“O meu filho está no sexto ano. E agora?!”

Palestra “O meu filho está no sexto ano. E agora?!”, faz parte de um projeto desenvolvido pelos educadores da EMEF Coronel Esmédio

Card da palestra "O meu filho está no sexto ano. E agora?!
Card da palestra “O meu filho está no sexto ano. E agora?!

No próximo sábado, dia 8 de fevereiro, das 9h às 10h30, a EMEF Coronel Esmédio, em Porto Feliz (SP), receberá a palestra “O meu filho está no sexto ano. E agora?!”, direcionada à comunidade escolar, especialmente aos pais e responsáveis de alunos ingressantes no 6º ano. O evento será ministrado pela Coordenadora Pedagógica, professora Elizabety Batoni Bragagnolo, e pela advogada Dra. Elizete Scatigna.

A palestra faz parte de um projeto desenvolvido pelos educadores da EMEF Coronel Esmédio, visando auxiliar a comunidade a compreender os desafios e estratégias para uma adaptação pedagógica eficaz no início do sexto ano. O projeto considera as diferenças individuais dos alunos, as demandas curriculares e o contexto de inclusão.

“A proposta é colaborar com os pais e responsáveis, oferecendo orientações sobre como apoiar os estudantes nessa fase de transição, promovendo uma adaptação mais tranquila e eficiente”, explicou o diretor da escola, professor Daniel Piasentin.

Durante o evento, serão abordados temas como a Justiça Restaurativa e a adaptação ao 6º ano, incluindo procedimentos e o papel dos pais no acompanhamento e na construção da autonomia dos adolescentes.

A palestra é aberta a toda a comunidade escolar e gratuita. Não é necessário realizar inscrição prévia. A EMEF. Cel Esmédio está localizada na rua Adhemar de Barros, 118, centro.

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Inclusão digital

Fidel Fernando:
‘Inclusão digital no processo de ensino e aprendizagem: uma ponte para o futuro ou um caminho para a exclusão?’

Fidel Fernando
Fidel Fernando
Imagem gerada por IA do Bing – 23 de Janeiro de 2025,
 às 13:30 PM
Imagem gerada por IA do Bing – 23 de Janeiro de 2025,
às 13:30 PM

Em pleno século XXI, o avanço tecnológico molda todos os aspectos da vida humana, incluindo a educação. A inclusão digital no ensino, então, parece ser uma palavra de ordem. Contudo, o que deveria ser uma ponte para o futuro pode facilmente transformar-se num abismo de exclusão, caso não se prepare o terreno adequadamente.

Imagine uma escola que se vangloria de ter uma sala de informática. No entanto, por trás das portas desse espaço, a realidade revela algo bem diferente: falta de recursos humanos qualificados, professores e técnicos que desconhecem as ferramentas disponíveis ou não sabem utilizá-las pedagogicamente. Assim, a tão sonhada inclusão digital torna-se um fardo; em vez de abrir portas, ela fecha-as, restringindo o acesso a um conhecimento que deveria ser universal.

A inclusão digital é repleta de vantagens que, se bem reconhecidas, podem transformar o processo de ensino e aprendizagem. Dentre essas, uma das mais promissoras é a gamificação. Este recurso pedagógico actual e actuante, que utiliza a dinâmica dos jogos para ensinar, segue os passos da pedagogia inovadora de Maria Montessori, onde o brincar é sinónimo de aprender. Servindo-se da gamificação, os alunos não apenas se divertem, mas também desenvolvem habilidades cognitivas de forma estimulante e engajante.

Entretanto, para que esse tipo de estratégia tenha sucesso, é imprescindível que os educadores estejam preparados. A adopção da tecnologia nas escolas não deve ser apenas uma questão de adquirir equipamentos, mas, sim, de formar uma comunidade educativa capaz de usá-los com eficácia. Se o mundo avança e a tecnologia desenvolve-se, as escolas não podem permanecer como parentes órfãos dessa transformação. Elas devem não apenas acompanhar essa dinâmica, mas também se tornar agentes conscientes, educando seus alunos para o uso correcto e produtivo dos recursos digitais, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar.

Quantas vezes as dúvidas que poderiam ter sido esclarecidas imediatamente na sala de aula, utilizando recursos digitais, foram adiadas para uma pesquisa posterior? E quantas vezes, mesmo com a tecnologia à disposição, os alunos foram impedidos de desmistificar o significado de uma palavra invulgar porque faltou o preparo para integrá-la ao ensino de forma eficiente?

Em síntese, a inclusão digital só cumpre seu papel de forma plena quando há um esforço conjunto para que todos, professores e alunos, estejam capacitados para utilizá-la. Caso contrário, o que poderia ser uma ferramenta de democratização do conhecimento torna-se uma nova forma de exclusão.

Fidel Fernando

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O Estado: paradigma de pessoa-de-bem

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:
‘O Estado: paradigma de pessoa-de-bem’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA do Bing – 05 de fevereiro de 2025,
às 16:29 PM

E se numa conceção clássica se pode definir o Estado como sendo: um grupo de cidadãos (povo); localizados geograficamente num determinado espaço (território); delimitado por fronteiras, internacionalmente reconhecidas; cujo povo comunga de uma cultura, história e língua comuns; tem objetivos e desígnios coletivos, que toda a população defende, então o Estado é constituído por todos aqueles elementos, os quais não têm quaisquer responsabilidades perante o cidadão e a instituição, particularmente considerados. 

O Estado abstrato, assim entendido, nem sempre defende os interesses, não promove a justiça, não distribui equitativamente as riquezas nacionais e não pode exigir dos cidadãos e das instituições particulares, isto é, da sociedade civil, o cumprimento de determinadas obrigações. Importa, então, analisar o Estado concreto, objetivo, identificável. 

Mas o Estado tem o rosto dos respetivos dirigentes que, antes e depois das correspondentes funções, transitoriamente desempenhadas, justamente à custa da confiança que o cidadão-eleitor neles depositaram, seja no grupo político, seja diretamente no próprio governante. 

No exercício das funções que lhes foram cometidas, tais cidadãos, agora investidos de poderes especiais, devem ser os primeiros a cumprir a Lei, com equidade, com tolerância, compreensão e pedagogia preventiva, sem estratégias e processos persecutórios, sem espírito punitivo e, quantas vezes, injusto. 

E se: por um lado, o Estado tem de construir e implementar o Paradigma de “Pessoa-de-bem”, a começar nas e entre as suas próprias instituições de base como as Autarquias Locais, criando laços de confiança e credibilidade, adotando uma postura pedagógica, atuando em tempo útil, sem discriminações, independentemente das ideologias político-partidárias dos diversos responsáveis;

 Por outro lado, e nas atuais circunstâncias, o exercício do poder local democrático, nas freguesias rurais e semiurbanas, carece de uma profunda revisão e estruturação. Nesse sentido, o cidadão contemporâneo tem de participar no processo de atualização e ajustamento às realidades existentes, para garantir dignidade, competência, eficácia, iguais direitos e tratamento para com todos os seus concidadãos, independentemente das suas opções político-partidárias. 

O político, detentor do poder decisório: não pode deixar-se envolver por sentimentos ideológico-partidários; nem por questões mal resolvidas, no passado, em relação àquele sobre quem vai decidir algo; muito menos poderá ignorar a dignidade e o respeito devidos à Instituição que vai responder pelos efeitos da sua decisão e, em última análise, em circunstância alguma deve decidir contra os legítimos e legais interesses de um povo que, a partir da eleição, deve ser tratado todo por igual. 

O Estado, enquanto instituição nacional suprema, é servido por cidadãos que, no exercício das respectivas funções, cumprem ordens, executam a Lei e prestam contas aos seus superiores hierárquicos, e assim sucessivamente, numa cadeia hierárquica, que tem por limite a Lei Fundamental, isto é, o mais alto magistrado do Estado, também presta contas às instituições às quais, constitucionalmente, deve obediência e, finalmente, à própria Lei. 

Venade/Caminha – Portugal, 2025

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Caminho da idade

Irene da Rocha: Poema ‘Caminho da idade’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Bing – 05 de fevereiro de 2025
às 12:54 PM

Quanto mais velho, o sapato é leve,
Buscando conforto na vida que se tece.
O valor das presenças se faz companhia,
Em um mundo onde a luz é a alegria.

Alimentos saudáveis, um prato em harmonia,
O álcool distante, a saúde é a melodia.
Passos firmes, a estrada é escolhida,
Amizades sinceras, a alma é nutrida.

Solidão, uma amiga, não se troca em vão,
É no silêncio que se ouve o coração.
Ignorar o supérfluo, recusar a dor,
Saber quando falar, escolher o amor.

Menos reações, mais paz na jornada,
Valorizar pessoas, a vida é sagrada.
Discussões desfeitas, conflitos ao léu,
O desejo é leveza, um abraço de céu.

Amar a si, a serenidade é o farol,
Em cada passo, um novo caracol.
Quanto mais velho, mais sábio a ser,
O amor e a paz, sempre a florescer.

Irene da Rocha

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Remédio d’alma

Nilton da Rocha: Poema ‘Remédio d’alma’

Nilton da Rocha
Nilton da Rocha
'Remédio d'alma'
Imagem criada por IA do Bing - 05 de fevereiro de 2025
 às 12h24 PA
‘Remédio d’alma’
Imagem criada por IA do Bing – 05 de fevereiro de 2025
às 12h24 PA

Em cada abraço dado, a cura emana,
Como um bálsamo suave, que o coração acalma.
Um sorriso sincero, palavra que encanta,
A presença amiga que jamais se espanta.

A luz que trazes é remédio potente,
Contra a dor, tristeza, ou descontentamento.
Ser presente é ser um milagre vivente,
Que transforma o amor em puro alento.

Como o Direito busca a justiça na lei,
O carinho procura a alma que anseia.
Num mundo de normas, contratos e véus,
O afeto é a sentença que liberta os céus.

No tribunal da vida, onde julgamos, amamos,
A compaixão é o juramento que selamos.
Cada gesto gentil, uma prova de bondade,
Que defende a esperança em qualquer realidade.

Seja a flor que em meio ao deserto floresce,
O carinho que a alma de alguém enaltece.
Na caixinha de remédios da vida, esteja,
Pois o amor, em seu poder, a tudo seja.

Nilton da Rocha

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O castigo de sua existência

Trajetória e obra da haitiana Stephanie Desir

Foto de Stephanie Desir
Stephanie Desir

Stephanie Desir é haitiana, tem 28 anos e reside no Brasil há cinco anos.

Atualmente, é estudante de Agronomia na Universidade Federal da Fronteira Sul.

Desde os 14 anos, ela alimenta o sonho de se tornar escritora, pois a escrita é sua paixão, forma como expressa sua alma e dá vida às suas ideias.

Sua trajetória literária começou com poemas para declamar, momento em que encontrou sua voz como autora.

Mais tarde, deu início à escrita do livro Schismaïda, que atualmente leva o título O Castigo de Sua Existência.

Esta obra reflete anos de inspiração, esforço e determinação.

Apesar de ter enfrentado um período difícil que a afastou da escrita, em 2021 ela tomou a decisão de retornar e dar continuidade ao seu sonho.

Resgatou as ideias que tivera na adolescência, reformulou-as e acrescentou uma narrativa mais madura e emocionante.

Cada palavra escrita por ela é um pedaço de si mesma, e acredita que a história que escreveu tem o poder de inspirar outras pessoas a nunca desistirem de seus sonhos, mesmo diante dos maiores desafios.

Ela se inspirou no que viu, viveu, ouviu, imaginou e pesquisou.

REDE SOCIAL DA ESCRITORA

RESENHA

Este é um relato poderoso sobre a vida de uma garota que, ao longo de sua trajetória, enfrentou inúmeros abusos e adversidades.

Em meio ao sofrimento, ela se viu diversas vezes à beira de desistir, mas a história é também um testemunho de resiliência e superação.

O enredo destaca, com sensibilidade, a importância fundamental da família, dos amigos e, especialmente, do amor-próprio, que se tornam pilares essenciais na busca pela recuperação e pela reconstrução de sua vida.

Um livro impactante e profundo, que toca o coração do leitor e nos lembra da força que podemos encontrar mesmo nas situações mais sombrias.

SINOPSE

É a história da vida de uma jovem desde o nascimento até os 27anos.

Esta jovem se chama Schismaïda Nierrelus, ela sofreu muito ao longo de sua vida.

O maior culpado por sua dor é sua família e seus próximos.

Schismaïda sofreu abuso sexual, solidão, abuso verbal, físico, ataque espiritual, não teve uma vida
saudável e até a tentação da morte.

Ela possuía uma natureza profundamente generosa, embora essa faceta de sua personalidade permanecesse oculta aos olhos de todos.

Schismaïda experimentava a carência de amor em sua vida, uma ausência que a deixava desprovida de entendimento sobre o que significava ser amada, visto que jamais havia experimentado tal sentimento.

Essa carência afetiva a levou a estabelecer diversos relacionamentos, porém, nenhum deles prosperou.

Nesse contexto, a vida de Schismaïda parecia presa em um ciclo de repetição, no qual ela se encontrava incapaz de discernir uma saída.

Não obstante todas as adversidades, Schismaïda manteve-se resiliente e perseverante, nutrindo a esperança de que um dia conseguiria superar seu passado e almejar uma vida feliz e serena.

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

A OBRA

Capa do livro "O castigo de sua existência"
Capa do livro O castigo de sua existência, de Stephanie Desir

ONDE ENCONTRAR


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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Édipos nossos de todos os tempos

Elaine dos Santos: ‘Édipos nossos de todos os tempos’

Elaine dos Santos
Elaine dos Santos
Imagem criada por IA do Bing – 05 de fevereiro de 2025
às 08:14 PM

Este texto não é sobre a tragédia grega ‘Édipo Rei’, mas ela serve como base para a reflexão. Quando Édipo nasceu, o oráculo previu que ele mataria o pai, Laio, e desposaria a mãe, Jocasta. Ciente disso, Laio determinou que o bebê fosse assassinado. O homem que deveria matar Édipo apiedou-se, amarrou-o em uma árvore num lugar distante e entregou o seu futuro ao destino.

Cabe lembrar que Édipo significa ‘o dos pés inchados’, os seus pés incharam enquanto permaneceu amarrado à dita árvore. Eis que o bebê foi encontrado e levado para uma cidade qualquer, onde foi adotado pela família real, gozando de amor, educação refinada, todos os deleites de uma amorosa família.

O oráculo, porém, o fez conhecer a previsão: você matará o seu pai e desposará a sua mãe. Atormentado, acreditando que os reis que o adotaram – sem que ele tivesse conhecimento que era adotivo – fossem seus pais, Édipo fugiu.

Vagou pelos caminhos, até que, num determinado ponto, encontrou uma caravana e, por um desentendimento qualquer, entrou em luta corporal com o líder do grupo, matando-o. O homem morto era Laio, seu pai.

Fugiu mais uma vez e andou, andou e andou. Finalmente, encontrou-se diante de uma Cidade-Estado grega em que “a mão da rainha, viúva estava posta em casamento”. Os pretendentes, porém, precisavam decifrar um enigma apresentado por uma esfinge que havia à entrada da cidade: “Qual o animal que, pela manhã, anda em quatro patas; ao meio-dia, anda em duas patas e, no final do dia, anda em três patas?” Édipo não teve dúvidas: o homem.

Assim, Édipo casou-se com a sua mãe, Jocasta, e eles tiveram quatro filhos: Antígona, Ismênia, Etéocles e Polinice. Mas as moiras, figuras mitológicas que tecem os destinos humanas, fizeram chegar ao conhecimento de Édipo e Jocasta que eles eram filho e mãe. Ela suicidou-se, ele perfurou os olhos para não ver o pecado, a tragédia que provocara.

Antígona acompanhou o pai pelo deserto, vagando para ‘purificar-se’ até que ele morresse. Quanto ela voltou ao seu local de origem, Creonte (irmão de Jocasta), que já havia assumido o poder após a morte de Laio, havia entregado a Édipo e reassumira após a desistência de Édipo e a morte de Jocasta, reinava absoluto.

Enquanto Antígona estava fora, os seus irmãos Etéocles e Polinice haviam lutado pelo poder e, numa luta fratricida (quando irmãos matam irmãos), morreram. Diante da luta travada, Creonte considera Etéocles como herói e Polinice, como traidor, tendo provocado a destruição da cidade, proibindo o enterro de Polinice, que deveria ser deixado para os abutres.

Antígona rebela-se evocando a lei das tradições, a lei dos deuses do Olimpo, enquanto Creonte afirma a sua lei, as suas determinações como senhor de Tebas. Antígona, ainda assim, enterra Polinice com as próprias mãos. Ela é presa e, indignada, suicida-se.

Hémon, filho de Creonte e noivo de Antígona, descobre que ela se matou e segue o mesmo caminho. Logo em seguida, Eurídice, mulher de Creonte e mãe de Hémon, fica sabendo sobre a morte do filho e põe fim à própria vida. Embora pense na execução da própria morte, Creonte desiste, deixa que o destino resolva.

Toda vez que, em alguma parte do mundo, eu fico sabendo que alguém atenta contra os direitos humanos, mesmo que isso não seja foco de notícias televisivas ou motivo de polêmicas em redes sociais, eu penso em Creonte, mas tenho muito presente a figura das moiras.

Quando revisitamos a História do Ocidente, afinal, Edward Said ensina-nos que não conhecemos o Oriente, mas apenas uma criação imagética criada pelo Ocidente, encontramos inúmeros déspotas, ditadores, autocratas, gente sem escrúpulos que não teme em impor a sua vontade em detrimento da dor alheia, do sofrimento de miseráveis.

Ao ensinar Literatura para ensino médio e ensino superior, eu chamava a atenção dos meus alunos, que cada movimento literário representava uma transição de ideias entre um tempo e outro, que nada é perene, mas que ações humanas deixam marcas em seres humanos, de carne e osso, a Literatura apenas re-apresenta essas dores.

Quem leu ‘Feliz ano velho’ e, agora, revisita ‘Ainda estou aqui’, o romance de Marcelo Rubens Paiva, ou vê o filme homônimo, não precisa deter-se na totalidade das narrativas, basta que centre os seus olhos na cena – tão falada – em que Eunice vê famílias comuns, que se divertem e sabe que ela nunca mais terá aquela oportunidade.

Não é apenas Eunice que se representa ali, mas tantas mulheres, mães, cujos filhos são mortos em nosso cotidiano, pelo tráfico, pela polícia, pela bala perdida, pelo trânsito violento. Salva-nos a Arte, que nos ajuda a reelaborar o que as moiras seguem traçando sem o nosso conhecimento.

Profa. Dra. Elaine dos Santos

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