A Baronesinha Vai à Escola

Você é um escritor visionário, um contador de histórias encantador ou um poeta inspirador?

Card do projeto 'A Baronesinha Vai à Escola'
Card do projeto ‘A Baronesinha Vai à Escola’

Se você é um escritor visionário, um contador de histórias encantador ou um poeta inspirador, então se prepare para uma aventura única! O Sítio do Pica-pau Amarelo, em Taubaté (SP), lança um convite especial para se juntar ao projeto ‘A Baronesinha Vai à Escola‘.

Sobre o Projeto
Nossa missão é levar literatura de qualidade para as salas de aula, inspirando jovens leitores e educadores. Seu texto será transformado em um material educativo inovador, com ilustrações para colorir, tornando a aprendizagem uma experiência divertida e interativa.

Regulamento
Tema: Livre (microcontos, fábulas, poesias).

Tamanho do texto: 1 lauda em A5 (Times 12). Textos acima de 2 laudas terão cobrança extra.

Biografia e foto: Envie uma foto e biografia (máximo 5 linhas) para divulgação.

• Benefícios:
– Seu texto será levado para escolas.

– Exposição da sua participação no evento no Sítio do Pica-pau Amarelo.

– Certificado digital de participação.

• Taxa de adesão: Possibilidade de pagamento em 2 parcelas e no cartão de crédito.

Como Participar
Para mais informações e inscrições, entre em contato:
(21) 99364-5607
https://wa.me/message/JHL6OCC5EHNUF1

Aguardamos sua participação! 

Voltar

Facebook




Cavalgando lembranças

Ella Dominici: Poema ‘Cavalgando lembranças’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA o Bing – 28 de fevereiro de 2025,
às 07:38 PM

Parte I
Cavalgando lembranças

vem galopando, dois nos prados
no verdume do pasto galgar afável
olhos fixos na imagem-passado
gestos cênicos e acidentais

vem galopando, dois nos fatos
veem esplêndidas cortinas do amável
vividos em beijos dourados
abrindo-se entre atos e seus anais

no galope cavalgado doçura e ardência
ritmado com o choque gentil do contato
chão duro acompanha o corpo maleável
dançam amazona e alazão

compassados galopando dorso
na paixão cênica abrem vistas
palco arrebata em furacão
cavalo árabe e odalisca

Parte II
Palco de leves prazeres

palco de um amor intenso e hábil
‘vraissemblances’ em dizeres meigos
dão lugar a gestos d’espontaneidade

em cênico romance e seus lampejos
‘bienveillances’ nada mais são que as vontades

impensantes do amadíssimo desejo
quem tem mais entusiasmo
o animal que galopa encantado
em passeio no valado qu’ é demais…

ou quem ama a indelével lembrança
dos dois em volúpia do galgar
e o simples desejar o satisfaz?

Ella Dominici

Voltar

Facebook




A fantasia humana no surrealismo de David Lynch

Marcus Hemerly

‘Uma história real: a fantasia humana no surrealismo de
David Lynch’

Marcus Hemerly
Marcus Hemerly
flyer da coluna Cinema em Tela:  'Uma história real: a fantasia humana no surrealismo de David Lynch'
Flyer da coluna Cinema em Tela: ‘Uma história real: a fantasia humana no surrealismo de David Lynch’

“Todos os filmes são sobre mundos estranhos que você não pode entrar a não ser que você os construa e filme-os. É isso que considero o mais importante em relação aos filmes.
Eu apenas gosto de entrar em mundos estranhos”. (David Lynch)

No filme ‘Uma história real’, (1999), título pouco conhecido do diretor David Lynch, aclamado por suas obras surrealistas em viés, não raro, mais excêntrico, e pelo clássico seriado Twin Peaks, conhecemos a história de Alvin Straight (Richard Farnsworth). Sexagenário de saúde frágil, a despeito de sua obstinação ferrenha, que vive com sua filha Rose (Sissy Spacek), em Laurens, Iowa. Logo no início do filme, percebemos as dificuldades diárias que o núcleo familiar enfrenta, em que pese sua comovente sensibilidade e harmonia, inclusive em relação à comunidade. Querido pelos amigos e vizinhos, é um típico old school man, que aceita com resiliência seu destino iminente.

A partir da notícia de que seu irmão com quem não falava há vários, havia sofrido um derrame, o debilitado idoso decide partir para um reencontro fraternal, de forma ao mesmo tempo impulsiva e resoluta. Como não possui condições de dirigir um carro, decide cruzar uma longa viagem entre estados, deslocando-se em um cortador de grama motorizado. A ideia que parece num primeiro momento tão surreal como os filmes comumente dirigidos por Lynch, revela-se um feito a curtos e vagarosos passos, mas com determinação de gigante. No caminho, Alvin contrapõe as vicissitudes mais simples e as mais incisivas, conversa com outras pessoas da terceira idade e jovens em busca de ensinamentos. A partir de sua experiência, pratica boas ações e, algumas vezes, é destinatário delas, seja por um novo modo de olhar o mundo, seja pela reafirmação de suas imutáveis mazelas.

Uma interpretação forte, qualificada como uma das melhores da carreira de Farnsworth, já doente à época, inclusive, em estado terminal, ele se mataria poucos meses após completar a finalização do filme. Entre um trecho e outro de sua jornada, Alvin interage com diferentes tipos de pessoas, ao passo que uma família se compadece com sua perseverança e oferece-lhe ajuda; no entanto, como que numa missão autoimposta, segue caminho em seu veículo rudimentar, talvez, inconscientemente buscando expiação, não apenas de seu relacionamento turbulento com o irmão, agora enfermo, mas consigo próprio diante de decisões miradas em retrospecto.

Próximo ao final da película, em uma sensível cena num bar, apesar de o valente protagonista não mais consumir álcool, o veterano de guerra partilha um  momento traumático de suas incursões militares a um desconhecido, novamente, sinalizando, ou nos propiciando, uma visão de que mesmo seguindo em frente, a vida lhe foi dura, e ainda o é. O comovente desfecho, minimalista, aliás, como todo o filme, evoca na sensibilidade e empatia com o espectador – afinal, trata-se da história de um homem comum – os traços de uma produção forte e representante da forma mais pura de cinema. 

Desde clássicos contemporâneos como ‘O Homem Elefante’, ‘Veludo Azul’, ‘Duna’ e ‘Império dos Sonhos’, populares na filmografia de David Lynch, recentemente falecido, com ‘Um História Real’, (The Straight Story), de fato baseado em um caso verídico ocorrido em 1994, deparamo-nos com a versatilidade de um grande realizador, que brinda os fãs da sétima arte com um singelo e ao mesmo tempo poderoso road movie. 

O drama humano parece, e reiteramos, apenas parece, perdido em meio ao surrealismo característica do diretor, em sua grande maioria incutido nas tramas policiais ou neo noir. No entanto, esse ‘olhar’  está sempre presente; para quem tem olhos para ver e sentimentos para apreciar.

Marcus Hemerly

Voltar

Facebook




Nudez invisível

Loide Afonso: ‘Nudez invisível’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA no Bing – 28 de fevereiro de 2025,
às 00:09 AM

Você me vê
A sorrir
Na TV
Rádio
E aí pensa: ela está bem, já superou.

Rsrs eu também
Pensava assim
Quando
Via minhas
Celebridades favoritas
Na mesma situação

Mas calma aí, ainda sou sua celebridade favorita?

Entre idas
E vindas

Cortes
E colas

Ofensas
E desculpas

Eu ainda não me curei
Dei conta
Ontem quando
Me deitei

Sangrei
Praguejei
Meu sangue escorreu
Limpei

Olhei pra passado
E lembrei
Que você me
Acolheu

Beijou
Bateu
Desprezou
Mesmo amando

Descordenadamente
Ferrou minha mente
E saiu de fininho
E agora quem canta no seu ninho?

Estou vazia, crua
Despida
Suja
Doida
Desmiolada
Vem me ser meu verão, de novo.

Loid Portugal

Voltar

Facebook




A arte da pontuação

Fidel Fernando

‘A arte da pontuação: uma necessidade em tempos de expressão’

Fidel Fernando
Fidel Fernando
Imagem gerada por IA do Bing – 14 de Fevereiro de 2025, às 16:36 PM
Imagem gerada por IA do Bing – 14 de fevereiro de 2025, às 16:36 PM

Pontuar é uma arte que vai muito além das regras fixas que, muitas vezes, encontramos nos compêndios gramaticais. A vírgula, o ponto e vírgula, o ponto final e outros sinais de pontuação formam um sistema complexo que molda e orienta a leitura. No entanto, pontuar exige mais do que obedecer às normas; é um exercício de empatia, onde o autor se coloca no lugar do leitor, ajustando a pontuação ao género textual e à mensagem que deseja transmitir.

Essa abordagem alerta-nos para a ideia de que cada género textual escolhe, por assim dizer, seus próprios sinais de pontuação. Numa fábula, por exemplo, a pontuação ajuda a dar vida às falas dos personagens e à cadência da narrativa. Já numa agenda de reunião, cada ponto ou ponto e vírgula mantém a clareza das informações. Como observam Leal e Guimarães em ʻPor Que é Tão difícil Ensinar a Pontuar?ʼ, o acto de pontuar vai além de um simples conjunto de normas, requerendo sensibilidade para adaptar o texto ao género e ao contexto.

A necessidade de pontuar conforme a norma é clara, pois ela garante uma comunicação precisa. Entretanto, como argumenta Luft em ʻA vírgula: Considerações sobre o Seu Ensino e Empregoʼ, devemos ter cuidado para não aprisionar o uso da pontuação a uma norma engessada. Para ele, pontuar é também uma questão de estilo e de intenção comunicativa. Cada escolha de pontuação influencia o ritmo, a expressividade e até a interpretação do texto. Por isso, ele propõe que os professores incentivem seus alunos a experimentarem as várias possibilidades que a pontuação oferece, sem ignorar a norma, mas também sem sufocar a liberdade expressiva.

Assim, pontuar não é um processo mecânico; é uma forma de diálogo com o leitor, onde cada sinal tem um papel crucial na construção da mensagem. O autor, ao escolher onde inserir uma pausa ou onde terminar uma ideia, precisa considerar o leitor como um interlocutor activo – o que Bakhtin chamaria de ʻalteridadeʼem sua análise sobre os géneros do discurso. A comunicação eficaz passa, portanto, por entender que pontuar sob uma perspectiva apenas normativa desconsidera o facto de que diferentes tipos de texto –uma narrativa, um relatório técnico, ou uma crónica como esta – exigem tratamentos distintos.

No entanto, é importante alertar para os riscos de pontuar puramente por intuição ou por uma ʻsensaçãoʼ de onde devem estar as pausas. A intuição é válida, mas precisa ser acompanhada pelo conhecimento dos critérios gramaticais e contextuais. Caso contrário, corremos o risco de criar frases ambíguas, que dificultam a compreensão, algo que Garcia aborda em ʻComunicação em Prosa Modernaʼ, defendendo que a pontuação precisa sempre guiar a clareza da leitura e ser fundamentada em uma visão que une norma e estilo.

Sobre o estilo de pontuar, observa-se o caso de Saramago, que confere à vírgula, nas suas obras, várias funções. O autor dá novos significados à vírgula, substituindo, deste modo, outros sinais de pontuação: o travessão, o ponto de interrogação e o ponto de exclamação. Neste aspecto, concordamos com Vieira et al., para quem “a literatura de Saramago é inovadora pela maneira de narrar e pela pluralidade de usos da vírgula”.  

Portanto, a arte da pontuação é, em última análise, um exercício de equilíbrio. Urge aprender a pontuar conforme as normas, mas não devemos esquecer que essas normas servem como ferramentas para enriquecer a expressividade do texto. A pontuação é a voz do autor no papel, a pausa e a respiração do texto, e deve ser usada com técnica, mas também com arte. Afinal, pontuar não é apenas uma questão de seguir regras, é uma forma de nos fazer compreender melhor – e essa é, sem dúvida, a maior responsabilidade de quem escreve um texto.

Fidel Fernando





Livro a folhear

Irene da Rocha: Poema ‘Livro a folhear’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA no Bing – 26 de fevereiro de 2025,
às 15:48 PM

Num dia frio, um livro a folhear,
Na brisa leve, o eco do teu riso,
O tempo é gelo, o céu escuro e indeciso,
Sem teu calor, não sei como esperar.

Teu nome vaga em sombras a dançar,
Na solidão, meu peito agonizando,
Em cada linha, um sonho delineando,
No qual me perco, só para te amar.

Se estás distante, invento-te em cor,
Desenho estrelas, traço teu olhar,
Nos céus te vejo, fonte do meu ardor.

E se no vento escuto te chamar,
É que minh’alma clama pelo amor,
E a tua volta vem me iluminar.

Irene da Rocha

Voltar

Facebook




Professor

José Ngola Carlos

Professor: ‘uma subclasse de políticos inferiores na educação’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA no Bing – 25 de fevereiro de 2025,
às 15:24 PM

A história da educação revela que o processo educativo começou como um fenómeno comunal no qual a educação era ministrada pela comuna a todos os indivíduos pertencentes a ela. Nesta fase, a educação compreendia ensinar tudo a todos, uma educação para a vida e por meio da vida.

Passada esta fase, a educação se tornou um fenómeno social. Como fenómeno social, a educação se fez privilégio da classe alta, pelo que, já não se poderia ensinar tudo a todos, muito menos se poderia conceber uma educação para a vida e por meio da vida, antes, deu-se início à educação para a sobrevivência das classes baixas e a manutenção de poder para a classe alta.

Nas comunas, a educação era ministrada pelos mais velhos da comunidade em contexto de vida prática. Com o surgimento das sociedades, começam a surgir, na educação, figuras como o sacerdote, o mago, o mestre, etc. Porém, na sua gênese, o estado e a educação eram entidades não correlacionadas, o que quer dizer que, o estado não tinha nenhum controle sobre a educação, nem o manipulava para os seus fins.

Os mestres eram entidades independentes e autónomas. Estes concebiam seus próprios métodos e currículos educativos. Com o tempo, apercebendo-se da influência e do poder que os mestres ou educadores da época exerciam sobre as massas, conveio ao poder político regular o sistema educativo para evitar, diriam eles, anarquia e caos.

É com a presença do poder político na educação que surge a figura do professor e da professora.

Quem é o professor? Quem é a professora?

Os professores são uma subclasse de políticos inferiores, inseridos na educação pelo poder político como estratégia para conter a força e a influência dos mestres sobre a ordem social. Percebam ou não, os professores estão ao serviço da manutenção do poder político vigente, bem como a contínua subjugação das classes baixas.

Por que considerá-los uma subclasse de políticos inferiores inseridos na educação?

Os professores são uma subclasse de políticos inferiores inseridos na educação porque, dentre outras razões:

  1. O professor é um instrumento político e não um indivíduo pensante
  2. O professor não é autónomo, muito menos independente
  3. O professor está ao serviço da sociedade sob a direção do poder político e
  4. O professor não delibera sobre o que ensinar e como ensinar.

Kamuenho Ngululia
Malanje, 25 de fevereiro de 2025

Como citar este artigo: 
Ngululia, K. (2025:2). Professores: uma subclasse de políticos inferiores na educação.
Brasil: Jornal Cultural ROL

Voltar

Facebook