Alternâncias

Eliana Hoenhe Pereira: Poema ‘Alternâncias’

Eliana Hoenhe Pereira
Eliana Hoenhe Pereira
Pôr do Sol em Jericoacoara, por Eliana Hoenhe, pr Eliana H. Pereira
Pôr do Sol em Jericoacoara, por Eliana Hoenhe, pr Eliana H. Pereira

Há dias em que me viro do avesso;

em outros, parece que mudei de endereço

como o Sol e as suas alternâncias 

Contudo, sempre fica um rastro de esperança.

Há dias iluminados e outros desbotados.

Encantos com encontros,

Desencantos com os desencontros

entre chegadas e partidas.

O mar que às vezes agita

é o mesmo capaz de trazer a paz infinita.

A vida é para ser vivida

e não compreendida.

Vamos rodopiando conforme o compasso

ao acaso. 

Eliana Hoenhe Pereira

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Era uma vez

Evani Rocha: Poema ‘Era uma vez’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem gerada por IA do Gencraft, em 06 de março de 2025, às 8h.

Era uma vez um diário
Preenchido todo à mão
Caneta esferográfica
Com toda dedicação

Era aula após aula,
Era dia após dia
Era o bimestre inteiro
Sem rasura, sem borrão

Era uma vez uma escola
Feito campinho de bola
Das risadas no recreio
Da merenda saborosa

Era uma vez um estudante
Comprometido e educado
Sapato preto nos pés
E uniforme bem-passado

O livro encapado à mão
O caderno caprichado
Na memória a tabuada
E as respostas da lição.

Era uma vez um bom mestre
Experiente e exigente
Caxias ou mentor
Quadro negro e giz de pó

Era o mestre professor
Tabuada, cálculos e textos
Todos os tempos verbais
As quatro operações
Em aulas tradicionais?

Formavam-se outros mestres:
Professores, Advogados,
Engenheiros e médicos –
Competentes profissionais.

Era uma vez uma educação
Presenças, faltas e provas
Questionários e tarefas
Direito e obrigação?

Era uma vez um salário:
Da saliva ao pó de giz,
Do diário de papel,
Do ensino tradicional,
De valor profissional?

Evani Rocha




Mulher que escreve a vida

Ella Dominici: Poema ‘Mulher que escreve a vida’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem gerada por IA no Bing – 06 de março de 2025,
às 19:32 PM

Ela não escreve apenas com palavras. Escreve com a alma, com a pele, com o olhar que
atravessa as certezas e vê o mundo em camadas. A mulher que mantém o espírito
vivificado não se contenta com verdades prontas. Ela busca, questiona, relê a existência em
cada amanhecer.

Ama a literatura porque sabe que nela pulsa a essência humana — frágil, contraditória, mas
sempre em busca de sentido. Para ela, o conhecimento não é um fardo, mas um farol. Não
é um luxo, mas uma necessidade. Na sua escrita, a poesia não é enfeite, mas força, um
gesto de resistência contra o cinismo e o dogmatismo.

Ela não invalida o saber acadêmico nem se curva à frieza dos fatos. Pelo contrário, sua
inteligência é ponte, sua sensibilidade é bússola. Quer iluminar caminhos, tocar os céticos
com a beleza do verbo, suavizar a rigidez dos pragmáticos com a sutileza da metáfora.
Sabe que o autoritarismo teme a poesia porque a poesia ensina a pensar. E quem pensa,
liberta-se.

No íntimo, carrega um rio divino, uma força que transborda em gestos, em palavras, em
atos de humanidade. Tem amor-próprio sem ser vaidosa, coragem sem ser impositiva. Sabe
que a verdadeira revolução não se faz no grito, mas na palavra que cala fundo e transforma.

Ela é visionária não porque prevê o futuro, mas porque o constrói. Sua missão é conciliar,
sem abrir mão do essencial. Inspirar, sem perder a firmeza. Tocar o coração do mundo sem
deixar de lado a razão. Escrever, porque sabe que a palavra é semente e, um dia, floresce.

Ela Dominici

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Comenda Monarca Intelectual das Ciências, Letras e Artes

D. Pedro II, monarca brasileiro que se destacou por sua intelectualidade, sendo considerado um dos soberanos mais cultos de sua época

Por meio do Decreto Acadêmico 0228.003/2025 – FEBACLA, o presidente da FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS ACADÊMICOS DAS CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES – FEBACLA, no uso de suas atribuições regimentais e estatutárias, estabeleceu na data de 28/02/2025 a criação da COMENDA MONARCA INTELECTUAL DAS CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES

De acordo com historiadores, Dom Pedro II sempre sonhou em governar um país progressista, liberto e rico culturalmente. Para realizar seu desejo, entrou em contato com cientistas, literatos e sábios europeus, como aponta a obra Dom Pedro II na Alemanha: Uma amizade tradicional, de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança.

Para aprimorar seus conhecimentos, viajou para a Alemanha, após 30 anos de governo, com o objetivo de compreender as inovações desenvolvidas em diferentes áreas, como na agricultura e na cultura. Em geral, o imperador buscava técnicas que pudessem aprimorar e beneficiar o Brasil.

Dom Pedro II foi um amante da cultura e da educação, e investiu muito para promover esses valores no Brasil.

Reformou o Ensino Superior, criou escolas técnicas e profissionalizantes, apoiou a Escola Imperial de Belas Artes, autorizou a criação da primeira instituição para alunos surdos no Brasil, criou o Colégio Pedro II, que serviu de modelo para outras escolas no país, concedeu bolsas de estudo para brasileiros frequentarem universidades, escolas de arte e conservatórios musicais na Europa.

Durante o seu reinado que durou de 1831 a 1889, foi um período muito importante para a cultura brasileira. O imperador era um grande amante das artes e incentivou diversos artistas a se destacarem em suas áreas. Esse apoio resultou em um florescimento cultural que ainda é lembrado até hoje.

Além de carismático estadista, revelou-se um mecenas da produção artística e literária no Brasil. Dom Pedro II incentivou a cultura brasileira, através da Educação, das Artes, da Ciência e das Exposições.

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Thomas

Loide Afonso: Poema ‘Thomas’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do Bing - 05 de março de 2025,
 às 09:25 PM
Imagem criada por IA do Bing – 05 de março de 2025,
às 09:25 PM

Seco e preto
E um pouco cinzento
É a cor
Do seu perfil

Mudo
Doce
Frio
E escondido, também

É como se ele fosse
O tudo
No meio de todos
E o nada, também

Gosta de viajar
Diz que a sua voz
É feia
Fá-lo a gaguejar

Dorme entre livros
Some
Come
Se alimenta de palavras

É tímido, doce
Um pouco agridoce
Médio
E sozinho

Tem medo de nada
Corre
Anda
Foge da manada

É poliglota
Tem um português arranjado
E está sempre bem trajado

Olhou com calma
Uma alma nua
Crua
Calva
E adocicada

Ele é.

Loid Portugal

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A voz do amor

Cláudia Lundgren: Poema ‘A voz do amor’

Claudia Lundgren
Foto do arquivo de Cláudia Lundgren
Foto do arquivo de Cláudia Lundgren

Meu peito, tumba lacrada,
onde jazia meu frio coração,
morto para vis paixões
ou qualquer ilusória emoção.

No ataúde, rigidez cadavérica,
arroxeado, já quase decomposto,
não pulsava por olhares sedutores
e nem por palavras homéricas.

Gélido, para quem não era verdade;
revestido por monsenhores,
exalando o perfume da morte
ao menor sinal de falsidade

Um dia, escutou uma voz,
e despertado foi do torpor;
para trás olhou, batendo veloz,
mal sabia que era o amor.

Ao olhar nos seus olhos,
ouvi dizer que me amava;
escutei ‘infinito’, ‘eternidade’,
sem que ao menos emitisse uma palavra

No calor de suas mãos,
um sentimento genuíno;
no seu abraço, no seu beijo, a confirmação;
no meu peito, um coração vivente

– a certeza de que seria para sempre.

Claudia Lundgren

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Minha criança interior

Nilza Murakawa: Poema ‘Minha criança interior’

Nilza Murakawa
Nilza Murakawa
Imagem gerada por IA no Bing –  06 de março de 2025
às 9:33 PM

Cantei a canção criança
Guardada na memória
Beijei flores, lambi doces
Redesenhei uma história

Borrei as unhas rosas
Chorei o choro sentido
Sujei meu vestido rodado
Aquietei um sonho reprimido

Respiro…
Respiro…
Sem pressa, respiro…

Lá está minha menina
De joelho ralado
Segurando margaridas
Com todo cuidado

Rodopia na chuva
Patina na lama
Faz sua casinha
Em cima da grama

Para quê sapatos
E lápis coloridos
Se pisa em nuvens
Contemplando céus tingidos?

Ah, minha criança…
Reconheci-a de longe

Respiro…
Respiro…
Sem pressa, respiro…

Ajoelho-me diante dela
Acolho-a em meus braços
Dou-lhe colo quente
E a recomponho novamente

Retiro-lhe os espinhos de rosa
Curo-lhe a ferida
Com sopros mornos
De mãe amorosa

Depois de um abraço apertado
Da minha criança bem cuidada
Solto-a do nó tão atado
E deixo-a ir brincar

Canto a canção criança
E respiro…
Respiro com leveza

O coração da menina
Que brinca na garoa fina
Bate feliz em mim
Estamos seguras agora

Nilza Murakawa

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