Laskiaf Amortegui: ‘Seu sorriso: sorrir às vezes apaixona’
Laskiaf AmorteguiFoto da autora criada pela IA do Gemini
Devo escrever algo belo, profundo e maduro, mas minha musa se recusa a ressoar e minha caneta dança entre meus dedos paralisados. Que seja algo belo, dizem… seu sorriso é encantador. Algo profundo… que já não está aqui. E finalmente maduro: que devo te esquecer, embora minha alma suspire até explodir. Será que não entendem que cada frase me leva a ela? Maldigo a musa que partiu, pois é o seu sorriso que ainda governa meus dedos apaixonados.
Jacob Kapingala: Poema ‘Um pouco da nossa alegria’
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Extinguir o bem do coração, É o pior que se pode fazer. Embora os dias sejam de aflição, Há que se ter amor pra viver.
O futuro não se pode apressar. Viver é ter calma e ver onde se põe o coração. Pois apesar de tudo que nos faz chorar, Há sempre um fim para a desolação.
Não precisa gritar para ser ouvido. As palavras sabem muito bem chegar ao seu destino. E mesmo que o caminho seja tão temido, Siga como um bom peregrino.
O hoje deve ser sempre bem-vindo, Tal como se deseja o raiar do dia. E caso a luz não nos esteja sorrindo, Então, que sejamos nós a dar-lhe um pouco da nossa alegria.
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.
É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.
Teve o desejo de colocar no papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.
É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.
O Dia da Língua Portuguesa e da Cultura foi uma data criada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em 2009, em reunião do seu Conselho de Ministros, sendo que, em 2019, a UNESCO referendou-a como Dia Mundial da Língua Portuguesa.
Para uma professora graduada em Letras – é bem verdade que desde o século passado, tematizar a língua portuguesa é abordar a própria vida, porque, a maioria de nós, nascidos no Brasil, aprendemos a falar, expressar sentimentos, emoções em língua portuguesa – claro, que uma língua portuguesa que sofreu influências do indígena, do negro, dos europeus.
Gosto tanto dela, dessa sonoridade, desses sons abertos, que são feitos por vogais tônicas e de algumas palavras como mãe, como saudade (dizem que não existe palavra igual em qualquer lugar do mundo que expresse saudade com a mesma carga semântica como saudade o faz em português).
Como professora de Literatura – lecionei Literatura produzida no Rio Grande do Sul, com suas características particulares; Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e Literatura de expressão africana, sou apaixonada por essa ideia que diferentes países, em distintos continentes manifestam a sua percepção do mundo em língua portuguesa.
Agrada-me saber que, por exemplo, em Moçambique e no Timor Leste, dois países tão distantes do Brasil, há uma língua portuguesa, muito irmã, cujos falantes olham para o céu, para as estrelas, para as árvores, para os pássaros e, provavelmente, nomeiam-nos de forma compreensível. Dizer amor lá e cá é dizer amor.
Quando refiro Moçambique, faço alusão a um país na costa oriental da África , banhado pelo Oceano Índico, com uma população marcadamente de origem banto. Há cerca de 3% de brancos em Moçambique e foi essa generosa terra que ofertou o poeta Mia Couto e toda a sua sensibilidade. Dele, repito, com certa frequência: “E a loucura nem sempre é uma doença. Por muitas vezes, é um ato de coragem.” Uma expressão que faz tanto sentido, tanto sentido!
Quando refiro o Timor Leste, um tanto mais adiante, localizado em uma porção da ilha do Timor, no sudeste asiático, que foi possessão portuguesa, possessão indonésia e, posteriormente, um país livre, desde 20 de maio de 2002, ufana-me certo bairrismo, orgulho de ser brasileira.
Durante a ocupação da Indonésia, mais especificamente, em 1991, houve um massacre que ultrapassou o número de 200 mortes, tendo sido realizado por tropas militares indonésias. Naquela época, começava um ponto de virada, sob influência internacional, em que se postulava a independência do país. Em 1999, o governo da Indonésia permitiu a presença de uma força multinacional de paz para reorganizar o país e, em 2000, o comando militar tornou-se responsabilidade da ONU (Organização das Nações Unidas).
Aqui, entra em cena o meu orgulho de ser brasileira, desse Brasil que legou ao mundo um diplomata como Sergio Vieira de Mello – ainda que grande parte da sua formação não tenha sido em nosso país, ele era um falante de língua portuguesa.
Sérgio Vieira de Mello foi fundamental para a independência do Timor Leste – não sei os métodos adotados, mas suponho que todos tenham sido pautados pela diplomacia e pela ordem legal que a ONU determina.
O diplomata brasileiro esteve no Timor Leste entre 1999 e 2002, ou seja, desde que a Indonésia liberou a entrada de uma força multinacional de paz até a independência do país. Ele esteve à frente da reconstrução do Timor-Leste, um país destruído e desestruturado pela violenta ocupação da Indonésia, e liderou a criação das bases que conformariam o país, que se tornaria independente em 2002.
Vieira de Mello lidou com a questão da soberania, com o retorno de milhares de refugiados, foi necessário fundar instituições essenciais para o funcionamento de um país, expedir normas legais, nomear funcionários para cargos chefes, tudo em busca da estabilidade social e política do Timor Leste. É bem verdade que não descuidou das questões econômicas, assistenciais etc.
Assim posto, o propósito deste texto é, de fato, reverenciar a língua de Camões , Machado de Assis e tantos outros autores que se expressaram e expressam nela, mas também nos lembrar que somos uma comunidade, a comunidade dos falantes da língua portuguesa, vivendo em latitudes e longitudes diferenciadas, certamente, com costumes, com crenças diversas, mas conservamos uma tradição que nos aproxima em qualquer parte do mundo, uma identidade que nos ‘aconchega’ entre os povos. Isso muito me agrada, repito!
Clayton A. Zocaratomagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a0753dd-3650-83e9-ae4d-c1d0520e9ddb
Quando recebeu a carta, pensou primeiro no erro burocrático. O envelope era cinza, sem remetente, e carregava apenas seu nome escrito numa caligrafia excessivamente precisa, como se cada letra tivesse sido desenhada por alguém que jamais escrevera à mão antes.
Dentro havia um contrato.
As páginas eram amareladas, embora o papel cheirasse a novo. No topo, em letras pequenas:
“CLÁUSULAS PARA UM ESPAÇO QUE NÃO EXISTE.”
Ele riu sozinho no apartamento vazio. A pia estava cheia de pratos, a geladeira emitia um zumbido contínuo, e a chuva escorria pela janela como um pensamento cansado.
Passou os olhos pelas cláusulas.
Cláusula I
Todo indivíduo ocupa um espaço simbólico na realidade, ainda que tal espaço não exista materialmente.
Cláusula II
O ocupante será responsabilizado pela manutenção emocional desse espaço.
Cláusula III
Não haverá compensação ao final do processo.
Releu aquilo três vezes.
Não porque estivesse confuso, mas porque sentiu algo pior: reconhecimento.
Dobrou as folhas e as colocou sobre a mesa.
Tentou voltar ao trabalho, mas o cursor piscando na tela parecia zombar dele.
Fazia semanas que escrevia relatórios para uma empresa que vendia softwares administrativos para outras empresas que também pareciam não produzir nada além de relatórios.
Às vezes imaginava o mundo inteiro como uma engrenagem girando no vazio, sustentada apenas pelo medo coletivo de admitir que não havia máquina alguma.
À noite, sonhou com corredores infinitos.
Portas alinhadas em ambos os lados. Em cada uma delas havia uma placa com nomes de pessoas. Amigos mortos. Antigas amantes. Colegas esquecidos da escola. Seus pais.
Quando abriu uma das portas, encontrou apenas um cômodo branco e sem móveis.
Nada.
Abriu outra.
Nada.
Outra.
Nada novamente.
Ao fim do corredor havia um espelho. Quando se aproximou, percebeu que seu reflexo não o imitava exatamente.
O homem do outro lado parecia mais velho, mais cansado.
O reflexo falou primeiro:
— Você ainda acredita que existe um centro para tudo isso?
Acabou suando.
Nos dias seguintes, começou a notar pequenas falhas na realidade.
Uma mulher no metrô repetia exatamente o mesmo movimento de ajeitar o cabelo a cada dois minutos.
Um cachorro ficou parado na esquina por horas olhando para uma parede.
O jornaleiro perto de seu prédio disse “bom dia” com a mesma entonação perfeita durante três manhãs seguidas, como uma gravação.
Começou a suspeitar que o mundo não estava vivo.
Talvez nunca tivesse estado.
Passou então a reler o contrato obsessivamente.
Havia cláusulas escondidas que antes não estavam ali.
Cláusula IX
O vazio percebido pelo ocupante não constitui defeito estrutural.
Cláusula XII
A consciência é um mecanismo temporário destinado a suportar a ausência de significado.
Cláusula XVII
Perguntas sem resposta deverão continuar sendo formuladas até a extinção do ocupante.
Ele tentou rasgar as páginas.
Na manhã seguinte, elas estavam intactas sobre a mesa.
Tentou queimá-las.
As folhas não pegavam fogo.
Tentou jogá-las fora.
À noite, encontrou o contrato novamente ao lado da cama.
Como um animal paciente.
A partir daí, começou a evitar pessoas.
Descobriu que toda conversa humana funcionava da mesma forma: duas solidões trocando ruídos para esquecer o abismo.
No trabalho, ouviu colegas discutindo metas trimestrais com uma seriedade religiosa.
Num bar, viu um casal brigando porque um deles não respondera mensagens. Na televisão, políticos prometiam futuros que sabiam impossíveis.
Tudo lhe pareceu grotesco.
A humanidade inteira atuando numa peça sem plateia.
Passou então a caminhar pela cidade durante a madrugada.
As luzes dos prédios acesas pareciam olhos insônes.
Pensava nas milhares de pessoas acordadas naquele instante: algumas chorando, outras desejando morrer, outras tentando desesperadamente encontrar sentido em rotinas repetidas.
Mas sentido era apenas uma superstição sofisticada.
A razão humana havia construído ciência, leis, máquinas, religiões e sistemas filosóficos para evitar uma conclusão simples:
O universo não precisava de nós.
Nunca precisou.
A consciência talvez fosse apenas o acidente mais cruel da matéria: o instante em que o vazio ganhou olhos para contemplar a si mesmo.
Certa madrugada, encontrou uma porta no fim de um beco.
Nunca estivera ali antes.
Branca.
Sem maçaneta.
No centro, havia uma pequena placa metálica:
“ESPAÇO DESIGNADO AO OCUPANTE.”
Não sentiu medo.
Sentiu alívio.
Encostou a mão na porta e ela se abriu lentamente.
Do outro lado não havia escuridão.
Nem luz.
Havia ausência.
Um espaço impossível de descrever porque não continha forma, profundidade ou tempo.
Era como olhar para algo anterior à própria ideia de existência.
Então compreendeu.
Toda vida humana era uma tentativa desesperada de mobiliar aquele vazio.
Amor, trabalho, fé, arte, memória — móveis frágeis colocados dentro de um cômodo inexistente.
Nada permanecia.
Nada sustentava.
Nada respondia.
O universo não odiava os homens.
Isso exigiria interesse.
O universo apenas continuava.
Indiferente.
Elias deu um passo adiante.
O chão desapareceu imediatamente sob seus pés, mas não houve queda.
Seu corpo parecia dissolver-se em silêncio, como fumaça dentro de um espaço sem ar.
Antes de desaparecer completamente, ouviu uma última frase, vinda de lugar nenhum:
Cláusula Final
O ocupante esteve sozinho durante todo o processo.
Então até a consciência terminou. E o vazio, finalmente, deixou de ser observado
A Literatura de Superação e o Impacto Social de Satar Henriques
Satar Henriques
A literatura, muitas vezes, nasce do desejo de dar voz ao que está guardado no silêncio.
Para o jovem escritor, poeta e empreendedor Satar Henriques, escrever é mais do que uma arte; é uma ferramenta de transformação social e cura emocional.
Nascido na província de Manica, em Moçambique, e residente em Almada, Portugal, Satar traz na bagagem uma visão de mundo pautada na empatia e na resiliência.
Aos 23 anos, o autor já acumula experiências que vão muito além da escrita.
Formado pelo Instituto de Formação de Professores da Beira, com especialização em Necessidades Educativas Especiais, Satar dedica-se também à liderança juvenil como Diretor da FEPJ (Fundo de Experiência Profissional Jovem), onde trabalha para abrir portas meritocráticas para as novas gerações.
O Aroma das Lições de Vida
Sua obra recente, “Amor com Aroma Amargo”, é o resultado de uma partilha profunda de vivências.
Nascido de um desabafo entre amigos que enfrentavam as dores de relacionamentos passados, o livro foi construído a quatro mãos com a narradora Domingas Thomais.
A obra explora o conceito de que o amor, mesmo quando doce, pode deixar um travo agridoce.
“É para nos lembrar que nem tudo são flores”, reflete o autor.
Mas, para além da dor, a mensagem central é a redenção: o poder do perdão, independentemente de quão amargo tenha sido o aroma da experiência vivida.
Uma Literatura Comprometida com o Próximo
O processo criativo de Satar Henriques é guiado pela escuta.
Ao ouvir histórias alheias, ele mentaliza capas e conteúdos, lapidando páginas até que se tornem “obras de arte” que ressoam com o público.
Atualmente, o autor busca apoio para um projeto ainda mais denso e necessário: “A menina que sobreviveu além da dor”.
A obra trata da superação de traumas profundos relacionados ao abuso infantil, trazendo à luz o conflito interno entre o medo e a busca pelos próprios sonhos.
É uma literatura que não foge dos temas difíceis, mas que procura, em cada página, oferecer uma nova perspectiva sobre o mundo.
Empreendedorismo e Cultura
Além das letras, Satar manifesta sua criatividade através da moda com a marca BGA, reafirmando sua crença de que a juventude é o motor fundamental da transformação.
Seja através de um verso, de uma peça de vestuário ou de uma oportunidade de trabalho, Satar Henriques mostra que a sensibilidade literária pode, sim, andar de mãos dadas com a liderança ativa.
Após meses de um amor intenso, Rita descobre uma mensagem de “Leny” no celular de Marcos, seu namorado.
Palavras que queimam como brasas que revelam um segredo capaz de acabar com tudo.
Dividida entre perdoar ou partir, Rita enfrenta uma jornada de autodescoberta, confrontando a traição e o poder do perdão.
Amor com Aroma Amargo explora os labirintos do amor, onde a confiança pode ser destruída num instante, desafiando-nos a refletir sobre o que realmente significa amar.