Fechados no egocentrismo humano Seguem na órbita do abismo Rasgada alma sem escrúpulos Observa-se o sangue dos fumos no dissolver dos corpos COSMOS Oh! Mundo, oh Mundo! Correm TODOS pro manto Crueldade a visita o espetáculo dos magistrados Orçamento a mesa restringe a respiração dos versos indefesos… A cada dia novos tratados deixam vazios nos vilarejos… E preenchem as urnas com os pensamentos rotos… O prisma alcança dança da família Num panorama místico onde o álcool acalenta a dor da alma… COSMOS Munições espalham vidas Urnas abrem feridas eternas A terra fecha-se entre os aplausos que escorrem das lamúrias…! Aqui, todos estão propenso à morte Mas o trono engana a corte… Na África, a luta luta contra as lutas que existem no meio de suas lutas… Las guerras obligan países hermanos a dajas su destino a la intemperie. COSMOS!
Soldado Wandalika
Poeta e escritor angolano fundador do projeto Luso internacional POETAS DA ILUSÃO
Outorga do Título Honorífico Grandeza Lusófona e Expo-Poemas: Homenagem às Personalidades de Fernando Pessoa
Card da homenagem ‘A Lusofonia e Eu’
O Gabinete Lusófono de Arte e Cultura, em fraterna parceria com a Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, concede o Título Honorífico Grandeza Lusófona a personalidades que dedicam seus saberes, artes e vozes ao fortalecimento dos laços culturais que unem os povos de língua portuguesa.
A edição de 2026 integra o projeto internacional Lusofonia e Eu, celebrando o intercâmbio cultural e a ponte viva entre o Brasil, Portugal e os demais países lusófonos. Nesta edição histórica, o prêmio rende homenagens ao genial poeta Fernando Pessoa, eleito Patrono da Comenda e faro estético de nossa produção literária. A celebração ganha forma por meio de uma Exposição de Poema Digital, projetada para traduzir a pluralidade e a profundidade dos heterônimos pessoanos no vasto ecossistema da arte contemporânea.
A língua portuguesa é mais do que um meio de comunicação; é uma pátria comum, um território afetivo e uma força criativa inesgotável. Celebrar Fernando Pessoa e promover a troca contínua de saberes entre as nações irmãs reforça o sentimento de pertencimento e a certeza de que a poesia ultrapassa mares e eras.
Subscrevem e autenticam esta outorga oito proeminentes autoridades da comunidade lusófona, em testemunho ao mérito e às contribuições dos agraciados para a expansão do patrimônio cultural da nossa língua.
Jane Nashhttps://gemini.google.com/app/f02dc8c4ab9f2042?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
I’m fishing this lake, my fly, a tiny wrapped hook and feather, dancing on the surface, in the cold, quiet. Relentless, inexperienced. I cast out over the water. This metaphor for life does not evade me.
For hours, my teacher simply observing. I want to be shown the angles of line to the sky, how to tickle a trout if it deigns to appear. But instead, I’m left to stand. The wind lifts, the rain descends. This metaphor for life does not evade me.
Sergio Diniz da Costahttps://chatgpt.com/c/6a73c51b-a71c-83e9-9042-84d7f024999e
Joca Tibúrcio já fizera fama na cidadezinha do interior de São Paulo. O motivo? Segundo ele, nenhum! Talvez, e apenas para contentar algum compadre seu, admitia que, às vezes, se empolgava ao contar um causo, tido por ele como a verdade das verdades.
Os mais cultos da cidade, e que o conheciam há anos, impingiram-lhe alguns apelidos, tais como: Pinóquio do Interior, Barão de Itararé e Barão de Münchausen*.
Que Joca era ‘gente boa’, ninguém duvidava. Era ‘pau pra toda obra’, um amigo com o qual podia-se contar a qualquer hora do dia ou da noite. Inclusive em finais de semana e feriados!
Não obstante esse espírito comunitário, o ‘Barão’ realmente exagerava em relação às histórias que narrava, sempre com um pito na mão e mascando fumo.
Um de seus causos, reiteradamente contado, e a cada narrativa com um ‘ingrediente’ a mais, narrava o dia em que um macho convicto — Genivaldo Peçonha —, que morou na mesma cidade há muitas décadas, resolveu desafiar o Capeta, a fim de provar que era macho, com ‘aquilo’ roxo.
Segundo o Barão, Genivaldo bancou uma aposta com amigos, que consistia em ir ao cemitério da cidade à meia-noite de uma sexta-feira e, em altos brados, desafiar o Capeta para se manifestar.
Chegada a sexta-feira, faltando cinco minutos para a meia-noite, lá estava o intrépido desafiante dentro do cemitério, acesso esse ao Campo Santo, diga-se de passagem, e segundo ele, graças a um salto olímpico sem vara que deu para passar-se para dentro.
Tão logo Joca ouviu as badaladas da igreja matriz marcando a meia-noite, em altos brados começou a desafiar o Capeta:
— Coisa-Ruim dos Infernos, se ocê é hómi, apareça pra me enfrentá! — Bode Preto, filho de uma égua sem mãe, mostre seus chifre pra eu entortá! — Cafuçu, Beiçudo, Arrenegado, mostra seu rabo pontudo!
E a xingação continuou por mais alguns minutos, a ponto de faltar sinônimos de ‘Capeta’.
Joca, achando que já tinha garantido seus culhões, e se sentindo o ‘tal’, já se via botando a mão num dinheiro fácil quando voltasse para os amigos.
De repente, porém, uma ventania começou a se manifestar entre os túmulos! E até as luzes dos postes circunvizinhos do cemitério se apagaram.
Joca sentiu um frio cortante percorrer sua coluna e suas pernas começaram a tremer. E, poucos segundos depois, surgiu à sua frente uma figura alta, magra, toda vestida de preta.
— Virgem Santíssima! — o trêmulo desafiante exclamou, berrando! E, fazendo o sinal da Cruz, apelou por auxílio divino: — Jesuis Cristim, valei-me nesta hora!
Por uma fração de segundos, o mundo pareceu ter congelado, num silêncio retumbante. Até o momento em que se escutou uma imprecação:
— Mais que praga dos Inferno! Nem no cemitério a gente pode ter paz?!
Era o coveiro, Gervásio Assunção que, em não tendo casa própria, dormia na capela do cemitério.
* O Barão de Münchausen é um personagem muito popular na literatura europeia, e suas histórias foram reunidas num livro pela primeira vez em 1785, pelo alemão Rudolf Erich Raspe. Na obra, o próprio Barão narra para alguns convidados os acontecimentos fantásticos que viveu em suas viagens pelo mundo
Segundo uma das narrativas, ele cavalgou durante uma batalha em um cavalo cortado ao meio; conseguiu escapar do ataque simultâneo de um leão e um crocodilo; foi lançado contra uma cidade sitiada montado em uma bala de canhão; e por aí vai.
E, segundo consta, o tal Barão existiu mesmo. Seu nome era Karl Friedrich Hieronymus e ele nasceu em 1720, em Bodenwerder, na Alemanha. Ele teve uma carreira militar bem-sucedida e, depois de se aposentar, não perdia uma oportunidade de narrar suas façanhas — sempre com o exagero e com a maior naturalidade.
Leopoldo era do tipo que não levava desaforo para casa, mesmo que aquilo lhe custasse rusgas permanentes com, por exemplo, um vizinho de porta. Que fosse daquele jeito, o sujeito não parecia se importar, apesar das aflições cada vez mais perenes, que chegavam sem qualquer cerimônia e se instalavam no coração.
O sujeito sabia que aquela situação não era amiga da saúde e, por isso, buscou algumas alternativas para evitar descontroles por bobagens. Que guardasse energia para quando fosse realmente necessário como, por exemplo, salvar o planeta de um improvável ataque alienígena ou, então, enfrentar o ex-boxeador Popó, desde que fosse recompensado com alguns milhões para valer a pena a surra que iria levar.
Não podemos dizer que Leopoldo não tenha tentado, até porque Gabriela, namorada com longo histórico de paciência, testemunhou alguns fatos que, outrora, seriam estopins para crises histéricas do amado. Mas o fato que mudou definitivamente o jeito do rapaz de levar a vida aconteceu por acaso e, talvez pelo inusitado, vale aqui mencioná-lo.
Estava o casal passando pelo Setor Comercial Sul, em Brasília, quando um mendigo, sentado na calçada, esticou a mão e pediu ajuda. Leopoldo, que não era de questionar necessidades alheias, abriu a carteira, mas não encontrou trocado.
— Meu amigo, vou ficar te devendo. Só tenho uma nota de cem.
O pedinte sorriu e, percebendo que daquele mato não saía cachorro, aguardou o próximo transeunte. Nisso, Leopoldo, assim que deu as costas para seguir seu caminho de mãos dadas com a namorada, arregalou os olhos e exclamou:
— Não pode ser!
— O que foi, meu amor?
— Eu conheço aquele cara!
Leopoldo retornou e, diante do necessitado, perguntou:
— Camilo, é você?
Pego de surpresa, o homem levou alguns segundos encarando Leopoldo.
— Leopoldo! Não é possível! É você mesmo?
— Sim, Camilo! Sou eu! Mas o que você está fazendo aqui? Olha, se você estiver mesmo precisando, estão aqui os cem reais.
— Que nada! Pode ficar com o seu dinheiro.
Camilo se levantou e abraçou o amigo.
— Leopoldo, e quem é a gatinha?
— Ah, Camilo! Essa é a Gabriela, minha namorada.
Apresentações feitas, Camilo disse que estava fazendo laboratório para viver um mendigo em um curta que seria filmado no mês seguinte.
— Que loucura!
— Um pouco, Leopoldo. Mas vida de ator é assim mesmo. Aliás, vocês já almoçaram?
— Ainda não, mas…
— Então, estão convidados pra almoçar comigo. Já ensaiei muito por hoje.
Lá foram os três para um restaurante ali perto. E o engraçado mesmo foi na hora de pagar a conta. O Camilo nem deixou o colega tirar a carteira do bolso.
— Nananinanão, Leopoldo! Vocês são meus convidados. Além do mais, faturei bem hoje. Estou até pensando em largar a vida de ator pra virar mendigo profissional.
Por sorte ou destino, Camilo não trocou de profissão. O curta foi um sucesso, ele foi requisitado para viver o protagonista de um longa, pois um famoso diretor de cinema ficou impressionado com a sua atuação carregada de emoção e veracidade ao dizer o derradeiro texto antes dos letreiros começarem a subir:
Sei que muitos de nós gostaríamos de enaltecer uma das qualidades mais nobres que uma pessoa pode possuir: o humor. Nunca perca seu humor, pois, apesar das perturbações que a vida nos oferece, com humor encontraremos mais soluções e menos problemas. O mundo é muito rude e, para vencê-lo, devemos mudar a estratégia.
‘Dia Internacional dos Povos Indígenas: avanços e retrocessos’
Renata Barcellos
“Enquanto tiver gente no Brasil, vai ter presença indígena” (Ailton Krenak: filósofo, poeta, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras)
Renata Barcellos e Porakê Munduruku
O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado em 9 de agosto. Foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1994, como instrumento de apoio e de luta pelas causas dos povos originários em todo mundo. A data é dedicada a homenagear e reconhecer as tradições dos povos indígenas, promover a conscientização sobre a inclusão deles na sociedade e dos direitos humanos e relembrar a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre Populações Indígenas da ONU, em 1982.
Assim, reafirmando as garantias previstas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (criada em 2007 pela Organização das Nações Unidas – ONU). O referido documento é composto por 46 artigos, cujo objetivo é apresentar todos os direitos básicos das populações indígenas mundiais. Entre os principais pontos defendidos pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas,estão:
– igualdade de condições perante as leis internacionais;
– autodeterminação dos povos;
– combate a qualquer tipo de discriminação;
– direito aos territórios;
Atualmente, as comunidades indígenas estão entre as populações mais vulneráveis do mundo. De acordo com dados das Nações Unidas, existem aproximadamente 476 milhões de indígenas em 90 países, representando pouco mais de 5% da população mundial. Utilizam cerca de 22% da área terrestre global. Os povos indígenas de todo o mundo compartilham problemas relacionados à proteção de seus direitos. E continuam a enfrentar a marginalização, a pobreza extrema e outras violações dos direitos humanos.
Lei 14.402/2022 – Art. 1º: institui o dia 19 de abril como o Dia dos Povos Indígenas e revoga o Decreto-Lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 1.652.876 pessoas indígenas, no Brasil.Esse número é maior do que o apontado pelo Censo anterior, realizado em 2010. Na época, foram contados mais de 896 mil indígenas. Esse número representa menos de 1% do total da população absoluta do país, com 305 diferentes etnias e 274 línguas, consolidando a pluralidade étnica e linguística dos povos originários.
O Brasil tem 5.568 municípios e 4.832 deles possuem moradores que se identificam como indígenas (86,7% do total). Manaus, capital do Amazonas, é a cidade brasileira com a maior quantidade de indígenas: 71,7 mil pessoas. Em seguida, estão São Gabriel da Cachoeira (com 48,3 mil) e Tabatinga (34,5 mil), ambas também amazônicas.
As regiões Norte e Nordeste concentram aproximadamente 75% da população indígena do Brasil. Os estados com a maior quantidade de pessoas desse grupo são:
Por outro lado, Sergipe é o estado com a menor população indígena em números totais, registrando pouco mais de 4,7 mil pessoas.
Os dados do Censo 2022 registraram 867,9 mil indígenas vivendo na Amazônia Legal, o equivalente a 51,25% do total. A Amazônia Legalé um recorte geográfico que abrange uma área de aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados. Fazem parte dela os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão.
Lei nº 2.889/1956 (Crime de Genocídio)
O que faz: define e pune o crime de genocídio contra grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos.
Ações punidas: matar membros, causar lesão grave física ou mental, ou submeter o grupo a condições de destruição total ou parcial.
Contexto: Brasil ratificou convenções internacionais para tipificar penalmente esses massacres.
Lei nº 6.001/73– Estatuto do Índio: garante a proteção e a preservação das comunidades indígenas. No Art.1 consta o seguinte: “Esta Lei regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas, com o propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmonicamente, à comunhão nacional”.
Constituição Federal de 1988 reconhece o direito originário dos indígenas sobre as terras, como consta no Art. 216 da CF, “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.
Lei nº 14.701/2023 (Marco Temporal)
O que faz: estabelece que os povos indígenas só têm direito a demarcar terras que ocupavam em 5 de outubro de 1988.
Crítica: lideranças indígenas e entidades como o Greenpeace Brasil batizaram a norma de “Lei do Genocídio Indígena” por entenderem que ela anula direitos originários e estimula conflitos e invasões de territórios.
A Convenção 169 da OIT é um tratado internacional da Organização Internacional do Trabalho que protege os direitos dos povos indígenas e tribais. Ela garante o direito à terra, à cultura própria e a consulta prévia sobre leis ou obras que afetem esses grupos. No Brasil, o texto foi promulgado pelo Decreto nº 5.051/2004.
Lei nº 11.645, sancionada em 10 de março de 2008. Esta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e define regras para escolas públicas e privadas sobre o ensino das culturas e literaturas dos povos indígenas.
Sônia Guajajara: primeira e atual ministra dos Povos Indígenas do Brasil (ativista e liderança da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil -APIB).
Ailton Krenak: primeiro escritor indígena a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL): ambientalista, filósofo e escritor. Eleito em 5 de outubro de 2023 e tomou posse em 5 de abril de 2024.
Depoimentos
Altaci Kokama (primeira professora indígena da UnB, pré-candidata à Deputada Distrital pelo PT): “A situação atual dos *povos originários no Brasil em 2026* é de avanços em algumas áreas e retrocessos/desafios ainda muito grandes em outras”.
Luana Guarani – Cunhã Pará Potÿ: “Enfrentamos grandes desafios. O preconceito, a invisibilidade, a perda de territórios, as dificuldades de acesso a direitos básicos e a desvalorização de nossas culturas continuam fazendo parte da realidade de muitos povos indígenas. Em diversos lugares, somos vistos apenas pelas lentes dos estereótipos, quando, na verdade, somos povos vivos, diversos, contemporâneos e protagonistas de nossa própria história.
Ser indígena não significa viver preso ao passado. Continuamos preservando nossas identidades, nossas línguas, nossos costumes e nossa espiritualidade, ao mesmo tempo em que ocupamos universidades, espaços de decisão, escolas, centros culturais e diferentes profissões. Nossa identidade não é definida pelas roupas que usamos ou pelo lugar onde vivemos, mas pelo pertencimento ao nosso povo, à nossa ancestralidade e aos nossos modos de existir”.
Maria Lídia Tupinambá (pedagoga maranhense, conselheira da Educação Escolar Indígena, vice-presidente do Conselho Estadual da Mulher do Maranhão, Assessora Especial de Assuntos Indígenas da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular – SEDIHPOP – e Coordenadora Nacional da RENIU – Rede de Articulação de Indígenas em Contexto Urbano e Imigrantes): “o Dia Internacional dos Povos Indígenas representa um momento de celebrar conquistas históricas e reafirmar a luta permanente pela garantia dos direitos dos povos originários.
A criação do Ministério dos Povos Indígenas, sob a liderança da ministra Sônia Guajajara, marcou um novo momento na história do Brasil ao reconhecer a necessidade de um órgão específico para formular, articular e fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. A atuação da ministra consolidou o protagonismo indígena nos espaços de decisão, ampliou o diálogo entre o Estado e as comunidades, fortaleceu a defesa dos territórios, das culturas e dos direitos originários, além de conferir maior visibilidade às demandas históricas dos povos indígenas.
Da mesma forma, a eleição de Ailton Krenak para a Academia Brasileira de Letras representa um marco para o reconhecimento da produção intelectual indígena, demonstrando que os saberes ancestrais e as narrativas dos povos originários ocupam, cada vez mais, espaços de destaque nas instituições brasileiras, fortalecendo a diversidade, a memória e a identidade nacional”.
Porakê Munduruku (indígena em retomada no contexto urbano da Região Metropolitana de Belém, escritor, roteirista e coordenador do Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena), afirma: “Celebrar o Dia Internacional dos Povos Originários exige encararmos de frente a dura realidade com a qual ainda nos deparamos. Ainda sangramos com invasões territoriais e a violência colonial e xenófoba na Amazônia e demais territórios indígenas.
Embora a presença de um Ministério dos Povos Indígenas e a histórica ocupação de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL) representem vitórias políticas e simbólicas fundamentais para ecoar nossas vozes nas estruturas institucionais, tais avanços não podem mascarar a urgência da demarcação de terras, do combate ao garimpo ilegal e da garantia de dignidade e direitos fundamentais para os parentes que resistem tanto nas aldeias quanto nas periferias urbanas”.
A partir do exposto acima, podemos constatar a criação de legislações e datas comemorativas como a do dia 9. Entretanto, apesar de conquistas, o que observamos é ainda a exclusão dos povos indígenas. Pensemos:
– Convivemos no quotidiano com indígenas de diferentes etnias?
– Os indígenas assumiram funções nas diversas áreas onde convivo?
– Estudo (ei) literaturas produzidas pelos povos indígenas?
– Escritores indígenas são divulgados devidamente nos eventos culturais?
Que, nesta data de 2026, possamos reconhecer a luta histórica dos povos indígenas!!! Estes que resistem ao apagamento, à violência e à invasão de seus territórios. Diariamente, enfrentam ameaça às suas terras, à sua existência e aos seus direitos.
O Brasil precisa reescrever sua história, sobretudo no que tange ao povo originário. Só a partir da constituição de 1988, teve seus direitos reconhecidos “no papel”, porque, na prática, ainda é latente e urgente a luta por seu protagonismo, seus direitos pela terra, seus direitos políticos… Infelizmente, vozes indígenas são silenciadas e há a constante invisibilização. Levantar a bandeira pelas causas deles é não só defendê-los como também proteger o futuro da humanidade e a preservação do planeta.