícios o ‘Burj Khalifa’ (828 metros), ‘Shangai Tower’ (632 metros), ‘Ping An Internacional Finance Center’ (599 metros) e outros. Paralelamente, porém, tais edifícios têm colaborado para adensar a população em espaços urbanos com menor extensão horizontal e, por consequência, favorecer a expansão do meio ambiente natural onde antes havia (ou haveria) obras arquitetônicas ou urbanísticas.
As cidades que acolheram aqueles edifícios deverão se adaptar aos novos tempos; além da concentração de habitantes, também deverão favorecer a diminuição do uso de veículos, tanto particulares quanto públicos, redução da emissão de gases poluentes e melhor aproveitamento das energias limpas, como a solar e a eólica.
O aumento das áreas verdes favorece a absorção de gás carbônico pelas plantas, melhora os índices de umidade do ar, contribui para regular os períodos chuvosos e a intensidade das chuvas, além de assegurar a reprodução dos animais silvestres. As cidades que assim dispuserem seus planos urbanos ou propuserem novos projetos urbanísticos (paisagísticos) colaborarão para melhorar a qualidade de vida e garantir a sobrevivência dos habitantes, em face da degradação continuada do meio ambiente natural.
Conclusivamente, se a soberba nos faz ficar com as cabeças nas nuvens, melhor que finquemos os pés no chão para não desabarmos sobre nós mesmos: as atuais torres de babel têm concorrido para exaltar a soberba de nações, empresas e técnicas avançadas de construção civil, mas atingiram interesses difusos, dos quais o meio ambiente natural e suas derivadas. Não percamos este foco das nossas vistas. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira

