Ter um amigo verdadeiro é uma autêntica dádiva divina

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:
quando a amizade verdadeira se transforma na mais preciosa dádiva da vida!

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Dois homens idosos e brancos, com cabelos brancos, estão sentados em um sofá acolhedor, abraçando-se calorosamente enquanto olham um álbum de fotos aberto em uma mesa de centro. Eles estão sorrindo e parecem felizes e à vontade um com o outro. O homem à esquerda está usando uma camisa xadrez azul e o homem à direita está usando um suéter verde. O ambiente é aconchegante, com prateleiras de livros e fotos emolduradas ao fundo. A luz natural entra por uma janela próxima.
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O mais importante, hoje em dia, é termos um “Amigo do Coração”, especial, responsável por promessas de “Amor-de-Amigo”, para sempre, juras de solidariedade, de amizade, de lealdade, do: “estar do seu lado” e nunca do lado do “Amo e do Servo”, ou “em cima do muro”, por isso, desejamos muito este amigo exclusivo, verdadeiro, incondicional. Mas esse amigo existe e todos nós poderemos ter a oportunidade de ganhar um amigo assim, o que é um privilégio, dir-se-ia, mesmo, uma “Dádiva Divina” e que, por isso mesmo, tudo, mesmo tudo, deveremos fazer para nunca o perder.

Nestas circunstâncias, como é, então, maravilhoso, podermos ouvir de uma pessoa que consideramos nossa verdadeira amiga, frases como: «Querido Amigo Diamantino, a minha amizade por si continua a mesma, não estou do lado de Deus e do Diabo ao mesmo tempo, estou sempre do mesmo lado (Deus), em particular do seu, poderá sempre contar comigo, seja a nível pessoal, familiar ou profissional em projetos futuros. Também lhe lanço um desafio, aguardo que no próximo ano lance um Manual de Ciências Sociais (por um especialista em CS)! Aguardo este manual e outros livros que venha a comunicar! Obrigado pela sua amizade pura, sincera e incondicional. Muitos beijos para um amigo especial!». (BÁRTOLO, 2013:69).

É de um amigo destes, puro, verdadeiros, incondicional que precisamos. Um amigo, com as dimensões já identificadas, é suficiente para sermos felizes no campo da amizade. Quem conseguir conquistar e consolidar um amigo destes, não morrerá sozinho no hospital, nem na cadeia, nem no infortúnio e terá as dificuldades da vida muito amenizadas. 

Eu quero, nós desejamos um amigo destes! Onde encontrá-lo? Onde estás amigo especial? Eu sei onde está: tal amigo reside em quem me quer bem, em quem me é solidário, naquela pessoa que me tem amizade, que me é leal, que confia em mim e que, inequivocamente, está, incondicionalmente, do meu lado, tanto: na alegria, na felicidade, na prosperidade; como na tristeza, na adversidade e nas contrariedades da vida. Esse amigo existe, certamente, e eu acredito nele.

Podemos e devemos confiar em quem acredita em nós, em quem nos pede opiniões, em quem nos dá sugestões, em quem nos critica carinhosa e verdadeiramente, em quem partilha connosco as alegrias e tristezas, êxitos e malogros, projetos, conhecimentos, relacionamento aberto, sincero e que, acima de tudo, não pactua com quem nos ofende, com quem nos humilha, com quem nos explora, enfim, com quem não é por nós desejado, estimado e considerado.

Queremos confiar em quem nos critica para nos corrigirmos e para nos defendermos dos “lobos disfarçados de cordeiros”. Queremos confiar em quem se preocupa connosco: na saúde/doença, no trabalho/desemprego, na riqueza/pobreza. Queremos confiar em quem nos incentiva para o sucesso, em quem acredita nas nossas potencialidades, em quem nos confia sonhos, aspirações, projetos, dificuldades, problemas, os mais íntimos, ao nível da família mais restrita, mas também noutros contextos. 

Queremos confiar em quem nos pede que façamos parte da sua própria família, sem reservas. Queremos confiar em quem temos estima, consideração e amizade sincera. Queremos confiar em quem nos dirige uma palavra de carinho, um sorriso de ternura, um gesto solidário, leal, amigo. Nestas condições é possível confiar em alguém, sim.

BIBLIOGRAFIA

BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2013). Rotas: Amigo Especial: Onde Estás? Págs. 06 e 60-a-69. Coedição. Organização de Clarisse Maia-Guedes. Rio de Janeiro/Brasil: Guemanisse

BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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E o mundo me fez poeta

Ismaél Wankalika:
entre as sombras da vida e a luz dos versos, nasce a voz de um poeta!

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika

Nascemos entre os fios que nos ligam a existência
Nossa razão é a lógica da saberia assertiva
Num caminho vários espinhos
Abismos não limpam gargalhadas nos meios dos sorrisos
O passado é renovado pela semente lançada no óvulo
Vários mundos escolhendo os seus
Rendidos no cenáculo lançam suas preces a Deus
E assim na madrugada nos meus escritos o poeta nasceu
Dando a coreografia de sua caneta seu sonho reviveu…

E o mundo me fez poeta

Na voz de meu pai
No cantar de mamãe
Ouviram-se as sombras de suas épocas
Canção holística que arrastou-os para trilha
O poeta despertou comendo suas rimas na órbita da vida
As vezes a vida enquadra-se no sentido que damos a ela.

E o mundo me fez poeta

Eu era um menino desolado
Com ânsias no coração procurava melodias
Beijava o sol todas as manhãs que o vento soprava ao redor mundo
Escassez de encanto
Na palm da infância
Vivi meus dias perto do mar da vida

Caneta expressava um barulho tardio
No peito intenso desejo de mudar o trajeto
Ainda luto contra os meus choros
Massageio a dor no cotovelo das ondas
Caminho segurando as forças com o som de uma guitarra sem cordas
Esse é o meu destino visualizado na penumbra.

E o mundo me fez poeta

Entre os gritos injustos de meu pai
A resiliência destemida de mamãe
Fiz nascer meu primeiro verso
Transformei suas vidas nos meus textos
Sou eles, nessa versão poética de suas místicas vidas
Suas estórias estão aqui dentro
O orgulho que os venceu, tenho seu segredo em mim
Escrevo nestas sombras o enigma de suas tragédias
Sorte adiada no pumar da esperança
Sou poeta!
finjo dor
Escrevo com ardor

Sou capitão neste navio
Na contra mão de suas sombras
Cortarei o negro com a força das espadas.

E o mundo me fez poeta

Sinto o peso das almas que a mim clamam
Pressão nos ombros
No mundo de vários mundos encontrei o meu mundo.
Fiz minha letra
Que alma chora mas a resiliência mantém-me vivo.

E o mundo me fez poeta!

Soldado Wandalika

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Enquanto olho para a foto de Jennifer Lopez

Bahtiyar Hidayet:
uma celebração poética da beleza que desafia o próprio tempo!

Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
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Sua foto de lingerie
Afeta o subconsciente humano.
Seu corpo é como uma antiga ampulheta,
E você é uma mulher moderna.
O próprio tempo envelhece, mas você não.

Seu corpo é como uma ampulheta,
E talvez por isso
Você tenha tantos admiradores quanto grãos de areia.

Seu corpo é como uma ampulheta.
Os relógios de pulso daqueles que estão apaixonados por você
Verificam seus pulsos como médicos.
Eles descobriram uma dor no coração.

Seu corpo é como uma ampulheta,
E
Os relógios de parede envelheceram.
Agora os ponteiros desses relógios
São como velhos caminhando sobre três pernas.

E
Você, sobre duas pernas, é tanto
A mulher mais bonita deste mundo
Quanto a mais bonita do céu.

Você também é como o vinho.
À medida que os anos passam, sua qualidade aumenta,
E você deixa as pessoas fora de si.

Mas sua voz
É melodiosa como o som de um relógio.

Em que hora agradável,
No bom humor de Deus, você veio ao mundo?

Este é o poema mais bonito
Escrito para você.
Salve seu autor
Deste inferno.

Bakhtiyar Hasanov

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A arte do inescrutável

Pietro Costa apresenta o verbo que liberta e o silêncio que Intriga

Pietro Costa
Pietro Costa
Card do poema-imagem A arte do inescrutável

Pietro Costa

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Palavra em território

Mario Antonio Rosa: Palavra em território – O sonho do tempo II e a definição da Poesia Latino-Americana

Mario Antonio Rosa
Mario Antonio Rosa
O sonho do tempo 2. Poesia venezuelana atual (Alberto Martínez-Márquez e Mirih Berbin, editores; Letras Salvajes, Moca, Porto Rico / Valência, Venezuela, 2026)
Capa do livro O sonho do tempo 2. Poesia venezuelana atual (Alberto Martínez-Márquez e Mirih Berbin, editores; Letras Salvajes, Moca, Porto Rico / Valência, Venezuela, 2026)

Mario Antonio Rosa

“Entrei na região estreita.
Tudo o que canta se reúne aos meus pés
como bandeiras que o tempo inclina…”*

Rafael Cadenas

Entrar no território. Buscar-se íntimo ou compartilhado pelas cadências de uma voz dificilmente próxima do tédio. Dizer poesia como clima e como aviso; levar, depois, a nave construída para águas livres, adquirindo, desde logo, uma cidadania na palavra. O poeta, a quem sempre considerei intérprete e tradutor da sempre buscada condição humana, é, talvez, a luz mais urgente entre os numerosos guias que envelhecem ao definir uma humanidade. Essa nave-memória de Nemo, o personagem de Verne, que ali renuncia ao mundo da superfície para singrar os mares em liberdade, fala-nos de um todo que se abraça a uma verdade poética e à sempre relevante atualidade que a poesia expõe, adverte e impõe aos sentidos e, quem sabe, à alma.

A Venezuela nos ocorre, então, belamente próxima. A irmandade nos envolve em sua grandeza de luz. Tudo acontece e, se assim é, a poesia venezuelana é um coração. No entanto, talvez não haja extensão eletrônica neste escrito para falar de um universo revelador e audacioso, de uma poesia investida dos poderes de uma mensagem, de uma invenção fresca na palavra. Agora, ficará muito por dizer; o tinteiro costuma ser profundo, e outras vozes darão continuidade ao acontecimento. É isso que acontece na chave da boa poesia.

O sonho do tempo 2. Poesia venezuelana atual (Alberto Martínez-Márquez e Mirih Berbin, editores; Letras Salvajes, Moca, Porto Rico / Valência, Venezuela, 2026) constitui uma cartografia poética da Venezuela contemporânea. Reúne a obra de 31 vozes poéticas provenientes de diversas regiões do país, oferecendo uma leitura panorâmica das buscas estéticas e discursivas que marcam o presente literário venezuelano. A antologia se articula como um espaço de polifonia, no qual a poética funciona como refúgio, testemunho, linguagem de resistência e reconstrução da memória histórica e afetiva. Em meio aos processos conjunturais do país, a antologia projeta a poesia não como uma perda, mas como uma “casa” simbólica e uma ponte para a permanência… a nave em chamas, em uma rota que se dá a conhecer diante do mundo.

Em seu prólogo, a antologia situa o ponto de partida epistemológico e estético da poesia contemporânea em quatro grandes figuras tutelares do século XX venezuelano: Reynaldo Pérez (1945–2023), em sua voz imediata e contemplativa, círio de orientação para várias gerações de poetas; Víctor “El Chino” Valera Mora (1935–1984), com uma poesia de longo fôlego, entrelaçando tom apaixonado, urgência histórica e linguagem lírico-política; Ana Enriqueta Terán (1918–2017), transeunte intocável desde o soneto clássico até o verso livre, ligada à paisagem andina e à estética do humano; e, naturalmente, Rafael Cadenas (1930), Prêmio Cervantes (2022), poeta da exploração dos estados de consciência e cuja voz nos arrasta para um mundo mágico, abrindo o mirante reflexivo que deve dominar a visão humana, isto é, de outro reino emergente.

Essas correntes, cada uma em seu estado de criação, vão nutrindo as vanguardas e os grupos poéticos venezuelanos, como Sardio, El Techo de la Ballena, Tráfico e Guaire, cuja projeção no século XXI se manifesta no panorama antologizado por meio do diálogo entre o lirismo social, o intimismo filosófico, a performance e a poesia de protesto ou resistência urbana.

Cada poeta desta antologia assume o entorno com sua poesia grave, repleta de signos e mensagens. Bastariam essas bússolas, embora confesse que a unidade desses 31 poetas é poderosa, intuitiva, reveladora, presente. Assim, no percurso, encontramos a poeta Lilia Ferrer-Morillo, com sua memória afrodiaspórica, a identidade camponesa e a denúncia contra a marginalização. Sua poesia possui um ritmo de reivindicação e resistência:

Anseiam que eu não seja
essa pessoa de bem que elas encarnam,
interpretam, encenam, representam,

que eu me cartografe periférica, forasteira,
lunfarda, malfeitora, caloteira,
alheia à centralidade
e à moralidade de sua própria casta
malfeitora…

(Gente de bem)

Róger Herrera Rivas, escritor, ator, dramaturgo e artista plástico, brilhando na coordenada sob o signo de Antonin Artaud, com uma poesia pessoal, afiada em uma música interior e em uma consciência do poeta contra o mundo. Artaud defendia um teatro capaz de impactar os sentidos do espectador. Era, sem dúvida, a intensidade que a poesia exige de sua criação e de sua força:

Meu ofício é ser cidadão,
despedir-me sem mágoas
de ilusões e totens,
abrir navalhas, franzir a testa,
sacrificar-te o húmus
para me sentir bem em meu ofício
de homem de esquina, de ruído de lata
ou de poeta;
meu ofício é ser cidadão.

(Ofício)

Juan Lebrun, por sua vez, propõe-nos a investigação metapoética, a contemplação da paisagem e o jogo fônico da linguagem. Sua estética resgata o assombro e a desmontagem dos limites poéticos formais. É frequência para um grande viajante:

Quão pouco sei, Juan,
dos rumores que vêm das ruas
e das folhas caindo em sua sonora paisagem
de rubores cortados pelo vento.
Não saber é andar pelo bom caminho.
Não saber dessa forma é uma depressão revolvendo minha alma,
um estar atento a não saber o quê…
e estar sempre acreditando na surpresa.

(A Sofía Mogollón)

Yurimia Boscán e a forja do tempo, lugar e existência, metal que sustenta, talvez, o que há de mais imóvel no ser, unindo-se às despedidas, à memória familiar e ao espaço doméstico. Seu estilo é de uma sobriedade afetiva, com imagens cotidianas carregadas de melancolia. Mas é precisamente aí que dialoga uma vertente poética inesperada:

Condenada à minha cotidianidade,
Deus é monossílabo.
Sei às vezes leva acento e outras não (é diacrítico), como eu.
Cozinha é uma palavra grave (muito grave).
Coração é uma palavra aguda (talvez por isso doa tanto).
Lençol é uma palavra esdrúxula,
como escape, sacuda-se, dispa-se.

Meu nome é substantivo próprio,
poeta é comum,
angústia é abstrato,
humanidade é coletivo…

E, daí, acende-se um continente feito palavra por palavra. Cada um dos 31 poetas carrega a urgência de um manifesto poético; é uma antologia que vive, que se lê e que se aspira, buscando-nos alguma vez na verdadeira poesia. O sonho do tempo 2 reafirma a vitalidade da poesia venezuelana no contexto hispano-americano contemporâneo.

Ao oferecer um corpus diversificado de vozes que escrevem a partir da vivência territorial e do desenraizamento, a antologia demonstra como o fato poético opera como resistência cultural e reconstrução simbólica. Sua contribuição para a literatura latino-americana está em articular um mapa de polifonias discursivas que dialogam diretamente com as grandes vertentes continentais: do neobarroquismo e da poesia social às escritas do corpo, da afro-feminilidade e do questionamento da linguagem. A compilação confirma que, diante da dispersão ou das crises históricas, a poesia venezuelana continua sendo um espaço fundamental de investigação e permanência estética.

É, finalmente, o território, sem fim nem começo… uma liberdade:

Ser livre é compreender nossas correntes
ao sentir seu peso morder nossa pele.
É pupila que escolhe ver o infinito
sem paredes que detenham seu olhar.
A ave não pede permissão ao vento para voar.
Suas asas
são cartas abertas ao azul extenso…
elas escrevem sua própria rota.

(Ernesto Marrero Ramírez,
Asas de liberdade)

Mario Antonio Rosa

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Vanessa Rosa da Paz

Vanessa Rosa da Paz faz do cotidiano território literário, onde poesia, crônica, humor, sensibilidade e inquietação revelam a beleza escondida nas coisas aparentemente simples

Vanessa Rosa da Paz
Vanessa Rosa da Paz

A vida cotidiana, com suas pequenas alegrias, contradições, incômodos e esperanças, é o espaço escolhido por Vanessa Rosa da Paz para encontrar inspiração.

Conhecida também como Mangaba, a autora mineira transita entre a poesia e a crônica em uma escrita marcada por seu olhar particular sobre a vida.

Natural de Betim, Minas Gerais, Vanessa tem 55 anos e é formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com pós-graduação em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento.

A relação com as palavras, portanto, atravessa tanto sua formação quanto sua atuação como escritora.

Apaixonada pelas letras e pela vida, ela é autora de dois livros: Mangaba Delirante, obra de poesias, e Flor de Lírio, coletânea de crônicas.

Da poesia para a crônica

Em Mangaba Delirante, Vanessa encontra na poesia um espaço para expressar o universo de Mangaba e seu modo muito próprio de observar e interpretar aquilo que está ao redor.

Já em Flor de Lírio, esse olhar ganha continuidade por meio das crônicas.

O cotidiano torna-se matéria para uma escrita que pode ser bem-humorada e, em alguns momentos, ácida, sem abandonar a poesia e a esperança.

A mudança de gênero literário permite que a autora explore outras possibilidades da palavra.

Se em Mangaba Delirante a expressão acontece pela poesia, em Flor de Lírio são as situações e percepções do dia a dia que encontram espaço na crônica.

Nas duas obras permanece Mangaba, identidade que acompanha a produção de Vanessa e dá liberdade para que seu olhar passe pelo humor, pela sensibilidade, pela inquietação e pelas diferentes maneiras de perceber a vida.

Literatura feita do que está ao redor

Transformar o cotidiano em literatura também significa prestar atenção naquilo que muitas vezes passa despercebido.

Um sentimento, uma lembrança, uma situação inesperada ou simplesmente outra maneira de enxergar algo conhecido podem se tornar ponto de partida para a escrita.

É desse território tão próximo que Vanessa Rosa da Paz retira parte de sua inspiração.

Entre os versos de Mangaba Delirante e as crônicas de Flor de Lírio, a autora constrói seu espaço literário experimentando diferentes formas de expressão e mantendo como fio condutor seu interesse pelas letras e pela vida.

Com duas obras publicadas e dois gêneros diferentes em sua trajetória, Mangaba segue fazendo justamente aquilo que a literatura permite tão bem: transformar em palavras a maneira particular de cada pessoa enxergar o mundo.

REDE SOCIAL DA AUTORA

COLETÂNEA DE CRÔNICAS: FLOR DE LÍRIO

SINOPSE

A vida é feita de encontros e despedidas, afetos e conflitos, lembranças, silêncios, risos e inquietações.

Em Coletânea de Crônicas – Flor de Lírio, Mangaba percorre esse universo com um olhar sensível, crítico e profundamente humano.

A vida é feita de encontros e despedidas, afetos e conflitos, lembranças, silêncios, risos e inquietações.

Em Coletânea de Crônicas – Flor de Lírio, Mangaba percorre esse universo com um olhar sensível, crítico e profundamente humano.

Ao longo destas páginas, o leitor encontrará crônicas inspiradas no cotidiano, reflexões sobre a existência, narrativas que exploram as complexidades das relações familiares e textos em que o humor surge como forma de revelar as contradições da vida.

Algumas histórias acolhem; outras provocam. Algumas emocionam; outras convidam ao debate.

Com uma escrita que combina delicadeza, ironia e profundidade, Mangaba transforma experiências comuns em literatura, sem fugir das dores, dos desencontros e das verdades que muitas vezes preferimos silenciar.

Cada crônica é um convite à reflexão.

Seja diante da beleza de um instante simples, da inquietação provocada por um conflito familiar ou de uma situação bem-humorada do cotidiano, o leitor é levado a revisitar suas próprias memórias, crenças e experiências.

Flor de Lírio é uma obra para quem acredita que a boa crônica não apenas retrata a vida, mas também a questiona.

Um livro que alterna leveza e intensidade, emoção e crítica, sempre guiado pelo desejo de compreender a complexidade da condição humana.

Assista a resenha do canal @o.que.li no YouTube.

Mangaba Delirante – Poesias – : Poesias que nascem da alma e do chão

SINOPSE

Mangaba Delirante – Poesias – é uma coletânea de poemas que percorre a memória, a fé, a dor, a infância, a perda e o reencontro.

Em versos livres, Mangaba Delirante faz da palavra um espaço de liberdade, onde a norma cede lugar à emoção, à metáfora e à força da linguagem.

A obra dialoga com a tradição modernista brasileira, com referências à literatura, à música, e à espiritualidade, sem abrir mão de uma voz própria.

Entre o sertão e a cidade, a lama e a esperança, o anonimato e o pertencimento, cada poema convida o leitor a enxergar o extraordinário nas experiências mais comuns.

Não é um livro de respostas prontas. É um livro de encontros: com o pai, com a infância, com os que sofrem, com os esquecidos, com a arte e consigo mesmo.

É um convite para ler devagar, sentir profundamente e descobrir que, muitas vezes, a poesia não explica a vida – apenas a ilumina.

OBRAS DO AUTOR

Flor de Lírio
Flor de Lírio

Mangaba Delirante
Mangaba delirante

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Uma fuga austera

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi: quando a sombra se liberta do peso do ‘Eu’

Mustafa Al-Sumaidi
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Minha sombra me deixa na calçada
e caminha sozinha
pela rua em frente a mim.

Ela escapa de dentro de mim,
dos recônditos ocultos da alma,
onde o não dito encontra uma voz
sobre minha língua.

Ela não precisa de sapatos,
nem de guarda-chuva,
nem de cigarros…
Nunca verifica os bolsos
como eu faço.

Atravessa no sinal vermelho,
indiferente aos carros que passam
ou às vitrines das lojas.

Cumprimenta as lojas
pelas quais já não ouso passar,
e sorri para os transeuntes
que conheço pelo nome.

Quando vê um rosto desconhecido
vestindo exatamente as roupas que eu visto,
desaparece atrás
de uma placa abandonada.

Retoma sua caminhada
ao perceber que
não fui eu quem a viu,
como se para sempre
estivesse fugindo do meu corpo,
cujos passos se tornaram pesados,
e somente ela conseguisse libertar-se
de um nome chamado “Eu”.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

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