Cultura tradicional regional

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:

‘Cultural tradicional regional’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
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às 08:39 PM
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É nas formas de agir, sentir e pensar que se manifesta a cultura, a qual traduz a globalidade do modo de vida de um povo, dizendo respeito ao homem individual, enquanto domínio do subjetivo, contendo, intrinsecamente, a ideia de evolução no sentido do melhor.

O homem valoriza-se porque a cultura é um processo que se concretiza como um produto do espírito humano, numa como que superformação do caráter, de resto, já há mais de dois mil anos que a cultura era para os gregos a “aristocracia do espírito”. É, por isso, bastante difícil definir a cultura, porque a sua complexidade não permite uma delimitação, que qualquer definição impõe.

Numa perspetiva filosófica e citando António Sérgio o problema da cultura «é uma questão de mentalidade e esta é algo que não se pode ensinar porque constitui o resultado das convicções profundas de cada um»

Por sua vez, Protágoras, afirma que: «O homem é a medida de todas as coisas», enquanto que Platão dizia que «Deus é que deve ser a medida de todas as coisas» para, finalmente, se admitir, com Jorge Dias, que «o coração é que se torna a medida de todas as coisas, até porque o português revela-se de particular singularidade, seja qual for a sua situação no mundo».

A psicologia portuguesa transporta uma série de elementos étnicos, míticos e culturais, da mais diversificada origem, o que, efetivamente, denota o caráter extremamente complexo da cultura portuguesa. 

A estrutura greco-latina, as correntes islâmicas e hebraicas transmitidas para o pensamento e a literatura, a profunda religiosidade que ao longo da Idade Média se fez sentir, a epopeia dos descobrimentos, o espírito das Cruzadas e o ideal da dilatação da Fé, pela qual se construiu o Império Colonial, os contactos com povos tão díspares como o africano, o oriental e o americano, são fatores que não podem, de forma alguma, ser ignorados na composição da Cultura Portuguesa, à qual deve juntar-se, como elemento fundamental, o Mar. 

O Atlântico Português, a partir do qual se expandiu a Nação Lusitana, daí que a cultura Lusa seja mais marítima que qualquer outra: trata-se de uma cultura expansiva, uma cultura da aventura, do mistério, do risco e da saudade. Uma cultura cujo elemento essencial permitiu escrever páginas históricas indeléveis, cujo expoente literário se materializou em “Os Lusíadas”, que bem se pode dizer ser a Bíblia da Pátria Lusitana, a orientação da aventura de todo o Renascimento.

Logo nos primórdios da sua história, os portugueses tornaram-se num povo de imenso manancial psicológico porque, em boa verdade, eles adaptaram-se a todas as situações, sem que dessa natureza resulte qualquer perda de caráter, qualquer quebra de nacionalismo e, por isso, o português vive no estrangeiro, adaptando-se às normas de trabalho, à língua e até a certos costumes.

 Este povo festeja, periodicamente, de forma bem portuguesa e, ainda mais intensamente, à boa maneira da sua terra natal, alguns dos principais acontecimentos religiosos e profanos: a Ceia de Natal que, em família, se realiza com observância de determinados hábitos gastronómicos muito próprios, ou mesmo a “matança do porco” (agora em desuso, até por motivos legais e de salubridade pública), que muitos concretizam quando integrados em pequenas comunidades estrangeiras, onde outros portugueses residem ou, ainda, a criação de coletividades desportivas, culturais e recreativas, muito embora a saudade da terra natal não o abandone mas, bem pelo contrário, o torna mais melancólico, enigmático, distante, porém, sempre forte.

Este sentimento peculiar dos portugueses, leva-os a viver com sonhos de glória. Estão caraterizados pela saudade e pelo mar. A saudade é como que uma mentalidade complexa, resultante da combinação de fatores diferentes, por vezes opostos e que dá origem a um estado de alma muito singular, como que uma estranha ansiedade que, porventura, é uma simbiose de três tipos mentais diferentes: o lírico sonhador, próximo do temperamento céltico; o fáustico, do modelo germânico; e o fatalístico, bem ao temperamento oriental. Toda a literatura nacional passa pela saudade e, embora a filosofia portuguesa não tenha criado escola, também ela transpira saudade, sonho, fatalismo e glória.

BIOGRAFIA.

SÉRGIO, António, (1974). Obras Completas: Ensaios, 1ª edição, Tomo VII, Lisboa: Sá da Costa.

SÉRGIO, António, (1976). Obras Completas: Ensaios, 2ª edição, Tomo I, Lisboa: Sá da Costa. 

Venade/Caminha – Portugal, 2025

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Guerreira

Valdinéia Augusto de Souza: Poema ‘Guerreira’

Valdinéia Augusto de Souza
Valdineia Augusto de Souza
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às 15:55 PM

A vida me tornou
Uma guerreira
Mas não vivo de guerras
Não sou inocente
Mas sou transparente
Sei bem o que quero
Gosto de pessoas
Que sejam verdadeiras
Não interesseiras
Não gosto de bajulações
Mas gosto de gentilezas
Aceito opiniões
Mas não exigências
Já sou bem grandinho
E sei bem o que quero….

Valdineia Augusto de Souza

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Gueixa: dama da noite

Ella Dominici: Poema ‘Gueixa: dama da noite’

Ella Dominici
Ella Dominici
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 às 17:05 PM
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às 17:05 PM

Lua que clara e evidente
em seu raio e vigília
vislumbra no tocável olhar

ela não se escolhe nem o pode
vê tulipas e cravos não os colhe
jardineira cultiva mexe e remexe

terra do desejo dormente
aduba-se da própria fertilidade
da luz diurna e digna que a aquece

não se pode dizer ao Sol: mais sol
à chuva: mais ou menos chuva
lume do dia a chama fêmea não de si

noite chegada leva a mulher
ao Vesúvio que devasta dama
coração morre lentamente
na chama que não é sua e se queima

folhas rubras da esperança que
não restam na memória ao dia
somente a pintura do rosto

que escreve o não poder querer
arte do mundo imaginário
onde se dança canta e dá risadas

bela sombra do segredo
olhos de águas profundas
marcas que cirandam em roda

em água azul inda rodopia
dissipa-se na lágrima o desejo
até que durma e dela suma

Ella Dominici

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Expansão da literatura do Cuanza-Sul

A iniciativa reforça a importância da cooperação entre escritores e agentes literários na valorização da produção literária nacional

Card da parceria para a expansão da literatura do Cuanza-Sul
Card da parceria para a expansão da literatura do Cuanza-Sul

Duas vozes femininas da literatura do Cuanza-Sul uniram esforços para fortalecer a presença dos livros angolanos além-fronteiras. Loid Portugal e Bereznick Rafael selaram uma parceria estratégica que visa impulsionar as vendas da mais recente obra de Bereznick, ‘A Flor sob o Sol Nascente‘, no mercado namibiano.

Atualmente residindo em Windhoek, Namíbia, Loid Portugal será a responsável por representar a autora e conduzir o processo de comercialização do livro naquele país vizinho, ampliando o alcance da literatura angolana para novos leitores. A iniciativa reforça a importância da cooperação entre escritores e agentes literários na valorização da produção literária nacional.

Bereznick Rafael, já com três obras publicadas, considera este último lançamento um marco na sua trajetória, consolidando sua posição no cenário literário angolano. A parceria surge como um passo fundamental para a internacionalização do seu trabalho e para o fortalecimento da literatura do Cuanza-Sul em outras geografias.

O acordo entre as duas escritoras evidencia o dinamismo da literatura angolana e a importância da cooperação para garantir que mais autores locais ganhem visibilidade fora do país.

Os leitores brasileiros poderão adquirir o livro pelo e-meio loidportugal42@gmail.com.

Capa do livro 'A Flor Sob o Sol Nascente', de Bereznick Rafael
Capa do livro ‘A Flor Sob o Sol Nascente’, de Bereznick Rafael

Sobre a autora

Bereznick Rafael
Bereznick Rafael

Bereznick Rafael é uma jovem escritora Angolana, nascida na cidade do Sumbe, província do Cuanza-Sul. Com mente de engenheira e alma de escritora, é formada em engenharia mecânica de sistemas automáticos pela Chuvash State University, na Rússia.

Apaixonada por artes desde que se entende por gente, a autora tem a escrita como forma de expressão e manifestação de liberdade. Acredita que a arte é vida e o seu ideal é melhorar o mundo através dela.

Bereznick é autora da obra literária ‘A Eulália’, um retrato sobre a natureza e consequências do abuso sexual em mulheres, e do livro digital ‘S.O.S da Alma’.

Com uma escrita leve, criativa e envolvente, a escritora procura, por meio de seus livros, chamar a atenção aos leitores para problemas sociais.

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Homenagem a Helio Rubens

Marcelo Augusto Paiva Pereira: ‘Homenagem a Helio Rubens’

Marcelo Paiva Pereira
Marcelo Paiva Pereira
Helio Rubens de Arruda e Miranda - Fundador do Jornal ROL
Helio Rubens de Arruda e Miranda – Fundador do Jornal ROL

Aos 07 de fevereiro de 2024 nosso mentor e amigo Hélio Rubens nos deixou, partiu para o Paraíso Celestial após oito décadas de vida terrena. Um grande jornalista, muito fez pela divulgação da cultura através da mídia, tanto impressa (ou real) quanto digital (ou virtual).

Quando a internet ainda engatinhava no Brasil – e no mundo – teve ele a iniciativa de criar o presente jornal, intitulado Jornal ROL – Região On Line, que ganhou corpo ao longo dos anos, tanto na quantidade de membros quanto na qualidade dos textos publicados.

O ROL é um jornal exclusivamente cultural e virtual, somente circula na internet, o número de páginas é ilimitado, aberto a todos os interessados e tem o escopo de facilitar a leitura e aquisição dos textos para difundir com mais abrangência os diversos temas abordados.

No ano passado (2024) completou 30 anos de publicação ininterrupta e com divulgação internacional, visitado e lido por pessoas de outros países, inclusive da Europa, interessadas nos temas publicados. Um ineditismo de sucesso, extrapolou as fronteiras nacionais e conquistou leitores além do Atlântico.

Além desse, outro jornal criado por ele foi o Internet Jornal (I.J.), também virtual, mas de publicação limitada (reduzida) a poucas páginas, com diversos textos e temas, além de uma coluna social muito bem elaborada, que prestigiava pessoas de destaque na sociedade. Os temas culturais, entretanto, sempre estiveram presentes, assinados por membros do jornal ROL, sem que houvesse qualquer perda ou desvio de qualidade na produção daquele jornal.

Foram projetos de vida, de dedicação ao jornalismo e à constante preocupação com a divulgação da cultura. Ele sabia que a vida é vazia sem o substrato do conhecimento, o qual nunca deve ser contido nem tolhido por condutas sinistras. Difundir o conhecimento (ou a cultura) sempre foi fundamental para a formação do pensamento crítico, da consciência de pertencimento e das questões políticas que envolvem cada pessoa enquanto ser social e político.

Por fim, Helio Rubens foi um visionário, esteve à frente do seu tempo e conquistou seu espaço social e profissional com afinco, dedicação permanente na produção jornalística (e, por assim dizer, literária), que conquistou leitores e adeptos ao longo dos anos. Deixou para todos um legado mais valioso do que cremos, o Jornal ROL e a finalidade ininterrupta de transmitir a cultura a todos. Foi um grande jornalista e nos deixou um grande jornal, à altura dele e do que defendia. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira

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A inteligência espiritual

Sergio Diniz da Costa: ‘A inteligência espiritual’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
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às 11:20 PM
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às 11:20 PM

A sociedade ocidental sempre priorizou a razão, entendida esta como “raciocínio que usamos para solucionar problemas lógicos”, como única forma de o ser humano apreender a realidade que o cerca. E de tal forma a razão foi entronizada que psicólogos desenvolveram testes para medir esse tipo de inteligência, classificando-o por graus, mais conhecido como Q.I. (Quociente de Inteligência). O Q.I. indicaria as habilidades ou talentos de uma pessoa e, desta forma, quanto mais alto o índice, maior seria a sua inteligência.

Alguns pensadores ocidentais, incluindo cientistas, no entanto, intuíram outro patamar dentro do campo da inteligência. Na memorável obra O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry filosofava que “é com o coração que se vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos”. Einstein afirmou com convicção: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”; e indo mais além, chegou à conclusão que “o homem erudito é um descobridor de fatos que já existem – mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir”.

Em meados da década de 1990, o psicólogo americano Daniel Goleman, PhD da Universidade de Harvard, trouxe a público pesquisas realizadas por numerosos neurocientistas e psicólogos, que detectaram uma nova modalidade de inteligência, à qual denominaram de inteligência emocional (QE). O QE “dá-nos percepção de nossos sentimentos e dos sentimentos dos outros. Dá-nos empatia, compaixão, motivação e capacidade de reagir apropriadamente à dor e ao prazer. Conforme observou Goleman, o QE constitui requisito básico para emprego efetivo do QI”. A teoria da inteligência emocional, portanto, redefiniu o que é ser inteligente.

Nos estertores do século XX, as pesquisas sobre o comportamento humano avançaram ainda mais, a ponto de se falar de um terceiro quociente, que pode descrever totalmente a inteligência humana. Trata-se do Quociente Espiritual, ou QS (Spiritual Quocient). Segundo os estudiosos dessa nova faceta da inteligência, por meio do QS, “abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor”; é “a inteligência com a qual podemos pôr nossos atos e nossa vida em um contexto mais amplo, mais rico, mais gerador de sentido, a inteligência com a qual podemos avaliar que um curso de ação ou caminho na vida faz mais sentido do que outro.

“O QS permite que seres humanos sejam criativos, mudem as regras, alterem situações. O Quociente Espiritual (QS) é a fundação necessária para o funcionamento eficiente do QI e do QE. É a nossa inteligência final. (…) O QS dá-nos a capacidade de escolher. Dá-nos senso moral, a capacidade de temperar normas rígidas com compreensão e compaixão e igual capacidade de saber quando a compaixão e a compreensão chegaram a seus limites. Usamos o QS para lutar com questões acerca do bem e do mal, e imaginar possibilidades irrealizadas – sonhar, aspirar, nos erguermos da lama. (…) Nós o usamos para lidar com problemas existenciais – problemas em que nos sentimos pessoalmente num impasse, na armadilha de nossos velhos hábitos, nas neuroses, ou quando temos problemas com doença ou sofrimento. O QS nos torna conscientes de que temos problemas existenciais e nos dá meios para resolvê-los – ou pelo menos para encontrar paz no trato com eles. E nos dá um sentido ‘profundo do que significam as lutas da vida”.

Segundo a física e filósofa Danah Zohar, “As indicações de um QS altamente desenvolvido incluem: capacidade de ser flexível, grau elevado de autopercepção e capacidade de enfrentar e usar o sofrimento, capacidade de enfrentar e transcender a dor, capacidade de ser inspirado por visão e valores, relutância em causar dano desnecessário, tendência para ver as conexões entre coisas diversas (ser ‘holístico’), tendência acentuada para fazer perguntas do tipo ‘Por quê? Ou ‘O que aconteceria se…’ e procurar respostas ‘fundamentais’ e ser o que os psicólogos denominam de ‘independente do campo – isto é, possuir capacidade de trabalhar contra convenções”.

A mesma autora ensina a maneira pela qual podemos aprimorar o QS: “De modo geral, podemos aprimorar nosso QS passando a usar mais o processo terciário – a tendência de perguntar por que, procurar conexões entre coisas, trazer para a superfície as suposições que vimos fazendo sobre o sentido por trás e no âmago das coisas, tornando-nos mais reflexivos, estendendo-nos um pouco mais além de nós mesmos, assumindo responsabilidade, tornando-nos mais conscientes, mais honestos conosco mesmos e mais corajosos”.

Sergio Diniz da Costa

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Intriga

Clayton Alexandre Zocarato: Poema ‘Intriga’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
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às 17:18 PM

Uma intriga

Fez uma bela barriga

Durante momentos

De suor e frio intenso

Muito furor

Sem nenhum indolor

Gerando dor

Clayton Alexandre Zocarato

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