Última semana da Exposição Láquesis em Sorocaba

Mostra reúne peças vestíveis feitas com materiais reciclados e haverá evento de encerramento inspirado em ficção científica. Entrada gratuita

Obra Harpia. Foto por Cintia Rizoli
Obra Harpia. Foto por Cintia Rizoli

Visando promover a arte eco consciente e estimular o debate sobre sustentabilidade na moda, a exposição “Láquesis – Tecendo Futuros Possíveis” proporciona uma experiência inovadora que reúne moda, fotografia e atuação, e segue até o dia 15 de março, quando haverá uma ballroom para marcar o encerramento da mostra, no salão de vidro do Parque dos Espanhóis, em Sorocaba, entrada gratuita.

Idealizado e produzido pelo costureiro, artesão e artista multidisciplinar Paul Parra, o projeto propõe uma reflexão sobre o tempo e a sustentabilidade por meio de esculturas vestíveis e apresentações da cultura ballroom. 

Segundo o produtor, a inspiração para o nome “Láquesis” vem da mitologia grega, na figura de uma das Moiras (três irmãs que tinham o poder de fiar, medir e cortar o fio da existência humana), especificamente da que mede o fio da vida. Isso porque as obras foram produzidas com técnicas artesanais e materiais recicláveis e sustentáveis, como papel, vidro, madeira, resíduos têxteis, plástico, resíduos eletrônicos e entre outros.

Obra Cobra. Foto por Cíntia Rizoli
Obra Cobra. Foto por Cíntia Rizoli

“A ideia é estimular o debate acerca da moda consciente, com um olhar crítico sobre o nosso consumo desenfreado e a passagem do tempo. É uma exposição para apreciadores de arte no geral, sobretudo para a comunidade LGBTQIAP+, e interessados em viver uma experiência cultural autêntica e inovadora”, destaca Paul.

Além das peças assinadas por Paul, a mostra também conta com fotografias de Cintia Rizoli, que retratam as esculturas vestíveis acopladas aos performers, em um ensaio artístico realizado nas ruínas da antiga Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema, localizada na Floresta Nacional de Ipanema, Iperó.

E para celebrar o encerramento da exposição, haverá uma ball (movimento cultural e artístico da cena underground LGBTQIAP+, onde participantes competem em categorias de dança, moda e performance nos chamados “balls – bailes”) com temática futurista e de ficção científica “Sci-Fi Kiki Ball”.

O evento convida a comunidade a explorar futuros imaginados, estéticas cibernéticas e realidades alternativas por meio das categorias da noite. Com trilha sonora envolvente e uma atmosfera imersiva, a Sci-Fi Kiki Ball promete uma noite eletrizante de autoexpressão, talento e resistência. 

“A ballroom é um espaço de expressão, resistência e celebração de identidade, e como a abertura da exposição Láquesis contou com performances de artistas da cultura ballroom, nada mais justo que finalizar com um grande baile”, conclui Paul.

O evento está marcado para começar às 17h30, no dia 15 de março (sábado) e a entrada é gratuita. O Parque dos Espanhóis fica na Rua Dr. Campos Sales, s/n (altura do n.º 1000), Vila Assis, Sorocaba (SP). Classificação etária livre.

A exposição “Láquesis – Tecendo Futuros Possíveis” segue até o dia 15 de março, no salão de vidro do Parque dos Espanhóis, com horário de visitação das 9h às 19h, de segunda a sábado. Mais informações podem ser conferidas no site paulparra.art/laquesis e pelo Instagram do artista @paulparra.arte.

O projeto é realizado por meio do incentivo da Lei Paulo Gustavo no Município de Sorocaba, com apoio da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Sorocaba, Floresta Nacional de Ipanema – ICMBIO e Parque dos Espanhóis.

FICHA TÉCNICA:

Texto, arte, concepção e produção geral: Paul Parra

Fotografia: Cintia Rizoli

Assistência de criação e visagismo: Irá Rogenski

Design: Tiago Rodrigues

Direção cênica e audiodescrição: Helena Agalenéa

Registro documental: Heitor Pereira

Modeles e performers: Alien Lima, Ayanna Xavier, Gabriel Franco, Luanda Marcondes e Wesley Sampaio

Produção administrativa: Sérgio Frazatto

Trilha sonora: DJ Kaim

Iluminação e sonorização: Gabriel Tarragó

Interpretação de Libras: Gisele Gabriel Ferreira e Jéssica Almeida 

Assessoria de imprensa: Natasha Amaral

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Gigantes do passado

Isabelly Bernardo de Oliveira: ‘Gigantes do passado’

Logo da seção Jovens Talentos
Logo da seção Jovens Talentos
Imagem criada por IA no Bing – 11 de março de 2025,
às 18:36 PM

Em um tempo distante, em eras perdidas,
Pisavam sobre a terra, feras temidas,
Grandiosos répteis, reis do espaço territorial,
Sol e céus antigos contemplavam mares sem fins

Tiranossauros de dentes mortais
Herbívoros em calmaria, pastando em paz,
Velociraptores ágeis aos chãos
Brontossauros de grande amplidão

Rugem trovões sem tempestade
Ecos de um mundo, sem uma verdade,
Mas que produz uma poeira de chama,
De chamas do céu mortais

E os colossos assim sucumbiram

Hoje restaram fósseis, memórias,
Fragmentos perdidos, ecos, histórias,
E ao contemplarmos sua existência
Vemos em nossa vida
Novas formas de resistências

Isabelly Bernardo de Oliveira

Poema desenvolvido pela discente Isabelly Bernardo de Oliveira, do 1º Ano do Ensino Médio – Turma A, da Escola Estadual Professor Mário Florence, da cidade de Novo Horizonte (SP), durante as aulas da disciplina de História, ministrada pelo Professor Especialista Clayton Alexandre Zocarato, em auxílio com o Projeto Poético, empreendido pelos  Professores Luis Carlos Souza (Luis De Paula) e Valéria Do Vale Kuryozda, da Sala de Leitura ‘Maria Gilda Florence De Biasi’, de temas transversais ao Currículo Paulista, valorizando a leitura e a escrita dos estudantes durante o ano letivo de 2025.

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Esses estranhos

Ivete Rosa de Souza: Crônica ‘Esses estranhos’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
Imagem criada por IA no Bing - 11 de março de 2025, 
às 19:07 PM
Imagem criada por IA no Bing – 11 de março de 2025,
às 19:07 PM

São todos estranhos, esses que caminham como eu. No subúrbio, na madrugada, a caminho do trabalho. Vão em silêncio olhando para o vazio, alguns cochilam, quando encontram no coletivo um lugar para se sentar. Tem os que ficam espremidos, uns contra os outros, parecendo cansados, antes mesmo de iniciar a rotina do dia.

São homens e mulheres, esses que vão para as fábricas, construções, lutar pelo pão, o sustento dos familiares, dos filhos. A luta para continuar a viver. E vejo em seus olhos, tristeza. O corpo magro, mostra a falta do alimento de qualidade. As vestes demonstram estar desbotadas, entregando o uso diário. No frio vi por várias vezes os que passavam por mim, encolhidos, com as mãos enfiadas nos bolsos, procurando calor.

São os desfavorecidos, de empregos que lhes paguem o que merecem. São os assalariados, que recebem um salário tão pequeno quanto a sua crença de uma vida melhor.

São esses que passam na rua por mim, com a cabeça baixa, parecendo ter cometido tantos pecados, que os olhos só encontram o chão. Não se interessam pelos outros estranhos que cruzam por eles, caminham em seus destinos preocupados com as dívidas, a fome e sua própria sobrevivência.

São esses estranhos que engradecem a indústria, a lavoura, e fomentam a economia, o crescimento do País. Esses que, em sua ignorância, enfrentam os empregos mais hostis e insalubres. Desprovidos de educação, cultura, semianalfabetos, são os que constroem o mundo em que vivemos.

Os pobres que cheiram a suor, que emanam tristeza, que pedem com seus olhos tristes dias melhores.

Ivete Rosa de Souza 

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Ainda penso em você

Paulo Siuves: Poema ‘Ainda penso em você’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem criada por IA no Bing – 10 de março de 2025,
às 10:09 PM

Não há um só dia que eu esqueça,
seu nome ecoa nos meus pensamentos,
por todo lado, eu vejo você,
no brilho dos desejos, nas sombras do vento.

Sinto saudades…
nas festas de família,
nas músicas que canto,
nas entrelinhas do tempo,
no silêncio do meu travesseiro.
E eu sigo sem um sinal seu.

Por todo lado, eu vejo você,
nas melodias que cantam sozinhas,
no vento que insiste em trazer
o perfume dos nossos momentos.

Sinto saudades…
um vazio que só você preenche,
sua doce voz chamando por mim…
Mas o tempo passa sem você aqui,
como se ele também parasse sem você.
E eu sigo sem um sinal seu.

Paulo Siuves

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Sangue-mulher

Clayton Alexandre Zocarato: ‘Sangue-mulher’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA do Bing – 11 de março de 2025,
às 10:35 PM

Seu sangue demonstra

Que por entre suas

Malvadezas sofridas

Seu brio de ninfa

Fez despertar

Meu amar

Vadio e solitário

Que nas correntezas do destino

Fez nossos caminhos fossem alados

Para dizermos

Que somos amados

No sangue-mulher que está

Nas suas veias 

Cheios de desejo

Eu faço meu lampejo

De desejo

Em querer

Ser seu

Em meio a tanto breu

Que escurece meu céu de papel

Abraçado por seu abraçar de fel

Clayton Alexandre Zocarato

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Soy Pedro, vengo de las Misiones

Elaine dos Santos: ‘Soy Pedro, vengo de las Misiones’

Elaine dos Santos
Elaine dos Santos
Imagem criada por IA do Bing – 10 de março de 2025,
às 11:32 PM

Pedro, o Missioneiro, nasceu nos Sete Povos das Missões, não conheceu a mãe, uma indígena, que faleceu durante o parto, ela esvaiu-se em sangue:

“deitada de costas, o sangue escorria-lhe das entranhas, empapava cobertores e pingava nas gamelas que os enfermeiros haviam colocado ao pé do leito (…). De olhos muito abertos – olhos de animal acuado -a índia [que fora encontrada pelos indígenas abandonada no meio do caminho, já em trabalho de parto] mirava fixamente o cura, enquanto de sua boca entreaberta saía um ronco estertoroso”. (VERISSIMO, 2000, p.36)

No hospital da Missão, outros doentes gemiam, lamentavam-se como se sentissem a morte rondando o local, no entanto, enquanto uma vida findava, outra vida, cheia de viço, dormia em um berço tosco, tinha a pele muito mais clara que a mãe e os dois padres, que o observavam, logo entenderam que a criança era filha de um tropeiro paulista.

“Aqueles malditos vicentistas!” – pensou Alonzo. “Não se contentavam com prear índios e levá-los como escravos para a sua capitania: tomavam-lhe também as mulheres, serviam-se vilmente delas e depois abandonavam-nas no meio do caminho, muitas vezes, quando elas já se achavam grávidas de muitos meses. Aquele não era o primeiro caso e certamente não seria o último”. (VERISSIMO, 2000, p. 36)

Batizado Pedro, o menino cresceu na Missão, aos cuidados do cacique Dom Rafael, seguido de perto pelo Padre Alonzo. Aos oito anos, o mestiço já sabia ler, escrever, fazer contas e falava, além do guarani, espanhol, lendo, com relativa facilidade textos em latim.

Tornou-se coroinha e, com os outros meninos, ao cair da tarde, rezava a Ladainha de Nossa Senhora. Eis que lhe chamou a atenção a expressão “Rosa Mística”, que passa a povoar-lhe o pensamento, demorou um tempo para questionar o significado ao Padre Alonzo que lhe explicou que Rosa Mística é uma referência à Nossa Senhora, Mãe de Deus.

A vida seguia nas Missões: o menino aprendia novos ofícios, a doutrina cristã, elementos musicais, participava da limpeza do trigo, tomava parte no teatro e nas danças religiosas.

            Pedro também gostava de andar pelos campos, caçar passarinhos. Por vezes, porém, intrigavam-lhe alguns mistérios: o dia e a noite, o trovão e o relâmpago, a morte.

Com o passar do tempo, Pedro, o Missioneiro, passou a afirmar que via Nossa Senhora, em carne e osso. Teimava com os caciques, com os padres. Dizia-se filho da Virgem (“hijo de la Virgen”).

Do ponto de vista da crítica literária, há uma explicação muito plausível para o sangramento da mãe indígena e essa suposta filiação à Virgem Maria. Pedro, segundo o romance, é o ancestral mítico do gaúcho, o primeiro homem – meio branco, meio indígena -, fruto de uma relação fora do casamento, o que justificaria essa purificação pelo sangramento da mãe e a maternidade atribuída à Mãe de Deus.

Do outro lado do Oceano, em 1750, as Coroas de Portugal e Espanha, assinaram o Tratado de Madri, a Colônia de Sacramento, fundada pelos portugueses, passaria para o domínio espanhol. Os Sete Povos das Missões tornar-se-iam portugueses. Esqueceram de combinar com os jesuítas espanhóis e com os indígenas!

As Guerras Guaraníticas estenderam-se entre 1752 e 1756, quando os jesuítas foram expulsos do Rio Grande do Sul, muitos indígenas foram mortos ou presos e os povoados arrasados. Antes do fim, Padre Alonzo presenteou Pedro, o Missioneiro, com um punhal e incitou-o a fugir.

A história fictícia de Pedro Missioneiro, descrita no capítulo “A fonte”, do volume I de “O continente”, que compõe a trilogia de “O tempo e o vento”, foi-nos legada por Erico Verissimo, que, somente em “O tempo e o vento”, brindou-nos com Ana Terra, Rodrigo Cambará, Bibiana Terra Cambará, a Teiniaguá, Licurgo Cambará, para me restringir aos volumes de “O Continente I” e “O Continente II”.

O ano de 2025 é excepcionalmente significativo para a literatura produzida no Rio Grande do Sul, afinal, marca 120 anos de nascimento de Erico Verissimo, um dos mais profícuos prosadores deste chão. Além disso, o autor faleceu em 28 de novembro de 1975, 70 anos atrás.

Mais do que nunca é o momento para retomar a grandeza de sua obra, apenas não apenas em “O tempo e o vento”, a mais conhecida; estudar, analisar, discutir os valores, as tradições, reler à luz da moderna teoria da literatura, enfim, revisitar um pouco da própria História oficial e oficiosa do Rio Grande do Sul. Fica o convite para que você leia os volumes de “O retrato” e “O Arquipélago”, que completam “O tempo e o vento” e permitem entender melhor como se forjou a sociedade do estado mais meridional do Brasil, sob a ótica da Literatura. Seja bem-vindo!

Elaine dos Santos

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Nó na garganta

José Antonio Torres: ‘Nó na garganta’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Bing – 10 de março de 2025,
às 09:00 PM

Quantas vezes pensamos em explodir e nos contemos.
Detesto conflitos.
Eles só pioram a situação que os causou.
Quem nunca sofreu uma injustiça ou maledicência?
Você ama, cuida, se dedica
E é, deploravelmente, desmerecido.
Um ‘gatilho’ está sempre pronto a ser acionado, mas você se controla.
Com o tempo, começa a perceber que as coisas estão mudando dentro de você.
O amor virou coexistência;
O desejo arrefeceu;
O interesse já não é mais o mesmo;
A admiração acabou.
As situações foram acontecendo
E desencadeando, sutilmente, as mudanças dentro de você.
Em momento algum, você ‘explodiu’
E expôs o seu descontentamento, a sua indignação, a sua revolta.
Nesse ponto você já está envenenado.
Fique atento aos sinais e não seja envenenado por ficar com um nó na garganta.
Desate-o!

José Antonio Torres

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