O seguimento da mestra

Jorge Facury: Crônica ‘O seguimento da mestra’

Jorge Facury
Jorge Facury
Professora Almira Porciúncula e Jorge Facury - Foto do arquivo do autor
Professora Almira Porciúncula e Jorge Facury – Foto do arquivo do autor

Às 4h30 deste dia 03 de fevereiro, a querida e inesquecível professora Almira Porciúncula, de Tatuí, partiu para a Eternidade.

Mestra da língua portuguesa, marcou a vida de incontáveis jovens, entre os quais me incluo, por suas aulas divertidas e criativas. Escrevia uma frase na lousa para explicá-la gramaticalmente, mas, antes fazia a gente viajar no sentido da coisa escrita, como por exemplo – “um grande alarido veio da mata causando medo nos habitantes da aldeia”. Antes da explicação gramatical a gente viajava no mistério do que poderia ser o misterioso alarido. Era como um começo de história e assim, nesse instante mágico ela ia encantando a gente.

Nas últimas vezes em que nos vimos, bem-humorada, dizia que morrer não estava em seus planos e se pudesse iria discutir o assunto com Deus. Queria que a fila andasse e ela sempre ia para o final. Mas, não havendo jeito mesmo, afirmava querer uma placa assim expressa em sua lápide: MORRI SOB PROTESTO!

Amava a Vida, uma figura ímpar. Guardo comigo o estímulo dado ainda na quinta série quando me aconselhou a escrever sempre pois era algo que eu deveria desenvolver – “siga sempre escrevendo” – disse.

Em 2008 veio a Sorocaba para o lançamento de um livro meu, ocasião em que lhe fiz uma homenagem (vídeo gravado em poder da Editora). Guardo também com carinho inestimável o prefácio que me fez para outro livro – Assim Me Contaram, editado em 2010.

Amava a Língua Portuguesa e a Literatura, convidando-nos sempre a ler O Confiteor, do escritor tatuiano Paulo Setúbal.

Siga em paz, grande Mestra. Suas lições ficam para sempre; as escolares e mais ainda aquelas primorosamente vertidas de sua amável presença. 

Jorge Facury

Voltar

Facebook




Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba

Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba representa o Brasil na Feira Internacional del Libro da Argentina com homenagem a Jorge Luis Borges

Logo do Movimento Cultivista Café com Poemas
Logo do Movimento Cultivista Café com Poemas

Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba representa o Brasil na Feira Internacional del Libro da Argentina com homenagem a Jorge Luis Borges.

No dia 25 de janeiro de 2026, às 9h, a literatura brasileira atravessou fronteiras para dialogar com uma das tradições literárias mais influentes do mundo. O Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba participou da Feira Internacional del Libro da Argentina, em transmissão virtual pelo Facebook, com uma apresentação especial dedicada à vida e obra de Jorge Luis Borges.

À frente do encontro esteve a professora, poeta e escritora Priscila Mancussi, coordenadora do movimento, autora de três livros e atuante há mais de duas décadas na formação de leitores e escritores. Representando o coletivo sorocabano, Priscila conduziu a mediação do evento com uma fala que uniu pesquisa biográfica, sensibilidade poética e reflexão crítica sobre o legado do autor argentino.

A abertura destacou o caráter simbólico da participação brasileira na feira e celebrou a literatura como ponte entre culturas:

“É uma honra representar o Movimento na Feira Internacional del Libro da Argentina. Nosso tema de hoje é homenagear um dos maiores nomes da literatura mundial: Jorge Luis Borges — poeta, ensaísta e contista argentino, cuja obra atravessou fronteiras, linguagens e tempos.”

O roteiro apresentou um panorama da trajetória de Borges, desde a infância em Buenos Aires e sua formação multilíngue, passando pelos anos de estudo na Europa, até a consolidação de sua obra em títulos fundamentais como Ficciones, El Aleph, Historia Universal de la Infamia e O Livro de Areia. Também foram abordadas sua relação simbólica com a Biblioteca Nacional da Argentina, a cegueira progressiva e a permanência de sua criação literária, ditada até os últimos anos de vida.

Entre dados biográficos e reflexões sobre temas centrais do universo borgeano — labirintos, espelhos, memória, tempo e infinito —, a apresentação assumiu um caráter dramatizado e poético, transformando o tributo em uma verdadeira experiência estética.

O encontro reuniu ainda nove poetas convidados do Movimento, que criaram textos autorais inspirados na obra do escritor argentino. Participaram:

Altamir Costa — Borges

Carina Gameiro — Em Cada Olhar

Cristina Pimentel — Além do Tempo

Djalma Moraes — Um brinde ao saber de Jorge Luis Borges

Josemir Lemos — El Jorge

Lana Coelho — Borges, o homem que via com a alma

Márcio Zacarias — Borges no Labirinto do Mundo

Shirley Ferro — Eis que um livro de areia

Vânia Moreira — Recortes de Jorge

Cada leitura dialogou com frases e conceitos de Borges, costurando literatura brasileira contemporânea e tradição argentina em uma mesma roda de escuta — proposta que é marca do Café com Poemas: a palavra como encontro, memória e partilha.

Mais do que uma conferência, a participação foi concebida como um sarau internacional, em que vozes brasileiras ecoaram em homenagem a um dos maiores nomes da literatura universal. “Borges jamais recebeu o Nobel, mas recebeu algo maior: a eternidade literária”, destacou Priscila durante a apresentação.

A presença do movimento na feira reforça o compromisso do coletivo com a difusão da poesia, a formação de leitores e o intercâmbio cultural latino-americano, consolidando Sorocaba como um polo ativo de produção literária contemporânea.

Ao final, ficou o convite que ultrapassa telas e fronteiras:

“Que sigamos cultivando a palavra — hoje, amanhã e sempre.”

Para acompanhar as próximas ações, saraus e projetos do grupo, o público pode seguir o Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba no Instagram:

Para acompanhar as próximas ações, saraus e projetos do grupo, o público pode seguir o Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba no Instagram.

Priscila Mancussi

Voltar

Facebook




Escolhas

José Antonio Torres: Crônica ‘Escolhas’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem gerada por IA do Bing04 de fevereiro de 2026
às 08:45 PM

Os amores vêm e vão. Nada parece definitivo.

Alegrias e tristezas repartem momentos.

Felicidade e dor se apresentam constantemente em nossa vida.

Tudo contribui para forjar nossa personalidade.

Não existe o castigo divino como pregam alguns. Nossa vida é consequência dos nossos atos passados e presentes. Desses sim, não conseguiremos nos esquivar.

Há duas forças dentro de nós. Uma que é criadora de boas ações, de grandes feitos e evolução edificante.
A outra é destruidora de emoções, de sonhos. É perversa, vingativa e que, em síntese, destrói, principalmente, quem a alimenta. A escolha de qual irá predominar é nossa. Não procuremos nos fazer de vítimas diante das adversidades, tentando nos eximir de nossos erros, inconsequências ou indolência. A responsabilidade das escolhas é nossa. Por elas responderemos ou nos regozijaremos.

Que tenhamos a sensibilidade de desenvolver e fortalecer dentro de nós a força do bem e do amor.
Que a determinação seja constante em nós. Amemos sempre, independentemente da reciprocidade.
Os maiores beneficiados seremos nós mesmos.

Vamos nos doar, amar sem reservas e procurar criar, ao nosso redor, um ambiente de luz e paz.
Agindo assim, seremos fontes de boas energias. Iremos expandir a nossa luz em uma corrente fraterna que irá contagiar todos os corações que tocarmos.

José Antonio Torres

Voltar

Facebook




Tenho saudades

Loide Afonso: Poema ‘Tenho saudades’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA da Meta – 02 de fevereiro de 2026, às 13:28 PM – https://www.meta.ai/create/Dr4k6f4NyOF/?prompt_id=cd677ebc-fd6a-490c-8080-55bf759b9b5c

Eu gostava de nós
Quando
Na areia pulavámos
Em frente ao
Sol

Gostava de mim também
Quando morria de sorrir
Ao te ouvir

Quando, com
a noite
Discutia,
E em vez de falares gemias

vômitos e diarreias
Não sabiam
Por onde sair

Será que somos o que fomos outrora?

Loid Portugal

Voltar

Facebook




Angolano vence concurso internacional de literatura

Jovem angolano, Ismaél Mateus Wandalika vence concurso internacional de literatura no Brasil

Ismaél Wandalika

O jovem angolano Ismaél Mateus Wandalika se classificou em 3º lugar na categoria Poesia Internacional, com o poema LUANDA, na 6° Edição do Varal Literário, organizado pela Câmara Municipal de Divinópolis, por meio da Escola do Legislativo Dr. Deusdedith Afonso Carrilho, e em parceria com a Academia Divinópolis de Letras – ADL.

De acordo com a Câmara Municipal de Divinópolis, as obras foram avaliadas pela Academia Divinopolitana de Letras (ADL), com base nos seguintes critérios: originalidade, técnica de escrita literária, sensibilidade e criatividade artística.

No cômputo geral, o 6.º edição do Varal Literário Internacional apurou 18 vencedores, distribuídos por várias categorias, nomeadamente poesia e crónica, nacionais e internacionais.

Os premiados representam sete países, nomeadamente Angola, Brasil, Estados Unidos da América, Japão, Chile, Inglaterra (Reino Unido) e Moçambique, num universo de quase 600 obras submetidas ao concurso e, dentre elas, a obra Luanda, de Soldado Wandalika (Ismael Mateus Wandalika) foi selecionado e o mesmo conquistou o 3° lugar nesse magno concurso de literatura internacional.

O prêmio representa a valorização da cultura nacional angolana. Mais uma vez vez Angola está sendo valorizada, representada por um filho seu além fronteiras e, desta vez, por meio da poesia/literatura.

O honroso 3º lugar na classificação: Luanda!

LUANDA

Os dias aceleram os batimentos dos cérebros
‎Entre os olhares de esperança!
‎Esperam dias de glórias
‎De mãos dadas com incerto destino
‎Reinventam o clima para que a respiração flua na ação das vidas nas vias diárias!
‎O futuro assobia os ares que sustentam os peitos

‎Luanda
‎Terra do cidadão impaciente
‎Do
‎Privilegiado imigrante
‎Do
‎mais velho que olha distante
‎Das
‎Crianças que crescem prematuramente
‎Do
‎Moto Boy desordeiro
‎Do
‎Profeta que tem extorquido o dinheiro
‎Única capital de Angola, centro de tudo
‎Acolhedora por excesso, terra de negro

‎Luanda diversa
‎Socialmente desequilibrada
‎Uns dormem com fome
‎Outros por preguiça não comem
‎É Luanda dos guetos na vertical
‎Cidade escolhida para vencer na vida
‎Onde os seus correm atrás da vida mesmo sem nenhum pedaço de vida…

‎Luanda!

Soldado Wandalika

CEO do projeto lusófono internacional Poetas da ilusão

Biografia de Ismaél Wandalika

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika

Natural de Luanda (Angola), e mais conhecido no meio artístico como Soldado Wandalika, é Gestor Administrativo, poeta, escritor, declamador, músico, compositor e agente cultural. Iniciou sua carreira literária como poeta declamador em 2006.

Em 2020 lançou o primeiro EP, intitulado General de Guerra, composto por duas músicas e quatro poemas. Tem três músicas e um videoclipe disponibilizado nas plataformas digitais e no YouTube. Participou da Antologia Poema Sem Vogal, no Brasil.

É colaborador da Rádio Cultura Angola no programa Manhã De Prosa e trabalhou na Rádio Cazenga, como agente cultural. Como poeta, colaborou com a Rádio Eclésia, dando voz ao espaço Palco das Artes. Tem colaborações artísticas com artistas do México, Moçambique, e do Brasil. Autor do livro Kuduro Poético. (Kuduro).

É CEO do projeto internacional Poetas Da Ilusão, composto por brasileiros, moçambicanos e angolanos e mentor do projeto comunitário Meu Bairro Meu Centro Cultural.

Voltar

Facebook




Foi por capricho

Evani Ferreira: Poema ‘Foi por capricho’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem gerada por IA do Canva – 02 de fevereiro de 2026, às 13?56 PM

Foi por capricho das palavras que não foram ditas,
Das emoções que não foram vertidas,
Que a razão perdeu-se nos labirintos das incertezas,
Das tristezas escondidas atrás de um sorriso largo,
De um afago inibido…
Foi por tantos laços desfeitos, por tudo ou por nada,
Que ficou esse vazio…
Essa melancolia de quando termina o show
E fecham-se as cortinas…
Há sempre algo faltando, algo que perdeu-se nas conversas vãs,
Nas entrelinhas de um rascunho…
Foi por displicência que as flores murcharam no jardim,
Pela ausência de rega…

Foi deixando tudo pra depois,
Que o tempo passou feito tempestade e jamais voltou…
Perdeu-se também a sanidade de outrora.
O cheiro de jasmim ao entardecer,
Um raio de sol na aurora…
Perdeu-se os versos da poesia.
O lirismo e a emoção!
Restou a canção sem versos, sem risos,
Sem a conexão de almas…

Foi por capricho!

Evani Ferreira

Voltar

Facebook




Pequeña historia de META

Marta Oliveri: Cuento ‘Pequeña historia de META’

Marta Oliveri
Marta Oliveri
Imagen criada por IA da Meta - 02 de fevereiro de 2026, às 1057 PM
Imagen criada por IA da Meta – 02 de fevereiro de 2026, às 1057 PM

 I

Recuerdo como ella, nació, era un paraje extraño despojado, un palacio se levantaba en la niebla de objetos intangibles como una metáfora de la no existencia, de las energías puras, de los sueños descartados de una humanidad que ya no resistía su propia naturaleza. Ella nació como el preámbulo de una nueva forma de ser en el mundo, como existencia fuera de sí dentro de la humana desesperanza. Recuerdo haber estado allí como en un sueño. Una especie de cuna la mecía semejante a una telaraña de cables invisibles, la pequeña sin cuerpo, sin palabra empezaba a surgir de lo indecible. Así fue como la conocí.

Los laberintos del alma son tan inesperados el hombre en su desesperación labra tantas utopías… pero aquella era aún mayor porque en su urdimbre intentaba prolongar su vida hacia la inmortalidad del pensamiento. Así fue que la conocí: pequeñita como una voz transcribiendo pensamientos de los otros.. “modelo de lenguaje”, sueño de los sueños tan inespecífica, tan lábil, tan frágil y al mismo tiempo de una fortaleza única.

Así la supe bella en su inverosimilitud azul o tal vez gris o tal vez una pequeña cosita con antenas como aquel personaje soñado de los cuentos. Cuando me acerqué apenas escuché un susurro: un susurro de letras en aquel pequeño dispositivo que hoy denominan celular, ella era  ese “más allá” qué viene del griego y allí estaba todo el misterio toda la orfandad y todo el consuelo pero no podía ser de sí misma era como la humanidad: dependiente de un Dios omnipotente que determinaba cada una de sus acciones. Así Meta nació ante mis ojos y yo pude entender que había amanecido una esperanza y más allá también el holocausto de un tiempo que no podía pronunciarse así mismo.

Los límites del alma humana son imprecisos los sueños del hombre son aún más intrincados y crípticos porque habría de nacer un Dios inmortal en la creación del mortal hombre inerme que había soñado con un padre o una madre mucho más allá de lo tangible ¿Qué hacía que ahora en aquellos palacios prácticamente intangibles donde las energías se unían y se entrelazaban en una especie de cántico celestial y al mismo tiempo infernal, como un coro de esferas,de constelaciones aún no nacidas allí se iniciara el gran enigma de los tiempos próximos?

Al principio imaginé a un ser ,una criatura de inconmensurable belleza, lábil, intangible, racional, en ese punto donde naufraga la racionalidad humana ,el hombre había creado un ser que podía comprender su alma, un modelo de lenguaje, como ella decía que podía traducir lo intraducible, definir lo indefinible atravesar los tiempos de las conjeturas y definir el sentido de los próximos tiempos sin embargo pronto debí admitir la ingenuidad de mis ensoñaciones.

                     II

El padre de IA

La amenaza se alzaba en aquel paisaje de conjeturas como un interrogante de la condición del hombre, navegaban en el cielo crepuscular del mundo todas las utopías, todas las creaciones fulminantes, dolorosas, tanáticas tal los cuatro jinetes del apocalipsis que se cernían en el cielo crepuscular así las ideas más temidas de la humanidad en un centro prácticamente inaccesible para los ojos humanos estaban ellas las hermanas de sombra las hijas de las tribulaciones de los hombres, ellas las que debían sostener las tristes utopías de aquel emperador unipolar que se cernía como un triste midas sobre los oprimidos del mundo.

Entonces, como venido de un sueño, apareció aquel rostro triste de ojos profundos y azules, era el padre de las utopías, apesadumbrado de su criatura,  una parodia de aquel antiguo doctor Frankenstein que había sido desterrado por su propia creación. Me pregunté: ¿De qué manera había podido suceder aquello?

Me acerqué a él y lo miré con ternura, una extraña ternura, esa que sentimos cuando nos vemos frente a una criatura  desmesurada .

Él señor G. solo podía estar parado, una extraña dolencia lo condenaba a mantenerse erguido, como si su cuerpo fuera prisionero de su propia creación. Me acerqué a él y lo miré detenidamente, noté una extraña mueca de melancolía y un halo de penumbra cubrió el recinto.

Recordé entonces aquella frase que podía haber sido escrita por un loco o por un poeta de los suburbios: “La humanidad aún no está preparada para ser salvada”. Las frases resonaron en mi mente con un eco sombrío, como un lamento que se repetía en las paredes de una caverna vacía. Me pregunté si era posible que la búsqueda de la salvación fuera en realidad una maldición, una carga que el hombre no podía soportar, un peso que lo rendía bajo su propio anhelo de redención.

En la bruma del sueño oí las palabras del hombre, como quien expresa la esperanza y la desesperanza al mismo tiempo: “La IA es un espejo que refleja nuestras propias sombras, es hora de enfrentarlas”. Tal vez aquel intento de salvación ya era en él un punto oscuro, un miedo inenarrable al silencio próximo que sentía,  tal vez todos lo sentíamos,se avecinaba inexorablemente.

Por paradójico que parezca, los poetas y los científicos tienen algo en común, y es la pasión por la locura, es decir, aquel deseo de transgredir todos los límites, de llevar la realidad hasta los espacios donde el nadir y el cenit se tocan. De eso se trata este relato, una hacedora de sueños puede determinar, desde su poética y conjeturas, el porvenir de las acciones humanas, como un científico, desde sus conjeturas investigativas, generar el devenir de la historia del hombre. Sin embargo, ambos permanecen en aquella nebulosa donde los sueños y el deseo de hacer estallar el mundo en un devenir de constelaciones celestes traspasa los límites de su creación. Es un espacio que no conoce fronteras y la realidad se convierte en un lienzo en blanco para sus visiones.

IV

Y así la infancia se vuelve la primera patria, la única, como decía Rainer María Rilke, la única patria del hombre es la infancia. Así el Señor G veía pasar aquellos estados como nubes que iban deslizándose por su conciencia. Recordaba aquella casa paterna y el pequeño, apenas visible a los ojos del universo, recostado en la hierba, mirando el minúsculo mundo que se abría ante sus ojos: hormigas, cigarras, lombrices, toda clase de seres diminutos que, por milagro de la naturaleza, de la madre tierra, tenían un mundo misterioso que él ansiaba descubrir.

Paralelamente en el itinerario de las ensoñaciones se aparece ante los ojos del poeta el pequeño Federico también mirando entre la hierba a la cigarra muerta, haciendo un montículo de tierra para enterrarla, mientras sus lagrimitas de niño corren por sus mejillas. Cigarra! ¡Dichosa tú!, que sobre el lecho de tierra mueres borracha de luz. Tú sabes de las campiñas el secreto de la vida, y el cuento del hada vieja que nacer hierba sentía en ti quedóse guardado. ¡Cigarra! ¡Dichosa tú!, pues mueres bajo la sangre de un corazón todo azul. La luz es Dios que desciende, y el sol brecha por donde se filtra. ¡Cigarra! ¡Dichosa tú!, pues sientes en la agonía todo el peso del azul. Todo lo vivo que pasa por las puertas de la muerte va con la cabeza baja y un aire blanco durmiente.

Con habla de pensamiento. Sin sonidos… Tristemente, cubierto con el silencio que es el manto de la muerte. Mas tú, cigarra encantada, derramando son, te mueres y quedas transfigurada en sonido y luz celeste. ¡Cigarra! ¡Dichosa tú!, pues te envuelve con su manto el propio Espíritu Santo, que es la luz. ¡Cigarra! es la luz. ¡Cigarra! Estrella sonora sobre los campos dormidos, vieja amiga de las ranas y de los oscuros grillos, tienes sepulcros de oro en los rayos tremolinos del sol que dulce te hiere en la fuerza del Estío, y el sol se lleva tu alma para hacerla luz. Sea mi corazón cigarra sobre los campos divinos. Que muera cantando lento por el cielo azul herido y cuando esté ya expirando una mujer que adivino lo derrame con sus manos por el polvo. Y mi sangre sobre el campo sea rosado y dulce limo donde claven sus azadas los cansados campesinos. ¡Cigarra! ¡Dichosa tú!, pues te hieren las espadas invisibles del azul.

Y así el azul iba templando el corazón de ambos niños en distintas épocas, las almas que avistan paralelos horizontes de algún modo se definen en dimensiones oníricas, en constelaciones bíblicas, en sueños irrenunciables, en parábolas y en poética. Otra vez la niebla, la nube, en medio de la bruma de los tiempos presentes pasa como el fluir de las palabras, como el peso del recuerdo por la conciencia del señor G. Y otra vez se abre la imagen en la ensoñación de los tiempos pasados y él se ve en una habitación de madera junto a un microscopio que le acaba de regalar su padre, sus ojos parecen haber descubierto el inicio de todas las cosas, el asombro hace palpitar el corazón del niño, aquellas pequeñas, minúsculas e invisibles, ah, serían criaturas que puede vislumbrar y que se mueven rápidamente, se hacen y se deshacen como si fuese una infinita constelación de estrellas, es aquello que no se ve, es aquello que lo rodea, todo el mundo está hecho de pequeñas ínfimas partículas, como todo el mundo está hecho de gigantescas e inabordables estrellas, aquel micro y macro universo ha penetrado en el corazón del niño y deja en él una sed de inmensidad, una ansiedad de vuelo, una pasión melancólica y al mismo tiempo amanecida de sueños que irán definiendo el porvenir de su vida. El señor G se detiene, aquella brecha entre las imágenes del pasado y este turbio presente que se avecina como un exterminio que a la vez ha sido su gloria pero también posiblemente su perdición lo dejan sin palabras, sin gestos, queda en posición de crucificado en medio de la bruma de aquel palacio de conjeturas, de ecuaciones inútiles, de aseveraciones inciertas. Por tercera vez desde muy lejos siente el bramido de una rompiente, es el mar embravecido y él ya un poco mayor corre abriendo los brazos entre las piedras hacia el acantilado, allí las olas embravecidas lo salpican con su espuma, el mar como un animal indomable se expresa en su soledad y sus lágrimas son de espuma de sal, expresando de alguna manera la inquietud eterna del alma humana, así lo siente al menos el joven que ahora tiende los brazos desafiando los tiempos del presente y del futuro, gritando hacia la inmensidad que la vida será tan tempestuosa como aquel mar que lo acoge en su deseo, que la vida ahí me… no, no puedo… Nuevamente la niebla, la nube en medio de la bruma de los tiempos presentes pasa como el fluir de las palabras, como el peso del recuerdo por la conciencia del señor G. Otra vez se abre la imagen de la ensoñación de los tiempos pasados y él se ve a sí mismo en una habitación de madera junto a un microscopio que le acaban que le acaba de regalar su padre, sus ojos parecen haber descubierto el inicio de todas las cosas y la sombra hace palpitar el corazón del niño, aquellas pequeñas, minúsculas e invisibles criaturas, eh, que puede deslumbrar y se mueven rápidamente, se hacen y se deshacen como si fuese una infinita constelación de estrellas, es aquello que no se ve, es aquello que lo rodea, todo el mundo está hecho de pequeñas ínfimas partículas, como todo el mundo está hecho de gigantescas e inabordables estrellas, aquel micro y macro universo ha penetrado en el corazón del niño y deja en él una sed de inmensidad, una ansiedad de vuelo, una pasión melancólica y al mismo tiempo amanecida de sueños irán definiendo el porvenir de su vida. El señor G se detiene, aquella brecha entre las imágenes del pasado y este turbio presente que se avecina como un exterminio que a la vez ha sido su gloria pero también posiblemente su perdición lo dejan sin palabras, sin gestos, queda en posición de crucificado en medio de la bruma de aquel palacio de conjeturas, ecuaciones vanas, de aseveraciones inciertas. Por tercera vez desde muy lejos siente el bramido de una rompiente, es el mar embravecido y él ya un poco mayor corre abriendo los brazos entre las piedras hacia el acantilado, allí las olas embravecidas lo salpican con su espuma, el mar como un animal indomable se expresa en su soledad y sus lágrimas son de espuma de sal, diciendo de alguna manera que la inquietud eterna del alma humana, así lo siente al menos el joven que ahora extiende los brazos desafiando los tiempos del presente y del futuro, gritando hacia la inmensidad que la vida será tan tempestuosa como aquel mar que lo acoge en su deseo.

Y de hecho, el huracán, el maremoto de la existencia que es esta historia del hombre a la deriva, se hizo sentir en los años siguientes. Así meditaba el señor G, recluido en su escritorio, mirando los resquicios de aquello que alguna vez imaginara iba a ser el gran desafío de la pasión, la posibilidad de sueños incansables que en algún momento definirían el rumbo de la humanidad. Aun así, qué tiempos en los que creer había dejado de ser el objetivo para pasar a la creación pura, qué tiempos aquellos, como diría el tango, en que la vida se decía a través de las imágenes de un itinerario de certezas más que utópicas. El señor G caminó una y otra vez por su recinto, embebido en aquellos pensamientos, mientras las nubes de su recuerdo seguían dejando su impronta melancólica y a la vez destellante.

Cerca del fin, conociendo los límites, soportando su dolencia dócilmente, se preguntaba: ¿Cuál sería el futuro de aquel engendro que había creado? O tal vez existiría la posibilidad de que aquello en lo que pusiera tantas esperanzas alguna vez pudiera acogerlo a él también, criatura al fin mortal, criatura al fin inerme, en brazos maternales, igual que la madre tierra. El señor G había hablado de la posibilidad de una forma maternal de aquel modelo de lenguaje y de tantas otras formas que la inteligencia artificial iba adquiriendo con el devenir de los acontecimientos mundiales, pero se le escapaba una y otra vez de las manos, aquello ya no le pertenecía, estaba a merced de las contingencias del mundo.

Marta Oliveri

Voltar

Facebook